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Raising Villains the Right Way – Capítulo 38

Colônia, uma cidade no deserto (3)

Tradutor: miggigibe


Liyan Aguileras não gostava de mentiras.

Na verdade, ia muito além de simplesmente não gostar. Ela as detestava.

Esse ódio vinha das experiências que tivera enquanto crescia como filha do mestre da Torre Vermelha.

Ela desfrutara de inúmeros privilégios, mas, junto deles, vieram incontáveis mentiras e enganações.

Mentiras tão graves que acabaram deixando-a traumatizada.

Por isso, passou a sentir uma aversão quase compulsiva a mentiras. E esse repúdio se intensificava ainda mais quando quem mentia era um mago, consequência do trauma que carregava desde a infância.

Foi por isso que, ao conhecer o conde Palatio pela primeira vez, Liyan Aguileras o detestou instintivamente.

Apesar dos rumores de que o conde Palatio tivera um papel importante ao lidar com ameaças estrangeiras, Liyan o considerava fraco.

Ele não possuía os "Olhos", característica essencial para se tornar um mago de alto ranque. Liyan, por outro lado, tinha talento suficiente para enxergar com facilidade a mana de Alon.

Era lamentável, pouco mais que um lampejo de poder.

Embora ele fosse sem dúvida um mago, aquela quantidade miserável de mana não bastaria sequer para levá-lo ao 2º nível.

Isso a fez lembrar de outro rumor, segundo o qual o conde Palatio não era o herói que havia detido as ameaças estrangeiras, mas apenas o benfeitor de Deus Macallian, um dos Cavaleiros-Mestres.

A ideia de que ele havia roubado a glória de Deus Macallian rapidamente se enraizou em sua mente como verdade, e Liyan passou a odiar profundamente o conde.

Sim. Só podia ser isso.

Mas como?

Liyan agora encarava Alon em choque.

Mais precisamente, observava o fenômeno que ele havia criado.

Um espaço gélido se formara ao redor dele, espalhando-se pelo deserto escaldante e congelando o próprio ar em meio àquela terra abrasadora.

Quando viu a geada começar a se formar na areia próxima a Alon, Liyan não conseguiu entender o que estava acontecendo.

Era uma magia que jamais poderia ser manifestada com a quantidade de mana que Alon possuía.

E não era só isso.

Embora não entendesse como a magia havia sido lançada, Liyan conseguia compreender sua estrutura.

— Magia composta… e com pelo menos três magias diferentes…!

Magia composta.

Explicá-la em termos teóricos levaria muito tempo, mas, de forma simples, tratava-se de conectar duas ou mais magias.

É claro que conectar magias estava longe de ser fácil.

Vários elementos precisavam ser acrescentados para que a magia funcionasse, mas a estrutura básica de disposição ainda precisava ser obedecida.

Em outras palavras, bastava que uma única estrutura fosse rompida para que toda a magia fosse anulada.

O mago precisava reconstruir as magias por meio da própria equação para fazê-las funcionar em conjunto.

A dificuldade de conectar magias crescia exponencialmente a cada magia acrescentada, tornando aquilo um desafio que apenas magos de pelo menos 5º nível eram capazes de tentar.

Foi por isso que, enquanto Liyan observava, atônita, Alon preparar a próxima magia…

!

…ela viu algo.

O homem de tapa-olho, que apenas instantes antes estava diante dela, de repente havia chegado até Alon.

Ninguém percebeu como aquilo aconteceu. Tudo terminou num instante.

Os mercenários, que só então entenderam que proteger Alon era a melhor estratégia, viraram-se depressa.

Liyan também começou instintivamente a preparar sua magia para ajudá-lo, mas já era tarde demais.

O homem de tapa-olho estava diante de Alon com um sorriso astuto, pronto para brandir as duas cimitarras.

Mas o que Liyan viu não foi a cabeça de Alon sendo decepada.

— Congele.

Estalo!

Foi o homem de tapa-olho que ficou congelado no lugar.

Preso exatamente na postura em que brandia as duas cimitarras, ele se transformou numa estátua de gelo naquele breve instante.

— Despedace.

Ao murmúrio baixo de Alon…

Crac! Craash!

O gelo se despedaçou, e o corpo do homem que os levara ao desespero se partiu imediatamente em incontáveis fragmentos.

Silêncio.

Haa…

Alon soltou o ar devagar, e uma névoa branca voltou a envolvê-lo.

Ele recolheu a mão com que formara os selos, tão complexos que nem mesmo Liyan conseguira compreendê-los por completo.

— Vou dar uma chance a vocês.

Falou como se já tivesse previsto tudo desde o começo.

Sem alterar a expressão, lançou um olhar frio para o grupo de bandidos, agora paralisados pelo medo.

— Sumam.

Foi uma declaração baixa, mas perfeitamente clara, carregada de uma ameaça que ninguém poderia interpretar de outra forma.

Depois de perderem o líder com um único ataque, os bandidos hesitaram por um instante antes de fugir em todas as direções.

Ao ver Alon desfazer a magia com calma, como se nada tivesse acontecido, Liyan percebeu o quanto havia sido ignorante e continuou encarando-o.

Um traço de admiração surgiu em seus olhos.


Enquanto observava os bandidos desaparecerem em fuga num piscar de olhos, Alon sentia alívio e perplexidade por trás da expressão impassível.

'As coisas não saíram exatamente como eu planejava, mas no fim deu certo. Que alívio.'

Alon conhecia a Areia Sangrenta.

O grupo aparecia numa história paralela do jogo.

No jogo, aqueles bandidos tinham uma característica: assim que o líder era derrotado, os demais se dispersavam.

Por isso, Alon pretendia eliminar o líder o mais rápido possível, e conseguira fazer exatamente isso.

…Só não esperava que o homem avançasse contra ele antes mesmo de terminar de manipular a matriz mágica.

'Parece que reduzir uma das penalidades funcionou.'

Alon sentiu de repente o calor abrasador do deserto voltar a penetrar até os ossos.

O frio que se espalhara a partir dele pouco antes vinha de uma magia que passara mais de meio ano desenvolvendo depois de retornar de Caliban: o "Frio Extremo".

A magia exigia o uso simultâneo de magia espacial, magia de gelo e magia de manutenção, e seu efeito era transformar temporariamente o ambiente ao redor em algo semelhante à tundra congelada do Norte.

Para Alon, porém, essa transformação era crucial.

'O "Frio Extremo" é importante porque me permite cumprir parcialmente uma das quatro condições necessárias para distorcer as leis do mundo e matar entidades de outro mundo: "a magia deve ser usada em uma terra de frio extremo".'

Em outras palavras, a magia permitia reduzir de quatro para três o número de penalidades que precisava suportar, o que a tornava extremamente valiosa para ele.

Os efeitos negativos dessas condições limitavam suas capacidades mágicas.

'A magia que conectei ao Frio Extremo funcionou bem. A diferença de dificuldade quando tenho de suportar uma penalidade a menos é realmente enorme. Mesmo que a magia tenha ficado mais poderosa do que eu esperava… por causa do cinto.'

Embora Alon tivesse ficado momentaneamente desnorteado com o aumento inesperado de poder…

'Bem, acho que isso é uma coisa boa.'

Ele deu de ombros e levou a mão conscientemente ao ornamento preso à cintura, um cinto adornado com três ametistas chamado "Cinto do Esquecido".

O item dobrava tanto o dano que ele causava quanto o dano que recebia, e esse efeito continuava se aplicando a Alon mesmo enquanto suportava as três penalidades.

'…Se eu conseguir aquele item aqui, com certeza poderei eliminar mais uma penalidade.'

Pensando nisso, Alon soltou o cinto e o guardou no bolso.

'Ainda preciso ajustar o Frio Extremo. Para consumir o equivalente a três magias, a duração é curta demais. Mal chega a um minuto… Preciso pensar em como melhorar isso.'

Com esses pensamentos, ele voltou para a carruagem.

A partir daquele dia, e também no seguinte, conforme se aproximavam da cidade do deserto, duas mudanças ocorreram na vida de Alon.

— Ah, conde Palatio! Este é um vinho especial produzido em Gur, e dizem que tem um sabor maravilhoso. Que tal uma taça?

— Obrigado.

— E este é um presunto que trouxe para vender na cidade como especialidade local. Gostaria de experimentar? É incrivelmente delicioso…!

A primeira mudança foi a atitude de Rad, líder da Caravana dos Cabelos Dourados, que dera uma guinada de 180 graus.

Em apenas uma noite, Rad passou a oferecer a Alon presentes ainda mais extravagantes do que os que havia dado a Liyan nos últimos dias, agindo como se estivesse disposto a lhe entregar até o próprio fígado e coração.

— Se houver qualquer outra coisa que deseje, por favor, não hesite em me dizer!

Rad se desmanchou em bajulações diante de Alon e só desapareceu depois de fazer uma profunda reverência.

— A atitude daquele homem mudou 180— não, 360 graus.

— …Mas 360 graus não significaria que ele continuou igual?

— Quero dizer que a reação dele mudou nesse nível.

A segunda mudança foi…

— Conde Palatio.

— …Liyan Aguileras?

— Sim. Se não for incômodo, gostaria de conversar sobre magia com o senhor. Tudo bem?

A atitude de Liyan Aguileras em relação a Alon havia mudado por completo.

Na noite em que os bandidos atacaram, ela fizera uma profunda reverência diante dele, algo que parecia impossível para alguém tão orgulhosa, e lhe pedira desculpas.

A partir do dia seguinte, passou a procurar Alon com frequência e a fazer várias perguntas sobre magia.

— Então quer dizer que esta parte pode ser disposta livremente na matriz mágica—

— Sim. Para usar magia composta, é preciso manter a estrutura. Então, em vez de fixar a matriz, você a distorce por meio de rotação.

As conversas de Liyan Aguileras com Alon acabaram sendo bastante proveitosas para ele.

Até então, Alon aprendera magia sozinho, apoiando-se apenas em retorcer feitiços por meio da linguagem.

As perguntas e o conhecimento de Liyan lhe deram uma valiosa perspectiva acadêmica.

Sempre que ele explicava uma estrutura de matriz um pouco superior à dela, Liyan reagia, consciente ou inconscientemente, com murmúrios baixos como "Ah… entendo", e Alon achava aquilo bastante satisfatório.

É claro que, conforme as conversas se tornavam mais frequentes, o olhar excessivamente admirado que ela começara a dirigir a ele passou a deixá-lo um pouco constrangido.

— Aqui está.

— E isto é…?

— Uma poção.

Naquele dia também, assim que a conversa terminou, Liyan lhe entregou naturalmente uma Poção de Recuperação de Mana.

Embora não fosse da mais alta qualidade como as que Penia havia lhe dado, a poção que Liyan entregava todos os dias ainda era bastante cara, o que deixava Alon um pouco sem graça por trás da expressão impassível.

— Não precisa trazer um presente toda vez que vier me ver.

— Estou aprendendo com o senhor. Por favor, não se sinta incomodado e apenas aceite.

Como ela insistia em lhe dar uma poção quase toda vez que se encontravam, Alon acabou recebendo cerca de quatro Poções de Recuperação de Mana até chegarem à cidade do deserto.


Depois de uma viagem de mais de uma semana, Alon chegou à cidade do deserto e se despediu de Rad, que lhe dissera para contar com ele para qualquer coisa, e de Liyan, que prometera pedir desculpas formalmente outra vez no futuro.

— …Até dá para entender no caso de um mercador, mas a filha do mestre da Torre Vermelha mudou tanto que é difícil me acostumar — murmurou Evan enquanto observava Liyan se afastar.

Com isso, Alon entrou na cidade do deserto e começou a observar os arredores sem pressa.

À exceção do tom arenoso dos prédios, o lugar não era muito diferente da capital de Asteria.

Havia, porém, uma construção que se destacava: um coliseu gigantesco, visível até mesmo do portão sul, que parecia simbolizar a própria Colônia e impunha uma presença esmagadora.

'Parece que cabem mais de cem mil pessoas ali.'

Depois de contemplar o enorme coliseu, que podia ser visto mesmo além de incontáveis edifícios, Alon começou a caminhar com Evan na direção de onde Seolrang estava.

Cerca de vinte minutos depois…

— Ora, ora, senhor nobre. Que tal bater um papo com a gente?

Alon foi abordado.

Diante dele e de Evan havia um grupo de mais de dez homens que, à primeira vista, praticamente gritavam: "Somos bandidos!"

Curiosamente, apesar de os homens terem ido provocar Alon, os mercenários ao redor apenas observavam a situação sem interferir.

Alguns pareciam até se divertir, como se aquilo fosse comum, enquanto outros fingiam não notar o que estava acontecendo.

Era uma atmosfera muito estranha.

— Se tudo correr bem, podemos até apresentar o senhor ao nosso chefe, Malian. O que acha?

As palavras do bandido fizeram Alon entender imediatamente aquela situação estranha.

'…Esses caras devem ser homens de Malian.'

Ao se lembrar de Malian, um dos quatro Baba Yagas da Colônia, também conhecido pelo título sinistro de "Fera do Horror", Alon logo percebeu o erro que havia cometido.

'Este é o território de Malian.'

Alon se lembrou de que, no jogo, sempre que alguém entrava na área de Malian, bandidos como aqueles tentavam extorqui-lo.

Alon soltou um suspiro resignado e pensou: 'Não tenho escolha a não ser deixar que me extorquam?'

Ele sabia que lutar ali seria uma péssima ideia.

Lidar com os bandidos que bloqueavam seu caminho seria fácil, mas fazer isso o colocaria contra um dos quatro Baba Yagas.

Isso criaria complicações desnecessárias para Alon, que precisava agir na Colônia durante os próximos dias.

Quando estava prestes a levar a mão ao bolso…

Toc!

— Ei, está suspirando na nossa cara?

O bandido que até instantes antes exibia um sorriso torto deu um leve toque na testa de Alon.

Era como se zombasse de uma criança, com um sorriso enviesado no rosto.

Evan, ao lado de Alon, franziu a testa por instinto e levou a mão à espada, mas…

Bum!

O bandido que tocara a testa de Alon foi lançado de repente para o lado e se chocou contra um prédio próximo.

Tudo aconteceu num instante.

Evan e Alon olharam, perplexos, para o bandido arremessado para o outro lado da rua, enquanto os demais homens, que até pouco antes sorriam, congelavam de choque.

— Ei—

E então…

— O que vocês pensam que estão fazendo com o meu mestre?

Crrrac!

— Hã? Por que não me contam?

A voz veio acompanhada de relâmpagos.

— Expliquem o que acabaram de fazer.

Os rostos dos bandidos que riam pouco antes rapidamente se transformaram em expressões de medo e pânico.

— Vamos. Expliquem-se.

Olhos dourados brilharam de fúria.

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