Tradutor: miggigibe
Assim que chegaram a Kahara, a Cidade dos Deuses Antigos, Liyan, os magos da Torre Vermelha, Seolrang e a Tribo da Juba Dourada decidiram esperar perto da entrada, de onde tinham a melhor visão da cidade.
É claro que Seolrang e Evan tentaram seguir Alon, mas ele os deixou na entrada e desceu sozinho para o interior da cidade.
Havia apenas um motivo para isso.
[Já que consegue ouvir minha voz, ao menos demonstrou o mínimo de respeito. Venha sozinho até a torre central de Kahara.]
Assim que entrou em Kahara, Alon ouviu uma voz sussurrar essas palavras.
Naturalmente, não fazia ideia de quem era a voz que lhe sussurrava ao ouvido.
Embora já tivesse visitado aquela cidade dezenas de vezes, nunca antes uma voz como aquela havia ecoado em sua mente.
Mesmo assim, por instinto, percebeu que aquilo tinha alguma relação com as palavras deixadas pela entidade misteriosa. Sem hesitar, seguiu em frente até finalmente chegar ao centro de Kahara.
Mais do que uma cidade esquecida, aquele lugar parecia uma fortaleza, sobretudo por causa da altura da torre, ainda mais impressionante para uma construção subterrânea.
Alon ficou encarando a torre por um instante antes de entrar.
Lá dentro, encontrou uma escadaria em espiral que subia pela torre.
Sem dizer nada, começou a subir.
Fshhh!
À medida que avançava pela escadaria, as luzes começaram a se acender uma após a outra, como se iluminassem o caminho para ele.
Era uma situação que jamais havia visto no jogo, e isso o fez hesitar por um breve instante. Nada além disso.
Seguindo as luzes, Alon continuou subindo até finalmente alcançar o topo da longa escadaria e encontrar um salão gigantesco.
Ratatatá~!!!
Com a ativação de um círculo mágico, o salão antes vazio se encheu de enormes estantes de livros.
As estantes surgiram do chão e logo cobriram toda a torre. Naquele momento, fora o céu e o chão, já não havia uma distinção clara entre frente e trás.
[Você chegou.]
Na verdade, nem todos os membros da Tribo da Juba Dourada demonstravam uma afeição incomum pelos demais de sua linhagem.
É claro que, em comparação com outros povos-fera, os membros da Juba Dourada tinham uma afinidade natural relativamente forte uns pelos outros.
Embora isso pouco significasse nos dias atuais, quinhentos anos atrás a Tribo da Juba Dourada estivera no topo da hierarquia dos povos-fera.
Mesmo assim, essa afeição não era maior do que o carinho que cada um nutria pela própria família.
Eles apenas sentiam uma afinidade um pouco maior entre si do que sentiam por outras raças. Nada além disso.
No fim das contas, continuavam sendo estranhos uns para os outros.
A razão de Seolrang ser tão obcecada pelos seus e prezar tanto a Tribo da Juba Dourada vinha de seu passado.
A felicidade dela estava no passado.
Ela adorava os dias em que vivia ao lado dos seus, sentia-se realizada ajudando o pai a encerrar as tarefas do dia e era feliz ao se sentar à mesa à noite para comer com a família.
A vida numa comunidade formada apenas pela Tribo da Juba Dourada, onde todos estavam unidos por laços de parentesco, ainda permanecia como uma fonte de felicidade para Seolrang.
Era por isso que Seolrang buscava vingança contra o "Dragão Negro", que destruíra aquela felicidade, e tentava reunir os seus para recuperá-la.
Seu respeito pela Grande Lua também vinha daí.
Ela acreditava que a Essência da Tribo da Juba Dourada, entregue a ela por Alon, poderia lhe permitir tanto se vingar quanto recuperar aquela felicidade.
E, para Seolrang…
Crac!
— Hã?
A morte de um membro da Tribo da Juba Dourada bastava para fazê-la perder a razão numa fúria avassaladora.
Bem diante de seus olhos, o corpo de um dos seus, que estivera falando poucos instantes antes, desmoronou de maneira lamentável.
E, ao mesmo tempo, quem surgiu diante dela foi…
— Hmph~ É só isso?
Não era outro senão Malian.
— Nada demais.
Malian, um dos Baba Yaga.
Com o rosto horrendo contorcido por um prazer grotesco, ele jogou de lado o cadáver do membro da Tribo da Juba Dourada. Ao mesmo tempo, dezenas de figuras vestidas de negro surgiram atrás dele.
— Mas que—
— Preparem-se para lutar!
Ao comando, os magos da Torre Vermelha e os mercenários contratados ergueram seus cajados com expressões tensas. Os rostos antes relaxados dos membros da Tribo da Juba Dourada rapidamente se encheram de pânico e medo.
E então…
— O que você pensa que está fazendo?
Malian encarou diretamente Seolrang, que exibia uma expressão inequivocamente ameaçadora, curvou os lábios num sorriso de escárnio e respondeu.
— Os povos-fera são mesmo tão burros assim? Você ainda precisa perguntar isso numa situação dessas?
O tom estava carregado de deboche, algo óbvio para qualquer um que o escutasse.
Ao ouvir aquilo, Seolrang estreitou os olhos. Já não havia mais motivo para trocar palavras.
Bzzzt!
Eletricidade irrompeu de seu corpo e se espalhou em todas as direções. Seus olhos dourados reluzentes se fixaram em Malian como alvo.
— Um.
Naquele instante, tomada por uma sensação instintiva e inquietante, Seolrang torceu o corpo e evitou por pouco um ataque.
Bum~!
O chão explodiu com um estrondo ensurdecedor, como se um enorme meteoro tivesse caído ali, deixando para trás uma cratera gigantesca.
— Uau, você desviou? Então não é uma adversária qualquer, hein?
Logo, um homem que havia destruído por completo a entrada, Kalman Arents, saiu tranquilamente da nuvem de poeira com um grande sorriso.
Ao ver Kalman se colocar ao lado de Malian como se tudo tivesse sido combinado, Seolrang soltou uma risada amarga. O que acabara de acontecer bastou para que entendesse a situação.
Seolrang cerrou o punho com força.
Bzzzt!
A eletricidade surgiu em resposta à sua vontade. Sua postura deixava claro que qualquer conversa dali em diante era desnecessária.
— Esperem, esperem! O que significa isso!? Somos magos da Torre Vermelha! E vocês dois são Baba Yaga, não são!?
Ao contrário de Seolrang, um dos magos da Torre Vermelha gritou desesperadamente, tentando encontrar uma saída para a situação. Malian voltou o olhar para eles e respondeu:
— Hmm, magos da Torre Vermelha, é? Imagino que mexer com vocês possa nos trazer alguns problemas.
As palavras pairaram no ar por um instante.
— Exatamente! Se alguma coisa acontecer conosco agora—
— Mas.
O mago tentou continuar, porém Malian o interrompeu imediatamente, sem lhe dar nem um instante de alívio.
— Isso só seria um problema se algum de vocês saísse daqui com vida, não seria?
Com um sorriso torto, Malian fez o rosto do mago endurecer por completo. O homem não era tolo a ponto de interpretar mal o que ele queria dizer.
E então…
— Tsc. Se vocês não tivessem feito tanto alarde, nada disso seria necessário. Por que tinham que tornar tudo mais difícil para todo mundo?
— Pensando bem, onde está aquele nobre que temos que eliminar? Ele deveria estar com vocês, não deveria?
— Bem, podemos cuidar dele depois que matarmos esta aqui primeiro.
Kalman respondeu casualmente às palavras de Malian e então disse:
— Agora, vejamos.
Uma energia negra e sinistra girou ao redor dele, aterrorizante para qualquer um que a visse.
— Que tal fazermos um pequeno experimento?
Bum!
Com isso, a batalha começou, e Kalman lançou o punho na direção de Seolrang.
Alon percebeu que a voz que ecoara em sua mente agora vinha diretamente de sua frente e ergueu a cabeça. Ali, sentada diante de uma escrivaninha, havia uma figura.
Era impossível definir sua aparência.
Mais precisamente, parecia haver algo interferindo o tempo todo em qualquer tentativa de descrever sua forma.
Parecia humana, bestial e monstruosa ao mesmo tempo.
Enquanto Alon encarava, atônito, a figura cuja sombra parecia mudar infinitamente, ela falou.
[Não fique olhando por muito tempo. Não importa o quanto tente, você não será capaz de perceber minha existência.]
Com essas palavras, Alon saiu do torpor, permaneceu em silêncio por um momento e então perguntou:
— Quem é você?
[Se não consegue sequer compreender minha forma, o que faz você pensar que conseguiria compreender meu nome?]
— …Você sabia que eu viria?
[Como eu poderia saber? Faz ideia de há quanto tempo não consigo sair daqui?]
— Mesmo assim, você falou como se soubesse.
[De modo algum. Talvez você tenha entendido errado?]
Alon sentiu de repente vontade de dar um peteleco na cabeça da figura sem forma sentada diante dele, mas se conteve e preferiu falar.
— Vim até aqui seguindo as palavras de Ultultus… ou melhor, daquela entidade misteriosa.
[Hmm. Eu suspeitava que pudesse ser isso.]
A figura respondeu com um leve interesse na voz e continuou.
[Aquele ser lhe contou seu verdadeiro nome? …Bem, parece razoável imaginar que você vale um teste.]
Alon ficou em silêncio por um momento, observando a figura assentir como se aquela conclusão fosse perfeitamente lógica, e então voltou a falar.
— …Um teste de quê, exatamente?
[É um teste para você. Quero dizer, uma oportunidade.]
— Uma oportunidade…?
Alon murmurou para si mesmo, e a figura explicou melhor.
[Você parece ter muitas perguntas. Infelizmente, não posso lhe dar nenhuma resposta agora. Você ainda não possui as qualificações necessárias.]
— E o que isso deveria significar?
Curioso com uma configuração que jamais encontrara no jogo, Alon insistiu.
[Para deixar claro desde já, não é com meu julgamento que deve se preocupar. São os padrões deste mundo que determinam se você possui as qualificações.]
Depois de dizer isso, a figura pareceu ponderar algo por um instante antes de continuar.
[Você provavelmente não entende e deve estar cheio de perguntas. Então vou explicar de forma simples.]
Pouco depois, voltou a falar.
[Em breve, outro ser de fora descerá a este mundo. Lide com esse ser e volte até mim.]
— …E se eu fizer isso?
[Então terá cumprido os requisitos mínimos. Os requisitos para conseguir me enxergar de verdade e receber respostas para suas perguntas.]
— Então quer dizer que não posso descobrir nada agora?
[Bem, pelo menos posso lhe dar uma pista.]
A figura, cuja forma ainda era ambígua demais para ser definida, olhou diretamente para Alon e sorriu.
[Quando sair da torre, vá ler o texto que fica no extremo leste desta fortaleza. Aquilo deve lhe dar uma noção geral da situação.]
— O texto no extremo leste… — murmurou Alon. A figura prolongou a reação por um instante antes de voltar a falar.
[Muito bem, já me decidi.]
[Na verdade, minha explicação termina aqui. Mas, já que você veio até tão longe, vou lhe contar algo interessante.]
Sem dar a Alon a chance de perguntar, a figura continuou.
[Neste mundo, para além do uso de encantamentos, existe um conceito conhecido como "Sulli" (順理), a ordem natural. Já ouviu falar?]
…?
— Sulli?
[Sim. E, para além disso, existe a "Automanifestação" (自性具現), mas isso ainda está muito além do seu alcance.]
Depois de murmurar algo em voz baixa por um momento, a figura voltou a explicar a Alon.
[Sulli é a base daquilo que as pessoas deste mundo chamam de magia, embora os tolos que a utilizam mal compreendam seus fundamentos. Posso ver que você é melhor do que eles, mas ainda está usando a magia de forma incorreta.]
A figura continuou falando como se achasse toda aquela situação divertida.
[A magia manifestada por meio de encantamentos segue a ordem natural. Não é algo que se possa montar de qualquer jeito. Somente seguindo a ordem natural, construindo cuidadosamente o encantamento e invocando o nome correto é possível realizar a verdadeira magia.]
A figura ergueu um dedo e acrescentou:
[Mas, mesmo com essa explicação, duvido que você entenda. Então, como presente, vou lhe ensinar o "Sulli", a ordem natural.]
Por fim, concluiu:
[Isto é a verdadeira magia.]