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Raising Villains the Right Way – Capítulo 44

Seolrang (6)

Tradutor: miggigibe


— Cristal de Gelo.

Ao confirmar a enorme muralha de gelo que se formava à sua frente, Alon soltou um suspiro profundo por trás da expressão impassível.

'O que diabos está acontecendo aqui?'

Ele estava completamente perdido com a situação. Do ponto de vista de Alon, era compreensível. Enquanto ouvia uma conversa na torre no centro da cidade, toda a área começara a tremer de repente como se estivesse prestes a desabar, obrigando-o a sair às pressas. E, quando saiu, deparou-se com aquela cena.

Para piorar, a situação estava muito além do que Alon conseguia compreender.

'Aqueles dois… Parece que usaram Núcleos Abissais.'

Alon se lembrou da energia densa e sombria que emanava dos corpos de Malian e Kalman, que tinham acabado de tentar matar Seolrang.

'Como?'

Até onde sabia, os Núcleos Abissais não deveriam aparecer àquela altura. Na história original, esses itens só começavam a se espalhar pelo mundo depois que dois dos Cinco Grandes Pecados apareciam.

O efeito daqueles itens era simples. Mesmo alguém fraco, ao absorver um Núcleo Abissal, obtinha poder divino. Embora nem mesmo Psychedelia explicasse o mecanismo por trás deles, havia muita especulação de que os Núcleos Abissais tinham sido introduzidos no jogo apenas para equilibrar o nível de dificuldade.

Os inimigos que usavam Núcleos Abissais sempre se tornavam incomparavelmente mais fortes do que antes.

Por isso, embora Alon quisesse saber por que Malian e Kalman possuíam Núcleos Abissais, logo afastou a questão da cabeça. O mais importante naquele momento não era aquilo, mas descobrir como superar a situação diante dele.

Alon avaliou tudo com frieza.

'Magias que ainda posso usar: zero.'

Ele já havia usado três magias para criar aquele ermo congelado, uma para disparar contra Malian e matá-lo quando ele tentou ferir Seolrang e outra para erguer uma barreira contra um possível ataque. Já não podia usar magia.

Ou melhor, em condições normais.

Glup!

Sem hesitar, Alon abriu um frasco preso à cintura e bebeu seu conteúdo. Era uma Poção de Recuperação de Mana da mais alta qualidade, dada a ele por Penia, a vice-mestra da Torre Azul.

'Com isto, consigo ganhar tempo com mais duas magias, mas a barreira vai desaparecer em 20 segundos.'

Depois de terminar a poção, Alon voltou rapidamente os olhos para Seolrang, caída no chão. Como passara um bom tempo preparando magia às escondidas para não ser percebido, já havia entendido por alto a sequência dos acontecimentos.

Ao olhar para ela, viu que os olhos de Seolrang estavam tomados por vazio, desespero e uma raiva intensa. Uma energia sombria transbordava de todo o seu corpo.

Ao vê-la naquele estado, Alon tirou imediatamente outra poção da cintura. Era uma poção da mais alta qualidade que recebera meio ano antes, quando uma enxurrada de presentes chegara até ele.

— Beba isto.

Alon se agachou, encostou o frasco na boca de Seolrang e sussurrou:

— Os únicos que traíram você foram aqueles caras. Então não se preocupe.

— Isso… é mesmo verdade?

— Sim.

Ele respondeu com firmeza, embora, na verdade, nem Alon soubesse quantos membros da Tribo da Juba Dourada tinham ficado do lado de Ralga.

Mesmo que Seolrang não fosse do tipo que refletia muito sobre essas coisas, bastava pensar um pouco para perceber que o que Alon dizia era pouco convincente.

Ainda assim, ele mentiu porque, naquele momento, precisava desesperadamente da ajuda dela.

'Só tenho uma chance, e Seolrang precisa segurar os ataques deles até eu terminar de preparar a magia.'

As magias de Alon demoravam muito para ser conjuradas. Ele sabia muito bem como seria absurdo esperar que os inimigos ficassem parados durante todo esse tempo. Por isso mentiu, para fazer Seolrang, afundada no desespero, agir imediatamente.

— Consegue segurá-los até eu terminar de preparar a magia?

Alon fez Seolrang beber toda a poção. Embora ainda cambaleasse um pouco, ela se levantou com firmeza e assentiu.

— Sim.

O efeito do veneno ainda não havia se dissipado por completo, mas não havia outra opção. Alon decidiu confiar em Seolrang e começou a preparar a magia. Assim que o feitiço estivesse pronto, lidar com Kalman não seria difícil.

Kalman havia absorvido um Núcleo Abissal e ficado mais forte. Ironicamente, porém, justamente por ele ter feito isso, Alon também se tornaria ainda mais forte. Alon havia estabelecido uma Restrição, um poder capaz de distorcer as leis do mundo quando enfrentava deuses.

— Haa…

Com um leve suspiro, Alon formou um selo com as mãos. Num instante, a fria muralha de gelo que espalhava geada desapareceu como se nunca tivesse existido.

— Gelo e Neve.

Assim que pronunciou o encantamento seguinte, a geada rodopiou violentamente ao seu redor, e assassinos e membros da Tribo da Juba Dourada avançaram como se estivessem esperando exatamente por aquele momento. Eram dezenas.

Mas…

— Forma.

Mesmo cambaleando, Seolrang começou a repelir os inimigos que avançavam sobre ela. Enquanto a observava, Alon pronunciou a frase seguinte. Então fechou os olhos e se lembrou das palavras que aquela entidade sem forma dissera antes.

Você pode ter perdido o grande legado do passado, mas quem entende de magia sabe que sua essência está no fato de que um "Magus" é alguém capaz de concretizar as leis deste mundo.

A matriz da magia, os encantamentos e até os nomes, tudo isso existe para concretizar essas leis. Só quando tudo é organizado corretamente de acordo com esses princípios é que…

…isso pode ser chamado de magia.

— Renome da Montanha Nevada.

Enquanto Alon falava, uma esfera se formou entre seus dedos médio e anelar e congelou. Mas não parou nisso. Cada ponto da matriz mágica que ele havia preparado floresceu como um floco de neve, e cada placa hexagonal serviu de ponto de partida para uma flor única.

Parece que você só conhece algumas fórmulas, mas também precisa usar sentenças. Fórmulas podem distorcer as leis, mas sentenças são as chaves que abrem certas portas que levam para mais perto das leis deste mundo.

Bem, não é como se os magos de hoje tivessem perdido completamente os nomes. Eles apenas os simplificaram e uniformizaram demais, perdendo as palavras originais nesse processo.

Hoje em dia, provavelmente chamam isso por algum nome idiota como "Lança de Gelo".

— Inevitabilidade do Cego.

As flores que desabrochavam se abriram por completo. A esfera na ponta dos dedos de Alon já não era uma simples esfera, mas um enorme floco de neve cristalino.

Crac!

No centro daquele floco de neve, uma lança de forma belíssima surgiu diante dele.

E então…

Mas, originalmente, aquela magia não tinha um nome tão idiota quanto "Lança de Gelo".

— Alabarda de Cristal de Gelo.

Esse é o verdadeiro nome que aqueles magos tolos esqueceram.

Depois de falar em voz baixa, Alon abriu os olhos. Viu Kalman, com as manoplas escuras, encarando-o com uma expressão frustrada, enquanto Seolrang fazia de tudo para contê-lo.

Ao vê-los, Alon apertou com força o selo que vinha formando e concluiu a magia.

Na câmara escaldante, surgiu um campo coberto de neve.


Liyan observou a magia de Alon se manifestar. Sua mente, que normalmente executava incontáveis simulações para analisar qualquer magia diante dela, havia parado por completo.

Ela só conseguia olhar, atônita.

Tudo no caminho da lança que Alon disparara havia congelado. O chão, o ar e…

…Kalman, cujo coração havia sido perfurado pela lança de gelo.

Tudo havia congelado.

Aquela cena anormal, mas de uma beleza de tirar o fôlego, fez Liyan e os outros magos permanecerem incapazes de desviar os olhos.

— Isso é… inacreditável…

— Aquilo é… um mago…?

Os mercenários, que poucos instantes antes estavam tomados pelo desespero, murmuraram em assombro enquanto olhavam para Alon. Seus olhos estavam cheios de reverência e admiração sem limites.

E era natural.

A situação desesperadora havia mudado por completo graças ao ser que estava bem diante deles.

Naquele momento, até Seolrang, que escapara por pouco do alcance da magia, observava Alon.

De repente, "aquilo" se mexeu.

— Ah!

Ironicamente, a primeira pessoa a perceber que aquela figura, mais precisamente Ralga, que todos julgavam ter sido derrubado por Seolrang, voltara a se mover foi um mercenário que observava a cena.

— Morra!

Com o braço direito destroçado, Ralga ergueu o punhal envenenado que antes colocara Seolrang em perigo e avançou contra ela. Ele ainda estava fortalecido pelo poder que Seolrang lhe concedera, pois a autoridade da Tribo da Juba Dourada ainda não havia sido revogada. Movendo-se à velocidade de um relâmpago, surgiu diante de Seolrang justamente quando ela baixou a guarda.

!

Acreditando que tudo havia terminado, Seolrang tentou recuar, mas já era tarde demais. Seu corpo estava coberto de ferimentos depois de conter Kalman e os demais atacantes. O veneno também continuava agindo, e ela não teve escolha além de ver o punhal de Ralga avançar em direção ao seu coração.

O rosto de Ralga se iluminou de alegria.

'Se eu conseguir matá-la, posso assumir o controle da Essência e fugir! Posso começar tudo de novo!'

Com esse pensamento, ele apertou ainda mais o cabo do punhal. Mas…

!?

O punhal de Ralga não perfurou o coração de Seolrang.

'O quê!?'

Isso aconteceu porque, assim como o mercenário, Alon percebeu por instinto o avanço de Ralga e puxou o corpo de Seolrang para trás bem a tempo.

Mas…

Como consequência, o corpo de Alon se projetou naturalmente para a frente e entrou na trajetória do punhal de Ralga.

— Ugh!

Sangue jorrou de sua boca.

Era um sangue espesso e enegrecido, um sinal claro de um ferimento mortal. Enquanto Ralga permanecia imóvel, chocado com o fracasso, Seolrang, tomada pela fúria, esmagou a cabeça dele com o pé.

— Conde!

A voz de Evan ecoou.


No fim das contas, Alon não havia se ferido de verdade.

É verdade que a lâmina atingira seu flanco, mas, surpreendentemente, não causara nenhum dano real.

O punhal de Ralga de fato o atingira, mas apenas de raspão, rasgando só suas roupas.

Em outras palavras, Alon não estava ferido.

Então por que ele cuspira sangue? Simplesmente por causa do esgotamento de mana.

Embora ainda tivesse mana suficiente para usar mais uma magia, o feitiço que acabara de lançar consumira tanto que o levara além do próprio limite, causando danos internos.

'…O poder superou minhas expectativas, mas vou precisar de alguma coisa para compensar a falta de mana.'

Com uma das mãos sobre o estômago, que ainda o incomodava, Alon observava as ruínas se afastarem. Não chegara a ver a tabuleta no extremo leste, mas, como a emboscada havia acontecido, decidiram deixar as ruínas por aquele dia.

Depois de observar as ruínas desaparecerem ao longe por algum tempo, Alon virou a cabeça para Seolrang, que o encarava fixamente.

Se tudo tivesse seguido seu plano original, ele estaria consolando-a naquele momento. Afinal, sabendo que um dia Seolrang se tornaria um dos Cinco Grandes Pecados, não podia permitir que ela guardasse ressentimento.

Para sua surpresa, porém, os olhos de Seolrang não demonstravam nenhuma emoção negativa, como raiva ou ódio. Isso despertou a curiosidade de Alon.

— Mestre.

— Sim?

— Posso perguntar uma coisa?

— O que foi?

Seolrang fez sua pergunta.

— Quando Kalman atacou mais cedo, por que o senhor não desviou?

…

'Quando Kalman atacou?'

Alon pensou por um instante e então se lembrou das manoplas de Kalman, que haviam chegado tão perto dele quando usou a Alabarda de Cristal de Gelo.

'…Não é que eu não tenha desviado. Eu não consegui.'

Embora essa fosse a verdade, Alon não achou que fosse a melhor resposta. Então disse:

— Porque confiei em você.

— …O senhor confiou em mim?

— Sim. Você disse que conseguia, não disse?

'Para ser sincero, foi mais como se eu estivesse implorando: "Por favor, dá certo!!"…'

Enquanto Alon entregava aquela resposta cuidadosamente maquiada, os olhos de Seolrang brilharam levemente, e ela tornou a perguntar:

— Então por que o senhor me salvou quando Ralga tentou me matar?

— …Por quê?

Alon não conseguiu encontrar um motivo adequado.

'Não seria estranho deixar uma aliada de longa data morrer bem na minha frente? Além disso, eu não esperava que o punhal fosse me alcançar.'

Assim como na pergunta anterior, Alon hesitou. Desta vez, porém, decidiu responder com sinceridade.

— …Preciso de um motivo?

— Não tem nenhum motivo?

— Não é preciso ter um motivo para salvar a família.

Para Alon, Seolrang já era como uma filha que ele criara durante mais de cinco anos, então a resposta saiu naturalmente.

'Ah.'

Mas logo percebeu o erro.

Depois de passar algum tempo com ela, Alon havia notado que Seolrang atribuía um significado muito especial ao conceito de família.

Por isso, enquanto desviava discretamente o olhar para ela…

— Mas, Mestre… nós não somos família. Família é quem tem laços de sangue — murmurou Seolrang, e Alon assentiu.

— Mesmo assim, eu quero… que a gente seja família.

Ao ouvir aquilo, Alon sentiu um calor profundo no peito.

Era como a sensação que alguém teria ao finalmente ser reconhecido como pai depois de anos tentando. Não que ele tivesse vivido algo assim pessoalmente, mas, quando estava prestes a assentir com satisfação…

— Mas…

Seolrang se mexeu de repente e se colocou por cima de Alon.

Com as mãos apoiadas nos ombros dele e a cintura apoiada sobre suas coxas, os olhos de Seolrang brilhavam intensamente.

Confuso com a súbita mudança de rumo, Alon só conseguiu encará-la enquanto Seolrang dizia com um sorriso:

— Desse jeito, não podemos virar família. Eu sou da Tribo da Juba Dourada, e o senhor é humano. Então…

O sorriso dela se abriu ainda mais.

— Vamos nos casar!

…???

A mente de Alon parou.

Enquanto isso, a cauda de Seolrang balançava com mais alegria do que nunca.

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