Tradutor: miggigibe
A vida em Rodmill trazia grande satisfação a Alon.
Embora tivessem se passado apenas cerca de três dias, a vida em Rodmill lhe oferecia tudo o que imaginava fazer parte da rotina típica de um nobre.
Podia acordar quando quisesse.
Dormir quando quisesse.
Comer quando quisesse.
Rodmill era um lugar onde Alon podia desfrutar sem esforço das três atividades que, em sua opinião, traziam mais felicidade quando se tinha liberdade para fazê-las.
Suspiro
Durante o funeral de Leo Palatio, o filho mais velho da família Palatio, Alon soltou um suspiro silencioso enquanto fitava a frente.
Leo jazia pálido e sem vida, assim como Tonio e, antes dele, o falecido conde Palatio.
Alon não conseguiu evitar uma expressão um tanto perplexa.
'Nem sei por onde começar com essa confusão.'
A razão para a perplexidade de Alon era simples. A morte de Leo não correspondia ao que ele imaginava. Tudo parecia ter saído dos trilhos.
'Leo só deveria morrer daqui a seis anos.'
Ele voltou os olhos para o corpo de Leo e o examinou atentamente.
Os ferimentos estavam escondidos sob as roupas cerimoniais, mas…
Uma "Flor-da-Lua".
Segundo a tradição do reino, cicatrizes importantes ou ferimentos mortais eram assinalados com uma flor azul nativa dali, conhecida como Flor-da-Lua.
Uma dessas Flores-da-Lua havia sido colocada sobre o peito de Leo.
'…Morto por uma espada que atravessou o coração.'
Enquanto refletia sobre a causa da morte de Leo, Alon não conseguia deixar de se perguntar quem teria feito aquilo.
'Se eu pensar bem, suspeitos não faltam.'
Ele sabia que Leo vinha causando problemas no submundo e se envolvendo em todo tipo de imprudência. Não seria estranho se algo assim tivesse acontecido com ele.
Afinal, direta ou indiretamente, Leo provavelmente havia matado mais de mil pessoas.
Mesmo assim, Alon continuava questionando a situação porque conhecia o futuro de Leo.
'Quem poderia ter sido…? Quem matou Leo?'
Com isso em mente, Alon olhou ao redor.
Bastante gente havia se reunido para o funeral de Leo.
Criados, vassalos e cavaleiros da família Palatio estavam presentes.
Alon ouvira dizer que alguns nobres tinham aparecido para prestar condolências, mas, quando retornou, todos já haviam ido embora.
Em outras palavras, os únicos presentes no funeral eram pessoas que trabalhavam para a família Palatio.
E…
Todos faziam o possível para evitar o olhar de Alon.
Um criado que antes fazia piadas casuais sobre como Alon teria morrido nas ruas se tivesse nascido plebeu agora suava em bicas e mantinha a cabeça baixa.
Um cavaleiro que costumava provocar Alon toda vez que ele saía da mansão agora desviava deliberadamente os olhos para não encará-lo.
'É compreensível que estejam preocupados com o emprego agora que o terceiro filho de quem zombavam virou de repente o herdeiro da família…'
Mesmo assim, Alon percebeu algo mais sutil nas reações deles que chamou sua atenção.
Sempre que seu olhar recaía sobre um criado, a pessoa estremecia de leve, com as mãos trêmulas.
Mais cedo, quando os olhos de Alon se encontraram com os de um cavaleiro e ele deu de ombros discretamente, como costumava fazer, o homem se atrapalhou e deixou cair a espada cerimonial, criando uma situação constrangedora em pleno funeral.
Aquelas reações deixavam claro como os criados enxergavam Alon naquele momento.
'Eles não estão só desconfiados… Estão quase certos de que fui eu.'
Duas horas depois, uma voz chamou Alon:
— Jovem mestre.
— Sim?
— É pior do que eu imaginava.
— …O quão ruim está?
— A esta altura, o senhor já virou o poder oculto da família Palatio, alguém capaz de varrer a Avalon do mapa em um único dia.
Alon percebeu que, sem sequer saber, havia se tornado a figura nos bastidores que, segundo os rumores, detinha enorme poder dentro da família Palatio.
— Eu só estava… tostando um pouco de pão…
Foi o lamento baixo de Alon ao se lembrar do tempo em Rodmill, quando preparava uma simples torrada enquanto aqueles rumores se espalhavam pela família Palatio.
— No tempo que levou para fazer essa torrada, o senhor virou a mente por trás de tudo, comandando mestres da espada nas sombras.
— Não estou com humor para piadas.
— Não estou brincando, jovem mestre. Esse é realmente o rumor que está circulando.
— …Como um rumor desses foi se espalhar?
Alon franziu a testa, completamente perplexo com a situação. Em resposta, Evan começou a explicar as informações que havia reunido junto à guilda.
Pouco depois, Alon resumiu o que ouvira:
— Então, um dia após a morte de Leo, a Avalon, organização que ele comandava, desapareceu do submundo sem deixar rastros?
— Sim.
— E… as pessoas acham que eu fui o responsável.
— Exatamente.
— …Por quê?
— Porque o senhor é o único que se beneficia desta situação, jovem mestre.
— Quando você coloca dessa forma… até faz sentido…
De fato, era uma situação em que Alon dificilmente poderia evitar suspeitas.
Leo havia sido morto pouco depois de Alon deixar a mansão rumo a Rodmill, e a Avalon, organização administrada por Leo, fora eliminada logo em seguida.
Diante daquele cenário, era óbvio que Alon tinha mais a ganhar do que qualquer outra pessoa.
Ele possuía um álibi perfeito por estar em Rodmill e, ao mesmo tempo, assegurara sua posição como herdeiro da família Palatio.
Além disso, com a destruição da Avalon, os vínculos com o submundo que se agarravam à família Palatio como piche foram completamente rompidos.
Em outras palavras, qualquer influência que o submundo pudesse exercer para incomodar Alon havia sido eliminada por completo.
— Mas… tem certeza de que não foi o senhor, jovem mestre?
— …Você estava bem ali comigo, passando manteiga na torrada.
— É verdade, mas tudo se encaixou tão perfeitamente que eu precisava perguntar.
— Está desconfiando de mim…?
— Eu não diria que estou desconfiando, mas o senhor às vezes dá ordens sem explicar o motivo.
Alon se calou diante das palavras de Evan. Era verdade.
Em vez de responder, começou a pensar.
'Existe algum grupo na região leste capaz de derrubar uma grande força do submundo como a Avalon? A Procissão Noturna dos Cem Fantasmas? Não, ela só vai aparecer daqui a seis anos… Então a organização "Raiz"? Não, ela atua no leste, então não teria vindo até aqui…'
Alon balançou a cabeça.
Por mais que pensasse, não conseguia se lembrar de nenhuma organização capaz de destruir a Avalon em um instante.
Quando estava prestes a desistir da linha de raciocínio, algo lhe veio à mente.
— …Ah.
— Ah.
Ele se lembrou de algo que Evan havia mencionado antes e perguntou:
— Evan.
— Sim?
— Você não comentou antes sobre um grupo que caça outras organizações?
— Ah, está falando da Lua Azul?
— Isso. Será que foram eles?
Evan balançou a cabeça diante da pergunta de Alon.
— Não. A guilda de informações também descartou a Lua Azul.
— Como podem ter certeza?
— A Lua Azul sempre deixa uma marca depois de terminar o serviço. Além disso, nos lugares por onde ela passa podem até sobrar pedaços de corpos, mas nunca corpos inteiros.
— Mas desta vez não foi assim?
— Disseram que o lugar virou um verdadeiro inferno… Quase toda a organização foi morta a golpes de lâmina.
— Então é por isso que acham que tenho um mestre da espada trabalhando para mim…
— Exatamente.
Alon assentiu diante da explicação de Evan.
'É verdade que uma organização incapaz de sobreviver pelos próximos seis anos não teria como eliminar Leo e a Avalon… Mas então, quem foi?'
…E aquela foi uma noite de reflexões intermináveis.
— Ficou algum rastro?
No subsolo do orfanato da região leste, assim que os quatro de sempre se reuniram, a pergunta foi feita e cada um respondeu por sua vez.
— Não deixei nada para trás.
— Nem eu!
— Eu também não. Como você mandou, tomei cuidado para não deixar nenhum rastro.
Rine, cujos olhos verdes brilhavam tenuemente, continuou:
— Parece que a guilda de informações não nos relacionou ao que aconteceu com a Avalon.
— E?
— Concluíram que foi obra de um mestre da espada que transformou o lugar num inferno.
Diante das palavras de Deus, Yutia permaneceu em silêncio por um instante, como se refletisse profundamente, antes de falar.
— Mesmo assim, só por precaução, continuem de olho nas atividades da guilda de informações. Já falei isso incontáveis vezes. Todos entenderam, certo? Ele nunca pode ficar sabendo disso. Nunca.
Embora os olhos vermelhos de Yutia brilhassem intensamente, todos assentiram sem hesitar.
— …Mas precisamos mesmo esconder isso tanto assim?
Deus perguntou. O sorriso relaxado de sempre havia dado lugar a uma expressão um tanto inquieta enquanto observava a tensão incomum no comportamento de Yutia.
Após uma breve pausa, Yutia respondeu com firmeza:
— Claro que precisamos esconder.
— …Por quê?
Diante da insistência de Deus, os olhos vermelhos de Yutia faiscaram quando ela respondeu:
— Eu já disse, não disse? Somos a espada dele. Não devemos julgar nem pensar por conta própria. Devemos simplesmente ser a espada que ele empunha.
— Mas uma espada pensar por conta própria… isso não está errado?
— Mas foi o filho mais velho da família do conde que o tomou como alvo primeiro, então—
— Não importa. Errado é errado. Não houve nenhuma "ordem". Entendeu? Só nos movemos quando ele manda. Se ele não disse nada, não agimos. Nunca.
Deus passou a língua seca pelo céu da boca enquanto fitava os olhos de Yutia.
Para alguém que supostamente vivia em um orfanato, ela emanava uma aura de dignidade e retidão. Ao mesmo tempo, havia em sua presença uma força avassaladora e inegável. Mas, sempre que falava dele, algo dentro dela mudava.
Seu olhar digno se transformava em um fanatismo inquietante, e sua aura nobre assumia algo de selvagem e monstruoso.
Por isso, havia uma coisa que Deus não conseguia entender.
— Então apaguem todos os rastros. Não o decepcionem.
Como alguém como ela, capaz de subjugar todos os presentes apenas com sua presença, podia sentir tamanha ansiedade e apreensão diante de algo tão banal quanto ser "descoberta".
— Entendi.
Apesar das dúvidas que ainda carregava, Deus não tinha intenção de expressá-las e apenas assentiu. A conversa já chegava ao fim quando alguém anunciou:
— Eles chegaram.
Um homem entrou quando a porta do porão se abriu.
Mesmo naquele porão escuro, sem qualquer luz, os cabelos dele reluziam num prateado radiante, como se tivessem capturado a própria luz da lua.
— Exatamente como a chefe disse.
No futuro predeterminado, ele se tornaria um dos Cinco Grandes Pecados, o Pecado da Obsessão.
— Os remanescentes da Avalon: 286 homens.
Ladan relatou, enquanto seus olhos afiados, semelhantes à lua, reluziam:
— Cortei todos ao meio e os matei.
Foram necessários apenas cinco dias para que a grande organização Avalon, que antes dominava a região leste do Reino de Asteria, desaparecesse, deixando para trás apenas uma placa em pedaços.
— Mas não acho que o trabalho esteja totalmente concluído.
— O que quer dizer?
— Encontrei outros nobres ligados à Avalon.
Enquanto falava, Ladan retirou do peito uma folha de papel cuidadosamente dobrada e a colocou sobre a mesa à sua frente.
— A família do duque de Altia está envolvida. Parece que estão metidos nisso até o pescoço, e há livros contábeis registrando as transações. São cerca de quatro envolvidos, todos aparentemente filhos do duque. Como o envolvimento é profundo, talvez comecem a fazer perguntas sobre este incidente. O que devemos fazer?
Após um momento de silêncio, Yutia, que ponderava sobre as palavras dele, falou:
— Você já sabe o que vou dizer, não sabe?
Os olhos vermelhos dela brilharam de forma sinistra enquanto murmurava.
— Entendo. Então vou cuidar disso da maneira mais discreta possível.
Ladan assentiu em silêncio.
Desde o funeral de Leo Palatio, Alon vinha se mantendo ocupado.
Além de investigar a morte de Leo, que acontecera de maneira diferente do enredo do jogo, havia outros assuntos exigindo sua atenção, mesmo contra a vontade dele.
Assim, seus dias passaram num turbilhão de afazeres. Cerca de um mês após o funeral, ele se encontrava em Estrovan, um território na parte sul do Reino de Asteria, e não na propriedade dos Palatio.
O motivo era participar de um baile realizado duas vezes por ano como evento social.
Oficialmente, Alon estava ali para estreitar laços sociais. Na verdade, porém, tinha outros assuntos a resolver naquele território.
Ainda assim, pretendia cumprir ao menos em parte o objetivo oficial.
Com sua posição como futuro conde praticamente garantida para o ano seguinte, criar vínculos com outros nobres era crucial tanto para sua posição social quanto para sua própria conveniência.
…Ou pelo menos era o que ele pensava.
Alon lançou um olhar pelo salão de baile.
Um lustre em forma de lua crescente iluminava o ambiente com beleza, enquanto filhos e filhas de nobres, vestidos com seus melhores trajes, exibiam a elegância característica da alta sociedade.
O problema era…
Nenhum daqueles nobres conseguia sequer sustentar o olhar de Alon.
Alon viu uma jovem nobre baixar a cabeça no mesmo instante em que seus olhos se encontraram.
E soltou um suspiro ao perceber que seu objetivo de "estreitar laços sociais" seria muito mais difícil de alcançar do que imaginara.