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Release that Witch – Capítulo 1034

Indícios Sutis na Cerimônia

Tradutor: FlorestNerd



A celebração da coroação durou o dia todo, do meio-dia até a noite.

A praça central estava impregnada com o aroma de uma sopa saborosa enquanto ela fervia em panelas sobre o fogo. Dentro das panelas, uma espessa camada de óleo picante cobria a superfície, mostrando o quão encorpada era a sopa. Ela foi preparada para que qualquer pessoa pudesse adicionar os alimentos que quisesse e comer como preferisse. Como as especiarias ainda eram consideradas artigos de luxo naquela época, a festa atraiu muitos civis. Algumas pessoas até trouxeram jarros e barris, na esperança de levar um pouco de sopa para casa e saborear cada gota mais tarde.

A Prefeitura era responsável por adicionar continuamente água e caldo às panelas. A cada adição de ossos de boi picados e linguiças, a multidão explodia em aplausos estrondosos.

Aquela teria sido uma cena incrível durante os Meses dos Demônios no passado.

As pessoas costumavam respirar com cautela durante a longa estação de inverno, pois o frio representava a morte. Mas agora, podiam apreciar a neve caindo do céu e expressar seu amor pela vida sem esse medo.

Porque sabiam que haveria comida suficiente para mantê-las aquecidas.

Todos ergueram seus copos em celebração ao novo rei enquanto lhe enviavam suas bênçãos.


Sylvie se virou e observou o movimentado salão do castelo. As pessoas ali também estavam se divertindo.

Havia muita comida deliciosa, vinho, música e risadas.

A festa ficou ainda mais animada quando Roland e Anna apareceram em seus trajes de casamento. Foi a primeira vez que Sylvie viu um vestido de noiva tão singular. Completamente diferente do vestido branco que a noiva havia usado no casamento do Cavaleiro-Chefe, o novo vestido criado por Roland não se parecia em nada com uma camisola. O vestido era principalmente vermelho e dourado, com mangas compridas e saia rodada. Os ombros eram ornamentados com duas fitas estampadas com desenhos intrincados e elegantes.

Poucas pessoas conseguiriam usar uma cor tão chamativa, mas o vestido era perfeito para Anna. Ela era uma controladora de fogo genial e uma das bruxas mais notáveis desta era. O vestido vermelho-vivo a deixava ainda mais deslumbrante, além de fazer com que exalasse uma aura graciosa e majestosa.

Todos ergueram suas taças, e Roland e Anna retribuíram com um sorriso. Foi uma festa perfeita.

Mas Sylvie estava muito tensa.

Ela havia notado algo estranho na cerimônia.

Como possuía o Olho da Magia, era seu dever detectar qualquer coisa fora do normal antes de qualquer outra pessoa e notificar imediatamente os outros guardas. Em eventos como uma cerimônia de coroação, precisava garantir que Roland estivesse absolutamente seguro, não apenas porque ele era irmão da Princesa Tilly, mas também porque essa era sua responsabilidade como guarda. Portanto, Sylvie havia sido extremamente cautelosa, certificando-se de não deixar nada passar despercebido.

Cada incidente parecia insignificante quando analisado separadamente. No entanto, depois de juntá-los, ela encontrou algo sugestivo.

Isso trouxe à memória de Sylvie uma música que Roland costumava cantarolar.

A letra era bastante interessante: “Uma bengala enegrecida, um forte aroma floral suavizado…” muitos quebra-cabeças que podem não fazer sentido para você, mas que acabariam levando você à descoberta de uma verdade bem escondida. [1]

Vale a pena notar que, depois que Lunna ouviu a melodia, ela a transformou na música do Grupo de Detetives.

Desta vez, a situação era exatamente como a letra descrevia.

Sylvie não sabia qual era o problema. Normalmente, já teria avisado Rouxinol e Cinzas.

Mas, desta vez, ficou em silêncio.

Porque, de repente, lembrou-se do que Anna havia lhe dito dois dias antes.

“A pessoa que guarda o segredo é sempre aquela que o conhece. Preciso da sua ajuda, Sylvie.”

Naquela época, ela não havia entendido o significado por trás daquelas palavras, então não havia pensado muito no assunto.

Mas agora, como se tivesse sido atingida por uma súbita revelação, Sylvie viu o quadro completo. As palavras de Anna foram a última peça do quebra-cabeça, que acabara de se encaixar no lugar.

Ela havia descoberto um segredo.

Sylvie não se sentiu satisfeita com isso. Em vez disso, sentiu um enorme fardo sendo colocado sobre seus ombros.

Porque agora não só precisava guardar o segredo, mas também impedir que outras pessoas o descobrissem.

Alguém mais provavelmente também havia notado aqueles sinais sutis! Sylvie observou todo o salão. Seus olhos pararam em três pessoas.

“Atchim!”

Olga esfregou o nariz, olhando em volta com desconfiança.

“Qual é o problema?”, perguntou Andrea. “Lobos também podem pegar um resfriado?”

“Não tenho certeza se é o meu nariz. Estou sentindo algo estranho desde esta manhã.” Olga fungou. “Os odores que sinto parecem inconsistentes com o número de pessoas aqui…”

“Inconsistentes?”, Cinzas interrompeu. “Você realmente consegue distinguir as pessoas pelos seus cheiros?”

“Consigo, desde que não estejam muito distantes e não haja interferência de um cheiro forte”, disse Olga, assentindo.

“Há quase 100 pessoas no salão”, disse Andrea, com um olhar incrédulo. “Mesmo que você tenha um olfato aguçado, não consegue se lembrar de todos os odores que as pessoas exalam. Além disso, muitas delas estão usando perfumes. Elas também tendem a tocar umas nas outras, assim.”

Com essas palavras, Andrea tocou as costas da mão de Cinzas com a mão que acabara de usar para comer uma coxa de frango.

“Agora também terei o cheiro dela em mim. Você ainda consegue nos diferenciar?”

“É difícil… mas, mesmo assim, consigo dizer se um determinado indivíduo está presente ou não.” Olga abaixou as orelhas, confusa. “Ninguém está se movendo, mas percebo que alguns cheiros aparecem e desaparecem. Por que isso acontece?”

“Ahem.” Sylvie apareceu atrás das três bruxas e disse: “Você provavelmente está doente.”

“Sylvie?” Andrea ergueu a sobrancelha. “Como é que você está aqui?”

“Estava apenas dando uma volta e ouvi a conversa de vocês.” Ela deu de ombros e olhou para a garota-loba. “O clima no deserto do sul é bem diferente do da Região Ocidental. É fácil pegar um resfriado. Além disso, este é o seu primeiro inverno aqui, então é normal que esteja se sentindo indisposta. Se achar que há algo errado com o seu nariz, será melhor beber um pouco de Água de Limpeza de Lírio. Eu também fiquei assim quando cheguei aqui.”

“Sério?” Olga pareceu entender o motivo de repente. “Entendo.”

Sylvie se afastou, sentindo-se um pouco aliviada.

Por causa de sua habilidade, Olga Chama Ardente tinha uma audição muito melhor e um olfato muito mais aguçado do que as pessoas comuns. Como possuía uma intuição animal, Sylvie precisava ficar de olho nela o tempo todo.

Felizmente, conseguiu impedi-la de descobrir o segredo. Agora, seu próximo alvo era…

“Coo, coo, coo, coo coo coo coo… coo!” Empoleirada na cabeça de Raio, Maggie conversava com Joan, toda animada.

“Ya, ya ya, yaa… ya!” Joan respondeu, como se as duas estivessem discutindo um assunto muito interessante.

‘Ah, tanto faz…’ Sylvie colocou a mão na testa. Mesmo que descobrissem alguma coisa, não entenderiam.

Da mesma forma, ninguém seria capaz de entender nada da conversa delas.

Com esse pensamento, Sylvie fixou seu Olho Mágico em seu terceiro alvo.

Aquela provavelmente era a pessoa com maior probabilidade de descobrir o segredo e também a mais difícil de lidar entre as três.

Era Mel.


N/T: 

[1] A música à qual Sylvie se refere é esta abaixo. Foi complicado encontrá-la.

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