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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 4 – Capítulo 9

O Cemitério

Subaru: “Prisão domiciliar…essa é uma palavra perturbadora.”

Diante de Roswaal, que estava deitado na cama, Subaru mal conseguiu pronunciar essas palavras enquanto analisava cuidadosamente a frase que acabara de ser dita. A julgar pelo fluxo da conversa, ele normalmente poderia ter rido disso como se fosse uma piada estúpida, mas infelizmente, nas atuais circunstâncias, elas pareciam ser autênticas. De qualquer maneira…

Emilia: “Então, isso significa que os aldeões daqui foram os responsáveis por lhe causarem esses ferimentos?”

Emilia parecia ter chegado à mesma opinião que Subaru sobre a credibilidade geral de suas palavras.

Preso em bandagens com sangue, o corpo de Roswaal estava em um estado lamentável. Vê-lo assim era pelo menos uma prova de que o que ele dizia era verdade. E também era a razão pela qual ele não podia ser simplesmente ridicularizado.

Subaru: “Se existe alguém na vila que possa causar esses ferimentos tão graves no Roswaal, então isso significa que nós estamos em uma situação muito séria…”

Tocando a mão no queixo, enquanto traçava as forças respectivas em sua mente, Subaru sentiu uma sensação ardente de desconforto em seu peito.

A existência de Roswaal L. Mathers, além de ser o patrono de Subaru neste mundo paralelo, era um poderoso usuário de magia em um nível que poucos poderiam alcançar.

Na verdade, a tamanha força do homem que ocupava a posição de Mago Chefe da Corte Real de Lugnica era tal que até mesmo cem Subarus não teriam chance de vencer, além de que ele poderia aniquilar uma horda de Bestas Demoníacas enquanto cantarolava. E ainda assim, pensar que ele acabaria neste estado era…

Roswaal: “Ah, parece que você entendeu maaaal. Minhas feridas não foram infligidas por ninguuuuuém. Não há necessidade de se preocupar por algo estranho ou tentar planejar qualquer tipo de vingança, por minha causa, ook?”

Subaru: “Não se preocupe. Você não escondeu impressões positivas o suficiente para eu sair em busca de vingança de forma imprudente… Mas o mais importante, o que isso quer dizer? Isso é diferente do que você acabou de dizer. Você não deveria estar em prisão domiciliar…”

Roswaal: “Considerando que estou ferido e sendo restringido dessa forma, chamar isso de prisão domiciliar não está erradooo, com certeza. Não é que eu tenha sido ferido no processo ao ser contido, eu estava ferido e, portanto, restringido… embora se eu tivesse que explicar em detalhes, seria um pouuuuco diferente.”

Em resposta à maneira rotineira de falar de Roswaal, um ponto de interrogação surgiu no topo da cabeça de Subaru. Quebrando tudo, ele conseguiu se acalmar e ordenou o contexto do que foi dito e em outras palavras…

Subaru: “Então, o povo do Santuário não tem nada a ver com seus ferimentos, certo?”

Roswaal: “Falando estritamente, não se pode dizeeeer exatamente que eles não estão relacionados, mas se você me perguntar se eles foram diretamente responsáveis pelos meus ferimentos, a resposta é não. Em outras palavras, é assim queeeee a situação éééé.”

Subaru: “Em outras palavras, eles estão indiretamente relacionados.”     

Roswaal inclinou a cabeça e, por um momento, pareceu embaraçado com a análise de Subaru. Então ele deixou escapar um pequeno murmúrio, “É como ver uma criança crescer, eu acho…”, ele brincou, enquanto observava Subaru de lado com apenas um olho.

Vendo essa atitude, Subaru percebeu que estava prestes a descobrir a verdade. Determinado a não deixar de questionar, ele escolheu suas próximas palavras e se preparou para perguntá-las a Roswaal, mas…

Ram: “Barusu, que tal mostrar um pouco mais de cuidado para com Roswaal-sama?”

Dizendo isso, Ram, que não estava presente até agora, se intrometeu na conversa. Com a bainha da saia balançando levemente, a garota atravessou a sala com passos graciosos e colocou o conjunto fumegante de chá que estava carregando cuidadosamente em uma bandeja sobre a mesa.

Sua fragrância se espalhou por toda a sala e, com a estimulação de seus sentidos olfativos, Subaru só agora percebia o quão insensato e imprudente ele havia sido. Pois quando ele estava prestes a prosseguir com o interrogatório, de repente percebeu como as feridas de Roswaal realmente pareciam graves e severas.

Ram: “Pressionando Roswaal-sama com serenidade quando ele está gravemente ferido, você está satisfeito? Veja Roswaal-sama sofrendo, quase chorando, tenha um pouco de simpatia.”

Subaru: “Não diga algo que estrague o clima… logo quando você me fez refletir sobre minhas ações! Quero dizer, era pra ele estar prestes a chorar? Pois não me parece!”

Roswaal: “Uuuu, que crueeeeel, minha alma dóóóói. Palavras com falta de preocupação e gentileza me atingiram bem nas minhas feridas…”

Então Subaru respondeu às palavras de Ram com uma réplica impetuosa. Como se estivesse zombando dos comentários de Subaru, Roswaal iniciou uma pequena performance de zombaria na cama. Quando as sobrancelhas de Subaru começaram a se contrair de aborrecimento, Emilia afastou a atmosfera ruim e turbulenta da sala.

Enquanto atraía os olhos de todos os três presentes na sala para si, Emilia começou com um “Em qualquer caso”…

Emilia: “Qualquer um pode dizer que o Roswaal não está bem só de olhar, então vamos terminar essa conversa o mais rápido possível. Você não foi tratado com magia de cura?”

Ram: “A magia de cura está fora da área de especialização de Ram, então…”

Em resposta a inexpressividade de Ram, de alguma forma claramente arrependida, Emilia olhou para Roswaal com um olhar que continha pouca expectativa. Vendo isso, Roswaal acenou com a mão levantada de um lado para o outro:

Roswaal: “Como pode veeeer, eu sou especializado em magia de destruição. Se tiver a ver com destruir, prejudicar ou enganar, geralmente posso fazer qualquer coisa, mas não sou bom quando se trata de feitiços relacionados à cura.”

Subaru: “É uma maneira triste de colocar essa situação. Em vez de apenas feitiços ofensivos, você deveria se certificar de praticar alguns feitiços defensivos também, caramba…”

Dito isso, sempre que Subaru jogava um jogo em que tinha que decidir sobre a evolução de seu personagem, ele era o tipo de jogador superconcentradono ataque que escolheria, tendo apenas habilidades voltadas para o ataque. Portanto, ele não podia repreender Roswaal com muita severidade.

Ao mesmo tempo em que Subaru alcançou essa estranha aceitação, Emilia suspirou um “não há como evitar”…

Emilia: “O Puck não está aqui, então não estou no meu melhor momento em relação à magia, mas vou fazer isso mesmo assim. Eu tenho que me concentrar enquanto faço isso, então vamos ter que terminar de conversar primeiro.”

Roswaal: “O grande Espírito-sama?”

Chocado com a informação que Emilia acabara de informar, Roswaal ergueu rapidamente as sobrancelhas e estreitou os olhos. Aquela expressão um tanto fria, ao contrário do comportamento normalmente relaxado, era uma que Subaru raramente via. Ele inconscientemente contraiu os ombros e disse “Ei”:

Subaru: “É raro ver você com essa expressão séria, é tão surpreendente assim que o Puck não esteja aqui? Eu não tinha percebido que você era na verdade um entusiasta de peles de mofumofu no armário…”

Roswaal: “Infelizmente, a única vez que cheguei perto o suficiente do Grande Espírito-sama para ser capaz de tocá-lo foi quando respeitosamente o ofereci maioneeeeese. Foi realmente assustador. Mas de qualquer forma, entendo.”

Sem nem mesmo ignorar a brincadeira de Subaru, Roswaal estreitou a sobrancelha em ruminação. Enquanto fazia isso, ele de repente virou sua pupila esquerda amarela para Emilia…

Roswaal: “EmIlia-sama, você não está se sentindo mal ou diferente do normal de alguma formaaaa, não é?”

Emilia: “… Além da sensação desagradável do Puck não mostrar seu rosto, não. O fato do Puck não sair começou um pouco antes de chegarmos ao Santuário, então… Ah, mas há uma coisa.”

Levantando um dedo como se estivesse se lembrado de algo, Emilia então começou a olhar rapidamente ao redor… Não apenas dentro da sala em que estavam, mas parecendo que estava olhando para todo o Santuário fora dali, e depois de fazer isso, ela disse em voz baixa:

Emilia: “Desde que entrei no Santuário… Não, talvez desde que entrei na floresta, eu sinto que a conexão e as respostas dos espíritos se tornaram monótonas. E agora, quando estávamos do lado de fora, eu… senti um olhar estranho sobre mim.”

Subaru: “Um olhar estranho?”

Surpreso com o que ouviu, Subaru inclinou a cabeça, e Emilia respondeu com um “Sim” e acenou com o queixo em confirmação. Depois de explicar que essa era a razão pela qual sua expressão havia escurecido depois que eles se separaram de Garfiel e os outros, ela continuou:

Emilia: “Parecia que eu estava sendo observada. Foi muito desagradável… Achei que esse sentimento poderia ser só comigo, então não contei.”

Roswaal: “Nenhum dos sentimentos da Emilia-sama estão errados. Este é um lugar desagradável para os espíritos e, além disso, seus habitantes não nutrem nada além de sentimeeeeeentos desagradáveeeeeis ​​em relação a você.”

Em resposta às palavras ansiosas de Emília, Roswaal liberou fora um fluxo de palavras desprovidas de quaisquer considerações. Vendo os olhos dela magoados e oscilantes, Subaru instantaneamente virou-se para o Roswaal e estava prestes a abrir a boca para contestar, mas…

Garfiel: “Bem, que tal ‘cê deixa’ isso aí. Você não deveria ser tão duro com um homem ferido. ‘O  running spotted-beak’s hot now’ não é”

Subaru: “Eu acho que isso é verdade, infelizmente… não que eu esteja entendendo o suficiente para dizer que concordo. Mas isso é apenas uma pequena reclamação, nós totalmente estabelecemos uma comunicação traduzível entre nós, não é?”

Olhando sobre os ombros dele, Subaru os encolheu quando viu Garfiel encostado na porta, mostrando seus dentes. Vendo sua reação, Garfiel fez um barulho rangendo os dentes, e olhou pela sala.

Garfiel: “A casa da vó é considerada a mais espaçosa e adequada aqui, mas com tantas pessoas fica apertado, hein. Acho que eu ‘tava certo em deixar aquele cara pra trás.”

Subaru: “Agora que você mencionou isso, eu não vejo o Otto por aqui… Ele foi para casa? Você o comeu?”

Emilia parecia chocada com a pergunta do Subaru, mas Garfiel riu alto e bateu nos joelhos, como se ele tivesse acabado de escutar uma piada incrível.

Garfiel: “Eu realmente tenho sangue de um carnívoro, mas eu não acho que eu comeria ele. Especialmente porque parece que ele vai estar mais barulhento enquanto eu estiver comendo ele. Ele disse algo sobre estar preocupado sobre um dragão e a carroça…… bem, ele praticamente só apareceu com alguma desculpa e foi andando.”

Com um braço balançante, e se sobressaindo brutalmente, Garfiel se jogou em uma cadeira perto da parede a olhou Ram, que estava assistindo-o lateralmente…

Garfiel: “Chá.”

Ram: “Eu irei lá fora coletar algumas folhas caídas, então, por favor, você esperaria por mim?”

Subaru: “Embora eu tenha uma suspeita, mas o que você vai fazer com essas folhas caídas?”

Ram: “Eu não tenho intenção de desperdiçar folhas de chá preciosas com pessoas que não entendem de fragrância nem de sabor. Essa é a resposta da Ram.”

Tendo declarado isso a sangue frio, Ram então saiu seriamente para fora da construção. Apontando um dedo para as costas da Ram, Subaru olhou para Garfiel, perguntando sem palavras O que você gosta sobre ela?”. Em resposta a isso, enquanto seguindo as costas dela com o olhar:

Garfiel: “Mulheres obstinadas valem a pena perseguir, né não? E sendo um homem, ficando fortemente atraído por fêmeas excelentes não é uma coisa tão estranha.”

Subaru: “Coisas como machos e fêmeas, nós não estamos falando sobre separar as galinhas, então não continue usando isso. Apesar de tudo, Ram é uma jovem adequada, você sabe. Chamar ela assim……”

Garfiel: “Huh? O que ‘cê ‘tá falando? Eu estou tratando ela tão bem quanto qualquer mulher poderia pedir para ser tratada, certo? Além disso, antes disso nós……”

Como Subaru ofereceu o seu franco conselho com o seu não usual jeito de falar, Garfiel franziu as sobrancelhas como se tivesse percebido algo. Seu rosto então assumiu uma expressão descontente, e ele virou um olhar assasinoem direção a Roswaal na cama…

Garfiel: “Filho duma, ‘cê ainda não disse pra eles?  Se fosse só ‘cê ficando amarrotado, eu consideraria uma piada, mas desde que essa meia elfa… desde que a Emilia-sama veio aqui,  é um assunto totalmente diferente.”

Emilia: “—Eh?”

Garfiel colocou seu aborrecimento em sua língua e o tirou para fora. Emilia estava surpresa em escutar seu nome aparecendo no meio da observação dele. Mas, sem levar em conta o seu espanto, Garfiel bateu em Roswaal com uma expressão ainda mais transbordante de raiva que antes.

Garfiel: “No momento em que a Emilia-sam entrou no santuário, nós nos envolvemos nessa bagunça, ‘cê sabe o que vai fazer sobre isso? Você ainda nem começou a entrar no problema principal aqui. Filho de dumaa, ‘cê só veio aqui pra brincar?”

A última metade de sua raiva não foi apenas dirigida a Roswaal, mas a Subaru e Emilia, os quais também se calaram. Particularmente, a raiva que residia no olhar que ele dirigiu a Emilia não era motivo de risos e como se para protegê-la, a qual estava puxando seus ombros para mais perto, Subaru deu um passo à frente.

Subaru: “Espera aí. Eu entendi que você está bravo, mas eu ainda não tenho uma ideia do porquê. Você só irá ficar mais e mais bravo se você continuar falando assim com alguém não tem a menor ideia, né?”

Garfiel: “Mas é isso que me irrita. Quando a pessoa sobre o que se trata tudo isso não tem a menor ideia……”

Subaru: “Mas quem está desconsiderando ‘a pessoa sobre o que se trata tudo isso’e está falando por cima da cabeça dela é você e o Roswaal ali, não é? Se você está realmente preocupado com esse problema e quer fazer algo sobre isso, cumpra a sua responsabilidade para explicar isso. Esperar que o entendamos sem explicar nada, te deixa tão sem vergonha quanto eu era já pouco tempo, sabe.”

Como estava de frente para ele, Subaru sentiu a pressão vindo de Garfiel ficando em outro nível. A estaturade Garfiel era menor que a de Subaru, e como ele estava atualmente sentado, a diferença de altura era bastante significativa. Apesar disso, a pequenez de sua estatura era quase não notável. Não, considerando a pressão que emanava dele, para Subaru, Garfiel parecia ser algo como um pedregulho enorme.

Sabendo que Subaru era naturalmente um frouxo, desviar os olhos e dar um passo para trás seria o que era de se esperar.

Mas…

Emilia: “Subaru…”

Com força, Subaru sentiu um dedo delicado se enroscar em sua manga. O som de uma voz aparentemente desprovida de confiança chamá-lo passou por suas orelhas, e investiu seus joelhos trêmulos com força renovada.

Emilia estava em pé atrás dele. Contando com ele em sua incerteza.

Como se ele realmente fosse deixar seus joelhos dobrarem na frente dela, poderia ele fazer algo tão idiota quanto isso?

Garfiel: “――Tch.”

Eles trocaram um olhar em silêncio, e o primeiro a desviar o olhar foi Garfiel. Como ele estalou a língua, e confiou seu peso ao encosto de seu assento, ele enfiou o dedo em seu short, cabelo dourado, e começou a arranhá-lo violentamente.

Garfiel: “Aaah! Eu sei, eu ‘tava apenas descontando em você. Eu estorei, eu disse que sinto muito, tá!”

Subaru: “Não, você não disse isso. Mas antes disso, ninguém nunca te falou que você tem uma personalidade irritante?”

Tão rápido quanto ele para se ficar emocional e cego, ele foi mais rápido em recuperar sua racionalidade e reconhecer seus defeitos. Subaru pensou que aquela personalidade devia ser difícil de ter e, em vez de indignação, ele colocou um sorriso irônico.

Vendo isso, Garfiel soltou suspiro inadequado Haaa”…

Garfiel: “Cala a boca, eu vou ficar quieto, então continue a conversar nesse espaço de tempo, poque se eu me juntar, a conversa não vai a lugar nenhum e vai fica’ chato.”

Subaru: “O fato de que você se analisou tão bem, mas depois deu uma volta completa sem mudar nada… eu acho isso bem legal.”

Garfiel: “Me elogiar é inútil, desde que eu não entendo muito bem coisas complicadas. Tuch”

Vendo Subaru ir de exasperação para admiração, Garfiel bufou. Só então, Ram, voltando do lado de fora, deu a ele um copo de chá fumegante.

Ram: “Isso é a definição de chá de baixa qualidade.”

Garfiel: “Você normalmente não devia falar um pouco mais educada quando estiver dando algo pra alguém?”

Ram respondeu com uma “é isso mesmo” e entregou o copo com uma expressão calma. Garfiel recebeu o chá, e, mesmo que provavelmente ele estivesse pelando, derramou tudo em sua garganta de uma vez. Embora fosse carnívoro, aparentemente ele não tinha uma língua sensível. Vendo-o esvaziar o copo inteiro em um gole, Ram soltou um suspiro profundo.

Ram: “Como sempre, você é um homem que não tem consideração pelo chá. Isso não combina com a Ram.”

Garfiel: “Mas só tem gosto de folhas. Se ‘cê quiser aguçar sua garganta, água é a mesma coisa. Não?”

Subaru: “Enquanto eu concordo que chá tem exatamente o mesmo gosto de folhas, eu não consigo evitar, mas tenho algumas dúvidas contra um argumento tão extremo. Ram que tal você deixar ele tomar o outro copo de chá?”

Enquanto Subaru o apontava, Ram entregou a outra xícara de chá para Garfiel. Sua cor ondulada lembrava vagamente algo como “Folhas de outono’’, e mesmo tendo notado isso de longe, Subaru não conseguiu evitar… bem, recomendar isso.

Garfiel: “Ei, ‘cê é muito sensato, no fim das contas, né? ‘Cê entende que apenas uma xícara não é suficiente… Pfft! Haah!? Ei! Você… isso não é apenas água de folha…?”

Ram: “Se é apenas para molhar sua garganta, seja com água, chá ou água de folha, dá no mesmo, certo? Já que você já colocou na boca, vá em frente e beba tudo. Se você deixar alguma coisa sobrando… eu ireitorcer.”

Sem dizer exatamente o que ela iria torcer, Ram lançou um olhar penetrante para a virilha de Garfiel. Só com isso, Subaru percebeu que seu alvo eram os sinais vitais e, inconscientemente, ele fechou as pernas com a sensação de perigo.

Garfiel esvaziou com relutância o conteúdo do copo, contorcendo-se de amargura. E ao lado, Roswaal, que até agora apenas observava a conversa deles, de repente berrou:

Roswaal: “Aaaa~. Todos estãããão preocupados com a minha condição e têm alguma intenção de me deixar descansar? Ou o plano real é me fazer rir e abriiiiir minhas feridas? Se esse for o caso, vocês certamente estão conseguiiiindo.”

Dizendo isso, Roswaal tocou levemente a bandagem enrolada na parte superior de sua cabeça enquanto sorria amargamente. Na verdade, podia-se ver uma leve cor vermelha começando a se espalhar pelo branco do tecido. Nesse momento, o clima da sala, que até então estava relaxada, mudou, e Ram, cujo rosto havia mudado de expressão, aproximou-se de Roswaal. Ela então cobriu a mão dele, que pressionava a ferida com a dela e…

Ram: “Sinto muito, Roswaal-sama. Mesmo que Ram estivesse ao seu lado…”

Subaru: “Não foram suas piadas sobre o chá que fizeram com que ele risse?”

Sua interrupção foi silenciada por um olhar brilhante de estilhaçar de Ram, e Subaru calou-se e deu uma olhada rápida na condição de Roswaal.

Pelo menos, o sangramento não parecia estar relacionado a nada sério. As feridas só devem ter parado de sangrar recentemente – em outras palavras, agora foi provavelmente o momento mais importante para sua recuperação.

Emilia: “Roswaal, acho que seria melhor se eu te tratasse…”

Roswaal: “Não~, isso não será necessário, Emilia-sama.”

Chegando à mesma conclusão que Subaru, espíritos surgiram no ar ao redor de Emilia quando ela deu um passo em direção a Roswaal. Mas ela foi interrompida pelo próprio Roswaal balançando a cabeça. Os espíritos, que brilhavam com uma fosforescência branco-azulada, vacilaram, como se afetados pela incerteza da dona.

Observando o lado das bochechas claras de Emilia, Subaru percebeu.

… Enquanto os espíritos emergentes flutuavam ao redor dela, por motivos que Subaru não conseguia entender, Garfiel olhou para Emilia contendo uma emoção congelada nos olhos.

Roswaal: “Afinal de contas, agora, há algo muito mais importante do que meus ferimentos insignificaaaaantes. Não é como se minha viiiida estivesse em perigo, então priorize o outro assunto primeiro.”

Emilia: “Mesmo que você diga isso, não há como eu fazer isso. Quando há uma pessoa ferida, deixar isso de lado para focar em outra coisa seria…”

Roswaal: “Mesmo se eu disser que isso é necessário para que você se sente no trono?”

O ritmo habitual de Emilia se estilhaçou e a escolha dela foi interrompida quando ela estava prestes a curá-lo à força, se necessário. Ao ouvir a declaração de Roswaal, as bochechas de Emilia ficaram rígidas, e seus olhos violetas se arregalaram. O olho amarelo esquerdo do palhaço observando isso ficou ainda mais nítido enquanto olhava para ela, brilhando de forma enigmática.

Roswaal: “Para a casa dos Mathers, este Santuário é apenas um pedaço de terra que foi passado através das gerações, mas para o futuro de Emilia-sama, é de profundo… sim, de profundo significado. Portanto, não importa o que acontecesse, eu certamente pretendia convidá-la para vir até aqui… Só que você apareceu um pouco mais cedo do que eu planejeeeei, não é..?”

Emilia: “Necessário para mim…? Ei, o que isso quer dizer…”

Roswaal: “O problema com este Santuário e o problema de Emilia-sama estão intimamente ligados. Então, talvez, agora, neste lugar, você o encontre. O apoio de Emilia-sama, em outras palavras.”

???: “——!?”

Paralisado, Subaru observou a expressão de Emilia mudar. Tendo provocado essa mudança, Roswaal observou expressão dela e pareceu absorvê-la como se tudo estivesse de acordo com seu plano. Por outro lado, Subaru, ainda incapaz de captar a troca de emoções entre os dois, ficou com uma sensação desconfortável.

No entanto, antes que a agitação pudesse se transformar em palavras, Roswaal apontou para o silencioso Garfiel.

Roswaal: “Garfiel, é hora da sua designação. Guie esses dois pelo Santuário. Na verdade, até a tumba.”

Garfiel: “—Heh? É uma boa ideia?”

Balançando a xícara de porcelana vazia de um lado para o outro nos dedos, Garfiel soltou uma risada baixa. Em resposta a Roswaal, ergueu o queixo e acariciou gentilmente os cabelos cor de pêssego de Ram enquanto ela trocava os curativos ao redor de seus ferimentos.

Roswaal: “Em primeiro lugar, é importante entender a situação, anteeees de tudo. Explicar as circunstâncias e os outros assuntos podem esperaaaaar até que o Sol se ponha, mas esse não é o caso da tumba.”

Garfiel: “Ah, é verdade, o sol vai se pôr em breve. Não vai ser tão simples quando isso acontecer. Beleza, vou começar a orientar ‘cês.”

Levantando-se, Garfiel colocou sua xícara na cadeira em que estava sentado e virou-se para encarar Subaru e Emilia. Olhando para os dois em torno de quem a conversa girava, que haviam sido deixados de fora do assunto, ele inclinou a cabeça e abriu a boca para mostrar as presas:

Garfiel: “Não seja tão burro. Se ‘cê não quer se tornar ‘como o Hoikoro violento de ontem’ ou algo estúpido assim, é melhor irmos logo…”

Subaru: “Espere, espere, espere! Nós realmente não estamos acompanhando o assunto de forma alguma! Em primeiro lugar eu ainda nem terminei de falar com Roswaal. Deixe-me terminar isso primeiro…”

Ram: “As feridas de Roswaal-sama se abriram, trocar suas bandagens e deixá-lo descansar é a prioridade agora. Barusu deve seguir as instruções de Roswaal-sama e se dirigir para a tumba.”

Subaru tentou lutar contra a força de Garfiel, mas isso foi interceptado pela voz imperativa de Ram. Ela o encarou com seu olhar frio habitual e colocou a mão na cama:

Ram: “Calma, iremos conversar ao anoitecer. Roswaal-sama não vai fugir ou coisa do tipo. Mas se você não visitar o túmulo antes do pôr do sol, ele irá fugir.”

Subaru: “Eu nunca ouvi falar de um túmulo tão enérgico em minha vida!”

Enquanto coçava a cabeça em resignação, Subaru sentiu o olhar de Emilia penetrando na lateral do seu rosto. Seus olhos estavam piscando com emoções fracas, e ela parecia estar deixando Subaru decidir o que eles deveriam fazer.

Ficar aqui e terminar a conversa com Roswaal, ou ser arrastado pela sua vontade e ser conduzido ao túmulo por Garfiel.

… E então, a resposta foi decidida.

Subaru: “Eu entendo. Nós iremos para esse túmulo. É necessário, não é? Certamente faremos com que você responda adequadamente às nossas perguntas assim que voltarmos.”

Roswaal: “Peço descuuuulpas pela situação ter se tornado assim. Quando a noite cair, nós teremos tempo suficiente para discutir todos os tipos de coisas beeeeem detalhadamente.”

Ao ouvir a opinião de Subaru, Emilia relaxou os ombros, e Roswaal assentiu com satisfação. Garfiel e Ram também pareceram aceitar, e os dois começaram a realizar suas respectivas tarefas designadas. No entanto, antes de sair, Subaru disse, “Só mais uma coisa”, levantando um único dedo.

Subaru: “Antes de ir ao túmulo, tem uma última coisa que eu quero te perguntar.”

Roswaal: “Mmm~ Eu realmente não me importo, se for algo que eu possa responder de forma simples, vá em frente e me pergunte qualqueeeer coisa.”

Subaru: “Bem, então, eu acreditarei nas suas palavras. Rem, você já ouviu esse nome…?”

Fingindo mudar de assunto, Subaru pronunciou a questão vital. Ao ouvir a pergunta de Subaru, a primeira a reagir a pergunta foi Ram. Mas, não era a resposta que ele esperava.

Quando o nome entrou em seus ouvidos, Ram inclinou a cabeça como se tivesse acabado de ouvir um termo totalmente desconhecido. Quando as esperanças de Subaru diminuíram, Roswaal murmurou o nome novamente bem baixinho.

Subaru: “… Bem, e então?”

Roswaal: “Desculpe, mas não parece muito familiar. Tenho a sensação de que soa semelhante ao nome de Ram, mas que foi mal pronunciado.”

Subaru: “É… isso mesmo. Isso é tudo. Se você não se lembra, não há nada que você possa fazer.”

Virando a cabeça para o lado, Subaru aceitou essa resposta.

A resposta que obteve de Ram e Roswaal quebrou a leve expectativa no coração de Subaru. Para Rem, eles haviam sido as duas pessoas com quem ela havia passado mais tempo, por quem ela teria dado a sua vida, e a quem ela admirava e amava. E cruelmente, eles a esqueceram.

Percebendo a realidade desse fato, o ar dentro do coração de Subaru se acalmou. E ele reconheceu isso sobriamente.

 – Neste mundo, o único que conseguia se lembrar dela era ele mesmo.

Emilia: “Subaru, você está bem?”

Com uma voz preocupada, Emilia cutucou suavemente a ponta da manga de Subaru. Saboreando a suavidade da ponta de seu dedo, Subaru, não querendo deixá-la ver a expressão em seu rosto, fechou os olhos e ergueu a cabeça.

Subaru: “Estou bem. Não é como se eu tivesse expectativas especiais. Eu sabia mais ou menos que seria dessa maneira. De uma forma ou de outra, já tenho a determinação do que devo fazer.”

Emilia: “Nós vamos encontrar uma maneira. Eu vou ajudar também.”

Emilia concordou com a determinação de Subaru e prometeu apoio sem hesitação e reservas. Quando o coração que havia sido despedaçado se recuperou ao receber a sua gentil consideração, Subaru encolheu os ombros.

Subaru: “Quando a Rem acordar… o meu amor não vai mais ser direcionado totalmente apenas para a Emilia-tan… Você não vai ficar com ciúmes?”

Emilia: “Se o sentimento do Subaru por mim diminuir… talvez… mas não vai ser assim, não é? Os sentimentos de minha parte e por parte de Rem-san, você já disse que planejou tudo corretamente.”

Em resposta à brincadeira sedutora de Subaru, Emilia fez uma retaliação inesperada. Apavorado com aquela réplica, Subaru não conseguiu mais pronunciar uma única palavra de sua boca, e seu rosto ligeiramente corou e Emilia disse com um sorriso suave:

Emilia: “Vamos, Subaru. Eu quero que a Ram conheça Rem-san em breve.”

Subaru: “Aaah, sim. É isso mesmo.”

Mesmo que Ram não conseguisse se lembrar, isso seria um reencontro com sua irmã gêmea. Será que esse reencontro traria de volta as memórias, ou enviaria algumas ondas de choque ao amor perdido que um dia tiveram uma pela outra?

Mesmo que fosse uma esperança tão frágil, ele se agarraria a ela enquanto houvesse significado.

Ram: “Barusu.”

Enquanto Emilia seguia Garfiel para fora da sala e Subaru se virava para segui-lo, ele foi interrompido por uma voz atrás.

Olhando por cima, foi Ram quem rapidamente se aproximou dele. Enquanto pegava nas mãos as bandagens de reposição para os ferimentos de Roswaal, ela se aproximou de Subaru.

Subaru: “O que é? Se você está planejando fazer bandagem-play, depois que sairmos, você pode ficar com Roswaal só para você…”

Ram: “Apenas Emilia-sama deve entrar na Tumba. Barusu nunca deve entrar.”

Ignorando sua piada, o tom incisivo de Ram esmagou a atitude de Subaru.

A voz de Ram estava baixa e falava com ele em um tom em que nem mesmo Roswaal conseguia ouvir. Vendo as sobrancelhas franzidas de Subaru, ela apenas disse mais uma vez.

Ram: “Se você não deseja ser enlaçado pela vontade desequilibrada de uma Bruxa, não entre, sob nenhuma circunstância na Tumba.”

Ela repetiu isso mais uma vez.


O ar dentro da tumba estava frio e limpo, e literalmente, um frio sobrenatural, acompanhou a atmosfera que saudou Subaru

Cada passo que ele dava ecoava através das solas de seus sapatos e, independentemente de querer ou não, afirmava sua presença neste lugar. Mesmo assim, o som desses passos deu-lhe uma inesperada sensação de calmaria.

“Porque na escuridão que não lhe permitia enxergar poucos metros adiante, no miasma em que sua própria existência estava posta em dúvida, até mesmo esse som havia se tornado um consolo para ele.”

Sem saber onde ele estava, as paredes que haviam sido sua única fonte de referência há muito tempo desapareceram. Caminhando sem parar, ele quase alcançou o fim do caminho? Subaru sentiu a ilusão de que havia parado.

Mas o som de seus passos refutou isso. Com a certeza da ressonância desses passos estava a própria existência de Subaru; a realidade de que seus passos estavam garantidos e, contando apenas com esse pequeno consolo, ele prosseguiu em frente.

Quanto tempo havia se passado? Era impossível saber na escuridão. Até seus pensamentos ficaram vagos e sua garganta, a qual já havia desistido de gritar, congelou.

Caminhando dessa maneira, a exaustão não veio, mas por causa disso a sensação de seus membros começou a surgir e a se confundir também.

Apesar disso, ele seguiu em frente. Ele deve seguir em frente. Ele não deve desistir.

Ele se proibiu de parar. Caminhe, continue caminhando. Mesmo esmagado pelo peso de seu corpo, ele deve cerrar os dentes e seguir em frente.

Caso contrário, como ele iria enfrentá-la…

??: “Entendo, então assim é o seu âmago. É deveras interessante.”

Uma voz repentina ecoou, e tão abruptamente terminou, para se perder para sempre na queda das cortinas.

A escuridão inimaginável que se estendia independentemente da direção em que ele virasse, em um instante, tornou-se brilhante como o dia, e o estreito corredor de pedra se transformou – para ser mais largo do que os confins do mundo.

A terra amontoada sob as solas de seus sapatos extinguiu o som de seus passos e um ar de imundície que, acima de tudo, trouxe náuseas ao peito, foi espalhado por toda a parte.

Completamente diferente do mundo que ele estava até agora, surgiu uma antiga ruína condizente com a realidade – uma cena que ele sentiu que poderia ter visto antes de entrar na Tumba, desmoronou, e Subaru perdeu as palavras.

Na frente dele, alguém repentinamente se aproximou. E era…

??: “Peço desculpas por uma recepção tão ridícula. Eu não queria que fosse assim, mas não importa o que aconteça, este corpo pertence a Ganância, afinal. O desejo de saber é… impossível de fugir e aguentar.”

Ela era o Branco puro, como se fosse um campo de neve virgem. Essa foi a primeira impressão esbranquiçada daquela garota.

O longo cabelo caindo sobre suas costas brilhava como o reflexo da neve em um devaneio de um branco imaculado, e as poucas manchas de pele que estavam aparecendo eram tão translúcidas e lindas. Um brilho de sabedoria iluminou seus olhos; ela usava em seu corpo um vestido preto simples, e a exibição e combinação das duas cores adornavam os extremos polares de sua beleza.

Qualquer um que tivesse olhos provavelmente ficaria cativado por tamanha beleza… mas, em vez disso, o que se apoderou de todo o corpo de Subaru era um horror opressor que ele nunca havia sentido antes.

Nem mesmo a sensação de pressão que sentiu quando teve seu primeiro encontro com a Baleia Branca podia se comparar a isso.

Diante do Subaru mudo, a garota balançou os cabelos brancos, estreitou os olhos e então, como se o entendesse, acenou levemente com a cabeça.

??: “Desculpe minha grosseria. Eu nem mesmo me apresentei. Foi muito rude da minha parte, por favor aceite minhas sinceras desculpas. É que eu não interajo com ninguém há muito tempo, parece que não recuperei minha voz.”

Ao contrário do tom de sua voz, a expressão da garota mal mudou quando ela balançou a cabeça suavemente.

Então, olhando para o assustado Subaru, que havia ficado em silêncio, a garota colocou a mão sobre o peito.

Echidna: “Meu nome é Echidna. Aquela conhecida e chamada como a Bruxa da Ganância, compreende?”

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