Reinhard saltou em direção a Sirius, atingindo seu oponente, fazendo-a voar pelo céu.
Sirius: “Ahaha! ah, como você é impressionante!”
Quando a figura heróica voou em sua direção, ela levantou a voz, extasiada, e acenou com os braços. Acompanhando esse movimento, o gemido penetrante de sua corrente se desenrolou de seu pulso. Essa cobra de ferro certamente já provou do sangue de milhares de pessoas, e neste momento estava participando de uma caçada rotineira tentando esmagar sua presa, com suas mandíbulas de ferro.
No entanto, O oponente de Sirius agora, não era uma pessoa qualquer, nem mesmo suas correntes de ferro podiam acompanhar a velocidade desse ser.
Reinhard: “Uma corrente? Que problemática.”
Ouvindo os sons das correntes, Reinhard franziu as sobrancelhas. Sirius voou para cima e Reinhard a perseguiu por baixo.
Com Reinhard como alvo, Sirius deu um golpe rápido e preciso. Mesmo encarando a corrente que se aproximava, Reinhard não pegou a espada pendurada em sua cintura.
Não era que ele não pretendia empunhar sua espada, ele simplesmente não podia. A espada de Reinhard só podia ser desembainhada se ela reconhecesse que seu oponente era digno. Sendo assim ele foi condenado a enfrentar aquele monstro desarmado.
Ondas de choque e faíscas dançavam no local. Para Subaru e os outros espectadores, os raios pareciam brilhar no céu.
Reinhard encontrou a corrente de frente, levantando uma perna esbelta para se defender. Ele enrolou as correntes de Sirius envolta de sua perna direita e deu um puxão fazendo com que ela perdesse altitude, com essa brecha ele enrolou as correntes de ferro envolta do braço esquerdo do monstro.
A capacidade de realizar esse tipo de feitiçaria foi a prova viva de que Reinhard transcendeu os limites das habilidades humanas.
Em apenas um momento ele alternou facilmente entre o ofensivo e defensivo.
Sirius: “Ahahahahhaha”..
Sirius quase ofegante, mostrou seu sorriso apaixonado para os espectadores que a observavam do chão.
Não seria desnecessário dizer que nem todos foram capazes de acompanhar essa luta. Apenas aquelas pessoas com treinamento de combate seriam capazes de seguir aqueles ataques contínuos e rápidos.
Sirius riu alto enquanto sacudia seu braço direito descontroladamente como um tornado.
Como o seu braço esquerdo havia sido capturado por Reinhard, Sirius só podia usar o esquerdo.
No entanto, mesmo que a cobra metálica dela viesse de todas as direções rasgando o céu com suas presas, ela foi bloqueada instantaneamente pela corrente presa no pé direito de Reinhard, criando um som agudo acompanhado de uma chuva de faíscas.
Cada faísca dançando sob o céu azul, era acompanhada por um instrumento metálico cujo som ecoava pela praça. Uma performance rodopiante de vermelho e amarelo.
Um ataque, outro golpe, mas durante esse período Reinhard havia diminuído ainda mais a distância entre ele e Sirius. Logo, depois de trocar uma série de golpes, ele a alcançou.
Sirius: “Que inesperado, você conseguiu me alcançar.”
Reinhard: “Você é muito hábil. acho um desperdício você ter se comprometido com o mal.”
Reinhard rapidamente puxou a perna direita para trás e num impulso empurrou a mão esquerda com os dedos eretos e alinhados, como se usando a mesma postura e se preparando para usar um golpe de caratê.
Com as presas expostas, Sirius moveu seu braço direito livre, lançando sua corrente ondulante contra Reinhard. E embora a corrente fosse feita de aço, o Espadachim usou sua própria mão como lâmina e a partiu em duas.
No passado, em seu mundo, Subaru testemunhou a divisão perfeita de pauzinhos de madeira descartáveis– um utensílio utilizado em restaurantes, um substituto para colheres.
Se Reinhard participasse desses eventos, ele até poderia cortar ao meio uma lâmina de aço, como se fosse um papel.
Uma das duas partes cortadas da corrente foi impulsionada pelo ataque, e voou em direção à torre do relógio.
A violenta colisão destruiu uma das paredes do edifício. A visão de fumaça e os escombros colidindo com a praça sacudiu Subaru de seu transe.
Ele ficou completamente fascinado com a luta entre Reinhard e Sirius. Ele não entendeu muito bem o que havia acabado de acontecer, mas aquilo foi surpreendente.
Subaru: “Deixarei ela com você, Reinhard.”
Falando calmamente, como se dissesse para si mesmo, Subaru não podia ficar ali perdendo tempo, apenas observando e esperando por resultados.
Subaru espremeu-se através de uma brecha na multidão, correndo para a abertura da torre. Lusbel provavelmente estava na torre, esperando para ser salvo das garras cruéis de Sirius.
Salvá-lo diminuiria as preocupações de Subaru.
Subaru então subiu ansiosamente as escadas, onde sentiu mais uma vez o cheiro desgradável de mofo das paredes úmidas.
A torre estava muito mais brilhante do que quinze minutos atrás, graças à luz que inundava as paredes que haviam sido quebradas pela corrente de Sirius.
Após subir todas as escadas, Subaru encontrou Lusbel amarrado no último andar. Ele estava de bruços no chão, onde podia se notar suas lágrimas, que haviam se transformado em uma poça no chão.
Subaru: “Lusbel! Você está seguro agora.”
Subaru, com ternura, pegou o acorrentado Lusbel nos braços. Ele ignorou a torrente quente de lágrimas quando retornou o olhar desesperado e aterrorizado de Lusbel.
Subaru: “Está tudo bem, eu estou do seu lado e não precisa se preocupar com aquele monstro, um herói está cuidando dela agora. Vamos aproveitar este momento para tirar você daqui.”
Lusbel: “Hhm…”
Subaru falou com maior sinceridade. Gradualmente a força do corpo de Lusbel, havia chegado a seu limite, Subaru pode perceber isso com apenas o olhar do garoto que continha uma expressão chorosa.
Subaru: “Espere um minuto, vou tirar isso de você.”
Depois de tocar suavemente a cabeça do garoto que chorava, Subaru começou calmamente a remover as correntes.
Subaru tocou cuidadosamente o corpo do garoto, que estava envolta de correntes. Dos ombros aos tornozelos, a corrente foi enrolada com força, e ele também foi amordaçado. Subaru teve o cuidado de evitar ferir a criança enquanto a desenrolava.
Subaru: “Bom, eu tirei. Consegue se levantar? Se não, eu te carrego.”
Lusbel: “N-não se preocupe… obrigado–hk.”
Lusbel levantou-se vacilante, com as pernas rígidas ele mostrou sua gratidão. Embora ele estivesse com o rosto manchado de lágrimas, ele ainda era um garoto forte.
Subaru: “Pronto, agora temos que sair daqui, apesar de ser o lugar mais seguro por enquanto, é melhor se prevenir. Você consegue andar? Está ferido?”
Lusbel: “Minha mão direita, só um pouquinho…”
Lusbel franziu a testa e obedientemente apresentou seu ferimento a Subaru.
Em sua mão direita ferida, havia uma laceração afiada que havia sido claramente feita por uma arma semelhante a uma corrente. Vendo o sangue escorrendo pelo ferimento, Subaru contorceu o rosto em desconforto.
Subaru: “Maldita, amarrando uma criança tão pequena e fazendo uma coisa dessas.”
Lusbel: “N-não…isso aconteceu de repente. começou a doer quando fui amarrado.”
Subaru: “De repente?”
Subaru não entendeu qual foi a causa daquele ferimento, mas pelo menos ele conseguiu libertar Lusbel sem causar nenhum ferimento grave ao garoto.
– Repentinamente, uma apreensão terrível tomou conta e preencheu o coração de Subaru.
Subaru: “De qualquer forma, não podemos ficar aqui. Vamos!”
Subaru pegou a mão esquerda não ferida de Lusbel e levou-o até o fundo da escada em espiral, até a saída da torre. Quando ele chegou na praça, ele ouviu,
Multidão: “Mate ela, mate ela, mate ela!”
A multidão mergulhou em um frenesi, aguardando ansiosamente a execução daquela aberração capturada, pedindo vingança.
Olhos cheios de ódio e ressentimentos jaziam em cada pessoa. Aversão incrédula ao antinatural. Querendo se livrar da presença de um inimigo que não era fisiologicamente aceitável. Essa emoção era de intenção assassina. Isso, Subaru chamou de ira. Uma multidão de completos estranhos, caminhando lado a lado, buscando o mesmo objetivo.
Multidão: “Mate ela! mate ela! mate ela!
Todas suas emoções se reuniram ali em uníssono, como se fossem apenas um.
Multidão: “Mate ela! mate ela! mate ela! mate ela!
Unindo forças juntos, essa era…
Sirius: “Deixando suas diferenças de lado, e unindo seus sentimentos em um, isso certamente é amor não é?”
Sirius havia sido pressionada ao lado da torre por Reinhard.
A multidão ao redor ansiava pela morte do monstro.
A desesperada Sirius pareceu perder as correntes até de sua mão direita. Se as duas mãos estavam desarmadas, não havia jeito dela se defender de Reinhard. Esse seria o fim do Arcebispo, no entanto, Sirius demonstrava seu habitual sorriso plácido.
Reinhard: “Você tem alguma coisa a dizer?”
Sirius: “Sim, obrigado. Então deixe-me te avisar de uma coisa, os outros arcebispos do pecado não são tão dóceis como eu, então quando for direcionar essa pergunta a eles, tome cuidado! Você pode acabar se dando mau.”
Reinhard: “Manterei isso em mente.”
Diante da bondade calorosa de Reinhard, Sirius falou calmamente. Reinhard assentiu e deu um passo à frente, pronto para executá-la com a lâmina que era sua mão.
Multidão: “Mate ela! mate ela! mate ela!
Conforme os gritos da multidão crescia com cada vez mais intensidade, o destino de Sirius se aproximava.
Parado na frente da torre destruída, Subaru sentiu um frio latejando que fazia seu coração rachar.
Por que ele estava se sentindo assim? Ele queria falar, queria abrir a boca, mas não conseguia se mover. Se ele tentasse manter contato acabaria sendo influenciado pela multidão que estavam sob o feitiço.
Certamente ele se juntaria aos gritos e diria “Mate Ela!”
Sirius: “Nós nos perdoamos, nós amamos, e nos arrependemos, é exatamente assim que deve ser o amor!”
Ignorando Subaru, Sirius continuava pregando a sua retórica.
O que ela dizia parecia fazer sentido, mas, levando em consideração suas palavras, aquela proposição e a atmosfera ficaram desagradáveis.
Uma sensação desagradável surgiu no coração de Subaru. E então o santo espadachim chegou a mesma repulsa que Subaru.
Não havia mais motivos para deixar Sirius falar, muito menos viver. Então, um pouco antes de Reinhard alcançá-la, Sirius sorriu e segurou os braços no ar.
Imediatamente, acompanhados por sons estridentes, correntes foram ejetadas através de seu casaco preto. Essas correntes foram disparadas através de suas mangas, e depois enroladas na torre quando Sirius começou a voar sob o ar mais uma vez. Ela pretendia escapar–mas antes que ela pudesse, Reinhard pisou no chão. Ondas de choque se espalharam com a explosão. A mão do cavaleiro a alcançou e instantâneamente a tocou suavemente.
Multidão: Mate ela! mate ela! mate ela!
Subaru: “Reinhard!”
Ele gritou o nome do herói, mas, caindo sob a influência da multidão:
Subaru: “Mate-a!”
Reinhard a cortou.
O corte foi tão profundo e preciso que o corpo de Sirius demorou para processar a ferida, até que seus órgãos foram derramados, o corpo dela foi cortado ao meio.
O corpo dela jorrava sangue e derramava seus intestinos pelo ar, espalhando por toda a praça. Essa era a visão mais parecida com o inferno que alguém poderia testemunhar.
Reinhard: “N-não pode ser..”
Depois de pousar, Reinhard emitiu um murmúrio atordoado.
Subaru testemunhou os olhos azuis e cintilantes de Reinhard, se arregalaram em espanto, tristeza e desespero.
–Em seguida ele não pode ver mais nada.
Agora, espalhados por toda a praça, estava os corpos de todas as pessoas que haviam sido divididas ao meio. O lugar se tornou uma poça de sangue.
Antes que Subaru perdesse a consciência, ele não conseguiu entender o que havia acontecido.
E pouco antes dele ser puxado para a morte mais uma vez, ele sentiu a mão quente de um garoto segurando a palma da sua, cujo o dono apertou com força, olhando para Subaru, buscando a salvação.
Liliana: “Depois que a música acabar e elas voltarem a conversar, não deveríamos preparar algo para elas comerem e beberem? Alguns lanchinhos certamente vão dar uma amenizada no clima e diminuir a distância entre elas, você não acha?”
Subaru: “—Grk.”
Beatrice: “Ai, ei, isso dói subaru!”
Piscando rapidamente surpreso ao que ele acabara de ouvir, Subaru arfou ao ver que havia retornado pela quarta vez.
A súbita mudança de consciência fez com que ele se agarrasse à mão de Beatrice com o mesmo aperto que ele estivera com Lusbel momentos antes dele morrer.
Beatrice chutou a perna de Subaru em lágrimas ao sofrer aquela repentina atrocidade, que recuou de dor massageando as mãos.
Liliana: “Waaa, por que você fez isso as adoráveis e delicadas mãos de Beatrice-sama? Você vai quebrá-las. Está tudo bem, eu…eu vou beijá-las, e logo irá melhorar… haha.”
Beatrice: “Tudo bem, você não precisa, isso é nojento, suponho.”
Beatrice corou em pânico quando Liliana agarrou sua mão. Ela se escondeu atrás de Subaru. Mesmo que ele tivesse machucado sua mão, sua confiança no parceiro não diminui.
Emília: Subaru, você está bem? Você estava pálido a pouco.”
Uma Emília preocupada se juntou a ele.
Subaru: “Emilia-tan…”
Se vendo refletido nos olhos de ametista, Subaru deu um suspiro. Ele havia voltado.
Ele tocou o peito e deu um suspiro. Seu abdômen foi cortado e sua cabeça foi esmagada. Embora Subaru estivesse confiante em sua experiência com mortes, essa tinha sido sua primeira verdadeira decapitação.
Subaru: “Não consigo encontrar uma conclusão simples…”
Recuperando as memórias que ele herdou, esta morte o ensinou a verdadeira realidade por trás dos poderes de Sirius.
Embora ele não tivesse presenciado muita dor, a sensação de perda e o choque o atingiram. Sua compreensão parcial do fenômeno cresceu.
Subaru: “Nojento…”
A causa da morte anteriormente desconhecida, foi agora identificada.
E então, a causa da morte dessa vez era…
–Sirius poderia transferir Mortes se alguém morresse nas proximidades dela.
Após analisar a situação, Subaru chegou a essa conclusão.
Ele foi cortado ao meio e decapitado e morto do mesmo jeito que Sirius. Não apenas lavagem cerebral com mudanças emocionais, mas até as feridas poderiam ser transferidas para as pessoas. Em outras palavras, matá-la significa matar todas as pessoas ali presentes.
Subaru: “O que devo fazer…?”
Subaru não podia chamar Reinhard novamente, isso causaria a morte de todos na praça.
Como Reinhard era capaz de matar Sirius, ele também deveria ser capaz de detê-la. O problema era que, se ela fosse pega viva, não haveria maneira de acabar com seu controle espiritual. Subaru estava em um impasse. Se ela fosse morta, todo mundo seria enterrado com ela.
Se ela fosse pega, havia a possibilidade de espalhar seu contágio.
O tempo passava enquanto Subaru pensava.
Vendo o silencioso Subaru, todos ao seu redor ficaram desconfortáveis. Percebendo isso, ele mudou sua expressão e sorriu,
Subaru: “Ah, desculpe, não se preocupem comigo, eu apenas me senti desconfortável e enjoado, deve ser pelo o que eu comi de manhã.”
Liliana: “Ah, entendo, também sinto náuseas às vezes acompanhado de gases…”
Subaru: “Espere aí, uma garota como você não deveria dizer essas coisas deselegantes assim do nada.”
Vendo o humor habitual de Liliana, Subaru se recompôs.
Subaru: “Então…eu vou comprar sobremesas, como lilianna sugeriu. emília-tan continue fazendo companhia a Liliana e a Priscilla-san, sim? Beako, venha comigo fazer compras, preciso de sua ajuda para escolher os doces.”
Beatrice: “O que você….’-‘ Tudo bem, vamos.”
Segurando as mãos de Beatrice enquanto falava, Subaru com um olhar sério no rosto chamou Beatrice que ao ver a reação suplicante do companheiro, assentiu sem exitar.
Emília: “Tudo bem, então…vejo vocês depois!”
Enquanto acenava dizendo adeus, Subaru pegou a mão confusa de Beatrice e correu do parque pela quarta vez. Desta vez, em vez de deixar Beatrice para trás, ele levaria sua parceira confiável junto. Mesmo não tendo avanço algum sobre a situação.
Priscilla: “Hmm…”
Assistindo os dois se afastando, a mulher vestida de vermelho observou a dupla com uma expressão pensativa.