Atrás dele havia uma sala cheia de moscas gigantes.
Subaru e Crusch haviam derrotado o dragão negro, que permanecia imóvel no chão do lado de fora, e mesmo assim diante dele uma garota sorridente pisava sobre o corpo adormecido de Crusch com uma gargalhada estridente e maldosa.
Riso sinistro, um tom sardônico. A pessoa na frente de Subaru era sem dúvidas Capella Emerada Lugnica. Os olhos de Crusch reviraram ao branco quando ela foi pisoteada pela garota.
Subaru: “O que… o que é isso?”
– Seu corpo inteiro começou a formigar sentindo um frio na espinha.
Capella: “Você realmente precisa de um tempo para pensar sobre isso? Uma escória como você não precisa se preocupar com essas coisas — a melhor coisa a se fazer é prestar atenção na realidade à sua frente! Você viu uma bela donzela indefesa! Mas sua verdadeira identidade é um dos Arcebispos do Pecado do Culto da Bruxa.”
Enquanto a mente de Subaru tremia, Capella dançava, mostrando sua língua com uma reação zombeteira para Subaru.
Capella: “Você não achou nada estranho e incomum por aqui? Em vez de se perguntar do porquê de existir uma criança na prefeitura sobre o encalço de um dragão, você apenas cogitou a ideia de salvá-la sem nem hesitar. Que linha de pensamento decepcionantemente estúpida!”
Subaru: “C-cale a boca já! Antes de qualquer coisa, mova seus malditos pés de cima dela.”
Capella: “Hmm? Você já está tão cativado pelas minhas pernas que já cedeu? Ou você está preocupado com essa porca que está agora lambendo meus pés? Na verdade, ela tem um corpo adorável~. Será que não consegue se conter? Seriam esses os seus desejos imundos falando mais alto ou algo assim? Kyahahaha~!”
Subaru: “Sua vadia! Desgraçada! Não somos apenas meras criaturas quaisquer para você pisar!”
Capella exibia uma expressão de êxtase, e seu calcanhar continuava a pisotear Crusch. Em resposta às suas ações atrozes, as veias saltaram da testa de Subaru em irritação.
A parte inferior de seu corpo ficou tensa, pronto para iniciar um ataque. E vendo isso, Capella soltou um riso; mas Subaru não era imprudente e tolo a ponto de atacar sem uma estratégia, avançando às cegas.
Se Crusch que não tinha suas memórias ainda era uma guerreira temível, sua havia sido garantida por Wilhelm. E, no entanto, nos poucos segundos que ela desapareceu da vista de Subaru, ela perdeu sem qualquer resistência.
Então isso queria dizer que a força do Arcebispo estava em um nível elevado do que a de Subaru.
Subaru precisava resolver a situação sem envolvê-la em combate.
O mais sensato a se fazer era criar um plano de fuga e, assim, levar Crusch para Julius e os outros para que ela fosse tratada.
Cabia a ele arquitetar uma fuga, abandonando sua missão no processo, mesmo que eles ainda não tivessem conquistado absolutamente nada.
Embora eles provavelmente falhariam em interromper a transmissão, aquela missão não valeria suas vidas.
E também ele não havia encontrado nenhuma das pessoas que deveriam resgatar, pelo menos não nesse andar.
A única conclusão, a que ele chegou, era que não havia forças de combate suficientes para retomar a prefeitura em segredo. Portanto, Subaru não Hesitou…
Capella: “Hein?”
Subaru: “Raaa!”
Capella exalou surpresa com a reação repentina de Subaru.
Irritado, ele lançou seu chicote. Seu alvo não era Capella, mas sim uma prateleira na parede lateral. Ele encontrou um busto de metal grande suficiente para ser abraçado por dois braços e envolveu nele seu chicote, e sacudindo habilmente seu braço, ele puxou o objeto em direção à Capella.
Subaru agora empunhava em seu chicote um redemoinho de metal que avançava na direção de seu oponente em alta velocidade.
Para bloquear ou fugir, ela precisaria tirar os pés de cima de Crusch, saindo de cima dela; Subaru aproveitaria esse momento para salvá-la.
Subaru: “Pegue isso!”
Capella: “Eu irei.”
Subaru: “Aah?”
Em resposta aos gritos frenéticos de Subaru, Capella respondeu com uma calmaria em suas palavras casuais.
O som de um objeto duro encontrando osso e carne foi acompanhado por sangue jorrando da testa de Capella, que havia sido totalmente dilacerada. O interior de seu couro cabeludo era visível, e o sangue esticou suas bochechas rasgadas. Agora Subaru não conseguia mais encarar aquele rosto que à pouco era fofo.
Seu olho esquerdo estava meio destruído e a luz que dava vida às suas pupilas havia desaparecido. Esta situação momentaneamente inesperada deixou a mente de Subaru em branco.
Sua ação tinha a intenção de criar uma distração para seu inimigo, no entanto Subaru foi pego desprevenido, e um Arcebispo obviamente não iria deixar um acontecimento desses passar.
Capella: “Você não é nem um pouco fofo ao pensar que eu caíria direitinho na palma de sua mão. Essa estupidez é realmente um problema pra você! Kyahahaha~”
A zombaria de Capella ecoou nos pensamentos congelados de Subaru.
A garota se virou para encarar ferozmente a figura do rígido Subaru e, no momento seguinte, uma força invisível, junto com uma rajada de redemoinho negro o atingiu e mandou-o voar pelos ares abruptamente.
Subaru: “Gah!”
Atingido por uma força gigantesca, o lado direito de seu corpo recebeu um golpe e Subaru foi jogado em uma mesa antes de cair e rolar no chão. Seu corpo inteiro tremia devido ao impacto, ele ficou em pé vigorosamente, apoiando-se contra a parede. O que ele viu a seguir foi…
Capella: “O que foi? Você está tão surpreso com minha adorável beleza que mal consegue se levantar?”
Subaru:”O-o que aconteceu?”
Capella: “Você realmente tem que perguntar?~ Pelo menos uma vez nessa sua vida inútil use seus olhos!”
Capella balançou seu corpo alegremente, e Subaru não conseguia articular nem sequer um grito de angústia. Ele finalmente percebeu o que tinha o atacado, era a cauda de um dragão, que brotou de trás da garota. Essa aparência desconcertante se agravou na consciência de Subaru.
Subaru: “Você… poderia ser um dragão?”
Capella: “Certo~pelo jeito seu cérebro podre e desesperado não conseguiu chegar à verdade mesmo após o impacto. Mesmo depois de uma dama como eu ter dado tantas dicas, você não foi capaz de chegar a uma conclusão, que carne inútil!”
Subaru: “—“
Capella balançou o rabo levemente enquanto Subaru examinava sua fisiologia. A longa cauda deu uma varredura feroz, e o chão se rachou mesmo antes de Subaru poder se jogar de lado a tempo de se esquivar.
Capella: “O seu esforço e alívio não é ingênuo?”
Subaru: “WAAH!”
Enquanto ele saltava para longe, mais uma vez foi chicoteado pela cauda do dragão e lançado no ar colidindo em um impacto violento contra o teto. E finalmente quando estava prestes a se chocar contra o chão, foi cortado por uma asa emplumada.
Tossindo violentamente quando o impacto o fez rolar pelo chão, ele testemunhou a verdadeira face do terror que havia o atacado.
Capella: “Agora, você deve ter quase chegado a alguma resposta, certo?”
Agora onde antes havia apenas uma cauda negra, juntamente havia um punho coberto de pelos de animais. Além da cauda, finalmente um par de asas de pássaros longas o suficiente para que as penas afiadas cortassem totalmente o corpo trêmulo de Subaru.
— Um alienígena. Era o que vinha à mente ao testemunhar a criatura na sua frente.
A cauda de um dragão, o punho de uma besta, e as asas de um grande pássaro — tudo isso em apenas uma única garota.
Ele não conseguia pensar em nenhuma outra palavra para descrevê-la. Uma descrição quase perfeita para a criatura que não deveria existir pode ser dada como a sensação de aversão física.
Ele não conseguia sentir nada além de nojo do monstro diante de si.
Subaru: “Variação, transformação…”
Capella: “Eu sou o Arcebispo do pecado da Luxúria, Capella Emerada Lugnica. Todo o amor e respeito presente neste mundo existe apenas para ser monopolizado por mim. Se alguém me ama, e por mais anormal que seja esse desejo, eu irei corresponder tal sentimento. Então, resumindo, sou a personificação de todos os tipos de virtudes e beleza do mundo. Qualquer garota que corresponda à suas preferências eu posso me tornar. Eu sou uma mulher obediente, não sou? kyahahaha…”
Se uma pessoa corresponder às suas preferências, ela poderia se tornar essa tal pessoa. Esse era o caráter distorcido de Capella.
Enquanto falava bobagens desenfreadas, Capella se virou para encarar Subaru e começou a mudar livre e rapidamente de forma.
Ela mudou sua forma anormal para voltar a ser a adorável garotinha novamente. No entanto, após sua forma original, ela começou a formar o corpo de uma outra figura. O corpo adulto de uma mulher adulta surgiu diante dos olhos de Subaru. No momento seguinte, tornou-se uma donzela com um sorriso lascivo e obsceno.
Capella: “Então? Agora você gosta de mim?”
Sem palavras, ele não conseguiu dizer nada. Com apenas um olhar, ele percebeu que essa era a pior situação. A mais terrível.
Ela era uma profanação dos valores humanos. Nesse sentido, sua habilidade era óbvia. O poder da Luxúria era profanar e pisar em vários valores para que ela fosse a única coisa amada no mundo.
E, com apenas um olhar, ele viu que a ferida que destruiu seu rosto, havia sido curada há muito tempo, sem deixar um vestígio de um arranhão sequer.
Sua terrível capacidade de se regenerar — ou melhor, sua capacidade de se transformar já havia curado seu rosto de seus antigos ferimentos há muito tempo. De qualquer forma, agora ele finalmente resolveu o mistério de como o dragão havia se transformado naquela garotinha. De início ele pensava que Capella era igual Petelgeuse, que podia usar o corpo de outras pessoas… mas como esse não era o caso, então…
Subaru: “Espere…”
Capella: “Você finalmente entendeu?”
Se esse não era o caso, então o que aconteceu com o dragão negro e as moscas gigantes presas na sala de transmissão?
Subaru: “Espere! Espere, espere, espere, espere!”
Como se ela tivesse lido os pensamentos mais íntimos de Subaru, a expressão de Capella mudou para uma expressão zombeteira, e ela riu.
Ela se transformou em uma senhora de cabelos compridos, e até mesmo o tom de sua risada mudou.
Nessa situação, onde ele não tinha certeza com quem estava falando, Subaru balançou a cabeça descrente. Não podia ser isso, era impossível, nunca poderia ser de fato verdade.
No entanto, se ele realmente estivesse certo, tudo que aconteceu até agora poderia ser explicado. A Luxúria de Capella permitiu que ela mudasse e transformasse seu corpo.
Mas e se essa habilidade fosse eficaz em outros objetos que fossem além de seu corpo físico…
Capella: “Será que o seu cérebro inundado percebeu a identidade daquelas moscas nojentas?~”
Subaru: “Eles… eles são…”
Capella: “Hmm~Hmm~ Apresse-se e me dê sua resposta, eu ouvirei você atentamente. Gahahahaha~”
Capella cobriu a boca com a mão e riu.
Odiando essa atitude do fundo do seu coração, Subaru falou com a voz trêmula,
Subaru: “E-eles são as pessoas desse prédio que você transformou.”
Capella: “Correto~ mas você foi bem lento, então não te darei elogios. E também não darei nenhum agradecimento~. Escória inútil, por que você existe?”
Subaru: “Essas falas são minhas!”
Capella não parecia nem um pouco culpada por suas atrocidades.
Desnecessário dizer que ela apenas enfiou aquelas pessoas inocentes dentro daquela sala escura. Quando seus olhos vermelhos se fixaram em Subaru, suas asas, que não eram capazes de voar, batiam desesperadamente, emitindo um zumbido alto.
— aquelas pessoas deviam estar pedindo sua ajuda naquele momento.
Subaru: “Tem algo de errado com essa sua cabeça… Como você pode fazer uma coisa dessas! Por que você faria algo assim? Transformando as pessoas em moscas! Por quê?”
Capella: “É horrível, não é?”
Subaru: “É mais do que isso, está além da distorção! Você…”
Capella: “Talvez seja só porque eu não tenha escolha a não ser criar criaturas nojentas como eles~?”
Novamente, Subaru não conseguiu encontrar palavras para responder e diante dessa frase absurda, ele permaneceu calado.
Com respirações ásperas e cerrando os dentes, Subaru se fixou nela com um olhar ardente e intenso de ódio, como se tivesse intenção de matá-la.
Ela gostava de brincar com a vida das pessoas, a ponto de transformá-las em moscas. Essas atrocidades eram ainda piores que um assassinato.
Em poucas horas, Subaru havia conhecido quatro Arcebispos, e todos eles eram escória, que zombavam da humanidade cruelmente.
A alucinada Sirius, que era uma mulher louca que manipulava as emoções e sentimentos dos outros e ansiava por um amor egoísta.
O ganancioso Regulus, que impôs seus próprios valores acima dos outros com toda sua razão distorcida.
A Gula, Alphard, que roubou as memórias e a existência das pessoas, o que era o pior tipo de veneno existente para a humanidade.
E a Luxúria, Capella, que era um monstro que destruiu a dignidade e a identidade humana pisando em seus caráteres. Eles estavam todos desesperados, culpados de loucura.
Capella: “—“
Vendo o silêncio entediante tomar conta do lugar, Capella fez uma carranca. E vendo a reação de nervosismo de Subaru, no segundo seguinte, ela falou em um tom de zombaria,
Capella: “De fato, é chato e nojento.”
Enfentando a Ira de Subaru, Capella deu um sorriso desagradável.
Ela bateu palmas apontando para a sala de transmissões.
Capella: “Quando você olha para aquelas moscas gigantes, você sente uma terrível sensação de nojo, não é? E claro, não importa quem olhe para essas criaturas horríveis.”
Subaru “O que isso…”
Capella: “Todas as pessoas sentem nojo dessa feiúra. Essas criaturas se tornaram insetos que eu não suporto ver. É claro que ninguém os amaria.”
Subaru: “E o que você está querendo dizer?”
Capella: “Os seres humanos são criaturas que não podem viver sem amar ou serem amados. Mas quando alguém querido se torna essas criaturas desagradáveis, não importa o quanto eles desejam ou queiram, eles simplesmente não podem amá-los. Nesse caso, eles precisam redirecionar seu amor para os outros. Não importa o quão relutante eles sejam, eles simplesmente não podem amar nada sujo.”
Inclinando a cabeça levemente, ela pronunciou suas palavras monstruosas. A mente de Subaru ficou em branco.
Ouvindo as palmas dela, Subaru foi dominado pelo desejo de desaparecer da linha de visão desse monstro.
Ele não queria aqueles olhos olhando para ele; seus ouvidos não queriam ouvir aquela voz; não queria sentir aquela presença, tudo por causa de uma sensação de nojo físico.
Ela não era a personificação da aversão?
Um sentimento que ele realmente era incapaz de suportar, não era essa a definição de horror que ele sentia diante de si?
Capella: “Tão gentil e misericordiosa, eu sou realmente a mulher perfeita. Uma vez que foi decidido que eu monopolizaria todo o amor e respeito do mundo, então eu definitivamente não posso deixar de cumprir meu dever. Trabalharei muito para ser amada, e me transformarei para me adequar a seu gosto. Para captar tua atenção, destruirei tudo que te cativar, menos eu mesma. Amar alguém é bom, mas sei que no final você irá me escolher. Vou trabalhar duro para que isso aconteça. Vou melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar muito meu próprio charme! E irei diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir o charme daqueles que não sejam eu. Qualquer um, não importa quem, irá se apaixonar pelo ser mais lindo e encantador desse mundo.”
Subaru: “… Apenas me mate logo!”
Capella: “Por que eu deveria? Sou um filantropo. Como eu poderia ser tão brutal a ponto de te matar? Mesmo que você seja uma escória inútil, se houver a chance de você me amar, mesmo que haja apenas uma pequena chance~,eu darei misericórdia e permitirei que vivam se me derem o devido louvor! Somente aqueles que não puderem desfrutar de minha pessoa serão mortos! Acima de tudo, Capella é uma mulher louvável.”
Subaru: “-“
Subaru: “–“
Subaru: “—“
Subaru: “Eu… entendo agora.”
Capella: “Oh, sério? Bem, então agora que você entendeu, agradeça imediatamente à Capella-sama. Deixe-se derreter pelo amor da Capella-sama e torne-se meu pedaço de carne favorito.”
Subaru: “Vá para o inferno!”
Ele não conseguia pensar. Mas não havia necessidade nem de raciocínio para saber que o inimigo na frente dele era realmente o mais cruel.
O chicote de Subaru subitamente voou para frente. O monstro deu um pulo para trás quando seu rosto foi subitamente atacado, removendo o pé sujo de Crusch.
Aproveitando essa abertura, Subaru imediatamente se moveu, pegando Crusch.
CAPELLA: “Por que você ainda deseja esse pedaço de carne? Sendo que ela já está toda em cacos. você não havia a negado antes? Você não gosta de coisas bonitas? Você não gosta de coisas fofas? Você não gosta de coisas macias e confortáveis.”
Capella perseguindo-o abriu os braços, ela esticou os braços na direção dele, e uma mão se transformou na cabeça de uma cobra enquanto a outra se transformou na cabeça de um leão — aquelas cabeças distorcidas perseguiram Subaru, mostrando seus caninos enquanto rastejam pelo chão para cima e para baixo.
Embora seu pé direito tivesse começado a sangrar, ele ainda não sentia dor. Sentindo a temperatura do corpo pesar junto do peso em seus braços, fazendo todo o esforço para proteger a mulher que carregava, Subaru concentrou toda sua força e habilidade atlética para se esquivar.
CAPELLA: “Você se importa tanto com essa escória? Então pelo resto de sua curta vida faça o que alguém apaixonado faria e a proteja! Proteja com todas as suas forças e não a solte! Esses olhos tentadores! Esses lábios doces! Que carne doce! Você parece estar se apegando a ela desesperadamente! Sendo incapaz de deixá-la ir!? Morra, morra, morra! Morra agora mesmo!”
Subaru: “Não fale bobagens, desgraçada! Eu não sou esse tipo de pessoa!”
Capella: “Quieto! A escória deve ficar em silêncio e, obedientemente sem se mexer, exalar o fedor de lixo! Você nunca pensou nisso? Você pode dizer honestamente que seus pensamentos não te traíram nem sequer por um segundo? Mesmo que por uma mínima fração de segundos, não torna sua relação obscena? Diga-me qual a diferença nesses pensamentos!?”
As cobras e leões se contorceram parando com a empolgação de Capella, girando desenfreadamente pela sala.
O som de dentes esmagando uma mesa de madeira ecoou, fazendo Subaru apertar os passos. Essa mesma força procurou por ele, tentando alcançá-lo.
Pego no centro daquela tempestade destrutiva, emitiu um grito de dor; Subaru escondeu o corpo de Crusch, evitando desesperadamente os ataques contínuos de Capella. Ela parou adiante da saída em sua frente, mesmo que ele quisesse escapar, o corpo de Capella se expandiu e se contraiu, mudando de forma enquanto sua figura se transformava em uma mulher e em seguida em uma jovem garota e uma bela donzela, parecendo mais uma anomalia.
CAPELLA:”VOCÊ NÃO QUER ACARICIAR E ESCOVAR O CABELO DELA? VOCÊ NÃO QUER ACARICIAR OS LÁBIOS DELA? ESSES SENTIMENTOS BARATOS SÃO SEMPRES JUSTIFICADOS COM BELAS PALAVRAS, COM AMOR! O AMOR É LINDO, ISSO NÃO É APENAS UMA JUSTIFICAÇÃO HIPÓCRITA? VOCÊ NÃO ESTÁ USANDO PALAVRAS BONITAS PARA ENCOBRIR SEUS DESEJOS?
Subaru: “Você…!”
Capella: “Assuma sua luxúria diretamente! Não esconda sua luxúria atrás do amor! Ou você ousa escondê-lo? Refutando o que já foi determinado? Assuma! Seu amor por ela é por causa de seus sentimentos mais íntimos. sua nobreza, sua gentileza, sua generosidade, sua temperança, sua compaixão. Ela está disposta a viver pelos outros, tem forças para suportar a injustiça, a vulnerabilidade que ela mostra apenas para mim, não quero deixá-la sozinha. Aquela voz tranquilizadora, aquele olhar amoroso, aqueles olhos que roubam meu mau humor, os lábios que chamam pelo meu nome delicadamente, o calor que agarra e aperta minhas duas mãos, a emoção em meu coração quando nos tocamos, aqueles cabelos bonitos balançando ao vento. Tudo porque acredito que o destino nos uniu, porque acreditei que apenas você me aceitaria, porque você está sempre ao meu lado quando estou triste, porque você me ensinou muitas lições importantes, porque estivemos juntos todo esse tempo, agora mais que nunca eu quero ver e sentir o que você está sentindo para sempre. Porque prometemos um ao outro, jurei nunca esquecer e só eu a conheço, e somente na frente dela posso ser eu mesma. Isso porque eu estava tão sozinha, sempre quis que alguém me entendesse. Você me disse que esse pensamento inicial é o que leva uma pessoa a amar a outra. Foi você que tirou o fluxo de minhas lágrimas, foi você que saiu do mar sem limites das pessoas para me encontrar, foi você quem me abraçou com força quando desmaiei. Foi você quem me repreendeu pela primeira vez porque eu fui ingênua, foi você quem me disse a verdade indisfarçável, foi você quem me levou para ver tantos lugares que eu nunca tinha visto antes, você foi aquela que pegou minha mão e me trouxe para fora de minha gaiola. Não importa quando, você sempre me apoia, não importa o quê, você me entende. Fomos feitos um para o outro, sempre, não consigo viver sem você, você é tudo para mim, você me ama porque eu também te amo, porque seu peito é tão quente e acolhedor, porque com você todas as cores do mundo brilham, eu não posso sentir felicidade sem você, eu não posso viver sem você. Neste mundo tão cheio de mentiras apenas isso é verdade.”
Com uma reação imóvel, Capella cuspiu essas palavras como se fossem maldições. E uma expressão complexa surgiu no rosto dela.
Enquanto ela falava esta longa e comovente confissão, o rosto de Capella estava entrelaçado com adoração, beleza e obscenidade.
Subaru: “–“
Capella: “Todas essas palavras não eram apenas palavras doces, eram palavras destinadas a aplacar os outros, qual é o mal em removê-las de seu caminho? Elas têm alguma sinceridade? Elas são meramente absurdas e nauseantes! Elas não são nada além de atos! Na verdade, você só foi atraído pela aparência dessa carne. se você ainda seria capaz de amar pessoas cujas aquelas você trocava carícias e palavras afetuosas, veja o que acontece quando essa pessoa se torna uma mosca! Você ainda seria capaz de amá-la? Você não está com medo deles? Não está com nojo? Não! Você não sentiria nada além de nojo escorrendo por cada poro do seu corpo! Agora, pense no que você disse!”
Subaru evitava ao máximo os ataques das criaturas, enquanto Capella usava do abuso verbal, ciúmes, ódio, uma ilusão da vitimização e auto-obsessão. Cuspindo tudo isso, Capella perdeu o controle e histericamente começou a destruir toda a sala.
O rugido do leão, o assobio da cobra e os gritos da Luxúria, Subaru já não aguentava mais, precisava fugir dali.
O barulho se intensificou parecendo o estrondo de uma tempestade, e a sala começou a desabar. Não importava o que ele fizesse, não conseguia fazer nada além da fumaça.
Como estava o pé dele? Ele ainda poderia usá-lo, ferido e dilacerado como estava? A única coisa a qual ele tinha certeza era do batimento cardíaco da mulher em seus braços, o que continuava a dar determinação a Subaru.
Mas, mesmo assim, essa luta acabaria aqui.
Capella: “Ei, pedaço de carne, eu ainda posso ver você!”
Subaru: “Huh?”
E então sob o meio da enorme névoa de poeira causada pelo desmoronamento, a cabeça do leão surgiu de repente.
Então as presas foram fincadas na perna direita de Subaru assim arrancando um grande pedaço, derrubando-o, fazendo jorrar sangue.
A lesão já havia ultrapassado direto e completamente o limite que a magia concedida por Ferris poderia suportar, e a mente de Subaru começou a ferver enquanto ele lutava contra a dor que começou a surgir ao perder o pé direito. Ele emitiu um violento grito de agonia onde sua garganta não foi capaz de suportar.
Claro que ele não podia mais suportar seu próprio corpo.
Enquanto ele desabava, Crusch rolou no chão. E seu sangue começou a transbordar. Isso não era exagero. Estava claro que sua vida estava entrando em declínio, colapsando.
Capella: “Ah, que dor de cabeça, parece que não pude conter minha animação — que falta de educação da minha parte. Gahahaha!~”
Mantendo sua posição no chão, Subaru colocou uma mão em convulsão em seu ferimento. Embora ele tampasse o sangue para evitar que ocorresse uma hemorragia, o ritmo de sangramento não diminuiu. Ele sentiu um sentimento desconfortável percorrer todo o seu corpo.
Logo tudo acabaria, esse era o sentimento complexo da morte, um sentimento familiar que gradualmente se aproximou de Subaru.
Em apenas algumas horas, ele sentiu a dor de perder o pé direito duas vezes seguidas.
Com a respiração pesada, Subaru transpareceu da palidez branca para adquirir uma palidez amarela. Seus olhos ficaram vermelhos.
Capella: “Oh~ meu deus, parece que você está prestes a morrer!? Isso é particularmente angustiante para mim, um ser compassivo, presenciar a agonia de um pedaço de carne como você.
Subaru: “Ah… ah…”
Capella: “O pedaço de carne que você protegeu também morrerá em breve. É uma pena que eu tenha me entregado para o meu hobby… Decidi ver se ela perderia para o meu sangue. Embora eu tenha me divertido, acredito que ela não suportará recebê-lo.”
Capella se agachou para o rosto contorcido e agonizado de Subaru. Com isso, o monstro sorriu e estendeu a mão para o ferimento em seu pé.
Capella: “Me pergunto que tipo de carne feia você vai se transformar.
Subaru: “–“
Enquanto falava, Capella transformou sua mão direita em uma enorme lâmina afiada, cortando sua mão esquerda que acariciava a ferida de subaru e uma quantidade de sangue jorrava de sua mão para a perna ferida de Subaru; pouco a pouco o sangue dela fluía pelas veias do garoto, o sangue vermelho e preto se misturavam. Mostrando uma cena bastante indecente. E…
Subaru: “AAAAHHH??”
Capella cantarolava alegremente enquanto Subaru permaceneu imóvel em pânico vendo o sangue negro cobrindo sua perna.
Capella: “O sangue de Capella-sama é diferente do sangue comum onipresente. O meu está misturado com sangue de dragão, o qual contém uma maldição. Talvez você dure mais que ela!?”
Capella cantarolou feliz, mas Subaru não conseguia dar uma resposta.
Todo o seu ser estava meio morto, e até mesmo a dor se tornou lenta.
Momentos antes de morrer, o sangue que mergulhou em sua ferida devastou e corroeu seu corpo.
Um medo de grau maior que sua dor regional arrebatou Natsuki Subaru, como se tentasse reescrever completamente sua existência enquanto se fundia a ele.
E comparado a Crusch? Foi como o monstro havia dito. Ela estava sofrendo a mesma dor. Se ela tivesse que suportar tanta dor, seria melhor ela morrer! Vamos morrer! Vamos morrer! Vamos morrer! Deixe-me morrer! Deixe-me morrer! Deixe-me morrer!
Capella: “Kyahahaha~ Bem, os invasores foram bem cuidados. Agora é hora de eu…”
Depois de olhar para trás e à sua frente, para Subaru e Crusch caídos inconscientes, Capella se levantou satisfeita.
E então Capella voltou a sua forma original, com o rosto de uma inocente garota, fazendo seu rabo de dragão desaparecer. E antes dela voltar para a sala de transmissão, deu uma pausa e se virou para dar uma última olhadela para o lado.
Seu olhar caiu sobre a parede que havia sido destruída quando o dragão feito de isca foi atacado,
Capella: “Meu deus, eles eram pessoas decentes, afinal.”
E, depois de ter caído sob o prédio há pouco, o dragão negro voltou para os céus. Onde agora sobrevoava a prefeitura, vendo seu inimigo ao longe, ele deu um rugido ensurdecedor, antes de cuspir um bocado de chamas negras.
— Naquele momento, chamas negras envolveram a cidade.