O colapso estava aproximando-se rapidamente.
Cada uma das gotas daquela chuva de sangue fresco, como se fossem mãos malévolas de sublime destruição, pisoteou e assolou a cidade.
Onde quer que as gotas tocassem era perfurado com menos resistência do que a ponta de um papel cortante, ela perdia sem resistência sua coesão. A propagação destrutiva demoliu os edifícios, e as consequências, por sua vez, espalharam ainda mais o colapso ao redor deles.
Subaru: “Aaaaaaaaaa !!”
Emilia: –”Tsk!“
Totalmente ciente de que não estava sendo razoável, ao espremer todo o ar para fora de seus pulmões, Subaru continuou a correr com todas as suas forças.
Correndo ao lado dele em um ritmo semelhante estava Emilia, seu cabelo prateado brilhante esvoaçava no ar, mantendo a boca firmemente fechada enquanto dava passos similarmente.
No entanto, os canais de água característicos da pitoresca cidade de Pristella se estendiam a partir de onde estavam em todas as direções.
Simplificando, encontrar um caminho direto para escapar adequadamente estava sendo difícil. Canais de água se estendiam na frente da dupla em execução, enquanto a destruição na retaguarda ameaçava engolir os dois.
Subaru: “Cuidado!”
Emilia: “Estamos navegando perto do vento, mas mesmo que seja um pouco arriscado… Subaru, agarre-se!”
Vendo que sua rota de fuga estava bloqueada, Subaru levantou a voz, porém Emilia imediatamente teve uma ideia diferente. Ele pegou a mão estendida que ela lhe ofereceu sem hesitação, e, naquele exato momento, um arrepio percorreu ao redor e com isso o ar esfriou.
Logo após, muitas pequenas luzes apareceram.
Foi o efeito tanto da magia nascida da força emprestada pelos espíritos, quanto do poder da própria Emilia, que agiram em conjunto.
Emilia: “— Por favor, pessoal!”
Assim que Emilia pediu, de cada ponto luminoso uma luz azul surgiu.
No instante seguinte, o chão embaixo de seus pés ficou imediatamente coberto de branco e, em um piscar de olhos, um mundo inteiro de gelo se espalhou.
As ruas congelaram e Subaru estava prestes a gritar quando as solas de seus sapatos escorregaram ferozmente. O corpo de Subaru foi puxado para frente enquanto seus pés derrapavam.
Subaru: “Oouh?! Emilia-tan é incrível! Que inteligente!”
Emilia: ‘É difícil controlar, então não solte a minha mão!”
Subaru ergueu os olhos e percebeu que sua mão direita ainda estava ligada à de Emilia.
E pouco antes, a mão esquerda levantada da meia-elfa jogou um pingente de gelo direcionado para a frente.
Congelando o chão e jogando um pedaço de gelo, Emilia pegou emprestada a força propulsora de sua magia, acelerando sua fuga. Ainda mais surpreendente foram o caminho e o curso de gelo formados pelos espíritos no ar.
Na beira da hidrovia à frente deles, algo como um salto de esqui havia se formado, e a dupla de Subaru e Emilia, deslizando com o impulso e ímpeto acumulado, navegou sobre o canal.
Subaru: “Eee-yahaa!”
Do outro lado da hidrovia, outro curso de gelo havia se formado. Emilia pousou e derrapou sobre ela, enquanto isso Subaru elogiou honestamente sua habilidade.
Subaru: “Legal, Emilia-tan! Eu me apaixonei por você de novo!”
Emilia: ‘Mas… não consigo pensar em uma maneira de parar! O que deveríamos fazer?!”
Subaru: “Hein?”
Emilia já havia liberado o gelo, contudo o ímpeto restante foi suficiente para causar danos inevitavelmente altos caso atingissem um obstáculo.
A magia de gelo de Emilia não poderia fazer algo tão conveniente como uma almofada para amortecer e absorver o forte impacto que os dois carregavam. Isso não era uma possibilidade.
Enquanto isso, o par aproximava-se cada vez mais de uma parede. Momentos antes do impacto, sentindo a mão de Emilia apertar a dele com força, Subaru tomou uma decisão, fazendo imediatamente um julgamento repentino.
Subaru: “Emilia-tan! Curva de instalação!”
Emilia: “Cur-curva?”
Subaru: “Uma espécie de parede levemente torta! Como um círculo!”
Ao ouvir o grito desesperado de Subaru, Emilia obedeceu humildemente com sua magia.
Bem na frente de suas formas ainda deslizantes, uma curva suave formou-se e, acompanhando-a enquanto giravam amplamente, os dois evitaram o impacto.
Subaru: “É isso! Simples assim, não deixe as curvas serem cortadas! Rodopiar — rodopiar!
Emilia: “Rodopiar, ro– rodopiar-!”
Assim, girando amplamente, a curva de gelo se alongou, formando mais curvas.
Visto de cima, uma parede de gelo em forma de espiral foi criada, e os dois corpos que alcançaram o ponto médio perderam velocidade o suficiente para parar com segurança.
Subaru: “Huh, depois de desperdiçar um monte de magia da Emilia-tan, nós conseguimos de alguma forma.”
Emilia: “Mais importante, o ataque de antes.”
Depois que parou, Subaru soltou um suspiro e Emilia golpeou a formação do gelo com a mão e a quebrou.
Vendo o gelo triturado se transformando em partículas de mana, Subaru virou-se para ver os traços de destruição dos quais eles fugiram, e então um arrepio percorreu sua espinha.
Centrado em torno da torre de onde se originou o ataque de Regulus, o cenário da cidade mudou.
Especialmente perto do centro, onde os impactos do sangue se intensificaram, a destruição foi severa. Mais para o exterior no perímetro da destruição, formaram desvios em seus traços, conforme a circunferência dos destroços se expandia.
Mesmo assim, poucos edifícios mantiveram sua forma original. Em outras palavras, foi um ataque com uma área de efeito anormalmente alta.
Na localização de Subaru, o ataque cruzou o canal de água e se estendeu. O fato de que ele quase não conseguiu alcançar Subaru foi resultado do acaso e de uma fuga desesperada — ou talvez não.
Subaru: “Reinhard.”
No prédio onde Regulus estivera até aquele momento, agora não havia ninguém.
Em vez disso, uma espessa fumaça subiu em sua vizinhança e o som de uma tremenda destruição ecoava.
Regulus sorriu maliciosamente enquanto mandou o dragão d’água para a inevitável morte rasgando-o em pedaços, espirrando seu sangue por todos os lados.
Naquele momento, ele viu a silhueta de duas pequenas figuras tentando desesperadamente escapar por um beco.
Quão insignificante; quão mesquinho; realmente, quão verdadeiramente trivial.
Rindo zombeteiramente enquanto todo o sangue espalhava manchas por toda a cidade, ele esperou ansiosamente o momento em que a destruição alcançaria a dupla em fuga.
Uma prostituta e um estuprador. Para eles, a morte ao meio de uma chuva de sangue era o mais adequado.
Regulus: “Disperse! Se espalhe! Seus malditos demônios hediondos que pisotearam meu coração!”
Reinhard: “— Minhas desculpas, mas não posso deixar você fazer isso.”
Imediatamente após declarar sua raiva e vitória com aquelas palavras, Regulus foi surpreendido por uma voz que falou perto de seu ouvido.
Virando-se, ele viu uma cabeça ruiva com a aparência de chamas sopradas pelo vento que apareceu.
Regulus: “Como você parece bobo! Quanta vontade de atrapalhar o amor de alguém com tanto zelo!”
Reinhard: “Se o seu método fosse correto e adequado, e você respeitasse a vontade da outra pessoa… ou se uma vez rejeitado, você pudesse prometer que se retiraria de forma limpa, eu não hesitaria em torcer por você.”
Diante da voz enfurecida de Regulus, Reinhard respondeu com uma risada e provocação.
Embora aquela postura tão composta fosse odiosa, o que agora dominava os sentimentos de Regulus era uma suspeita inexplicável. —— E então, saltando de uma só vez, estava a perna de Reinhard.
Certamente aquela perna direita sofreu uma lesão grave em torno de sua canela.
Embora não tivesse sido arrancada, não era exagero dizer que estava preso ao tornozelo com uma simples tira de couro.
Longe de ser capaz de lutar, sua perna não suportava e nem estava em condições até mesmo de andar. O fato de ele ter conseguido sair desse estado significava…
Regulus: “Isso é tão estúpido. Além da esgrima, a magia da cura é sua especialidade também? O quanto você tem pisoteado no coração de outras pessoas com todos aqueles seus talentos que são melhores do que os de outras pessoas no caminho para cá? Você se sente bem em quebrar o coração dos outros sem nem mesmo tentar, isso é bom, hein, certo?!”
Reinhard: “Entre todos os seus equívocos e mal-entendidos, com certeza vou corrigir um deles para você.”
Reinhard se contorceu, o vento uivou enquanto envolvia seu corpo.
Seu chute giratório disparado explodiu pelo ar, caindo diretamente no corpo do dragão de água empunhado por Regulus. Aquele cadáver que já havia se transformado em uma simples massa de carne agora se despedaçou…
Regulus: “O quê!?”
Reinhard: “Não posso usar nenhum tipo de magia, muito menos magia de cura. Foram simplesmente os espíritos do ar que vieram em meu auxílio, curando rapidamente as feridas de meu pé.”
Quando a força de sua perna atingiu o cadáver do dragão, com uma torção do tornozelo, ele o resgatou das garras de Regulus. Por meio daquele hábil trabalho de pés, os restos mortais do dragão de água não foram excessivamente maltratados e foram gentilmente jogados no telhado de um edifício parcialmente destruído.
E então…
Reinhard: “Perfeito. — Em seguida na linha de verificação… vou iniciar a Operação J.”
Regulus: “Kuaa?!”
No mesmo momento em que estremeceu e invejou o ato hipócrita de Reinhard, o punho de sua espada o atingiu na cabeça. Atingido assim, o corpo de Regulus rolou pela encosta do telhado.
Enquanto escorregava encosta abaixo até o chão, perto do ouvido de Regulus novamente…
Reinhard: “Vou testar.”
Regulus: “–!?”
Saltando no mesmo ângulo com a velocidade de uma bala, Reinhard se aproximou; agarrando a perna de Regulus enquanto ele girava no meio da queda e, com uma sacudida, seu corpo foi pego pelas ações de Reinhard.
Agora, Reinhard enquanto carregava Regulus saltou na direção do Subaru em fuga, com uma tempestade terrível, acelerando rápido o suficiente para arrancar a perna de qualquer pessoa comum.
Regulus: “Mas o quê–!?”
Reinhard: “Nada particularmente especial.”
Afirmando isso, Reinhard ergueu o corpo de Regulus quando ele parou.
Como a atitude de uma criança agarrando a perna de uma boneca e brincando descontroladamente com violência — À medida que o temperamento de Regulus com esse tratamento explodiu, ele passou a entender os detalhes do plano de Reinhard.
Empunhando o corpo de Regulus, Reinhard o jogou sob as gotas de sangue que caíam.
Aquela chuva de sangue do dragão infundida com força por Regulus demoliu edifícios até mesmos formados de pedra.
Se ele tivesse tanto poder, então aquele ataque feito pela habilidade de Regulus poderia até ser eficaz contra qualquer proteção que ele tivesse em seu próprio corpo.
Se essa era a ideia, acabou provando ser uma ideia tola e idiota.
Regulus: “Se for meu próprio ataque, ele deveria funcionar contra mim? Eu não sei o quão naturalmente talentoso você nasceu, mas não despreze os outros tão cruelmente. É impossível eu me machucar ou ser liquidado com um método tão estúpido como esse, você não acha?!”
Reinhard: “Isso também foi ineficaz.”
Aquelas gotas de sangue, ao tocarem o corpo de Regulus, tornaram-se em simples gotas e respingaram no chão. Obviamente, a prioridade era diferente.
Naquele exato momento, Reinhard soltou a perna de Regulus.
Ele era um sujeito inteligente. Se ele tivesse deixado as gotas alcançá-lo, como tal, sua palma teria se transformado em uma bagunça que ele não seria capaz nem de segurar uma espada novamente.
A força do balanço desapareceu. Aterrissando no meio da rua, Regulus enfrentou Reinhard mais uma vez. Seus olhos se estreitaram em advertência.
Reinhard: “De alguma forma, não parece mais possível tocá-lo novamente.”
Regulus: “Você parece ter um nariz afiado, quer que eu te machuque de novo como se machucou há pouco tempo?”
Reinhard: “De agora em diante, terei cuidado com sua respiração e sua visão. Se houver outras precauções a serem tomadas, ficaria feliz de ouvir mais sobre elas.”
Regulus: “Saia da minha frente, AGORA MESMO!!”
Avançando com as duas mãos levantadas, Regulus correu na direção de Reinhard.
Com uma velocidade inacreditável, Reinhard fez um amplo arco para se esquivar, afastando-se. Usando o punho da Espada do Dragão, ele deu vários golpes em direção a Regulus à distância.
Regulus: “Você adora correr, não é? Pare de se mexer! Não importa aonde vá…!”
Reinhard: “Ser incapaz de resolver o problema com golpes de espada, quão impotente. Na verdade, tenho vergonha de mim mesmo.”
Regulus: “Você ainda nem sequer puxou sua espada uma única vez!”
Encarando Reinhard enquanto ele se movia de um lado para o outro, Regulus fez um movimento relativamente invisível ao estender a mão.
No entanto, um ataque tão irreverente nunca alcançaria um herói como Reinhard. Além disso, os olhos azuis brilhantes de Reinhard ainda desconfiavam dos truques mesquinhos de Regulus que suspirava pesado.
Regulus: “Aah?”
Mas então algo repentinamente se intrometeu. Uma lança voou para a frente.
Enquanto tinha sua atenção voltada para Reinhard, Regulus seria perfurado por um pingente de gelo do chão sob seus pés.
No entanto, aquele pedaço de gelo a seus pés foi pisoteado antes de quebrar a superfície e se estilhaçar sem lhe dar tempo para se materializar totalmente.
Com petulância, Regulus olhou em volta, fixando-se na donzela de cabelos prateados do outro lado do canal, com a mão estendida. Sem dúvidas, a magia de gelo tinha sido um de seus pequenos truques.
Nojenta. Era essa a sensação visceral, com isso ele sentiu seus órgãos queimando de raiva.
Regulus: “Todos e cada um de vocês! O que é que vocês ainda não entendem?! O fato de sermos diferentes! O que temos desde o momento do nosso nascimento é diferente! Todos vocês não conseguem e não podem igualar ou competir com o meu eu completo! Aceite que são incompletos e sem brilho, fiquem satisfeito com isso e morram!”
Chega dos implacáveis malfeitores que se opõem.
Estou triste por lidar com perdedores ruins que não sabem quando desistir.
Essa lacuna absoluta não poderia ser reduzida. Por que é tão difícil entender?
Reinhard: “A Operação A também falhou. Qual é a próxima?”
Regulus bateu o pé, dividindo a rua em duas, não deixando espaço para seus ouvidos ouvirem os resmungos de Reinhard.
Emilia: “Nada bom! Como esperado, esse ataque também foi ineficaz!”
Subaru: “Então, não funcionou! O que quer dizer que a possibilidade de seus pés serem um calcanhar de Aquiles também se foi…”
Seguindo as instruções de Subaru, Emilia havia atacado as solas dos pés de Regulus — Porém, o gelo quebrou sem deixar vestígios de ferimento.
Reinhard: “A operação ‘A’ também falhou. Minhas desculpas, minhas habilidades estão em falta.”
Em um instante, Reinhard usou a Proteção Divina da Telepatia para enviar uma mensagem psíquica, mas essas idiossincrasias sobre-humanas não deixavam Subaru surpreso, muito menos desequilibrado. Examinando atentamente o ferimento em seu pé direito, ele notou que o sangramento havia parado; contudo mesmo que estivesse completamente retalhado, isso não seria nem um pouco surpreendente.
Além disso, Subaru já havia experimentado as implicações de um pé despedaçado.
Subaru: “Se sua invencibilidade é uma barreira, ela não pode se estender até onde seus pés tocam e entram em contato com o solo, então eu vim com a Operação A [Sola dos Pés], mas…”
As partes aterradas de Regulus, que tinham contato com o solo, deveriam ter a desativado a energia, caso contrário ele simplesmente afundaria no chão.
Subaru pensou que poderia ser esse o caso, porém estava errado.
De acordo com o relatório de Reinhard sobre a Operação J [Autodestruição], a ideia de que Regulus teria que desativar sua invencibilidade para lançar seus ataques invencíveis também estava fora de questão e foi descartada.
Nesse caso, a Operação I [Bola na Piscina] também falhou. Parecia que a realidade negava a noção de que haveria uma fraqueza em sua invencibilidade.
Subaru: “Há mais alguma coisa? A fraqueza de um inimigo invencível, a fraqueza…!”
Cobrindo a boca, Subaru furiosamente ordenou que sua mente pensasse.
Antes de conhecer e mesmo depois de conhecer Regulus, o que ele sempre se preocupava era em encontrar um meio de derrotar alguém com um escudo definitivo, e quaisquer outras formas que pudessem existir.
Respostas de uma variedade de subculturas voaram pela mente de Subaru, como se ele quase descobrisse, mas ainda não tinha uma resposta precisa.
Subaru: “Minha maneira de pensar que está errada? Não estou pensando direito?”
Talvez o que ele precisasse não fosse uma maneira de romper a invencibilidade, mas algo mais fundamental: descobrir o que realmente era a Autoridade de Regulus. Qual era sua natureza?
Emilia: “Subaru, o que mais posso fazer? O que… o que devo fazer?”
Emilia questionou Subaru, que estava pensando profundamente.
Diante deles, através de um grande canal de água, a batalha feroz entre Reinhard e Regulus continuou, no entanto ela foi incapaz de oferecer qualquer ajuda, o que a deixou desconcertada e incomodada.
Tanto Emilia quanto Reinhard confiavam em Subaru, ambos tinham suas expectativas em relação a ele.
E não apenas os dois. Os aliados separados que estavam lutando nas torres de controle e os cidadãos de Pristella a quem ele se dirigiu em sua transmissão com o dispositivo mágico: todos compartilhavam esses sentimentos.
Pense, pense, pense, pense, pense, pense, pense.
Embora essas memórias fossem desagradáveis, Subaru começou a se lembrar de tudo, desde seu primeiro encontro com Regulus até este momento, suas ações e palavras, os ataques e esquemas que ele tentou realizar.
Deveria haver algo. Deveria haver alguma outra razão. Não apenas Regulus. Incluindo os outros Arcebispos de Pecado deve haver algo. Todos eles eram escória. Isso já estava claro. Não era só isso.
Subaru: “Os nomes das estrelas.”
Emilia: “Subaru?”
De repente, Subaru percebeu isso.
Ele havia pensado na mesma coisa antes, e agora deixou a piada de lado para pensar seriamente sobre o assunto.
Como as coisas haviam chegado a esse ponto, ele começou a considerar uma ideia abandonada anteriormente.
Regulus, Capella, Alphard, Sirius, Petelgeuse.
Esses nomes relacionados às estrelas, todos reunidos em um só lugar, você deve realmente tratar tudo tão casualmente como uma simples coincidência?
Em retrospecto, o Pavilhão da Plumagem do Rio, os costumes de Kararagi, Hoshin dos desperdícios.
Neste mundo, muitos lugares foram relacionados pela influência do mundo original de Subaru, então com isso ele não poderia apenas tratar isso como uma simples piada.
Por que ele não percebeu antes que, pela mesma razão, o Culto da Bruxa também pode ter se originado disso?
Petelgeuse, era Betelgeuse. [A mão de Orion], [Mão invisível].
Regulus era Leão, [Pequeno Rei]. Portanto, ele tinha um título.
[Pequeno Rei] era, de fato, um título compatível com ele.
Subaru: “Emilia. Eu tenho algo para lhe perguntar.”
Subaru falou baixinho, e ao ouvir sua voz Emilia abriu os olhos e assentiu.
Subaru podia sentir a atenção irradiando do rosto branco como a neve e fechou um olho.
Subaru: “Aquele homem agarrou você pelo pescoço uma vez, certo? É sobre aquele momento.”
Emilia: “Sim…”
Subaru: “A mão de Regulus, estava quente? Ou estava fria?”
Emilia: “——”
Na pergunta de Subaru, Emilia arregalou os olhos. Ela ergueu o rosto pensativa.
E então ela tocou seu pescoço fino com a mão, e respondeu.
Emilia: “Não. Pensando bem nisso… não conseguia sentir nada. Nem calor nem frio, não havia temperatura.”
Ao ouvir a resposta de Emilia, Subaru prendeu a respiração.
Desde o momento em que Regulus tinha sido jogado no canal, sua respiração não foi interrompida e seu corpo não ficou encharcado. A ineficácia de atacar as solas dos seus pés, a ineficácia de cancelar seus próprios ataques. Impecável tanto no ataque quanto na defesa.
Se isso não fosse simples e mera invencibilidade —
Subaru: “Reinhard!”
Ele se virou e chamou o nome do herói que estava lutando contra do outro lado do canal.
Em uma batalha implacável e mortal, Reinhard olhou com determinação para Subaru.
Para que ele pudesse ouvi-lo, Subaru ergueu a voz bem alto.
Subaru: “Verifique se o coração dele está batendo!!”
As palavras fortes de Subaru fizeram Emilia e Reinhard abrirem os olhos de surpresa.
E então, Regulus…
Regulus : “——”
Otto também deixou a prefeitura após cumprir o dever imposto a ele e depois de confirmar as incursões simultâneas nos quatro locais onde eram localizados as quatro torres de controle.
Anastasia: “Não acho estranho pensar que ele deve ser parado… mas também é verdade que, neste momento, temos que reconfirmar onde o livro da sabedoria que o Culto da Bruxa solicitou está. É lamentável, não é, Otto-kun?”
Isso foi o que Anastasia disse quando Otto saiu.
Parecia que Anastasia queria que Otto ficasse na prefeitura também. Foi o ponto de encontro onde Subaru e as outras facções já haviam entrado em confronto com os Arcebispos do Pecado.
Embora se esperasse que a Prefeitura funcionasse como sede, não havia muitas cabeças pensantes que pudessem buscar informações em vários lugares diferentes neste momento.
No entanto, eles não podiam deixar o Livro da Sabedoria nas mãos de outras pessoas.
Embora eles tivessem estabelecido uma relação de cooperação para lutar contra os Arcebispos de Pecado, quando a situação mudasse, eles se tornariam inimigos novamente.
E, quando isso acontecesse, outras facções deveriam ser impedidas de perceber a eficácia do Livro da Sabedoria.
Verdade seja dita, seria melhor se a conversa nunca se voltasse para as capacidades do Livro da Sabedoria. Garfiel e Subaru chegaram a esta conclusão sem dizer nada.
Otto teve vontade de suspirar ao sentir que sua própria personalidade era a culpada aqui.
Otto: “Eu me pergunto quando me tornei alguém que perseguia os outros dessa maneira.”
Batendo com a mão nos cabelos grisalhos, Otto se perguntou novamente o que lhe ocorrera várias vezes no ano anterior.
A posição em que ele estava era inesperada, seu relacionamento com as pessoas era inesperado, suas emoções atuais eram inesperadas.
O que sua família pensaria se descobrisse que estava fazendo tudo isso?
Otto: “Se eu estiver bem e tiver sucesso, tentarei escrever uma carta. Se o Subaru estivesse aqui, ele definitivamente diria que acabei de ativar uma bandeira da morte.”
Otto murmurou algo estranho assim que alcançou o Distrito Três da cidade.
Os Arcebispos de Pecado deveriam estar concentrados nas torres de controle e, considerando isso, não deveriam estar na cidade. Eles não deveriam…
Otto: “Ha~a…~Tsk”
Segurando o peito com força, Otto sentiu o seu coração bater mais rápido.
Culto da Bruxa, Arcebispos do Pecado, Cultistas da bruxa — Otto tinha péssimas lembranças deles.
Um ano atrás Otto se lembrou de seu primeiro encontro com Subaru.
Ele não conseguia esquecer o horror que sentiu do Arcebispo do Pecado.
Aqueles olhos malucos que não pensariam duas vezes antes de matar ou tirar a própria vida.
Aquele louco, a personificação do fanatismo, que dedicaria seu sangue e sua carne por sua própria vontade.
Quando ele realmente esperava ajuda, apenas o silêncio e a solidão o dominaram.
Ele nunca esteve tão assustado antes. Ele nunca se sentiu tão vazio.
Lutar com Garfiel, enfrentar a caçadora de entranhas ou encontrar manadas de feras, não era nada comparado ao medo que ele sentia naquele momento.
O encontro com o Culto da Bruxa lançou uma sombra imensamente escura no coração de Otto. Embora soubesse o quão horrível era aquela coisa, não era algo que pudesse ser apagado tão facilmente.
— Emilia, que não escapou do preconceito devido à sua semelhança com a Bruxa da Inveja.
— Subaru, que havia sido nomeado cavaleiro por ela, e que estava destinado a lutar por ela contra os cultistas de bruxas que tinham como alvo a meia bruxa.
— Beatrice, que lutou ao lado de Subaru e gastou todas as forças que tinha naquele corpinho.
— Garfiel, que se esforçou o máximo que pôde para proteger sua família.
— Ram, que por trás de sua língua afiada escondia uma doçura que não podia ser ignorada.
— Frederica, que vivia se sentindo em dívida com o irmão e tinha um senso de responsabilidade por sua posição.
— Petra, que sempre agia com um rosto sorridente para todos, mesmo sendo tratada como uma menina.
– “Eu amo todo mundo.”
Mesmo que ele não pretendesse ficar no mesmo lugar por muito tempo, infelizmente ele se sentiu muito confortável com eles.
Embora soubesse que deveria ficar longe de coisas assustadoras, ele não podia abandoná-las.
Para salvar este lugar, gostaria de ficar ao lado deles e apoiá-los, mesmo com meu medo, quero ajudá-los em tudo que eles não são capazes de fazer. É por isso que eu–
Otto: “— De alguma forma, preciso fazer a minha parte.”
Dizendo isso, ele entrou no Terceiro Distrito.
Havia uma pequena silhueta à sua frente.
Além da ponte de pedra sobre a hidrovia, havia uma praça e uma pequena sombra.
Além dessa figura, várias outras silhuetas puderam ser vistas. Todavia, agora, os olhos de Otto estavam fixos em uma única figura. O som desapareceu. Tudo estava terrivelmente quieto e nada podia ser ouvido.
Era uma situação em que as coisas vivas prendiam a respiração e tentavam desesperadamente esconder sua existência.
Otto Suwen conhecia muito bem esse tipo de situação.
Posteriormente a figura diante de seus olhos bateu palmas suavemente e, despenteando seus longos cabelos, ergueu o rosto.
Mesmo assim, o batimento cardíaco de Otto estava surpreendentemente calmo.
??: “Bem-vindo, onii-san.”
Otto: “——”
??: “Bem-vindo ao banquete de Ley Batenkaitos do Culto da Bruxa, representando a Gula…”
Abrindo a boca cheia de presas, o Arcebispo que não deveria estar lá, naquele momento, riu ameaçadoramente.