Regulus: “Kehehe.”
Ele colocou a mão no peito depois de Emilia ter falado.
O que ecoou foi uma risada que não pôde ser escondida. Embora o que tenha vazado no início fosse apenas um suspiro, ele logo não aguentou mais e tornou-se incapaz de resistir, e aos poucos o volume de sua voz começou a aumentar gradualmente, até tornar-se uma risada alta.
Regulus: “Hahaha! Ahaha! Huu… Ahhahahahaha!”
Endireitando as costas, Regulus começou a rir alto como se tivesse ouvido uma piada. Colocando a mão em seus cabelos branco e despenteando-os, o assassino agora estava imerso em um ataque de riso que ninguém mais conseguia entender.
Subaru poderia confirmar que pela atitude zombeteira e presunçosa de Regulus a especulação de Emilia estava correta.
Subaru: “Maldito… O que é tão engraçado!?”
Regulus: “Claro que é engraçado! Ou melhor, você é. Por isso, estou rindo! Devo sugerir que, nessa situação desesperadora, você desista de tentar pensar para que todos possamos rir disso juntos. E por falar nisso, você entende a situação em que está atualmente? Você mesmo, com suas próprias mãos empurrou os pontos mais críticos para esta calamidade.”
Subaru: “Gah…”
Nada, nenhuma palavra poderia ser adequada para contra argumentar.
Naquele momento, a resposta de Regulus foi tão perfeitamente fundamentada que não poderia ser recebida com mais nada além de silêncio.
Subaru voltou a cabeça para olhar Emilia, confirmando com ela se era possível provar suas especulações ou não.
No entanto, sob o olhar penetrante e ardente de Subaru, Emilia balançou a cabeça.
Emilia: “Não há engano. Mandei os micro-espíritos confirmarem e também posso sentir por mim mesma. Dentro de mim existe algo estranho, que não me pertence. E parece tããão nojento.”
Emilia afirmou, apresentando uma pista desesperadora que anunciava a realidade ali presente.
Os efeitos do Coração de Leão foram transferidos para Emilia. Em outras palavras, a única maneira de derrotar Regulus agora seria parar os batimentos cardíacos de Emilia também.
Subaru: “Então, novamente, por que o coração de Emilia…? Será que eu cometi algum erro com as habilidades do Pequeno Rei? O coração do homem, talvez ele possa transferir para qualquer um, contanto que ele queira…”
Se fosse esse tipo de habilidade, então não existia nenhuma brecha na Autoridade de Regulus. Se ele pudesse transferir seu coração para qualquer um, incluindo inimigos e estranhos, isso significaria que enquanto a raça humana vivesse, não existia uma maneira de matar Regulus.
E se ao invés disso, talvez ele também pudesse substituir o coração de qualquer outro ser vivo?
Subaru: “Maldito, sem vergonha.”
Regulus: “Os uivos inúteis e desesperados de um cão em retirada são sempre agradáveis de ouvir. Hahaha; não se importe com o que eu digo. Continue correndo com o seu temperamento birrento, procurando alguma desculpa ridícula para justificar seu fracasso — é o seu direito como um perdedor. E desfrutar da minha superioridade ao ouvi-los: é meu direito como vencedor… Ahhh, isso não é tão ruim. Nada mal! Nada mal mesmo!”
Emília: “Eu não atendo aos seus padrões para ser uma das esposas, você mesmo estava dizendo isso.”
Regulus: “Aah, tão chata. Continuando a dizer bobagens sem parar, como se você fosse forte o suficiente para falar sobre seus próprios direitos. E mais importante que isso, como você planeja assumir a responsabilidade por matar minhas esposas? Minhas esposas ideais… quanto tempo você acha que demorei para reunir um grupo assim? Quantos anos você acha que levou? Ser maior de idade, mas não ter uma mulher ou uma noiva, você quer que eu seja um daqueles viúvos de merda que ninguém quer? Antes que eu encontre uma nova esposa, você tem a obrigação de se juntar a mim!”
Usando palavras severas para assediar Emilia, Regulus, cheio de ânimo, deixou clara sua retórica.
Esse era o violento raciocínio em que o vilão acreditava, completamente convencido de que seu coração estava mesmo dentro de Emilia. Em caso afirmativo, sendo esse o caso, a possibilidade de remover o coração de Regulus de Emilia era…
Regulus: “Você gostaria de tentar? Para verificar se há uma maneira de remover meu coração?”
“––”
Regulus: “Se você realmente deseja, o método é bem simples caso queira tentar. Basta apenas você tentar matar a garota na sua frente. Contanto que você acabe com a vida dela, naturalmente você saberá se minha Autoridade cessará ou não. Um método muito, muito simples, eficaz e bastante razoável… Haha! Mas você não poderia fazer isso, poderia? Se você fizer algo assim, com os motivos e razões junto com a série de valores que me desafiou, não acha que perderá suas razões que se auto justificam!?”
Embora fosse difícil de admitir, Regulus estava certo.
Subaru não teria coragem de sacrificar Emilia. Chame-o de egoísta, chame-o de arrogante, mas isso era algo que ele não poderia fazer.
Para derrotar Regulus, eles já haviam decidido deixar de lado suas vidas.
Mesmo sabendo que não havia alternativa senão permitir esses sacrifícios, de forma alguma a vida de Emilia e de seus companheiros era incomparável.
As escolhas de Natsuki Subaru sempre foram egoístas, a graus extremos e nojentos.
Regulus: “Olha pra isso, você vê? Alguém como ele nunca poderia. Nesse caso, que tal se suicidar? É tão simples, não é? Exatamente como o que você fez com elas. Ou o quê? Você não pode? Mesmo que você tenha tirado a vida de outras pessoas sem hesitação e consentimento, você não pode e não consegue fazer isso? Que incrível, acho que vou vomitar!”
Emilia: “— Subaru.”
Subaru: “Espere, não. Você não pode. Sério, isso realmente é inaceitável.”
Com a provocação de Regulus, Emilia parecia estar chamando Subaru como se já estivesse se dando conta de tudo. Ao ouvir aquele tom implacável e frio de sua voz, Subaru, assustado, apressadamente deteve Emilia.
Mesmo que ela se deixasse levar pela provocação, certamente ela não faria a escolha de abandonar a vida imediatamente.
Porém, Emilia já havia feito um bom trabalho ao escolher a pior opção caso não tivesse como vencer.
Ainda assim, Subaru não pôde deixar de pensar que ele não escolheria esse caminho inaceitável. Então, nesse caso, eles perderam.
Chamar Emilia apenas a impediu, mas ele não conseguiu falar mais nada em seguida.
Regulus: “Então, nesse caso parece que estamos quase prontos para encerrar tudo isso, não é? Embora manter uma mulher de baixo nível como você do meu lado não seja do meu interesse, por enquanto vou ceder. Vou ter que me juntar a você até encontrar minha próxima esposa. Embora eu tenha que simplesmente matar esse cara antes. Você já infringiu meus direitos muitas vezes até agora… Ah, isso mesmo, você riu antes, certo?”
Diante de Subaru, que rangeu os dentes, Regulus alargou os cantos dos lábios que se ergueram de alegria.
Uma torrente de magia envolveu Emilia enquanto ela planejava tomar sua decisão. Ao mesmo tempo, sem perceber o vento ao seu redor, Regulus riu.
Regulus: “Você é aquele mesmo cara, não é? Aquela voz altamente escandalosa que falava pela cidade momentos antes do meu casamento, certo? Você matou um Arcebispo do Pecado… ou seja lá o que for… que piada, você não acha? Você tem minhas condolências se realmente acreditou que poderia me superar só porque matou aquela desgraça. Aquele homem, antes e depois de se tornar um Arcebispo, nunca realizou nada significativo, sempre foi um simplório.”
Regulus, que estava de pé rindo, sem dúvidas, começou a referir-se ao maluco que Subaru tanto considerou ser abominável, Petelgeuse Romanée-Conti.
Petelgeuse era o pior tipo de lunático sem qualidades redentoras. Subaru não sentiu um pingo de boa vontade pelo lunático, ao invés disso ele o odiava até a medula óssea; e mesmo se ele voltasse como um fantasma, ele nunca o pouparia.
Mesmo assim, ver este Arcebispo do Pecado ridicularizar Petelgeuse, que supostamente era seu camarada, cresceu um sentimento inerente de repulsa no coração de Subaru.
A possibilidade de derrotar Regulus e, além disso, o emaranhado de vida e morte de Emilia nem precisava ser citado.
E então Petelgeuse—
Subaru: “– Ah.”
Ele deveria ser um oponente maluco, lunático, odiado que dava uma risada louca e sangrenta. Enquanto pensava no passado, ele ergueu o rosto. Foi então que ele sentiu que algo que estava começando a se mexer dentro do seu peito, ele sugou e prendeu a respiração, prendendo o fôlego.
Será que… algo assim… também seria possível?
Subaru: “Poderia ser feito?”
Era incompreensível.
A rigor, ninguém poderia garantir a possibilidade gerada na mente de Subaru. Era exatamente como negociar em uma mesa vazia — ou melhor, era mais perto de ser o produto dos delírios de Subaru. Era exatamente apenas os próprios sentimentos dele.
Mas foi exatamente por isso. Justamente por isso, que apenas Subaru era capaz de chegar nessa possibilidade.
Essa noção agora, baseada apenas na intuição, nem mesmo um Deus conseguiria saber se poderia ter sucesso, contudo—
Subaru: “— Emilia.”
Emilia: “––”
Sentindo a magia que parecia estar chegando ao seu limite, Subaru chamou seu nome.
Ela ainda permaneceu em silêncio, revelando apenas a constatação de uma tragédia. No entanto, no fundo de seus olhos, uma pitada de emoção passou através deles. Isso era expectativa e confiança em Subaru que a observava.
Então, para dar apoio a esses sentimentos, Subaru perguntou.
Subaru: “Emilia.”
Emilia: “Hmm.”
Subaru: “Você poderia confiar completamente em mim e deixar tudo comigo? Posso cuidar disso?”
Emilia: “Sim, eu posso.”
Em relação a essa pergunta, sua resposta veio rapidamente de forma simples e sem hesitação.
Emilia colocou a mão no peito e, pela primeira vez desde que voltou ao campo de batalha, sorriu.
Emilia: “Eu acredito em você e acho que se for o Subaru, você pode fazer qualquer coisa.”
Ahh, droga; como isso era desprezível.
Uma garota de quem ele gostava acreditava nele com uma confiança inabalável. Como ele poderia falhar?!
Fosse segurando firme com as mãos, ou mordendo firmemente com os dentes: ele não poderia falhar!
Subaru respirou fundo lentamente e depois expirou o ar calmamente.
Então, olhou para Regulus, que os observava em silêncio. Regulus não interrompeu a conversa, apenas descansou com os braços cruzados enquanto esperava vagarosamente.
Subaru: “Você não está um pouco relaxado demais?”
Regulus: “Não costumo sempre ficar relaxado?”
Todos os vestígios de falha ou algo do gênero permaneceram. Nem mesmo uma única partícula.
Regulus revelou todos os seus preparativos e queria acabar de vez com Subaru. Na verdade, a autoridade de Regulus, Coração de Leão, era perfeita. Depois de esclarecer seus pontos-chave, a vitória era quase inacessível.
No entanto, precisamente porque estava convencido de sua vitória iminente, ele, quando confrontado com as lutas e esforços de Subaru, decidiu assisti-lo de lado sem intervir.
Ele não tinha ideia do que estava acontecendo. O mesmo ocorria com o próprio Subaru.
Subaru: “––”
Se Beatrice estivesse ali, talvez eles descobrissem outro método. Se aquela garota inteligente estivesse ao seu lado, certamente eles teriam encontrado uma forma menos arriscada de vencer.
No fundo de seu peito estava a conexão com a garota que era sua companheira. Certamente, sem dúvidas, depois que tudo isso acabasse, ele sofreria uma repreensão dela; e ser repreendido não seria suficiente por tamanho incompetência.
Então, agora que ele estava sozinho, relembrando dos tempos em que esteve só, as memórias que permaneceram dentro dele, certamente não eram aquelas que trouxeram felicidade, despertando apenas uma paisagem inicial nele de terror com agonia.
Emilia: “Subaru.”
Subaru: “––”
Emilia: “Vamos lá, faça.”
O chamado de Emilia tornou-se a força necessária para ele se decidir.
Subaru agarrou violentamente seu próprio peito com força, despertando algo de dentro dele que era realmente muito difícil para ele considerar como seu, concentrando a sua consciência no redemoinho onde essa força caótica girava, e liberando-a.
Agora, mudando a maneira de como ele costumava chamar.
Para que o assassino que insultou o lunático entendesse o que estava prestes a acontecer, só desta vez.
Esse poder, esse poder herdado daquele maluco abominável.
Subaru: “Venha… INVISIBLE PROVIDENCE!”
–– Invisible Providence. Ou melhor, Mão Invisível.
Subaru definiu esse poder que surgiu através de seu corpo como “o poder da bruxa, concedido pelo Fator da Bruxa”. Ele tinha ouvido de Echidna em seu Castelo dos Sonhos que ele havia ganhado o Fator da Bruxa desde que matou Petelgeuse –– e que os danos ainda não estavam claros e que eram desconhecidos. No entanto, estava claro que o poder que a mão invisível tinha dado a Subaru era exatamente isso.
Então, até agora, Subaru nunca havia procurado usar o Fator da Bruxa como sua própria fonte de poder.
Subaru acreditava que o fato da natureza desse poder ser semelhante à do louco era porque o fator da Bruxa da Preguiça inerentemente possuía essa natureza.
A possibilidade de Petelgeuse ainda morar dentro desse fator era algo que ele nem queria considerar.
–– Mas se for esse o caso, então o que foi esse sentimento?
Ecoando, animado, apoiando-o silenciosamente e aplaudindo de dentro de Subaru.
Torcendo por ser chamado. Torcendo por mais uma vez poder usar seu poder novamente. Torcendo por ser requisitado, desejando cumprir seus objetivos. E então tudo era apenas uma alegria incompreensível e indescritível.
A flutuação dessa emoção incompreensível não era de forma alguma algo que os problemas de Subaru pudessem resolver.
Regulus: “Hah!?”
Acompanhando o grito alto de Subaru, Regulus deu um grito chocado enquanto olhava para o céu.
Ele não deveria ser capaz de ver isso. Porque, afinal, isso era a Mão invisível.
Essa mão venenosa que era a ferramenta perfeita para assassinatos devido à sua invisibilidade –– tendo sido insultada por Regulus, sendo ele um poder insignificante e residual, mas desta vez era algo ainda mais fraco e residual do que isso.
Era apenas um em número, tendo um alcance incrivelmente pequeno e curto além de muitos fatores desconhecidos.
Como a peça-chave para superar essa situação, devia haver um limite para a falta de confiabilidade.
Subaru: “––”
O primeiro passo para invocar a mão mágica foi cumprido. A partir de agora vinha a desconhecida segunda etapa e logo sem seguida a terceira, que seria a última etapa.
Com sua própria consciência, Subaru comandou as pontas dos seus próprios dedos em ação, infundindo suas suas esperanças na mão mágica que parecia tecida por sombras.
Subaru: “Emilia!”
E mais uma vez confirmando se ela estava pronta ou não, procurando por ajuda dela.
Juntamente com aquele som, Emilia fechou os olhos, balançando a cabeça como se já entendesse o que aconteceria em seguida.
Emilia: “Aah, está tudo bem –– você está aqui, Geuse.”
Os olhos de Emilia se encheram de calor e compreensão enquanto ela abria os braços.
Preparando-se repetidamente para a ação de Subaru, como se já tivesse visto o que iria acontecer. Subaru não hesitou quando colocou a mão mágica em seu peito.
A mão invisível alcançou o centro do peito de Emilia. E quando as pontas dos dedos percorreram sua pele branca sem resistência, os ombros de Emilia pularam de surpresa, como se ela tivesse sentido algo.
No entanto, a mão não conseguia parar. Através do esterno e depois pelos pulmões, finalmente alcançando o centro pulsante.
–– A mão mágica alcançou o coração de Emilia.
A segunda etapa foi cumprida.
Quando o tabu era acionado, a mão da Bruxa passava facilmente pelo corpo de Subaru e só machucava seu coração. Esta foi uma aplicação desse princípio. A Mão invisível e a mão da Bruxa compartilhando isso apropriadamente, era o único caminho que restava para se basear.
E, embora o jogo tivesse sido um sucesso até agora, o verdadeiro problema era que, depois disso, não houve precedente para o poder.
Se ele apenas agarrasse o coração de Emilia, ele poderia destruí-lo fazendo isso em um instante. Mas não faria sentido. Esse poder não deveria ser usado para isso.
Então, para que servia esse poder? –– Agora mesmo, este poder seria usado para salvar.
Isso era realmente possível?
Subaru, com sua mente em um mar de confusão, respirou fundo.
A Mão invisível poderia realmente se tornar uma mão capaz de salvar? Sob o homem louco chamado Petelgeuse Romaneé-Conti, quantas vidas esse poder já havia tirado?
Embora isso dependesse claramente do uso do poder, muitas vezes os poderes tinham a capacidade limitada. A Mão invisível era o tipo de poder que não poderia trazer nada além de destruição?
Se esse poder existia apenas para salvar vidas… embora fosse difícil de acreditar, não importava o quê––
Emilia: “Subaru.”
Hesitando e duvidando naquele momento, a voz de Emilia, que Subaru não deveria estar ouvindo, chegou até ele.
Emilia: “Vai ficar tudo bem –– porque eu tenho fé, em vocês dois.”
De quem e do que ela estava falando?
Emilia confiava em Subaru e em outra pessoa que ele não conhecia.
Mas com facilidade, ele aceitou e acreditou.
— Essa mão absolutamente, jamais machucaria Emilia.
Subaru: “Venha, minha terceira mão…!”
Dentro de seu coração, as dúvidas indizíveis que ele tinha sobre esse poder se dissiparam.
Como esse poder se originou não importava mais. Agora, estava nas mãos de Subaru, e ele não tinha intenção de machucar Emilia, ou o que quer que estivesse ao seu alcance.
Dentro do peito de Emilia, a mão mágica tecida pelas sombras começou a se fechar.
As pontas dos dedos tocaram o coração de Emilia, que podia sentir suas batidas, e Emilia deu um leve suspiro ao apertar suavemente a superfície de seu coração. E ao invés de dor, ela sentiu algo semelhante a uma leve coceira.
Dentro de Emilia, cujo interior era tingido de vermelho, a mão mágica fechou seus dedos e ele pode perceber outro coração sob sua mão.
E aqueles batimentos cardíacos diferentes dos de Emilia, aquele era o “Coração de Leão”—
Subaru: “PEGUEI VOCÊ!”
Ele não tinha brechas para retirá-lo.
Com sua mão mágica, Subaru esmagou o coração que ainda batia descaradamente dentro de Emilia.
O coração de Emilia não sofreu o menor dano, apenas o órgão parasita que ainda cantava poesias do amor foi destruido.
Subaru realmente sentiu que a sensação vinda daquela terceira mão não existia. E depois…
Subaru: “Aaah!”
Ao mesmo tempo, experimentou os custos de usar tal grau de concentração em um poder que não lhe pertencia.
Ele sentiu uma dor em seus órgãos como se estivessem sendo esculpidos e transbordando para fora, uma sensação de desespero se espalhou, como se ele tivesse sido contaminado; imediatamente, Subaru caiu no chão de joelhos. Tosses fortes junto com sangue o atormentaram.
Emilia: “Subaru!”
Emilia estendeu a mão em direção a Subaru que se ajoelhou no solo submerso com sangue escorrendo dos cantos da boca. Com isso, ele pegou a mão estendida dela e colocou-a no rosto.
Emilia: “Ah…”
Subaru: “Você ainda está viva… certo?”
Emilia: “… Hmm, sim, estou bem. Meu coração está perfeitamente bem, ainda batendo dentro de mim.”
Subaru usou o toque daquela mão que ainda fluía sangue para se certificar da realidade, e Emilia usou a outra mão para confirmar o batimento cardíaco. Agora não havia dúvida, por dentro, neste momento, havia batimentos cardíacos que pareciam parabenizá-los pelos acontecimentos de agora.
Então, apenas Regulus tinha uma expressão de como se ele estivesse confuso e não pudesse compreender o que estava acontecendo, enquanto olhava para os dois.
Regulus: “Hah? O que aconteceu? Você não se importa em deixar de lado aqueles ao seu redor, por algo que só aqueles que estão envolvidos com você possam entender? Que cena repulsiva e grosseira é essa? O que exatamente aconteceu com…
Subaru: “… Você não percebeu?”
Regulus: “Hah? Do que você está falando? Que eu não percebi ou algo assim? Perceber o quê, sendo que nenhuma única mudança—”
Subaru: “–– Seus pés estão ficando molhados.”
Regulus: “–?”
Subaru apontou isso para responder à dúvida de Regulus, que parecia ter sucumbido à sua raiva. Regulus ficou chocado ao ver seus pés ficando aos poucos molhados e ficou momentaneamente em silêncio, arregalando os olhos.
Notando a realidade de que seu smoking branco –– juntamente com seus sapatos brancos e a bainha da calça de suas roupas estavam ficando encharcadas pela água que passava pelo seus pés.
Regulus: “Vocês — isso é verdade!?”
Percebendo essa mudança com uma resposta tardia, Regulus mostrou os dentes e acenou com o braço. No entanto, uma perna esguia e branca o atingiu, chutando o rosto de Regulus, fazendo-o voar.
Completamente despreparado para tal golpe direto, Regulus deu um grito ao ser chutado para o chão submerso e inundado de água. Metade de seu corpo ficou encharcado de água e uma marca da sola de um sapato permaneceu marcado no lado de seu rosto que havia sido chutado.
Regulus: “hk… I-isso, esse tipo de… é…”
Como se fosse incapaz de entender a realidade que estava vivendo minimamente, Regulus ergueu o rosto inexpressivo. Olhando para Regulus naquele estado, Emilia, que deu o belo chute, inclinou a cabeça ligeiramente.
Emilia: “Consegui. Eu finalmente acertei um golpe.”
Regulus: “Você, Você!”
Com a frase de Emilia sendo preenchida com um sentimento de realização, o rosto de Regulus ficou vermelho. Usando o movimento de levantar-se para pegar água, Regulus jogou gotas d’água em Emilia.
No entanto, a dor de ter levado o chute fez com que sua postura vitoriosa desabasse, e a bomba d’água voou em uma direção completamente errada, deixando-o totalmente aberto para o ataque.
Emilia: “Ice Brand Arts!”
Regulus: “hk”
Criando um martelo de gelo em suas mãos, Emilia atingiu diretamente o centro do corpo de Regulus.
Recebendo um golpe que ameaçou destruir seus ossos, o corpo do assassino rolou na água. Com tosses altas e não reprimidas, batendo no chão com o punho sem pausa, Regulus os encarou com os olhos avermelhados.
Regulus: Por quê! Por quê? Por quê? Por quê? Vocês… só podiam ser vocês! Como vocês fizeram e o porquê?! Eles fizeram com Ganância! Com os meus direitos!”
Subaru: “Para alguém como você, que viu todos os procedimentos e ainda não percebeu, seria inútil tentar explicar para você. Mas é assim que é. Era muito simples.”
Enquanto tinha pena de Regulus gritando, Subaru suportou gritos internos de agonia vindo de seus órgãos, revelando apenas um sorriso de escárnio.
Um sorriso malicioso que não perderia até mesmo para o de Petelgeuse.
Subaru: “Você foi superado por seus oponentes, porque os ridicularizou muito.”
Regulus: “–!”
Mesmo que ele não entendesse muito bem o significado dessas palavras, a intenção provocadora seria claramente transmitida.
Regulus gritou um ruído que nem poderia ser chamado de som, ignorando a presença de Emilia ao se lançar em direção a Subaru. No entanto, ele foi parado por Emilia.
Emilia: “Anteriormente, no altar lancei um ataque contra você no lugar de suas esposas — infelizmente pareceu não funcionar, deixe-me acertar um que funcione.”
Regulus: “Pare de brincadeira!”
Aparecendo sobre a cabeça de Regulus, havia incontáveis pingentes de gelo.
Cada um deles variava em tamanho, mas, se todos caíssem juntos, trariam uma morte instantânea. O desgosto de Emilia por Regulus havia atingido um ponto onde nem mesmo sua gentileza suportava.
Ficando de pé com um pulo, Regulus jogou os pingentes de gelo com água. E, embora os pingentes tivessem se quebrado, os pequenos fragmentos ainda tinham suas utilidades.
Lançando balas de água incessantemente como se fosse uma tempestade, Regulus praguejou alto ao ser bombardeado pela chuva de gelo da qual tentou escapar.
Os cristais de gelo branco como a neve se transformaram em uma névoa e congelaram as ruas que estavam submersas debaixo d’água. Ele até alcançou Subaru; a água ao redor de seus joelhos se formou em uma camada de gelo ao redor dele, assustando-o e fazendo-o rapidamente tirar suas mãos da água.
Mesmo tendo consideração com Subaru, uma chuva de destruição caiu sobre ele. Claro, Regulus, que era o verdadeiro alvo, simplesmente não era páreo para isso.
Mas…
Subaru: “… Completamente ileso?”
Na cena congelada, após o fim da barragem de gelo, Regulus ainda permaneceu de pé, vivo.
Apoiando os braços sob os joelhos enquanto tinha a respiração irregular, e, embora seu corpo inteiro estivesse encharcado de água, ele ainda conseguiu evitar a punição final dos pingentes de gelo.
Regulus: “Absolutamente, absolutamente… hah, ahh.”
Regulus apertou o peito com força como se estivesse morrendo.
Vendo esse comportamento, Subaru entendeu que a invencibilidade do Coração de Leão ainda poderia ser usada com o coração de seu próprio corpo. No entanto–
Subaru: “–– Se você parar o tempo para se tornar invencível fará com que o coração em seu corpo pare de bater também. –– Então, esta é a invencibilidade perfeita, mas com um limite de tempo?”
Regulus: “Guuu…!”
Parecia que ele tinha acertado em cheio enquanto Regulus suportava a dor no peito para demonstrar sua raiva. Se houvesse um limite de tempo, mais cedo ou mais tarde, Emilia acabaria desferindo um ataque efetivo.
Nesse caso, Regulus agora era apenas um soldado aleatório que havia colocado todo o seu esforço no ataque.
Regulus: “Ei, isso, isso… você não se sente nem um pouco desprezível?”
Regulus apontou o dedo para Subaru, que estava analisando a força de seu oponente. Além dele, Regulus também apontou na direção de Emilia, olhando para frente e para trás, entre os dois.
Regulus: “Duas pessoas se juntam contra uma, em um ato que é praticamente extorsão, a consciência de vocês não dói? Não há algo de errado com a sua parte essencialmente humana? Vocês realmente não duvidam de si mesmos que são capazes de fazer isso? Ter dúvidas disso é normal, não é?”
Subaru: “… Você é realmente outra coisa.”
Aquelas palavras foram ditas com a mesma boca que, aproveitando a vantagem do Coração de Leão, não parava de falar; e tendo agora perdido esse efeito e caindo em desvantagem, ousou usar sua desvantagem para pedir a seus oponentes uma justificativa.
Nada mais o abalava, Subaru já havia superado a surpresa, a ponto de agora querer respeitá-lo. Tal existência, que não possuía um resquício de dignidade humana, e que, talvez, nunca mais seria vista novamente, tanto na antiguidade do agora quanto nos tempos modernos.
Subaru: “Então quer dizer que essa é a sua crença? Como dois contra um é ser muito desprezível, você espera poder lutar em uma batalha de um contra um. É assim que as coisas deveriam ser? É isto que está dizendo?”
Regulus: “Exatamente! Você não acha que isso seria fazer as coisas certas da maneira certa? Por que você me toma? Quem você pensa que eu sou! Eu sou o Arcebispo do Pecado do Culto da Bruxa, Regulus Corneas que é acusado de ser a Ganância!? Cuja existência é a mais satisfeita e decidida deste mundo…”
Regulus falou com uma voz trêmula enquanto olhava para suas mãos.
Subaru estava sem palavras. Então no lugar dele, Emilia falou.
Emília: “Retirar a sua palavra logo depois de tê-la declarado… o conteúdo de suas falas é vazio e totalmente destituído de significado real. Eu acho que você é a pessoa mais lamentável deste mundo.”
Regulus: “–– Hk! Você é verdadeiramente irritante! Eu… a Ganância, com certeza vou fazer você se arrepender disso!”
Ele expressou sua raiva superficial pelo desprezo dos outros, e repetidamente Regulus dizia suas maldições.
Olhando para o comportamento desamparado, Subaru finalmente pôde se sentir totalmente aliviado; Regulus era genuinamente incapaz de vencer em qualquer situação em que não tivesse uma vantagem.
Se ele fosse capaz de usar o Coração de Leão mesmo por um breve período, ele ainda teria uma chance de vitória.
Claro que era esse o caso, mas assim que surgisse uma dificuldade, ele desistiria imediatamente, sem se preocupar em olhar para o cenário atual.
Subaru: “Desprezar o progresso na vida fará com que você caia em lugares imprevisíveis.”
Regulus: “Hah?”
Subaru: “Nada, estava falando sozinho. De qualquer forma, aceitaremos o seu desafio de combate um contra um.”
Regulus: “–! É assim. Assim é como deve ser. E, claro, um cavalheiro não deixaria seu mestre ir primeiro, não é?”
Contanto que estivesse de acordo com seus desejos e com seu humor, Regulus estabeleceria imediatamente as condições que lhe dessem uma vantagem.
Entre Subaru e Emilia, o nível de combate entre os dois não precisava nem de comparação. Contanto que ele matasse Subaru primeiro e fizesse Emilia vacilar, ele poderia ver a esperança em suas chances de vitória. Forçando sua mente que ele raramente usava para pensar, aquele resultado conivente parecia adequar-se perfeitamente aos gostos de Regulus.
No entanto, se ele queria superar Subaru em termos de perseverança implacável, ele demoraria centenas de milhares de anos.
Encontrar uma chance de vencer em uma situação onde a vitória era visivelmente impossível, essa era a maneira mais verdadeira de lutar de Subaru.
Olhando em termos de determinação de derrota ou vitória, a batalha entre Regulus e Subaru para determinar o final já havia começado.
Subaru: “Realmente, travar uma batalha entre cavaleiros parece ser o caminho certo a se fazer.”
Regulus: “Então, nesse caso…”
Subaru: “Então… já que voltamos a esse ponto novamente, vou deixar o resto com você.”
Com os pés ainda submersos na água, Subaru disse depois de exalar profundamente.
Com essas palavras, Regulus inclinou a cabeça em confusão com um “Hah?”. No entanto, as palavras de Subaru não lhe foram dirigidas, mas para outro alguém…
??: “Ah, entendo — o duelo cara-a-cara que você propôs, como um cavaleiro, eu aceito.”
Quem respondeu foi uma chama.
Entre as ruas inundadas, aproximou-se um jovem que não causou nenhuma ondulação na superfície enquanto caminhava sobre a água. Ao contrário do mistério inexplicável de Regulus, este homem possuía proteções que lhe foram concedidas pelo amor dos céus.
Reinhard: “Da Ordem dos Cavaleiros guardiões do Reino de Lugnica, da linhagem dos Cavaleiros da Espada –– Reinhard van Astrea.”
Parado diante de Subaru e Emilia, o cavaleiro apresentou seu nome e apontou para Regulus com uma espada embainhada. Esse comportamento de denominação foi um convite para iniciar um duelo um-a-um.
Era algo que até Elsa –– a caçadora de entranhas –– responderia, a declaração bem estabelecida de um duelo.
Em contraste, Regulus se levantou e estendeu as mãos em sua direção.
Regulus: E-espere, espere! Isso, isso é… Isso não pode ser normal!”
Profanando e manchando o duelo sagrado, a própria definição de um guerreiro; com isso o Santo da Espada não mostraria a ele nenhum traço de tolerância a tal insulto.
O golpe de abertura começou abaixo da axila de Regulus, cortando verticalmente seu corpo — Regulus nem teve a chance de gritar antes de ser lançado no céu.
Regulus: “–– Hk!”
Diante de seus olhos estava uma cidade demolida sob a água –– ele estava suspenso tão alto no ar que tinha uma vista panorâmica de toda a cidade. Fosse um grito ou um insulto, um som incompreensível ecoou para todos que o ouviram.