Depois de terminar sua conversa com Wilhelm, Subaru silenciosamente se sentiu aliviado.
Junto de Garfiel, os dois que deveriam estar encarregados da Luxúria… Eles eram supostos de ser a combinação que deveria ter tido a luta mais difícil.
Na realidade, a Luxúria tinha abandonado sua torre de controle, e foi a esposa de Wilhelm, Theresia, ao lado do ex-héroi, Kurgan, aqueles que acabaram por bloquear o caminho deles. No entanto, já foi garantido que não houve perdas nesses três lugares.
Subaru: “— — — —”
Claro, Garfiel e Wilhelm deveriam ter muito sobre o que refletir.
Na verdade, Garfiel tinha conversado sobre as dúvidas que havia abandonado, e era fácil imaginar que feridas difíceis demais de se expressar em palavras estavam contidas no coração de Wilhelm.
E ainda mesmo assim.
Subaru estava feliz que os dois haviam retornado sãos e salvos depois de terminarem suas batalhas.
Se tivessem ocorrido perdas entre seus conhecidos, Subaru havia se conformado a ter que usar seu Retorno Através da Morte. É por isso que ele estava aliviado que os dois sobreviveram sem ele precisar fazer uso dele.
Entretanto, essa sensação de alívio vinda do fato de que eles não acabaram morrendo estava conectada com outra convicção dele ao mesmo tempo.
Mais precisamente, no fim das contas, ele não teria que depender mais uma vez de um poder anormal como seu Retorno Através da Morte.
Ele faria uso total de seu Retorno Através da Morte e desafiaria as circunstâncias várias vezes para tentar assegurar um futuro melhor. Depois de depender tanto desse poder, até este ponto, talvez ele pudesse amaldiçoá-lo, por mais que fosse essa a razão.
Foi a conclusão que apenas Subaru poderia alcançar, exatamente porque era Subaru quem tinha morrido muitas vezes e, cada vez, ele tinha revertido o futuro.
Para começo de conversa, algo como o Retorno Através da Morte deveria ser desnecessário.
Com certeza havia uma forma de garantir o futuro que ele queria, até sem seu Retorno Através da Morte. Como agora, onde todos trabalharam uns com os outros em prol do mesmo objetivo, a fim de assegurá-lo.
Emilia: “Subaru, o Wilhelm-san estava bem…..?”
Surgindo para receber Subaru, que havia retornado, Emilia perguntou sobre o Espadachim Demoníaco, que tinha estado de pé em um canto do abrigo. Em reposta às palavras dela, Subaru balançou seu queixo como que um aceno, sem olhar para trás.
Subaru: “Sim, eu acho que ele está bem. Ele se machucou um pouco, mas… parece que ele conseguiu cuidar das feridas no coração dele, que eram as mais preocupantes.”
Emilia: “Entendi…… Embora seja óbvio, ele realmente é uma pessoa forte, não é?”
Subaru: “Realmente. Ele com certeza é um indivíduo forte. É por isso que ele está bem.”
Subaru acenou com a cabeça para cima e para baixo várias vezes à Emilia, quem disse aquilo a ele. Emilia abriu seus olhos largamente ao ver o gesto de Subaru, e depois expressou um sorriso.
Vendo Subaru franzir a sobrancelha pela reação dela, ela posicionou sua mão sobre a boca e disse:
Emilia: “Me desculpe. O comportamento do Subaru perto do Wilhelm-san é reaaaalmente diferente em comparação quando você está com outras pessoas. Como eu posso dizer isso, para falar a verdade, acho que ele é puro como a neve.”
Subaru: “Ninguém diz puro como a neve hoje em dia……”
Subaru deu um sorriso amargo às palavras antiquadas de Emilia que pareceram vir da Era Showa. Em seguida, ele coçou sua bochecha com um de seus dedos. (Era Showa é um período da história japonesa.)
Mesmo que parecesse que ele estava provocando-a, ele entendeu o que Emilia estava tentando dizer. E isso foi mais que o suficiente para o próprio Subaru ficar ciente disso.
Subaru: “Wilhelm-san é, como eu deveria colocar em palavras, especial. Porque ele é uma pessoa incrível que eu posso sinceramente admirar, é, isso é o que sinto de qualquer forma.”
Emilia: “Eu também sei que ele é uma pessoa incrível, mas se esse é o caso, Reinhard e os outros têm que saber disso também, certo? Apesar de tudo.”
Subaru: “As perspectivas mudam entre alguém de uma idade e outra pessoa de uma geração diferente. A diferença que você sente com aqueles da mesma idade tem implicações bastante grandes que acabam fazendo você se sentir mal. Porém, as diferenças que você percebe nos mais velhos podem ser definidas como uma meta para você mesmo. Algum dia, quando eu for um velho carrancudo, quero ser tão imponente como o Wilhelm.”
Emilia: “…… Hmm. Eu saquei. Hehe. Se você está dizendo.”
Emilia assentiu, com um rosto cheio de compreensão, à maneira leviana em que Subaru havia se escondido para ocultar sua vergonha.
Subaru sentiu-se derrotado por essa atitude. Falando seriamente sobre isso, nem mesmo Subaru sabia como deveria expressar em forma de palavras as profundas emoções que sentia.
Embora, provavelmente, quase que com certeza, ele pensou que era bom não conseguir colocá-las em palavras.
Beatrice: “A Betty acredita que deixar a barba crescer não combinaria com o Subaru, na verdade.”
Subaru: “Eu não achei que era este tipo de conversa, mas, bem, tanto faz, está tudo bem também. Eu vou deixar a barba crescer quando a Beako julgar ser a hora.”
Beatrice: “…… Pois bem, quando a hora chegar, eu suponho. A complicada coexistência entre pelagem e fofura é uma área que não pode ser mantida sem a elegância do nii-chan, na realidade. Dedique-se a isso, eu imagino.”
Emilia: “É, sim, isso.”
Enquanto Emilia e Beatrice trocavam seus sentimentos em uma maneira que era típico delas, Subaru direcionou seus olhos em direção ao canto do abrigo que tinha abruptamente se tornado barulhento.
Os refugiados que estavam reunidos em um canto do abrigo, todos os indivíduos que lá se encontravam foram libertados de seu medo e sua inquietação que começou com cidade sendo invadida. No entanto, eles inexplicavelmente possuíam olhares felizes em seus rostos. E isso era porque…
Liliana: “Ora, ora! Permitam-me cantar de novo! Por favor, escutem a minha nova música — A Ardente Canção da Cidade Flamejante.”
Subaru: “Essa barulheira é a Liliana, huh?”
Havia uma pequena garota com pele cor de castanha no meio da confusão. Ele podia ver a figura animada da barda dedilhando seu Lyulyre e sacudindo seu cabelo loiro.
Sua aparência causou um impacto inconfundível, ela tinha uma originalidade que de longe ele pensaria que nem mesmo a Luxúria poderia copiar; era Liliana sem sombra de dúvidas.
Beatrice: “Ela é uma garota verdadeiramente estridente, de fato.”
Emilia: “Só que a Liliana foi uma das pessoas que lutou contra os Arcebispos do Pecado também, certo? Erm… Eu não consigo imaginar nem um pouco como ela conseguiu lutar……”
Percebendo a mesma coisa que Subaru, Emilia e Beatrice também relaxaram seus ombros.
Se estava agindo de maneira tão animada, então sem dúvidas ela conseguiu voltar viva e sem ferimentos assim como eles. O campo de batalha dela e dos demais… Sua batalha contra a Ira era um lugar que ele não conseguiu imaginar, nem a estratégia nem o poder de luta necessário, ou o resultado mais adequado.
Subaru já considerou a possibilidade de que a música de Liliana foi útil para confinar a Autoridade de Sirius, porém ele não sabia como eles foram capazes de colocá-la em prática, na realidade. Ele estava especificamente determinado em querer escutar o que raios aconteceu no campo de batalha deles.
Subaru: “Não vai ser fácil chegar perto da Liliana agora. Vamos deixar para depois.”
Emilia: “É…… Além disso, agora é a hora em que as músicas da Liliana são necessárias. A gente tirar isso não seria bom. Vamos deixar a conversa com ela para depois.”
Beatrice: “Estou de acordo, eu suponho. A Betty gostaria de deixar de conversar com aquela garota irritante, de fato.”
Subaru e companhia chegaram a esta conclusão enquanto assistiam Liliana tocar uma melodia, cantando até o limite de sua voz com a máxima paixão.
Na verdade, se eles apenas levassem em conta sua voz de cantora, ela era digna do título de Barda. Ele concordou com a opinião de Emilia que neste momento a cidade necessitava de Liliana.
???: “— — — —”
Quando ele olhou, a figura de Kiritaka estava logo ao lado de Liliana, enquanto ela fazia sua performance.
Seu terno caro estava coberto de lama e sangue por toda parte, e havia também vestígios de rasgões deixados nele. Foi o resultado de fugir por cenários de carnificina, e, de acordo com a história de Otto, era desconhecido se ele estava vivo ou morto.
Subaru: “Ninguém deve ter tido um cenário de batalha confortável….”
Notando o olhar de Subaru, Kiritaka curvou-se na direção dele. Subaru acenou para ele e começou a andar mais a fundo no abrigo novamente, buscando o próximo de seus companheiros.
Então, Beatrice, que estava caminhando bem ao seu lado quando ele partiu a caminhar, disse:
Beatrice: “Não é nada muito importante, mas foi aquele homem que me acordou do meu sono, eu suponho.”
Subaru: “Kiritaka?”
Beatrice: “Aquele homem foi mais longe ainda se desfazendo de algumas das suas Grandes Pedras Mágicas, na verdade. A Betty não se importa se foi por causa do senso de responsabilidade dele, ou se foi por alguém, eu suponho. Porém, foi isso o que aconteceu, na realidade.”
Subaru: “…… Entendo, entendo. Isso é ótimo, Beako. Você fez bem em falar.”
Beatrice: “Hmph, eu suponho.”
Tendo ouvido a história de que a ajuda veio de uma fonte inesperada, Subaru acariciou a cabeça de Beatrice. Beatrice inchou suas bochechas, aparentemente em insatisfação, mas não foi necessário dizer que era apenas uma fachada.
Segundo a história que ele brevemente escutou de Anastasia, as ações de Beatrice depois de seu despertar também foram uma indispensável contribuição no que se refere aos resultados atuais. Se foi Kiritaka quem desempenhou um papel nisso, então poderia ser dito que ele cumpriu com sua obrigação correspondendo a sua posição como um administrador da cidade.
Emilia: “Subaru. Parece que aqueles que ficaram feridos estão mais adentro no abrigo.”
Emilia, que estava olhando para essa parte do abrigo, disse a Subaru enquanto ele conversava à distância com Beatrice. Quando ele olhou em direção à área mal iluminada apontada por ela, ali no meio da confusão, havia um espaço que estava sendo usado como um campo hospitalar.
Havia tapetes e cobertas esticadas diretamente no piso, e várias pessoas machucadas estavam deitadas no chão. Este deveria ser o primeiro lugar que Ferris visitou, portanto, apesar das pessoas deitadas não terem se recuperado completamente, suas vidas não estavam em perigo.
Subaru: “Isso significa que curar totalmente tantas pessoas é difícil, mesmo para alguém como o Ferris?”
Beatrice: “Não importa o quão habilidoso você é com magia de cura, há um limite de quantidade de mana que uma pessoa pode conter, na verdade. Se você sair curando todos que vê, então você praticamente ficaria sem mana de uma vez, eu suponho. Foi uma decisão sensata, de fato.”
Beatrice, que respondeu, parecia levemente irritada enquanto eles observavam as fileiras dos feridos. Muito embora tivesse escondido na superfície, ela era um espírito gentil cujos sentimentos eram profundos.
A magia de cura de Beatrice era bastante eficaz, mesmo que nem sequer chegasse no nível de Ferris. Porém, mesmo que disséssemos que ela tinha alguma Mana, a quantidade que Subaru fornecia nunca chegaria perto disso.
Era inevitável que ela ficasse irritada, e lamentando sua falta de poder.
Emilia: “Na verdade, eu também adoraria ir ajudar todo mundo com a minha magia de cura, mas…”
Subaru: “Você tem outra função, Emilia-tan. É por isso que, por enquanto, você tem que deixar isso de lado.”
Emilia: “É, eu sei.”
Se eles se deixassem levar pelas emoções do momento, não seriam capazes de alcançar seu objetivo, e acabariam perdendo tudo. Subaru chamou Emilia para que ela não reprimisse a si mesma, e enquanto eles andavam entre pessoas que estavam gemendo de dor devido ferimentos, eles procuraram por seus companheiros no meio das pessoas machucadas. E um pouco depois, eles foram capazes de encontrar o homem por quem procuravam.
???: “Natsuki-san, por aqui!”
Subaru: “E aí, Otto!”
Na última fileira dos feridos, havia uma pessoa que acenou com sua mão. Percebendo a silhueta familiar do jovem rapaz, Subaru e os outros aproximaram-se dele com uma sensação de alívio.
Deitado numa cama pronta, com um leve sorriso em seu rosto pálido, estava o orgulhoso Ministro de Assuntos Internos da Chapa de Emilia, Otto Suwen.
Otto: “Embora agora parece que me deram uma avaliação que eu realmente não posso deixar passar.”
Subaru: “É sua imaginação, Ministro de Assuntos Internos de Categoria Guerreiro. De novo você, é sempre a mesma velha história, andando pela cidade a procura de sangue, buscando por inimigos. Você adora fazer isso, né.”
Otto: “Logo vai haver rumores estranhos de novo, você não vai parar com essas afirmações completamente distorcidas!?”
Em vez de uma saudação de reencontro, Subaru trocou piadas com Otto, que estava deitado. Otto gritou e deixou seus ombros caírem em aceitação, e Subaru agachou-se ao lado dele para checar seu estado.
Ele não pareceu ter nenhuma ferida letal, mas ambas as pernas dele pareciam doloridas.
Emilia: “Otto-kun, como estão as suas feridas?”
Otto: “Parece que andar vai ser um pouco difícil até que eu me recupere, mas, exceto isso, não há nenhum trauma visível… Quando se trata de circunstâncias, a da Emilia-sama deve ter sido mais difícil; é bem patético vindo de mim estar gravemente ferido.”
Emilia: “Isso não é verdade. É uma prova de que você lutou com toda sua força, não é? O trabalho do Otto-kun não é lutar, então é bom que nada terrível tenha acontecido com você.”
Otto: “Até agora, a Emilia-sama é única que tem senso comum decente em relação ao trabalho de um Chefe Oficial de Assuntos Internos.”
Emilia: “Eh?”
Antes de Otto murmurar profundamente, Emilia inclinou sua cabeça com um olhar confuso.
Colocando isso de lado, Subaru questionou a situação em que Otto se feriu. Inicialmente, Otto deveria ter ficado na Prefeitura e aguardado pelos relatórios de vários locais no ponto de encontro.
Subaru: “Os ferimentos não são por que você foi pego no desabamento da Prefeitura, né? De acordo com a Anastasia-san disse, aqueles que ficaram lá foram ela, o Ferris e o Al.”
Otto: “Eu não sei exatamente o que os três que ficaram fizeram. Quando eu saí da Prefeitura pelos canais da cidade… eu dei de cara com a Gula. Foi por isso que acabei assim.”
Subaru: “… Gula… Aquele desgraçado. Droga, tem a Luxúria também, quanto mais eles querem ridicularizar a gente…”
O coração de Subaru começou a ferver mais uma vez quando ele escutou o nome de seu odiado inimigo.
A perversidade do Culto da Bruxa zombou e sabotou o que eles tinham planejado a partir de previsões. O comportamento do Culto da Bruxa ao ignorar as torres de controle foi um escárnio àqueles que entraram em ação.
Otto: “Felizmente, graças à Felt-sama e o pessoal dos Escamas do Dragão Branco, nós conseguimos enfrentá-los de alguma forma. No entanto, sem a ajuda da Beatrice-san, eu não sei qual teria sido o resultado.”
Beatrice: “Embora estivéssemos em maior número, eu não consegui suportar ver isso, de fato.”
Emilia: “Sim, sim. Muiiiito obrigada.”
Emilia gentilmente acariciou Beatrice, que havia inflado seu pequeno peito.
Essa troca foi agradável, mas o que interessava Subaru eram as ações de Otto. Deixando de lado o resultado do encontro com a Gula e o porquê ele deixou a Prefeitura, em primeiro lugar.
Mesmo se estivesse de fora da formação para interceptar a Luxúria, ele deveria ter ficado no abrigo e nada mais. Não deveria ser necessário sair do abrigo e andar pela cidade.
Otto: “Houve uma exigência do Culto da Bruxa… A prioridade em obter um certo livro.”
Adivinhando a dúvida de Subaru, Otto disse calmamente.
O livro que o Culto da Bruxa exigiu, ele falou sobre de forma vaga, provavelmente em consideração que Emilia estava escutando de trás de Subaru. Subaru consentiu com as preocupações de Otto.
Subaru: “Aquilo que está com o especialista em restauração, qual o nome dele?”
Otto: “É o Sr. Darts. Ninguém deve saber que foi encomendado para ser restaurado por ele…… Mas, para ter certeza, eu tentei pegá-lo. No fim das contas, eu cruzei com a Gula antes de encontrar com o Sr. Darts, e este é o resultado.”
Ele entendeu a razão por que Otto deixou a Prefeitura e andou pela cidade apesar da ameaça do Culto da Bruxa. Novamente, pareceu que ele tentaria preencher uma área em que Subaru não se atentou sobre.
Ele não pensou minuciosamente o suficiente acerca do ataque à Prefeitura, e a restauração do Livro da Sabedoria.
Subaru: “Pelo menos me consulte primeiro. Nós somos amigos, certo?”
Otto: “A Emilia-sama foi sequestrada, e você também carregava o destino da cidade nas suas costas como um herói, você queria que eu colocasse outro fardo incômodo à pilha? Me desculpe, porém eu não tinha a intenção de pressionar os meus amigos com estas estupidezes.”
Subaru: “Keh.”
Embora sua intenção fosse brincar, ele inesperadamente poderia acabar retribuindo com palavras felizes, fazendo Subaru resmungar. Vendo a interação deles, Emilia e Beatrice trocaram olhares e deram um profundo suspiro.
Beatrice: “Esses dois não são honestos, eu suponho.”
Emilia: “Eu acho que é normal para eles. Mas, então, esse livro…? Seria melhor se a gente o pegasse. Erm, onde…”
Subaru: “Ah, eu vou cuidar disso. Ou vou fazer o Garfiel cuidar. A Emilia-tan não precisa se preocupar tanto assim com aquele livro.”
Emilia: “É?”
Ele não queria deixar Emilia se envolver demais com o Livro da Sabedoria.
Ele tinha uma certa compatibilidade com os Evangelhos, além de ser um tipo de relíquia que uma Bruxa deixou. Não o trazer para perto de Emilia tanto quanto possível foi uma das decisões silenciosas de Subaru.
Subaru: “Porém, aqueles que encontram a Gula foram a Felt e os Escamas do Dragão Branco, né? Deixando de lado os mercenários de branco, a Felt não acabou se escondendo em algum lugar?”
Emilia: “Mas eu não consigo imaginar aquela garota em silêncio em um lugar, talvez…”
Subaru: “Eu concordo com isso.”
Felt e os outros prenderam o pai de Reinhard — Heinkel —, e ele ouviu que estavam mantendo a guarda dele. Portanto, eles não deveriam ter participado da recaptura das torres de controle, apesar de provavelmente não haver ninguém para comunicar essa decisão.
Subaru: “Então, onde a Felt está?”
Otto: “Ela estava cansada, mas não tinha nenhum ferimento como estes. Ela saiu correndo do abrigo agora há pouco, para buscar os subordinados que trouxe.”
Subaru: “Ton Chin Kan, né? Eu ouvi sobre isso, parece que eles estão indo surpreendentemente bem.”
Um trio que possuía uma boa e má impressão, embora nada disso tenha permanecido. Eles tinham uma amizade em que ele havia sido morto por eles uma vez, mas ao invés de se vingar algum dia, ele tentou deixar isso no passado.
Em todo caso, foi um bom resultado ele ser capaz de confirmar a segurança da chapa. Depois disso, eles tomariam conta da tarefa relacionada ao Livro da Sabedoria, logo o próximo problema era…
Otto: “Natsuki-san… tome cuidado no próximo abrigo.”
Subaru: “No próximo abrigo?”
Otto disse para Subaru, que estava absorto em seus pensamentos, em voz baixa. Às turbulentas emoções que foram colocadas em sua voz, a voz de Subaru naturalmente abaixou em resposta.
Otto deu um pequeno aceno ao escutar a reação de Subaru.
E…
Otto: “Um dos Arcebispos do Pecado está sendo mantido lá.”
???: “O que é isto, és tu, plebeu? Como te atreves a mostrar teu rosto deplorável em nossa presença. Essa imprudência é digna de admiração além de fascínio.”
Ele deixou o abrigo que foi usado como um campo hospitalar e seguiu para o próximo de acordo com as palavras de Otto.
Comparado ao último abrigo, a escala desse abrigo era bem menor. Se o abrigo anterior era como um estacionamento de um shopping, este abrigo seria no mínimo como um estacionamento de bicicletas.
Imediatamente após ter a vaga impressão de que seu propósito, mesmo que fosse um abrigo, era provavelmente diferente, a mulher de vermelho que se colocou na entrada do prédio disse aquilo a ele.
O nome da mulher era Priscilla Barielle.
Entre as candidatas da Seleção Real que se reuniram na cidade, ela era alguém que faltava completamente com uma personalidade cooperativa.
Ainda assim, mesmo alguém como ela era indubitavelmente uma aliada confiável nesta situação. Além disso, foi Priscilla quem estava encarregada do monstro desconhecido — Sirius, a Ira.
A habilidade para destruir aquela ameaça de forma tão esplêndida e trazê-la junto de si foi um resultado que tinha que ser sinceramente elogiado.
Subaru: “Que você não gosta do meu rosto é um problema pessoal seu, ‘tá tudo bem, por enquanto, bom trabalho para nós dois. Eu estou aliviado que você voltou em segurança. Eu não estou puxando seu saco.”
Priscilla: “Minha subjetividade é o senso estético que tem que ser o mais respeitado no mundo. Nem ao menos vale a pena avaliar o que tu tens para dizer… Ora, está tudo bem. No entanto, não há palavras que tu possas dizer em defesa à tua cegueira ao dizeres segura após ver minha pessoa.”
Subaru: “Ah? Você está ferida ou algo assim?”
Priscilla estava sentada em uma cadeira na entrada do abrigo, abanando a si mesma. Olhando para as extremidades superiores e inferiores dela, ele não conseguiu encontrar nenhum ferimento ou algo parecido.
Não, não era sobre ferimentos. A pele branca de Priscilla não possuía nenhuma marca, até o vestido que ela vestia não tinha uma manchinha de lama ou poeira. Se houvesse alguma mudança de antes e depois da batalha, seria referente a seu acessório de pescoço e que seu cabelo estava solto.
Emilia: “Seu colar e sua presilha de cabelo, você os perdeu em algum lugar?”
Priscilla: “Hm. Então até mesmo um plebeu com um olho sem discernimento notará isto se for uma mulher? Apesar de eu não gostar dessa maneira rude de chamá-lo de colar. Parece-me trazer ressentimento.”
Subaru: “Que não estavam seguros, na verdade, você estava falando sobre seus acessórios…”
Em resposta às palavras ingênuas e inocentes de Emilia, Priscilla bufou.
Certamente que agora ela tinha perdido seu luxuoso colar incrustado de gemas, bem como a presilha que mantinha seu cabelo laranja no lugar. O aroma de seu charme aumentou quando ela deixou solto seu cabelo que normalmente ficava preso, que mulher pecaminosa ela era.
Para começar, o brilho de Priscilla era bastante semelhante ao de uma flor venenosa. Aproximar-se dela resultaria em ser picado.
Subaru: “Então, eu vou evitar ser picado. Por que você se preocupa em ficar neste abrigo? Eu não achei que você tinha uma personalidade tão admirável para se voluntariar em manter a guarda.”
Priscilla: “Brincadeiras tolas. Minha pessoa não deveria ter que se envolver nestes tipos de trabalho que os plebeus realizam. Não é minha verdadeira intenção ficar num lugar como este, porém eu não posso permitir que terceiros fitem meu senso de beleza agora. Portanto, evitei os olhares do público como um compromisso. Além disso, o Al insistiu.”
Subaru: “Eu acho que ele rapidamente tentaria negar isso se estivesse aqui.”
Enquanto imaginava os gestos de negação vindos do elmo de ferro, Subaru direcionou sua visão em direção à entrada do abrigo. Ele não teve vislumbre algum do dito elmo de ferro, mas escutou que ele estava neste abrigo. Em outras palavras, ele não estava do lado de fora, mas, ou melhor, estava dentro do prédio — perto do Arcebispo do Pecado.
Subaru: “O Al está de guarda lá dentro?”
Priscilla: “Assim é. Nós não sabemos o que uma coisa demoníaca como aquela faria se a deixássemos sozinha. Assim sendo, esse é o motivo por que Al está mantendo a guarda sobre ela. Em se tratando do Al, ele deve realizar um bom trabalho.”
Subaru: “…… Você não pensou que ele tentaria matá-la. Isso é inesperado.”
Priscilla: “Ele pode o fazer se assim desejar. Minha pessoa não o deteria.”
Ela se sentiu entediada respondendo ele? Priscilla bocejou enquanto cobria sua boca com o leque. Essa pareceu ser a forma dela de expressar indiferença à pergunta de Subaru.
Ela não tinha a intenção de o impedir de entrar no prédio. Subaru visou a entrada do abrigo e colocou sua mão sobre seu peito, onde seus batimentos cardíacos ficaram levemente mais rápidos.
Emilia: “Subaru, se você está com medo de entrar, não precisa se forçar…”
Beatrice: “Isso mesmo, de fato. Eu não acredito que vamos conseguir algo com isso, eu suponho.”
Emilia e Beatrice gentilmente expressaram suas opiniões para Subaru, que parou seus passos. Ele se sentiu como se quisesse deixar-se convencer pelas preocupações delas. No entanto, assim que esse pensamento lhe veio à cabeça, ele percebeu o olhar cruel de Priscilla encarando-o do canto de seus olhos.
Era um olhar que considerava todas as dúvidas e a hesitação de Subaru como uma palhaçada enfadonha.
Se ele prosseguisse ou retornasse, a avaliação de Priscilla acerca de Subaru muito provavelmente não mudaria. Para Subaru, quem recebeu a avaliação mais baixa que foi completamente impiedosa, isso não importava.
Ele não se importava com isso, mas ele se arrependia que as duas que estavam juntas com ele também tinham avaliado dessa forma.
Subaru: “Eu vou entrar. De qualquer maneira, não é um problema que eu tenho que fugir.”
Emilia & Beatrice: “— — — —”
Subaru decidiu-se, e as duas não deram suas opiniões contra ou a favor disso. Elas simplesmente permaneceram ao seu lado, como que para respeitar sua determinação.
Depois, com as duas o acompanhando, Subaru pisou no abrigo escuro. Priscilla nem sequer estava olhando para as costas deles mais. Não era do feitio dela, ele diria.
Com seco som de seus passos, eles se moveram adiante no prédio de pedra. Logo, puderam ver o fim do corredor, à frente no caminho que virara à esquerda…
???: “… É você, mano? Eu escutei a voz da princesa, então eu pensei que ela estivesse falando com alguém.”
Agachado no corredor, carregando sua Espada do Dragão Azul no ombro, o capacete de ferro — Al — os aguardava. Quando ele viu Subaru e os outros avançando em sua direção, ele direcionou sua atenção para Emilia.
Al: “Oh, parece que a Senhorita também ‘tá segura. Bom trabalho, mano.”
Subaru: “É porque o bem-estar da Emilia-tan era o meu requisito mínimo para a vitória. Além disso, em relação a você, eu escutei que você teve vários problemas. As irracionalidades da Priscilla em particular eram loucas.”
Al: “Ah, você realmente ‘tá sério. Mesmo assim, eu também estava me perguntando o que estava pegando com ela desta vez. Bem, não. Eu quase sempre fico me perguntando isso, então eu não tenho poder de persuasão.”
Emilia: “Mas não parece que você desgosta disso…?”
Al: “— — — —”
Al, que grunhiu algo como uma reclamação sobre sua senhora Priscilla, foi pego na mosca pelas palavras inocentes de Emilia. Ele não conseguiu ver o que estava oculto através do elmo, mas ele sentiu como se Al tivesse feito a forma de um へ com seus lábios do outro lado.
(Nota de TL: fazer sua boca na forma de um へ é basicamente descrevê-lo franzindo a testa, como você pode ver, do próprio Kana.)
Na prática, ele era um homem que estava sempre sendo arrastado para todo lado por Priscilla e, apesar disso, ainda queria ser um empregado dela. Ele imaginava que eles tinham um relacionamento que os outros não entenderiam.
Por algum tempo, Al torceu seu pescoço em um ambiente que parecia tê-lo devorado, então ele bateu em seu ombro com o cume da Espada do Dragão Azul e abruptamente direcionou seu olhar ao fundo do corredor…
Al: “É um pouco tarde para vocês terem vindo até aqui, mas… vocês vieram para falar com o Arcebispo do Pecado?”
Beatrice: “Você acha que haveria outro motivo, eu suponho? Você acha que nos incomodaríamos em bater papo com o guarda, de jeito nenhum nós perderíamos nosso tempo, na verdade.”
Al: “Esta garotinha com certeza é mordaz, huh? Não se entusiasme tanto, Beako… não era?”
Beatrice: “— — — —”
Antes do olhar frio e afiado de Beatrice, Al deliberadamente balançou sua cabeça. Mantendo Beatrice sob controle, que parecia como se fosse o agarrar apesar de sua diferença de idade, Subaru olhou feio para Al, que começou esta provocação desnecessária.
Subaru: “Eu entendo mais ou menos que você está chateado, mas, por favor, não a provoque. Beako, você também, não caia na dele. Lide com a mesma dignidade de um adulto.”
Beatrice: “A Betty irá permitir apenas que o Subaru a chame dessa forma, eu suponho. Da próxima vez que você me chamar assim, espere uma retribuição extremamente horrível, na realidade.”
Al: “Certo, certo, eu entendo. Você não poderia ser mais fria.”
Enquanto falava, Al moveu-se para o lado no corredor e abriu caminho para eles. Uma porta apareceu adiante em sua visão quando eles se moveram mais pelo corredor. Muito provavelmente, o Arcebispo do Pecado estava preso lá dentro.
De repente, a parte de trás do pescoço de Subaru começou a formigar, queixando-se de um sentimento de tensão.
Al: “O Arcebispo do Pecado está aí dentro. Ele está sendo reprimido para que não consiga fazer nada ruim, então, por enquanto, eu acho que isso não vai acabar virando um massacre. Além disso, eu vou te dar só um conselho.”
Subaru: “Conselho?”
Al: “Mano, senhorita e esse espírito também. Seria melhor se vocês fossem embora para casa sem falar com ele. Nada de bom virá ao se envolver. Deixa do jeito que ‘tá e volta para casa.”
Subaru: “…… Sem chances que a gente vai fazer isso.”
Deixando cair seu tom de voz, sua opinião era uma das sinceras, pois ele disse em um tom sério. Negando essas palavras com um balançar de sua cabeça, Subaru respondeu que não poderia fazer isso, e rejeitou a sugestão dele.
E, à resposta de Subaru, Al disse “Eu adivinhei” com um suspiro.
Al: “Não importa o que eu diga, não acho que eu vá ganhar muita credibilidade. Desta vez, o meu comportamento aqui estava errado, eu não vou dar nenhuma desculpa pra ele.”
Subaru: “Esse nem é o motivo. Bem, é verdade que você não foi cooperativo, mas eu não estou dizendo que eu não vou ouvir você. Não entenda errado.”
Levando em conta as palavras terríveis de autocastigo de Al, Subaru apontou para a porta no final do corredor. A tarefa que ele tinha em mãos com a pessoa lá dentro era uma que era apenas o problema de Subaru.
Independente se suas intenções tivessem sido transmitidas, Al sentou-se com uma pancada naquele lugar. E, enquanto apontava para a porta no fim, somente com sua cabeça, ele disse:
Al: “Espero que você não fique louco enquanto fala.”
Subaru: “Ok, não hesite em me ajudar se algo acontecer.”
Al: “Se isso acontecer, vou enviar a princesa, então não importa o que aconteça, ela vai mandar ele direto pro céu.”
Trocando uma conversa final, Subaru e os outros se despediram de Al e seguiram para a porta. Havia algo pairando nisso que os fez sentir uma estranha sensação de opressão em relação à porta que levava à sala fechada.
Tendo chegado até aqui, mesmo se estivesse tentando, ele não conseguia evitar isso; e então com essa determinação, Subaru agarrou a maçaneta e forçadamente empurrou a porta para abrir.
—— Era uma sala estreita em que o ar que circulava nela cheirava a pó.
Sua fonte de luz era pequena e fraca, mesmo para um abrigo, possuía apenas o básico. Era um quarto estreito em que deveria comportar apenas cinco ou seis pessoas nele; se você o lotasse, a falta de ar poderia ser sentida.
E no meio do corredor…
???: “— — Aha. Então você veio, meu querido. Desculpe-me pela inconveniência? Obrigada.”
Sobre uma cadeira, com todo seu corpo completamente amarrado por correntes, estava aquele monstro… Sirius estava aguardando por eles.