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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 6 – Capítulo 13

Escárnio da Areia

…O espaço distorcido, o mundo quebrado, eles caíram dentro da fenda que surgiu.

Como se fosse feito de um papel fino e frágil, o mundo foi facilmente rasgado ao meio.

Engolido pelo espaço distorcido, os tímpanos de Subaru não escutaram som algum, o que era um contraste incrível considerando as visões magníficas ao seu redor.

Ele ouviu apenas uma voz gritando, como se alguém estivesse chamando por ele.

Até aquela voz se desvaneceu, não demorou muito e ele não era mais capaz de ouvi-la.

A sensação de alguém segurando seu peito também sumiu, as mãos que o seguravam foram separadas uma da outra, distanciando-se para longe.

Sem ninguém por perto, abandonado neste local vazio, pareceu que ele tinha ficado completamente sozinho.

Enquanto ficava atormentado por tamanha solidão e tristeza, a consciência de Subaru lentamente começou a emergir.

E então…


Ram: “Por quanto tempo você vai continuar dormindo? Levanta, Barusu preguiçoso.”

Subaru: “Ahk?”

Sentindo algo pontiagudo o furando de lado, Subaru levantou-se num pulo, gritando de dor com o choque.

Areia cai de toda parte do seu corpo por ter saltado reflexivamente. Tossindo, ele cospe a areia que havia entrado em sua boca.

Subaru: “Ahk! Thu! Ptuu! Hã!? O quê? O que aconteceu?!”

Esfregando seus olhos, ele verificou os arredores enquanto se levantava. Com os joelhos tremendo e um péssimo apoio, ele se levantou comicamente. Abaixo de seus pés, os grãos finos de areia estavam dispostos da mesma forma que antes.

Enquanto sua consciência retornava, Subaru podia determinar que isso era uma extensão das Dunas de Augria. Porém, a vista que o cercava não era clara. Porque estava escuro, muito escuro.
Na escuridão onde ele não podia ver nem suas próprias mãos, os olhos de Subaru capturaram a presença de uma pequena luz artificial.

Ram: “Isso é incrível, você consegue dormir tão bem mesmo numa emergência. Estou sem palavras.”

Uma voz áspera o atingiu, e a dona da luz deu uma leve bufada.

O que estava emitindo a luz era uma espécie de pedra mágica, a iluminação era feita a partir do minério de ragmite processado e trabalhado para ser uma ferramenta como um lampião. Olhando a face iluminada pela luz, Subaru franziu sua testa.

Subaru: “…Ram, é você?”

Ram: “Quem mais você consegue ver? Rem? Eu não estou esperando uma resposta tão entediante.”

Subaru: “… Você e a Rem têm rostos parecidos, mas o que sai de você mostra que não é ela.”

Respondendo Ram, que parecia mais rude que o normal, Subaru devolveu uma amarga réplica. Ele pegou o lampião dela e olhou ao redor com a luz.

Subaru: “Onde estamos? O que aconteceu?”

Ram: “Também quero saber onde fica esse lugar. Já para o que aconteceu, é três vezes pior do que você pode imaginar.”

Subaru: “Você está esperando que eu seja otimista? Ou está me encarando como um pessimista?”

Ram: “Me pergunto qual dos dois é melhor nesse caso.”

Essa resposta foi acompanhada, provavelmente, por um dar de ombros.

Era difícil dizer o estado de Ram com aquela escuridão, mesmo ela estando bem a seu lado, com o espaço iluminado pela luz sendo extremamente grande. Ao que parecia, eles estavam em algum tipo de espaço oco.

Acima, havia um teto um tanto alto, acompanhado por paredes que indicavam a extensão de sua profundidade.

Subaru: “Não dá pra sentir o ar, não dá pra ver o céu. Quer dizer que jogaram a gente em algum lugar…?”

Ram: “Se as palavras da Beatrice-sama antes de nos separarmos forem verdadeiras, então a causa é a distorção espacial, certo?”

Subaru: “Separados… É isso, separados! Onde estão os outros?!”

Enquanto escutava o temperamento desinteressado e sem emoção de Ram, ele entendeu o que devia fazer.

Subaru moveu a luz da direita para a esquerda, procurando por alguma forma além de Ram a seu redor. Mas enquanto ele procurava o espaço iluminado, a figura que ele desesperadamente queria ver não estava refletida.

Ram: “Como você pode ver, nós fomos separados. A sua magia de nulificação enganou a Torre de Vigia… Por causa disso, não sabemos se entrarmos no caminho certo ou se ficamos presos em uma distorção espaço-temporal onde iremos ficar vagando para sempre.”

Subaru: “Do que você tá falando?! Por que você ‘tá tão calma? Nós estarmos juntos… É totalmente aleatório?!”

Ao ver a expressão calma de Ram, a face de Subaru ficou pálida e ele levantou sua voz.

Ele se lembrou imediatamente dos lamentos de Beatrice e do espaço se rasgando ante a seus olhos. O rasgo engoliu Subaru e o resto do grupo inteiro e os arrastou para outro espaço.

Nesse momento, Subaru e Ram estavam viajando juntos, mas eles deveriam estar em grupos diferentes. Subaru estava montado em Patrasche, Ram estava na carruagem de dragão.

Ram: “Parece que essa separação não leva em conta quem estava em contato com você para decidir quem acompanha quem. Assim que entramos no portal, eu deveria estar abraçando a Rem… Mas acabou dando nisso.”

Subaru: “Eu também devia estar abraçado com a Beako. E ainda assim, não consigo achar ela… Não consigo enxergar ela… Fala sério, só tem você aqui comigo? Que tipo de grupo é esse…”

Se a condição daquela separação não fosse o contato, então havia outro motivo?

O grupo era composto por oito pessoas. Não havia nenhuma característica em particular que fosse comum apenas entre Subaru e Ram… Afinal, será que foi mesmo completamente aleatório?

Subaru: “Não, depois eu tento adivinhar as condições! Mais importante que isso, a gente tem que se apressar e se reunir com todo mundo… Não! Tem algo ainda mais importante! A Rem!”

Ram: “――――”

Subaru: “Contando comigo e com você, somos dois, então estamos bem. Se os outros que foram separados estiverem juntos com alguém, não vai ter problema nenhum. Mas se alguém estiver sozinho e se esse alguém for a Rem… Isso é péssimo.”

Emilia e Julius, que sozinhos detinham todo o poder de combate desse grupo, não teriam problema.

Meili e Beatrice também podiam se cuidar sozinhas com suas respectivas habilidades. Quanto a Anastasia/Eridna, ela provavelmente tinha uma carta na manga que usou para lutar contra a Luxúria.

Apesar de ser a menos honrada que os outros, a combinação de Subaru e Ram ainda servia de algo.

…Mas Rem era outra história.

Diferente dos outros, Rem era incapaz de realizar ações independentes por si mesma.

Mesmo que tivesse alguém com ela, proteger a garota perpetuamente adormecida faria qualquer tarefa ser árdua. E o pior de tudo, se Rem estivesse completamente isolada dos outros, então a 『Morte』seria a única coisa esperando por ela nesse mar solitário de areia.

Subaru: “A gente precisa se reunir com os outros, mas agora a prioridade é garantir a segurança da Rem! Eu não posso deixar ela num lugar tão solitário. Nem ferrado… Nem ferrando. Mas nem ferrado…!”

Ram: “…Barusu.”

Subaru: “Eu disse que ia te trazer aqui… achei que talvez você pudesse acordar se encontrasse o 『Sábio』, por isso viemos pra cá. Definitivamente, porra, se pelo menos a Rem…!”

Ram: “Barusu, se acalme. Agora até eu estou preocupada…”

Subaru: “Por que você tá me dizendo pra ficar calmo? Você não tá desesperada porque a Rem sumiu da sua memória?!”

Ram: “Hk! Não é nada disso!”

Imaginando o pior, Subaru começou a balbuciar desesperadamente sobre o futuro, citando seus arrependimentos. Ao ouvir Subaru falar, Ram não pôde aguentar e explodiu.

Ela agarrou o confuso Subaru pelo colarinho e pressionou ele fortemente contra a parede de areia às suas costas.

Ram: “Você acha que é o único que se importa com a Rem? Não força a barra, Barusu. Mesmo sem meus sentimentos verdadeiros, Rem ainda é minha irmã mais nova. Não me faça de idiota.”

“――――”

Ram: “…Eu ainda consigo sentir um pouco da minha conexão com ela. Então, por hora, ela está bem. Acredite nisso e se acalme por um momento.”

Não é como se aquele rosto expressasse alguma emoção. Mas vendo a estranheza e tristeza insuportável em seus olhos enquanto tentava parecer calma, Subaru deixou a tensão nos seus ombros relaxar. Ram também moveu suas mãos. Sendo libertado da parede, Subaru olhou para baixo envergonhado.

Subaru: “… Foi mal. Me desculpa. Sério, eu fui o maior idiota agora.”

Ram: “Pra variar. Se você começasse a remoer tudo que já fez na sua vida, a gente passaria o dia todo nisso. Para de gastar nosso tempo.”

Subaru: “…Uh, foi mal.”

Ao experimentar a língua afiada de Ram e seu testemunho emotivo, Subaru finalmente deixou escapar um único pedido de desculpa. Então ele estapeou suas bochechas com toda a força, recuperando seu espírito guerreiro.

Apesar de Ram garantir para ele que Rem estava segura, o medo de ela estar sozinha não pôde desfeito. A situação deles não mudaria caso não se reunissem com os outros logo.

Subaru: “De qualquer forma, vamos apressar essa reunião logo. Ram, não dá para você usar sua conexão com a Rem pra descobrir a localização dela?”

Ram: “É difícil. Ela está dormindo, então a única coisa que está sendo transmitida são seus batimentos cardíacos. Existem outros meios de clarividência, mas… eles não são muito confiáveis.”

Subaru: “Por quê?”

Ram: “Essas dunas são cheias de Majuus, e também quase não há animais ou plantas normais por aí. A clarividência não é capaz de pegar suas visões emprestadas se a sintonia não bater com a de Ram. Ela não sincroniza com Majuus. No momento, sou apenas capaz de pegar os olhos emprestados do seu dragão terrestre.”

Subaru: “Patrasche? Não, isso deve ser o suficiente. Eu quero verificar se a Patrasche ou o Gyan estão com alguém, especialmente se a gente pode resgatar toda a carruagem.”

Ram: “…Isso não seria de muita utilidade.”

Com a atitude desinteressada de Ram, Subaru sentiu-se frustrado e inclinou a cabeça, pensando profundamente. Agora era a hora de coletar o máximo de informação possível para poderem se reunir novamente.

Ainda assim, ele não podia entender o porquê de Ram hesitar.

No entanto, antes que pudesse tocar no tópico de suas verdadeiras intenções, a resposta apareceu na frente ambos.

Subaru: “…?”

Subaru voi uma luz passar no canto de sua visão, diferente do lampião que segurava.

Subaru tremeu, já que ele teve uma experiência ruim com luzes passando através do limite de sua visão, mas a luz que apareceu foi balançada por um movimento gentil, totalmente diferente daquela outra.

A luz gradativamente se aproximou, lentamente a forma foi ficando mais clara…

Anastasia: “Ram-san e Natsuki-kun, parece que a conversa de vocês terminou?”

Subaru: “Anastasia e Patrasche?”

Ouvir o dialeto familiar de Kararagi fez Subaru levantar a cabeça surpreso. A sua frente, segurando o lampião no qual emanava a luz que Subaru viu, e montada em cima de Patrasche, estava Anastasia.

Ao ouvir a pergunta de Anastasia, Ram se curvou ao mesmo tempo em que levantou a bainha do seu robe.

Ram: “Eu agradeço por sua consideração, Anastasia-sama. Devo perguntar, como estão os arredores?”

Anastasia: “Acabei de conferir todo o percurso lá de trás, mas não consegui ver nenhuma das outras crianças. Só tem nós três aqui… e essa garotona.”

Ram: “É mesmo?”

Anastasia: “Liga pra isso não. Apesar de poder ser um fato de dar pena.”

Ram: “Obrigada pela sua preocupação. Oh, entendo… Farei isso.”

Ram respondeu educadamente para Anastasia, que estava em cima do dragão. Pelo rumo da conversa, Subaru entendeu vagamente que Anastasia esteve vasculhando por aí.

Mas mesmo convencido disso, não havia informação o suficiente para entender o que estava acontecendo.

Subaru: “Ei, Ram. Nós não éramos os únicos por aqui? Você consegue explicar o que isso quer dizer?”

Ram: “Eu não lembro de ter dito que estávamos a sós. Você foi o único que assumiu isso. Que desfeita.”

Subaru: “É mais fofo dizer que você estava tão preocupada com a Rem que esqueceu de mencionar, Nee-sama.”

Ram: “Há—”

Ao escutar Subaru, Ram fungou seu nariz com seu temperamento usual.

Subaru caminhou até Anastasia enquanto se recuperava daquela atitude.

Subaru: “Independente de qualquer engano, são boas notícias saber que a Anastasia está segura. Estou aliviado.”

Anastasia: “Você não está misturando decepção com engano? Eu estaria aliviada em saber que não estou sozinha. Além disso, o seu dragão terrestre, Patrasche-chan, foi uma garota bem prestativa.”

Pisando na sela, Anastasia tentou cuidadosamente descer de Patrasche. E Patrasche imediatamente se agachou para ajudar na sua descida.

Como era de se esperar de um dragão terrestre. É uma beleza de dragão terrestre, um lindo dragão terrestre. Pena que é uma fêmea.

Subaru: “Ninguém mais está se escondendo, certo? É só nós quatro mesmo?”

Anastasia: “Incluindo a Patrasche-chan, não há dúvidas que somos quatro pessoas. A Emilia-san e Julius não teriam motivos para não vir junto… mas, eu não sei quanto à Meili-chan.”

Subaru: “Ela pode ter tirado vantagem da confusão para fugir, hum… Não precisa dizer isso…”

Imaginando a garota de cabelo trançado na sua mente, Subaru considerou as opções de Meili.

Justo antes de se separar, a arma secreta de Meili, que era ter um Majuu acompanhando-os, foi exposta por Subaru. Subaru, que『Retornou Através da Morte』na verdade sabia que o monstro de Meili serviu para proteger a carruagem de dragão, tanto da torre quanto dos Ursos Florais.

No entanto, já que esse tinha sido um evento que não aconteceu neste loop, essencialmente, a única que sabia o motivo de Meili ter uma Minhoca da Areia os acompanhando era a própria garota.

Nesta situação em particular, Meili ter escapado do grupo e tentado sair das dunas sozinha não seria estranho.

Subaru: “Mas ela não vai fazer isso… É no que eu quero acreditar.”

Anastasia: “Expectativas? Ou será que é confiança?”

Subaru: “Pense disso o que você quiser. Deixando isso de lado, como estão as redondezas?”

Além do assunto de Meili, Subaru pediu a Anastasia por um relatório da sua inspeção. Ela colocou suas mãos nas mangas do manto e inclinou sua cabeça, falando “Sobre isso, hã”.

Anastasia: “Julgando pelo que vi, certamente estamos nas dunas, mas… talvez esse lugar seja subterrâneo.”

Subaru: “Subterrâneo? Como que pode haver um subterrâneo nas dunas?”

Anastasia: “Embaixo da areia das dunas. Uma caverna… Tá mais pra uma cavidade, na verdade, mas a temperatura é obviamente mais baixa do que em cima do solo e o ar parece mais pesado.”

Subaru concordava com a garota, enquanto ela balançava seu manto num movimento envolvente, juntando as partes frontais para afastar o frio.

Certamente, a atmosfera fria ali era bem mais forte que no ambiente anterior. Em um espaço com um teto alto, onde você não consegue ver o céu, era um chute adequado.

Subaru: “Abaixo das dunas… ‘Tô com um pressentimento ruim. Espero que isso não seja um covil de minhocas terrestres.”

Anastasia: “Uh… Isso é…”

Um cenário possível.

Na verdade, eles tinham testemunhado a existência de minhocas da areia habitando o solo e, dado a enormidade de indivíduos usados por Meili, essa cavidade é larga o suficiente para que seja possível. Considerando a ecologia das minhocas sem olhos, esse local sem luz alguma seria perfeito.

Subaru: “Quero dizer, essa equipe não tem poder de combate… Eu, Ram e Anastasia, isso aqui é um time especial de não-combatentes?!”

Ram: “O próprio cavaleiro da Emilia-sama orgulhosamente se descrevendo como um não-combatente… É pra acabar com toda esperança.”

Subaru: “Eu só ‘tô sendo realista. Sem a Beatrice aqui por perto não me sinto muito confiante a ponto de depender apenas da minha habilidade no chicote.”

Em termos de meios de defesa, esse era realmente um grupo que deixava a desejar em poder de luta. A restringida Ram e Subaru sem Beatrice, só para exemplificar.

Ram: “Por sinal, e a Beatrice-sama? Você sente alguma conexão com ela por causa do seu contrato?”

Subaru: “Infelizmente não, o meu coração e o da Beako são fortemente ligados, mas não de uma maneira realista… Quer dizer, ela me disse uma vez que conseguia me sentir, mas eu não consigo.”

Ram: “Inútil.”

Subaru: “Cala a boca.”

Enquanto Ram suspirava e olhava pra longe, Subaru discretamente aproximou seu rosto do de Anastasia. Murmurando para ela, em sua calma compostura:

Subaru: “Mas e aí, você consegue lutar? O que me diz?”

Anastasia/Eridna: “Se for necessário é claro que vou lutar. Mas vai reduzir o tempo de vida da Ana. Eu gostaria de evitar isso o máximo possível. Vou depender de vocês, pessoal.”

Subaru: “Você provavelmente não vai ter essas expectativas atendidas. Não sei se isso é algo bom ou ruim.”

Por um momento, Subaru fungou para Anastasia, que apareceu como Echidna.
E então, olhando para Patrasche, que silenciosamente aguardava instruções, Subaru esfregou a ponta de seu nariz com a palma. O dragão de cor negra se manteve em silêncio e aninhou-se em Subaru com suas duras escamas.

Subaru: “Ai, ai, isso dói, mas… é um alívio. Mesmo sem a Emilia ou a Beatrice… Ainda estou feliz de ter você. Exceto que ainda não é uma reunião completa do grupo.”

Ram: “Barusu.”

Enquanto compartilhava suas ansiedades com Patrasche, ao chamado de Ram, ele olhou de volta para ela. Então Ram cruzou seus braços enquanto encarava Subaru e apontou seu queixo na direção de Anastasia.

Ram: “Não podemos ficar aqui para sempre. Vamos nos encontrar com os outros. Por sorte, graças à Anastasia, temos uma fonte de luz. Nós vamos prosseguir.”

Subaru: “Oh… Eu não sabia que a Anastasia trouxe uma luz.”

Anastasia: “Logo antes da carruagem de dragão ser engolida, consegui pegar a mochila de emergência que foi preparada pelo Natsuki-kun. Graças a você, eu fui capaz de trazer a luz, uma faca e umas comidas de emergência.”

Anastasia apontou para Patrasche, onde uma pequena mochila de emergência estava pendurada na sela. Era o equipamento que Subaru havia preparado para a carruagem de dragão como um “pacote de emergência para viagem”.

Mesmo que a oportunidade para usar não aparecesse, ele ficou aliviado de ter pensado nisso.

Subaru: “Você não deveria brincar com a minha esperteza… De agora em diante, vou me lembrar de procurar a saída de emergência em qualquer lugar que a gente se hospedar pela primeira vez.”

Ram: “Brincadeiras à parte, foi uma ideia do Barusu. Por isso, eu vou dar a luz como uma recompensa, por favor, tome a liderança e nos guie pelo caminho.”

Subaru: “Hein…? Isso é recompensa?”

Passando para ele o lampião, Ram e Anastasia subiram nas costas de Patrasche.
A cena, independente de como você visse, colocava Subaru na posição de um servo.

Anastasia: “Na verdade, aqui cabe de boa três pessoas… deve ter espaço suficiente se a gente se apertar um pouco, não?”

Ram: “Vamos parar por aí, Anastasia-sama. Em se tratando dessa proximidade, posso facilmente imaginar o Barusu todo alegre tentando tocar meu corpo.”

Subaru: “É você que tá imaginando essas coisas, mas se você continuar com isso, vou acabar imaginando muito mais! Não brinca comigo! Vou te mostrar o que é puberdade!”

Ele duramente falou com o dedo médio para cima, e Anastasia sorriu amargamente, como era de se esperar. Ram reagiu como de costume, enquanto Subaru continuava caminhando pela caverna com um lampião em sua mão.

A pequena briguinha de Subaru e Ram fez parecer que eles haviam esquecido das circunstâncias — mas certamente escondeu a ansiedade que cada um tinha em seus corações, trazendo um pouco de paz para suas mentes.

Talvez ambos tivessem percebido, mas não disseram nada.


Apesar de caminhar ansiosamente, Subaru e os outros avançavam pela grande caverna de areia.

Como esperado, Patrasche estava acostumada e não haveria problema algum com sua mobilidade, mesmo que se colocasse duas grandes pedras nas suas costas. Em relação à sensação de areia entrando nas suas botas, Subaru havia aprendido a técnica para caminhar no mar de areia nesses dias que passaram, sendo capaz de progredir sem muita dificuldade.

Subaru: “O vento… Dá para sentir mais ou menos, e ao mesmo tempo não dá.”

Ram: “Eu estou sentindo. Mas dado à força do vento, ainda falta muito até se ligar em cima.”

Ao longo do caminho, molhando seu dedo na língua, Subaru tentava examinar o fluxo de ar, mas não estava bem claro. Por outro lado, como a Ram era sensível ao vento, ela concluiu que a saída ainda estava muito à frente.

O caminho para a saída era o que ele queria dar prioridade, com o objetivo de reencontrar seus companheiros. Infelizmente, no entanto, não havia indicação que os sinais do vento seriam muito confiáveis.

Ram: “Emilia-sama e Julius-sama não devem se perder por causa da orientação dos espíritos inferiores. E é por isso que eu acredito que exista uma intenção maléfica na seleção desse grupo.”

Subaru: “Pois é, é bem útil ser guiado por um espírito inferior. Droga, no meu caso, a Beako é tão forte que afasta os espíritos inferiores. Ela tá muito além da capacidade deles.”

Para ser claro, isso era algo além do poder de luta excepcional de Emilia e Julius.

Mesmo saindo para procurar por um membro perdido, as coisas podiam não correr como se esperavam. Apenas não se deve deixar passar algo ao seu redor quando seguir em frente.

Anastasia: “Antes de você acordar… a Ram parecia consideravelmente abalada. Ela não conseguiu encontrar a Rem, agora parece que está se escondendo por trás da sua atitude.”

Subaru: “…É mesmo.”

Secretamente, Anastasia compartilhou essa história, que fez com que a briga dele com Ram após acordar parecesse ainda mais estranha.

Subaru havia passado o ano ao lado de Ram, depois dela ter as memórias de sua irmã completamente apagadas. Qualquer conexão que essas duas tiveram antigamente devia ter deixado algum vestígio após ser apagada. Pelo menos, era no que Subaru acreditava.

Anastasia: “Bem, não é muito divertido ver vocês depressivos e miseráveis desse jeito, então por que não olhar pra frente se vocês estão tão para baixo assim? Se não fizerem isso, podem deixar passar algo importante.”

Subaru: “…Não me confunda desse jeito. E para de me dizer coisas legais. Eu ‘tô preso na mesma situação que você estava.”

Anastasia: “Cedo ou tarde, eu desejaria que você pensasse em mim de maneira separada da minha criadora. Seu desgosto por aquela garota é excessivamente obstinado. Isso é algo que peguei com o tempo.”

Subaru: “Eu não conheço outras abordagens. Mas vou guardar isso num canto da minha mente.”

Essa troca de farpas na ponta da língua parecia distrair da impaciência e ansiedade de não obter progresso.

Em meio à conversa, o grupo avança pela grande caverna. Nada realmente mudava, o caminho de areia e as paredes de areia — seguindo pelo caminho havia algumas coisas para se pensar sobre. Isso era…

Subaru: “Tomem cuidado, pode ser que aqui seja um ninho de Majuus… mesmo que a gente não tenha visto nenhum, ainda tem uma chance de encontrarmos algum.”

Ram: “É com isso que estou preocupada.”

Chutando a areia abaixo dos seus pés, Subaru resmungou para Ram enquanto ela expressava uma opinião similar.

Eles continuaram para dentro da Grande Caverna e logo uma hora já havia passado. Com ninguém e nada por perto, a ansiedade, impaciência e más premonições continuavam a crescer.

É claro, não ter inimigos aparecendo é uma situação bem-vinda, mas o silêncio extenso não ajudava a eliminar as sensações ruins relacionadas ao lugar.

Subaru: “Nem pensar, não tem como a gente ter sido engolido por um hiperespaço que não dá em lugar nenhum, né?”

Anastasia: “Pois bem, você se importaria de me contar donde vem o vento que a gente ‘tá usando? ‘Cê acha que é a respiração ofegante de um animal estranhamente grande e feroz que manda nessa caverna?”

Subaru: “Isso não é nem engraçado, é meio assustador.”

Na verdade, não seria surpresa se isso acontecesse mesmo. Eles já presenciaram com os próprios olhos até mesmo o mundo sendo rasgado. Seja qual for o lugar ao qual aquela fenda levava, não seria de se espantar.

Ram: “Independentemente da maldade por trás desta separação, é difícil crer que quem armou aquilo cogitou que poderia ser quebrado. Não estávamos com isso em mente ao usar o feitiço de negação, foi só uma coincidência.”

Subaru: “O que exatamente você quer dizer?”

Ram: “É inútil imaginar o pior, que este rumo, da forma a qual se encontra, está conectado ao estômago de um monstro. ——Veja bem, olhe.”

A falta de progresso estava originando teorias pessimistas, as quais Ram negou racionalmente. Então, ao fim de sua explicação, conforme ele parava, ela o impeliu a olhar para frente.

Ao seguir sua indicação, Subaru afastou o lampião para olhar adiante. Então o corredor iluminado da cavidade foi se estreitando, perante seus olhos:

Subaru: “Uma encruzilhada.”

Anastasia: “Direita ou esquerda, temo’ que escolher. O que a gente faz?”

Subaru: “De acordo com o meu conhecimento, o Kurapika disse pra escolher a direita quando for preciso.”
[Referência a Hunter X Hunter.]

Anastasia: “Quem é esse?”

De um ponto de vista comportamental, ele se recordava de ouvir falar que as pessoas tinham a tendência de escolher seguir pela direita quando se perdiam. Quem sabe tivesse a ver com dominância, como a mão dominante, o pé dominante e outros fatores complexos como esses, ou era o que se dizia e acreditava na época.

Por causa disso, Subaru queria seguir a teoria de um personagem habilidoso que uma vez conheceu e escolher o caminho da direita, que achava ser correto, entretanto:

Ram: “Então, Barusu, por qual caminho você quer ir?”

Subaru: “… Sinceramente, esquerda.”

Ram: “O que aconteceu com o Kurapika?”

Anastasia: “Quem é esse?”

Subaru respondeu, Ram fez pergunta atrás de pergunta e Anastasia só gracejou.

Se se olhasse somente para estas palavras como se encontravam escritas, a conversa poderia parecer assim.

——Contudo, na realidade, as três pessoas que conversavam estavam com uma expressão facial tensa e um semblante preocupado. Ademais, até Patrasche, que não conseguia falar, estava encarando o caminho da direita com um olhar grave.

O motivo era uma negatividade avassaladora que sentiam vindo da rota da direita.

De modo mais abstrato, um pressentimento detestável. Se fosse para colocar em mais palavras, era quase que uma sensação de pavor.

Não é seguro escolher ir pela direita, apitavam seus instintos.

Subaru: “A direita… me parece perigosa. ‘Tô com uma sensação de que não vai ser agradável lá.”

Ram: “Por incrível que pareça, concordo com o Barusu. O que acha, Anastasia-sama?”

Anastasia: “Segundo o sistema majoritário de Kararagi, não dá pra contrariar os outros dois votos… Além do mais, sinceramente, ‘tô sem coragem pra escolher a direita.”

Anastasia gesticulou balançando ambas ao mãos, como se dissesse que não tinha nem a faca nem o queijo na mão, respondendo por todos.

Subaru não estava sozinho. Tanto Ram quanto Anastasia estavam sentindo algo estranho vindo da direita, assim como Patrasche. Portanto, não poderiam tomar o rumo da direita.

Subaru: “Então, pela esquerda? …Se bem que também me parece uma péssima alternativa.”

Ram: “Voltar então? Não há nada a ganhar desta forma.”

Anastasia: “A gente não tem nada a perder, você diz. Talvez vocês só estejam sendo negativos demais.”

Enquanto Subaru ficava inseguro, Ram e Anastasia o incentivavam.

Já que não tinha escolha a não ser dar de ombros, Subaru deu um passo adiante para caminhar na frente de Patrasche. Seguiu diretamente rumo à esquerda.

Avançando assim enquanto abraçados à hesitação, parecia que se distanciavam do caminho da direita em meio a esta grande caverna. Ele percebeu que a pressão que sentia através das paredes de areia foi ficando cada vez mais distante, a rigidez em seus ombros foi-se naturalmente.

Ram: “…Mas que lugar desagradável.”

Ela sentia a mesma coisa, ao ouvir Ram murmurar, Subaru concordou em silêncio.

Nesta encruzilhada, a rota da direita causava pensamentos negativos devastadores. Escolheram a da esquerda com base em algum instinto que dizia para evitar a outra, no entanto, havia outro motivo.

—Dentro de seu peito, Subaru sentiu a presença de algo que gritava de alegria pelo caminho da direita.

Seria horrível obedecer ao que ele dizia.

Foi, sem sombra de dúvidas, um fator importante na decisão de não escolher aquele rumo.


O time de Não-Combatentes seguiu através da cavidade e algumas horas se passaram no caminho.

Subaru: “――――”

Anastasia: “――――”

Ram: “――――”

Conforme progredia vagarosamente a busca deles pela grande caverna, a quantidade de palavras que falavam entre si caía drasticamente.

Com a fadiga, sem contar a escuridão, toda a noção que tinham do tempo estava confusa, mas o que estava desgastando suas almas ao longo da caminhada era o silêncio.
Realmente, Subaru sentia como se várias horas se passaram, ele não fazia ideia se isso era verdade.

Havia a possibilidade de terem utilizado melhor o tempo do que tinham imaginado, ou até a de terem desperdiçado ele por completo.

O que sabiam com toda a certeza era que não houve progresso, nada mais.

Subaru: “…Naquela bifurcação, será que a gente devia ter ido pela direita?”

Ram: “Depois de todo aquele silêncio, consegue apenas pensar em se queixar? Pare. É vergonhoso.”

Murmurando, ele mexeu os lábios para resmungar, Ram então retrucou de forma penetrante e severa.

Entretanto, veneno dela também carecia de ambição. Não tendo conseguido encontrar nada parecido, acabou sendo ligeiramente dominada pela ansiedade.

Embora o caminho arenoso não oferecesse muito suporte para os pés, havia alguma confiança de que eles já andaram alguns quilômetros nele.

Portanto, quando não se enxergava fim nenhum à caverna, não havia como não ser tomado por um mau pressentimento. Era natural que se fosse duvidar que se fizera a escolha errada.

Ainda que, se alcançasse um beco sem saída, tivesse que desistir e dar meia-volta.

Subaru: “O disparo contínuo daquelas luzes no chão… O que vocês acham que era?”

Subaru mudou de assunto, receoso de que a conversa negativa fosse prosseguir daquele jeito.

O assunto levantado foi o da luz na Torre de Vigia — o mecanismo de defesa das dunas, o qual parecia ter sido preparado pelo sábio.

Ram: “Eram ferrões.”

Subaru: “Ferrões?”

Ram respondeu com poucas palavras. Ela suspirou para a outra pergunta de Subaru e acariciou gentilmente seu cabelo rosado:

Ram: “Não sei os pormenores, mas foram disparados ferrões longos e finos com poder mágico. Os ferrões estavam carregados de grande calor, provavelmente devido à magia que os disparou. Todavia, o próprio ferrão parecia ter sido feito de maneira especial. Quando ele foi repelido e caiu na areia, se desintegrou e desapareceu.”

Subaru: “…Vendo tudo direitinho no meio daquela bagunça.”

Ram: “Se tivesse olhado ele de relance, já saberia de tais coisas.”

Era difícil falar de forma leviana, mas parecia que o poder de observação de Ram não era tão ordinário quanto parecia. Enquanto Subaru somente a encarava, Anastasia sacudiu a cabeça em sinal de espanto.

Tratando-se de Ram, ela estava ciente de seus talentos, e ainda assim falava de modo sarcástico.

Subaru: “Qual você acha que foi o propósito?”

Ram: “Eliminar quem se aproxima da Torre de Vigia… É um mistério o porquê de ter mirado no Barusu incessantemente. É procedimento padrão se livrar dos inimigos mais fracos primeiros, talvez seja isso.”

Subaru: “Merda, não dá pra eu negar!”

Se se olhasse de fora, não havia outra opção senão chegar a mesma conclusão. Apesar de ter sido por causa disso que não houve baixas.

A conclusão alcançada foi que era bom ter um Subaru fraco, invencível e mágico à disposição.

Mas, nesse caso…

Subaru: “Quer dizer que uma reunião amigável com o 『Sábio』 vai ser difícil?”

Anastasia: “Acho que é muito cedo pra dizer isso. Se num me engano, a gente num tinha vindo com a intenção de desafiar esses contratempos? Tem espaço pra acontecer uma conversa, eu acho.”

Ram: “Aconteça o pior, temos assuntos a tratar com o conhecimento do 『Sábio』, não sua personalidade. Se ele não falar, é só amarrá-lo e dar uma surra bem dada até falar.”

Subaru: “Nee-sama, esse foi o seu lado malévolo falando!?”

Ram: “Se há algo que deseja, aja a respeito. Isso não é brincadeira de criança.”

Enquanto Subaru ficava estupefato, Ram permanecia estranhamente calma. Só de ouvir tais afirmações, sentia como estivesse sendo recordado do quão meiga e superficial era sua própria determinação.
Aconteça de fato ou não, não restava dúvidas de que Ram estava preparada para tal. Apenas isso já era prova de que estava séria quanto a Rem.

Subaru: “――――”

Para tocar na determinação de Ram, Subaru tivesse que tomar algumas decisões a respeito de sua própria.

Ele nem havia pensado em sujar as mãos por Rem. O que também não era culpa dela.

O que ele tinha que fazer era estar preparado para despojar os resultados.

Quando confrontado pela existência do 『Sábio』, não importava que tipo de oponente fosse, Subaru tinha que deixar de lado seus sentimentos sem dó; tal prontidão…

Patrasche: “――――!”

Subaru: “Patrasche?”

Subaru mordeu o lábio e Patrasche prendeu o fôlego, simultaneamente.

O dragão encarou o caminho com um olhar grave e gemeu um pouco. Subaru, que a percebeu encarando, também parou e voltou para acalmar o dragão terrestre. Ele acariciou o pescoço dela e a chamou com um “Tem algo de errado?”.

Subaru: “Você viu alguma coisa? O que foi…?”

Ram: “——A causa, é essa.”

Disse Ram no lugar de Subaru, que se calou no meio da frase. Anastasia franziu o rosto e olhou para o caminho assim como Patrasche.

Claro que não se enxergava nada naquela extensa escuridão, mas era algo que apelava a outro sentido sem ser a visão… Permeava suas cavidades nasais o cheiro de algo doce queimando.

Anastasia: “…Vocês acham que esse cheiro é de fogo?”

Ram: “Não consigo pensar em nada mais. Mas não acho que seja possível haver aqui uma cozinha ou coisa do tipo.”

Subaru: “Se for fogo… A causa desse cheiro é gente civilizada, né?”

Ram & Anastasia: “――――”

Diante da pergunta pegadiça de Subaru, nem Ram nem Anastasia puderam assentir com facilidade.

Ele também conseguia entender o raciocínio delas. Entretanto, o cheiro à deriva era claramente o aroma de algo supostamente queimando. A fragrância se assemelhava igualmente ao que Ram disse sobre uma cozinha.

Será uma fogueira ou um cozido para comer? Se for assim:

Subaru: “Vocês acham que tem chance de ser a Emilia e companhia?”

Anastasia: “Partindo da premissa da gente ter sido jogado no mesmo lugar, a chance é até que boa. Seja como for, eu deixo os outros decidirem se é racional usar fogo numa situação dessas.”

Subaru: “――――”

Mesmo que discutido ali, a resposta para “Quem se encontra adiante?” não viria até eles.
Sendo assim, vinha à cabeça a ideia de chamá-lo para confirmar sua intenção, todavia:

Anastasia: “Mesmo que tenha gente adiante, não quer dize’ que são amigáveis.”

Se não fosse Emilia e cia., seria então o 『Sábio』? Era difícil acreditar que o sábio que deveria estar na Torre de Vigia desceria ali, ou não.

Nesse caso, se o sábio permanecesse hostil, era de se esperar um poder de ataque correspondente também.

Subaru: “…Esconder a luz e seguir em frente? Digo, se ‘tão usando fogo, então tem luz com eles. No pior dos casos, a gente devia esconder.”

Anastasia: “É engraçado ficar especulando, a gente também tem que checa’ qual é a causa, então acho que é sensato.”

Em resposta à proposta de Subaru, Anastasia assentiu com a cabeça, e Ram então também concordou em silêncio.

Quando apagaram as luzes dos dois lampiões, o grupo, somente com a luz de Subaru de auxílio, prosseguiu pelo caminho do qual emanava o cheiro de fogo.

Ram: “Barusu.”

Subaru: “O quê?”

Ram: “Caso algo aconteça, só fuja sem olhar para trás. Não guarde rancor.”

Subaru: “Me xinga se eu fizer isso.”

As palavras de Ram o encorajaram, talvez por entender que ela estava ficando com medo.

Ao ver os lábios dela relaxarem diante de seu gracejo, Subaru voltou a guiá-los pela passagem em linha reta. Quando o aroma do fogo foi ficando cada vez mais forte, ele sentiu a respiração de Patrasche em suas costas enquanto avançava…

Subaru: “——! É a luz.”

Ele encontrou uma luz vermelha levemente cintilante além da passagem.

Subaru apagou sua luz de imediato e instruiu todas as três atrás dele a ficarem em silêncio. Agachou-se então e foi confirmar o estado da luz pisando de forma furtiva na areia.

Um passo, dois passos… conforme progredia, conseguia ver que a luz estava vindo do outro lado de uma quina. O caminho dobrava ligeiramente para a esquerda e o fogo vinha de lá.

“――――”

Alcançou silenciosamente a beirada e espiou um pouquinho o que havia do outro lado enquanto se apoiava contra a parede. Naquele instante, o vento que carregava um leve calor fez cócegas na testa de Subaru e ele fechou os olhos involuntariamente.

…Logo em seguida, o suporte dos pés de Subaru foi subitamente escavado e um escorregador de areia fez seu corpo girar diagonalmente.

Subaru: “Qu—!?”

Tendo fracassado em resistir ao ataque surpresa, Subaru esqueceu de firmar seus pés e rolou ladeira abaixo. Os finos grãos de areia não tinham como aguentá-lo, e ele escorregou até o fundo de ponta-cabeça.

Ao mergulhar à toda num monte de areia, Subaru rolou por uma ladeira íngreme com cerca de dez metros de altura, cuspiu areia mais uma vez e ergueu-se.

Subaru: “Argh! Plah! Areia de novo… Não, além disso…”

Subaru sacudiu a cabeça e olhou em volta. Em meio à surpresa, ele havia derrubado seu lampião sem querer. Começou a tatear seus arredores para ver se não estava por perto e sua mão encostou em algo sólido.

Pensou ter encontrado o lampião por um instante, no entanto a solidez parecia diferente quando comparada à do que estava segurando antes. A superfície era seca e parecia um pedaço de madeira ao toque. Percebeu que era leve ao levantá-lo, mas sua espessura e comprimento ainda eram iguais.

Subaru: “O que é isso…?”

Mesmo se o olhasse de perto, não saberia do que se tratava naquele breu.

Quando farejou o objeto receosamente, sentiu um cheiro parecido com carvão…

Subaru: “――――”

Assim que ele pensou isso, uma luz repentinamente surgiu logo atrás de si.

Aquilo que apareceu em sua retaguarda era um brilho vermelho, cintilante e primordial — chama era seu nome. Então, conforme as chamas iluminavam o mundo, Subaru viu a identidade da “coisa” que agarrara.

……Era provavelmente o pé de um ser vivo.

Coisas que tinham sido animais, todas queimadas até resultarem em restos carbonizados.

Ao redor de onde sentava Subaru, estavam jogados os ex-seres vivos que se tornaram esses restos carbonizados, e ele havia escorregado e caído no meio de inúmeros cadáveres queimados.

Subaru: “Oh!? Ah! Aah!?”

Ao jogar fora o resto carbonizado que estava em sua mão, Subaru começou a recuar de costas imediatamente. Havia, entretanto, uma chama terrível presente atrás dele, sua nuca foi abrasada pela onda de calor e ele desabou para a frente dessa vez. Então finalmente se virou e a encarou de frente.

???: “――――!!”

Ao ser banhado pelo rugido retumbante em sua frente, Subaru escapou da realidade.

Por que os urros dos Majuus eram todos tão repugnantes ao ponto de incitar os seres humanos até os limites do asco?

Elevou-se esse rugido estridente que era como inúmeros bebês chorando em conjunto.

Era uma criatura blasfema nunca antes vista por Subaru, ela ardia em vermelhidão em um local recheado de cadáveres queimados — era um Majuu genuíno, porém a cor de sua pelagem era diferente do que já vira.

Até onde ele sabia, todos os Majuus eram disformes e feios, mas de uma forma que ainda lembrava algum ser já existente de um jeito ou de outro.

O mesmo valia para a Baleia Branca e o Grande Coelho. Seja como fosse, havia a base para um animal.

Desta vez, no entanto, quanto ao Majuu presente ante seus olhos, ele não queria aplicar esse mesmo conceito.

Majuu: “――――!!”

À primeira vista, era possível encontrar algumas semelhanças a um cavalo neste Majuu que chorava aos berros.

Quatro pernas finas, porém fortes, que existiam para galopar sobre a terra vigorosamente. Era igual a um cavalo, com seu torso apoiado pelas suas quatro patas e uma longa cauda se balançando de seu traseiro.

Entretanto, onde ficava o pescoço do cavalo, que deveria levar à sua cabeça, havia um tronco humano. Em adição às quatro patas, esse tronco possuía mais dois braços. E não existia cabeça alguma acima do pescoço humano. Dali para cima crescia seu Chifre.

A prova de que era um Majuu tornava fácil o entendimento de que ele era diferente dos outros animais.

O chifre estava crescendo no lugar da cabeça. Ele não tinha uma. Caso esteja se perguntando de que boca ele proferia seu choro, aquele tronco humano tinha um rasgo vertical do peito até o abdômen, confirmando lá sua existência uma cavidade oral com presas crescidas e lateralmente alinhadas.

Subaru: “…É um monstro.”

Até mesmo chamá-lo de “Majuu” era um absurdo, na verdade, tratava-se de um sacrilégio à vida.

De acordo com o conhecimento de Subaru, estava mais para uma criatura fantástica conhecida como centauro, metade humana e metade cavalo, mas era uma imagem disforme dele, como se tivessem desistido de reproduzi-lo no meio do caminho.

E, inesperadamente, o centauro detinha uma crina de fogo que se formava das costas do tronco da parte humana, ela queimava a caverna de areia com poder de fogo inacreditável e jorrava luz vermelha.

Caso visse a potência das chamas, era óbvio quem havia criado todos os cadáveres queimados que por ali jaziam. Que usar fogo era sinônimo de gente civilizada ou sei lá o quê, acolher tais expectativas foi um erro.

“――――”

Os braços da parte humana do centauro eram os mesmos braços de um ser humano, com seus cinco dedos inatos.

Os pés da parte equina do centauro eram as mesmas patas de um cavalo, com seus cascos formados.

Sua estatura era de uns seis ou sete metros, e podia-se dizer que era bem o tamanho certo para se caminhar por esta cavidade… Em suma, diante dele estava o senhor desta caverna.

Subaru: “…Foi uma armadilha”

Enquanto era sufocado, Subaru desesperou-se.

Não havia nada que pudesse fazer. Rapidamente levou sua mão até a parte de trás de sua cintura e agarrou o cabo do chicote, mas não achava que seria capaz de fazer algo com ele.

Então, em direção ao Subaru sem ar, o Centauro inclinou sua cabeça desprovida de olhos e começou a banhá-lo no rugido mal-intencionado que saía de sua boca, incitando nele o medo.

“――――kh!”

Naquele instante, Subaru moveu-se para criar um vão.

Ele se girou sobre a areia e chutou violentamente um dos restos carbonizados, que atingiu o centauro. Os cadáveres foram assados até o cerne no fogo e estavam leves demais, não havia impacto mesmo que atingissem algo. Ainda assim, era bom tentar se manter no controle. Ele agarrava-se à ladeira íngreme e tentava retornar ao corredor elevado. Retornaria pelo mesmo caminho de onde viera, mas não se importava com isso. O problema era não saber o quão longe este centauro iria. Era incerto quanto apetite aquela coisa possuía, visto que queimava suas presas assim. Claro que, até onde ouviu falar, os Majuus tinham como natureza ferir e matar humanos instintivamente, porém nem sempre funcionava a seu favor. Apesar disso, se fosse possível melhorar um pouco a situação…

Subaru: “Kafu——”

Tendo pensado até aí, Subaru percebeu que seu corpo não mexia um músculo.
Seja tentar, se manter no controle chutando o carvão, seja escalar a ladeira íngreme de areia, seja levar a mão ao chicote, Subaru não pôde realizar nada disso.

… Pois, antes que pudesse, o hálito do Majuu o inflamou.

Subaru: “Ahh.”

Assim que teve seu momento de compreensão, Subaru berrou com a dor e sofrimento de ter seu corpo incendiado. No entanto, por sua garganta ter queimado e todo o oxigênio de seus pulmões ter entrado em combustão, ele não foi nem minimamente capaz de erguer sua voz.

Quando bolhas se formaram na pele queimada, elas incharam e estouraram instantaneamente. Fluidos corporais nunca antes vistos transbordavam de seu corpo e evaporavam imediatamente, seu sangue de fato entrava em ebulição.

Subaru: “――――.”

Não conseguia se curvar para trás nem rolar de dor pelo chão.

Os músculos e gorduras queimaram, derreteram e ferveram. A dor se distanciou e Subaru passou pela ilusão de se afogar em chamas.

Queimaduras, isso mesmo, queimaduras. Ele havia lido sobre a profundidade de queimaduras em algum lugar.

Ele ouviu falar que existiam estágios de queimadura e, quando chegava no terceiro, as cicatrizes ficariam e a pele teria que ser transplantada. Também ouviu falar que só de ter 30% da pele queimada já dificultava a respiração da pessoa e levava a óbito.

Subaru: “――――”

O cabelo curto queimou até a raiz, tímpanos e miolos derreteram e fluíram do lóbulo da orelha. Os lábios e as gengivas evaporaram, expondo seus dentes, sua língua foi mascada pelo sofrimento da onda de calor. Não importava. Ele já tinha se afogado. Se fosse queimado, poderia ser curado? Mesmo não sendo muito confiante a respeito de seu rosto, será que as queimaduras não fariam com que abandonassem seu amor por ele? Emilia, Beatrice, Rem?

Subaru: “――Ruh!”

Queimava e queimava, seu campo de visão queimava. Tudo queimava, ficava vermelho e se tornava branco.

O sangue era erradicado pelo calor tremendo, as pálpebras foram-se, derretidas, os fluidos do globo ocular evaporaram, tornando tudo branco e turvo, via-se mais nada.

Ele acabou por escutar algo. Escutou alguém o chamando. Escutou um bebê chorando. Alguém desceu ao seu lado. Idiota. Por quê? Mandei fugir. Por que desceu aqui? Mas ele não sabia mais o que descer significava. Além do mais, o que é esquerda, direita?

Cavalo, pessoa. Engano. Quente. Derrete, queima, sono.

Derrete, desapare——.


Ram: “Por quanto tempo vai ficar dormindo? Acorde, seu Barusu preguiçoso.”

Subaru: “Grand Blue!?”

Subaru foi puxado de volta à realidade com um impacto intenso, sentindo o colapso de seus membros imóveis e de seus pensamentos carbonizados.

Ao erguer seu corpo subitamente, Subaru enxugou o suor frio de sua testa cheia de areia grudada.

Subaru: “É, ah… Quê?”

Olhava ao seu redor.

Escuro, não enxergava nada. O que despertava o medo de alguns segundos atrás.

Subaru: “Hã?”

Ram: “…Estou espantada. O quão apavorado você está do escuro? Você não é uma criança!”

Subaru: “…”

Enquanto tremia involuntariamente, Subaru, encolhido, abriu bem os olhos para aquela voz.

Ram, que iluminava seu rosto com o lampião, soltou um pequeno suspiro. Ela então se ajoelhou ali e acariciou a bochecha de Subaru com a mão.

Ram: “Mas que rosto miserável.”

Subaru: “…Minha cara derreteu?”

Ram: “—A não ser diante da Emilia-sama, nunca vi tamanho alívio.”

A palma da mão tocando sua bochecha era quente, mas não chegava nem perto do que acabara de experimentar.

Graças à sensação das chamas e a esse outro calor, Subaru finalmente compreendeu a situação.

Ele mais uma vez 『Retornou Através da Morte』 e regressou.

E cá estava outro ponto de partida além daquele das duas 『Mortes』com as quais se deparou nas dunas.

Ao desafiar esse labirinto de areia, era indispensável colocar sua vida em jogo.

……Ele sentia como se a areia fria que fluía pelo mar de areia fosse um deboche ao Subaru que queimou.

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