Subaru: ”――――”
Subaru ficou em silêncio enquanto olhava para a capa preta do『Livro do Mortos』, o qual ele segurava.
Beatrice se aproxima de Subaru, e, sentindo o olhar estranho e preocupado dela, Subaru não se atreveu a se mexer.
Até agora, o que dominava a mente de Subaru Natsuki eram perguntas que ele mesmo havia se indagado, das quais não possuíam nenhum tipo de resposta, como se ele estivesse tendo um diálogo zen com ele mesmo.[1]
A verdade era, o que ocupava a mente de Subaru eram apenas pensamentos superficiais que poderiam ser descartados como ideias fúteis. Eles eram apenas perguntas ridículas e vagas de uma criança.
―Todo mundo, não importa quem, sempre tem uma face interior que não quer que ninguém a veja.
Essa era uma verdade óbvia que todos aprendem quando amadurecem.
A expressão de ódio disfarçada por um sorriso, a tristeza e lágrimas atrás da raiva. É dos seres humanos dissimular a não existência dessas emoções, enquanto escondendo seus verdadeiros sentimentos.
É impossível saber totalmente os desejos verdadeiros, as vontades verdadeiras, as intenções verdadeiras, daqueles que são humanos.
Irmãos, irmãs, pais, crianças, esposos, membros da família… Você nunca poderá entendê-los totalmente. Amigos, amigos de infância, melhores amigos, amantes… não importa o quão próximo a sua relação seja, de forma alguma é possível descobrir o que está escondido dentro deles.
O que eles amam. O que eles desejam. O que eles preferem. Em quem eles confiam. Com quem eles se sentem confortáveis. Esses eram problemas completamente diferentes com relação daqueles do corpo e mente.
Realmente, ele sabe disso. Mas, ainda assim, ele não queria abandonar esses pensamentos por teimosia. Ele queria saber, ele queria entender, ele queria ouvir, ele queria tudo descobrir .
Esse era seu desejo arrogante porém verdadeiro. Ainda mais, por envolver tanto sua vida quanto a dos outros por um elo. Mesmo que não houvesse absolutamente nenhuma maneira de realizá-lo.
…Não, não deveria haver um jeito de fazê-lo.
Ele riu perante este pensamento, com certeza não era para existir um jeito de fazer isso. Mas, nessa biblioteca, Taygeta, Subaru achou um jeito.
“――――”
Meili Portoute. Lendo o『Livro dos Mortos』da garota, Subaru vicariamente experienciou a vida dela, entendeu como ela pensava e se sentia, e quem ela odiava nos seus últimos momentos.
É claro, foi uma experiência extremamente curta, que não definia totalmente Meili. O tempo que ela passou viva era muito longo para que o cérebro dele aceitasse todos os eventos particulares dela. Mesmo que fosse uma vida curta, ele não podia, de jeito nenhum, absorver tudo em suas memórias.
Avidamente, ele foi reduzindo a história aos pontos-chave, e os absorvendo com a intenção de entender Meili. Era assim que Subaru Natsuki se sentia agora, era dolorosamente claro de se ver.
Contudo, compreendendo aquilo que ele não entendia, Subaru tinha um conhecimento mais profundo de Meili do que antes.
…Tinha uma pessoa a qual『Eu』respeitava. Sua vida foi roubada de mim, e agora solitário, meu coração continua vagando. Estando com Subaru e os outros, os quais são os responsáveis por aquilo, eu tive dificuldade em entender qual era o meu propósito exato. Eu fui à biblioteca para achar o 『Livro dos Mortos』dela e senti vergonha e desespero quando o encontrei.
Meili era uma pessoa sobre quem Subaru não sabia nada. E, de repente, descobriu os pensamentos e sentimentos mais privados dela. Foi então que ele entendeu…
O『Livro dos Mortos』em si era o meio de descobrir os sentimentos e intenções verdadeiras dos outros, sem nenhum erro.
Subaru: “―――”
Era exatamente o que ele queria saber, a única coisa que ele desejava. As intenções reais de Emilia, de Beatrice e todos na torre, é isso que ele ansiava saber. Ele gostaria de saber o porquê de eles colocarem tanta confiança em『Subaru Natsuki 』.
Porque eles acreditavam em 『Subaru Natsuki 』, o responsável por『me』matar? E, agora, o que eles pensam sobre Subaru, que está desesperadamente tentando ser o detestável 『Subaru Natsuki 』?
Intimidade é apenas uma camuflagem, ódio é a realidade; sentimentos como raiva, tristeza e felicidade são temporários. Hostilidade e malícia… não seriam esses os sentimentos verdadeiros deles?
Eu não sei. Eu quero saber. Eu quero confiar neles. Eu não consigo confiar neles. Emilia e os outros são aliados ou inimigos? Seriam eles os inimigos que mataram Subaru, ou seriam aliados que o querem seguro? Poderia ele amá-los ou não? Poderia ele odiá-los ou não?
…Ele não obteria essa resposta lendo o『Livro dos Mortos』?
Beatrice: “…Subaru, você realmente parece péssimo, de fato. Se você se sente ansioso aqui, seria melhor se a gente fosse para outro lugar, eu suponho.”
Tocando nos ombros de Subaru, que estava imerso em pensamentos, Beatrice fez uma sugestão. Subaru estava com a respiração fraca por um minuto, mantido cativo daquele fitar de característicos olhos azuis com formato borboleta. Vendo isso, a pequeninha palma da garota descansou nos ombros de Subaru.
O que aconteceria se ele pegasse a mão dela, agarrasse sua cabeça e esmagasse contra o chão?
Subaru: “Tão pequena…”
Beatrice: “O… O que você está falando de repente, de fato? O tamanho pequeno da Betty é o motivo por trás da fofura dela, eu suponho. Subaru também disse isso, de fato.”
Subaru reflexivamente relaxa suas bochechas, enquanto Beatrice ignora isso. Certamente, se Subaru estivesse em seu estado normal não seria estranho ele ter dito isso. Percebendo a semelhança entre ele e 『Subaru Natsuki』, ele sorri amargamente.
Pequena. Certamente, Beatrice era apenas uma criança pequena. Seu pescoço era fino e seus ossos eram frágeis. A mão que estava em seu ombro podia ser facilmente coberta com sua palma. Se ele botasse um pouco mais de força enquanto abraçava ela, parecia ser possível quebrar seu corpo frágil. Se esses pensamentos se tornassem ações, ele poderia matar ela sem nenhum esforço.
…Se ele a matasse, se a vida dela saísse desta existência, o livro dela apareceria nessa biblioteca?
???: “Que nem você fez comigo, não é~.”
Subaru: “――――”
De repente, Subaru escuta uma voz em sua consciência, uma que seria impossível chamar de sua.
É um pouco doce, polida o suficiente para soar adulta, mas era uma voz estranhamente 『familiar』. Nesse curto período de tempo, a voz se tornou familiar o suficiente para que ele pudesse chamá-la de sua.
A voz dentro dele era da pequena garota morta que zoava as intenções de Subaru Natsuki.
Subaru: “――――”
Porém, Subaru ignorou esse evento, se concentrando no problema que estava em sua frente. Que era se o 『Livro dos Mortos』poderia ser realmente utilizado.
Se fosse, como ele faria isso se tornar realidade…
Beatrice: “Seu rosto parece um pouco pálido, eu suponho. Realmente, nós deveríamos ir para outro lugar, de fato. Mas antes disso…”
Subaru: “―Ah.”
Beatrice: “Eu devo retornar aquilo para o lugar que ele estava originalmente, eu suponho. Não é muito bom para Betty estar nessa confusão também, de fato”
Dizendo-o, Beatrice pega o『Livro dos Mortos』das mãos rígidas de Subaru. Segurando o livro de um jeito cuidadoso, para que ele não se abrisse, ela colocou o livro de volta no lugar vazio da estante, onde ele estava originalmente.
Beatrice: “É bem fácil lembrar e entender onde eu o coloquei, eu suponho. Porém, é possível que os livros dessa biblioteca comecem a se mexer sozinhos…”
Subaru: “Uma medida de segurança, hã… Isso é, hmm, sim, eu acho que tá certo.”
Beatrice: “É bom pensar que tirar daqui é muito perigoso, na verdade. Isso é mais seguro do que jogá-los no chão porque a Shaula está preocupada com isso, eu suponho.”
Subaru: “Eu acho que estar nesta biblioteca é um acontecimento de vida.”
Subaru cuspiu essas palavras de modo seco, respondendo Beatrice.
Na realidade, até no mundo que Subaru conhecia, é dito que encontrar um livro que foi publicado há muito tempo é uma coisa que só acontece uma vez. Assim como se deparar com uma livraria de segunda mão durante uma viagem, se ele perder essa oportunidade, talvez nunca mais encontre o livro. Essa especulação também poderia ser aplicada a esta biblioteca.
Como de costume, estaria ele pensando demais sobre isso? Sem dúvida que esses pensamentos o estavam incomodando.
De qualquer jeito, enquanto olhava cautelosamente para as costas de Beatrice, ela se esforçava para organizar os livros. E Subaru mergulhava cada vez mais fundo em seu mar de pensamentos.
De forma terrivelmente realista, enquanto contava cada vida presente na torre e sentia o calor da mão dela, ele procurou uma maneira de matá-la. Apesar de que Beatrice não era a única em quem ele deveria pensar. Cada um dos membros que estão dentro da torre estão em posição de se tornar um alvo para o plano de Subaru envolvendo os 『Livros dos Mortos』.
Meili: “Então você quer assassiná-los para checar seus livros e ver se eles são confiáveis ou não… o Onii-san é bem per~tubado”.
Subaru: “tsc.“
A voz da garota o interrompeu, fazendo com que ele estalasse a língua.
A primeira coisa que ele quis responder a ela é que esse seria um sacrifício necessário. Não era como se Subaru fosse um psicopata dominado por impulsos homicidas os quais o fariam sentir prazer em matar. Mas, neste momento, enquanto ele estava pensando sobre isso, essa era a única escolha que vinha à sua mente. Parecia-lhe mais racional.
Meili: “Chega de desculpas… Será que você só não poderia falar o que vai fazer?”
…Seria bem fácil se livrar de Beatrice.
Isso porque Subaru podia ver as costas dela… Desprotegidas, sem nenhuma defesa, com a guarda baixa. Pode-se dizer que a vida de Beatrice estava inteiramente nas mãos do defeituoso raciocínio de Subaru. Quando esse “raciocínio” ultrapassasse a razão, Subaru muito provavelmente tiraria a vida da menininha facilmente. Quando o assunto era Beatrice, as únicas opções que ele tinha eram fazer ou não fazer. Parecia plausível ignorar todas as opções diferentes dessas, que seriam alternativas do seu ponto de vista original.
Meili: “B~em, e sobre a Onee-san meia-bruxa?”
Fazer isso com Emilia seria ainda mais fácil… como tirar doce de criança. Uma vez, ele até agarrou o pescoço dela depois de acordar. Antes, ela não havia demonstrado nenhum sinal de resistência. Desde que Subaru colocasse o máximo de força em seus braços, ele poderia facilmente quebrar aquele pescoço frágil. Certamente ele podia dizer que ela tem uma força equivalente a de um lutador profissional, mas isso não significa nada se ela não estiver preparada para usá-la. Se em apenas em um instante ele a estrangulasse com toda a sua força…
Meili: “Hee hee hee, é a sua especialidade, não~é?”
…Ram, apesar de sua língua afiada, em sua essência era apenas uma garota frágil também. Isso lembrava Subaru do momento em que ela chorou enquanto pressionava a cabeça contra ele, exigindo as memórias dele. Com os braços finos dela o abraçando desesperadamente… fraca… ela era apenas uma garota no fim das contas. Echidna era o mesmo. Parando para pensar, todas elas eram garotas fracas. Ele realmente fez uma escolha errada quando decidiu a equipe para atravessar o deserto. Por mais que ele gostaria de ter pessoas mais adequadas com ele, realmente não havia pessoas qualificadas para ir.
Então, por mais que Subaru pudesse tirar vantagem disso, seu último obstáculo era uma história diferente.
Subaru: “―Julius.”
Ele era o único homem além de subaru, e também era o único ali que carregava uma espada. Sendo assim, o cavaleiro definitivamente representava uma ameaça para os planos de Subaru. Seria impossível para ele dizer que enfrentar Julius de frente seria uma boa ideia… Pode-se também dizer que seria suicídio enfrentar Emilia de frente, mas isso é uma história completamente diferente.
De qualquer jeito, se ele fosse colocar em prática o plano do 『Livro dos Mortos』, Julius seria a maior pedra em seu caminho. Em outras palavras, Julius teria de ser o primeiro a cair.
Meili: “Com a quantidade de tempo que leva para procurar por um livro nessa biblioteca comparado com o quanto de tempo que você tem, não vai ser o suficiente, não~é?”
De acordo com as palavras da garota, o propósito de Subaru não era apenas “Matar e deu”. Mas sim, matar por uma necessidade, esse ponto tem que ser bem claro — com seus desejos estando em sua frente, ao lado dos 『Livros dos Mortos』 obtidos em troca da morte.
Para esse propósito, era necessário ter certeza. Ele matara, ele falhara, então ele não podia deixar acabar assim. Além disso, ele tinha um objetivo.
Beatrice: “Subaru, já são livros o suficiente por enquanto, de fato. Vamos para bem longe deste lugar… Como a Sala do Espírito ou algum lugar assim, eu suponho. Você deveria descansar lá, de fato.”
Subaru: “Sala… do Espírito…”
Beatrice, que voltara, pegou a mão de Subaru para ajudá-lo a levantar-se; Subaru foi lembrado da sala com o espírito, e seu ponto de recomeço veio à mente. Aquele lugar era a sala verde, e naquele lugar…
Subaru: “Patrasche…”
Beatrice: “…Você está dizendo o nome daquele dragão de terra de novo. Nossa… não há por que se preocupar com um parceiro como você, eu suponho. Era eu quem estava preocupada… não consigo acreditar nisso, na verdade.”
Subaru: “… Me… Me desculpa. Eu não quis dizer isso.”
Por um momento, a figura de um dragão de terra preto passou por sua cabeça, fazendo seus lábios se relaxarem. Enquanto Beatrice observava, Subaru rapidamente voltou de seu transe. Porém, mesmo nesse cenário, Patrasche ainda era a única em quem Subaru podia confiar.
Na verdade, apenas Patrasche correu risco de morte para defender Subaru, não importando seus sentimentos ou intenções verdadeiras; um ser que permaneceu ao lado de Subaru Natsuki até o fim…
Meili: “Sério? Se ela soubesse que Onii-san não é o『Subaru Natsuki』, eu me p~ergunto se ela faria a mesma coisa.”
Subaru: “――――”
Meili: “Porque no fim das contas, no lado de Onii-san… não tem ninguém, não~é?”
Ressoava em sua mente com uma voz sorridente, caçoando de Subaru. Assombrando-o, uma existência diferente de Subaru Natsuki tentava quebrar seu otimismo.
Era um ponto muito bobo, e ele ficaria melhor o ignorando. Porém, neste momento, Subaru não podia fazer isso. Seu coração concordou parcialmente com as palavras da garota.
Se eles descobrissem que até mesmo a bondade, que fez Patrasche jogar sua vida, fosse direcionado para “Subaru Natsuki”, e o Subaru atual era um farsante, ele deduzia que ela viria a ignorá-lo.
Beatrice: “Ei, Subaru, me dê sua mão, eu suponho.”
Subaru: “Ah, claro…”
A voz da garota brincava com seu cérebro. Subaru mordeu os molares com emoções que eram difíceis de aceitar.
Consequentemente, sua visão começou a mudar de foco. Estendendo sua mão, numa tentativa de segurar a palma dele, Beatrice fez uma expressão de como se tivesse notado algo. Seu olhar encarava o pulso de Subaru… Ela havia notado.
Beatrice: “Tem arranhões aqui, de fato… e são tantos…”
Arregaçando as mangas do braço direito de Subaru, Beatrice franziu em reação aos arranhões, que eram dolorosos e patéticos de se olhar. Mesmo que parecesse que ela não havia percebido que os arranhões cobriam o braço todo dele, apenas ver o antebraço era suficiente.
Subaru: “――――”
No momento, Beatrice ainda não sabia como Meili morrera. Portanto, ela não seria capaz de estabelecer uma conexão entre essas marcas e a morte da garota. Mas, desconsiderando-o, ela deveria estar se perguntando como aqueles machucados foram parar ali.
Caso o corpo de Meili fosse encontrado, ela ficaria inevitavelmente desconfiada.
Subaru: “――――”
Seu coração despreparado começou a disparar tal qual um alarme.
Diante de seus olhos, encarando a mão dele, Beatrice não notou a expressão no rosto de Subaru. Com uma ação imediata seria possível dar conta de Beatrice.
Meili: “O que você vai faz~er? Você não deveria já ter começado?”
Como se brincasse com a autoconfiança dele, a voz encorajava uma decisão por parte de Subaru. Sua têmpora pulsava por conta da rápida circulação de sangue, junto ao batimento cardíaco acelerado. Nesse ritmo, dependendo da próxima ação de Beatrice, ele teria de…
Beatrice: “Parece que você se arranhou de novo. Um péssimo hábito, eu suponho.”
Subaru: “……ah?”
Beatrice: “Isso não é bom, de fato. Se a Emília notasse, isso teria deixado ela bem preocupada, eu suponho. Até a Betty não consegue ignorar quando é tão grave, de fato.”
Era como se Beatrice estivesse acostumada com os machucados no braço de Subaru.
Mesmo assim, supondo que os outros percebessem os arranhões em Subaru, ainda é completamente diferente da horrível situação, por razões totalmente diferentes — não há dúvidas de que desta vez o braço está arranhado por automutilação. Ela até disse que havia escondido isso de Emília, o que por si só era chocante.
Beatrice: “Se você for no quarto com o espírito, essas feridas serão curadas, eu suponho. Mas mesmo assim, só porque a Betty não consegue aguentar ver isso, ela vai curar só um pouquinho.”
Beatrice envolveu o pulso de Subaru com uma luz pálida. A sensação de aconchego que surgiu, por mais quente que fosse, talvez fosse a pontada de suas feridas cicatrizando. A magia de cura era o que estava sendo mostrado diante de seus olhos.
Subaru: “――――”
No mesmo instante, toda hostilidade que Subaru tinha foi rapidamente jogada para longe. Junto com o calor, a humanidade de Subaru Natsuki, a qual havia sido partida junto com as feridas em seu pulso, com certeza fora restaurada.
Meili: “Sem graaaaça.”
A garotinha resmungou na cabeça de Subaru, como se suas esperanças tivessem sido traídas. Enquanto a ouvia diretamente em sua cabeça, Subaru engoliu o ambiente maligno que se enraizou em sua cabeça.
Certamente, tinha sido uma opção. Mas, não fora nada mais que uma opção. Não havia necessidade de que ele se guiasse na direção que anseia pelos『Livros dos Mortos 』.Especialmente em uma situação em que ele não tinha nenhuma preparação.
Subaru: “――――”
Fazer algum mal a Beatrice agora não seria uma boa ideia. Seus preparativos ainda não estavam prontos. Mesmo que ele decidisse executar seu plano por meio das piores formas possíveis, devia ser feito depois do planejamento. Assim, agora, este lugar…
Beatrice: “Venha agora, vamos Subaru, eu suponho. A Betty eventualmente irá falar sobre isso com todos depois, de fato.”
Subaru: “…Tudo bem. Desculpa te incomodar, Beatrice.”
Beatrice: “Prometa não falar sobre isso, eu suponho.”
Embora ele não soubesse se a preocupação da garota diante de seus olhos era genuína ou não, Subaru Natsuki imaginou que deveria ouvi-la.
…Primeiramente, por mais que não esteja relacionado, existe uma frase.
―『Matar se torna um hábito.』
Essa é uma das frases deixadas pelo famoso detetive, Hercule Poirot, para o mundo.
―『Matar se torna um hábito.』
O sentido da frase não se refere a uma pessoa que matou um ser humano e de repente desperta uma aspiração em assassinar pessoas, assim repetindo seus crimes para suprir essa vontade…
―『Matar se torna um hábito.』
Refere-se a uma pessoa que resolveu um problema uma vez utilizando assassinato, e sempre que outro problema surge, ela irá resolvê-lo novamente por meio do homicídio.
―『Matar se torna um hábito.』
A partir do momento em que se começa a considerar que assassinato não é uma opção, a coisa mais importante já teria mudado.
―『Matar se torna um hábito.』
A verdade é que, mesmo que um único assassino não tivesse cometido um crime por vontade própria, mesmo que ele não gostasse do ato, mesmo que ele visse um vislumbre da memória daquele que foi afetado por tal ação, esse hábito não desaparecia.
―『Matar se torna um hábito.』
Esse hábito… ele não some.
―『Matar se torna um hábito.』
Nota:
[1] Um exemplo grosseiro do que um diálogo zen seria pode ser encontrado aqui.