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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 6 – Capítulo 80

Morte da Mente

——Era o cheiro da fúria.

A forte fragrância de uma fúria com alto grau de pureza. Com ela revirando monumentalmente o seu corpo pequeno e esguio, ele compreendeu que às alturas seria elevado.

Rai: “Haha~!”

Enfrentando um ao outro de alturas opostas da escadaria em espiral, Batenkaitos riu com tristeza e pesar após o comentário mordaz de Ram.

A jovem, com potentes emoções contidas em seus olhos rosa claro, direcionou ódio e rancor a Batenkaitos, que, ao inalar as emoções assassinas dela, sentiu-se em êxtase.

Se fosse para afirmar sem escolher as palavras, não seria exagero dizer que era por esta respiração que ele vivia.

Rai: “Como é bom, é tão bom, um tanto bom, muito bom, já que é bom, não é bom? É que não é normal ter alguém enfrentando a gente com tanta raiva no rosto, sabe~. Esse é mesmo um sentimento valioso, né~? Entende? Será que você entende~? O prazer que estamos sentindo agora mesmo!”

Batendo o pé repetidamente ao expressar este sentimento avivador, Batenkaitos lambeu os beiços.

Sim, esta emoção e este acaso eram coisas que ele normalmente sequer tinha esperança de que fossem acontecer.

As『Memórias』e os『Nomes』roubados através da Autoridade da『Gula』eram desvencilhados do mundo e, com exceção de Roy e de Rui, não se podia sequer ter ciência deles.

O luto de ter perdido alguém precioso, a fúria de ter algo tomado à força, o vazio da perda, absolutamente tudo dissipava-se por completo sem que nada pudesse ser feito a respeito.

Rai: “Então, naturalmente, é a norma. Por isso que nunca nos importamos, sabe~.”

Sempre que agia em prol do tão detestado Culto da Bruxa, em múltiplas ocasiões encontrou pessoas cujo ódio estava voltado à sua filiação. No entanto, nunca houve ninguém ciente dos feitos de Rai Batenkaitos, que nutria ódio por Rai Batenkaitos como indivíduo ou que buscava matar Rai Batenkaitos em específico.

Essa providência divina natural concebida pela Autoridade da 『Gula』, uma lei tácita e óbvia, havia sido sobrepujada.

——Com o surgimento de um forasteiro que não sofria os efeitos da Autoridade da『Gula』.

Rai: “Natsuki Subaru…!”

Ao murmurar o nome do homem ao qual Rui havia se apegado, Batenkaitos ficou com uma doce pontada no íntimo de seu peito magro. Não foi por influência de Louis. Ele já havia conhecido o rapaz anteriormente.

Ele já estava pensando intensa e profundamente no rapaz muito antes até de Louis.

Devido a:

Rai: “——Nee-sama também entenderá, não é~?”

Era profunda a conexão entre a fonte da doce pontada em seu peito e a jovem o olhando de cima. ——Não, ‘profunda’ não fazia justiça. Eram como um só corpo, indivíduos insubstituíveis, duas metades de um inteiro: não se via problema em dizer isso.

Portanto, ela definitivamente entenderia. Esta emoção era, de modo doce e fugaz, muitíssimo forte. Esta sensação que combinava amor e ódio era certamente a pontada em seu peito que por libertação ansiava.

Foi por isso que, carregada de convicção e de expectativa, proferiu com a boca em semicírculo:

Ram: “Ram já disse. ——Ela pede que você morra grunhindo que nem um porco.”

Rai: “——hk!”

No instante que se seguiu, o primeiro lance de Ram, de descer após chutar as escadas, fez Batenkaitos dar um salto grande para trás.

Ele retirou o corpo por muito pouco, mas a ponta da varinha que ela esticou estava mirando no seu olho direito com precisão. Caso tardasse a afastar a cabeça, pela órbita do olho o seu cérebro acabaria sendo revirado.

Rai: “Nossa, nee-sama é impiedosa~! Se tivéssemos levado essa de agora, ao invés de imitar o grunhido de um porco, teríamos morrido sem conseguir fazer nada~!”

Ram: “Ram reconsiderou. Se for para imitar uma coisa inferior a um porco, creio que seria uma afronta ao porco também.”

Ele esquivou-se com um pulo através da escadaria em espiral, o atraso em sua aterrissagem deu-se somente pela diferença de altitude. Enquanto Ram escancarava sua fria intenção assassina, o feroz ataque dela deu início a uma vigorosíssima perseguição em direção a Batenkaitos.

Enquanto rodopiava sua silhueta esbelta, Ram investiu com sua varinha, desferiu um chute e, na tentativa de perfurá-lo, disparou contra ele uma cotovelada. Batenkaitos evitou tudo por meio de bom manuseio corporal, mas coisas tais como o vento potente que passou raspando pela sua orelha com certeza tinham vigor o suficiente para causar o disfuncionamento de parte do corpo caso o atingissem.

Rai: “Ha, ha~! Que medo, que medo! Por mais que dê medo, sabe~!?”

Enquanto usava o corpo para se esquivar dos golpes sem hesitação que caíam sobre ele, Batenkaitos ria. Não por causa da facilidade, e sim da animação. ——Não, era um pouco pela facilidade também. As artes marciais de Ram eram grande coisa. Sem piedade, ela não hesitaria em matá-lo. Ainda assim, Batenkaitos desviava com tranquilidade. O porquê era bastante simples.

Rai: “Já sabemos muito~ bem que nee-sama é mais incrível, entende~?”

Múltiplas『Memórias』foram acumuladas no interior de Batenkaitos. Dentre elas, havia uma ardente que adorava Ram como irmã mais velha e que cobiçava seu potencial interminável.

A fé e esperança perseverantes que estas『Memórias』possuíam por Ram comunicaram a Batenkaitos uma discrepância em comparação à Ram diante dele de modo tão preciso que chegava a ser triste.

Resumindo:

Rai: “——Nee-sama sem o chifre não passa de uma farsa que até a Rem consegue substituir, não é mesmo~?”

Ram: “…”

Rai: “Ah, se irritou? Acabou se irritando? Se quiser se irritar, não tem problema ficar irritada, nee-sama. Agora que paramos para pensar, nunca tivemos uma briga entre irmãs de verdade antes, sabe~?”

Batenkaitos ostentou lembranças como se elas fossem suas. Embora as bochechas de Ram tenham enrijecido em resposta às palavras e ações dele, os ataques dela não desleixaram.

Ela realmente estava se forçando demais e Batenkaitos, do fundo de seu coração, admirou-se. Por mais que fosse incerto o quanto isso lhe causava dor, os Onis que perdiam o chifre tinham a fama de acabar sem poder controlar o próprio corpo. Ram também esteve sofrendo continuamente com esta penalidade.

Não se sabia quantas vezes já havia pensado em assumir o sofrimento dela.

Entretanto, junto deste pensamento havia outro. ——De que não conseguiria suportar a angústia que ela levava consigo.

Se a agonia de perder o chifre dependesse da força que o Oni detinha originalmente, então a de Ram deveria ser uma do mais alto calibre, uma que Oni nenhum neste mundo seria capaz de compartilhar.

Portanto, em relação à figura que avançava por firmeza própria apesar desse sofrimento, havia louvor. Então, em relação à sua atitude de contorcer o rosto dissimulado e lutar com unhas e dentes genuinamente, havia gratidão.

Ao testemunhar o instante em que surgiu uma fragrância intensa e maturou-se o maior, melhor e mais superior dentre os sabores, ele ficou sem saber quem é que deveria parabenizar.

——Estava gratissimamente grato pelo milagre de ter se deparado com este prato requintado.

Rai: “De fato~! Nee-sama é tão maravilhosa~!!”

Uma dança assassina que combinava amor e ódio estava se desenrolando na escadaria em espiral. Enquanto saboreava isso como bem entendia, Batenkaitos celebrou a existência de Ram.

Então, conforme as『Memórias』desejavam, o próprio corpo ele inclinou e virou e dobrou:

Rai: “E voilà, hora do contra-ata…”

Ram: “Como você é irritante.”

Batenkaitos cortou caminho pelo flanco de Ram e tentou mirar no pescoço alvo dela enquanto ela estendia sua varinha. Ele, que definitivamente devia ter invadido o ponto cego dela, entrelaçou-se ao olhar de Ram, que havia virado a cabeça para trás.

Naquele momento, Batenkaitos, atemorizado, abortou o ataque e fugiu dando um salto lateral enorme. No entanto, sentiu de imediato o vento em sua bochecha direita, de onde saiu sangue.

Rai: “——~hk.”

Ao passar a mão pela bochecha rasgada, Batenkaitos prendeu suavemente a respiração.

Era um ferimento que ele não deveria ter sofrido. Pelo menos, se fosse para seguir as『Memórias』em seu interior — seguir o ser que melhor conhecia o prodígio que Ram era — então não existia futuro no qual sofrera este ferimento.

Ainda assim:

Ram: “Por mais que a Ram tenha dito para grunhir vergonhosamente, a voz de um oponente que desagrada os olhos desagrada também os ouvidos. Já que Ram não consegue mais lhe fazer companhia, morto você será.”

Rai: “Nee-sama, isso é…”

Ram: “Se estava dependendo das『Memórias』para avaliar a Ram, então sua avaliação ainda é ingênua demais.”

Ao olhar para Batenkaitos e sua bochecha toda manchada de sangue, Ram passou os dedos pelo cabelo rosado. Ela lançou de soslaio um olhar apavorantemente frio e:

Ram: “Pretendia trazer o caráter da Ram à tona? Se sim, é risível. ——O potencial da Ram é infinito. Afinal…”

Rai: “…”

Ram: “Ram é a nee-sama da Rem.”

Um comentário descuidado sem nenhum fundamento que ressoou com anormal persuasão somente porque era assim que as『Memórias』no interior de Batenkaitos estavam captando a existência da irmã mais velha.

Consciente desta realidade, Batenkaitos extinguiu seu sorriso e, irritado, contorceu as bochechas.

Chato. Desinteressante. Ela não entende.

Rai: “Tanto fúria quanto ódio são temperos para deixar o sabor ainda melhor. Entretanto, se o tempero for forte demais e se afirmar com muita intensidade, o prato também acaba arruinado. Parece um exemplo que nee-sama, que não cozinha, desconhece totalmente, é~?”

Ram: “Isso não é verdade. Ram não tem o que esconder, o prato-chefe dela é batatas no vapor.”

As『Memórias』, que vividamente se recordavam disso, ressuscitaram e o estômago dele roncou. Ignorando propositalmente a queixa dessa sensação de vazio no estômago, Batenkaitos deixou de lado sua disposição brincalhona.

Ram ainda não havia demonstrado a capacidade genuína de sua força. Em outras palavras, significava meramente que ela não havia revelado tudo nem sequer à irmã mais nova, que era praticamente sua outra metade.

Em outras palavras:

Rai: “——Nee-sama não confia nem em sua irmãzinha, isso que eu chamo de egocentrismo supremo, não é mesmo~?”

Ram: “…Que compreensão superficial das coisas. Ram não faz ideia de quantas vidas humanas você já saboreou, no entanto, essas pessoas de nada servirão. Tudo além da Rem é ínfimo.”

Em repúdio à forma como Batenkaitos via refeições, Ram estreitou os olhos rosa claro.

Então, enquanto acariciava o próprio peito esguio:

Ram: “Ram pede que você se force até o seu limite, Barusu.”

Seu semblante frio abrigava gélida determinação ao chamar o jovem que ali não estava presente.

Ram: “No entanto, é estremecedora a ideia de estarmos fadados ao mesmo destino.”


Com um tecido erguido contra a boca para que não engolisse areia, ele respirou fundo.

Sendo sincero, ele também queria óculos de proteção, mas seria pedir demais, infelizmente. Não havia outra opção senão se preparar mentalmente para os grãos de areia voando nos seus olhos e seguir concentrado no coração do redemoinho de areia.

Subaru: “Beako! Meili! Aguenta o tranco, gente!”

Beatrice: “Entendido, de fato!”

Meili: “Poxaaa, Como você é mandããão!”

Uma entidade atroz, revestida por uma carapaça negra como a noite, estava cruzando seu campo de visão ofuscado pela areia. Caso a deixasse se aproximar e fosse atingido por aquelas grandes garras, ele perderia a vida. Caso mantivesse distância e ela ganhasse ímpeto para disparar o ferrão da cauda, ele perderia a vida. Também havia muitas outras condições em que perderia a vida.

Tratando-se apenas de condições para o fracasso, o presente momento era um que estava definitivamente recheado delas.

Subaru: “Dito isso, é o que sempre rola…!”

As batalhas de Natsuki Subaru sempre eram uma sequência de cordas bambas.

Mesmo ciente do que viria pela frente por meio do『Retorno Através da Morte』, era sufocante porque as habilidades que ele detinha não chegavam nem perto de contrabalançar o poderio dos adversários que ele enfrentava.

Suas cartas eram sempre insuficientes. Enquanto confiava na força de todos e tinha esperança de que eles iriam se adaptar ao que pedia cada situação e lutar apesar disso, o próprio Subaru batalhava duro para estar à altura das expectativas de todo mundo.

Subaru: “Essa aqui, em vez de ser uma luta só minha, é uma luta minha e dos meus maravilhosos companheiros!”

Meili: “E lá é hora de falar issooo!? Poxaaa! Deem o melhor de vocêêês, Reizinhos Cavalo Faminto!”

Ao ouvir o grito desnecessário de Subaru; Meili, que o estava acompanhando lado a lado, deu ordens aos Majuus — aos Reis Cavalo Faminto. Os Majuus que lembravam centauros berravam que nem um bebê chorando e, com um sendo montado por Meili e o outro por Subaru e Beatrice, disparavam pelo mar de areia com tudo de si.

E no encalço destes que pisoteavam ferozmente a areia estava um escorpião gigantesco que empurrava a areia com suas múltiplas patas e que levantava uma nuvem de poeira conforme avançava contra eles.

“——ϡϡ!”

Segundo o instinto de antes, suas vidas estariam na mira do ferrão da cauda caso se distanciassem ou na das grandes garras caso se aproximassem. Enquanto permaneciam a uma distância que não era grande nem pequena, lidavam com os ataques inimigos.

Em comparação às condições para o fracasso listadas, a única condição para a vitória que lhes foi permitida era uma mudança ao limiar desta batalha por tempo. Era esperar Emilia conquistar o primeiro andar da torre e reescrever as regras que foram apresentadas.

A realidade é que ele sequer havia confirmado se era uma possibilidade:

Beatrice: “Se não fosse realizável, seria estranho estar incluso nas regras da torre para começo de conversa, eu suponho.”

Subaru: “Exactly, Beako. Se os caras se deram ao trabalho de avisar nas regras que «você pode destruir as regras», significa que fizeram elas com a premissa de que iam ser destruídas.”

E, se for uma possibilidade, poderia ser uma recompensa àquele que conquistar a torre. Pensando assim, seria um direito concedido apenas àquele que concluiu tudo da maneira apropriada. Ele estava genuinamente feliz que Emilia havia superado Reid por inteiro. Caso ela não tivesse saído vitoriosa, uma maneira de salvar Shaula poderia nem ter roçado os dedos dele.

Subaru: “Mas nunca que eu perdoo esse cara por ter assediado a Emilia-tan sexualmente…!”

Por mais que seja um acontecimento enfurecedor de se recordar, no que dizia respeito a Reid, Julius estava encarregado da retaliação. Enquanto Subaru esperava que Julius fosse esmagar aquele homem violento, a torre de vigia colossal adentrou seu campo de visão e ele entregou-se à árdua batalha de Beatrice e Meili.

Meili: “Moço! Se movimentar aqui é complicadooo! Não acha que ir pra mais longe da torre ia facilitar pros Majuuzinhos fazerem alvoroçooo!?”

Subaru: “Gh…! Eu entendo o que você ‘tá falando! Entendo, mas nem! Não vou me afastar da torre. Se eu me afastar mais, deixo de ter noção!”

Ao rejeitar a queixa de Meili, Subaru cerrou os molares enquanto agarrava o próprio peito. A eficácia do『Cor Leonis』manteve-se e, na forma de luzes tênues, as localizações de seus companheiros dentro da torre ainda estavam ao alcance da consciência de Subaru. Ele, entretanto, não compreendia o que poderia levar essa Autoridade, ainda cheia de incógnitas, a se desfazer.

Tratando-se da eficácia dela, a coisa mais fácil de se ter noção era obviamente a distância.

Na verdade, Subaru não sentia onde estavam os seus companheiros fora das Dunas de Augria. Caso fosse por causa da distância, quanto ele poderia se distanciar da torre de vigia?

Ele tinha medo de não ser mais capaz de confirmar a localização e o bem-estar de seus companheiros.

No entanto, o maior dos problemas não era não poder mais se assegurar do bem-estar deles, era não poder mais assumir seus fardos. Emilia e Julius obviamente haviam entregado seus corpos a batalhas terribilíssimas, mas o que mais se agarrava firmemente ao coração de Subaru, sem soltar, era Ram realizando sua vingança.

“…”

Embora estivesse confiante de que havia alocado cada um de seus companheiros onde lhes era mais adequado, antecipou desde o princípio que a batalha de Ram em especial tornaria-se severa. Por causa da condição da própria Ram e pelo seu oponente ser Rai Batenkaitos — o responsável por transformar Rem em uma『Bela Adormecida』.

Uma Ram que não está em perfeito estado não seria capaz de antagonizar Batenkaitos.

Além disso, ele queria que Ram destruísse Batenkaitos o quanto desejasse seu coração. Para isso, Subaru precisava assumir o fardo que a afligia constantemente.

Precisamente por esse motivo:

Subaru: “Não dá pra eu ser descuidado e me afastar da torre! Foi mal pelo handicap, mas segue o que eu tô falando, por favor!”

Meili: “~~hk! Mas isso aqui vai, definitivamente, ser um estrago mais pra frente!”

Gritou Meili, vermelha, das costas do Rei Cavalo Faminto após a lamúria de Subaru.

Nisso, a garota encarou os ares e bateu palmas para os seres que davam voltas pelo altíssimo céu de brigadeiro.

Meili: “Toupeirazinhas Aladas! É hora de brilhaaar!”

Tendo recebido o comando estridente, as pequeninas silhuetas pairando pelos céus mergulharam em direção ao mar de areia. Visto que tinham como alvo o escorpião gigantesco sobre a areia, Subaru de imediato chamou “Beako!” em voz alta:

Subaru: “Fica em sintonia com eles, fazendo favor!”

Beatrice: “——Hk, Betty está ciente, de fato!『Vita』!!”

Presumindo o objetivo de Subaru, Beatrice ergueu a palma pequena de sua mão aos ares.

O efeito da recitação ativou-se, o objetivo dela, entretanto, não estava voltado ao escorpião gigantesco, e sim às Toupeiras Aladas que despencavam com ele na mira. Um anel de luz fraca foi gerado no caminho das Toupeiras Aladas em queda — no instante em que passaram pelo anel, as pequeninas silhuetas dos Majuus, rodeadas de luz, aceleraram.

“…”

O impacto penetrante perfurou a carapaça do escorpião gigantesco, originando um ruído violento. O escorpião gigantesco, que estava tratando os brados de guerra das Toupeiras Aladas como ligeiras brisas até aquele momento, freou suas múltiplas patas após este golpe direto detentor de um poder o qual não se podia ignorar.

Meili: “Isso de agorinha… Beatrice-chan, o que você feeez?”

Beatrice: “Fiz os seus Majuus ficarem pesados antes deles colidirem, eu suponho. Nem a velocidade, nem a solidez foram mudadas, mas um mero aumento no peso já muda o resultado, de fato.”

Beatrice respondeu ao fascínio de Meili.

Era uma resposta ao suporte fortalecedor e repentino às Toupeiras Aladas — potência era uma combinação de peso e velocidade.

Toupeiras Aladas navegavam pelo subsolo utilizando seus chifres resilientes, a investida arriscada dos Majuus que voavam livremente no céu e no subterrâneo foi decisiva em impedir o avanço do escorpião gigantesco por meio de seu inacreditável poder destrutivo.

As capacidades de resposta do escorpião gigantesco eram admiráveis, mas ele não era capaz de responder por inteiro a um ataque que estava presenciando pela primeira vez. Então, para sobrepujar essas capacidades instintivas de resposta, Subaru colocou a cabeça para funcionar.

Subaru: “Me sinto mal pelos Majuus, mas é um trade-off entre vida e tempo. Os Majuus que dá pra usar são muitos em quantidade e em variedade, e se a Beako der um help, as possibilidades vão ser infinitas…! Se for assim——”

Vai dar — esse retorno garantido fez Subaru apertar o próprio punho e o cabelo de Beatrice. Com isso, ela ergueu a voz em protesto: “Está doendo, eu suponho!”. ——Foi esse o instante.

Subaru: “——Ah?”

Subaru, que pretendia ganhar o máximo possível de tempo, deixou escapar um ruído enquanto olhava para o alto da torre de vigia. Ao ouvir a voz distante dele, Beatrice virou-se enquanto perguntava “Subaru?”, no entanto, ele não estava em capacidade de reagir.

A consciência de Subaru foi apoderada não pelo exterior visível da torre de vigia, e sim pelo interior — dentro da torre, ele sentia luzes fracas em diversos locais, elas se originavam em resposta aos seus companheiros. Dentre todos eles, que muito provavelmente estavam envolvidos em embates fervorosos, a resposta de um esvaiu-se. ——Foi a de Emilia, quem se dirigia ao topo.

“…”

Naquele instante, o coração de Subaru palpitou com tanta força que era como se ele fosse estourar.

Essa realidade, da resposta de Emilia ter se esvaído, deixou Subaru severamente transtornado. Não pode ser, ele devia ter acabado de perder Emilia agora mesmo…

Subaru: “——hk, se acalma, idiota do caralho.”

Ele impediu a própria visão de escurecer ao repreender a si mesmo.

Desesperar-se com essa realidade seria afobado. Ele precisava confiar mais na capacidade do『Cor Leonis』. Embora tivesse vindo do pior dos homens, agora que seu poder havia florescido, essa Autoridade era uma aliada.

Com base nas respostas do『Cor Leonis』até então, podia-se supor que a intensidade das luzes tênues e a potência do calor indicavam o estado de tal companheiro.

Quando ficavam furiosamente agitados, as cores e a força das luzes mudavam. O oposto também era verdade.

Será então que o sumiço da resposta de Emilia significava sua『Morte』?

Subaru: “Se for, então ela sumiu numa velocidade que foi instantânea demais.”

Hipoteticamente falando, mesmo se Emilia tivesse encontrado e caído nas mãos de um oponente tão temível a ponto de conseguir extinguir sua existência em um mero instante, Subaru não imaginava que ela fosse desaparecer sem a mínima resistência.

Não imaginava, tampouco queria. Ele tinha fé. Portanto, era provável que o problema fosse outro.

Emilia, rumo ao primeiro andar, subiu a torre de vigia a galope e alguma coisa aconteceu com o seu corpo, fazendo-o escapar do alcance efetivo do『Cor Leonis』.

Por conseguinte, a resposta de Emilia, em um único instante, deixou de uma só vez a percepção de Subaru. Se ele não pensasse assim…

Beatrice: “Subaru!”

Meili: “Moço! Isso lá é hora de lerdeaaar!?”

Mordendo tanto os molares quanto o interior das bochechas e se controlando por meio da dor, Subaru foi chamado pelas duas garotinhas.

Ao ouvi-las, Subaru respondeu “Eu tô ligado” de modo que fosse ouvido por si próprio e por elas.

Subaru: “Não faço a mínima ideia do que que ela vai ter que enfrentar nem onde. Mas eu tenho fé de que ela vai voltar.”


——Ao mesmo tempo em que Subaru vocalizou ao alto suas palavras de oração na areia lá de baixo.

Ele tinha dito que não fazia ideia do que ela teria que enfrentar, mas nem mesmo a imaginação desse Subaru teria sido capaz de prever a situação na qual Emilia fora colocada.

Seguindo as instruções de Subaru, Emilia dirigiu-se ao primeiro andar para reescrever as regras da Torre de Vigia Plêiades — e aquilo com com o qual se deparou foi uma potente entidade envolta em escamas azuis brilhantes.

Uma entidade cujo nome ninguém no Reino de Lugnica desconhecia — não, ninguém no mundo inteiro.

Se a『Bruxa da Inveja』era um símbolo de medo, então este devia ser um símbolo de esperança e fé. Pois era uma entidade que seguiu acumulando façanhas dessa magnitude em prol do mundo.

E o nome desta poderosa e grandiosa entidade era:

Emilia: “——O『Dragão Divino』Volcanica.”

Ao ponderar sobre o nome com o qual ele se apresentou, Emilia sentiu todo o seu corpo esfriar.

Era algo estranho de se dizer, mas a disposição de Emilia em nada se relacionava a nervosismo. Por mais que ela obviamente sentisse seu corpo ficar um pouco mais pesado quando ficava diante de uma plateia ou quando falava de algo importante, esquecia completamente e de imediato o impacto destas ações após efetuá-las de fato.

Era algo que havia sido elogiado várias vezes por Subaru e Ram em razão de ser uma característica valiosa.

Entretanto, apesar desta qualidade que Emilia possuía, seus movimentos travaram perante o『Dragão Divino』. De tal modo que ela sentia que não seria capaz de sequer respirar sem a autorização do adversário. A presença deste Dragão genuíno era protuberante a ponto de exercer domínio sobre o mundo.

“…”

Enquanto prendia o fôlego, Emilia olhou mais uma vez para Volcanica em totalidade.

Escamas detentoras de uma profunda tonalidade azul brilhavam como pedras preciosas, cada uma delas passava a impressão de ser tão afiada quanto uma espada valiosa que fora bem temperada.

Grossas patas dianteiras e traseiras que estavam munidas de garras negras similares a rochas, um semblante com ares de longevidade que lembrava bastante o de um Dragão Terrestre, um par de olhos dourados que havia fitado uma quantidade inacreditável de anos. Da cabeça brotavam dois chifres grandes e espessos tão alvos quanto leite recém-ordenhado.

A estatura do『Dragão Divino』parecia ser de quinze ou dezesseis metros. Já que ele não estava levantado e tanto as asas quanto a cauda estavam recolhidas, não se sabia a extensão dele com precisão. No entanto, já que ele tinha essa extensão mesmo estando neste estado, ele certamente não caberia dentro da torre. Era inquestionável que o primeiro andar havia sido construído em espaço aberto por causa de Volcanica.

Emilia: “…No terceiro andar foi o『Sábio』, no segundo foi o Reid e no primeiro é o Volcanica.”

Volcanica: «…»

Emilia: “Será que todos os três heróis de tempos passados tem a ver com os『Testes』da torre?”

Ao recordar-se do conteúdo dos『Testes』até então, Emilia descobriu uma similaridade entre eles.

Os『Três Heróis』— as três figuras heroicas gravadas na história do Reino de Lugnica que haviam se empenhado em selar a『Bruxa da Inveja』antigamente.

Eram eles Shaula, Reid e Volcanica.

Ademais, Shaula havia afirmado que a façanha era na verdade de Flugel, Reid era bastante violento e falava chulo, já Volcanica não era uma pessoa, e sim um Dragão.

Mas se todos ainda estavam reunidos neste lugar:

Emilia: “Continuam amigos depois de tantos séculos, é tããão lindo.”

Emilia acharia muito lindo se essas três figuras heroicas estivessem conectadas por promessas ou por comunhão.

Para início de conversa, Volcanica era o ser que havia firmado um『Pacto』com o Reino de Lugnica e de fato, quando um dragão negro semeou o caos na nação há várias décadas, o seu poderio extraordinário ficou registrado na história.

Emilia gostava daqueles que tinham alta consideração por promessas.

Ela acreditava que mantê-las era algo muito bom. Subaru era um ente muito querido no qual Emilia confiava, mas ela não via valor algum na incapacidade dele de manter promessas.

O que fazer se a Beatrice começar a imitar o jeito dele? Emilia tampouco queria dar sermões a Subaru e Beatrice pela quebra de promessas.

Emilia: “Ah, nada bom. Não é hora de pensar nessas coisas… Então, Volcanica! Eu vim fazer o『Teste』! O『Teste』do primeiro andar! Eu vou bater de frente!”

Volcanica: «…»

Emilia: “Não sei o quão pesado vai ser o『Teste』… mas peço que se apresse! Preciso perseverar aqui ou o Subaru e os outros vão estar em apuros. Seja o que for, pode vir!”

Ao estapear as próprias bochechas, Emilia revitalizou as emoções que estavam se retraindo.

Foi sem querer, mas pensar em Subaru e Beatrice motivou ela a isso. Mesmo se for para eles levarem um sermão de Emilia por quebrarem uma promessa, tratava-se de um futuro distante além do dia de amanhã.

Para alcançar esse futuro, era necessário que Emilia seguisse com firmeza ali.

Volcanica: «…»

O『Dragão Divino』estava, em silêncio, encarando Emilia fixamente com seus olhos de tonalidade dourada.

Sem exagero nenhum, esses olhos eram tão profundos que pareciam poder absorvê-la por inteiro.

Ele havia enfrentado a『Bruxa da Inveja』e estabelecido um pacto com o Reino de Lugnica há quatrocentos anos — os anos vividos por este Dragão grandioso, porém, aparentavam se estender muito além desses quatrocentos. Esses olhos talvez vinham fitando o mundo há quase mil anos.

Emilia não sabia de que maneira a sua existência seria projetada sobre o『Dragão Divino』. Não sabia, porém:

Emilia: “Estou acostumada a ser avaliada pelos outros. Há pessoas que me odeiam por ser meia-elfa ou que são maldosas, que nem a Echidna… Mas também há pessoas que realmente tem fé em mim, que nem o Subaru, a Ram e a Beatrice.”

Enquanto se pronunciava, Emilia colocou os dedos no cristal que estava em seu peito.

Aquele ser, ainda adormecido, era sua amada família e havia sido também o primeiríssimo a dar significância a Emilia, que múltiplas vezes era vista de maneiras distorcidas.

Com essa família sendo o princípio, Emilia estava nesta torre com companheiros que a haviam aceitado.

Emilia: “É por isso que não me importa com que jeito você me olhe!”

Declarou Emilia, de modo incisivo, perante o『Dragão Divino』que a havia avassalado anteriormente. Mesmo a alma, que havia sido esmagada pela diferença entre as auras; mesmo os membros, que haviam tremido e se encolhido; mesmo o ser de nome Emilia, que havia sido engolido pelo ser familiarizado com a perpetuidade: não irá mais sucumbir.

——Ela definitivamente não há de sucumbir.

Volcanica: «…»

Emilia firmou o punho com força e fez os seus olhos ametista brilharem de vigor.

Enquanto era banhado inteiramente pelo olhar de Emilia, Volcanica piscou vagarosamente. Em seguida, moveu sua mandíbula dracônica com majestade:

Volcanica: «——Ó vós que ao cume da torre chegastes. Avançai pelo primeiro andar, todo-poderosíssimo peticionário.»

Emilia: “…”

Volcanica: «——Chamo-me Volcanica. Em concordância ao pacto de outrora, pergunto o intento de vós que ao cume chegastes.»

Emilia: “…Hã?”

Emilia, segurando a respiração e preparando-se para o desafio que seria proposto por Volcanica, inclinou a cabeça ao ouvir as palavras sufocantes que haviam sido expelidas juntamente do respirar do Dragão. Pois ela se recordava destas palavras.

Emilia: “Então, você já não me falou isso agora há pouco? Que eu sou aquela a chegar no primeiro andar e que você é o Volcanica… está correto isso?”

Volcanica: «…»

Emilia: “…Ah! Por acaso eu não me apresentei? Desculpe. Eu sou a Emilia, apenas Emilia. Bem, acontece que muitas pessoas não se lembram de mim no momento, então daria bastante problema se você me pedisse para provar, mas eu sou a Emilia!”

Volcanica: «…»

Emilia: “…Nada ainda?”

Ela pensou tê-lo desagradado ao pular a apresentação; porém, apesar de ter voltado à parte introdutória, a reação de Volcanica não se tornou mais favorável.

Caso Subaru estivesse ali, ele teria sido pessimista a ponto de crer que o direito de realizar o『Teste』do primeiro andar havia sido revogado por causa da omissão das saudações, mas Emilia não pensava assim.

Ainda que tivesse feito algo de errado, ela não achava que o adversário fosse ser tão impiedoso se ela se desculpasse. Portanto, mesmo agora, Emilia não acreditava que sua grosseria havia causado a mudez de Volcanica.

Ela pensou na possibilidade de que não era por ele estar irritado. Mesmo que fosse esse o caso, poderia ser algo ainda pior do que estar irritado.

Afinal:

Emilia: “Será que…”

Com o olhar fixado naqueles olhos dourados, Emilia progrediu timidamente.

Um passo, dois passos: ela prosseguiu pelo lugar próximo aos céus e reduziu sua distância em relação ao『Dragão Divino』 Volcanica. Emilia aproximou-se audazmente da entidade que era majestosa até mesmo em respirar. Então, esticando sua mão com cuidado, ela encostou nas escamas da pata dianteira do adversário.

Emilia: “——Frio.”

As escamas que ela encostou estavam frias igual gelo ou aço resfriado.

Quanto tempo será que alguém precisa passar estagnado para perder tanto calor assim?

Isso não denotava『Morte』biológica. Uma estagnação duradoura não privava alguém somente da vitalidade do corpo.

Volcanica: «——Ó vós que ao cume da torre chegastes. Avançai pelo primeiro andar, todo-poderosíssimo peticionário.»

Emilia: “…”

Volcanica: «——Chamo-me Volcanica. Em concordância ao pacto de outrora, pergunto o intento de vós que ao cume chegastes.»

Reiterou mais uma vez Volcanica enquanto olhava Emilia, que estava encostando na sua pata da frente. Palavras receptivas que se amontoaram ao serem ditas um total de três vezes. Elas não tinham a intenção de condenar a garota pela falta de apresentação.

Os olhos de Volcanica, que a fitavam profundamente, pareciam estar refletindo Emilia sem a refletirem.

O porquê estava evidente.

Emilia: “Será que você ficou tão velhinho que acabou se esquecendo do『Teste』…?”

O que acometeu o longevo Dragão não foi a『Morte』do corpo, e sim a『Morte』da mente.

E, tratando-se da Emilia que precisava transpor o『Teste』do primeiro andar, isso havia recaído sobre ela como um desafio que ia além do tal『Teste』.

Teste de『Maia』, primeiro andar da grande biblioteca Plêiades.

Restrição de tempo:『O Tempo pelo Qual Sobreviverem Seus Companheiros』. Número de tentativas:『Desconhecido』. Desafiantes:『Um』.『Conteúdo do Teste』: desconhecido.

——Teste: iniciado.

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