Subaru: “――――”
Olhando para o reflexo no espelho rudimentar, Natsuki Subaru ― ou melhor, o ser que antes se chamava assim ― apertou os olhos, inspecionando-se meticulosamente, uma vez após a outra.
A sombra escura ao redor dos olhos e os cílios cuidadosamente curvados devolviam o olhar. A textura da pele, aquela característica tão marcante entre homens e mulheres, estava coberta por pó branco; os lábios, pintados de um vermelho vibrante, pareciam frescos, quase vivos.
O traje havia sido um verdadeiro desafio, mas ele conseguiu disfarçar o físico com roupas largas, apesar das dificuldades de criar um estilo que combinasse com o clima do sul.
Dessa vez, ele não poderia interpretar a filha de um nobre, mas deveria assumir uma postura mais leve e casual ― a de uma artista itinerante. Portanto, além dos gestos, sua aparência precisava ser mais “feminina” para se adequar ao papel.
Subaru: “E agora, é só ajustar os enchimentos e concentrar até o último pedaço de carne no peito…”
Ele utilizou cada técnica que conseguiu imaginar, reconstruindo mentalmente os encontros que tivera até então.
Começando por Emilia, depois Felt e a detestável Elsa, seguidas por Ram e Rem, além de Beatrice e Petra, sem esquecer ― mas preferindo não incluir ― Meili. Depois vieram Priscilla, Crusch, Anastasia, e Ferris, que deveria admirar como um mentor, e então Frederica. Havia também as Bruxas, sempre irritantemente bem-vestidas. Ele reuniu sua ideia de “beleza” a partir de todas as garotas, mulheres e figuras de aparência feminina que encontrara nesse outro mundo.
――Ele precisava constantemente imaginar a versão mais bela de si mesmo.
Não havia necessidade de pensar em mais nada além da visão que nutria.
Fez o melhor que podia com os recursos disponíveis e chegou ao ponto onde precisava estar.
Portanto――,
Subaru: “――Esta sou eu.”
Desviou o olhar do espelho, respirou fundo e se virou lentamente.
Sozinho, depois de horas lutando em silêncio, finalmente empurrou a porta. Do outro lado, seus amigos aguardavam, prendendo a respiração, à espera do sucesso ou fracasso daquela missão.
As mulheres voltaram sua atenção para Subaru assim que ele atravessou a porta.
Subaru: “――――”
Um silêncio tomou conta do ambiente, carregado de tensão que ele podia quase tocar.
A ansiedade imediata não lhe permitia entender qual emoção provocava aquele silêncio. Sem dúvida, faltavam-lhe diversas cartas na manga. Se tivesse isso, ou aquilo, a lista de arrependimentos seria infinita.
Mas, pensando bem, a questão não era sobre estar ou não preparado.
Ninguém entra em batalha em condições perfeitas. Afinal, a vida é sobre jogar com as cartas que se tem, não é?
Foi nesse instante que percebeu que estava se justificando como se já tivesse perdido.
???: “…Brilhante.”
Ele ouviu um som fraco, como um estalo no ar, e ergueu o olhar.
O verdadeiro motivo daquele som não era nada disso. Era o som de mãos se encontrando. O som de palmas. Um eco de congratulações, admiração e respeito.
Subaru: “Mi…”
Olhou para a pessoa aplaudindo e quase chamou de uma forma nada adequada para uma dama, mas se conteve a tempo.
Ainda não estava perfeito. Levou a mão delicadamente à garganta, ajustando o tom com leves sopros de ar. Então, assim que tudo se alinhou em sua mente, ele sorriu.
Subaru: “Mizelda-san.”
Mizelda: “――Não acredito! Até a voz? O que é isso, como é possível…!?”
Subaru: “Quando decido fazer algo, é meu dever dar o meu melhor. Existem vidas que podem ser salvas se eu não economizar esforços. Sendo assim, só há uma coisa a fazer.”
Mizelda: “Ooh…!”
O sorriso desapareceu, e ele ergueu um dedo em direção ao céu.
A densa vegetação ao redor bloqueava a visão do sol, mas ele não precisava mostrar isso aos seres celestiais, e sim aos muitos amigos ali reunidos.
Olhem para ela, dos pés à cabeça.
Não importa o ângulo ― de frente, de costas, à direita, à esquerda, ou qualquer outro.
――Ele precisava constantemente imaginar-se como a mais bela.
Se conseguisse alcançar aquela imagem, recriar o ideal, não teria mais nada a temer.
Ali, com autoridade――,
Subaru: “――A chegada de Natsumi Schwartz.”
Foi assim que Natsumi Schwartz, com toda a graça ― ou seria heroísmo? ― declarou sua entrada.
Mizelda, que havia parado de aplaudir, assentiu profundamente. Em seguida, posicionou-se ao lado de Natsumi, apoiando uma mão em suas costas.
Mizelda: “Meu mundo era pequeno demais. Você tinha razão, Subaru… Não, Natsumi.”
Subaru: “Agora entende, não é, Mizelda-san?”
Mizelda: “Ah, é frustrante, mas sim… Beleza pode ser criada.”
Mizelda abaixou os cantos dos olhos, sorrindo suavemente, enquanto Natsumi retribuía o sorriso.
O povo de Surdrak, reunido ali, trocou olhares, testemunhando aquela cena encantadora. Então, aplausos irromperam, tardios, mas calorosos.
O som das palmas continuou, abençoando a estreia de Natsumi.
E então――,
???: “O que é isso?”
???: “Uh~”
Os que ainda não conseguiam se conformar assistiam à cena com o rosto contorcido de incredulidade.
Subaru: “E foi assim que Natsumi Schwartz nasceu. Fiquei meio confusa com as ferramentas de maquiagem e tudo mais, mas consegui fazer isso aqui.”
Rem: “Você tá brincando comigo?”
Subaru: “Hã!?”
Após voltar ao ponto de encontro e reunir o grupo novamente, Natsumi ―― ou melhor, Subaru ―― teve suas palavras respondidas por Rem, cujo olhar era gélido e o tom ainda mais frio.
Mesmo ao mostrar o resultado, a atitude gelada de Rem não mudou. Subaru apontou para o próprio rosto e comentou:
Subaru: “Acho que vou precisar de cílios postiços… Para combinar com a peruca. Consegui emprestado um pouco de cabelo preto dos Surdrak…”
Rem: “Não tô falando disso. Acho que a maquiagem e a peruca ficaram bem feitas. Mas você não precisa falar como uma mulher o tempo todo.”
Subaru: “Sim, mas… o estado de espírito também é importante, não é? Se eu não cuidar disso desde já, nunca sei quando posso perder o controle. Além do mais…”
Rem: “Além do mais?”
Subaru: “Se eu me acomodar no fato de que sou homem, a deusa da beleza vai virar as costas pra mim e… Ai, ai, ai!”
Quando Subaru tentou levar a conversa a sério, Rem puxou sua orelha com força.
Com os olhos marejados, ele se afastou rapidamente, buscando refúgio ao lado de Mizelda, que observava tudo.
Subaru: “Mizelda-anesama, eu tô com medo da Rem-san…”
Mizelda: “Ah, não chore, Natsumi… Por mais estranho que pareça, você fica adorável, mesmo sabendo que é o Subaru. Taritta devia aprender com você.”
Taritta: “Irmã!”
Enquanto Mizelda fazia carinho na cabeça de Subaru, Taritta arregalava os olhos diante do comentário impiedoso da irmã.
No entanto, a expressão de Taritta estava mais suave que o normal. Isso porque Subaru havia ajustado a maquiagem carregada que ela usava, algo que os Surdrak chamavam de “pintura de guerra”, deixando-a mais delicada.
Os Surdrak eram conhecidos por sua coragem e força, mas, dessa vez, precisavam ser tanto glamorosos quanto perigosos, com uma aura mágica e sedutora que podia enlouquecer qualquer homem.
A maquiagem de Taritta e Kuna foi divertida de fazer quando decidiram explorar essa faceta de beleza.
Subaru: “Você tem um rosto bem mais jovem do que eu esperava, Taritta-anesama. Sua maquiagem ficou ótima, é bom destacar sua delicadeza de vez em quando.”
Taritta: “Por favor, não me provoque! Primeiro de tudo, eu nunca vou ser tão bonita quanto você…”
Subaru: “Bom, sua falta de confiança também é charmosa! Não é, Mizelda-anesama?”
Mizelda: “Sim, querida.”
Mizelda sorriu enquanto Subaru se inclinava para ela e sussurrava. Taritta desviou o olhar, suas bochechas tingidas de um leve rubor.
A pele morena de Taritta dificultava perceber o corar das bochechas, mas a maquiagem nos olhos e lábios dava a impressão de um leve blush, realçando o adorável contraste.
Rem: “Quando vocês vão parar de brincar!?”
Com um único grito, Rem desfez aquele cenário quase poético.
Subaru e Taritta encolheram-se como se tivessem sido atingidos por uma rajada de vento. Rem lançou-lhes um olhar severo com seus olhos azul-claros antes de virar-se para Kuna, que estava no canto da sala.
Kuna, que também havia recebido maquiagem e um penteado, afastou-se instintivamente.
Kuna: “O-o que foi? Só pra constar, eu não tenho nada a ver com isso…”
Rem: “Kuna-san, eu conto com você. Olhando pra esses dois, vejo que você é a única que ainda mantém a sanidade… Você tá realmente levando esse plano a sério?”
Kuna: “Eu sei que sou a única sensata, mas…”
Com os cabelos presos em duas tranças, Kuna olhou para Subaru e Taritta com um olhar desanimado.
Embora fosse uma avaliação desagradável, Subaru só pôde esperar para ver o que aconteceria. O olhar dela dizia que ele era um louco, diferente de Taritta, que apenas tremia de constrangimento.
Kuna suspirou levemente diante da reação dos outros.
Kuna: “A razão pela qual nós não poderíamos cumprir a missão desapareceu, você entende isso também, né, Rem? Natsumi… Subaru não é um problema. Na verdade, ele é mais mulher do que a Chefe.”
Rem: “Isso é rude demais pra se dizer sobre Mizelda-san…”
Kuna: “Não acho que seja um problema. O que será problemático são nossos resultados lá…”
E, enquanto Kuna estava para terminar de responder às perguntas de Rem,
???: “――Parece que todos estão aqui.”
Kuna: “Ah, falando no diabo…”
Uma voz pomposa e firme ecoou no salão de reuniões, e uma nova figura apareceu.
Quando o olhar de Kuna se voltou para a entrada, Rem não teve escolha a não ser olhar na mesma direção. Naturalmente, Subaru, Mizelda e os outros também seguiram o movimento.
Todos: “――――”
Naquele momento, o tempo parou para todos.
――Ou melhor, o tempo parou para todos, exceto pela figura que acabara de surgir e por Subaru, que havia feito a maquiagem nela.
Subaru: “Eu deixei os ajustes finos pra você, mas… você mandou tão bem que chega a ser irritante.”
Abel: “Eu não me sinto lisonjeado ao ser elogiado pelas minhas habilidades de maquiagem. No entanto, as suas são impressionantes. Então, mesmo um produto acabado pode se transformar em algo totalmente novo. Ficou ainda melhor do que eu imaginei.”
Subaru: “Kuh, minha margem de vitória…!”
Enquanto dizia isso, Subaru mordeu levemente o dedo mindinho, frustrado.
Claro, ele não duvidava que a beleza podia ser criada. Subaru também se orgulhava de ter provado isso com seu próprio corpo, usando os poucos recursos que tinha à disposição.
Mas ainda havia uma diferença nos “materiais”.
Por isso――,
Rem: “Ah, Abel-san, certo?”
Abel: “Quem mais seria? Não faça uma pergunta tão tola. Não, se eu mudei tanto assim, então sua surpresa é compreensível.”
Em resposta às palavras trêmulas de Rem, Abel ―― ou melhor, Bianca, a figura criada com maquiagem, peruca e uma mudança de figurino ―― apertou os dedos finos e brancos.
Seus cabelos negros e brilhantes combinavam perfeitamente com seu belo rosto e olhos rasgados. O traje de dançarina marcava a cintura e se abria pelas pernas, revelando apenas o necessário para atrair olhares.
Diante de todos estava uma dançarina de beleza deslumbrante, a carta coringa essencial para aquele plano.
Todos: “――――”
A perfeição de Bianca era tamanha que até Mizelda e os outros perderam as palavras.
Isso era diferente da Natsumi de Subaru, onde o choque vinha da magnitude da transformação. Aqui, o impacto era puro, causado pela perfeição da beleza que Bianca de Abel exalava em cada detalhe.
As joias surdrakianas que adornavam o traje da dançarina e seus longos cabelos eram apenas um enfeite, um toque que realçava ainda mais sua verdadeira beleza.
Subaru se lembrou do sorriso de Mizelda ao emprestar os acessórios para ele.
Por alguma razão, o coração de Subaru apertava ao lembrar daquele sorriso. Contudo, por consideração a Mizelda e aos outros, ele não tinha a opção de fazer as coisas de qualquer jeito.
Como poderia ele mesmo arruinar aquela perfeição?
O ego de Subaru como Natsumi Schwartz não permitiria algo assim.
Subaru: “Foi surpreendente pra mim que você não tenha medo de usar maquiagem…”
Abel: “O quê? Você acha que é uma desonra se vestir como uma mulher? Para sua informação, essa não é a primeira vez que faço isso. Já passei por isso muitas vezes na infância.”
Subaru: “Na infância?”
Abel: “Sim. Considerando minha posição, é prudente possuir uma ampla gama de formas de se proteger.”
Os lábios de Subaru se curvaram diante das palavras de Abel, e não de Bianca, uma mulher deslumbrante que cruzava os braços com graça.
Talvez ele estivesse se referindo aos conflitos secretos que enfrentou como candidato ao trono antes de assumir o posto de Imperador.
No Sacro Império de Vollachia, onde a sucessão ao trono era aparentemente muito mais tumultuada do que em Lugnica, era fácil imaginar que assassinatos faziam parte da disputa pelo poder.
Para sobreviver a uma vida tão dura, às vezes ele precisaria disfarçar sua aparência, até mesmo seu gênero.
A disposição de Abel em se sacrificar, incluindo sua própria identidade, parecia ter sido moldada por essa infância difícil, muito antes de conquistar o trono.
E isso agora se refletia em Bianca, sua personificação feminina.
Subaru: “Ainda assim, é meio irritante que você saiba que é bonito…!”
Abel: “Isso é exatamente o que é ridículo. Como alguém pode estar numa posição que exige uma visão ampla do país e não ser capaz de se enxergar objetivamente? Embora você pareça distorcer sua autopercepção com truques mesquinhos, não preciso dessas artimanhas.”
Subaru: “Guh… Hk.”
Abel: “Sabe por que os tigres são fortes? Eles são fortes porque são fortes.”
Subaru se viu atingido por um conceito que já ouvira de Garfiel.
A ideia de que tigres eram fortes simplesmente por serem tigres agora se aplicava a Abel: ele era belo porque era Abel. Não era mais uma lógica da violência.
Era o mesmo que dizer que Reinhard era forte porque era Reinhard.
Em outras palavras, era uma visão crua do mundo.
Subaru: “De qualquer forma… Flora deve estar pensando o mesmo, não é!?”
Flop: “Você não está tirando conclusões precipitadas aí, Marido-kun?!”
Atrás de Abel vinha Flop, agora disfarçado como Flora, visivelmente surpreso.
Ele também estava vestido para o papel, exibindo uma beleza que Subaru sabia que seria ainda mais acentuada pelo uso cuidadoso de seus atributos naturais. Diferente de Subaru e Abel, ele só precisava ajustar levemente seu cabelo já longo, trazendo à tona todo o charme dos seus traços.
Na verdade, Subaru estava confiante de que, lado a lado, não ficaria muito inferior. Mas――,
Subaru: “Há uma diferença na quantidade de tempo e esforço investidos… Deve ser favoritismo divino…!”
Flop: “Lamento ouvir sua lamentação, mas você está ótimo, Marido-kun. Agora você não é mais Marido-kun, é Marido-san!”
Subaru: “…Eu não tô satisfeito com um elogio desses.”
Flop: “Isso foi um elogio? Nem sabia que era.”
A franqueza de Flop não havia mudado, mesmo agora como Flora. De qualquer forma, ele estava bem assim. Embora fosse necessário algum ajuste em sua atuação para seguir o plano.
No entanto, quem realmente importava nesta situação era Abel.
Subaru: “Flora e eu podemos tocar instrumentos. Portanto, seu papel é…”
Abel: “Dançar, certo. Não preciso que me digam. Já conheço o plano e minha importância nele. Além disso…”
Subaru: “Além disso?”
Abel: “Não sou tão excelente na dança quanto minha irmã falecida, mas chego bem perto.”
Seu sorriso arrogante se curvou, e até isso era belo.
A confiança de Abel era tranquilizadora e, ao mesmo tempo, fazia o coração de Subaru arder em antecipação. De fato, Abel demonstrava seu charme diabólico sem reservas ao interpretar Bianca.
Se a autoconfiança de Abel fosse justificada, Subaru podia esperar uma apresentação impressionante.
Subaru:”――. Muito bem. Se fala com tanta confiança, quero ver do que é capaz. No mínimo, certifique-se de não engolir as palavras que acabou de cuspir.”
Abel: “Cuspir palavras… Hmph, como ser atingido por saliva caída das nuvens, seria isso? Uma forma rebuscada de dizer, mas tudo bem. Vou te mostrar.”
Subaru: “――――”
Abel: “É o mínimo que posso fazer, será a recompensa que darei a você por ter elaborado este plano..”
A arrogância de Abel não diminuía, mesmo vestido como mulher, como se ele jamais duvidasse de si mesmo.
Sentindo-se ao mesmo tempo aliviado e desafiado por isso, Subaru olhou suavemente para Rem. Infelizmente, ele não podia levá-la consigo neste plano.
Mas ainda assim――,
Subaru: “Reze pela minha segurança. Vou dar o meu melhor por você.”
Rem: “――.――――.――――――――.――――――――――.Sim.”
Subaru: “Demorou bastante pra rezar, não foi!?”
Subaru exclamou, diante da resposta tardia de Rem, que parecia estar com uma expressão profundamente séria.
Ao ouvir isso, Rui, que estava ao lado de Rem, encolheu a cabeça de forma discreta. Pelo visto, nem mesmo ela conseguia perceber que Natsumi era, na verdade, Subaru.
Por ora, era algo positivo, já que a reação lhe deu a sensação de que havia ganhado um pouco de impulso para a missão.
――Operação “Kumaso Takeru”.
Esse era o nome da operação que tinha como alvo Zikr Osman, o Mulherengo, general de segunda classe do Império.
Inspirado por uma história do Kojiki, o nome da operação havia sido uma sugestão de Subaru e, felizmente, ninguém levantou objeções.
Não se sabia ao certo se respeitavam Subaru, o idealizador do plano, ou se simplesmente ninguém se importava com o nome da operação, mas foi bom que não houvesse problemas por causa disso.
De qualquer forma, não adiantava muito ter um plano onde o fator sorte inevitavelmente entrava em jogo.
Claro, eles fariam de tudo para aumentar as chances de sucesso, mas era difícil controlar a sorte. No entanto, não era ruim ganhar uma condição favorável, mesmo que pequena.
――Deixando a Selva de Buddheim, o grupo seguiu rumo a Guaral.
Os cinco membros do grupo eram Natsumi (Subaru), Bianca (Abel), Flora (Flop), Taritta e Kuna. O resto do Povo Surdrakiano, liderado por Mizelda, formava um grupo separado, com Rem, Rui e Medium entre eles.
Escondidos nos arredores da cidade, eles precisariam atacar as muralhas da Cidade Fortaleza e agir como distração, se necessário. No entanto, isso era apenas um plano de contingência.
Um plano de contingência não ideal, caso o plano principal falhasse. Se o plano falhasse, Subaru e os outros estariam em uma situação muito perigosa.
De qualquer forma――,
Subaru: “Pessoalmente, acho que o primeiro ponto de verificação é o mais importante.”
Subaru murmurou isso, olhando para o portão principal, que os encarava lá do alto.
Eles estavam prestes a desafiar o portão principal novamente, por onde já haviam passado à força alguns dias atrás. Naturalmente, depois do que aconteceu naquela ocasião, o nível de segurança no ponto de verificação estava mais alto do que antes.
Em preparação para outra possível invasão de rebeldes, ênfase especial havia sido dada a carruagens de dragão, carroças de boi e outros veículos que poderiam esconder pessoas em sua carga. Ele podia ouvir os gritos de mercadores e viajantes enquanto suas ferramentas de trabalho eram reviradas, suas carroças viradas e a palha cuidadosamente furada por espadas.
Para ser sincero, ele se sentia mal por eles. No entanto, considerando o caos que ocorreria na cidade adiante, achava que talvez fosse melhor que eles desistissem ali mesmo.
Claro, não havia como ele dar esse tipo de conselho, mas――,
???: “――Próximo, e vocês?”
Uma voz áspera e severa atingiu os tímpanos de Subaru enquanto ele refletia.
Ao olhar para cima, viu um guarda careca e de físico imponente chamando o grupo. O homem os chamou para frente, e Subaru inclinou a cabeça respeitosamente, à frente do grupo.
Subaru: “Somos uma trupe de artistas itinerantes. Viemos do norte para esta cidade.”
Guarda: “Ah, artistas itinerantes…”
Arqueando uma sobrancelha curiosa, o guarda também olhou para o grupo atrás de Subaru.
Flora, carregando um instrumento musical nas costas, acenou; Taritta, com sua bagagem nas costas, fez uma reverência; Kuna segurava um guarda-chuva sobre a pessoa ao lado, cujo rosto estava coberto por um véu, impedindo que qualquer um visse sua expressão.
A admiração do guarda por esse grupo tão atmosférico era perceptível.
Subaru: “――――”
Por outro lado, enquanto mantinha um sorriso amigável, Subaru estava tenso por dentro.
Ele conhecia aquele guarda. Era o mesmo que estava no portão principal quando Subaru conheceu Flop e Medium ao entrar em Guaral.
Em outras palavras, ele não poderia ser uma escolha melhor para o primeiro obstáculo.
Guarda: “Mas vir do norte deve ter sido difícil. Dizem que o território da Dama Ardente está cheio de atividade por lá. Bandos de dragões voadores estão circulando.”
Subaru: “Sim, sim, é verdade. Por isso não pudemos ficar lá por muito tempo… Por outro lado, esta é uma cidade protegida por um muro tão magnífico, então deve ser segura, não é?”
Guarda: “Bem, isso…”
Quando Subaru coqueteou, com um sorriso sutil no rosto, a expressão do guarda ficou desconfortável.
A razão para sua reação provavelmente era que ele também sabia que os soldados imperiais, cujo acampamento havia sido queimado, fugiram para a cidade. Além disso, o alvoroço causado por Subaru e seus companheiros no outro dia provavelmente deixou os soldados imperiais na cidade mais alertas e o clima tenso.
Esse devia ser o motivo da fala hesitante do guarda.
Sendo assim, não havia razão para não tirar vantagem disso.
Subaru: “…Está preocupado com algo na cidade, por acaso?”
Guarda: “…É, mais ou menos. É algo que é fácil de descobrir, mesmo que tentem esconder. Na verdade, o Exército Imperial está estacionado na cidade agora, e estão tendo problemas com as tribos ao leste. Então…”
Subaru: “Oh, céus! Isso deve ser sufocante para o povo da cidade.”
Guarda: “É mesmo.”
Parecendo exasperado, o guarda se inclinou para frente com as palavras de Subaru.
Embora fosse difícil distinguir entre os dois quando não estavam em contato, guardas e soldados tinham posições diferentes. Guardas de uma cidade pertenciam apenas àquela cidade. Soldados, por outro lado, pertenciam ao país, neste caso, o Império. Sua cadeia de comando também era fundamentalmente diferente.
O guarda à sua frente também era um membro desta cidade e tinha o dever de protegê-la.
No entanto, a situação atual era que o Exército Imperial havia tomado o Paço Municipal, e os guardas estavam sendo ordenados a fazer isso e aquilo. Os guardas não tinham motivo para serem usados como brinquedos pelos soldados imperiais.
Guarda: “Além disso, eles tomaram as tavernas da cidade para si, chamando isso de ‘patrulha noturna’. E como não pagam bem, isso não é bom para os negócios. Não aguento mais.”
Subaru: “Oh, céus, que terrível! Meu coração está com você. Entre nós, já tive minhas experiências difíceis com a arrogância dos soldados imperiais.”
Guarda: “Ah, é mesmo? Uma mulher bonita como você…?”
Depois de algumas reações concordantes, a resposta do guarda suavizou imediatamente com a aprovação profunda e alta de Subaru. Na verdade, o homem parecia ser bastante amigável, então Subaru baixou um pouco a voz e disse: “Sim”, virando a cabeça para o lado.
Vendo aquele gesto significativo, o guarda disse: “Oh, senhorita?” antes de ficar confuso.
Guarda: “Você está bem? Se não quiser falar, não precisa…”
Subaru: “Não, estou bem. É uma história antiga, muito antiga. Só que, antes, fui capturada à força pelos soldados imperiais e colocada em uma gaiola, tratada como escrava.”
Guarda: “Isso é…”
Subaru: “Eles às vezes faziam coisas como estender os pés de propósito para me fazer tropeçar e cair, e em outras vezes até me ameaçavam com lâminas…”
Guarda: “Is-isso é imperdoável…!”
O guarda cerrou os punhos com indignação justa enquanto Subaru contava seu passado com lágrimas nos olhos.
Vendo as orelhas do homem avermelhadas de fúria, Subaru murmurou suavemente: “Você é tão gentil.”
Guarda: “Não, não, não estou tentando ser legal. Qualquer um se sentiria assim no seu lugar.”
Subaru: “Então, ei, Senhor Guarda. Se sente pena de mim, por favor, me deixe entrar. Se fizer isso…”
Guarda: “Então o quê?”
Subaru: “Então vou dar uma renovada no clima desta cidade, que o Exército Imperial deixou tão sombrio.”
Sua voz era baixa, mas o entusiasmo nela era fervoroso.
Ouvindo isso, o rosto severo do guarda corou de surpresa. Seu olhar se voltou para a trupe de artistas itinerantes alinhados atrás de Subaru.
Guarda: “…Senhoritas, que tipo de artes vocês vão nos mostrar?”
Subaru: “Claro, viajamos pelo mundo e aprendemos muitas artes diferentes. Eu também gosto de cantar, tocar um pouco de música e fazer um pouco de mágica. Mas…”
Guarda: “…Gulp.”
Subaru: “A melhor parte do show é a dança da flor da trupe, a dançarina.”
Com essas palavras, Subaru apontou para uma figura no centro do grupo, protegida por um guarda-chuva. Seu rosto estava escondido por um véu, e ela era a atração principal da trupe.
Os olhos do guarda se arregalaram e ele ficou paralisado ao receber o olhar de trás do véu.
Sua garganta congelou, mesmo que nem tudo estivesse exposto.
Guarda: “――――”
Era natural ficar cego e incapaz de se mover.
Era uma obra-prima que até Subaru ficaria frustrado. “A beleza pode ser criada”, ele havia dito com ousadia, mas a verdadeira beleza era uma criação divina.
Afinal, a beleza de Subaru não passava de um retoque em comparação com aquela.
No entanto, mesmo esse pequeno passo era suficiente para aprimorar ainda mais sua beleza diabólica.
Subaru: “Além da dançarina, também cantaremos e tocaremos música para vocês. Esperamos que nos permitam ficar em Guaral.”
Guarda: “――――”
Subaru: “Guarda-sama?”
Guarda: “…Ah, aah, isso mesmo. Não vejo nada suspeito entre seus pertences…”
O guarda murmurou para si mesmo, voltando a si depois de ser beliscado no ombro. Ele então colocou a mão no peito e olhou ao redor do grupo, respirando suavemente para verificar as batidas do coração.
E, tanto quanto possível, evitando conscientemente o olhar para não ficar hipnotizado por aquela visão demoníaca.
Guarda: “Vocês podem entrar. Se forem se apresentar em algum lugar, é melhor ficar longe do portão principal. A rua principal no meio da cidade é um bom lugar para começar. O Paço Municipal está muito cheio de soldados para ser uma opção viável.”
Subaru: “Bem, isso é muito gentil da sua parte… Quando o Senhor Guarda estará disponível?”
Guarda: “Ah, eu? Meu turno termina logo antes do jantar, ao anoitecer, e então vou comer…”
Subaru: “Então, por favor, me diga onde fica esse restaurante. Tenho certeza de que, se trouxer alguns de seus colegas, poderemos agradecê-los pela hospitalidade conosco.”
Ele se inclinou gentilmente e sussurrou isso no ouvido do guarda.
Quando o guarda levantou os olhos surpreso, Subaru sorriu para ele e se afastou. Então, virando-se para seus companheiros de trupe, que esperavam impacientes no ponto de verificação,
Subaru: “Certo, pessoal, vamos lá. Vamos clarear o clima desta cidade como um presente.”
Com isso, Subaru liderou as pessoas que haviam parado e passou pelo guarda.
Com o guarda segurando as orelhas e olhando admirado, Subaru e os outros caminharam orgulhosamente e sem obstáculos pelo portão principal, entrando na cidade.
Observando-os irem, o guarda exalou calmamente――,
Guarda: “…Vamos tentar terminar o trabalho o mais rápido possível hoje.”
Ele deixou isso escapar.
Flop: “Bem, isso foi lindo, Marido-san! Estou começando a pensar que talvez você tenha mais talento como comerciante do que eu!”
Alguns momentos depois de passar pelo portão principal com sua bagagem, Flop, também conhecido como Flora, elogiou o comportamento de Subaru no ponto de verificação com um brilho nos olhos.
Não havia mentira em suas palavras abertas, e Subaru acenou alegremente.
Subaru: “Sim! Fico honrado com seu elogio. Mas não sou um comerciante de forma alguma. Tenho meus próprios negócios para cuidar.”
Flop: “Coisas que precisa fazer? Como o quê?”
Subaru: “Claro, não é sobre ser uma dama… é sobre ajudar as pessoas importantes para mim.”
Flop: “――――”
Os olhos de Flop se arregalaram levemente ao ouvir as palavras de Subaru. No entanto, ele rapidamente relaxou o olhar e acenou: “Bem, sim”.
Flop: “Então precisamos fazer este plano funcionar e tranquilizar Esposa-san o mais rápido possível.”
Subaru: “E Flora, não queremos deixar Medium-san ansiosa, não é?”
Flop: “Hahahaha! Minha irmã nunca ficaria preocupada. Minha irmã é uma garota muito forte, tanto fisicamente quanto mentalmente. Não consigo imaginá-la se sentindo para baixo!”
Subaru concordou com Flop, que sorriu alegremente, embora de maneira pouco feminina.
Como Flop, ele também não conseguia imaginar Medium se sentindo para baixo. Os dois irmãos devem ter se ajudado em muitos momentos difíceis.
Por isso, Subaru tinha a responsabilidade de ajudar as duas pessoas que ele havia envolvido.
Subaru: “Está ficando cada vez mais difícil estragar tudo, não é?”
???: “Espere, por favor, espere, Subaru… Não, Natsumi.”
Subaru se preparou ao ouvir uma voz fraca vindo de trás.
Ele olhou para trás e viu que era Taritta, que carregava a bagagem do grupo. Ela estava diferente do habitual, pois, depois de deixar a selva, Taritta havia mudado sua maquiagem.
Em vez da vestimenta amazônica dos Surdrakianos, ela usava roupas mais fluidas, e sua imagem agora era a de uma dançarina étnica exótica.
Na verdade, era menos revelador do que seu traje habitual, mas, enquanto Taritta olhava ao redor, suas bochechas ficaram vermelhas de vergonha,
Taritta: “Ei, isso não chama muita atenção? Há algo estranho em mim e na Kuna…”
Kuna: “Não me envolva nisso, por favor. Se tá falando de algo estranho, não há ninguém mais estranha do que Natsumi. O que foi aquilo no ponto de verificação? Você é boa demais com homens.”
Ao lado de Taritta, Kuna cutucou Subaru com sua habitual intensidade baixa.
Depois dessas palavras, Subaru colocou a mão no rosto com um “Oh, céus”,
Subaru: “Não é a primeira vez que lido com um cavalheiro. E não se preocupe, Taritta-san. Não é que você ou Kuna se destacam. Somos todos nós que nos destacamos… Porque somos lindas.”
Flop: “Porque somos lindas!”
Concordando profundamente, Flop e Subaru acenaram juntos.
Em resposta, Taritta olhou incrédula e murmurou: “Lin… das…”
Taritta: “S-Se for usar palavras assim, então as dê para a minha irmã…”
Flop: “O que está dizendo, Senhorita Taritta? Seu charme e o de sua irmã são duas coisas muito diferentes. Em primeiro lugar, de forma alguma estou desconsiderando minha admiração pela Mizelda-sama quando elogio você. Ela é um caso à parte, e vocês duas estão em categorias totalmente diferentes!”
Taritta: “――Hk!”
Num instante, Flop pegou a mão de Taritta e disse isso com um sorriso radiante.
Os olhos de Taritta se arregalaram com o vigor disso, e sua boca se abriu lentamente e depois se fechou rapidamente. Enquanto o rubor em suas bochechas aumentava, Subaru colocou a mão sobre a boca e soltou um “Oh, céus”.
Kuna: “Dê um tempo. Taritta é particularmente apegada à Chefe e quase nunca saiu da floresta. Por isso, ela não é muito tolerante.”
Subaru: “Bem, ela está sorrindo. Mas você está calma, certo?”
Kuna: “Tenho saído mais vezes da floresta do que deveria, e nunca tive uma irmã tão incrível e imponente… Tenho uma irmã mais nova que é bem complicada.”
No fundo da mente fechada de Kuna, a pessoa em questão provavelmente era Holly.
Elas eram como irmãs, como melhores amigas, como mãe e filha. No entanto, as palavras de Taritta não podiam ser ignoradas.
???: “――――”
Ao redor, a atenção estava claramente voltada para Subaru, que desfilava pelas ruas vestido de mulher, passando pelo posto de controle.
Além da vestimenta incomum, a cidade inteira estava em alerta, com os soldados imperiais em estado de atenção máxima. Naturalmente, os cidadãos estavam desconfiados de estranhos.
Se fosse assim, então――,
Abel: “――É uma oportunidade.”
Subaru: “Só para olhares curiosos, não é?”
Sob o guarda-sol, um olhar afiado perfurou o perfil de Subaru a partir das sombras do véu.
Cutucado para parar de falar bobagens, Subaru respondeu com um “Sim” sedutor. No entanto, ele concordava com a dançarina de que aquela era uma boa oportunidade.
Portanto――,
Subaru: “Vamos seguir o conselho dos guardas e fazer nossa estreia na rua principal!”
Flop: “Tudo bem, senh… Não, senhorita Natsumi!”
Flop acompanhou Subaru, que decidiu começar a performance com tudo, ali mesmo.
Eles tiraram parte de suas roupas, expondo ombros, barrigas e costas. Em seguida, saíram, cada um segurando um instrumento nas mãos, posicionados nas laterais da rua principal.
E então――,
Subaru: “Venham, venham dar uma olhada! Agora, vou lhes mostrar uma canção e dança que foi transmitida através do tempo e do mundo, vinda de além da Grande Cachoeira do extremo Oriente! Esta é uma trupe viajante que chegou à cidade hoje para se apresentar!”
Subaru entoou uma frase promocional em voz alta, e então Flop, que recebeu o contato visual, começou a tocar a liúlira, um instrumento de cordas que segurava em suas mãos.
Os sons leves se combinaram para formar uma música, que atraiu ainda mais a atenção das pessoas que a ouviam.
???: “Oh, o que tá rolando?”
???: “Dizem que são artistas viajantes! Música, música!”
???: “Uau, que belezuras…”
As pessoas que caminhavam pela rua, atraídas pelas palavras de Subaru e pela música de Flop, pararam ou espiaram de dentro dos prédios, tendo sua atenção capturada pela trupe.
Subaru e Flop estavam nos instrumentos principais, enquanto Taritta e Kuna os acompanhavam com instrumentos de percussão mais simples, como castanholas.
Subaru estava grato o suficiente por Flop ser mais habilidoso do que esperava, então não tinha preocupações com a música. Mais importante, as chances de vitória eram de cerca de cinquenta por cento.
Subaru: “A partir de agora, vamos cantar e dançar uma história de um mundo diferente, muito, muito distante! É uma história de pessoas, dragões, demônios e seres estranhos que não podem ser expressos em palavras. Por favor, todos, relaxem e aproveitem à vontade!”
Com um sorriso no rosto e um tom de voz animado, a expectativa aumentou enquanto a performance de Flop com Subaru atingia seu primeiro clímax.
Todos estavam encantados com a performance e a beleza dos músicos, mas o verdadeiro espetáculo estava prestes a começar.
E justamente quando a música atingia seu ápice――,
???: “――――”
Uma dançarina de cabelos negros removeu lentamente a seda fina que vestia e entrou na rua.
Ao levantar o véu com uma mão e revelar seu rosto, as pessoas que ouviam a música voltaram seus olhares para ele, enquanto uma sensação de choque, como um soco no estômago, as permeava.
Sim, era isso. Ele queria essa reação, aquele olhar, e ainda assim, estava irritado.
Subaru: “É tão frustrante.”
Enquanto tocava seu instrumento, Subaru expressava sua frustração interior por ter sido superado.
No fundo do coração, ele se sentia derrotado. Mas deveria ser bom ser superado por algo de tão alto nível. Mas isso era mentira. Um sentimento de derrota era, no fim das contas, um sentimento de derrota, e era frustrante.
No entanto, essa calmaria logo antes de tudo virar um frenesi era a chave para o plano.
Então, no máximo, eles poderiam encantar as pessoas de Guaral com essa dança.
Subaru: “Agora, é sua vez, Bianca――!”
Abel: “――――”
Depois de olhar para Subaru com um rosto corado, Abel, também conhecido como Bianca, levantou lentamente o braço.
Um movimento fluido, de apenas levantar um braço. Apesar disso, seus gestos tinham uma elegância que emanava de seu ser mais profundo. Ela se fundia ao ar e instantaneamente dominava a rua principal.
Uma dança fluida, bela e solene começou.
A dança que acompanhava a música era algo que Abel havia originalmente dominado, mas com o toque de Subaru, provavelmente era nova para todos.
No entanto, dispensava até mesmo a necessidade de manipulação ou truques baratos.
Com as alterações de Subaru, o que era uma dança sólida agora era muito superior.
Público: “――――”
O público esqueceu de respirar enquanto seus olhos estavam hipnotizados pela bela dança. Era um grito de beleza que apelava para seus instintos, dizendo-lhes para não desviarem o olhar nem por um momento. Para ser franco, era isso que os olhos foram feitos para contemplar.
A dança de Abel era arrogante e pomposa, confrontando o público com tais pensamentos.
――Ela dizia: “Olhe para mim”.
A visão da multidão mesmerizada e atordoada era assustadora para Subaru, mesmo que ele tivesse sido o idealizador daquilo.
Se houvesse um ladrão ali, as pessoas ao redor teriam seus bolsos revistados abertamente e nem perceberiam se alguém levasse suas carteiras. ――Não, essa suposição não era válida, pois até mesmo um ladrão não conseguiria desviar os olhos da dança de Abel.
???: “――――”
Foi apenas uma música e dança, durando menos de cinco minutos. Os artistas estavam concentrados em não cometer erros, mas Subaru se perguntava se alguém teria notado se eles tivessem errado. Para ser honesto, Subaru duvidava que notassem.
Quando a performance terminou, os calcanhares e dedos de Abel tocaram o chão.
Vendo essa postura, o público finalmente percebeu que a dança já havia acabado e Abel estava apenas parado ali.
Imediatamente, a rua principal foi tomada por aplausos e gritos de aprovação.
Exatamente como Subaru esperava, exatamente como ele planejara, foi uma resposta estrondosa.
No entanto, ao contrário de Flop, que segurava seu instrumento e respondia aos aplausos, Subaru sorria para a multidão com sentimentos mistos.
De qualquer forma――,
Abel: “――Hmm.”
Ele não tinha ideia do que dizer para Abel, que sorriu triunfante para ele.
A reputação do grupo na Cidade Fortaleza de Guaral havia sido solidificada pelo grande sucesso de sua primeira apresentação.
O espetáculo improvisado na avenida principal havia superado todas as expectativas, e as atividades da trupe se tornaram muito mais fáceis desde então.
No entanto――,
Subaru: “Não se esqueçam de que só ganhamos destaque por causa da novidade que representamos. Nossa performance é algo feito às pressas… Nosso espetáculo agora é apenas uma moda passageira.”
Flop: “Entendi! Em outras palavras, precisamos aprimorar nossas habilidades constantemente, não é, Marido-kun?”
Subaru: “Isso mesmo. Por isso precisamos trabalhar incansavelmente e ficar alertas todos os dias!”
Subaru cerrava os punhos com determinação enquanto Flop, sentado ereto, assentia com um sorriso.
Apesar de sua voz animada, Flop era um excelente ouvinte, respondendo prontamente e incentivando Subaru a continuar. No entanto, Subaru sabia que o verdadeiro destinatário de suas palavras não era Flop.
Subaru: “Vocês duas! Não baixem a guarda.”
Taritta: “Ah, fomos pegas no sermão.”
Kuna: “F-fomos mesmo…?”
Quando Subaru apontou para elas, Taritta e Kuna expressaram descontentamento imediato.
No interior da pousada, ambas haviam deixado de lado as roupas formais usadas nas apresentações e voltado ao estilo Surdrakiano, que mais parecia uma vestimenta íntima. Enquanto atuavam como parte da trupe, vestiam-se adequadamente, mas, assim que estavam no refúgio da pousada, relaxavam.
Subaru: “Vocês estão relaxando demais.”
Taritta: “Não digo que não estamos, mas… e quanto a ela?”
Subaru: “O que você quer dizer? Na verdade, do que você está falando? Sabe, acho essas conversas sem um assunto claro bem irritantes.”
Taritta: “Natsumi. Por que continuar fingindo ser algo que não é, mesmo sem ninguém olhando? É realmente necessário?”
Subaru: “Fingir ser algo que não sou…?”
Confuso, Subaru respondeu com outra pergunta, e Taritta e Kuna ficaram espantadas.
Naturalmente, Subaru riu e disse: “É só uma brincadeira.”
Subaru: “Ainda assim, não posso aceitar essa ideia. Sabe por quê? ‘os detalhes fazem toda a diferença’, como dizem, e são os detalhes aparentemente inúteis que tornam a situação crível. É exatamente por isso que é essencial…”
Flop: “Não negligenciar os detalhes fora do palco, certo? Mhmmhm, como esperado, Marido-kun… Não, Senhorita Natsumi! Estou aprendendo muito!”
Flop, sempre um aluno dedicado, deu uma resposta digna de nota. Mas mesmo assim, Subaru não conseguia fazer ele abandonar o hábito de usar “Boku” como pronome pessoal, algo que Kuna claramente desaprovava.
――Naquele momento, Subaru e sua trupe de artistas viajantes estavam hospedados em uma pousada em Guaral.
Já se passavam três dias desde o início de sua infiltração, período no qual haviam realizado dez apresentações e recebido uma resposta extremamente positiva.
Apesar de não precisarem de dinheiro, graças à venda do chifre de Elgina, cada show continuava trazendo uma boa renda. Um empreendimento muito lucrativo.
Subaru: “Acho que está na hora de avançar para a próxima fase.”
Colocando o dedo no queixo, Subaru ansiava por mudanças no cenário aparentemente perfeito.
A verdade era que a situação estava boa demais para ser verdade. Cada apresentação era um sucesso estrondoso, e os cidadãos, incluindo os guardas, demonstravam enorme interesse.
Isso se devia à perfeição da dança de Bianca, combinada com as habilidades de comunicação de Natsumi e Flora.
Inicialmente, Subaru e Flop assumiram a tarefa de coletar informações, já que Abel, ou melhor, Bianca, não conseguia falar com uma voz feminina convincente.
Subaru: “É estranho como ninguém desconfia da Flora, né? Ela nem mudou a voz.”
Flop: “Haha, eu não tenho habilidades especiais como a Senhorita Natsumi. Mas viajei por tanto tempo com minha irmã que talvez tenha absorvido alguns hábitos dela. Talvez seja isso que me dá essa aura feminina.”
Subaru: “Então é influência da Medium…”
Enquanto Flop teorizava animadamente, Subaru lembrava-se de Medium, cuja aparência e expressões sempre mudavam entre adorável e encantadora. Mas atribuir sua influência ao desempenho perfeito de Flora era algo debatível.
Abel: “――Vocês têm tempo a perder, não é?”
A voz fria de Abel interrompeu a conversa.
Sentado perto da janela, sem a peruca, Abel parecia mais cansado do que queria admitir. Embora mantivesse a postura firme, a tensão de estarem atrás das linhas inimigas era evidente.
Subaru sabia que o cansaço físico e mental em situações como essa era inevitável. Mesmo assim, ele próprio se mantinha focado para evitar qualquer descuido.
Subaru: “Bianca, por que você não descansa? Desde que chegamos, não vi você dormir.”
Flop: “Que coisa engraçada, Senhorita Natsumi. É impossível que… huh? Agora que você falou, também não me lembro de ver a Bianca dormindo.”
Flop tentou rir do comentário de Subaru, mas ficou sério ao perceber a verdade por trás daquilo. Abel, por sua vez, ignorou Flop e soltou um suspiro de desdém, mantendo-se inabalável.
A cautela de Abel era constante, sua guarda nunca abaixava, mesmo com Subaru e os outros. Subaru compreendia que, para um homem em sua posição, abrir-se para os outros não era algo fácil.
No entanto, o fato de ele não demonstrar nem o menor sinal de relaxamento, nem mesmo com os companheiros que compartilhavam daquela missão arriscada, era exaustivo. Era como se Abel se recusasse a piscar os dois olhos ao mesmo tempo, temendo que isso pudesse deixá-lo vulnerável — ainda que ninguém ali tivesse intenção de aproveitar-se disso.
Subaru: “Essa forma de viver não é cansativa?”
Abel: “—Você é mesmo a pessoa certa pra me dizer isso?”
Abel lançou um olhar frio para Subaru, que havia expressado seus pensamentos sinceros. Subaru piscou, confuso com a resposta. Era inegável que a forma de viver de Abel era sufocante, mas a de Subaru não parecia ser tanto assim.
Abel: “É especialmente patético que você não perceba isso, mas vou relevar. Continue fazendo o seu melhor.”
Subaru: “Nem precisava dizer, vou continuar vivendo. Quanto a você…”
Abel: “Fechar os dois olhos é entregar o direito à vida e à morte ao outro. Não me considero tão insignificante a ponto de permitir isso, nem por um momento.”
Subaru: “――――”
Abel: “Não perca sua tensão, tenho certeza de que já experimentou isso antes.”
Essas palavras cortaram qualquer resposta que Subaru pudesse formular. Ele encarou o perfil de Abel com um sentimento amargo, mas o outro já não lhe dava mais atenção. Abel, sem a peruca e as joias, vestia roupas femininas no alojamento para poder assumir a identidade de Bianca a qualquer momento. Essa era a justificativa para ele parecer tão à vontade, mesmo em uma situação precária.
Enquanto Subaru refletia sobre a postura inflexível de Abel, o silêncio foi rompido.
Abel: “――Há movimento.”
Subaru: “O quê?”
Abel murmurou, levantando-se rapidamente e indo até sua cama. Antes que Subaru pudesse reagir, Abel já havia colocado a peruca, como se antecipasse o que estava por vir. E a resposta veio logo em seguida.
Passos pesados ecoaram do andar inferior, e a porta do quarto foi aberta abruptamente.
???: “Então, é aqui que o grupo de viajantes está. Abram, é um mensageiro da prefeitura!”
Subaru: “Ah, s-só um minuto, senhor!”
???: “Haha, nem pense nisso. Somos soldados.”
Uma voz rouca zombou da tentativa desesperada de Subaru. A porta foi escancarada, e um homem com uniforme vermelho e preto entrou no quarto sem cerimônia. Ele carregava duas espadas nas costas e exibia um sorriso sádico. Subaru o reconheceu imediatamente — Era Jamal.
Subaru: “――Hk.”
Jamal: “Não precisa ficar tão assustada, não vou te devorar.”
Jamal abriu um sorriso sinistro, exibindo os dentes enquanto olhava ao redor. Seu olhar fixou-se em Taritta e nas outras mulheres que estavam distraídas, ainda em roupas de dormir. Atrás dele, outros quatro soldados acompanhavam, mas nenhum parecia disposto a desafiá-lo. Jamal era claramente o líder, com uma atitude brutal que mantinha os outros em silêncio.
Jamal: “Ah, temos umas mulheres bonitas por aqui. Quando ouvi aqueles burocratas falando, achei que era exagero…”
Subaru: “Soldado-sama, como podemos ajudar…?”
Jamal: “――Eu tô falando agora, mulher.”
Antes que Subaru pudesse continuar, Jamal agarrou seu pescoço. O toque não tinha intenção de ferir, mas serviu para calá-lo. Mesmo assim, a agilidade do movimento e a força na mão de Jamal demonstravam a diferença gritante entre eles.
Apesar da aparência rude, Jamal era habilidoso, talvez o mais competente que Subaru havia visto no Império até então.
Jamal: “Seus olhos desafiadores são bem interessantes. Eu gosto disso.”
Subaru: “Ah, fico lisonjeada… Kh.”
Jamal: “Também gosto do fato de você não falar muito. Que tal me acompanhar esta noite pro meu quarto e…”
Jamal aproximou-se de Subaru, com os olhos cheios de lascívia. Apesar da proximidade, ele não parecia ter percebido a verdadeira identidade de Subaru. Isso era um alívio, embora a situação ainda fosse desconfortável.
De repente, uma rajada de vento invadiu o quarto.
Subaru: “――Oh.”
Uma brisa inesperada fez os cabelos pretos de Subaru voarem, tocando de leve o rosto de Jamal. O soldado franziu o cenho, desviando o olhar para a janela. Lá, uma figura estava de pé, com o cabelo preto preso sob uma peruca, em uma pose descontraída.
Era a dançarina de cabelos negros que havia causado alvoroço em Guaral. Ao vê-la, Jamal assobiou.
Jamal: “Haha, então essa é a dançarina de quem tanto falam. Não é à toa.”
Abel: “Hmph.”
Jamal soltou Subaru, atraído pela presença de Abel. Aproximou-se, pegou-o pelo braço e o puxou para encará-lo de frente.
Subaru percebeu que a situação era um jogo de aparências e controle. Jamal, segurando o rosto de Abel com total desprezo pela verdadeira identidade do “Bianca”, exibia um sorriso grosseiro, completamente alheio ao fato de que estava lidando com o próprio imperador disfarçado. Era o ápice da ironia: um soldado raso, tão envolto em sua arrogância, tratando o monarca como uma simples dançarina.
Jamal: “Você é uma mulher forte, diferente daquela ali. Mas isso também tem seu charme.”
Abel, com o queixo firme, sustentava o olhar direto de Jamal, sem se abalar. Era como se a frieza do imperador o blindasse contra a vulgaridade do soldado, enquanto Subaru observava com os nervos à flor da pele.
Então, Jamal virou-se para o grupo e anunciou:
Jamal: “Regozijem-se, artistas itinerantes! Estou aqui para convidá-los a um banquete no prédio da prefeitura. Zikr Osman, o General de Segunda Classe, exige sua presença.”
Subaru: “Zikr Osman, o General de Segunda Classe…!”
Jamal: “Ah, não é uma honra? Para um artista viajante ser convidado por um General de Segunda Classe do Império.”
――Subaru cerrou os punhos inconscientemente, como se dissesse “É agora”.
As palavras pomposas de Jamal superaram a falta de respeito da cena e enviaram uma onda de surpresa e alegria através de Subaru.
Zikr Osman, General de Segunda Classe! Parecia que eles haviam fisgado exatamente o peixe que estavam tentando capturar.
Jamal: “Não há como vocês, artistas viajantes, recusarem, certo?”
Subaru: “Isso…”
Subaru mal conseguiu esconder o choque. Aquilo era exatamente o que esperavam: um convite direto ao coração da administração imperial. Flop, no entanto, respondeu sem hesitar:
Flop: “É claro que não recusaremos! Nossa intenção sempre foi trazer música e dança aos soldados do Império!”
Jamal: “Boa resposta! Gostei disso.”
Com a mesma grosseria de antes, Jamal soltou o rosto de Abel e caminhou até a porta, mas deixou claro:
Jamal: “Preparem-se. Estou levando vocês à prefeitura pessoalmente.”
Subaru: “O quê? Se você nos convidou, gostaríamos de ir mais tar…”
Jamal: “Hahaha, não se preocupe com isso. Nos disseram para trazê-los. Isso também é nosso trabalho. Vocês podem se trocar agora. Vou mandar meus homens carregarem seus pertences.”
Subaru: “――――”
Jamal: “É um banquete exclusivo para Generais esta noite. Nós, meros soldados, só podemos esperar por mais depois de amanhã. Então…”
Sem intenção de deixá-los ir, o olhar vulgar de Jamal assediava todos no quarto.
Aparentemente, eles não podiam estragar o bom humor dele. Felizmente, Subaru, Abel e Flop estavam todos pelo menos vestidos como mulheres.
Taritta e Kuna, que corriam mais risco, eram claramente mulheres, então não havia necessidade de se preocupar que a falta de preparo delas atrapalhasse a missão. Dito isso――,
Jamal: “Vá com calma.”
Mas a humilhação de ter que arrumar o quarto enquanto eles os observavam trocar de roupa e arrumar as malas sem cerimônia era difícil de ignorar. No entanto――,
Flop: “Entendido! Vamos, pessoal, vamos nos preparar! Não queremos fazer os soldados esperarem! Vamos fazer isso direito!”
Subaru: “Flora…”
Flop: “Isso é tão diferente de você, senhorita Natsumi! Nem sangue nem lágrimas combinam com você.”
Subaru: “――――”
Sua raiva fervente desapareceu com as palavras de Flop, que então sorriu para ele.
As palavras que ele se esforçou para adicionar no final foram tomadas como um desafio para lembrar Subaru do propósito do Cerco sem Sangue.
Subaru: “――. Sim, você está certa. Aqui, você e Bianca se preparem! Especialmente porque Bianca é uma inútil que não sabe fazer nada além de dançar!”
Abel: “――――”
Aproveitando a incapacidade de Abel de falar, Subaru deu uma avaliação cortante de Bianca. O olhar de Abel o perfurou, mas Subaru ignorou.
Ele rapidamente arrumou as malas no quarto, trocou de roupa para ir à Prefeitura e se forçou a se comportar como Jamal desejava.
No máximo, ele podia apenas assobiar e se divertir vendo eles se trocarem.
Subaru tinha certeza de que o maior choque e arrependimento da vida de Jamal estaria esperando por ele no momento em que a operação seguisse conforme o planejado.
Essa era a razão pela qual――,
Flop: “Não! Eu não acho que você precise ir tão longe a ponto de balançar a bunda, senhorita Natsumi!”
O interior do prédio da prefeitura não tinha nenhum vestígio de equipamentos militares, algo evidente até para quem não tinha um olhar treinado.
Era natural, afinal, o edifício era usado para a administração da cidade em tempos de paz. No entanto, com mais de trezentos soldados imperiais na cidade – um número que ultrapassava quinhentos ao incluir os guardas – a força defensiva disponível era mais do que suficiente.
Mais importante do que isso, porém, era o progresso da operação.
Subaru: “Conseguimos nos infiltrar no coração deles, mas…”
Enquanto observava o mapa mental que havia traçado, Subaru não conseguiu conter um sorriso.
A Operação “Kumaso Takeru” estava avançando de maneira surpreendentemente tranquila.
O plano de atrair a atenção do general conhecido como “Mulherengo”, usando as belas artistas viajantes como isca, parecia estar funcionando. Ser convidados diretamente para o banquete era o passo necessário para que pudessem alcançar seu objetivo.
Mas havia um problema.
Subaru: “Vamos precisar executar a operação ainda esta noite…”
Eles não tiveram a oportunidade de informar Mizelda e o restante da segunda equipe sobre os desenvolvimentos. Jamal, com sua perversidade característica, havia restringido qualquer contato externo desde que os escoltou da hospedaria até a prefeitura.
Embora sua intuição deixasse a desejar, Jamal compensava isso com habilidades práticas, tornando-o uma presença problemática.
Mesmo dentro da prefeitura, os movimentos de Subaru e sua equipe estavam limitados. Eles não podiam se separar por nenhum motivo, o que significava que a comunicação com a outra equipe ainda não tinha acontecido.
Subaru: “Precisamos encontrar uma maneira de entrar em contato com o mundo exterior daqui de dentro.”
O risco de falha era real, mas, caso a operação fosse bem-sucedida, seria essencial desarmar os soldados imperiais espalhados pela cidade. Para isso, seria necessário contar com a força da segunda equipe.
Sem contato com o lado de fora, a chance de fracasso aumentava drasticamente.
Subaru: “Não sei o que ela está pensando, mas Bianca é completamente imprevisível…”
Desde que chegaram à prefeitura e foram isolados na sala de espera, Abel, sob o disfarce de Bianca, manteve-se em silêncio. Ele parecia entender a gravidade da situação, mas ignorava os conselhos de Subaru.
Flop, por outro lado, era um grande aliado. Sua atitude otimista e disposição para ajudar eram reconfortantes, mas Subaru sabia que envolver Flop demais na operação poderia colocá-lo em perigo desnecessário.
Resumindo, Subaru sentia que o peso da responsabilidade estava todo sobre ele.
Subaru: “Vou ter que dar um jeito nisso sozinho.”
Com os punhos cerrados, Subaru tentou reunir coragem enquanto estava no banheiro – o único lugar onde podia ter um momento de privacidade.
Embora fossem proibidos de deixar a sala de espera, ninguém poderia negar o uso do banheiro. No entanto, qualquer movimento suspeito poderia desencadear uma reação imediata dos soldados imperiais, que inundariam o prédio em questão de minutos.
Subaru lançou um olhar para as janelas. Infelizmente, elas tinham grades de ferro e, para piorar, a sala ficava no terceiro andar da prefeitura.
Subaru não achava que os soldados estavam particularmente atentos a ele e aos outros. No entanto, a ideia de deixá-los completamente sem guarda estava fora de questão. Talvez isso fosse uma manifestação do imperialismo.
No pior cenário possível, a ideia de reconsiderar a decisão de seguir com a operação durante o banquete daquela noite passou pela mente de Subaru.
Subaru: “Mesmo que conseguíssemos evitar o banquete, não conseguiríamos escapar do convite depois.”
Eles eram uma trupe de artistas itinerantes acompanhados de mulheres belas.
Quando se tratava de derrubar o tal Mulherengo, era fácil imaginar que o objetivo fosse danças, performances e, claro, a diversão noturna que normalmente os acompanhava.
Mesmo que conseguisse evitar os avanços dos cidadãos, seria difícil recusar as investidas de um Soldado Imperial, ainda mais um General. E o que poderia fazer caso o levassem para o quarto?
No fim, aquilo ainda era só um disfarce, e não havia um manual universal sobre o que fazer a partir daí.
Subaru: “Se isso acontecer, é game over com um final ruim.”
Portanto, ele precisava resolver tudo naquela noite, custasse o que custasse.
Além disso, mesmo que, por algum milagre, conseguissem evitar o convite daquela noite, se as palavras de Jamal fossem verdadeiras, haveria outro banquete no dia seguinte, dessa vez com soldados comuns, e não generais.
Soldados comuns – o que, claro, incluía aquele que Subaru menos queria encontrar.
Subaru: “――――”
Para ser sincero, quando Jamal entrou na hospedaria, Subaru achou que seu coração fosse parar.
Ficou aliviado por Jamal não ter reconhecido Natsumi como Subaru, mas isso não apagava o perigo que ainda pairava no ar – ainda havia a chance de ele ter sido morto por aquela flecha.
Subaru: “Não quero ser otimista demais, mas também não posso pedir tanto, né?”
Era uma mente cheia de dilemas.
Ele não queria vê-lo de novo, mas também não desejava que ele estivesse morto. Era complicado.
Subaru sabia que havia males neste mundo que não podiam continuar a existir. Os Arcebispos do Pecado eram um deles, representando pecados imperdoáveis.
Se fosse um deles, Subaru não hesitaria em desejar sua morte. Mas aquele homem não era um mal absoluto; ele era apenas o foco dos medos de Subaru, não um ser maligno.
Em primeiro lugar, se ele colocasse as coisas dessa forma, o que dizer de Rui, um dos arcebispos do pecado, que ele continuou a ignorar sem pensar duas vezes?
Subaru: “――. Não adianta. Preciso focar no plano que está diante de mim.”
Era ridículo se perder em preocupações sobre sua fundação desmoronando agora.
Na verdade, não era só sua fundação que estava em ruínas. Embora estivesse usando maquiagem, seu corpo e mente estavam dilacerados de todas as formas.
Subaru sabia usar até o mínimo que tinha nas mãos, e era isso o que o tornava especial.
Subaru: “Não posso ficar aqui por muito mais tempo, posso?”
Após uma busca minuciosa no banheiro, ele concluiu que, infelizmente, não havia nada útil por ali. Precisava pensar em outros métodos de contato com o mundo exterior.
Além disso, havia um guarda esperando do lado de fora do banheiro, os vigias que impediam qualquer movimento dentro da Prefeitura, e Subaru realmente não queria levantar suspeitas.
Talvez fosse necessário repensar o plano. Se a situação ficasse ainda mais tensa, Abel talvez entendesse esse ponto de vista.
Subaru: “Desculpe pelo atraso. Estava um pouco nervosa.”
Guarda: “Hmm, ah, não se preocupe. Acabei de encontrar alguém com quem conversar.”
Subaru: “Alguém com quem conversar?”
Assim que Subaru saiu silenciosamente do banheiro, o soldado de plantão que o aguardava respondeu. Ele parecia estar conversando com alguém que passava, e essa pessoa, inclinando o queixo, olhou para Subaru e disse:
???: “Ah, então você é a dançarina convidada para o entretenimento desta noite.”
O coração de Subaru congelou ao ver um rosto que ele definitivamente não queria encontrar.
Subaru: “Ah, ku…”
???: “Hm? O que foi? Parece tão assustada. Ah, vamos lá, eu não vou te devorar.”
Ao ver a garganta de Subaru tremular, o outro riu e fez uma piada.
Era uma frase que ele havia ouvido de Jamal na hospedaria há pouco tempo. Mas, ao contrário de Jamal, que a dizia com intenções maliciosas, dessa vez Subaru não podia simplesmente ignorá-la.
Ele queria perguntar se o homem realmente não queria comê-lo.
Guarda: “O que foi? Fez algo, Todd?”
Todd: “Eu? Não diga bobagens, não posso fazer nada. Meus ferimentos foram tão graves que fiquei acamado por um bom tempo. Mal consigo andar.”
Guarda: “Isso é verdade. Então, ela detestou seu rosto por instinto?”
Todd: “Isso foi bem cruel…”
O homem que coçava a cabeça e conversava amigavelmente com o guarda era Todd.
A personificação do pesadelo que fazia Subaru estremecer, e a mesma pessoa que o levava a questionar sua moralidade sobre matar alguém que não fosse um Arcebispo do Pecado. Ele estava ali, conversando casualmente bem à sua frente.
Subaru: “――Ah.”
Ele precisava dizer algo; sua mente trabalhava a toda velocidade.
O silêncio era perigoso. Ele não podia dar nem um pingo de suspeita. Todd perceberia e usaria isso como desculpa para atacar.
Todd não precisava de evidências ou provas. Se desconfiasse, tentaria esmagar a ameaça.
Por isso――
Todd: “Ei, sério, qual é o problema? Espera, nós já…”
Subaru: “Ah, desculpe… é só que…”
Todd: “Só que?”
As palavras foram repetidas calmamente, mas o coração de Subaru parecia prestes a virar do avesso.
Ele queria encerrar a conversa dizendo que apenas não se sentia bem. Porém, antes de dizer isso, se perguntou se era mesmo o certo.
Doença era uma desculpa comum, mas seria uma mentira. E Todd parecia ser o tipo de pessoa que enxergava através de mentiras.
Se Subaru tentasse usar o conhecimento adquirido pelo Retorno Através da Morte, Todd entenderia suas intenções e enfiaria uma faca nele. Mentiras seriam descobertas. Com certeza.
Ele precisava evitar mentir.
E Subaru realmente não estava bem. Ele mal conseguia respirar naquele momento――
Subaru: “Eu estou… um pouco… bem, com medo…”
Todd: “Com medo? De mim?”
Subaru: “Não só de você. Odeio dizer isso, mas… eu fui trazida para cá um pouco à força.”
Ele desviou o olhar e tentou evitar encarar Todd diretamente.
Cada movimento fazia as dúvidas girarem na mente de Subaru, enquanto ele tentava perceber se havia sido convincente ou não. Sentia que, se olhasse nos olhos dele, seria descoberto. Sentia que, se mentisse, a mentira seria desmascarada.
Mas ele não estava mentindo. Ele estava, de fato, com medo de Todd. Isso era um fato inegável.
Ao ouvir a resposta desesperada de Subaru, Todd fechou um dos olhos.
Todd: “Quando ela diz que foi trazida à força, quem foi que a trouxe?”
Guarda: “Uh, acredito que foi o Soldado de Primeira Classe Aurélie.”
Todd: “Ah, Jamal. Faz sentido, então. Bem, desculpe se ele te assustou.”
Subaru: “Eh…”
Todd, convencido pelo diálogo com o guarda, disse isso e se desculpou com Subaru.
Quando Subaru arregalou os olhos diante daquela atitude inesperada, Todd coçou a bochecha com os dedos.
Todd: “Eu não diria que ele é um cara mau. Jamal tem uma boca suja, uma personalidade difícil e não é muito esperto. Mas ele não é mau. Ele só… tá sendo ele mesmo.”
Subaru: “Ha, ha…”
Todd: “Se puder, será que pode ser compreensiva e perdoá-lo? Parece que ele vai ser meu cunhado. A irmã dele, um anjo que não se parece nada com ele, é minha noiva.”
As palavras de Todd, acompanhadas de um sorriso irônico, deixaram Subaru confuso.
Pelo que parecia, Todd não demonstrava desconfiança em relação às ações ou palavras de Subaru. Na verdade, ele parecia até empático, preocupado com o envolvimento de Subaru com Jamal.
Naquele momento, Subaru mal conseguia esconder sua surpresa. A habilidade que ele havia aperfeiçoado na arte de se vestir como mulher, algo que julgava inútil, de repente mostrava seu valor. Até mesmo as situações de assédio que enfrentara com Jamal estavam, de alguma forma, se provando úteis.
???: “――Ei! Todd, que diabos você está fazendo aqui fora?!”
Enquanto Subaru refletia sobre isso, um grito irritado ecoou pelo corredor.
Era Jamal, marchando com passos pesados. Assim que percebeu sua aproximação, Todd levou a mão à testa.
Todd: “Oops. Ele me achou…”
Jamal: “Eu não achei você! Um cara com um buraco no estômago devia estar descansando! Você não confia no que não vê com seus próprios olhos, né?”
Todd: “Não, não, eu confio. Confio em você. Surpreendentemente, você é diligente e faz seu trabalho direito. Mas, mesmo quando trabalham duro, idiotas continuam sendo idiotas, não é?”
Jamal: “É exatamente por isso que eu digo que você só confia no que vê…”
Jamal bufou de irritação diante da resposta de Todd, que apenas ergueu as mãos e deu de ombros.
Mas quando Jamal, ainda bufando, notou Subaru ao lado de Todd, sua expressão mudou de irritação para um sorriso.
Jamal: “Ah, você é aquela dançarina, né? De todas, você é a minha favorita. Ei, se não for chamada para hoje à noite…”
Todd: “Ah, chega, chega. Já deu.”
Jamal, com um olhar cheio de más intenções, estendeu a mão para tocar no ombro de Subaru. Mas, para a surpresa de todos, foi Todd quem interceptou o movimento.
Todd segurou o pulso de Jamal e repetiu o “Já deu”, com uma expressão sombria.
Todd: “Você está assustando ela com essa atitude. Essa garota, que eu nunca tinha visto antes, ficou apavorada de repente. E isso doeu.”
Jamal: “Eu não fiz nada. Não entendo por que está me interrompendo… Não me diga que você… com essa mulher…!?”
Todd: “Nem brinca, Jamal. Sua irmã é a única pra mim. Você sabe disso, não sabe?”
Jamal: “É estranho ouvir de um cara que minha irmã é o único amor da vida dele…”
Jamal resmungou com um olhar azedo, enquanto afastava a mão de Todd.
Ele lançou outro olhar para Subaru, mas o leve tom de constrangimento no rosto de Subaru parecia suficiente para desmotivá-lo de continuar.
Surpreendentemente, até mesmo Jamal tinha algum senso de limites. Ou talvez fosse orgulhoso demais para insistir após ver alguém claramente assustado.
De qualquer forma――
Todd: “Bem, vamos indo. Não vamos poder participar do banquete de hoje mesmo.”
Jamal: “E eu já estou cansado de tentar tapar os buracos nas defesas da cidade.”
Todd: “Não vai ser chato. Pode confiar. ――É por lá que o inimigo vai vir, com toda certeza.”
Com um sorriso irônico, as palavras afiadas de Todd fizeram o peito de Subaru se apertar.
Ele elogiou sua própria escolha em pensamento, convencido de que o uso de um caminho secreto havia sido descoberto. Depois de se parabenizar, veio o golpe final――
Todd: “Aliás, qual é o seu nome?”
Subaru: “――――”
Subaru não tinha certeza se Todd havia notado seu nervosismo.
A pergunta repentina o fez sentir que ia desmaiar.
Por que perguntar seu nome agora? Por quê, por quê? As perguntas fervilhavam em sua mente.
Será que Todd não perguntaria seu nome? ――Não, Todd perguntaria. Por isso mesmo Rem tinha sido cautelosa com ele desde o início.
Subaru não havia trocado nomes com Todd dessa vez por conta de sua má relação com ele. Agora, deveria dizer seu nome ou não? O que deveria fazer?
Todd: “Por favor, me diga.”
Com o pedido repetido, Subaru ofegou.
Resignado por não conseguir inventar uma saída, ele sorriu da forma mais natural possível e, relutantemente, disse:
Subaru: “――Natsumi Schwartz. Esse é o meu nome.”
Ele disse seu nome.
Não conseguia pensar em outra alternativa. Esperava e rezava para que fosse a escolha certa, enquanto aguardava a reação de Todd.
Ao ouvir a resposta, Todd assentiu, acariciando o queixo com um “Hmm”.
Todd: “Você ouviu, Jamal. Não está feliz por ter descoberto o nome dela agora?”
Jamal: “Cala a boca! Tô dando o fora daqui!”
Todd: “Ok, ok… Ah, posso ir com você lá fora também?”
Jamal: “Você é mesmo um cara desconfiado… Faz o que quiser!”
Todd seguiu, dando de ombros ao perceber a voz irritada de Jamal, que se afastava com o rosto vermelho de raiva.
Com isso, os dois homens desapareceram da vista de Subaru, sem nunca olharem para trás. Viraram a esquina do corredor e sumiram. Fora de vista, fora da mente.
Subaru: “…Sério?”
Guarda: “Ei, tá tudo bem? Você tá bem pálida.”
Subaru suspirou e desviou o olhar, ainda pensando se eles voltariam. O único soldado restante, que permanecia de guarda, percebeu o cansaço estampado no rosto de Subaru e demonstrou preocupação.
Subaru não teve tempo para responder, mas conseguiu se recompor e acompanhar o soldado de volta à sala de espera, onde Flop e os outros estavam à sua espera.
Flop: “Demorou, hein, senhorita Natsumi! Tá tudo bem? Você está meio pálida.”
Subaru: “Já me disseram isso… Por enquanto, a tempestade passou. Mas o problema continua.”
De volta à sala de espera, Subaru percebeu o olhar preocupado de Flop. Aproveitando o momento, ele tentou acalmar o coração e normalizar a respiração, que ainda estavam fora de controle.
Com inspirações profundas, Subaru se esforçou para ajustar as reações físicas causadas pelo estresse. Sim, ele havia escapado do turbilhão inesperado. Talvez.
Ainda que o perigo imediato estivesse contornado, eles não podiam baixar a guarda até o fim. E, pior, o grande obstáculo inicial ainda estava no caminho.
Subaru: “Precisamos encontrar um jeito de entrar em contato com o mundo exterior. Se continuarmos assim, mesmo que o plano funcione…”
Taritta: “Ah, então não se preocupe, Natsumi. A Kuna e eu deixamos um sinal que minha irmã vai entender.”
Subaru: “O quê?”
Subaru arregalou os olhos, surpreso ao ouvir que o problema que tanto o preocupava já tinha sido resolvido.
Taritta parecia um pouco desconfortável com a reação de Subaru, enquanto Kuna simplesmente dava de ombros, sem se abalar. A expressão de Subaru os questionava silenciosamente.
Taritta: “Bem… A senhorita Natsumi vai ser a isca, e eu vou dar o sinal para os outros, então faça o seu trabalho. Foi o que Bianca disse.”
Subaru: “Quê, quê, quê…?!”
Com os olhos ainda mais arregalados, Subaru lançou seu olhar para Abel, que estava no canto da sala.
Percebendo o olhar inquisitivo, Abel estreitou os olhos, sacudiu a cabeça levemente e declarou com calma:
Abel: “Em vez de lhe explicar e arriscar que suas ações se tornassem artificiais, usei você como um chamariz natural. Felizmente, parece que desempenhou sua função razoavelmente bem. Por isso, concedo-lhe meu elogio.”
Subaru: “Cala a boca! Você tem ideia do que eu tive que passar…?!”
Flop: “Calma, calma, senhorita Natsumi! Não estrague seu lindo rosto!”
Subaru: “Cala a boca!”
Ele estava prestes a explodir com a atitude arrogante de Abel, mas Flop interveio, tentando acalmá-lo.
Subaru queria socar aquele rosto demoníaco e presunçoso, mas sabia que precisava manter a calma. Afinal, todo o plano dependia daquele maldito rosto.
Subaru: “Você… Eu vou te bater quando tudo isso acabar, pode apostar…!”
Abel: “Se tem tanto tempo para pensar no que fará depois, então tenho certeza de que será capaz de desempenhar seu papel sem erros.”
Subaru: “Flora! Vamos ensaiar até a hora chegar!”
Flop: — Certo, certo, certo.
Subaru cerrou os dentes com raiva, como se dissesse “É típico de você sempre ter uma resposta para tudo o que eu digo”.
De qualquer forma, se o contato com o mundo exterior já tinha sido feito, restava apenas aguardar o momento certo.
No máximo, sim, no máximo――,
Subaru: — Vai ser terrível se o plano não funcionar.
Murmurou em resignação, mas, ao longo dos últimos dias, Subaru havia se convencido de que o plano certamente daria certo.
Era realmente frustrante, pois parecia que não havia nada no mundo que não sucumbisse ao encanto dessa dançarina arrogante… exceto, talvez, um Arcebispo do Pecado.