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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 7 – Capítulo 31

Conversa entre Conterrâneos

Tendo sido agarrado no ombro por um braço parrudo, Subaru virou-se e arregalou os olhos.
A atitude do elmo que o encarava — de Al — havia sido inesperada.

Subaru: “…”

O braço que o havia agarrado no ombro tinha também bastante força, era difícil ignorá-lo. Conseguia sentir a intenção dele: definitivamente não deixaria a automutilação de Subaru, batendo a cabeça contra a parede, continuar.

Al: “Para com isso.”

Subaru: “…Ah”

Seus olhares se cruzaram e um suspiro escapou de sua boca após as palavras de contenção terem se repetido outra vez.
Nesse mesmo instante, como se repreendido pela conduta excêntrica de até pouco tempo atrás, miserabilidade chegou a irromper das vísceras de Subaru. Quase igual a um personagem de jogo sendo forçado a correr contra a parede.
Estando inclusa até mesmo a parte de que não havia nada lhe passando pela cabeça, não eram essas as exatas circunstâncias?

Al: “E eu lá me importo se você continuar nessa e ficar idiota. Não, não consigo dizer que não me importo e te abandonar, por isso que tô te impedindo.”

Subaru: “…Perdão pelos transtornos que causei.”

Al: “Pra que a formalidade? Aliás, você tá tão sem voz que até me assustou.”

Al comentou sobre a voz do jovem estar tão rouca a ponto de tê-lo espantado, e Subaru se autodepreciou outra vez.
A si mesmo, que sofrera por inteiro os impactos de um psicológico arrasado, e à sua conduta vergonhosa em si, que havia sujeitado seu psicológico a esse estado tão irremediável.
Era de se esperar. Em todo caso, foi de ninguém menos do que Rem que Subaru havia——:

Al: “——Foi tão duro assim o que aquela moça te disse?”

Subaru: “——hk.”

Al: “Ah, tenebroso! Me olha assim não. Com um visual desses, eu tremo na base.”

O rosto de Subaru se levantou de modo similar a repulsão, já Al, como se tivesse feito graça, deu de ombros.
Al recuou ao ser encarado, mas Subaru diminuiu a distância que o outro havia recuado e voou direto no que Al dissera.

Subaru: “Então você tava ouvindo…!”

Al: “Não é que eu tava tentando bisbilhotar, belê? Meu mano, acontece que, quando eu vim te chamar, você tava bem no meio duma conversa importante. Por causa disso, pensei só que ia ser errado estorvar.”

Subaru: “…”

Al: “Mesmo que olhe desconfiado pra mim, né mentira não. Bom, depois, já que o meu mano tinha começado a andar com uma cara de que tinha acabado o mundo, fiquei preocupado e vim junto. Daí, como tinha imaginado…”

Dizendo isso, Al apontou à testa do próprio elmo.

Como tinha imaginado, o meu receio acertou na mosca — era o que estava querendo dizer. Al não o esteve observando com atenção, em vez disso, Subaru fez ele pensar dessa forma de tão evidente que era a própria desesperança.
A dor ressurgiu na testa que tinha sido batida contra a parede, a mesma região que o outro havia apontado; Subaru então baixou a cabeça, sem jeito.

Subaru: “…Rem”

Al: “Oi?”

Subaru: “E a Rem, o que que deu? Depois dela conversar comigo…”

Al: “Pera, pera, nem ferrando que foi grande demais o choque do que aquela mina te falou e você perdeu a memória. Faz um favor e me poupa. Se o meu mano tiver amnésia, perco de vez o único colega meu.”

Al respondeu à pergunta de Subaru enquanto brincava com um aparato metálico de seu elmo usando a mão que ele havia passado por volta da cabeça.
Infelizmente, o que Al temia já eram acontecimentos passados. De qualquer modo, não tinha como o equilíbrio mental de Subaru não se abalar, para ele, era algo cuja gravidade se equiparava à da amnésia.

Possivelmente vendo por meio do semblante aquilo que Subaru guardava no peito, Al prefaciou o que iria dizer com “precisa se preocupar não.”:

Al: “Até depois de ter ficado pálido, você tava respondendo ela direito. Então, acho que aquela moça não suspeita de nadica, sabe?”

Subaru: “Enten… do…”

Tendo recebido o aval de Al, Subaru sentiu um alívio sutil, um alívio mais que sutil.
Parecia que, pelo visto, ele só começou a demonstrar o péssimo estado dele depois que deixou Rem para trás. Se Subaru conseguiu manter as aparências, Rem não teria pensamentos aflitos.
Seja como for——:

Subaru: “Al, isso de agorinha… o que você quis dizer?”

Al: “Agorinha?”

Subaru: “…Aquilo de entender o meu sentimento de querer morrer ou sei lá o que.”

Colocando a mão contra a testa dolorida, Subaru perguntou o verdadeiro significado das palavras de Al.

«Entendo sim o sentimento de querer morrer. Mas, seja lá quantas vezes que você fizer isso, não vai ter fim não, é assim que a banda toca.»

Um comentário que falava do sentimento de querer morrer e de que, não importava quantas vezes fizesse algo, não haveria fim.
Sinceramente, Subaru não achou os termos assim tão incomodativos. Porém, em contrapartida, também eram palavras significativas demais para serem dirigidas a ele naquela situação.
Com o comentário parecendo sugerir que Al talvez soubesse da particularidade de Subaru, a Autoridade——:

Al: “——. Ah, aquilo?”

Subaru: “Isso. Não foi uma coisa bem… mas bem profunda de se falar? Você…”

——Sabe de alguma coisa, será?

Com isso, Subaru deu em Al uma mirada carregada de desconfiança. Mesmo que forçasse a vista e tentasse averiguar que emoções estavam ocultas no interior do elmo gelado, não conseguiria ver o semblante nem os olhos.
Desse mesmo modo, sem o semblante nem os olhos visíveis, Al bufou um pouco pelo nariz e:

Al: “Não queria falar, mas eu sou um coroa maduro, tá ligado? Já passei por uns perrengues amorosos que nem os teus, meu mano, eu tenho experiência. ——Também já me comportei de um jeito paia na frente duma gatinha.”

Subaru: “Ah…?”

Al: “Não me vem com essa de ‘ah’. Isso de bater uma vergonha enorme e ficar com vontade de morrer é um trajeto que todo homem já percorreu. Se quiser saber, mesmo na idade que tô, também piso na bola assim com uma certa frequência. Quando piso, a Princesa me olha com desprezo como se eu real fosse um inseto.”

Rindo indiscretamente, Al deu um tapinha no ombro de Subaru e repassou-lhe um ensinamento típico de um precursor.
Tendo sido alvo da atitude dele e do que estava contido nessas palavras, Subaru encarou Al fixamente para tentar determinar se o homem estava sendo falacioso ou genuíno.

Al: “Hmm? O que que foi, meu mano?”

Subaru: “…Nã, né nada não.”

No entanto, por mais que tentasse sondar no que Al estava pensando de fato, não conseguia, estava sendo impedido pelo metal negro.
Até então, dizia-se que a aparência de Al não passava de pura excentricidade; porém, após confrontá-lo e tentar sondar as verdadeiras intenções dele, Subaru foi levado a perceber que era uma proteção muito mais resiliente do que antes imaginara.
Só que, ao mesmo tempo, autoexaminou-se e viu que estava ficando nervoso demais.

Subaru: “Tem como ele estar sabendo…?”

Foi por mera coincidência que as falas de Al chamaram a atenção de Subaru.
Se Al hipoteticamente soubesse do『Retorno através da Morte』, deveria ter tentado indicar isso a Subaru de uma maneira mais simples de entender. ——A Autoridade do『Retorno através da Morte』existir era em si uma coisa perigosa.
Caso soubesse, não deixaria de fazer alguma alusão ao fato, assim como era o caso com Roswaal.
Ao mesmo tempo——:

Subaru: “——Não é como se todo mundo que foi invocado pra outro mundo recebesse algum poder.”

Não era como se ele conhecesse as circunstâncias de Al em detalhes, mas não parecia errado pensar assim.
Pois, supondo que houvesse em Al alguma espécie de poder especial, imaginava-se que ele deveria ter sido capaz de remediar a perda dele — a do braço esquerdo que lhe faltava.
Supondo, por exemplo, que Subaru perdesse um braço de modo análogo, utilizaria então a sua Autoridade e para antes de quando perdeu o braço——:

Subaru: “…Retornaria, será?”

Tendo pensado até esse ponto, Subaru encarou fixamente o braço esquerdo.
Era uma situação hipotética, mas completamente plausível. Para início de conversa, Subaru ter conseguido sobreviver até agora com o corpo inteiro intacto só ocorreu porque ele fez uso integral do『Retorno através da Morte』e o manuseou habilmente.

Nos ciclos em que perdera a vida, sofreu lesões que lhe custaram um braço ou uma perna diversas vezes.
Caso tivesse escapado com vida daquele jeito e prosseguido com sua vida cotidiana sem utilizar o『Retorno através da Morte』, quem sabe fosse viável viver desprovido de uma parte do corpo.

——Subaru havia resolvido jamais depender plenamente do『Retorno através da Morte』.

No entanto, sendo esse o caso, até que ponto iria depender dele?
Quantos dos seus braços, pernas, dedos e olhos será que perderia até que pudesse se determinar a『Depender』dele? Mais do que isso, como faria se os membros não fossem os seus, e sim os de Emilia ou de Rem?

Em Pristella, a Cidade das Comportas, Subaru não havia『Retornado através da Morte』por causa do braço perdido de Ricardo. Mesmo hoje, não『Retornou através da Morte』por causa de Mizelda, que perdera a perna.
Apesar de estar ciente de que poderia ter obtido resultados melhores caso tivesse usado a Autoridade…

Apesar de estar ciente de que conseguiria reduzir o número daqueles que perderam braços ou pernas e tiveram a jornada deles até então interrompida…

Subaru: “Eu…”

Al: “…”

Subaru: “Eu sou um hipócrita.”

Consciente de que era poderosa a Autoridade que lhe havia sido conferida, não conseguia dar um único passo em definitivo.
Natsuki Subaru era extremamente, mas extremamente impotente e egocêntrico.
Logo——:

Subaru: “A Rem também… zuah?!”

Al: “Você tá num loop negativo, meu mano.”

Rem também, ele acabou deixando ela falar aquelas palavras definitivas.
Subaru estava a meio caminho de ficar deprimido, e a sua testa foi golpeada por um forte peteleco. Com os olhos lacrimejando junto do som potente, ele olhou para Al com um “hã, hã…?”.

Al: “Uau, fez um baita som massa. Digo, acabou que eu agravei ainda mais as cabeçadas de agorinha. Não era a minha intenção, foi mal, foi mal.”

Subaru: “De boa… uma ova, mas o que é que foi isso!?”

Al: “Um peteleco. Assim, o direito de pergunta se transfere pra mim, eu que faço as perguntas.”

Al apontou o dedo do peteleco a Subaru, cuja surpresa tivera prioridade e havia postergado a dor. Com um dedo apontado ao seu focinho, Subaru recuou inconscientemente e calou-se.
Nisso, Al prosseguiu dizendo “olha só,”:

Al: “Quanto foi que as palavras daquela moça te abalaram? Que baita humilhação só dela ter te dito umas coisinhas. Você mesmo pensou assim, né não?”

Subaru: “Isso eu…”

Al: “Ficou sem saber o que fazer e se inquietou todo. Só de dizer isso aqui já dá uma vergonha, mas… eu boto expectativa no meu mano, belê?”

Subaru: “——Expectativa?”

Subaru simplesmente pasmou com as palavras que nunca imaginou que lhe seriam ditas.
Ao ver a reação de Subaru, Al disse “é isso mesmo.” enquanto assentia profundamente.

Al: “Não tá lembrado do discurso que você fez em Pristella, meu mano?”

Subaru: “Ah, sim, lembro, só que…”

Al: “Eu devo ter te falado naquela hora. Que fazer aquela transmissão lá ia acabar te fazendo carregar『Devaneios Heroicos』nas costas, meu mano.”

Tinha sido uma situação tensa, a cidade havia sido atacada por Arcebispos do Pecado, e multidões estavam em um beco sem saída.
Subaru, que não tinha conseguido dar o primeiro passo quando pediram a ele que desempenhasse um papel em meio a tudo aquilo, recordou-se das palavras que Al lhe dissera,『Devaneios Heroicos』.

Uma entidade que carregava nas próprias costas as esperanças e as expectativas de multidões e que não tinha a permissão de perder.
Disse que ele estava carregando nas costas os『Devaneios』do título de『Herói』, aquilo que todos desejavam que ele fosse.
Então, o Subaru daquela época respondeu de modo extremamente despreocupado.

——Não é como sempre foram as coisas?

Al: “Mesma coisa que aqui. Uma pessoa te nega e o que que tem? Não é como se fosse demolir o que você fez, meu mano, nem virar do avesso a tua determinação.”

Subaru “…”

Al: “Cede não, meu mano. Desce a porrada, meu mano. ——Responde às expectativas, meu mano.”

Al, que sabia das proezas de Subaru na Cidade das Comportas, deu um tapinha nas costas dele mais uma vez.
As conquistas de Subaru das quais ninguém sabia, nem Rem, que se esquecera de tudo; nem Rui, que regredira à infantilidade; nem Abel, Flop ou Medium, claro; nem os『Shudrakianos』.
Ainda que Priscilla soubesse, ele duvidava que ela fosse lembrar.

Al: “Me esqueci não. E foi mal, mas, a essa altura, você não vai largar mão, meu mano.”

Subaru: “Não vou largar mão, é…”

Al: “Você que acabou começando. Tô dizendo que você vai ficar até a morte sem conseguir arriar a fachada que tá hasteada.”

Subaru: “…”

As palavras críticas de Al fizeram Subaru prender o fôlego outra vez.
Estava ciente de que aquela transmissão feita na Cidade das Comportas tinha se alastrado não somente às pessoas daquela cidade, tomadas por angústia e medo, como também aos demais.

Ficaria até a morte sem conseguir arriar a fachada hasteada.
E, lamentavelmente, a『Morte』não iria bater à porta de Subaru.
Logo, não havia opção a não ser seguir lutando——.

Subaru: “…Para sempre.”

Uma voz escapou da boca de Subaru, que, após as palavras de Al, havia tapado o rosto com ambas as mãos e bloqueado a própria visão.
O que ecoava continuamente dentro de sua cabeça era a fala mortífera proferida por Rem. As palavras de morte absoluta estavam prestes a rasgar em pedaços o coração de Subaru e afogá-lo no sangue vertido.

«Porque você não é um herói.»

Subaru: “Esse tempo todo, eu tava contando com uma coisa que a Rem falou.”

«Porque você não é um herói.»

Subaru: “Foi pela Rem acreditar em mim que eu cheguei até aqui sem cair de joelhos. Seja no『Santuário』, seja em Pristella, seja na Torre de Vigia Plêiades, foi igual…”

«Porque você não é um herói.»

Subaru: “A Rem acordou com as memórias ‘tando perdidas e, apesar disso, fiquei feliz do mesmo jeito… estando um passo mais perto de conseguir tudo de volta, agora é a hora que eu mais tenho que aguentar firme.”

«Porque você não é um herói.»

Subaru: “Eram palavras mágicas que me davam ânimo.”

Herói, era o que Rem havia dito a ele.
Isso deteve os passos de Subaru, que tinha tentado desistir de tudo e fugir; fez com que os joelhos prestes a ceder diante da Rem adormecida não cedessem; fez com que ele enfrentasse as adversidades na mansão e no『Santuário』obstruído; fez parte dos esforços dele em prol de salvar Pristella, a Cidade das Comportas que tinha caído em mãos inimigas; chacoalhou a alma de um Natsuki Natsuki que perdera as『Memórias』e fez com que ele conquistasse a Torre de Vigia Plêiades.
Isso——:

«Já que o Subaru-kun é o herói da Rem.»

Havia chegado ao dia de hoje por causa desta fala, da fé e do apoio.
Ao ter isso confiscado dele, Natsuki Subaru——:

Al: “Nesse caso, você devia pegar de volta.”

Subaru: “——Oi?”

Ainda tapando o rosto, Subaru estava se afogando em uma escuridão que era profunda demais para ser chamada de o interior de suas pálpebras. Ele prendeu o fôlego e ergueu o rosto após o comentário feito por Al.
Subaru recuou inconscientemente, logo diante de seus olhos estava o rosto do outro. Contudo, Al desta vez avançou o mesmo tanto que havia sido recuado, como se estivesse replicando o que houvera mais cedo.
As costas do jovem atingiram de imediato a parede, não conseguiria recuar mais do que isso. Al estendeu o braço dele e interditou o escape de Subaru, como se encurralando o rapaz incapaz de recuar.
Então——:

Al: “A gente vai pegar de volta. Tanto as expectativas daquela moça quanto a autoconfiança do meu mano.”

Subaru: “As expectativas e a autoconfiança…”

Al: “Não vai conseguir arriar a fachada não. Você não tem escolha sem ser lutar. Então, se não tiver como ficar perdendo, não tem escolha sem ser continuar ganhando do jeito que queria. Você vai continuar lutando desse jeito e vai pegar de volta.”

Subaru: “…”

Al: “Só com ainda mais resultados que dá pra pegar de volta as expectativas e o respeito que perdeu. Meu mano, você também já deve ter sentido isso na pele várias vezes e tá ligado de como que é.”

A cabeça do homem aproximou-se de súbito e o elmo de ferro gelado o tocou na testa.
Contudo, Al fez o apelo de modo tão ávido e fortíssimo que Subaru nem se deu conta de que suas testas estavam encostando uma na outra. O impacto causado nele por essa realidade foi grande. Acima de tudo, as palavras de Al pareceram ter um ou dois pontos válidos.

As expectativas e o respeito que perdeu —— para Subaru, as mais duras lembranças eram certamente as da gafe no Castelo Real.
Naquela época, a fé e as expectativas que Emilia tinha em Subaru decaíram completamente, assim como o respeito das candidatas da Seleção Real. Ele foi capaz de recuperar a confiança delas mais tarde porque se mobilizou.
Certamente não foi porque se abateu e ficou batendo a cabeça contra a parede.

Subaru: “…Eu sou idiota será? Não, eu sou idiota sim.”

Será que nada em particular havia mudado desde o dia em que ele pisou na bola no Castelo Real?
Naquela época, para escapar da dor enorme diante de si, Subaru, sob o pretexto de estar pedindo para Wilhelm treiná-lo, tentou ignorar seu enorme desfalque.
Agora, no entanto, não havia margem para Subaru ser fraco desse jeito.

Precisava necessariamente proteger Rem e trazê-la de volta. Diferente daquela vez, não havia ninguém de quem ele podia contar com a ajuda. ——Para ela, havia somente Subaru.

E para que Rem, rodeada por receio e ainda sem memórias, se sentisse pelo menos um pouco tranquila, ele não podia mais se dar à sem-vergonhice de expor o seu lado patético na frente dela.

Apesar de Rem, que se esquecera de tudo, ter dito que Subaru não era um herói…
Apesar daquelas palavras, que vieram sustentando continuamente as costas de Subaru com bastante força, terem sido revogadas pelo mesmo rosto e mesma voz…

Subaru: “——Eu sou o herói da Rem.”

O simples ato de se manter de cabeça erguida assim não era o dom de Natsuki Subaru?

Al: “…Pegou de volta um tico do teu ânimo?”

Ao ouvir essa determinação de Subaru, a mordacidade se foi das palavras de Al. Respondendo a esse breve comentário com um “é…”, Subaru de muito perto ergueu os olhos a Al e:

Subaru: “Tô bem melhor. Mas sai de perto e vai pra trás. Esse kabedon aqui lá serve pra alguma coisa!?”

Al: “Pois é! Meu mano tá vestido de mulher e eu sou um coroa quase quarentão que não tem um braço!”

Enquanto ria de júbilo, Al recolheu a mão que havia colocado contra a parede e recuou.
Com o seu campo de visão assim desobstruído, Subaru sentiu como se os seus horizontes tivessem se expandido ainda mais, não somente o que estava diante de seus olhos.

——Sendo sincero, as palavras de Al serviram de primeiros socorros, elas não tinham estancado o ferimento fatal completamente.

Subaru achava que suas pernas muito provavelmente tremeriam caso Rem aparecesse diante de si e que entraria em apuros, com medo que o seu semblante fosse lido por ela outra vez e as mesmas palavras lhe fossem dirigidas.
Não estava nem conseguindo responder à questão de até que ponto e para que propósito utilizaria a Autoridade de nome『Retorno através da Morte』?
Mesmo que ponderasse a respeito, achava bem provável que não seria capaz de concluir nada até a hora chegar.

Mas conseguia dizer em alto e bom som.
Esta Autoridade orgulhosa que Natsuki Subaru possuía era indispensável à substancialização dos『Devaneios Heroicos』os quais tinha a obrigação de carregar nas suas costas.
Portanto, constatava-se que ele continuaria indeciso quanto ao modo com o qual se relacionaria com a Autoridade daqui em diante.

Al: “Ahh, aliás, meu mano, tava querendo te perguntar uma coisinha.”

Subaru estava olhando para as mãos e revigorando a mente. Enquanto o observava assim, Al de repente puxou conversa com um pé atrás.
Subaru estranhou a atitude de Al, que não havia demonstrado discrição até o momento.

Subaru: “Já passou da hora de ficar nessa. Se quiser perguntar alguma coisa, pergunta.”

Al: “Então, sendo franco… qual é a daquela moça, a tal da Rem?”

Foi a pergunta verbalizada por Al, de cabeça inclinada. Era uma dúvida extremamente tardia.

Seja como for, foi só depois da pergunta ter saído da boca de Al que Subaru se deu conta de que não havia prestado nenhuma explicação.

Al: “É a companhia que você, meu mano, trouxe pro Império. Não veio aquela moça meio-elfa nem a loli com quem você tá contratado. Além disso, você trata ela como se fosse a tua noiva, né não?”

Subaru: “Isso aí é por questão de conveniência, até ela parece detestar.”

Al: “Mas, meu mano, as palavras daquela moça ‘tão acabando contigo. ——Caramba, que que tá rolando?”

Al baixou ligeiramente o tom de voz e fez a pergunta de modo espantosamente sério.
Ao ser atingido pelas palavras dele, Subaru franziu as sobrancelhas e vasculhou as próprias memórias para se certificar de que Al e Rem não eram conhecidos — ao menos nesta linha do tempo.
Afinal, Rem também nunca foi levantada como tópico na frente dele. Esperava-se que Al não a conhecesse. Apesar disso, Subaru sentiu-se sutilmente incomodado.

A atitude de Al ao perguntar talvez fosse a causa.

Al: “…”

Não se via o semblante dele. Mas sentia-se o calor abrigado no olhar dele.
Subaru percebeu que esse era um indício de seriedade e urgência. Ficou perplexo com as facetas de Al que não conhecia e que foram reveladas neste curto espaço de tempo, inclusive com o diálogo de antes.

O único conterrâneo seu, que sobreviveu em outro mundo com sua atitude sempre desapegada, despreocupada e leviana.
Sentindo essa impressão que tinha de Al se alterar dentro de si:

Subaru: “A Rem é uma colega minha… nossa. Só que ela sofreu nas mãos do Arcebispo do Pecado da『Gula』. Por culpa dele, ela sumiu das memórias de todo mundo e não lembra nem de si própria.”

Al: “——. Então foi isso. Entendo, entendo, faz sentido.”

Subaru: “Sentido?”

Subaru, sem rodeios, havia comunicado a verdade a Al, que levou a mão ao queixo e assentiu diversas vezes.
Quando essas palavras escaparam da boca de Subaru e ele inclinou a cabeça, Al, correspondendo com um “uhum”:

Al: “É que tinha bastantinha coisa me incomodando… Era pra ser uma mina que não conheço, mas lembra uma que eu conheço. Isso tava se autoafirmando que nem os ossinhos entalados dum peixe.”

Subaru: “Não conhece e mesmo assim conhece… tá falando da Ram?”

Al: “Ah, é isso, isso.”

Subaru, assombrado com a conexão imprevista que surgira, fez Al avivar a própria voz.
Só que, com isso, Subaru achou justa a atitude do outro.

Graças a nada menos do que toda a chapa de Emilia, Subaru estava plenamente consciente de qual seria a reação caso, dentre Ram e Rem, as lembranças a respeito de uma das duas se perdessem.
Mesmo Roswaal e Frederica, parceiros de longa data, tinham se esquecido da existência de Rem até a verem de verdade e, assim que ficaram cara a cara, não duvidaram do fato de serem irmãs gêmeas.
Excluindo as personalidades e as naturezas delas, as gêmeas Ram e Rem realmente se pareciam bastante. ——Não, ultimamente, veio a crer que, por mais surpreendente que fosse, talvez as naturezas delas também fossem similares, típico de irmãs.

Em todo o caso, entendia a verdade por detrás da sensação pela qual Al passou, de que havia algo errado.
Conhecer Ram e então avistar Rem, idêntica, devia ser confuso.

Subaru: “Mas é a primeira vez que fico sabendo que você e a Ram são conhecidos.”

Al: “Eu não diria que a gente é conhecido. A gente tem meio que um tiquinho de conexão. Mas a ideia geral eu peguei. ——Irmãs gêmeas? Então você quer reunir as duas.”

Subaru: “…Hmm, isso.”

Fazer Rem se reencontrar com Ram era a prioridade máxima.
Além disso, o objetivo mor de Subaru era dar as boas-vindas a Rem com toda a chapa de Emilia e retorná-la ao local ao qual ela pertencia. Para tanto, não podia se dar ao luxo de ficar sem a confiança de Rem.
Precisava reconquistar a confiança dela custe o que custar e fazê-la dar as mãos a ele novamente.

Al: “——Tá, tendi. O jeito vai ser ajudar, meu mano.”

Subaru concentrou-se mais uma vez em seu objetivo mor e cerrou os punhos. Nisso, diante dele, Al disse essas palavras enquanto acenava com a cabeça após ter colocado em termos gerais as circunstâncias que lhe haviam sido relatadas.
Com Subaru tendo inconscientemente deixado um “aeh?” abestalhado escapar:

Al: “Meu mano, que ganido abestalhadaço é esse que você acabou de soltar?”

Subaru: “Me deixa! Digo, o que que você falou? Ajudar? Quem vai ajudar quem?”

Al: “Eu vou ajudar o meu mano. Bom, a Princesa acho que vai ter o que falar, mas a gente que se resolva de algum jeito nessa hora. Seja como for, decidi que vou te dar a mão.”

Subaru: “…”

Al: “Mas mão que dê pra eu te repassar só tenho o equivalente a um braço.”

Subaru: “Não achei graça não.”

Essas palavras estavam carregadas de tanto entusiasmo que até chegaram a encher o saco; apesar do retruque imediato, Subaru ficou pasmo.
Provável que fosse isso mesmo. Ele não entendia muito bem o que raios havia tocado o coração de Al.

Subaru: “…É por ser conhecido da Ram que você vai me ajudar?”

Al: “Não é bem assim não. Tô dando uma mão é pro meu mano, sabe. ——Dum jeito ou de outro, se você insiste em ser herói, meu mano, tem como aquela moça ficar de fora não. Tô falando que vou te auxiliar nisso.”

Subaru: “Não tô tentando virar um herói…”

Al: “——Você vai. Natsuki Subaru um herói vai virar.”

Era uma forma de interrompê-lo que não o permitia dizer não.
O calor oculto neste comentário, enunciado de forma vigorosa e calma, tostou o coração de Subaru.

Al: “Brincadeirinha.”

No entanto, o calor intenso esvaiu-se devido à voz jocosa de Al.
Com Subaru a mercê da guinada brusca, Al disse “foi mal, foi mal” enquanto sacudia a mão:

Al: “Mas bora manter essa garra aí, meu mano. É um jeito de blefar um tiquinho e de bloquear a fuga, mas dá uma espertada em gente preguiçosa tipo o meu mano e eu.”

Dizendo isso, Al deu as costas de súbito e começou a caminhar a passos descontraídos.
Deixado para trás pelos passos francos dele, Subaru o chamou pelo nome.

Subaru: “Al. Isso de agora…”

Al: “Opa, vamos parar por aqui com o papo desnecessário. Dum jeito ou de outro, pelo que eu me lembre, vim chamar o meu mano pra sala de conferência. Vamos levar um esporro da Princesa na certa.”

Subaru: “…”

Al: “Olha, bora acelerar aê. Quer saber, chances de conversar você vai ter de monte.”

Ao dizer isso, Al virou somente a cabeça, deu de ombros e fez um gesto que dizia para começar a apertar o passo. Tendo sido apressado por esse movimento, Subaru não teve escolha e voltou atrás com o receio.

Ele não fazia ideia de até que ponto era uma boa ideia levar a sério as palavras que Al acabara de dizer.
Ainda assim, ter declarado olho no olho que iria “ajudar” fez Subaru ter consideravelmente mais vigor para ser otimista.

Mesmo que a contragosto, Subaru precisava ser otimista.
Com isso, precisava caminhar de peito estufado, coluna reta e a passos bem largos——:

Subaru: “——Ser o…”

——Herói da Rem, pois acabou perdendo o ombro amigo que assim o afirmava.


???: “——『Devaneios Heroicos』, é?”

Enquanto corria trotando, um murmúrio ressoou somente no interior de seu elmo.
Enquanto enunciava algo de modo que não alcançasse o exterior e fosse ouvido somente por si próprio, ele fechou os olhos.

Nisso, de olhos fechados, como se tivesse feito com que ressoasse no interior da escuridão ao interior de suas pálpebras——:

Al: “Vou é fazer você virar um herói, meu mano. ——Não, Natsuki Subaru.”

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