Switch Mode

Strongest Necromancer System – Capítulo 226

Autossacrifício

Tradutor/Revisor: miggigibe


Jason não sabia se Katerina estava dizendo a verdade ou não, mas conseguia sentir uma quantidade considerável de mana pulsando daquela tatuagem. Aquilo tinha alguma função extraordinária, sem dúvida. A raiva inchou em seu peito quando percebeu o quanto aquela mulher era distorcida. Ela tinha tanto medo da morte que estava disposta a apostar a vida de todas aquelas pessoas só para preservar a própria.

Ela está mentindo?

Jason enviou a pergunta ao Sistema imediatamente, e a resposta veio sem demora.

[A runa gravada no peito do alvo é, de fato, a [Runa da Separação Mortal]. Trata-se de um item mágico especial usado principalmente por líderes de cultos e organizações secretas para proteger suas vidas e os segredos de seus cultos. Caso o líder que carrega a Runa seja morto, todos os membros do culto que dedicaram suas vidas a esse líder também perderão a vida, garantindo que os segredos do culto não possam ser extraídos deles.]

Jason rangeu os dentes de raiva ao ler aquilo. Puxou Katerina com brutalidade, e ela sentiu o medo atravessar seu coração quando ele falou bem diante de seu rosto.

— Sua covarde de merda…

Foram as únicas palavras que Jason disse naquele momento, mas elas atingiram Katerina tão fundo que ela nem percebeu quando começou a chorar. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela fungou em desespero enquanto olhava para ele. A carranca de Jason se aprofundou. Ele estalou a língua, irritado, e a lançou de lado com força.

Katerina caiu no chão, aos pés do altar, e Jason caminhou com calma até o primeiro banco voltado para ele. Sentou-se, apoiou-se na espada e encarou a mulher chorando com um olhar impassível.

Katerina continuou a soluçar, abraçando as próprias pernas de maneira desesperada. Jason não lhe ofereceu uma única palavra de compaixão.

O som de passos ecoou do lado de fora da capela, e Liam finalmente surgiu da escuridão, ofegante. Jason o deixara para trás alguns minutos antes para procurar Katerina, e Liam só conseguira encontrar o caminho até ali agora. Ele olhou ao redor, para os corpos espalhados pelo chão, e fez uma careta diante da perda de vidas. Sabia que todos haviam provocado aquilo ao atacar primeiro, mas isso não significava que ele não pudesse lamentar a morte deles.

Então Liam desviou o olhar dos cadáveres e encarou a parte frontal da capela, onde Jason e Katerina estavam. Jason se inclinava para a frente, encarando-a, enquanto Katerina chorava no chão. O que diabos Jason fez com essa mulher?

Liam escolheu sabiamente ficar para trás e apenas observar o que aconteceria. Parou a certa distância dos dois, com as mãos às costas, acompanhando o desenrolar dos eventos.

Diante de Jason, Katerina ainda chorava ajoelhada. Ela abraçava o próprio corpo e mantinha a cabeça baixa em vergonha. A carranca de Jason só se tornou mais pesada quando ele finalmente falou.

— O seu choro está começando a me irritar. Pare.

Katerina estremeceu com as palavras dele e levou a mão à boca para tentar abafar os soluços. Jason esperou até ter certeza de que ela não tremia mais de tanto chorar antes de continuar.

— Você e eu nunca tínhamos nos encontrado antes de hoje. Disso eu tenho certeza. Mesmo assim, por algum motivo completamente ferrado, você decidiu que precisava se livrar de mim. Diga por que estava atrás da minha vida.

O olhar de Jason atravessou Katerina, e ela desviou os olhos, incapaz de suportar o peso dele. Apoiou a mão no chão para se manter erguida, encarando-o miseravelmente, e Jason rosnou com raiva.

— Responda.

Katerina tremeu de medo quando ele gritou e falou de imediato.

— Eu… eu não estava atrás da sua vida. Nunca quis que as coisas acabassem assim. Se eu tivesse escolha… nunca mais interagiria com o mundo fora destas paredes. Eu só quero que me deixem em paz.

Que patético. Jason não conseguiu impedir que esse pensamento lhe cruzasse a mente ao ouvir Katerina. Ela soava como alguém que já havia desistido de viver, agarrada à própria existência miserável apenas por medo da morte.

Jason a encarou em silêncio e perguntou:

— O que realmente aconteceu naquele Portal Verde dez anos atrás?

O corpo inteiro de Katerina tremeu só com a menção ao Portal Verde, e Jason a observou à beira de um colapso. Ela levou as mãos à cabeça, pressionou a testa contra o joelho e soltou um gemido baixo. Seus olhos estavam arregalados, fixos em algo à frente que só ela conseguia ver.

Jason chamou uma de suas subordinadas, e Rosa surgiu ao lado de Katerina, segurando-a pelo braço. Ela puxou Katerina para cima, e a mulher soltou um grito de dor ao ser forçada a encarar Jason de novo.

Os olhos de Jason continuavam completamente vazios de emoção. Ele apenas encarava Katerina, aguardando uma resposta com calma. Atrás deles, Liam pensou em intervir quando percebeu que a situação começava a sair do controle, mas desistiu. Aquilo era importante, e ele também queria saber o que Katerina tinha a dizer.

Katerina encarou Jason por alguns segundos e viu a própria imagem enlouquecida refletida nas pupilas dele. Baixou a cabeça, e uma risada miserável escapou de sua boca. Rosa ainda a segurava, e era a única razão pela qual Katerina continuava de pé quando falou.

— Você quer saber como foi dentro do Portal? Quer saber por que eu fui afastada da humanidade e me isolei do mundo por tanto tempo? Acha que foi justo? Cinco de nós foram enviados sozinhos para o Portal Verde. Cinco super-humanos recém-despertos, sem nenhum apoio, sem nenhuma ajuda do governo, como cordeiros indo para o abate. Fomos jogados lá dentro e mandados salvar o mundo. Convocaram os Cinco Governantes e disseram que seríamos heróis! Mas era mentira! Nós éramos mártires! Sacrifícios! Eles esperavam que morrêssemos, e teríamos morrido se não fosse por ele! Você não faz ideia de como foi! Ninguém sabe como foi para nós! O que vimos lá dentro não era uma fera mágica! Nós encontramos o próprio diabo!

Katerina ergueu a cabeça de repente para Jason mais uma vez, e ele viu a loucura naqueles olhos. Jason estreitou o olhar e apenas ouviu enquanto ela soltava uma risada curta e continuava.

— Não servíamos nem como aquecimento! Nós cinco éramos formigas diante daquele monstro! Eu olhei para ele e soube, sem a menor dúvida, que aquilo seria o catalisador do fim da raça humana! Nós não somos nada diante dos monstros lá fora! Nada! Você acha que eu conseguiria continuar vivendo entre esses animais condenados depois de ver algo assim? Acha que eu iria querer qualquer parte deste mundo depois de saber o que nos espera? Haha! Você acha que eu queria matar você? Se quer salvar este mundo, então faça isso sozinho! Pegue uma espada e se jogue sobre ela para que não tenhamos de sofrer aquela loucura! Sacrifique sua vida patética pelo bem dos outros humanos!

Comentários

0 0 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar