Tradutor/Revisor: miggigibe
A respiração de Katerina saía em arfadas pesadas enquanto ela encarava Jason com fúria. Era a primeira vez que ele a via expressar tanta emoção, e Jason suportou tudo com o rosto calmo.
Ele havia extraído muitas informações do surto dela. A primeira era que Katerina fora muito mais afetada pela presença do Primordial do que Cerci imaginava. Quando os Governantes entraram no Portal pela primeira vez, eles eram apenas indivíduos de rank S. Os cinco eram o melhor que a humanidade podia oferecer, mas Jason sabia, sem qualquer dúvida, que eles não tinham poder suficiente para lidar com o que havia dentro de um Portal Verde.
Ranks S teriam dificuldade até para enfrentar Portais Amarelos. Portais Verdes estavam muito além do limite deles. Então os Governantes deviam ter passado pelo inferno naquele Portal antes que o pai de Jason aparecesse para ajudá-los.
Mas o que mais grudou na mente de Jason foi o fato de Katerina estar dizendo que ele deveria tirar a própria vida. Ela falava como se a existência dele fosse o fator que decidiria se a raça humana acabaria ou não.
O rosto de Liam assumira uma expressão de completa confusão enquanto ouvia a conversa. Ele não só não entendia do que Katerina estava falando, como ver a Katerina normalmente calma tão aterrorizada ao mencionar a ida ao Portal Verde o fez perceber a gravidade da situação. Katerina era a mais fraca dos Cinco Governantes, mas isso não significava que não fosse poderosa. Qualquer coisa capaz de deixá-la naquele estado era suficiente para provocar medo real nele.
Liam deu um passo à frente.
— Jason, do que ela está falando…?
Jason ergueu a mão de repente, impedindo-o de continuar, e Liam parou imediatamente. Jason nem se deu ao trabalho de virar para encará-lo. O gesto foi dispensa suficiente para Liam entender que ele não queria interferência. Liam escolheu sabiamente ficar calado e ouviu Jason continuar.
— Foi por isso que tentou me matar? Você acha que tirar minha vida vai impedir o Primordial de matar todo mundo?
Katerina ainda respirava com dificuldade, mas agora mantinha a cabeça baixa, encarando o chão enquanto respondia.
— Sim. Eu acho.
Jason soltou um riso seco.
— Então você é uma tola.
Katerina ergueu a cabeça num sobressalto, surpresa ao ver o olhar condescendente de Jason. Ele apontou a espada para ela e falou como um adulto aconselhando uma criança.
— Você entrou num Portal Verde, encontrou um monstro capaz de destruir o mundo se fosse solto e, por algum motivo, decidiu que a melhor coisa a fazer seria matar a única pessoa capaz de enfrentá-lo? Sabe, eu achei que você fosse apenas uma covarde por usar a vida de tanta gente para proteger sua existência miserável, mas eu estava errado. Você não passa de uma garotinha patética. Uma idiota que nem sabe o significado da palavra coragem.
Jason se levantou do banco e pairou sobre Katerina. Os dois estavam em um nível de poder parecido, mas, naquele momento, Katerina não sentiu nenhuma superioridade como costumava sentir diante de outros super-humanos. Ela se sentiu pequena e impotente enquanto olhava para ele.
— Em vez de encontrar uma forma de lutar contra aquele monstro, você decidiu se trancar numa prisão criada por você mesma e permitiu que seus subordinados fizessem o trabalho sujo, só para não precisar sentir culpa pelas coisas distorcidas que eles faziam. Você não passa de uma parasita, Katerina. Uma parasita que se alimenta da vida dos outros e foge quando as coisas não saem do seu jeito.
Katerina deixou a cabeça cair outra vez. Jason simplesmente não entendia. Ele não estava lá quando encontraram aquele monstro, então não havia como compreender a monstruosidade absoluta que vinha atrás deles. Eles não podiam lutar contra algo assim. Não importava se todos os humanos da Terra se unissem sob uma única bandeira, nem se construíssem a arma mais poderosa que suas mentes fossem capazes de conceber. Ainda assim não seria suficiente. A única coisa que poderiam fazer era seguir suas ordens e torcer para que aquilo demonstrasse misericórdia quando retornasse.
— Você simplesmente não entende…
Katerina murmurou baixinho, e Jason se virou ao receber uma mensagem do Fantasma que havia enviado para matar Tobias Grant.
Um dos Fantasmas encontrara o vice-capitão da Corvo Sangrento em uma mansão isolada a alguns quilômetros do aeroporto. Ele convocara os outros Fantasmas, que seguiram até onde Tobias estava. Tobias estava cercado por membros de sua guilda, e, no instante em que percebeu uma mudança na atmosfera, soube que havia algo escondido nas sombras.
Os Fantasmas atacaram o grupo. Dez subordinados Peões da Classe Torre seguraram os outros membros da guilda enquanto Alpha avançava contra Tobias.
O Dom de Tobias permitia criar longos chicotes de chamas, e ele os usou com maestria para tentar matar Alpha. Mas Alpha era mais do que capaz de se virar em combate. Tobias era apenas rank A, então sua velocidade e força estavam em um nível parecido com o dela. A diferença era que Tobias lutava pela própria vida, enquanto Alpha não tinha o medo da morte prendendo-a. E isso bastava para criar uma diferença significativa entre eles.
Alpha investiu contra Tobias, desviando dos chicotes com precisão. No momento em que chegou perto o bastante, usou a lâmina envenenada para abrir um corte longo no braço dele. Tobias praguejou e varreu o ar com o chicote para obrigá-la a recuar. Alpha se afastou e apenas ficou parada à distância.
Jason observava tudo pelo [Olho do Rei] quando a postura de Tobias começou a vacilar. Ele cambaleou, tropeçou ao avançar, e suor começou a escorrer por sua testa enquanto sua visão oscilava. A faca usada por Alpha era a mesma lâmina envenenada que todos os Fantasmas carregavam, e bastou um único corte para Tobias começar a perder o controle.
O veneno se tornava menos potente quanto mais forte era a pessoa. Por isso, ao contrário de Gina, que caíra apenas alguns segundos depois de ser cortada, Tobias levou quase um minuto inteiro para tombar sobre um joelho. Ele levou a mão à cabeça e soltou um grunhido quando o veneno começou a se espalhar por seu corpo. Menos de dois minutos depois, caiu de rosto na terra.
Alpha caminhou até o corpo prostrado de Tobias e sacou o sai na cintura. Virou o corpo dele, encarou os olhos arregalados e sofredores do homem, então cravou o sai em seu pescoço, matando-o de uma vez.
—
O Usuário matou [1] super-humano rank A.
+300 Pontos de Abate
—
Jason soltou um suspiro calmo ao receber a mensagem. Pelo menos a pessoa que planejara matá-lo estava morta. Assim, não teria de se preocupar com aquele homem mirando sua família por enquanto.
Jason olhou para Katerina e soltou um murmúrio ao ver a confusão em seu rosto. Ela encarava o chão com os olhos arregalados, parecendo ter acabado de perceber algo terrível. Jason ficou confuso por alguns segundos, sem saber o que poderia ter acontecido, mas então sorriu ao entender.
— Então você também consegue sentir quando seus subordinados morrem?