— Nux, por favor, venha ao meu quarto.
Nux ouviu a voz de Felberta em sua mente. Ele então se virou para Edda, Lane e Skyla.
— Vamos lá.
As três assentiram e saíram do quarto em que estavam.
Nux então usou Sentido e encontrou rapidamente onde Felberta estava.
As três o seguiram com um olhar sério e, um minuto depois, os quatro entraram no quarto de Felberta.
Lá, Felberta estava sentada com Royce dormindo em seu colo. Ela olhou para Nux e, vendo sua cara, algo em Nux estalou.
Os olhos de Felberta estavam molhados e, pelas lágrimas secas deixadas no rosto dela, Nux podia dizer facilmente que Felberta chorou por um tempo.
Nux estreitou os olhos.
Ele notou que havia uma leve diferença nos olhos dela.
Ele entendeu que ela não queria que ele falasse sobre seu choro.
Portanto, Nux ficou quieto.
Seguindo-o, as três no quarto também ficaram quietas. O quarto inteiro estava encrustado numa camada de silêncio por um bom tempo.
— Quero vingança.
Dois minutos depois, Felberta rompeu o silêncio.
— O que você quer fazer? — perguntou Nux.
Então, sem nenhuma mudança na expressão, Felberta respondeu.
— Quero destruir os Bourkee.
Nux respirou fundo e assentiu.
— Tudo bem.
Embora não mostrasse, Felberta era mesquinha.
Extremamente mesquinha.
Alguns anos atrás, ela destruiu a vida de um Conde só porque ele tentou drogá-la.
Aquele homem nem teve sucesso, mas Felberta ainda o destruiu só porque ousou tentar algo assim.
Hoje, ela aprendeu que alguém estava assediando, agredindo, intimidando e humilhando seu único filho por um ano inteiro.
Não havia como ela ficar sentada e esquecer sobre isto.
— Tudo bem, vamos lá.
Nux expressou.
— Agora? — Felberta franziu a testa.
— Quero acabar com isto antes de amanhã — respondeu Nux. Em seguida, um sorriso apareceu em seu rosto quando indagou.
— Você não quer simplesmente matar os Bourkee, certo?
Felberta sorriu de volta.
Sua resposta era clara.
— Pensando bem, fique aqui com Royce, vou preparar tudo.
Nux comentou.
Felberta queria responder, mas antes que pudesse dizer algo, Nux respondeu.
— Não se preocupe, chamarei você quando for o final.
Dizendo isso, Nux se virou e saiu.
Um sorrisinho apareceu no rosto de Felberta e continuou afagando a cabeça de Royce.
— Amaya, preciso da sua ajuda.
Nux, que tinha acabado de sair do quarto de Felberta, contatou Amaya.
— Hmm? Precisa da minha ajuda para o quê?
De novo, a resposta foi instantânea.
Nux então contou tudo e expressou.
— Matar os Bourkee é algo misericordioso demais para eles, quero que sofram o máximo possível.
— …
Amaya ficou quieta e começou a pensar.
Nux esperou pela resposta.
Ele sabia que ela estava pensando em um plano.
Planejar e maquinar, Amaya era uma especialista neste campo. Ela estava fazendo isto desde que era criança, afinal de contas.
É claro, isto não significava que Nux não estava pensando em nada.
Ele também estava pensando num plano. Depois, compararia os dois planos e escolheria aquele que seria mais doloroso para os Bourkee.
Sim, os Bourkee estavam ferrados e muito.
Duas horas passaram num instante e Nux então ouviu a voz de Amaya.
— Barão Crook.
— Hã? — Nux franziu a testa.
— Conde Bourkee usou sua posição para ameaçar a filha do Barão Crook e a forçou a “entretê-lo”. A humilhação foi demais para a garota aguentar e ela tirou a própria vida.
— Isto enfureceu o Barão Crook, mas não podia fazer nada.
— Ele não podia tocar nos Bourkee.
— Entretanto, aposto que ele guardou rancor.
Amaya explicou.
Ela tinha uma vantagem. Como líder da Câmara das Mil Informações, ela tinha todas as informações que precisava para pensar em seus planos.
Desta vez, ocorreu o mesmo.
Ela usou bem sua vantagem.
— Nux, vá até o Alger e faça-o escrever uma carta…
Um sorriso maligno apareceu no rosto de Nux quando ouviu o plano de Amaya.
— Farei como disse.
— Sinto muito, isto é tudo que posso fazer para ajudar.
Amaya falou com um olhar triste.
— Não se preocupe, é mais que o bastante. Obrigado.
Um sorriso apareceu no rosto de Amaya.
Nux, por outro lado, não perdeu tempo e foi à mansão de Alger.
Em seguida, fez escrever a carta que Amaya queria, vestiu as roupas pretas apertadas dos assassinos, cobriu o rosto e correu para a casa do Barão Crook.
Ele não desperdiçou um segundo.
Queria fazer tudo o mais rápido possível.
O Barão Crook era um homem de sessenta anos e, como não era um cultivador, seu cabelo estava grisalho e havia muitas rugas em seu rosto. Ele tinha uma aura sombria e parecia com alguém que já perdeu tudo na vida.
Agora, este homem estava trabalhando no escritório com um olhar ameno e cansado. Ao seu lado estava seu mordomo, que era um cultivador do Estágio Iniciante.
Nux então apareceu atrás do mordomo e, com um golpe, desmaiou o mordomo.
Thud
Os olhos do Barão arregalaram-se de surpresa quando viu o homem de preto aparecer em seu escritório sem emitir som algum.
— Q-Quem mandou você? — perguntou o Barão com o rosto pálido.
— Você odeia o Conde Bishnoi Bourkee? — perguntou Nux num tom rouco.
Ouvindo o nome, o medo no rosto do Barão foi substituído por raiva.
— Eu odeio aquele bastardo! Ele ousou fazer aquilo com minha única fil-
— Sim, não me importo com o que ele fez.
Nux deu de ombros e seus olhos brilharam.
— Quer vingança?
Toda melancolia cercando o Barão Crook desapareceu e seus olhos mortos agora estavam cheios de determinação.
— Se eu puder destruir aquele desgraçado, faria mesmo ao custo da minha vida.
Um sorriso apareceu no rosto de Nux quando ouviu isso.
Então, entregou a carta escrita por Alger e instruiu.
— Envie esta carta para aquele Bourkee.
— P-Posso ler o que é? — O Barão Crook segurou a carta como se fosse o tesouro mais precioso.
— Vá em frente.
Com um olhar sério, Barão Crook abriu a carta e, quando começou a ler, seus olhos arregalaram de surpresa.
Então, uma luz intensa reluziu em seus olhos quando continuou a ler.
Vendo a expressão mudar de confusão para surpresa, felicidade e malvadeza, Nux riu internamente.
Este homem realmente odiava o bastardo do Bourkee.
Ele o odiava até o âmago.
— D-De onde você conseguiu esta carta? — Barão Crook se virou na direção de Nux e continuou as perguntas.
— T-Tem certeza de que não é falsa…?
Nux sorriu: — Com medo?
— O desgraçado do Bourkee não é um problema, mas com esta carta, seremos alvejados pelo Marquês Alger também…
— E não sei se o Marquês Longe nos protegerá…
Barão Crook explicou enquanto seu corpo tremia de medo.
— Heehh? A que ponto iria para vingar sua filha?
Nux inclinou a cabeça e sorriu.
— É essa?
— …
De repente, o corpo do Barão Crook parou de tremer.
— Qual é a pior coisa que pode acontecer? Você ser morto, certo? E daí? Não pode desistir da vida pela sua filha?
— Você não pode fazer isto?
— Com muito medo?
— Então, por que agir como alguém que perdeu tudo após perder sua filha?
— Por que não faz outra?
— Heh.
Os olhos do Barão Crook ficaram frios.
Ele então olhou para o homem na frente dele e começou a pensar.
Ele não sabia quem era este homem, podia muito bem ser um lacaio de um figurão que o estava vendo como nada além de uma peça de xadrez e usando-o como tal.
No entanto, e daí?
Se pudesse vingar sua filha, então ser uma peça de xadrez para o esquema maior não era nada.
Mesmo que este esquema o matasse, mesmo que destruísse este reino, ele faria.
O Barão Crook olhou para Nux com os olhos brilhando de determinação.
Thud
Então, o velho caiu de joelhos e se curvou.
— Farei tudo que disser.
— Mesmo que ajudar na minha vingança não seja seu objetivo principal e queira me usar como uma peça de xadrez que se livraria depois, não me importo.
— Só quero uma coisa, a queda do Conde Bourkee.
— Eu imploro.
— … Por que está agindo como se eu fosse o malvado?
— Ei ei, estou aqui para ajudar, tá?
— Apenas faça o que eu disser e garanto que enfraquecerei o suficiente Bourkee para que até você possa se livrar dele, se suas próximas jogadas forem corretas.
Um sorriso apareceu no rosto do Barão Crook e ele levantou a cabeça ao perguntar.
— O que tenho que fazer?
Nux também sorriu.
O ódio era realmente o melhor combustível.
— Escreva uma carta para o Conde Bourkee.
Um papel apareceu na mão de Crook antes de ele sentar na cadeira.
— O que escrevo?
Nux sorriu e começou a falar.
— Para o Conde Bourkee.
— Espero que esteja indo bem na vida…