Meia-noite.
Conde Bourkee estava caminhando pela área vazia das favelas e estava olhando ao redor, tentando encontrar Crook.
Seus olhos então avistaram uma figura sentada na cadeira com uma postura elegante. Já que estava escura, não conseguia ver quem era, mas tinha um palpite.
— Crook?
Ele perguntou.
— …
No entanto, não houve resposta.
— Crook, seu velhote, é você? — Bourkee questionou novamente, porém, não houve resposta.
O rosto de Bourkee tremeu de irritação.
— Primeiro! Você ousa tentar me enquadrar com uma carta falsa, depois me chama aqui e agora que estou aqui, você nem ousa falar!?
— Você acha que isto é uma piada?
— Seu bastardo! Desculpe-se neste insta-
Bourkee xingou enquanto caminhava na direção de Crook, mas, após se aproximar, parou.
Não era Crook.
Em vez disso, era uma linda mulher de cabelos negros que estava o encarando com um sorriso frio.
— Felberta Alveye…
Bourkee reconheceu esta mulher num instante.
Ele raramente via uma mulher linda como Felberta, afinal.
— Bourkee, ouvi que seu filho esteve agredindo meu filho já faz um tempo.
Felberta expressou com um sorriso.
O rosto de Bourkee tremeu quando notou como ela estava sendo desrespeitosa, contudo, um sorrisinho apareceu em seu rosto e ele balançou a cabeça.
— Oh, sério? Pensei que eram algumas crianças brincando juntas como amigos. Não parece com agressão para mim.
— Pare com esta besteira, não me importo como vê esta situação.
— Quero que seu filho pare o que está fazendo.
Felberta avisou num tom ameaçador, mas Bourkee não se sentiu ameaçado.
Em vez disso, apenas riu.
— Oh, tenho uma maneira de pararmos com isto.
— Qual é? — Felberta indagou.
— Que tal nossos filhos se tornarem irmãos? Desta maneira, sem falar em agressão, seu filho até seria protegido pelo meu filho na academia.
— O que acha?
Bourkee questionou com um sorriso significativo.
O significado de suas palavras era claro.
De repente, um sorrisinho apareceu no rosto de Felberta.
— Então está admitindo que seus filhos intimidaram meu filho, correto?
Bourkee também sorriu.
— Não é culpa do meu filho que o seu seja fraco e não tenha uma boa origem.
— Na verdade, mesmo que meu filho não o intimide, alguém vai, é assim que as coisas funcionam, Felberta.
— É por isso que estou te oferecendo se tornar minha e, sem falar no seu filho, até você teria uma vida plena.
De repente, Felberta suspirou.
— Não tenho ideia de como idiotas como você se tornam nobres neste reino.
— O futuro deste reino parece deprimente.
— Hã? — Bourkee franziu a testa.
— Pense sobre isto, idiota.
— Você recebeu uma carta que poderia destruir sua casa.
— Você então foi chamado para as favelas pelo homem que enviou essa carta.
— Então, quando chega, em vez daquele homem, havia uma mulher que parecia estar sentada e esperando por você.
— Depois, a mulher fala sobre como seu filho está intimidando o dela e como responde?
— Você a ameaça para que se torne sua?
— Você é tão burro assim?
— Você não acha a situação estranha?
Felberta questionou e a carranca de Bourkee aprofundou.
— Honestamente, se eu fosse você, teria tentado agir com um pouco mais de maturidade.
— “Tudo bem, falarei com meu filho sobre isto.”
— “Tudo bem, me certificarei de que meu filho pare.”
— “O quê? Ele intimida seu filho? Não sabia, mas não se preocupe, punirei aquele bastardo e pedirei desculpas por tudo que ele fez.”
— Qualquer resposta teria sido melhor, mas você… — Um sorriso frio então apareceu no rosto de Felberta.
— Você simplesmente decidiu ferrar tudo, hein?
Bourkee, todavia, não ficou intimidado, em vez disso, apenas sorriu.
— Você está errada.
— Isto não é tolice, Felberta, é confiança.
— Estou confiante de que alguém como você não tenha influência e poder o bastante para me ferir.
Bourkee então apontou para aqueles dez homens atrás dele e sorriu.
— Eles são todos cultivadores do Estágio Mestre, Felberta.
— Cultivadores do Estágio Mestre.
— Surpresa, certo?
— Não achou que eu tinha tantos cultivadores trabalhando para mim, não é?
Felberta suspirou ainda mais.
— Arrogância e tolice…
— Das combinações que poderia escolher, você fez a pior delas…
Felberta soltou outro suspiro e apontou para os homens de Bourkee.
Bourkee franziu a testa e se virou para ver seus homens quando a voz de Felberta soou em seu ouvido.
— No entanto, é bom para mim, agora posso punir você o quanto quiser sem qualquer culpa.
— Bem-vindo ao Inferno, Conde Bourkee.
Os olhos de Bourkee arregalaram-se de surpresa quando uma adaga coberta de sangue saiu do peito de seu subordinado mais forte.
Simultaneamente, algumas figuras usando roupas pretas apareceram e começaram a atacar e matar seus subordinados.
Com os assassinos dando o primeiro golpe, os subordinados de Bourkee não tiveram chance e em apenas um minuto, os dez foram mortos.
Os poderosos cultivadores do Estágio Mestre, dos quais Bourkee se orgulhava tanto, foram mortos sem nem ter chance de revidar.
Os olhos de Bourkee arregalaram-se de horror.
Ele estava ferrado e sabia disto!
Seu cérebro então funcionou rapidamente e se virou numa tentativa de agarrar Felberta.
Ela deve ser a líder, se a capturasse, poderia ter uma chance de escapar com vida.
No entanto, após se virar, notou dois indivíduos parados na sua frente. Eles usavam roupas pretas que aqueles assassinos usavam, mas a aura liberada era muito maior.
Bourkee então notou que Felberta já estava bem longe dele e estava o observando com frieza.
— Não o matem.
Ela mandou.
Bourkee sorriu.
Porém, as palavras seguintes fizeram seu sorriso sumir.
— Cortem seus braços.
— Não façam de uma vez. Comece pelos dedos.
— Tornem o mais doloroso possível.
— Ah, enquanto estão nisso, cortem seu pau também.
Felberta ordenou, fazendo o rosto de Bourkee empalidecer de pavor.
— Ao seu comando, Lady Felberta.
— AAGGGGHHHHHHH!!
Os gritos de Bourkee ecoaram nas favelas.