— Bastardos!!!
Crash!
Clank!
O Rei gritou de raiva e frustração enquanto jogava um jarro de vidro no chão, quebrando-o em pedaços.
Na frente dele estava um homem de preto ajoelhado e, ao lado, um homem de pé usando as mesmas roupas.
— Keeve, o que aconteceu? Quando seus subordinados se tornaram tão inúteis? Eu fiquei leniente demais? É isso?
Ricardus, que estava tentando ao máximo conter a raiva, questionou.
— Não é isso, Vossa Majestade.
Keeve negou.
— Então, o que é? O que aconteceu? Você começou a recrutar inúteis de merda para minha Unidade das Sombras?
O Rei indagou novamente, olhando para o homem ajoelhado na frente dele com raiva.
— Não, não é isso também, Vossa Majestade.
— ENTÃO O QUE É?!
Crash!
Clank!
O Rei jogou outro jarro e rugiu.
— Vossa Majestade.
Diferente do subordinado, Keeve não ficou intimidado pelas ações de Ricardus e respondeu com calma.
— Você precisa entender, estamos falando sobre a Consorte Amaya. Você sabe melhor que ninguém o tipo de mulher que ela é.
O Rei olhou para Keeve e este último continuou.
— Ontem, ela veio aqui informar sobre como ia sair de fininho do Palácio. Note nas palavras que ela usou, Vossa Majestade. “Sair de fininho”.
— Ela não diria aquelas palavras se não tivesse confiança em si própria.
— Você precisa entender, não é culpa sua e nem da Unidade das Sombras. É só que os oponentes que estamos enfrentando são fortes ou espertos demais desta vez.
— Então, você está dizendo que é fraco demais para cuidar dos inimigos?
O Rei caminhou até Keeve e questionou enquanto seus olhos brilhavam com crueldade.
— Não, o que estou dizendo é que nossos inimigos se tornaram imprevisíveis demais. No entanto, não significa que não podemos cuidar deles. Só precisamos de um pouco mais de tempo.
— E Vossa Majestade, ouso dizer que nós, a Unidade das Sombras, somos os únicos que podem enfrentar estes inimigos. Você também sabe disso.
— Portanto, Vossa Majestade, acredito que, em vez de culpar e xingar seus subordinados só por raiva, seria melhor tentar descobrir como a Consorte Amaya saiu de fininho e descobrir uma maneira de garantir que algo assim não se repita no futuro.
Keeve não afastou o olhar do Rei.
A competição de encarada continuou por alguns minutos e Keeve recuou e se curvou.
— Peço perdão por meu comportamento rude, Vossa Majestade. Acho que estive no limite ultimamente. As coisas… não estão indo da minha maneira…
Ricardus olhou para Keeve por um tempo e estreitou os olhos.
— Teria executado você por falar comigo assim se não tivesse provado seu valor.
Keeve manteve a cabeça abaixada e não retrucou.
O Rei bufou e se virou para o homem ajoelhado.
— Então? O que aconteceu? Como perdeu o rastro dela? Ela não deveria ter conseguido usar o cultivo, então não é diferente de um mortal.
— Como você deixou uma mortal escapar de sua vigia?
— Eu fui atacado… por trás…
— Quem atacou você?
Keeve perguntou.
— Não sei…
— Diga-me o que aconteceu, desde o começo.
Keeve mandou.
Seu subordinado assentiu e começou.
— Como você me ordenou, comecei a ficar de olho na Consorte Amaya desde ontem. Tudo que aconteceu foi o de sempre, após beber chá, ela voltou ao quarto e deitou na cama.
— Trinta minutos depois, aquela Névoa Negra aterrorizante começou a sair de seu corpo. Pela sua expressão, sabia que estava com dor. Logo, seu corpo foi coberto pela Névoa Negra e ela parou de se mover.
— O resto do dia passou e, de manhã, a Névoa cercando o corpo da Consorte Amaya começou a desaparecer. Então, ela se levantou.
— Após se lavar, ela comeu e…
— Começou a caminhar…
— Caminhar?
Keeve franziu a testa.
— Sim, caminhar…
— Ela começou a andar sem rumo. Primeiro, foi ao jardim e depois caminhou pelo palácio. Isto continuou por trinta minutos e olhou para mim de repente.
— Ela olhou para você?
— Sim, ela olhou para mim, sorriu e… desmaiei.
— …
Keeve estreitou os olhos.
— Alguém atacou você por trás, correto?
Ricardus perguntou.
— Sim.
O homem assentiu.
— E, é claro, você não viu o rosto, certo?
— Não… eu não vi…
— Heh.
O Rei riu com condescendência.
— Bem, podemos dizer que seja lá quem for, estava relacionado a Amaya.
— Sim, também é isso que presumo.
O homem assentiu.
— Mas… mas como Amaya sabia que você estava de olho nela?
O Rei não conseguiu entender.
— É a caminhada.
De repente, Keeve falou.
— Hmm? O quê?
— Sim, sua caminhada.
— Não foi uma caminhada sem sentido. O plano da Consorte Amaya era descobrir quem estava de olho nela e onde ele ou ela estava.
— Se ela se movesse, você também se moveria. Assim, os subordinados dela o rastreariam. Não importa quão longe se esconda, se segui-la por trinta minutos, até uma criança poderia dizer que você é quem está olhando para ela.
— E bem, quando ela descobriu… a única coisa que precisava era te tirar da cena.
— Quando isso foi feito, ela saiu do Palácio.
— Mas como ela saiu? Por que ela não foi vista por ninguém?
— Ela é uma mortal, como pode enganar tantos cultivadores e sair sem ser vista?
O Rei perguntou.
— Ou talvez, ela não “enganou” ninguém. Ela não precisava fazer isto.
Keeve falou.
— Você quer dizer…
— Sim… os guardas que a viram simplesmente não disseram nada porque…
— Já estavam do lado dela.
— …
— …
— …
Os três ficaram quietos.
Alguns minutos se passaram.
— Precisamos pegar aqueles desgraçados traidores.
O Rei declarou.
Keeve, contudo, balançou a cabeça.
— Não podemos fazer isso. Não temos pistas e existem milhares de guardas no Palácio. Não podemos capturar cada um deles.
— Primeiro precisamos descobrir quem são.
— Como faremos isso?
O Rei expressou.
No entanto, Keeve balançou a cabeça.
— Não sei…
— …
A sala ficou quieta de novo.