— Então, o motivo de ter me matado e descartado meu corpo ao queimar a própria Força Vital foi porque trai a cidade e me aliei à Cidade do Falcão Skythorn?
— Foi realmente um motivo razoável.
Uma voz foi ouvida.
Todos se viraram e suas sobrancelhas franziram de choque quando viram Rune entrar com calma.
Felix e Aragorn arregalaram os olhos de horror.
— Q-Querida…
Aragorn gaguejou.
— I-Irmã Rune…
Felix não conseguia acreditar no que estava vendo.
O Salão de Assassinatos claramente disse que a mataram. Ele até tinha o dedo e anel de armazenamento, sem falar no contrato que o líder do salão assinou.
Rune deveria ter sido morta!
Como ela estava parada na frente de todos?!
— Vocês parecem surpresos — Rune comentou quando olhou para seu irmão e marido.
— O que aconteceu? Sua história não está combinando?
Ela então olhou para seu “marido”.
— E meu querido marido, você descobriu secretamente todas as cartas que o povo falcão me enviou. Essa é uma grande conquista, não é? Mas onde você as encontrou?
— A pilha de todas as cartas que recebi nestes últimos mil e quinhentos anos é bem grande. Onde eu as guardei?
— Será que estava no anel de armazenamento que escondi embaixo do meu travesseiro? Sou realmente tola, não é? Não havia motivos para coletar todas aquelas cartas que podiam ser usadas como provas contra mim. Eu deveria ter queimado todas, não?
— Haah, o que eu estava pensando? Não posso fazer nada direito sem você, não é, marido? E, meu querido marido, é bem estranho, não acha? Quão tola eu posso ser?
— Sabia da sua localização e que alguém roubou as cartas que “guardei”, as cartas que poderiam arruinar minha vida, e tudo que fiz foi ir lá e atacar vocês pessoalmente. Nem mesmo pedi ajuda dos meus aliados, o povo falcão.
— Sou uma inútil.
Rune balançou a cabeça enquanto suspirava, agindo como se estivesse decepcionada consigo.
O salão todo ficou quieto.
Como não podiam dizer o que Rune estava querendo fazer?
Ela estava esmagando cruelmente as acusações de Rune e Aragorn, bem na frente de todos.
Ela estava perguntando tudo que estavam pensando, mas que não tinham coragem de falar porque as “evidências” eram fortes demais. Só uma palavra e poderiam ser considerados traidores também.
Rune, entretanto, não tinha estas preocupações.
Sua existência era um tapa em todas as “evidências” que Felix e Aragorn forneceram.
Ela permaneceu no meio do salão; sua presença era esmagadora para os representantes dos clãs e as pessoas que a acusaram. Até os líderes dos clãs que apoiavam Felix e estavam felizes achando que apoiaram o vencedor da batalha agora estavam em silêncio absoluto.
— Felix, qual é o significado disto?
Oberon questionou enquanto olhava para Felix.
— Eu…
Antes que Felix pudesse responder, Rune chamou a atenção de todos.
— Existe necessidade de continuar? Todas as acusações contra mim foram falsas. Porém, esse não é o problema principal.
— Sou inocente, mas a pergunta aqui é: onde meu querido marido encontrou estas cartas? As cartas que têm o carimbo da Cidade do Falcão Skythorn, elas não podem ser forjadas, podem?
— De onde estas cartas vieram?
Rune questionou e a expressão de Oberon mudou.
Não era só a questão de sua filha ser inocente ou culpada.
O verdadeiro culpado…
Oberon olhou para Aragorn. Seu corpo vacilou de medo, ele queria esclarecer tudo, mas… Rune indagou.
— Pai, sentindo a seriedade do assunto, peço que pule quaisquer formalidades e capture Felix, Aragorn e seus subordinados próximos.
— Não! Você-
Felix queria retrucar, mas Oberon simplesmente ergueu as mãos, o que fez cerca de doze figuras surgirem. Mesmo que Felix fosse um cultivador do Estágio Santo, não conseguiu resistir e foi subjugado rapidamente.
É claro, Aragorn, que era apenas um Meio-santo, foi subjugado com ainda mais facilidade.
Leo e alguns dos subordinados de Felix também foram capturados. Os subordinados de Aragorn não estavam aqui, mas Rune sabia que seriam capturados logo.
— Sele seu cultivo e jogue-os na prisão subterrânea.
Oberon mandou com um olhar frio.
— Também peço que sele a cidade.
Rune pediu
Oberon tinha várias perguntas, mas, por enquanto, sabia que ações urgentes eram necessárias.
Um cultivador no auge do Estágio Santo apareceu na frente dele. Oberon assentiu e o Santo entendeu o que seu mestre queria dizer. Assim, assentiu de volta, curvou-se e desapareceu.
Rune então se virou para todos os representantes.
— Também peço que todos os líderes fiquem aqui por mais tempo para discutirmos problemas urgentes que a cidade está enfrentando.
Rune pediu.
Bem, pode parecer um pedido simples, mas todos os representantes sabiam que estavam sendo mantidos cativos.
E, ao ver como Oberon não estava rejeitando, sabiam que ele tinha o mesmo pensamento em mente.
É claro, os líderes não podiam fazer nada e nem culpar os dois.
Esta acusação toda de Rune traindo a cidade e se aliando ao povo falcão. As evidências fornecidas eram fortes demais para ser um truque normal para Felix se livrar de sua irmã e se tornar o sucessor.
Havia… uma alta chance de o próprio Felix estar envolvido com o povo falcão.
Não, eles tinham quase certeza de que esse era o caso.
E se o filho do Lorde Oberon estava aliado com os inimigos, havia uma alta chance de ter mais pessoas envolvidas. Pessoas que podiam estar aqui, neste salão.
E para impedir que a notícia de Felix sendo pego se espalhasse, fechar o salão e a cidade era importante.
— Rune.
Oberon falou de repente.
— Pai.
Rune se curvou.
— Explique.
Oberon ordenou.
— Explicarei tudo, pai.
— Porém, por enquanto, preciso queimar um certo contrato que está nas mãos de Felix. A vida do meu subordinado está em risco.
Rune respondeu com determinação.
Ela precisava colocar as mãos no contrato que aquele tolo do Alistair assinou.
— Você está dispensada.