— Oberon, seu bastardo sem vergonha! Primeiro, você tentou matar sua esposa! E agora?! Vai tentar matar seus filhos também?!
Felix gritou com raiva.
— Então, foi essa a história que aquela vadia inventou…
Oberon comentou.
— Inventou?! Seu desgraçado! Você ousa dizer iss-
Felix queria gritar com raiva, mas seu corpo congelou de repente.
Preso pelas correntes, ele atualmente não era diferente de um mortal sem força. Para um cultivador do Estágio Divino como Oberon, controlar seu corpo com mana não era nada complicado.
— Não pense que deixarei você me desrespeitar só porque é ignorante e está sendo enganado por aquela vadia. Idiotice não é desculpa.
Oberon expressou com um olhar frio. Uma aura feroz irradiou de seu corpo, uma que suprimiu Rune e Felix. E Felix, que atualmente não tinha forças, arregalou os olhos enquanto segurava a garganta.
— Kwaaaakkk!!
Ele estava tendo dificuldades de respirar. Seus olhos ficaram vermelhos e seu corpo tremeu.
Passo!
De repente, Rune ficou na frente dele, cancelando a aura que Oberon estava usando com a própria mana.
É claro, ela não era forte o bastante para enfrentar seu pai, mas se fosse apenas cancelar a aura, poderia conseguir até certo ponto ao dar tudo de si.
Oberon estreitou os olhos.
— Você também acreditou nesta história ridícula?
Ele indagou.
— Sei que não está tentando matá-lo, pai. Não teria conseguido pará-lo se estivesse. Por favor, retraia sua aura.
Rune falou com um rosto pálido.
Ela já tinha usado noventa por cento da mana.
Vendo que seus filhos não conseguiam aguentar mais, Oberon retraiu a aura com um bufo.
— Haaahhh… haaaahh… haahhhhh…
Felix ofegou por ar enquanto encarava Oberon. Mesmo que estivesse quase morto, não havia traço de medo em seus olhos.
Ele não se importava com sua vida.
Só queria matar este desgraçado na sua frente.
— Por favor, conte seu lado da história, pai.
Rune, todavia, era diferente.
Ela conseguia sentir que algo não batia.
E, ao ver isso, Oberon bufou enquanto olhou para Felix de soslaio.
— Pelo menos um dos meus filhos não é um completo idiota.
Então, começou.
— O que você falou, que eu tinha um segredo que queria esconder do resto do mundo? E ela descobriu quando entrou no meu quarto? Se eu tinha algo a esconder, acha que minha percepção seria tão fraca a ponto de não conseguir sentir alguém entrando? Ou acha que não teria mandado homens ficarem de vigia fora do meu quarto, impedindo qualquer um de entrar?
— …
A expressão de Felix mudou.
As palavras de Oberon… faziam sentido…
Sua mãe não poderia ter entrado sorrateiramente, independentemente de quanto tentasse… especialmente quando ele estava alerta.
Então… então por que sua mãe falou aquilo…?
Ela estava… mentindo…?
Oberon não… a atacou?
— Vamos presumir que fui um idiota e não fiz isso. Sua mãe de alguma forma conseguiu entrar e viu um “segredo meu que queria esconder do mundo”. Você acha que ela, que mal havia se tornado uma Santa, tinha o necessário para fugir de mim?
— Queimar a Força Vital? Que baboseira!
— Se queimar a Força Vital fosse o bastante para enfrentar um cultivador do Estágio Divino, acha que seríamos tão respeitados quanto somos? Truques baratos como esse não funcionam perante o poder absoluto. Aquela vadia só conseguiu fugir porque usou aquele maldito artefato!
Oberon bufou de frustração e, ao ouvir aquilo, a expressão de Rune mudou.
— Conseguiu escapar…?
Ela inclinou a cabeça quando olhou para Oberon. Este tempo todo, as palavras de Oberon faziam total sentido.
Mas conseguiu escapar?
Escapar…?
Percebendo o que falou, Oberon suspirou.
No final, decidiu revelar a verdade.
— O que ela falou não foi uma completa mentira. Eu tentei matar a Willow, mas foi porque ela matou a Ivy — disse Oberon; seu ódio por Willow era nítido.
— Ivy? — Rune inclinou a cabeça.
Esta foi a primeira vez que ouviu esse nome.
— O meu casamento com a Willow foi decidido por nossas famílias por causa da linhagem. Eu, como sucessor, sabia dos meus deveres e os aceitei. E, com a família a forçando, ela fez o mesmo.
— Contudo, nunca a amei de verdade. Ivy, minha empregada pessoal, era o amor da minha vida.
— Eu sempre me senti culpado pelas duas. No entanto, o que não sabia era que a Willow tinha um lado negro.
— Ela, que sabia a verdade sobre a Ivy, a oprimia com frequência. Eu queria impedi-la, mas Ivy, temendo a destruição da família, me impedia toda vez e aguentava tudo calada.
— Ela pensou que, se deixasse Willow abusar dela o quanto quisesse, ela poderia me perdoar e viver sua vida. Porém, a escuridão no coração da Willow só continuava a crescer.
— Logo, seu alvo mudou. Em vez da Ivy, ela decidiu me alvejar. Eu, todavia, era forte demais para ela fazer algo, então decidiu usar ajuda externa.
— Coração Negro, um artefato de décimo segundo grau. Um veneno forte o bastante para enfraquecer até um cultivador do Estágio Divino. De alguma forma, ela conseguiu aquilo.
— Seu plano era me enfraquecer e me matar, mas a Ivy a viu adicionando o veneno na minha comida. Willow a matou e, mesmo no último suspiro, Ivy só se importava comigo e falou tudo com as últimas forças restantes…
— Ivy, uma mera cultivadora do Estágio Sábio, morreu enquanto me protegia, um cultivador do Estágio Divino.
Oberon expressou com um sorrisinho, mas seus olhos não tinham felicidade. Eles estavam marejados.
Oberon continuou.
— Fiquei enfurecido. Ao ver o corpo da Ivy, ataquei a Willow. Eu queria capturá-la, queria saber como ela colocou as mãos no Coração Negro. Queria torturar aquela vadia por matar minha Ivy, mas ela tirou outro artefato de décimo segundo grau e se teleportou para longe.
Oberon então olhou para Felix.
— O artefato que me mostrou na reunião foi o que ela usou para fugir naquele dia.