— O artefato que me mostrou na reunião foi o que ela usou para fugir naquele dia.
Oberon olhou para Felix e comentou.
Ao ouvir aquelas palavras, a expressão de Felix mudou.
“Certifique-se de mostrar isto a ele.”
Ele se lembrava de como o povo falcão lhe deu o artefato, mandando-o mostrar ao Oberon. Ele achou estranho na época, mas quando viu a reação de Oberon após ver o artefato, entendeu o motivo daquilo.
Oberon perdeu a calma quando viu o artefato. Felix ficou chocado que ele poderia exibir tamanha reação, mas, simultaneamente, também se perguntou como o povo falcão sabia disto…
Porém… se a história de Oberon fosse verdade… então…
Felix abaixou a cabeça de novo.
Havia coisas demais na sua mente agora.
Rune também tinha uma expressão estranha.
Ela entendeu agora…
O motivo de seu pai estar agindo daquela forma anos atrás não foi por causa da “morte de sua mãe”, foi porque Ivy morreu…
No entanto, Rune ainda não tinha certeza.
A história de seu pai fazia sentido, mas sem provas para apoiar, seria impossível dizer se era real ou não. E se a história fosse diferente e seu pai só estivesse distorcendo os fatos, apresentando o que queria?
Rune sabia bem, seu pai era perfeitamente capaz de fazer isso.
Após a “morte de sua mãe”, ela viu seu pai virar um homem frio e cruel. Na verdade, mesmo antes disso, Oberon era um homem calculista.
Sim, agora, Rune estava duvidando de cada aspecto da sua vida.
E como poderia não duvidar?
Tudo acontecendo à sua volta era demais para ela.
Primeiro seu irmão, depois seu marido, então seu pai e agora a “morte” de sua mãe. Cada pessoa à sua volta parecia falsa e ter planos próprios.
Era tudo confuso demais.
O que estava acontecendo na sua família?
— Tinha minhas dúvidas quando chequei seu anel de armazenamento, mas e pensar que aquela mulher contatou você.
De repente, Oberon suspirou quando olhou para Felix.
— Seu anel de armazenamento?
Rune franziu a testa.
— Coração Negro.
Oberon respondeu.
— Estava dentro do anel de armazenamento dele.
A expressão de Rune mudou.
Ela arregalou os olhos quando se virou para Felix, que evitou seu olhar. Rune percebeu isto quando pegou o anel de Felix. Sua mente estava focada demais no contrato, então devia ter perdido coisas, mas pensar que Felix estaria carregando o Coração Negro…
— Se você se tornasse o sucessor, aprovaria a chance de usar o Coração Negro quando o sucessor e o Lorde da Cidade tiverem uma refeição segundo a tradição da cidade. Parece algo que aquela mulher pensaria.
Oberon falou e, quando fez isto, Felix olhou para ele com choque.
— O quê? Realmente acha que era um plano grandioso? Ela tentou fazer a mesma coisa antes. E pensar que ainda não aprendeu nada. Como você planejava me matar após eu ser envenenado? Acha que sozinho seria o bastante para me matar após eu ser envenenado?
Oberon perguntou, mas então estreitou os olhos.
— Ou talvez… sua mãe aprendeu algo com o passado e tem algo nas mangas?
Ele então olhou para Felix.
— Ela tem algo mais preparado, Felix?
— Acha que vou contar? — Felix respondeu enquanto encarava de volta.
— Feli-
Oberon queria falar e convencer Felix ao contar como foi sua mãe que estava por trás disto tudo.
— Não confio em você, Oberon Feline.
Porém, Felix falou num tom rouco.
Oberon fechou os olhos e suspirou. Obviamente, ele estava com raiva.
— Pai.
De repente, Rune chamou.
Oberon abriu os olhos e olhou para ela.
— Me dê algum tempo.
Rune respondeu.
Oberon observou sua filha por um tempo e se decidiu.
— Deixarei vocês dois conversarem e discutirem como proceder após isso.
Dizendo aquilo, ele se virou.
— Deixarei uma coisa clara. Não persegui aquela mulher antes porque me senti culpado de como a tratei mesmo sendo minha esposa, mas se é assim que ela vai responder, então desta vez, não ficarei quieto.
— Não importa onde ela esteja, vou encontrá-la e me livrarei dela. Portanto, é melhor escolherem sabiamente.
Após dizer aquilo, Oberon saiu com um olhar frio.
Quando ficaram apenas Rune e Felix, ela olhou para ele e perguntou.
— Foi a nossa mãe que deu o Coração Negro? O que está planejando fazer com isto? Envenenar o nosso pai? E depois? Como ele falou, é impossível você pensar que pode derrotar o pai logo após envenená-lo, certo? Qual é o plano?
Rune questionou.
— Você parece acreditar nele — Felix comentou.
— A história dele parecia mais lógica que a sua. Alguém como a nossa mãe não poderia fugir do nosso pai, mesmo ao queimar sua Força Vital. Essa parte da história definitivamente foi mentira, o que faz você pensar que o resto é verdade?
— Ele só está distorcendo os fatos e tentando nos manipular!
— E quanto à nossa mãe? Ela não está te manipulando para ter sua vingança?
— Não, ela não está! Ela ama a gente! Ela não está tentando manipular ninguém!
— Ama? Então, por que ela está tentando fazer você matar? Até ela deve saber como isto é arriscado. Que mãe sã colocaria seu filho em perigo?
— Não aja como se soubesse de tudo!
Gritou Felix.
— Fui eu que queria fazer isto! Ela foi contra o tempo todo!
— Mas deixou, não é?
— Você só está cega pelas palavras do nosso pai.
Felix bufou.
— Tem certeza de que sou eu que estou cega?
Rune indagou.
— …
Felix não disse nada.
Era como se estivesse dizendo: “Não há necessidade de falar com você”.
Rune suspirou. Ela ainda estava confusa sobre a situação e inclinada a acreditar em Oberon, mas não tinha certeza.
Se Felix pudesse cooperar um pouco, poderia ajudá-la a decidir, mas ele não estava disposto a conversar.
— Isso é um problema…
Rune concordou com aquelas palavras, mas seus olhos então avistaram o homem parado ao lado com um olhar sombrio.
— O que está fazendo aqui?