Durante os próximos dias, consegui ter uma boa ideia de como o livro funcionava.
Depois de experimentar com o livro em várias ocasiões, consegui descobrir os principais usos dele.
Primeiro, sempre que eu quiser mudar algo dentro do livro, mana seria consumida.
Dependendo do que desejava mudar, uma quantidade diferente de mana era consumida para completar a mudança.
Por exemplo, vamos pegar a cena da sala de gravidade.
Eu mudei a configuração da sala de ‘2g’ para ‘4g’. Naquela hora, três quartos da minha mana foi consumida pelo livro.
No mesmo dia, depois de tomar uma poção barata de 50 U para recuperar minha mana, tentei de novo, mas dessa vez, mudei a configuração de ‘4g’ para ‘3g’.
O resultado foi que metade da minha mana foi consumida.
Graças a isso, consegui descobrir que a mudança feita no livro é proporcional a quantidade de mana consumida. Ou seja, quanto maior for a mudança, maior vai ser a quantidade de manda consumida.
Para confirmar, tentei colocar ‘6g’, o que me arrependo agora, pois quase desmaiei tendo toda minha mana sugada para fora do meu corpo.
Quando consegui recuperar um pouco da minha força, descobri que minha mana por completa havia sido drenada. Ao olhar para o livro para ver a mudança que teve, não pude deixar de suar frio. Aparentemente, o MC quebrou uma perna por causa da intervenção que fiz.
Tomando uma poção barata para recuperar minha mana, imediatamente reverti para ‘2g’ novamente, o que descobri que é a melhor configuração de gravidade para o MC.
A próxima coisa que tentei foi ‘15g’. Queria saber o que aconteceria se a mudança ultrapassasse minha capacidade.
O resultado foi que, exatamente cinco segundos depois da mudança, o número foi revertido para ‘2g’ como se nada tivesse acontecido.
A próxima coisa que descobri sobre o livro, era que mostrava dez minutos a frente do tempo atual. Ou seja, mostrava o que está acontecendo a 10 minutos no futuro.
Sem mencionar, que também descobri que se os eventos no livro coincidissem com o tempo atual, não sou mais capaz de adicionar mudanças no livro.
Por exemplo, ‘Kevin saiu da sala de treinamento’.
Quando essas palavras aparecem no livro, significa que o Kevin irá sair da sala de treinamento depois de 10 minutos a partir de agora.
Então quando o Kevin realmente sai da dala no tempo real, não posso mais fazer mudanças no livro. Com isso, consegui deduzir que o livro não pode mudar o passado, mas apenas mudar um futuro possível.
Pra falar a verdade, fui sortudo em usar a poção de recuperação de mana, pois eu estaria bem fudido se o MC tivesse se machucado logo no primeiro dia.
A última coisa que descobri, foi que o livro apenas mostra a perspectiva do Kevin. Ou seja, esse livro é na verdade inútil para mim, já que não sou o Kevin.
Não fiquei triste com esse fato, pois conseguiria usar o livro para ver se posso ajudar o Kevin sem me revelar.
…..
Hoje é o quarto dia do começo as aulas, e hoje é minha primeira aula teórica desde quando cheguei aqui.
Como normalmente o pessoal vem para Loki para desenvolver suas habilidades, a maioria das classes eram baseadas em combate real e treinamento de corpo, portanto ter aulas teóricas são bem raras.
‘Anatomia Molecular’
Esse era o nome da aula teórica. Uma classe incrivelmente complexa que explorava a anatomia dos monstros e das bestas.
Professor Theodore Rombhouse, um pesquisador renomado com vários prêmios em seu nome, era o professor dessa disciplina. Ele e seu time foram os principais responsáveis por desvendar o mistério de por que as bestas enlouqueciam após a introdução de mana na atmosfera.
O professor Rombhouse era um homem de meia-idade, rechonchudo, com cabelos brancos encaracolados e uma disposição tranquila. Se não fosse pelo fato de que seus olhos estavam fixos na enorme criatura deitada sobre a mesa à frente da turma, facilmente o confundiriam com o simpático tio do bairro.
“Como podemos ver, a envergadura dessa pomba fêmea enlouquecida é aproximadamente 1,8 metros, drasticamente diferente de sua antecessora, o pombo, que costumava ter cerca de 70 cm de comprimento. Isso representa um aumento de quase 2,6 vezes no tamanho!”
O professor gritou animado, enquanto acariciava a criatura enorme em cima da mesa. Dava pra ouvir em sua voz que ele estava incrivelmente encantado pela criatura diante dele.
“Após uma longa e conclusiva pesquisa, conseguimos identificar a razão para o crescimento drástico dos pombos. Como todos vocês sabem, minha equipe foi responsável por descobrir por que as feras enlouquecem na presença de mana.”
Finalmente tirando seus olhos da enorme criatura, Professor Rombhouse deu uma boa olhada para a turma e perguntou.
“Agora, alguém consegue me dizer por que os humanos conseguiram manter a sanidade e os animais não?”
Como isso era conhecimento comum, muitas mãos foram erguidas. Já que eu queria me misturar o máximo possível, também levantei a mão sem pensar muito.
“Você na esquerda.”
Ele estava olhando para mim, não é? Só para ter certeza, dei uma olhada atrás de mim para ver se mais alguém tinha levantado a mão. Não quero passar por aquelas situações onde alguém acena pra você, mas na realidade estavam acenando para a pessoa atrás de você.
“Não, não olhe para trás. Estou falando com você, idiota!”
“Comigo?”
“Senhor do céu! Sim, você!”
Esse merdinha! É assim que você fala com o seu próprio criador?!
Ambithaba… este humilde monge será bondoso, só desta vez.
Fingindo entrar em profunda reflexão, olhei para o professor antes de começar a falar. É claro que me fiz de nervoso no início para não chamar atenção. Se eu demonstrasse confiança, o professor automaticamente presumiria que eu dominava o assunto, o que o incentivaria a me fazer mais perguntas no futuro – algo que eu queria evitar.
“Ah, hm. Comparado a nós humanos… ahm… os animais não tem um córtex tão desenvolvido quanto o nosso. Como a mana estimula nosso sistema neurológico, ela acaba precisando que a gente… ahm… processe essa mana no corpo, redirecionando-a para as áreas corretas, pra que ela não se acumule em um único lugar. Como somos estruturados de forma diferente das bestas, temos a capacidade de pensar e reagir a situações – algo que elas não conseguem fazer. Então, quando expostas a uma força invasora, ou seja, a mana, por causa da sua baixa inteligência, as bestas não conseguem reagir adequadamente, e a mana dentro do corpo delas começa a se acumular, principalmente no cérebro, fazendo com que fiquem pouco a pouco fora de controle. Esse processo é conhecido como envenenamento por mana.”
“Uma resposta impressio…”
Impressionado com minha resposta, o Professor Rombhouse estava prestes a aplaudir quando percebeu que eu ainda não havia acabado de falar.
“Existem duas soluções para resolver esse problema. A primeira é esperar que a natureza siga seu caminho e permitir que as bestas se evoluam aos poucos, até conseguirem lançar a mana. A segunda é usar uma ajuda externa para estimular a mana dentro delas. Simplificando: se elas não conseguem usar o próprio cérebro para estimular a mana, por que não usar o do outro?”
“Por exemplo, se utilizássemos uma técnica de circulação comum como a [Constelação de Três Estrelas] e estimulássemos diretamente o local onde a mana está concentrada, de forma que a ativasse o sistema nervoso da bes…”
“ESPERA UM POUCO!”
“Huh?”
Enquanto estava falando, escutei um grito alto e senti duas mãos me segurarem.
“REPETE O QUE VOCÊ ACABOU DE DIZER!”
“Hu-h o-o quê?”
Respondi sem jeito, quando encontrei o rosto do Professor Rombhouse bem na minha frente. Estávamos tão perto, que o nariz do homem estava a centímetros de distância do meu rosto.
Olhando ao redor, percebi que todo mundo estava olhando para mim em choque, até mesmo Melissa, a aluna mais esperta da turma, olhou na minha direção por alguns segundos.
O que aconteceu?
Tenho certeza que apenas falei uma informação normal. Todo mundo deveria saber sobre isso…
“REPETE O QUE VOCÊ ACABOU DE DIZER!”
O Professor Rombhouse gritou com todas as suas forças. Consegui até sentir um pouco de saliva espirrando no meu rosto.
Bem quando eu ia protestar, notei os olhos frenéticos dele me encarando e decidi não dizer nada.
“Comparado aos huma…”
“NÃO! NÃO ISSO!”
Estremecendo e recuando um passo, olhei confuso para o professor.
Você quer que eu repita, e quando eu repito, ainda grita comigo. Tá tudo bem com a sua cabeça?
Vendo minha expressão e percebendo que todos estavam olhando para ele. O professor Rombhouse se acalmou e recuou dois passos.
“Cough Cough desculpa por isso.”
“Não, tudo bem.”
Disse, balançando as mãos.
“Querido estudante, você poderia repetir a última parte que disse, sobre os dois processos que podem curar as criaturas do envenenamento por mana.”
Franzindo o cenho, olhei estranhamente para o professor. Eu perdi alguma coisa?
“Tem duas soluções para o envenenamento por mana. Um é deixar a natureza seguir seu curso por meio da evolução, e a outra é através de ajuda externa.”
“O que você quer dizer com ajuda externa?”
Me interrompendo mais uma vez, professor Rombhouse olhou para mim com brilho nos olhos.
Recuando dois passos, olhei com cautela para o professor.
“Senhor, eu sou afim de mulher.”
“Huh?”
“…?”
Após alguns segundos, você pode ouvir o grito raivoso do Professor Rombhouse ecoando pela sala quando ele entendeu o que eu disse.
“Não estou com paciência para suas brincadeirinhas, repete o que você disse antes!!”
-Ding! -Dong! -Ding! -Dong!
“Parece que a aula acabou, obrigado pelo seu tempo, professor e tchau.”
Sem deixar tempo para ele reagir, assim que o sinal tocou, peguei minha bolsa e sai correndo.
Esse cara era muito estranho.
Primeiro, ele continuou me perguntando conhecimento de fundamental, e segundo, ele continuou gritando sem motivo algum.
O que exatamente eu fiz de errado?
…
Click!
Ao fechar a porta do meu quarto, imediatamente peguei o livro misterioso e o abri.
Preciso descobrir por que do professor teve um surto daqueles logo no primeiro dia de aula.
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Ao sair da sala de aula do Professor Rombhouse, Kevin ficou pensativo.
Se o que o aluno esquisito disse for verdade, então uma descoberta revolucionária acabara de ser feita. Se a solução dele resolvesse realmente o envenenamento por mana, isso poderia aliviar enormemente o estresse que a humanidade enfrenta. Veja a cidade Park, por exemplo – todo ano ela sofre ataques constantes de criaturas marinhas enlouquecidas.
E se eles conseguirem resolver o problema de envenenamento por mana das bestas?
Isso não ajudaria a aumentar a mão de obra na luta contra os demônios?
Por causa do seu ódio em relação com os demônios, Kevin ficou muito animado com a possibilidade da humanidade dar um passo a frente na luta contra eles.
Enquanto andava na direção do seu dormitório, Kevin conseguia ouvir levemente os gritos histéricos do Professor Rombhouse perguntando sobre aquele aluno misterioso.
Estranhamente, a maioria dos estudantes não fazia ideia de quem ele era. Se não fosse pelo fato de o penúltimo colocado da turma ter mencionado seu nome, ninguém na sala teria sequer ouvido falar dele.
“Ren Dover.”
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“…”
Que merda que eu fiz?!
Como que fiz um erro tão estupido assim?!
Porque que quis fazer o papel perfeito de mob, completamente negligenciei o fato de que algumas das minhas informações não foram descobertas ainda.
Fui realmente descuidado.
Eu tinha certeza de que o que disse era algo que todo mundo saberia. Na novel, embora não lembre palavra por palavra, sei que coloquei esse tipo de informação no começo dela.
Sim, isso foi um descuido da minha parte. Minha teoria, é que pelo fato de eu nunca ter mencionado quando e quem descobriu sobre o tratamento do envenenamento por mana na novel, talvez eu tenha falado cedo demais a solução.
Basicamente, revelei a teoria um pouco antes do criador original revelar.
Ou seja, eu atrai atenção para mim mesmo e possivelmente, irritei alguém.
Sem pensar muito, peguei um lápis e apaguei ‘Se não fosse pelo fato de o penúltimo colocado da turma ter mencionado seu nome, ninguém na sala teria sequer ouvido falar dele.’ do livro e substitui por ‘Ninguém da turma sabia o nome dele.’.
-Voom!
Instantaneamente, toda minha mana foi sugada do meu corpo, que caiu sem forças na cama.
Olhando para a mudança, abri um sorriso satisfeito.
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Enquanto andava na direção do seu dormitório, Kevin conseguia ouvir levemente os gritos histéricos do Professor Rombhouse perguntando sobre aquele aluno misterioso.
Estranhamente, a maioria dos estudantes não fazia ideia de quem ele era. Ninguém da turma sabia o nome dele, o tornando numa pessoa misteriosa.
Quem quer que seja, ou ele era sortudo, ou estava se escondendo muito bem.
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Por mais que essa isso não vai mudar nada, pois o Professor Rombhouse apenas pode olhar nos registros e descobrir quem sou, ainda fiz porque assim vou ainda ter mais um dia de paz.
…Isso deve servir de lição pra mim.
Só porque escrevi a história, não significa que sei tudo sobre o mundo dela.
Você só percebe o quanto a novel ignora certos detalhes da realidade quando entra dentro dela.
Por exemplo, antes quando estava procurando pelo manual do [Estilo Keiki], se não fosse pelo fato de que eu tinha uma breve ideia de onde ir, eu nunca teria encontrado aquele lugar. O que escrevi na história, não chega nem perto de como é a realidade.
São os mínimos detalhes que não temos controle sobre…
Soltando um suspiro de alívio, olhei para a nova pagina do livro.
Sendo justo, não tinha o porquê de fazer isso, porque o pessoal viu meu rosto, mas pelo não vou ser perturbado pelo Professor Rombhouse por agora.
Felizmente, eu apenas mencionei duas soluções e exclui a terceira, a qual eliminaria de vez o envenenamento por mana.
O segundo método poderia ser considerado revolucionário no momento, mas na realidade não era tão eficiente assim, já que era mais fácil apenas matar do que curar.
Sim, é possível curá-los e treiná-los para lutar, mas isso era uma solução de longo prazo, pois levaria muito tempo.
Apesar de tudo, mesmo se explicasse a segunda opção, não irei atrair tanta atenção assim.
Nesse tempo, é a força que dita as regras, não a mente.
Com o meu baixo potencial, até mesmo os superiores apenas iriam olhar para mim por segundos e depois voltariam para seus afazeres.
Porém, ainda acho que irritei alguém… especialmente a verdadeira pessoa que descobriu essa hipótese.
Tenho certeza que quem quer que seja que tenha revelado essa teoria, já deve estar em seus últimos experimentos.
Só espero que isso não volte para me fuder…
Fechando o livro, encarei o teto branco e soltei um longo suspiro de cansaço.
“Que merda em…”