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The Author’s POV – Capítulo 13

Realidade Virtual [1]

No dia seguinte, por mais que tentei não chamar atenção o máximo possível, de vez enquanto algumas pessoas olhavam na minha direção.

No momento, estamos no meio de uma aula de engenharia e eu realmente estava tentando me concentrar. Os olhares constantes estavam começando a me tirar do sério. Parecia que eu era a atração principal de um zoológico.

Embora essa matéria não fosse tão popular assim, ainda a achava fascinante. O conceito que estamos falando é algo muito mais avançado do que no meu antigo mundo.

E exatamente por causa disso, que eu estava tão interessado. Portanto, é por isso que as encaradas estão me irritando.

Não consigo me concentrar se eles continuarem me encarando!

“Usando um espelho inclinado, dividimos os dois feixes de laser em dois feixes separados. Isso forma um feixe de objeto e um feixe refletido. Seguindo em direções diferentes, ambos são refletidos por outros espelhos inclinados e, utilizando uma placa F48 e um processador g450, conseguimos processar os feixes para que o software detecte os movimentos humanos. À medida que esses dois feixes se fundem, uma imagem holográfica é criada.”

Bom, era definitivamente uma matéria interessantes, mas isso não significava que conseguia entendê-la. Na verdade, só consegui entender 1% do conteúdo.

Tipo, que caralhos era uma placa F48 e um processador g450?

Só vou continuar aqui e fingir que entendi tudo que o professor disse. Era uma matéria optativa de qualquer forma, então eu realmente não precisava vir aqui.

Mesmo assim, apesar de não estar entendendo nada, só o fato de que estamos explorando tecnologia holográfica já chama minha atenção. Uma tecnologia dessas não existia no meu mundo, o máximo que conseguiram foi o toque de tela no celular.

A tecnologia do meu mundo anterior não era avançada o suficiente para construir aparelhos holográficos puros.

-Ding! -Dong!

“Minha nossa, parece que a classe acabou. Vejo vocês na próxima aula.”

Guardando as coisas, a professora de engenharia sorriu e saiu da sala.

Não se sabia muito sobre a professora de engenharia, exceto pelo fato de que ela aparentemente era bem forte.

Embora já não estivesse em seus dias de glória, sua pele era tão clara quanto jade não polido, com uma beleza, elegância e graça que só os nãos de maturidade podiam conceder. Seus sedosos cabelos castanhos, presos em uma trança, repousavam calmamente sobre o ombro direito. Sua expressão, que parecia estar sempre sorrindo carregava um encanto sutil que fazia todos sentirem um calor maternal vindo dela.

Apesar de eu ser o autor do livro, muitos dos personagens que encontrei durante minha estadia aqui, foram pessoas que nunca apareceram na história, igual a essa professora.

Tendo ficado aqui por cerca de uma semana, achei essa professora a mais agradável entre todos os que encontrei até agora. Ela é gentil e não dava tratamentos especiais para certos alunos, diferente de outros professores que mostravam favoritismo descaradamente para os talentosos ou que tinham uma família com influência.

A maioria dos professores foram ‘gênios’ no tempo de estudantes ou tinham várias conquistas em seu currículo. Todos eles tinham seus orgulhos próprios e por isso, apenas davam atenção para os melhores alunos enquanto ignoravam os medíocres.

Embora não falassem na nossa cara, as expressões dos professores já diziam tudo. ‘E por que, exatamente, eu perderia meu tempo te ensinando? Acha que é digno?’

Mesmo se não formos excepcionais como o Kevin e os outros, apenas o fato de que conseguimos entrar na Loki significa que somos indivíduos capazes.

Pega o antigo dono desse corpo, por exemplo. Apesar dele ter sido um dos mais baixos colocados na sala, se ele fosse para qualquer outra escola, poderia ser considerado um talento de média médio-alta, pois talentos de Classe D ainda eram difíceis de aparecer nesses tempos, com a constante diminuição da população.

O mundo não era justo.

Saindo da classe de engenharia, calmamente voltei para meu quarto. A próxima aula é ‘cooperação tática’, uma nova matéria que utiliza tecnologia virtual para treinar os estudantes. Estou bem animado para essa aula, na real, já que realidade virtual era algo que você só poderia encontrar em filmes ou histórias.

Tirando meu uniforme azul celestial que indicava que eu era do primeiro ano, peguei um traje azul-escuro justo ao corpo e o vesti.

Os uniformes eram separados em três cores diferentes: azul celestial, verde-escuro e vermelho sangue. O azul era usado pelo primeiro ano, o verde-escuro pelo segundo ano e o vermelho sangue pelo terceiro ano. Foi organizado dessa forma, assim as guildas que vinham para observar/recrutar alunos conseguiriam distinguir de forma fácil os novatos dos veteranos. Com o terceirão sendo o alvo principal, já que faltava apenas um ano para se formarem.

Enquanto me matava para colocar o traje, xinguei a pessoa que criou isso.

Confortável era a última palavra que passava pela minha cabeça enquanto eu tentava vestir o traje justo. Sem mencionar o fato de que demorei cinco minutos para colocá-lo, mas exatamente como o nome indicava, o traje era ‘justo ao corpo’, ou seja, conseguia sentir todos os meus músculos sendo apertados pelo traje.

Usar esse traje fez com que meus movimentos ficassem tensos. Porque era tão apertado que parecia que eu estava andando como um robô, além disso, olhando para meu reflexo no espelho, desejei que tivesse um lugar para me enfiar.

Que constrangedor.

Felizmente, a distância entre meu dormitório e a aula de ‘cooperação tática’ era curta, o que me salvou do constrangimento de ser visto com esse traje.

O campus, que cobria uma área de cinco quilômetros quadrados, era divido em 8 seções: A, B, C, D, E, F, G e H.

A zona de aula era localizada na seção A, onde estavam localizadas todas as salas de aula. Situada no canto superior esquerdo do campus, essa área era composta por três edifícios ovais de tamanho idêntico. A razão para haver três edifícios era a separação entre os alunos do primeiro, segundo e terceiro ano.

A seção B era uma área proibida para os alunos e era onde ficavam os escritórios dos professores. Caso alguém precisasse tirar dúvidas ou encontrar um professor depois da aula, teria que ir para essa seção. Ela ficava logo ao lado da seção A e consistia em um grande complexo, com um edifício central em forma de pirâmide de vidro.

A seção C era onde ficavam os laboratórios e as instalações de pesquisa. Para ter acesso a um laboratório, era necessário estar sob supervisão de um professor, caso algo desse errado. Devido aos perigos que as instalações representavam, a seção C ficava afastada das demais e era cercada por defesas de nível militar.

A seção D era para onde eu estava indo no momento, e era onde ficava a sala de realidade virtual. Era uma sala cheia de cápsulas que cada aluno podia usar para entrar no mundo virtual. Ela ficava no subsolo e a alguns quilômetros de distância dos dormitórios, localizados na seção E.

Na seção E, os dormitórios eram separados em cinco prédios diferentes, cada um sendo maior que o outro. O prédio mais afastado e também o mais simples era o prédio ‘Rato Dourado’. É o dormitório mais barato no campus e onde os estudantes que não conseguiam pagar as instalações ficavam.

Ao lado do prédio Rato Dourado, ficava o prédio Carneiro Chifrudo, onde eu estava hospedado no momento. As condições eram um pouco melhores que as do prédio Rato Dourado, mas ainda estavam longe de se comparar aos três próximos: os prédios Mantícora, Hidra e Leviatã.

A partir do prédio Mantícora, cada pessoa tinha sua própria instalação de treinamento particular dentro do quarto, além de um mordomo designado exclusivamente para atender a todas as suas necessidades.

O prédio Hidra, assim como o Mantícora, oferecia instalações de treinamento e mordomo pessoal. No entanto, as instalações eram muito mais avançadas, e também forneciam refeições personalizadas com planos alimentares específicos. As refeições eram todas preparadas por chefs profissionais, usando ingredientes provenientes de ervas raras e monstros.

Por fim, havia o prédio Leviatã. O único prédio que não podia ser acessado por dinheiro. Era lá que os ‘elites’ ficavam. Não importava o quão rico fosse – a menos que provasse ser um talento único, jamais colocaria os pés ali. Esse prédio foi criado com o objetivo de nutrir os talentos que futuramente lutariam contra os demônios que assolavam o mundo. Um grande esforço foi colocado em sua construção, pois era ali que os futuros pilares da humanidade seriam formados. Tudo o que você quisesse, havia lá. Instalações de treinamento, comida de alto nível, mordomos, piscina, salas de realidade virtual, laboratórios altamente seguros… se sentisse que algo estava faltando, bastava pedir – no dia seguinte já estaria construído.

A seção G era onde ficava o centro de treinamento, localizado dentro de um grande edifício de arquitetura quadrada. Ficava a aproximadamente 2 minutos da seção A e a 5 minutos da seção E. Por se tratar de uma instalação pública de treinamento, era necessário reservar um horário com antecedência para poder utilizá-la.

Por último, a seção H, a área que continha a biblioteca e o chamado Cubo. O Cubo era uma área proibida, acessível apenas para os indivíduos de mais alta patente. O motivo de ser considerada uma zona proibida era o fato de abrigar todos os manuais secretos de treinamento, além de ervas e medicamentos divinos. Manuais comparáveis ao [Estilo Keiki] também estavam guardados dentro da instalação, reforçando ainda mais a importância daquele lugar.

Ao chegar na sala de RV, percebi que a maioria do pessoal estava andando igual robô, o que me fez rir de leve.

Obviamente, nem todo mundo estava assim, vendo que alguns andavam de maneira relaxada com o traje apertado, indicando que talvez essa não seja a primeira vez que usaram RV.

Porque estávamos usando trajes apertados, as garotas e os garotos foram separados em diferentes salas, o que me desanimou um pouco, pois não iria me importar de ver Amanda e as outras com essa roupa.

Na verdade, deixa quieto. Como sou o autor da novel, sei mais do que ninguém sobre as personalidades dos personagens principais, então sabia que se eu ousar olhar na direção delas, teria meus dias contatos.

“Muito bem, todo mundo preste atenção aqui.”

Usando um traje apertado similar, o professor entrou na sala e chamou a atenção de todos os presentes.

De pé, imponente, com os cabelos pretos bem arrumados e um olhar penetrante, estava o professor responsável por aquela aula. No momento, ele exibia um sorriso gentil no rosto enquanto tirava um pequeno tablet e começava a fazer a chamada.

Olhando para o comportamento gentil, que o fazia parecer ser a pessoa mais gentil da Terra, debochei secretamente.

‘Eu sei quem você realmente é…’

O professor responsável pela aula de RV é chamado Alfonse Thibaut e na realidade, era um personagem muito importante para o primeiro arco da história.

Resumindo, ele é o que nós consideramos vilões de segunda categoria.

Embora ele não seja um vilão classificado, poderia ser considerado um oponente difícil para o protagonista no momento.

O demônio, com o qual ele assinou um contrato, era parte de uma Tribo das Sombras, o que era uma sub-ramificação do Clã da Ganância, que era um dos Sete Principais Clãs dos demônios.

Os demônios eram divididos em sete clãs, cada um representando um dos Sete Pecados conhecidos por todos: Orgulho, Ganância, Fúria, Inveja, Luxúria, Gula e Preguiça.

Cada clã era comandado por um Duque Demônio, que era tão poderoso quanto – senão mais – que os executivos de mais alto escalão do domínio humano, ou, em outras palavras, equivalentes à Classe SS.

Acima deles estava o Rei Demônio, que no momento poderia erradicar toda a humanidade com um simples movimento de mão. No entanto, devido ao seu imenso poder, ele estava sendo restringido por diversas forças que o impediam de entrar no domínio humano.

Isso até a terceira catástrofe acontecer, que será o tempo onde a guerra dos humanos contra os demônios realmente começara.

Falando sério, eu estava agradecido pelo fato de eu ter o rank mais baixo da sala, já que significava menos atenção sobre mim. Tirando o bullying de vez em quando, estou vivendo uma vida confortável, diferente do Kevin, que vivia sob o olhar constante tanto dos colegas invejosos quanto dos vilões que estavam de olho em seu talento esmagador.

“Como todo mundo está presente, vou ligar as capsulas e vocês podem entrar quando eu falar.”

Vendo que todo mundo estava presente, o Professor Thibaut sorriu e foi até sua mesa, onde havia um grande monitor.

Clicando alguns comandos na tela, ele chamou o nome de cada aluno separadamente.

“Ren Dover, por favor, entre na capsula 55.”

Ao ouvir meu nome ser chamado, contive a empolgação e segui em direção a capsula que me foi designada.

Ignorando os deboches vindo de certos colegas, que sussurravam palavras como ‘caipira’ e outros nomes rudes, me aproximei animadamente da capsula.

Finalmente poderei experienciar um mundo virtual, que apenas via em novels ou filmes.

Ao entrar na capsula e ajudar o capacete na minha cabeça, esperei pacientemente as instruções do professor.

“Estudante Dover, tudo está ok?”

“Sim.”

“Ok, a simulação virtual irá começar em 3..2..1…”

-Tak

A última coisa que ouvi foi o som de uma chave antes de tudo ficar preto.

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