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The Author’s POV – Capítulo 14

Realidade Virtual [2]

-Shua![Processando Informação do Estudante…]

[Análise de Rotina…completa]

[Análise de Digitais…completa]

[Análise de Dados Genéticos…completa]

[Carregando…57%…87%…94%…]

[Rank 1750, Ren Dover, confirmar acesso: S/N]

A tela do capacete aos poucos se iluminou, revelando fileiras atrás de fileiras de informações. Ao levar um minuto para me acostumar com a mudança repentina, olhei as informações e cliquei em S. Depois de confirmar, subitamente, uma musiquinha animada – estranhamente familiar – começou a tocar, ecoando nos meus ouvidos.

O fato de haver vários procedimentos para entrar no mundo virtual não era estranho. Com a tecnologia atual, fingir ser outra pessoa era tão fácil quanto ligar seu celular. Apenas com uma máscara feita sobre medida, qualquer pessoa poderia facilmente se transformar em outra pessoa.

Felizmente, não era difícil de distinguir um vilão, pois vilões passam por várias modificações de genética quando fazem um pacto com demônio. Esse fenômeno ocorre, porque o corpo humano não consegue totalmente se adaptar ao poder dado a eles pelos demônios.

Imagina um balão vazio.

Agora, imagine você mesmo o enchendo com ar. Aos poucos, o balão vai se tornando redondo.

É assim que o corpo humano funciona quando sua mana aumenta.

Agora, imagine o mesmo balão, mas agora em vez de encher com ar, você vai enchê-lo com água.

Diferente do balão com ar, o balão com água, em vez de ficar perfeitamente redondo, vai murchar para baixo devido à densidade da água, o que faz com que sua forma mude.

Agora pegue esse exemplo em consideração e aplica para os humanos, com a água sendo a energia que ganharam dos demônios.

Devido à grande densidade da energia recebida dos demônios, o corpo fraco dos vilões passa por mudanças drásticas para que possam aguentar o novo poder que entrou em seus corpos.

Por causa das mudanças drásticas, uma simples retina, digital ou teste genético poderia confirmar se alguém é ou não um vilão.

Claro, isso apenas funcionava para os vilões fracos. Para os vilões fortes, esses tipos de testes são inúteis, pois seus corpos conseguiam aguentar o poder dados a eles pelo demônio com o qual fizeram o contrato, como o Professor Thibaut. Felizmente, esse não era necessariamente um problema, já que os vilões mais fortes não se importavam em colocar disfarces.

No entanto, mesmo que os vilões fortes evitam se disfarçarem, esses tipos de testes ainda são uma precaução necessária contra os vilões. As consequências de não verificar se alguém era um impostor poderiam ser desastrosas. Imagina o que poderia acontecer se um vilão conseguisse entrar dentro das capsulas de VR. Ela ou ele, poderiam colocar todos os alunos em risco de trauma cerebral ou até mesmo morte.

Se um vilão ganhasse acesso ao sistema de controle principal dos equipamentos virtuais, ele poderia descarregar toda a energia elétrica das cápsulas de uma vez, matando todo mundo por morte cerebral.

Esse tipo de acidente aconteceu inúmeras vezes no passado, resultando em verificações e procedimentos a serem instalados pela empresa que criou as capsulas, devido à quantidade enorme de reclamações que receberam do público.

Bem, e sobre o Professor Thibaut? Tecnicamente, ele poderia muito bem sobrecarregar o sistema e matar todos aqui, certo? Na verdade, ele não consegue, especialmente porque seu papel aqui era extremamente importante.

O motivo pelo qual não estou necessariamente preocupado, é porque o papel principal dele na Loki é transformar futuros heróis em vilões. Ele é o que chamamos de ‘gerente’ ou ‘agente’. Sua responsabilidade principal era transformar estudantes em vilões, explorando as emoções e o ressentimento que sentiam por certos indivíduos ou pela escola.

Além do mais, não era tão simples sobrecarregar o sistema e descarregar uma grande quantidade de eletricidade nas capsulas. Especialmente se tiver acontecendo dentro da Loki, onde vários heróis de ranks altos estavam. Eles facilmente poderiam sentir a acumulação absurda de eletricidade, tornando esse plano quase impossível de acontecer.

Sem contar que, o Professor Thibaut simplesmente não podia se dar o luxo de realizar uma manobra tão arriscada para matar alguém, já que transformar estudantes em vilões era sua principal prioridade.

Se não fosse pelo fato de o Professor Thibaut ter recebido ordens diretas do demônio com o qual fez o contrato para matar o Kevin, ele nunca teria lutado contra o protagonista, pois não era sua responsabilidade.

Como também não é minha responsabilidade livrar-se dele. Se eu me livrasse do vilão de segunda categoria de repente, o Kevin nunca passaria por nenhuma dificuldade, o que se tornaria uma fraqueza quando ele enfrentasse o Rei Demônio.

Aos poucos, o mundo a minha volta começou a mudar e uma luz ofuscante, fez com que eu cobrisse meus olhos.

Piscando por alguns segundos e recuperando minha postura, me encontrei dentro de um quarto branco.

Ao olhar ao redor, consegui ver alguns colegas da minha turma também olhando em volta.

Após aproximadamente cinco minutos, vendo que ninguém mais apareceu, fui em direção aos outros estudantes.

Havia no total de cinco pessoas, excluindo-me, na sala de espera.

Percebendo que eu estava indo na direção deles, alguns dos alunos me cumprimentou diretamente.

“Rank 834, Willian K. Johnson, um prazer em conhecê-lo.”

O primeiro a me cumprimentar foi um garoto de estatura baixa com cabelos castanhos e uma atitude animada.

“Rank 623, Rosaline Tluve.”

“Rank 739, Edward Smith, prazer.”

“Rank 956, Park Jinho, prazer em conhecê-lo.”

Seguindo de Willian, uma garota ruiva e bonita, que se portava com orgulho como um pavão real, me cumprimentou. Havia um ar de indiferença ao seu redor, como se nada a interessasse. Seu tom era frio, dando a impressão de que ela desprezava tudo à sua volta. Assim como eu, ela era uma figurante, e por isso eu não sabia nada sobre ele – o que me levou a supor que sua atitude fria vinha de algum tipo de trauma do passado. Provavelmente passou por algo parecido com Amanda, que também era fria.

Depois de Rosaline, um jovem de cabelos pretos, óculos de armação quadrada e cabelos cuidadosamente penteados me cumprimentou com um tom sério. Julgando por seu jeito e a forma como falava, fiz uma anotação mental para não interagir com ele tão cedo. Não sou muito fã de pessoas tão certinhas.

Por último, Park Jinho, que parecia ser descendente de asiático, mais provável coreano, me cumprimentou com uma atitude modéstia. Ele parecia de alguma forma alerta sobre mim, não sei o porquê…

Ao virar minha cabeça para a última pessoa, que ignorou minha presença desde do começo, tentei o cumprimentar, mas apenas fui ignorado.

Com uma estrutura considerável e um tronco musculoso que não perdia em nada para o de um fisiculturista profissional do meu mundo, estava Arnold Kane. Ele exalava uma aura intimidadora que lembrava a de um gorila selvagem, pronto para atacar ao menor sinal de provocação. Seu cabelo era raspado em um corte militar e suas sobrancelhas estavam sempre franzidas, em consente carranca.

Balançando a cabeça, me apresentei para o resto do pessoal.

Não havia necessidade de realmente cumprimentá-lo, porque já sei quem ele é, mas para não parecer mal-educado, fiz certeza de pelo menos cumprimentá-lo. Se tivesse pulado ele, iria virar alvo de bullying, o que não quero fazer parte.

‘Rank 75, Arnold Kane.’

Um dos três principais lacaios do Jin, que no futuro será conhecido como ‘Montanha de Ferro, Arnold’, devido a sua defesa resistente que consegue aguentar múltiplos ataques de vários oponentes ao mesmo tempo.

Ele é o que chamamos de ‘Forte com os fracos, fraco com os fortes.’ tipo de pessoa. Um valentão típico. A arrogância dele, provavelmente veio do fato de ser um dos lacaios do Jin. O que só posso expressar meu desgosto mentalmente. Quem fica orgulhoso de ser o cachorro de outro?

“Um prazer conhecê-los, sou Ren Dover, Rank 1750.”

“…”

Levou alguns segundos para eles processarem o que disse antes de perderem completamente o interesse sobre mim.

Dando de ombros com as reações, só consegui sentir empatia, afinal, eu entendia o motivo. Quero dizer, estar 800 posições abaixo do segundo pior do grupo era realmente uma diferença e tanto.

Essa era uma sociedade onde força governa tudo. Se você não é forte o suficiente, será ridicularizado por todos. Bom, isso só aplicava a Loki, onde o pessoal ainda é jovem e orgulhoso. Assim que entrarem no verdadeiro mundo e realmente lutarem contra demônios, apenas depois disso que vão realizar o quão imaturos são.

“Lixo.”

O primeiro a falar, obviamente, foi Arnold, que me olhou com desgosto.

Secretamente balançando a cabeça, não pude deixar de lamentar pra mim mesmo por ter feito um mundo cheio de personagens arrogantes.

Não tinha o que fazer, era o que os leitores queriam…

Vão se fuder, leitores.

Sua satisfação foi meu sofrimento.

Bom, de qualquer forma, vou apenas me manter quieto e esperar pelas instruções do professor.

Felizmente, depois de falar meu rank, ninguém tentou conversar comigo, me ajudando a evitar conversas desnecessárias.

[Ehm…ehm… Grupo 7, conseguem me ouvir?]

Interrompendo a atmosfera desconfortável que surgiu por causa da revelação do meu rank, a voz do Professor Thibaut ecoou pelo cômodo.

[Se conseguem me ouvir, dizem ‘Afirmativo’]

“Afirmativo.”

“Afirmativo.”

“Afirmativo.”

“Afirmativo.”

“Afirmativo.”

“Afirmativo.”

[1..2..3..4..5..6. Ótimo, parece que todos estão presentes. Ok, escutem com atenção, pois agora vou explicar as regras. Prestem muita atenção, porque vou apenas dizer uma vez.]

[Como essa deve ser a primeira vez para alguns de vocês no mundo virtual, hoje a classe vai ser mais leve.]

[As pessoas ao seu redor, serão o seu grupo que trabalhara com você na aula de hoje.]

[Antes que digam qualquer coisa, o grupo de vocês está equilibrado de acordo com o computador e, em geral, cada grupo será bem dividido. Embora existam algumas exceções, sobre as quais eu realmente não posso fazer nada.]

‘Não olhem pra mim! Ele estava se referindo ao Kevin e os outros!’

Ao perceber as encaradas na minha direção, não pude deixar de resmungar.

O professor estava claramente falando sobre os estudantes com altas colocações, que provavelmente vão acabar carregando o grupo inteiro nas costas.

Na verdade, não havia tanta diferença de poder entre mim e Park Jinho, o segundo mais fraco do grupo. Bom, isso se estivéssemos comparando com a minha versão de antes de eu assumir o controle, porque agora minha força de combate está em outro nível comparada ao que era há uma semana atrás.

O único motivo por estarem me fuzilando com o olhar, é porque provavelmente queria direcionar suas frustrações em algo.

‘Idiotas imaturos.’

[Cada um de vocês serão transportados para um terreno remoto, que será gerado aleatoriamente pelo computador.]

[Seu objetivo por hoje será sobreviver por uma hora.]

[E tem pontos extras para aqueles que conseguirem completar algumas missões secretas.]

[Vou dar dois minutos para vocês discutirem um plano com seus grupos.]

[Boa sorte!]

[Oh~ Antes de sair, esqueci de mencionar. O último grupo irá automaticamente reprovar nessa matéria.]

-Click!

De alguma forma, os olhares na minha direção ficaram mais fortes.

Não entendo como os outros professores não perceberam que o Professor Thibaut era um vilão. Ele obviamente estava tentando causar discórdia entre os grupos para criar rancor entre nós, com os de rank baixo sendo seus alvos principais.

O ‘reprovar nessa matéria’ é uma completa mentira, pois ele não tem poder algum sobre as decisões de quem passa ou não no primeiro dia.

Isso foi apenas uma desculpa para criar uma situação onde rancor poderia ser criado, fazendo com que os estudantes mais fortes mirassem nos mais fracos.

Essa é um dos tipos de estratégias que ele normalmente usa para fazer certos indivíduos sofrerem, assim conseguiriam enfraquecer a mente deles e, depois, tirar vantagem de seus estados enfraquecidos para transformá-los em vilões.

Se não fosse pelo fato de haver muitos heróis presentes na Loki, o Professor Thibaut teria usado métodos mais extremos para transformar um aluno em vilão.

“Você.”

Apontando na minha direção, a voz grossa de Arnold ecoou através da sala branca.

“Sim?”

“Tenha certeza de sobreviver, senão…”

Colocando a mão em meu ombro, Arnold exerceu uma pressão incrível, quase me fazendo ajoelhar no chão.

-Thud!

“Ugh.”

Depois de confirmar sua força, me ajoelhei no chão como ele queria e soltei um gemido de dor falso.

“Entendeu?”

Ao me ver ajoelhado diante de si, Arnold abriu um sorriso satisfeito e virou para o resto do grupo, que imediatamente assentiram também.

“Ótimo.”

Enquanto fingia ter dificuldade em me levantar, comecei a pensar.

Pela troca que acabei de ter com Arnold, pude medir mais ou menos a minha força.

Confirmei que claramente ainda sou mais fraco que Arnold, mas não por uma grande diferença. Se tivesse que estimar mais ou menos meu ranking, devo estar perto dos trezentos.

Felizmente, por ser um mundo virtual, não sofri muito com a força de Arnold. Mas, não me entenda errado. Só porque não sofri muito, não significa que não estava bravo.

Na real, estava putasso. Como esse filho da puta com cara de gorila ousa me usar para se impor sobre os outros?

Se não fosse pelo fato de eu não querer causar uma cena com você e sua gangue, eu nunca teria me ajoelhado e me humilhado assim.

Não sou igual esses protagonistas com cérebro de peixe que gritam ‘Eu apenas me ajoelho para Deus e meus pais, ninguém mais me fara ajoelhar!’.

Eu vou ajoelhar quando preciso. Mas se prepare para aguentar as consequências por ter me feito ajoelhar.

Encarando a cara orgulhosa e arrogante do gorila, que parecia pensar que tudo estava abaixo dele, mentalmente prometi para mim mesmo em fazê-lo pagar dez vezes pior pelo o que me fez passar.

‘Eu guardo rancor na alma.’

[Muito bem! A simulação está pronta.]

[Vou começar a simulação em 3…2…1]

-Shua!

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