Switch Mode

The Author’s POV – Capítulo 39

Clube [5]

Dentro de um quarto espaçoso decorado em rosa e com uma cama tamanho king no meio, estava deitada uma bela jovem com cabelos castanhos curtos espalhados pelo travesseiro. No momento, ela estava deitada debaixo de um cobertor fino que não escondia a silhueta de seu corpo. 

Sentado ao seu lado, estava um homem alto com o mesmo tom de cabelo, que olhava nervosamente para a jovem descansando na cama. Sua pele impecável, agora estava pálida e se não fosse pelo simples fato de sua respiração estar estável, poderia facilmente ser confundida com um paciente morrendo. 

“…Hmm.” 

Naquele momento, Emma abriu os olhos. O pai de Emma, Oliver Roshfield, e o homem que estava no quarto, percebeu os olhos de Emma se abrindo e imediatamente levantou-se para chamar um doutor. 

“Você acordou. Como está se sentindo?” 

“…Bem.” 

Emma sentou-se na cama e sorriu amargamente para a expressão preocupada do pai. Logo, um doutor chegou correndo para verificar o pulso dela, mas Emma o afastou com um sorriso. 

“Eu estou bem, pai. Nada demais aconteceu…” 

“Mesmo?” 

“Claro. Eu pareço o tipo de pessoa que se machucaria fácil? E outra, o doutor já não confirmou que estou bem?” 

“C-Confirmei.” 

Ouvindo Emma menciona-lo, o Doutor estremeceu de leve e rapidamente concordou com a cabeça. Oliver Roshfield era um homem poderoso e com muitos títulos sob seu nome: ‘Soberano das Chamas, Oliver Roshfield’, em 89º no Rank de Heróis; Prefeito da cidade Ashton e Vice-Diretor da União. Um título mais aterrorizador que o outro. O Doutor sabia que ficar do lado ruim desse homem, só iria tornar sua vida mais difícil. 

Olhando sua filha de cima a baixo mais algumas vezes, Oliver cedeu e sinalizou para o doutor sair. 

“Ela parece bem, está dispensado.” 

“Sim, senhor.” 

O doutor, sem nem precisar ser dito duas vezes, correu para fora do quarto. Olhando para a porta fechada, Emma disse levemente. 

“…Pai.” 

“Hm?” 

Oliver Roshfield respondeu com um tom gentil. 

“Sobre os Parkers…” 

Antes que Emma pudesse terminar de falar, a temperatura do quarto subiu drasticamente. 

“…Pai?” 

Ao notar o que estava acontecendo ao redor, Emma tentou seu melhor para parar seu pai. 

“Pai, para!” 

Colocando as mãos nas bochechas do pai, Emma tentou seu melhor para acalmar seu pai. 

Embora fosse uma das pessoas mais fortes do domínio humano, Oliver Roshfield tinha um ponto fraco. Sua filha. 

Desde a morte de sua esposa, há oito anos atrás, a única lembrança que possui dela era sua filha, Emma. Ainda que tivesse ocupado com seu trabalho, ele sempre acharia tempo para passar com sua filha. Ele a mimava muito. 

Ao vê-la nesse estado, a raiva tomou conta da mente de Oliver, que sentiu uma pontada dolorosa no coração. 

Foi só depois de sentir as mãos macias e quentes da sua filha, que sua raiva lentamente foi se dissipando. 

“…Pai, por favor, para.” 

“Huuu…” 

Soltando um longo suspiro, a temperatura do quarto voltou ao normal e Oliver abriu um sorriso sem graça para a filha. 

Finalmente acalmando seu pai, Emma sorriu de alívio e se jogou na cama. 

“Querida, tem certeza de que está bem?” 

“…Tenho, só preciso descansar um pouco.” 

“Ok, por favor, não se esforce muito.” 

Arrumando Emma na cama, Oliver se levantou e preparou-se para sair do quarto. Quando estava prestes a sair, ele sentiu uma puxada no canto da calça. 

“Pai, você não respondeu minha pergunta de antes.” 

“Sigh… Emma, a situação é mais seria do que imagina.” 

Sentando-se cuidadosamente ao lado da cama, Oliver acariciou a cabeça da morena. 

“O que quer dizer com isso?” 

“Os Parkers já estavam de olho nas nossas propriedades e recursos por um bom tempo.” 

“Se antes eles tinham receio de agir por causa da minha posição, agora que sabem que vou revidar pelo que aconteceu, eles não terão mais nenhuma restrição quando foram lidar com a gente.” 

Pausando brevemente, Oliver segurou firme na mão macia da sua filha e disse.  

“…Então, querida, descanse bem e volte para a escola quando estiver completamente curada. A escola é o lugar mais seguro para você no momento.” 

Franzido o cenho, Emma olhou para seu pai. Nos olhos dele, cheios de um amor sem limites, havia preocupação. Ao ver isso, o coração dela se encheu de carinho, pois ela pôde sentir o quão preocupado ele estava. 

Ao apertar a mão grande do pai, a expressão de Emma se suavizou e ela assentiu. 

“Entendi.” 

Sorrindo gentilmente, Oliver beijou Emma na bochecha e saiu do quarto. 

Assim que Oliver saiu do quarto, sua atitude gentil sumiu por completo, sendo substituída por uma fria e indiferente. 

“…Norman.” 

“Sim, Mestre.” 

Virando sua cabeça na direção de Norman, que esperava pacientemente parado fora do quarto de Emma, Oliver deu suas ordens. 

“Comece a vender todas as nossas ações desnecessárias – quero um bilhão em espécie até o fim da semana.”    

 

“Como desejar.” 

Fazendo uma reverência, Norman sorriu suavemente e saiu, deixando Oliver parado em frente a porta de Emma.  

Já conhecendo seu mestre por um tempo, Norman sabia exatamente o que ele estava planejando. Normalmente, ele seria contra esse tipo de coisa, pois as consequências de uma guerra entre famílias poderes eram imagináveis… mas pensando de volta sobre o que aconteceu com Emma, seus olhos semicerraram e sua velocidade aumentou. 

‘Ela era a vulnerabilidade dos Roshfield.’ 

Ao ver que Norman tinha ido embora, Oliver suspirou e olhou para o quarto da filha. 

Acariciando com carinho a porta de Emma, Oliver deu meia volta e falou baixinho. 

“…Se eu não causar um estrago significativo nos Parkers com isso, então não me chamo Oliver Roshfield!” 

Mesmo sua voz ter saído baixa, ainda carregava uma raiva ilimitada nela. 

=== 

Fechando o livro, suspirei suavemente. 

…Ao que parece as coisas vão ficar difíceis daqui para frente. 

Muitas coisas aconteceram desde da minha experiência de quase morte. Daqui a uma semana, Thobias Church será assassinado. 

Desde os meus momentos de vida ou morte na dungeon, eu aumentei meu tempo de treinamento de cinco horas para nove horas por dia. Sempre que tenho tempo livre, eu treino. Foi só depois de quase morrer, que entendi o quão frágil a vida é. Em qualquer momento, eu posso morrer. Só se for forte o suficiente que consigo sobreviver. 

Sem que eu soubesse, minha perspectiva sobre a vida aos poucos começou a mudar. No começo, pensava que tudo que precisava fazer era treinar e lentamente seguir junto com a história. 

Eu tinha uma mentalidade de babá. 

Apenas siga o protagonista e o acoberte se algo fora da história acontecer. Essas eram minhas ambições. Nada a mais. 

…porém, quanto mais vivi nesse mundo, mais comecei a perceber que havia algo a mais do que uma simples história. 

As pessoas, os belos cenários, os professores, meus colegas… tudo a minha volta era real. Isso não era mais apenas uma novel, e não existiam segundas chances. 

Se aprendi algo desde que reencarnei dentro da minha própria história, é que preciso de poder… 

Pra começo de conversa, se eu tiver poder, não vou precisar ser babá do enredo. 

…não, se tivesse poder, nada poderia me parar de alcançar o que quero. 

Seja os protagonistas, a União, o Rei Demônio… se eu for mais forte, ninguém conseguiria me impedir de viver a vida que desejo. 

Apesar de ainda não ter planos para interferir com o enredo principal, minha ambição de antes de querer supervisionar os protagonistas não existia mais. Preciso pensar mais em mim do que neles. 

Eu quero passar por uma experiência de quase morte novamente? 

Não, nem fudendo. A sensação de ter sua vida tratada como um brinquedo não é algo que eu gostaria de passar de novo. 

…não quero ser mais preso por alguém.

] 

Se quero algo para mim…  

Eu queria algo para mim… e só através do poder eu conseguiria isso. 

Posso até escolher ficar fora do radar por agora, assim poderia construir minha força sem entrar em conflitos desnecessários, mas o dia que decidir revelar meus poderes para o mundo, será o dia que os demônios tremeram de medo por apenas ouvirem meu nome… Ren Dover! 

…e para eu conseguir alcançar isso, decidi excluir todas as distrações ao meu arredor. Não muito depois, comecei a treinar igual maníaco. Todo dia acordando cedo, indo para a academia, para as aulas, comer, e ir para academia de novo. Em um ciclo interminável. 

Uma coisa que começou a ficar irritante, era o fato de que a academia estava começando a ficar cada vez mais cheia. Além disso, a atmosfera não estava boa… 

Duas semanas se passaram desde o evento da feira de recrutamento. 

A tensão se espalhou por toda a academia, e os alunos do primeiro, segundo e terceiro ano passaram a se observar com desconfiança. Isso era principalmente obra do Fabian, que contratou pessoas para começarem conflitos com o primeiro ano. 

Na primeira semana, as coisas não estavam ruins, pois apenas conflitos pequenos aconteceram. No entanto, depois disso, no começo da segunda semana, os conflitos começaram a aumentar para outro nível. 

Primeiro começou quando um aluno do segundo ano espancou um do primeiro só por ter esbarrado nele. Em pouco tempo, alguns dos calouros enfurecidos resolveram tomar para si a responsabilidade de dar uma lição na pessoa responsável pelo incidente. 

No dia seguinte do calouro ser hospitalizado, três alunos do segundo ano foram mandados para o hospital muito machucados, e o que tinha ferimentos mais graves era o mesmo que bateu no primeiranistas. 

Seguindo isso, os conflitos foram se escalando mais e mais. 

Chegou a um ponto onde os professores não podiam passar vista grossa na situação e firmemente alertaram que qualquer um que for pego lutando dentro da escola, seria expulso. Sem exceção. Independente da família e tudo mais. 

Graças a esse anúncio, os conflitos dentro da escola cessaram. 

…Palavras-chave: dentro. 

Isso significava que quando pisasse fora dos limites da escola, tudo era livre. 

Felizmente para mim, eu não tinha muitas coisas para fazer fora da escola, então não estava sendo afetado pelo conflito. Além disso, como meu rank era baixo, era tratado como lixo independente se era calouro ou veterano. 

Nenhuma discriminação… 

Outra coisa importante que aconteceu, foi que os Parkers e Roshfield finalmente começaram atingir um ao outro. 

As ações de cada empresa flutuavam todos os dias, à medida que os negócios de ambos os lados começavam a falir sem parar. 

Era um caos total. 

Os conflitos começaram a aumentar e logo vai chegar na escola… 

Ahhh… 

Não tenho certeza o que sinto sobre isso. A atmosfera da escola estava tão pesada que começou a afetar meus treinos. Felizmente, por eu estar na minha, ainda estava salvo…por agora. 

-Click! 

Fechando a porta do meu dormitório, andei até o meu clube: [Exploração de Comida]. 

Yup, assim como o nome sugere, o clube que escolhi era um que focava em comida. 

Mas não me entenda errado, essa não era minha primeira opção, na verdade, era provavelmente uma das minhas últimas opções. 

… Com os conflitos na academia — em que os veteranos rejeitavam os calouros —, somados às rejeições que tive por causa da minha classificação, fiquei sem opção e tive que me candidatar a este clube. Um clube principalmente focado em comida… bom, não é tão simples quanto parece, mas é algo por aí. 

O que fazia as coisas piores, era que esse clube é o mesmo que Amanda escolheu. 

Por algum desvio do universo, eu acabei parando no mesmo clube que um dos protagonistas que queria evitar. 

…A esse ponto, estava começando a duvidar se meu plano de ficar fora do radar vai funcionar, pois estou sendo constantemente colocado em situações onde interajo com os protagonistas ou luto contra um chefão de nível médio. 

Tipo, sério, o que tem de errado com esse mundo?

 

Eu estava literalmente passando por mais dificuldades do que o próprio protagonista. 

Comentários

5 3 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
6 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar