The Beginning After The End – História Secundária – Capítulo 11

Experimentos e Entendimentos

EMILY WATSKEN

O laboratório estava lotado enquanto nos preparávamos para o último experimento de Gideon.

Dois magos alacryanos estavam em nas extremidades opostas da mesa central, sobre a qual repousava a bandeja de sal e uma grande brasa de sal de fogo.

A bandeja de sal tinha sido colocada em tirantes de ferro, de modo que ficava alguns centímetros acima da mesa e uma segunda bandeja cheia de carvão estava abaixo dela. Embora ainda não tivéssemos começado, o calor que irradiava do sal de fogo já havia feito a camada superior de carvão brilhar em um vermelho fosco.

Um terceiro mago estava atrás de nós. Ele estaria fornecendo uma barreira mágica durante o teste, mantendo Gideon, Brone e eu a salvos de quaisquer resultados inesperados.

“E você tem certeza que esses dois podem regular a liberação de mana bem o suficiente para este experimento funcionar?” Gideon perguntou a Brone novamente, fazendo com que os magos lhe lançassem olhares de reprovação.

Brone soou um pouco arrogante quando respondeu: “Embora seus brasões não sejam excepcionais em batalha, esses dois magos mostraram um controle incrível sobre a mana. Estou mais do que confiante de que eles podem fazer o que você precisa, embora eu ainda não entenda por que eles não podem conjurar feitiços por trás da barreira—”

“Os cálculos são muito precisos!” Gideon disparou: “Eles precisarão produzir exatamente a quantidade correta de vento e calor no tempo exato. Você está sugerindo que eles podem fazer isso enquanto estão protegidos atrás de uma barreira de mana que está afetando tanto a percepção deles quanto o resto?”

“Não, eu suponho que eles não podem.” Brone admitiu. Seus olhos se voltaram para o terceiro mago.

Gideon sorriu, o que o fez parecer ainda mais um cientista maluco. “Apenas uma precaução, caso os conjuradores que você me forneceu não sejam tão bons quanto você afirma.”

Um dos magos virou-se para Gideon, seus punhos cerrados, mas um olhar de Brone o manteve quieto.

“Chega de bater boca aqui, vamos começar essa maravilha.” Declarou Gideon, inclinando-se para frente com as mãos nos joelhos para espiar a mesa. “Acenda os carvões e leve-os a uma chama azul. Assim que a chama ficar azul, lancem um túnel de vento sobre os sais de fogo e eu vou dar mais instruções depois disso.”

Todos se estabeleceram em suas posições enquanto o conjurador com o brasão com aspecto de fogo conjurava uma chama nas brasas. Começou com um fogo alaranjado, então rapidamente passou de vermelho para verde amarelado, e finalmente, um azul claro.

“Um pouco mais de calor, cerca de quatorze graus, até que as chamas fiquem apenas um tom mais escuras…”

(NT Ricci: O Tortuguita não especificou se era °F ou °C, por isso deixei no seco, peço perdão.)

O mago começou a suar enquanto imbuia mana para as chamas. No momento em que o tom de azul mudou, Gideon retrucou: “Pronto! Segura aí!”

Eu me mexi nervosamente e comecei a segurar e apertar a parte debaixo da minha camisa. As chamas estavam muito azuis agora. Nós teorizamos que adicionar uma certa quantidade de calor de mana de fogo e usar mana de vento para fornecer oxigênio aos sais de fogo resultaria em um efeito de combustão, mas o fogo estava vários graus acima do que a gente precisa.

Eu devo avisar?

O foco de Gideon estava inteiramente no experimento. Era sua teoria, ele tinha que saber o que estava fazendo…

O segundo mago empurrou um túnel concentrado de vento através da brasa de sal de fogo, fazendo-a brilhar de laranja brilhante a quase branca.

“Segure a chama!” Gideon gritou quando o fogo azul cintilou: “Faça o vento viajar numa velocidade de 12m/s.”

O mago conjurando o túnel de vento franziu o rosto em concentração enquanto tentava manter seu feitiço nas especificações exatas de Gideon.

Gideon colocou seus óculos de proteção quando a brasa de sal de fogo tornou-se muito brilhante para olhar diretamente, e eu fiz o mesmo. Brone me lançou um olhar de decepcionado, aparentemente Gideon tinha esquecido de dar ao Instilor seu próprio par de óculos.

“Escudeiro, conjure a maior quantidade de barreiras de proteção possível.”

Um painel translúcido de mana apareceu entre nós e o experimento, como um espesso painel de vidro blindado

Brone estava protegendo os olhos com as mãos. Gideon se inclinou para frente de modo que seu nariz estava praticamente pressionado contra a barreira de mana. Ambos os conjuradores estavam apertando os olhos contra o brilho da brasa de sal de fogo.

“Agora, lentamente, faça o vento chegar na velocidade de 15m/s e aumente a temperatura em cinco graus.”

Apesar do calor na sala, um calafrio percorreu minha espinha, fazendo com que arrepios surgissem e viajassem ao longo de meus braços e pescoço. Com tanto calor e vento sendo forçados na brasa de sal de fogo, isso v—

A brasa de sal de fogo explodiu com uma luz branca quente, queimando meus olhos e fazendo meus ouvidos zumbirem. A explosão enviou tremores pelo piso reforçado e encheu o laboratório de poeira enquanto o teto rachava. Mesmo atrás da barreira, senti a onda de choque gerada pela explosão. Embora meus olhos tivessem se fechado atrás do vidro espesso dos meus óculos, pontos coloridos ainda estavam aparentes em minhas rotinas

“Meu Vritra do Céu!” Brone gritou do chão ao meu lado.

Retirei os óculos da minha face e afastei todas as lágrimas em meus olhos piscando forçadamente e comecei a ver tudo normalmente de novo.

O laboratório estava em ruínas. Pedaços da bandeja de sal e da mesa estavam fincados no chão, teto e paredes. As ferramentas tinham sido fundidas ao rack. Havia rachaduras na alvenaria e a porta cedera um pouco para fora. Até a fornalha pesada de metal desmoronou parcialmente com a força da explosão Se não fosse pelas proteções colocadas ao redor da sala, eu tinha certeza que o laboratório inteiro teria desmoronado sobre nossas cabeças.

Quanto aos conjuradores, não havia nenhum sinal deles. Foram desintegrados por completo.

Brone, que deve ter tropeçado e caído durante a explosão, levantou-se e limpou a poeira enquanto demonstrava estar irritado, mas quando ele entrou na sala, além da linha clara que separava as ruínas do laboratório do lado de fora do nosso pequeno canto blindado, um lento sorriso assustador se espalhou por seu rosto esfarrapado.

Gideon limpou a garganta. “Devo ter errado um pouquinho nas contas. Nada que mais alguns testes não resolvam, tenho certeza.”

“Talvez o investimento neste projeto valha a pena, afinal.” Disse Brone vagamente, ainda olhando em volta para a destruição: “Venha comigo, Gideon. Eu gostaria que você explicasse os resultados em primeira mão. Garota, limpa essa merda.”

Com isso, Brone marchou para fora do laboratório. Gideon me deu um olhar sincero e deu um tapinha no meu ombro, então seguiu Brone, me deixando sozinha com o escudeiro pálido, que estava encostado na parede de uma forma que sugeria que ele estava à beira de um surto.

“Você está bem?” Eu perguntei timidamente. Normalmente eu fazia questão de não falar com nenhum dos magos alacryanos que eu via, mas eu simplesmente não conseguia lidar com o constrangimento de estar em uma sala onde dois homens tinham acabado de ser destruídos e ignorando o único outro ocupante.

O escudeiro se afastou da parede e se recompôs: “Aquele desgraçado poderia ter matado todo mundo. Você deve agradecer ao Vritra por minha proteção, por mais indigna que você seja dela.”

O mago saiu do laboratório, deixando-me sozinha, apenas acompanhada com minha raiva gerada pela sua fala.

Respirando fundo, voltei para os destroços do laboratório. Nem sei por onde começar… tudo estava totalmente arruinado.

“Bem, tudo que você começou, você precisa terminar.” Murmurei para mim mesma antes de puxar um pesado alicate de ferro do porta-ferramentas, um dos poucos itens que sobreviveram à explosão, e iniciar o trabalhoso processo de remover estilhaços das paredes do laboratório.


Pareciam que horas se passaram, até que a porta se abriu e Gideon praticamente trotou para o laboratório, carregando uma braçada de pergaminhos. Eu quase não fiz nenhum progresso, apesar de trabalhar tanto que minhas mãos ficaram dormentes.

Gideon nem pareceu notar o estado do lugar. Ele simplesmente limpou a poeira e as marcas de queimadura da bancada de pedra ao lado da fornalha, pegou um lápis de carvão e começou a rabiscar.

“Então?” Perguntei, apavorada.

Ele se virou para mim e coçou a testa, manchando-se com fuligem escura: “Então, o quê?”

Eu apenas o encarei, certa de que ele entenderia eventualmente.

“Ah, a reunião? Bem, o patrono de Oleander parece bastante entusiasmado com os resultados, como deveriam ser.” Ele voltou a escrever: “Sabe, acho que esses sais de fogo têm algum potencial real como fonte de energia. O projeto original para o sistema de trem subterrâneo em que Arthur e eu estávamos trabalhando se baseia em um motor a vapor semelhante ao Dicatheus, mas um motor de combustão movido a sais de fogo poderia ser muito mais eficiente, exigindo significativamente menos volume e permitindo um funcionamento mais longo sem a necessidade de trazer mais combustível…”

Eu me virei para ele e encarei suas costas: “Você acha que sua pesquisa vai ser usada para trens?”

“Claro.” Ele resmungou: “Um dia, certamente será.”

Atravessando o laboratório, apoiei-me na bancada para poder ver o rosto do meu mentor: “Mas, enquanto isso, será usado para armas.”

Ele largou o lápis se virou para mim e disse: “Todo mundo tem seu propósito, senhorita Wattsken, sua essência de vida. A minha é investigação e invenção. A sua é me irritar e buscar a ferramenta certa na hora certa, ou ocasionalmente uma xícara de café. Há outros que se destinam a lutar em guerras, a liderar soldados, a criar estratégias.

A maioria deles estão mortos, e a guerra que travaram foi perdida. Então, se você realmente quer ver o mundo ser um lugar melhor, onde o preconceito não existe, onde guerras não ocorrem, onde o povo pode sair nas ruas sem ter medo de ser assaltado ou até mesmo morto apenas pelo estilo de vida que possui, onde as pessoas não precisem mais se preocupar com o que pode ocorrer com elas apenas por nascerem e viverem em tal lugar. Se você quer que isso aconteça, recomendo humildemente que você não saia daqui e me ajude, pois só assim o mundo que nós tanto clamamos irá aparecer. Entendeu?”

Eu balancei a cabeça com relutância, então fiz uma careta quando me lembrei de algo: “E as instruções que você deu a esses conjuradores? A entrada de vento e calor foi muito maior do que teorizamos.”

Ele ergueu a sobrancelha manchada de fuligem para mim. “Experimentos são perigosos. Só podemos esperar que eles nos enviem magos ainda melhores da próxima vez.”

Com isso, Gideon voltou aos seus papéis.

Soltando um suspiro profundo, peguei meu alicate e voltei ao trabalho.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar