A fileira de carroças entrou em uma base… e isso marcou o fim da organização criminosa que vinha operando principalmente no tráfico de escravos em uma escala razoavelmente grande.
Eles tinham mais força de combate do que os grupos de bandidos que habitavam a área e eram capazes de repelir uma típica equipe de aventureiros, mas aquele que havia entrado na base era Vandalieu.
Uma força ninja emergiu de dentro do corpo de Vandalieu, composta principalmente de Goblins Negros. Os ninjas eram tão poderosos quanto aventureiros de alto nível, e a organização criminosa não conseguiu nem oferecer resistência.
“Vandalieu, você não poderia simplesmente ter mirado direto na base assim ao invés de se esconder entre os escravos?” perguntou Melissa, a ‘Égide’, que tinha pele negra, orelhas pontudas e dois pares de asas transparentes saindo das costas… asas de inseto que cresceram como resultado de sua Habilidade Caótica e por estar equipada junto de insetos pela Técnica de Ligação em Grupo de Vandalieu.
Melissa pensou que seria mais fácil simplesmente atacar as carroças e interrogar alguns dos homens para descobrir a localização da base.
De fato, teria sido simples exterminar esse grupo de criminosos com esse método.
“Melissa, o Rei se esconder entre os escravos não atrasou em nada a nossa eliminação desses caras,” disse Braga, o Goblin Negro que havia se tornado um ninja e agora era o capitão da força ninja.
“Ei, não é como se eu estivesse criticando ele. Só estava me perguntando por que ele escolheu fazer as coisas desse jeito,” disse Melissa, recolhendo suas asas.
“Bem, Melissa, o seu método teria sido bom, mas… eu queria praticar o uso de Invasão Mental e criar um familiar parasita do Rei Demônio. Queria testar isso nesses caras, já que não importaria se desse errado,” explicou Vandalieu.
Ele queria tentar usar Invasão Mental de um jeito em que os alvos ainda parecessem ter suas personalidades normais enquanto estivessem sob o efeito, e não sofressem consequências permanentes quando o efeito fosse removido. A capacidade de fazer isso era muito importante agora que ele estava vivendo em uma sociedade humana.
Testar ao vivo a criação de um Familiar Parasita do Rei Demônio, substituindo parte do cérebro e dos nervos do alvo pelo subcérebro e nervos do Rei Demônio, também era importante.
Se fosse apenas um teste, Vandalieu poderia ter usado amostras como criminosos ou bandidos que capturasse vivos, ou monstros, mas… criminosos capturados tinham psicologia diferente de pessoas livres, e os sentidos de monstros eram diferentes dos de humanos.
Assim, era importante testar em uma situação real.
“Além disso, pensei que seria menos provável sermos pegos de surpresa e haver menos danos desnecessários se entrássemos na base sem sermos detectados,” disse Vandalieu.
“Entendo, faz sentido,” disse Melissa, concluindo a conversa de forma sensata.
Mas um Anão de barba grisalha e cabeça careca interrompeu. “ISSO NÃO FAZ SENTIDO NENHUM! NÃO FODE COMIGO!” ele gritou com voz rouca.
Ele era o líder desse grupo criminoso, uma figura bastante conhecida no submundo, o ‘Hiena’ Gozoroff.
Vestido com uma meia-armadura e empunhando um machado de batalha e um escudo cheio de pontas, ele parecia um mercenário experiente.
Suas veias azuladas estavam visíveis na testa enquanto ele gritava furioso.
“Vocês têm coragem pra ficar conversando assim, na boa! É verdade que vocês fizeram um estrago na gente, mas eu e os meus principais homens ainda estamos vivos e prontos pra briga!” declarou.
Um grupo de cinco, composto por Anões e humanos que aparentemente eram membros de alto escalão da organização criminosa, havia se reunido para continuar a resistência.
“Não fiquem se achando só porque conseguiram convencer um dos nossos guarda-costas, seus fedelhos! Nós vamos massacrar esses Goblins negros e cortar essas orelhas fora!” disse Gozoroff de forma ameaçadora.
De fato, ele também ameaçava o único guarda-costas – Girabat, que estava armado com uma espada e um escudo que havia recuperado do cadáver de um dos outros criminosos.
No entanto, enquanto Melissa e Braga encaravam Gozoroff, Vandalieu nem sequer olhava para ele.
Gozoroff afirmava que ele e seus principais homens ainda estavam ilesos, mas o resto já havia sido eliminado pela força ninja, por Melissa e pelas Abelhas de Geena.
E naquela sala espaçosa que servia de base onde Gozoroff e seus homens estavam encurralados, não havia nada como uma saída secreta. Qualquer possibilidade de virar o jogo existia apenas na cabeça de Gozoroff.
“N-não me subestimem, seus bastardos! Eu vou eliminar aquele traidor, depois pegar aquela mulher e o pirralho como reféns e fugir daqui!”
“Não, nós realmente não estamos te subestimando,” disse Girabat… cujo corpo havia sido tomado por um Familiar Parasita do Rei Demônio, usando o subcérebro e nervos do Rei Demônio. Agora, seu corpo estava sob o controle de um dos clones de Vandalieu.
Dois Anões que estavam na frente, empunhando uma maça e um mangual, avançaram contra Girabat. Um homem humano nos fundos mirou em Braga para mantê-lo afastado, enquanto outro humano começou a recitar um encantamento. Pareciam ser bem versados em combate para bandidos.
“Esmagamento Rochoso!” gritou um dos Anões.
“MORRA, TRAIDOR! GOLPE PESADO!” rugiu o outro.
No entanto, seus movimentos estavam muito lentos aos olhos do Familiar do Rei Demônio.
Eles deviam estar no nível de aventureiros de classe D, talvez?
Graças ao sub-cérebro e aos nervos do Rei Demônio, bem como ao clone de Vandalieu, a velocidade de reação do corpo de Girabat havia aumentado dramaticamente.
Os ataques poderosos dos Anões eram lentos demais diante desses sentidos acelerados. No entanto, a única coisa que havia sido melhorada era o tempo de reação de Girabat.
O corpo de Girabat não vai aguentar se receber esses golpes diretamente.
“… Parede de Ferro, Forma de Ferro,” disse Girabat, ativando técnicas marciais para aumentar sua defesa e flexionando os joelhos enquanto recebia o mangual e a maça com seu escudo e com a parte mais rígida de sua armadura.
Os Anões ficaram espantados pelo fato de ele ter conseguido resistir às suas técnicas marciais, e também pelo fato de ter usado uma técnica marcial de Técnica de Escudo — uma habilidade que ele não deveria ser capaz de usar.
“Q-quão sólido!”
“Girabat consegue usar Técnica de Escudo?? Seu desgraçado, quando diabos você aprendeu Técnica de Escudo?!”
Enquanto isso, a flecha disparada pelo humano foi facilmente desviada pela Égide, a barreira invisível conjurada por Melissa. O arqueiro disparou uma segunda e terceira flecha, pensando que deveria haver algum ponto fraco na barreira, mas rapidamente percebeu que não havia falhas na Égide.
“Não é como se eu não estivesse me esforçando,” murmurou Melissa.
No início, ela só conseguia usar sua habilidade de ‘Égide’ para produzir uma barreira que brilhava visivelmente e ficava centrada nela própria. Com treinamento diligente, ela conseguiu suprimir o brilho da barreira a ponto de torná-la quase completamente transparente, e agora era capaz de conjurá-la a uma certa distância de si mesma.
Claro, essa informação havia sido mantida em segredo dos Bravers e dos membros da Oitava Orientação. Murakami sabia disso, já que havia feito equipe com ela em sua vida anterior. Os únicos outros que sabiam eram Doug, com quem ela tinha um relacionamento inseparável, e Kanako.
“Eu morri para o Mana descontrolado da Pluto antes de ter a chance de usar isso na minha vida anterior, no entanto,” disse Melissa.
“Acontece,” disse Braga.
“Chefe! Não dá, tem uma barreira ou algo assim que impede a gente de chegar em qualquer um deles exceto o Girabat!” gritou o arqueiro.
“Então mira no Girabat, seu idiota!” berrou Gozoroff.
“Não tem como minhas flechas fazerem alguma coisa contra um cara usando a técnica marcial Forma de Ferro, né?!” o arqueiro gritou de volta.
Enquanto isso, o Familiar do Rei Demônio balançou sua espada contra os dois Anões da frente.
“Corte Triplo,” murmurou ele.
“M-Muralha de Pedra!” gritou um dos Anões, levantando apressadamente seu escudo e ativando uma técnica marcial em resposta.
Girabat não era um oficial de alto escalão da organização criminosa. Mas era notório por ter sido expulso da Guilda dos Mercenários, e embora não tivesse dominado a Habilidade de Técnica de Escudo, era conhecido dentro da organização como um homem cujas espadas, empunhadas em dupla com a Habilidade de Esgrima, eram capazes de enterrar inúmeros inimigos de uma vez.
Mesmo com a excepcional Vitalidade de sua raça, o Anão seria cortado limpo através de sua armadura se recebesse um golpe direto do Corte Triplo de Girabat.
No entanto, como um Familiar do Rei Demônio Infestado, Girabat era incapaz de ativar a técnica marcial Corte Triplo. Ele simplesmente tinha dito as palavras “Corte Triplo” com a boca.
Sua espada foi balançada com velocidade, mas não tinha peso algum por trás do golpe, e foi facilmente desviada pelo escudo do Anão.
“Ah…” Girabat murmurou surpreso.
A espada não apenas havia sido desviada; ela havia se partido em dois no meio da lâmina.
Girabat vinha balançando a espada com força imprudente na batalha anterior, já colocando tensão nela. Parecia que golpeá-la contra um escudo endurecido por uma técnica marcial havia sido a gota d’água.
“Certo, agora! Faça a sua parte, seu mago de meia tigela!” ordenou Gozoroff.
“Flash!” gritou o homem que estava recitando um encantamento.
Ao mesmo tempo, os Anões recobraram a compostura e atacaram. Mas não eram só eles; o arqueiro mirou suas flechas restantes em Girabat, e Gozoroff também desceu seu machado de batalha sobre ele.
Cego, o Familiar do Rei Demônio jogou sua espada quebrada usando a Habilidade de Arremesso na posição onde tinha visto seu inimigo antes de ser cegado.
“Uh… Golpe Parafuso, Investida com Escudo, Punho de Ar, Dez Golpes Seguidos Sobre a Cabeça,” ele murmurou.
Sentindo a presença de seus inimigos, ele usou seu escudo como uma arma contundente e, com a outra mão, lançou uma onda de choque em forma de punho e depois desferiu uma série de golpes descendentes.
Gritos e o som de carne e ossos sendo rasgados e quebrados encheram o ar. Quando cessaram, restavam apenas o Familiar do Rei Demônio e o cambaleante Gozoroff.
Gozoroff soltou uma tosse dolorosa e ensanguentada. “Q-que movimento foi aquele… Eu nem consegui ver seus punhos… Meu machado quebrou como se fosse feito de doce…”
Tremendo, Gozoroff deixou cair seu machado, do qual só restava o cabo, no chão.
As pessoas que ele havia nomeado como oficiais de alto escalão tinham habilidade suficiente para liderar um grupo de brutamontes. Ele conhecia particularmente bem os dois Anões, membros de sua própria raça. Eles eram fortes o bastante para enfrentar aventureiros de frente.
Mas um dos Anões estava com os olhos revirados após ter seu escudo esmagado, e o outro jazia em uma poça de sangue depois de receber os golpes sobre a cabeça que não acertaram Gozoroff.
O arqueiro nos fundos estava no chão, com a espada quebrada atravessada em seu peito, e o mago gemia de dor, seu ombro tendo sido reduzido a pedaços pelo Punho de Ar.
O arqueiro e o Anão ensanguentado pareciam estar vivos, surpreendentemente, mas certamente não seriam capazes de continuar lutando. Gozoroff ainda estava de pé, mas mal consciente; sentia como se pudesse cair morto a qualquer momento.
Mas o Familiar do Rei Demônio infestado, que havia feito tudo isso, não saiu ileso.
Flechas haviam perfurado seu peito, e seu escudo estava partido ao meio. O braço que não segurava o escudo estava em um estado particularmente terrível; os ossos estavam quebrados e retorcidos a ponto de ser impossível dizer onde ficava o cotovelo, e a mão havia perdido todos os dedos.
Mas o mais assustador era que não havia nenhuma reação a isso em seu rosto.
“Melissa, já está tudo bem agora. Obrigado,” ele disse, cuspindo o sangue que havia se acumulado em sua boca, sem expressão alguma.
Melissa obedeceu às ordens do Familiar do Rei Demônio… às ordens de Vandalieu, e desfez o Aegis. Mas Gozoroff não era capaz de fazer mais nada agora.
“Eu consigo usar minhas próprias Habilidades Ativas como Técnica de Escudo, Arremesso e Técnica de Combate Desarmado sem problema, mas não consigo usar as Habilidades do corpo base… as Habilidades de Girabat. E minhas Habilidades Passivas não têm efeito também,” murmurou o Familiar do Rei Demônio.
Gozoroff estava confuso. “Do que diabos você está falando, Girabat?” ele perguntou.
Mas Girabat ignorou essa pergunta, e Vandalieu se aproximou de Gozoroff.
“Bem, isso já era esperado, não é. Eu infestei o corpo desse Girabat com uma parte de mim mesmo, tomando-o e o controlando. Girabat está vivo, mas sua consciência está separada. Além disso, mesmo que a velocidade de reação do corpo base seja melhorada, seus músculos e esqueleto continuam os mesmos, então parece que ele não aguentou o recuo,” disse Vandalieu, suspirando enquanto olhava para o braço direito de Girabat, agora inutilizado após usar os Dez Golpes Seguidos Sobre a Cabeça.
“Rei, isso vai servir para alguma coisa em batalha?” perguntou Braga.
“Pode não servir,” respondeu Vandalieu. “Os resultados podem ser diferentes se eu usar um corpo base mais poderoso, mas… não vale o esforço de encontrar um e infestá-lo com o subcérebro do Rei Demônio.”
“Era pra ser usado em infiltração originalmente, né? Vai funcionar bem se você fizer umas aulas de atuação com a Kanako, certo?” disse Melissa.
“Eu já fiz, na verdade… e como resultado, ficou claro que sou desesperadamente ruim em fazer expressões faciais,” disse Vandalieu.
“… Isso é bem sério,” comentou Melissa.
“V-vocês desgraçados… Do que estão falando…?” exigiu Gozoroff, perplexo, uma vez mais ignorado por Vandalieu e seus companheiros.
Talvez ele tivesse sentido uma pequena esperança de que não seria morto.
“Ah, este é o resumo dos resultados deste teste em ambiente real,” explicou Vandalieu. “Você é o ‘Hiena’ Gozoroff, não é? Vou fazer você me contar sobre os mercadores de escravos com quem você planejava fazer negócio.”
Gozoroff riu fracamente. “Eu não me importo de contar, mas aqueles caras são mercadores de escravos legítimos, apoiados por nobres e pela Guilda do Comércio. Eles são bons em apagar qualquer evidência de lidar com escravos ilegais. Não importa o que eu diga, não vai ser possível pegar eles, tô te dizendo.”
“Não, nós não vamos pegá-los. Vamos nos infiltrar, lavá-los cerebralmente e assumir o controle. Assim como isso aqui,” disse Vandalieu.
Em resposta a essas palavras, um incontável número de coisas que pareciam insetos finos se estendeu de uma das orelhas de Girabat.
“Girabat?!” gritou Gozoroff, olhando espantado.
O subcérebro do Rei Demônio, que havia se alongado em uma forma fina e comprida, rastejou para fora da orelha de Girabat usando os nervos do Rei Demônio como pernas.
Girabat gemeu. “Ajud… a…r…” sussurrou roucamente, e então caiu como uma árvore podre e parou de se mover.
“Vandalieu, ele tá morto, sabia?” disse Melissa.
“Porque eu substituí uma parte do cerebelo dele pelo subcérebro do Rei Demônio,” disse Vandalieu. “Assim, no improvável caso de ele ser capturado, ninguém poderia salvá-lo. Na verdade, estou surpreso que ele conseguiu falar no final.”
“Então não seria melhor substituir todo o conteúdo do crânio dele pelo subcérebro?” perguntou Melissa.
“Se eu fizer isso, as funções biológicas do hospedeiro vão parar, e o Mana que estou infestando passa a assumir as propriedades do meu próprio Mana. Existe a chance de ser detectado como sendo de outra pessoa.”
Ouvindo essa conversa, o gravemente ferido Gozoroff forçava desesperadamente seu cérebro para compreender o que estava acontecendo diante de seus olhos.
Em outras palavras, Girabat não o havia traído; o pirralho ali havia mexido na cabeça dele e o controlado. Mas por que ele tinha feito algo assim? Não, mais importante: ele planejava fazer a mesma coisa com os mercadores de escravos que viviam vendendo escravos?
“V-você acha que isso que tá fazendo vai ser perdoado? Você vai assumir o controle deles? Se você encostar um dedo neles, quem vai estar encrencado é você,” disse Gozoroff.
Mercadores de escravos odiavam profundamente qualquer poder emergente que pudesse se tornar um rival comercial. Odiavam o suficiente para que organizações normalmente em conflito cooperassem até certo ponto para esmagar esses possíveis rivais.
Era muito provável que as figuras poderosas por trás deles enviassem assassinos. Se isso acontecesse, simplesmente ser morto seria um dos melhores resultados. Havia alguns assassinos que deveriam ser chamados de “criadores de exemplo”, pois matavam suas vítimas de maneiras tão horríveis que até Gozoroff estremecia só de pensar.
O próprio Gozoroff era chamado de “Hiena”, mas no fim, ele era só uma pequena peça da estrutura toda. Do ponto de vista dos verdadeiros chefes, ele não era mais do que a cauda de um lagarto que podia ser facilmente substituída. Esmagar Gozoroff não faria os mandantes se moverem, mas eles certamente não teriam misericórdia de quem tentasse interferir diretamente em seus negócios.
“Por mais maluco que você seja, isso é definitivamente impossível… Não, será que… Você conseguiria?” murmurou Gozoroff, reconsiderando sua suposição inicial de que seria impossível.
Ele recordou os fenômenos bizarros que haviam acabado de ocorrer diante de seus olhos, e então percebeu que Vandalieu e seus companheiros tinham potencial para virar a estrutura de poder do submundo de cabeça para baixo.
A intuição de Gozoroff estava correta. Entretanto, ele certamente entendeu errado o que viria a seguir.
“Certo, eu vou contar tudo que sei,” disse ele, sorrindo. “A partir de hoje, vocês… não, vocês todos, são nossos chefes. Eu vou ser útil. Então, só me ajudem a tratar meus ferimentos, e…”
“Não, a única coisa que eu preciso é a informação que você tem; eu não preciso realmente de você,” interrompeu Vandalieu, aproximando-se de Gozoroff com a palma estendida. “Vou lançar Atraso da Morte até o fim do meu interrogatório, mas sem cura. Agora, olhe para este olho.”
Havia um globo ocular do Rei Demônio na superfície da palma de Vandalieu, tremeluzindo de modo misterioso graças ao efeito dos órgãos luminescentes do Rei Demônio.
“N-não! Espera, espera!” gritou Gozoroff, tentando escapar. “Por que tem um olho aí?! Para, para! NÃO CHEGA MAIS PERTOOO!”
Mas Gozoroff estava mortalmente ferido. Embora o feitiço de Vandalieu impedisse que ele realmente morresse, ele não conseguia se mover direito com o corpo naquele estado.
Após ser interrogado usando a Habilidade de Agressão Mental, ele cuspiu todas as informações que tinha e então foi descartado.
“Eu tinha certeza de que você seria misericordioso com pessoas que se renderam, mas… E de qualquer forma, você não precisa de peões para assumir uma organização?” perguntou Melissa.
“Depende. Eu preciso de peões, mas não de marginais na ponta da organização. Fazer eles lutarem por nós está fora de questão, e mesmo que eu queira uma organização criminosa como rede de inteligência, isso não significa que eu queira cometer crimes,” explicou Vandalieu.
Vandalieu queria reunir informações e queria uma base para conduzir essa coleta. Administrar um grupo de criminosos que só ganhavam dinheiro saqueando e vendendo escravos seria nada além de um risco para ele.
Quanto aos peões, ele iria lavar o cérebro dos membros da organização que estava prestes a assumir, ou treiná-los depois de transformá-los em Mortos-Vivos. Não havia necessidade de Gozoroff e seus capangas.
“O Rei é sempre assim. Você acha estranho?” perguntou Braga, que seria considerado presa pela sociedade humana, não diferente de bandidos ou monstros.
Pensando no que havia aprendido sobre este mundo até agora, Melissa balançou a cabeça. “Não é estranho, não é? Eu exterminava bandidos quando trabalhava como aventureira, e até a Guilda diz que é perigoso tentar transportá-los para entregá-los às autoridades, então eles dizem para ignorar qualquer pedido de rendição e simplesmente matá-los,” disse ela.
Em Lambda, o conceito de direitos humanos não existia. Assim, a ideia de que até os direitos de criminosos deveriam ser preservados — uma ideia fundamental na Terra ou em Origem — simplesmente não se aplicava em Lambda.
Isso era esperado, já que escravos criminosos existiam em Lambda.
“Mas Asagi e… Amemiya não ficariam felizes com isso,” disse Melissa. “Eles provavelmente diriam algo como: ‘Essas regras deveriam ser mantidas em todo mundo. Como pessoas vindas de outro mundo, devemos ter uma perspectiva diferente das pessoas daqui.’”
Parecia que o ‘Esmaga-Magos’ Asagi e Amemiya Hiroto haviam dito palavras assim aos seus companheiros em Origem. Vandalieu nunca havia conversado com Amemiya antes, então não sabia nada sobre ele, mas sabia que Asagi provavelmente diria algo assim.
Ele havia sido assim quando se encontraram há mais de um ano, afinal.
“Eles capturaram e venderam ilegalmente inúmeras pessoas. São o tipo de gente pela qual existem recompensas para matar, o tipo que seria enforcado ou transformado em escravo criminoso se fosse entregue às autoridades. Como escravos criminosos, mesmo se você excluir usá-los para trabalho em minas ou como soldados descartáveis, eles poderiam virar cobaias vivas para feitiços ou drogas na Guilda dos Magos, ou servir como reprodutores para monstros domesticados na Guilda dos Domadores,” disse Vandalieu.
Então, por que eles diriam que direitos humanos se aplicariam a esse tipo de gente? ele se perguntou.
“Não é porque eles não tolerariam você, um reencarnado como eles, fazendo a mesma coisa?” disse Melissa. “Aliás, o que vamos fazer com as pessoas que foram transformadas em escravos? Mesmo que você quisesse deixá-las viver na Dungeon que você fez, como fez conosco, você não vai estar ocupado por um tempo?”
“Suponho que depende do que eles querem. Eu devo especialmente às pessoas com quem compartilhei a carruagem, e eu jurei que não as machucaria,” disse Vandalieu.
“Você deve algo a eles?” repetiu Braga. “Você os salvou, então não são eles que devem algo a você, Rei?”
“Eu fiz eles passarem por uma experiência assustadora por causa do meu experimento, então eu devo a eles. Especialmente aqueles irmãos.”
Ao beber essa Poção vermelho-negra, com aparência venenosa, enquanto ficavam sob a luz do sol, eles poderiam conquistar o sol e ganhar poder.
Quando ouviram isso, o primeiro pensamento do Vampiro de Sangue Puro Erpel foi que algo tão absurdo seria impossível. A luz do sol não era fatal para Vampiros de Sangue Puro como ele, mas era uma fraqueza que não podia ser superada.
Não, para ser preciso, havia Vampiros de Sangue Puro que a haviam superado. Seu companheiro Zorcodrio, conhecido como “Zod”, que possuía o corpo mais resistente e robusto entre eles, havia sido ativo durante o dia mesmo após se tornar um Vampiro de Sangue Puro.
Zorcodrio arava campos, cultivava colinas e trabalhava em construções enquanto era queimado pelo sol. Assim, em algum momento, ele adquiriu a Habilidade de Resistência à Luz Solar.
Ao saber disso, Erpel e o restante dos Vampiros de Sangue Puro tentaram conquistar o sol, mas… todos falharam. Embora a luz solar não fosse fatal para eles, a dor de ter seus corpos queimados pela luz era desagradável, e eles não conseguiram adquirir a habilidade mesmo depois de suportá-la por anos.
Apesar disso, Erpel estava ouvindo que a Habilidade de Resistência à Luz Solar poderia ser aprendida em várias horas ou vários dias, dez dias no máximo. Isso era inacreditável para ele.
No entanto, Zorcodrio, que Erpel não via havia cem mil anos, lhe deu um sorriso e um joinha.
“Confie em mim. Você pode até achar viciante,” Zorcodrio havia dito, e Vandalieu também recomendara.
Assim, Erpel decidiu tentar.
Como resultado, agora ele estava gritando o mais alto que podia, em plena luz do dia e meio nu.
“ESTÁ TRANSBORDANDOOOOO!” ele exclamou.
Com isso, Erpel bebeu o resto da Poção de Sangue em sua mão. Sons de goles vinham de sua garganta branca. Quando terminou, lambeu as gotas que escorreram do canto da boca com sua língua carmesim.
Suas pupilas brilharam com uma luz penetrante, e suas presas brancas ficaram mais grossas e longas. Se uma pessoa comum o visse agora, provavelmente ficaria imóvel diante daquela visão aterrorizante e ao mesmo tempo sedutoramente bela.
Erpel riu alto. “Eu consegui! Tornei-me um Vampiro Abissal… um Vampiro de Sangue Puro Abissal, igual ao Zorcodrio! Posso sentir o poder subindo sem parar dentro de mim! O que acha da minha nova forma poderosa e bela?!”
“Erpel-sama, meu jeito de falar pode ser feminino, mas isso não significa que eu goste de caras. De qualquer forma, você parece um pouco jovem demais e, sendo honesto, eu diria que você está mais adorável do que forte, acho?” disse Miles Rouge, o Vampiro Nobre que havia sido servo de Gubamon, mas mudou de lado para se tornar subordinado de Vandalieu.
“… Entendo,” disse Erpel, desanimado, abaixando a cabeça sem forças.
No entanto, era verdade que sua aparência não causava impacto, não importava que tipo de pose poderosa tentasse fazer. Ele tinha a aparência de um garoto magro e bonito de meia-adolescência, e até sua voz era relativamente aguda.
“Até a Darcia, minha sobrinha por casamento, me trata como uma criança… Tudo bem. Combina comigo ser um garoto frágil,” disse Erpel, encolhendo-se enquanto se sentava no chão, esmagando uma pedrinha entre as pontas dos dedos.
Enquanto isso, Miles o observava com calma. Não era o tipo de comportamento que se esperaria alguém ter diante de um Vampiro de Sangue Puro, que era equivalente a um deus aos olhos de um Vampiro Nobre.
“… Não acho que existam garotos fracos que consigam esmagar pedrinhas só com os dedos,” murmurou Eleanora, que havia chegado com uma carroça carregada com mais porções de Poção de Sangue.
“Não se preocupe com isso,” disse Miles. “Erpel-sama frequentemente fica cheio de si, então o melhor é ser mais rígido com ele.”
“… Não me culpe se os Vampiros Nobres dos Campos de Descanso de Vida ficarem irritados com você,” disse Eleanora.
Eleanora e Miles eram Vampiros Nobres oriundos de uma facção que adorava deuses malignos. Mas, ao contrário deles, os Vampiros Nobres dos Campos de Descanso de Vida apoiaram os Vampiros de Sangue Puro por cem mil anos, e realmente os respeitavam e admiravam do fundo do coração. Tratar Vampiros de Sangue Puro com desrespeito certamente atrairia a ira deles.
“Eu fui avisado por esses mesmos Vampiros Nobres dos Campos de Descanso de Vida. Eles me disseram que isso é o melhor a fazer, já que Erpel-sama é infantil,” disse Miles.
Aparentemente, os Vampiros Nobres dos Campos de Descanso de Vida já tinham tido problemas com Erpel também… embora isso talvez fosse resultado da afeição criada pela admiração que tinham por ele.
“Sério? É meio… louco pensar que os Vampiros de Sangue Puro são como pessoas normais,” disse Eleanora. “Não que eu queira que eles ajam como o Birkyne,” acrescentou.
“Eu entendo como você se sente. Estou tão surpreso quanto você, mas… definitivamente não quero que ajam como o Gubamon,” disse Miles.
Eleanora e Miles olharam para os cerca de vinte Vampiros de Sangue Puro meio nus à frente deles, soltando fumaça da pele enquanto tomavam banho de sol. Assim como Erpel, eles estavam tentando se tornar Vampiros de Sangue Puro Abissais.
Aproximadamente vinte Vampiros de Sangue Puro, todos com Rank mínimo de 13. Apenas eles seriam força militar suficiente para destruir até mesmo o Império Amid ou o Reino Orbaume, a menos que ocorresse algum milagre, como a descida de espíritos heroicos.
No entanto, eles pareciam um grupo de bêbados.
“Hic! Mais uma bebida!” disse um.
“AAAAH! Ser queimado dói, e beber Poção de Sangue é tão bom que dá vontade de ficar viciado!” gritou outro.
“Este sangue é verdadeiramente supremo! Esta é a bênção do imperador de sangue negro!” disse um terceiro.
“Viva o imperador de sangue negro! Viva nosso príncipe imperial, viva nosso filho!” gritou um quarto.
“Eu entendo por que você está confusa. Mas do nosso ponto de vista, é ainda mais chocante que aquele garoto exibido Birkyne, o velho de olhos esbugalhados Gubamon e aquela moleca que não tem nada desenvolvido além do corpo tenham se tornado aquilo,” disse um homem chamado Dragan, um Vampiro de Sangue Puro que antes fora um Anão.
Dragan já havia se tornado um Vampiro de Sangue Puro Abissal, e bebia lentamente o restante da Poção de Sangue em sua garrafa.
“No passado, até aqueles caras eram pessoas decentes. Não é como se eles não tivessem defeitos, mas… não eram do tipo que matava os próprios aliados por raiva,” lamentou Dragan.
Birkyne, Gubamon e Ternecia adoravam deuses malignos, mas para Dragan e os outros Vampiros de Sangue Puro aqui, eles já tinham sido companheiros que lutaram ao lado deles cem mil anos atrás. Embora tivessem falhas mesmo quando ainda adoravam Vida, podiam ser considerados virtuosos, e certamente não malignos.
“Garoto exibido… Birkyne?” murmurou Eleanora.
“Eu realmente sabia que o Gubamon era um velho de olhos esbugalhados, porém,” disse Miles.
Nenhum dos dois conseguia acreditar que Dragan estava falando do Birkyne e do Gubamon que eles conheciam.
“Eleanora, não se distraia conversando. Por favor, vá entregar a Poção de Sangue,” disse Bellmond, chegando com uma carroça cheia de garrafas vazias junto de um estranho Familiar do Rei Demônio.
À primeira vista, ele parecia um cavaleiro usando um capacete estranho e uma armadura de placas decorada com um grande orbe na altura do peito. Mas, ao olhar com mais atenção, era claramente algo bizarro.
O que parecia ser uma armadura de placas era, na verdade, o exoesqueleto liso do Rei Demônio, e o orbe no peitoral era o orbe-tesouro do Rei Demônio. O capacete estranho era uma cápsula transparente; essa era a única parte que não era um fragmento do Rei Demônio. Entretanto, a massa de carne cinzenta flutuando dentro dela era formada por incontáveis sub-cérebros do Rei Demônio unidos.
Também havia outros fragmentos, como globos oculares, sangue, gordura e estômago, para garantir que ele pudesse funcionar por longos períodos.
Havia um limite para o alcance em que a Habilidade de Controle de Grupo, uma versão superior da Habilidade de Controle à Longa Distância, podia agir. Vandalieu estava atualmente no Reino Orbaume, além desse alcance máximo, mas os Familiares do Rei Demônio em Talosheim ainda estavam ativos graças a esse Familiar do Rei Demônio especialmente criado… o Familiar do Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal.
“Eles estão consumindo mais do que eu esperava. Achei que tinha estocado o suficiente, mas… será que os ingredientes que temos armazenados vão bastar?” disse o clone de Vandalieu que estava operando o Familiar do Rei Demônio, fazendo um som pegajoso ao mexer a cabeça.
Havia Familiares do Rei Demônio especializados em criar Poção de Sangue e outras coisas com a Habilidade de Alquimia, mas eles não podiam fornecer o sangue de Vandalieu, que era um ingrediente crucial, nem produzir Mana do atributo morte.
O único fragmento capaz de criar Mana nova era o orbe-tesouro do Rei Demônio. Além de auxiliar no uso e controle da Mana, como o terceiro olho de Zadiris, esse órgão era capaz de gerar Mana nova.
Mas com o Vandalieu verdadeiro tão longe, a eficiência da geração de Mana diminuía; ele tinha suas falhas. Contudo, ao satisfazer as condições de ter um cérebro e ser capaz de gerar Mana, Vandalieu conseguiu fazer com que esse Familiar se tornasse um pseudo-corpo-principal.
Ele não havia se dividido; era apenas um pseudo-corpo-principal, portanto suas memórias e personalidade eram as de Vandalieu. Fazendo uma comparação com a tecnologia de comunicação da Terra, era como se ele tivesse instalado uma nova torre de comunicação.
“Luciliano e os Demônios da oficina disseram que os ingredientes estocados devem ser suficientes. Ah, mas se não for, talvez possamos ver o Vandalieu-sama real,” disse Eleanora, parecendo tentada pela ideia apesar de seu relatório honesto.
“… Eu entendo como você se sente, mas certifique-se de não distribuir mais Poção de Sangue do que o necessário,” Bellmond a advertiu. “Agora, por favor, vá distribuir a Poção.”
“Hmph, eu sei. Eu não desperdiçaria o precioso sangue de Vandalieu-sama,” disse Eleanora em tom indignado antes de empurrar sua carroça na direção dos Vampiros de Sangue Puro que queriam um refil.
Ela, no entanto, parecia relutante em se afastar do Familiar do Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal; virou-se várias vezes, lançando olhares cheios de saudade.
“Como todos veem os Familiares do Rei Demônio?” murmurou o Familiar do Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal, curioso com o comportamento de Eleanora.
A mente dos Familiares do Rei Demônio era toda a mente de Vandalieu. Eles não eram personalidades separadas, avatares de inúmeras personas, nem personalidades artificiais. Eram todos Vandalieu.
O Familiar do tipo parasita que havia controlado o corpo de Girabat no distante Reino Orbaume, os Familiares que estavam exterminando monstros no Continente Negro junto de Vigaro, Borkus e os outros, o Familiar pseudo-corpo-principal aqui – sem exceção, todos eles eram Vandalieu.
“Eleanora e eu entendemos que todos eles são você, mas sentimos mais atração pelo você real. Você também preferiria ser tocado pela verdadeira Darcia-sama e… Eleanora, não é, Danna-sama?” disse Bellmond.
O Familiar pseudo-corpo-principal tentou assentir desajeitadamente.
“E o motivo de você não ter mencionado a si mesma nessa pergunta é porque essa é simplesmente sua personalidade, não é?” disse Miles, interrompendo a conversa.
“De fato. Ternecia sempre teve um bom corpo desde que era humana, mas nunca teve apelo sexual ou charme. Uma pena também; ela poderia ter uma ou duas histórias para contar antes de se tornar uma Vampira de Sangue Puro se tivesse sequer uma coisinha inocente e desajeitada nela,” disse Dragan.
“Essa é uma preocupação desnecessária,” disse Bellmond, distraída. “Dragan-sama, se já se tornou um Vampiro de Sangue Puro Abissal, então por favor se vista.”
“Pensando bem, chefe, Isla e eu obviamente seremos úteis para coletar informações, mas Eleanora também deve ser útil. Administrar uma organização criminosa é minha especialidade, porém,” disse Miles, promovendo-se enquanto ignorava o olhar gelado de Bellmond.
Ele havia sido um dos membros de alto escalão entre os subordinados de Gubamon, e chamava mais atenção por seu conhecimento sobre coleta de informações do que por suas habilidades de combate… Embora não soubesse disso, “Miles Rouge” era um dos nomes que Birkyne tinha em mente para recrutar quando estava tendo dificuldades para reorganizar sua organização.
“Ainda estamos seguindo os rastros e podando raízes e galhos que não são necessários, afinal,” disse Miles.
Eles estavam assumindo o controle de uma organização criminosa, mas não havia necessidade de obter lucro de seus crimes depois disso. Vandalieu forneceria todos os fundos necessários para manter a organização, afinal.
E assim, não havia como colocar o conhecimento de Miles e dos outros em uso enquanto Vandalieu ainda estava no processo de seguir rastros e se livrar de pessoas como o ‘Hiena’ Gozoroff.
“Além disso, quero que vocês continuem cuidando dos Vampiros de Sangue Puro até que eles se acomodem”, disse o Familiar Pseudo-Rei Demônio.
“… Então essa é sua verdadeira intenção. Sério, se os Vampiros Nobres que trabalham no Descanso de Vida não tivessem todos desmaiado, tudo o que teríamos que fazer era explicar as coisas”, disse Miles.
Os Vampiros Nobres deveriam estar cuidando de Dragan e do ainda desanimado Erpel, mas todos estavam agora em um estado grogue.
Eles tinham tentado se tornar Vampiros Abissais antes dos Vampiros de Sangue Puro, e perderam a consciência por não conseguirem suportar a dor de serem queimados pelo sol.
“Bom, eu também tive subordinados que levaram meses para conseguir, então não há o que fazer”, disse Miles.
“Desculpe por isso. Somos chamados de Vampiros de Sangue Puro e Vampiros Nobres, mas somos muito mais fracos do que aqueles fora da Cordilheira da Fronteira imaginam”, disse Erpel, parecendo ter recuperado a compostura.
“É exagero dizer que somos muito mais fracos, mas é verdade que não somos fortes. Afinal, a guerra contra o Rei Demônio já tinha acabado quando nos tornamos Vampiros de Sangue Puro, e a única vez em que lutamos até a morte contra inimigos tão poderosos quanto nós foi na batalha contra aqueles desgraçados do Alda e do Bellwood”, disse Dragan. “Depois disso, passamos nosso tempo mantendo os fragmentos do Rei Demônio selados e mantendo a barreira, enquanto controlávamos a população de monstros muito mais fracos que nós ocasionalmente… a cada poucos centenas ou poucos milhares de anos. Não tinha como nossos sentidos não ficarem embotados e nossas técnicas enferrujarem.”
O interior da Cordilheira da Fronteira tinha sido pacífico desde cem mil anos atrás até recentemente. E até mesmo a Masmorra mais difícil dentro dela era de Classe A, com o Chefe da Masmorra sendo Rank 12. Não havia ameaças que exigissem que os Vampiros de Sangue Puro, todos Rank 13 ou acima, lutassem com força total.
Eles haviam participado de batalhas simuladas entre si e contra indivíduos fortes como Godwin, mas era difícil dizer que isso tivesse sido suficiente para ficarem mais fortes.
“É como Dragan disse. Bem, nós inventamos alguns feitiços novos no Reino Divino de Vida-sama, e os Vampiros Nobres devem ter treinado pelo menos um pouco nas Masmorras”, disse Erpel. “É assim que é, então Vandalieu, Miles, Bellmond – não esperem que sejamos mais fortes do que nosso Rank sugere. Vocês vão se decepcionar!”
“Quero dizer, só por serem Rank 13, vocês já são bem fortes”, disse o Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal.
“Mas eu realmente quero calar a boca do pessoal do Alda, então vou dar o meu melhor! Se for uma batalha total, podem contar comigo!” disse Erpel.
“… Então devo contar com você ou não?”
“Já que está nisso, por que não dá uma olhada e escolhe uma mulher?” sugeriu Dragan. “Olhe, aquela se contorcendo de dor ali é Giselle. Mesmo antes da guerra contra o Rei Demônio, ela era popular entre os homens humanos porque era uma das Anãs maduras e bonitas, e por ser uma Anã, também tem músculos. Aquela agarrada na Eleanora-jouchan é a Fedilica. Ela originalmente era uma Elfa, e é esperta o suficiente para fazer papelada quando está sóbria. Bem, o problema dela é que quase nunca está sóbria.”
“Dragan, por que você não está recomendando a Bortuna-oba… neesan?! Você não sente pena dela?!” disse Erpel.
“Não, eu sentiria mais pena daquele gorila se eu realmente a recomendasse. Ela também não se encaixa na descrição de ‘moleca’ ou ‘decidida’”, disse Dragan.
“Eu posso ouvir vocês, seus bastardos! Não fiquem zoando o Santo Filho! Querem que eu arranque as línguas de vocês?!” gritou uma Vampira de Sangue Puro tão grande que poderia ser confundida com um Ogro.
Ela correu em direção a Dragan e Erpel com fumaça saindo de sua pele, agarrou a cabeça deles, depois os soltou e voltou para onde estava.
Pouco depois, Dragan e Erpel começaram a se contorcer de agonia, sangue jorrando de suas bocas. Parecia que suas línguas realmente tinham sido arrancadas. Fedilica caiu na gargalhada ao ver isso, e Eleanora aproveitou a oportunidade para fugir com sucesso.
“… Mesmo que cresçam de novo bem rápido, ela realmente não tem misericórdia”, observou Miles.
“Mais importante, por que todos estão tentando apresentar mulheres ao Danna-sama? Isso não deveria ser necessário para os Vampiros de Sangue Puro”, disse Bellmond.
“Tenho certeza de que metade da intenção deles é tirar sarro de mim. Ou pode ser algum tipo de hábito. Quando eles acordaram e deixaram o Descanso de Vida, aparentemente foram chamados para participar de cerimônias em outras nações e dar bênçãos em casamentos e noivados”, disse o Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal.
Eles já conheciam Darcia, e Vandalieu imaginou que se os Vampiros de Sangue Puro estivessem falando sério, teriam se aproximado dela sobre isso. Como não o fizeram, ele assumiu que não era sério.
Darcia estava atualmente visitando o Continente das Trevas para realizar… para aumentar a moral, junto com Legion, Kanako, Zadiris e Zandia.
“Ah”, murmurou de repente o Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal.
“O que houve?” perguntou Bellmond.
“Não, é só que Luciliano derrubou um pouco de Poção de Sangue no laboratório subterrâneo… e os pequenos animais nascidos dos experimentos inundaram o lugar para lamber o que caiu, e parece que todos se transformaram em monstros”, explicou o Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal, contando o que outro Familiar Rei Demônio estava testemunhando.
Os rostos de Miles e Bellmond ficaram tensos.
“Por ‘pequenos animais nascidos dos experimentos’, você quer dizer a prole nascida entre sujeitos vivos e sujeitos Mortos-Vivos transplantados com Ouro da Vida e Prata Espiritual, não é? Se bem me lembro, havia mais de quatrocentos deles”, disse Bellmond.
“… Isso é problemático, não é. Aquele homem ainda está vivo?” perguntou Miles.
“Embora tenham se transformado em monstros, eles não são tão poderosos, e parece que não estão interessados no Luciliano, então tudo bem”, disse o Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal. “Mas… eles estão muito apegados ao Familiar Rei Demônio.”
“Apegados?” repetiram Miles e Bellmond ao mesmo tempo.
O Familiar Rei Demônio do tipo pseudo-corpo-principal confirmou que o Familiar Rei Demônio dentro do laboratório subterrâneo estava completamente cercado por Ratos Grandes e Coelhos Chifrudos.
“Sim, apegados”, disse.
《Você adquiriu os Títulos ‘Imperador do Sangue Negro’ e ‘Imperador Dragão Ancião’!》
“… Eu entendo que o pessoal aqui estava gritando ‘Imperador do Sangue Negro’, mas por que ‘Imperador Dragão Ancião’? Eu me pergunto se aconteceu algo no Continente das Trevas.”