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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 82

A sombra que corrói a mina operada por escravos e a ameaça que se aproxima

Depois de concluir sua mudança de Classe, Vandalieu deixou a Sétima Vila de Cultivo e usou Voo para alcançar Eleanora e os outros, que haviam seguido à frente dele.

Mas havia muitos corvos gigantes voando por perto naquele dia, e voar acima das árvores seria problemático, pois ele acabaria colidindo com eles. Por isso, ele voava a uma altura abaixo dos galhos, se esgueirando entre as árvores.

De repente, houve um som de plop, e Vandalieu sentiu uma sensação desagradável na parte de trás da cabeça.

“Hmm?”

Achando que era excremento de pássaro ou o fruto de alguma árvore que havia caído sobre ele, ele parou e passou a mão pelos cabelos, mas não havia nada ali. Ainda assim, parecia haver algo se movendo.

Mesmo tentando rastrear a sensação com o dedo e usando Experiência Fora-do-Corpo para observar a parte de trás da própria cabeça, não encontrou sinal algum do objeto que havia caído sobre ele.

“… Bem, tanto faz.”

O Sentido de Perigo: Morte não estava reagindo, e embora aquilo causasse cócegas, não o incomodava de fato. Então decidiu ignorar.


Rodcorte percebeu a destruição da alma de Kaidou Kanata antes mesmo do sistema de círculo de transmigração soar o alarme.

Embora não houvesse chance de Kanata se tornar um morto-vivo, Rodcorte já tinha consciência de que existia a possibilidade de sua alma ser quebrada por Vandalieu ou transformada em membro de alguma das raças de Vida.

É claro que isso não teria sido um problema se Kanata tivesse conseguido eliminar Vandalieu, mas no fim das contas, ele foi derrotado. E não foi apenas uma simples derrota.

“A situação está a um passo de se tornar o pior cenário possível,” murmurou Rodcorte para si mesmo.

Era lamentável que a alma de Kanata tivesse sido destruída, mas a recompensa que Rodcorte prometera a ele — reencarná-lo em um mundo sem magia ou monstros, parecido com a Terra, como o filho incrivelmente bonito de uma família rica — já havia levado Rodcorte a remover a alma dele do sistema para se preparar para tal.

Por causa disso, a destruição da alma não causou grandes danos ao sistema.

O verdadeiro problema era que Kanata tinha revelado a Vandalieu que o restante dos reencarnados de Origin também viria para matá-lo, e que mesmo que fossem mortos em Lambda, renasceriam novamente logo em seguida.

Isso fez com que Vandalieu ficasse ainda mais cauteloso e começasse a considerar que seus inimigos renasceriam infinitamente a menos que ele destruísse suas almas.

“Na realidade, as coisas não estão indo tão bem assim.”

Mesmo após a reencarnação de Kanata em Lambda, três dos reencarnados de Origin haviam morrido.

Foi revelado que Shihouin Mari havia matado Kanata — e o fizera por causa dos crimes que ele cometia nas sombras.

Esses eventos resultaram em menos mortes do que Rodcorte esperava, mas o grupo de reencarnados acabou se desfezendo.

Embora todos tivessem vindo da mesma Terra e estivessem “no mesmo barco”, não compartilhavam necessariamente dos mesmos valores. E após três anos em Origin, suas visões de mundo já haviam mudado.

Provavelmente, o motivo de ainda estarem juntos até pouco tempo era a grande influência de Amemiya Hiroto, cujas habilidades superavam as dos demais.

O problema era que os três que haviam morrido não ficaram felizes com o pedido de Rodcorte.

Eles ficaram surpresos ao saber que o morto-vivo que haviam eliminado antes era alguém que também veio da Terra, mas ao serem convocados a matá-lo de novo em Lambda, rejeitaram o pedido.

Rodcorte tentou oferecer recompensas semelhantes às de Kanata, mas eles continuaram dizendo não:

• “Estou cansado de matar. Quero levar uma vida normal.”

• “Ele não consegue nos distinguir dos demais, certo? Nesse caso, prefiro nem me envolver.”

• “Trabalhar com o Kanata? Só pode ser piada. Mesmo que ele tenha sido nosso ex-companheiro, o inferno que passei por causa dele foi indesculpável.”

O primeiro se recusou a lutar, o segundo não queria se envolver com Vandalieu, e o terceiro recusou o pedido por odiar Kanata mais do que Vandalieu.

Assim como em Origin, Rodcorte havia atribuído destinos aos reencarnados para que se reencontrassem, mas era impossível prever como agiriam ao encontrar Vandalieu.

Poderiam fazer o que prometeram e evitar o envolvimento… mas o oposto também era possível.

Se Vandalieu se tornasse uma ameaça aos países e cidades onde renascessem, não poderiam simplesmente ignorá-lo.

Também poderiam até tentar se tornar seus aliados — mas, dado o comportamento rancoroso de Vandalieu após sua morte em Origin, Rodcorte não achava provável que ele os aceitasse.

“Bem, não saberei o que vai acontecer até ver como as coisas se desenrolam,” disse Rodcorte para si mesmo.

“Não consigo prever o que Vandalieu está realmente pensando. Imaginei que ao remover o selo de uma parte do Rei Demônio, ele fosse perder a sanidade por absorvê-la.”

Em Lambda, havia quem utilizasse fragmentos do Rei Demônio… Mas por mais Mana que Vandalieu tivesse, ele deveria ter sido dominado pela parte do Rei Demônio que absorveu.

“Bem, não importa. Posso usar isso para convencer os próximos que reencarnarem em Lambda.”

Rodcorte planejava contar a eles que Vandalieu era perigoso e estava removendo os selos do Rei Demônio.

Mas de forma alguma podia revelar isso aos deuses de Lambda.

Se Alda e seus seguidores descobrissem, não apenas iriam caçar Vandalieu, como também todos os outros reencarnados em Lambda.

Rodcorte temia que o comportamento impulsivo de Kanata tivesse atraído a atenção de Alda, mas aparentemente os deuses ainda não tinham percebido a existência dos reencarnados de Origin.

Talvez tenham achado que Kanata era só um criminoso com uma habilidade única, ou talvez estivessem ocupados demais para examinar os registros dos seguidores.

“De qualquer forma, acho melhor dizer aos próximos que forem enviados para Lambda que Vandalieu pode destruir almas, que recuperou o poder que tinha em Origin e que, em alguns aspectos, o superou.”

Rodcorte havia escondido esses fatos de Kanata, pensando que seria problemático se ele ficasse com medo. No entanto, como resultado, Kanata subestimou Vandalieu e o atacou sem qualquer receio ou plano, o que levou à sua derrota.

Se ele contasse aos próximos reencarnados sobre o perigo de terem suas almas destruídas, eles ficariam mais vigilantes. Provavelmente muitos recusariam o pedido de Rodcorte, mas isso ainda seria melhor do que perder vários deles inutilmente.

“Parece que a discórdia em Origin se acalmou. Muito bem, vou esperar um pouco,” decidiu Rodcorte.


As ruínas que antes haviam sido ocupadas pelo Rei Goblin estavam completamente diferentes agora. Os muros externos permaneciam os mesmos, mas por dentro havia agora muitas construções alinhadas e até torres de vigia haviam sido erguidas.

Era como se a cidade tivesse sido restaurada.

Mas, ao ver os indivíduos reunidos naquela cidade, não se pensaria que fosse uma restauração normal.

“Ah, todos vocês… mesmo eu não estando mais viva, posso reencontrá-los…” — murmurou uma mulher no centro da cidade, com a voz cheia de emoção.

Ela era uma bela Titã de pele escura, curvas abundantes, cabelos e olhos com coloração semelhante a chamas, usando um collant que parecia feito de fogo.

Mas suas pernas terminavam logo acima dos joelhos, e ela flutuava no ar. Na verdade, seus cabelos e collant flamejantes eram feitos de fogo.

Levia, a antiga Primeira Princesa de Talosheim, havia se tornado uma Fantasma em Chamas de Rank 5 (Blaze Ghost) após derrotar Kaidou Kanata.

“Princesa!”

“Levia-sama, nós…!”

“Maldito seja, Duque Hartner!”

Levia estava cercada por centenas de Titãs mortos-vivos.

“Desculpem, todos! Não conseguimos proteger nada do que vocês nos confiaram!”

“Não diga isso! A culpa é da traidora família Hartner! Eles são canalhas que mataram vocês e queimaram a Princesa Levia na fogueira!”

Borkus rugiu em fúria:

“Garoto, vamos invadir aquela mina de escravos agora mesmo, salvar o pessoal e depois arrasar esse ducado todo!”

“Calma, calma,” disse Vandalieu, tentando acalmar o furioso Borkus e os demais Titãs.

“Já falei antes: invadir todo o ducado é perigoso porque o Heinz e o grupo dele estão por aqui.”

De fato, era possível causar um dano enorme ao ducado com as forças que Vandalieu tinha à disposição.

Qualquer muralha de castelo ruiria com um único golpe da espada de Borkus, um morto-vivo de Rank 10 incrivelmente poderoso.

Soldados e cavaleiros não serviriam nem como escudo de carne contra ele.

Além disso, haveria outros mortos-vivos e o próprio Vandalieu os acompanhando.

Eles espalhariam doenças letais e venenos, matariam homens e mulheres de todas as idades, transformariam os mortos em mortos-vivos e repetiriam o ciclo da matança — um verdadeiro exército dos mortos, que cresceria a cada vítima.

Mas havia Heinz, um aventureiro com nível digno de Classe S, e seu grupo, as Lâminas de Cinco Cores.

Havia também outros aventureiros de Classe A e B. E, se a situação se agravasse, outros ducados do Reino de Orbaume poderiam mandar reforços.

Nesse caso, o exército de Vandalieu seria derrotado.

“Então, por enquanto, vamos nos contentar em atacar só a mina de escravos,” disse Vandalieu.

“Tá bom!” respondeu Borkus. “Vamos nessa!”

“Tô dizendo que ainda não,” interrompeu Vandalieu.

Não era por medo de falhar. Com o poder de combate de Borkus e dos Titãs mortos-vivos, eles varreriam facilmente os soldados da mina, que nem estava na linha de frente da guerra, e destruiriam a torre de vigia como se fosse feita de papel.

“Mas seria terrível se todos os escravos acabassem se envolvendo e morressem, né?” apontou Vandalieu.

Se os Titãs atacassem com força total, ninguém poderia prever a reação dos soldados em pânico. Eles poderiam usar os escravos como escudos, ou até cometer atrocidades como estuprar as mulheres antes de morrerem.

Além disso, havia o risco de que os próprios escravos vissem os mortos-vivos como monstros em vez de libertadores.

Se achassem que estavam sendo atacados e preferissem se matar a serem devorados vivos, isso causaria problemas sérios… embora Vandalieu evitasse tocar nesse ponto com Borkus e os outros.

“Sendo assim, vamos nos infiltrar primeiro e fazer com que eles entendam que viemos para salvá-los,” concluiu Vandalieu.

Borkus resmungou, insatisfeito.

“… Não tem outro jeito. Mas o que faremos com a família do duque?”

“Já causei um escândalo público, afundei o castelo deles e recuperei alguns dos tesouros que roubaram. Por enquanto, vamos deixar assim,” respondeu Vandalieu.

Ele havia destruído o cemitério subterrâneo e afundado o castelo para esconder o fato de que havia removido o selo do Rei Demônio.

Isso era algo que faria qualquer um empalidecer só de ouvir, embora para Vandalieu fosse algo simples graças à sua habilidade de Transmutação de Golem, com a qual ele podia construir, consertar ou mover estruturas com facilidade.

O castelo provavelmente não ruiria tão cedo, mas ainda era um símbolo nacional do Ducado de Hartner e, em tempos de guerra, um ponto de defesa crucial.

Portanto, seria necessário construir outro — o que provavelmente custaria uma fortuna… a menos que Vandalieu ajudasse, o que não pretendia fazer.

“Ah, a propósito, Bocchan, sobre os tesouros que você recuperou…” disse Saria.

“Sim, estou com eles agora,” respondeu Vandalieu.

Ele havia recuperado cerca de metade dos tesouros roubados do castelo; o resto foi perdido ou dispersado.

Alguns haviam sido entregues a famílias nobres como recompensa, Poções haviam sido usadas, e outros itens valiosos foram “doado-vendidos” à região central do Reino de Orbaume sob pretexto de apoio militar.

O que restava eram principalmente joias, e não itens mágicos preciosos como a Caixa de Itens (Item Box).

Segundo os espíritos que até recentemente assombravam o duque, a Caixa de Itens ainda existia, mas estava sendo usada para transportar suprimentos a uma base militar ligada ao antigo Ducado de Sauron.

A espada mágica de Borkus, que havia sido quebrada por Mikhail, também era um tesouro nacional dado a ele pelo rei de Talosheim, então já havia poucos Itens Mágicos entre os tesouros nacionais da cidade para começar.

Exceto por alguns como a Segunda Princesa Zandia, a raça Titã não era muito adequada à magia, e Talosheim havia permanecido isolada por cem mil anos. Assim, excluindo os artefatos deixados por Zakkart, era uma nação magicamente pouco desenvolvida.

“Mas vamos deixar o Braga e os outros levarem de volta pra gente,” disse Vandalieu.

Braga e os demais integrantes da unidade dos Goblins Negros planejavam retornar a Talosheim junto com Marie e as outras garotas que eram suas amantes. Vandalieu havia perguntado uma última vez para ter certeza de que as garotas realmente queriam isso, mas a decisão delas não havia mudado.

“Acho que será difícil, mas vou considerar como se estivesse renascendo e viver com essa pessoa.”

“Tenho certeza que vai dar certo. Ele nem é humano, mas é muito mais gentil comigo do que qualquer homem jamais foi.”

“Vou valorizar muito essas duas.”

Braga havia se tornado marido de duas delas e, de repente, parecia mais maduro.

Esse deve ser o poder de um homem popular, pensou Vandalieu.

Mas Braga se virou para ele e o encarou com os olhos semicerrados.

“Rei… não sei o que você está pensando, mas você é muito mais popular com as mulheres do que eu,” disse Braga.

“… Eu tenho consciência disso,” respondeu Vandalieu, que naquele momento estava sendo abraçado dos dois lados, afundado em vales generosos.

“Phew… ver o Bocchan depois de tanto tempo me deixa tão bem,” disse Rita, com um olhar extasiado.

“Uu, é verdade,” disse Saria, tímida e ainda assim incapaz de resistir aos seus desejos. “Sei que é errado, mas realmente não consigo me separar dele.”

Ambas abraçavam Vandalieu com força. Ele já estava na idade de começar a se conscientizar do sexo oposto, então gostaria que elas parassem de fazer isso na frente dos outros.

“Vocês duas, já chega de se agarrarem no Vandalieu-sama,” disse Eleanora para elas.

“Você está tranquila porque ficou com ele o tempo todo, Eleanora-san! A gente ficou em Talosheim!” protestou Rita.

“Eleanora-san, nós, criadas, sofremos de abstinência se ficamos mais de três dias longe do nosso mestre!” disse Saria.

“… Não tenho certeza se esse é mesmo o tipo de coisa que uma criada deveria sentir?” disse Vandalieu calmamente, mas, por alguma razão, Eleanora aceitou os argumentos delas.

“Não há o que fazer,” disse ela. “Mas tomem cuidado para não deixar Vandalieu-sama exausto.”

“Sim!” disseram as irmãs em uníssono.

Rita e Saria afrouxaram um pouco os braços, permitindo que Vandalieu respirasse melhor. Como seus corpos eram feitos de forma espiritual, exceto pelas armaduras, elas proporcionavam um frescor ideal para o calor do verão.

Então, ser abraçado por elas era até confortável — contanto que ele conseguisse respirar.

“Bocchan, todos os Ghouls, a Rapiéçage, a Pauvina-chan e, mais importante ainda, a Darcia-sama estão esperando por você em Talosheim, então… é melhor se preparar enquanto pode.”

“Uau, estou mesmo popular, hein.”

Pelo jeito, Vandalieu seria calorosamente abraçado assim que retornasse a Talosheim.

Seu coração, que havia se despedaçado com os acontecimentos no Ducado Hartner, seria curado.

Será que estou secretando algo do meu corpo? pensou Vandalieu.

Algo como Vandânio, vitamina V ou ácido Van.

Como não havia dispositivos de detecção em Lambda, ele não podia ter certeza, mas era possível que existissem nutrientes e minerais desconhecidos.

De repente, ele ouviu um som de arranhado.

“Ah, Bocchan, tem uma centopeia enorme no seu cabelo.”

Centopeias grandes. Eram monstros de Rank 1, do tamanho de cobras médias. Alimentavam-se principalmente de pequenos animais como ratos e insetos, e não danificavam plantações. Por isso, muitas vezes eram considerados criaturas úteis. No entanto, às vezes subiam em árvores e se agarravam em animais que passavam por baixo para se locomoverem.

“Agora que penso nisso, você disse que mudou de classe para Usuário de Insetos, não foi? Já domou essa aí?” perguntou Saria.

“Huh, parece que sim, sem nem perceber,” respondeu Vandalieu.


Depois de rastejar um pouco pela cabeça surpresa de Vandalieu, a centopeia gigante desapareceu novamente por entre seus cabelos.

“Fico me perguntando como é o ambiente dentro do meu cabelo… Bem, parece inofensiva, então não me incomoda,” disse ele.

“Tem certeza de que é inofensiva?!” Eleanora vasculhava freneticamente os cabelos de Vandalieu, mas parecia incapaz de encontrar o bicho.

“Está tudo bem,” garantiu Vandalieu. “Não está doendo.”

Apesar disso, ele ainda sentia uma cócega incômoda, como se algo rastejasse debaixo da pele.

“Vou chamá-lo de Pete,” decidiu.

Agora que pensava nisso, tinha a impressão de que existia um deus japonês que escondia centopeias no cabelo. Qual era mesmo?

Enquanto tentava recuperar memórias do passado, a princesa Levia aproximou-se suavemente e falou com uma voz tímida:

“U-umm, tudo bem se eu…?”

Mas quem respondeu não foi Vandalieu — foi Rita:

“Você também, Princesa?”

“Sim. Por enquanto, segurar as mãos de Sua Majestade é o suficiente… mas acredito que seja natural que as coisas avancem nesse sentido,” disse Levia, cujas chamas se intensificaram.

Pelo seu comportamento e expressão, isso provavelmente era o equivalente espiritual a corar de vergonha.

“Natural que as coisas caminhem assim… Bem, suponho que esteja certa,” concordou Eleanora.

“A filha da antiga família real e o novo rei… Historicamente, isso não é incomum. Embora, na maioria das vezes, termine em tragédias ou casamentos políticos,” comentou Sam.

Segundo elas, Vandalieu e Levia terminarem juntos era um desfecho natural.

“Uau,” disse Vandalieu. “Está todo mundo concordando com isso.”

Pelo visto, era assim que as coisas iriam acontecer. Vandalieu não se sentia particularmente descontente com isso, e Levia era essencial para que ele utilizasse sua habilidade de Magia de Espíritos Mortos, então seria conveniente tê-la por perto.

Do ponto de vista emocional, ele também se sentia feliz por ser admirado por uma mulher tão bela.

Mesmo com sua idade física ainda colocando isso em questão, era natural gostar de pessoas que se considera bonitas.

Ele já havia sido prometido em casamento com a irmã mais nova da Princesa Levia, a Princesa Zandia.

“Muito bem, pode casar com ela, moleque! Eu não pensei que você fosse colorir a Princesa Levia antes da Zandia-jouchan, mas isso é coisa de homem!” disse Borkus.

“Borkus, pra onde foi toda a sua raiva e ódio de antes?” perguntou Vandalieu.

“Aquilo é aquilo, isso é isso,” respondeu ele.

“Entendo. Vamos apoiar o Bocchan juntos,” disse Rita.

“Muito obrigada,” disse Levia.

“Nascemos e morremos em lugares diferentes, mas estamos juntos após a morte,” disse Saria.

“Eu ainda não morri, mas se você é devota ao Vandalieu-sama, então somos companheiras,” disse Eleanora.

“Aliás, essa roupa que você está usando… é uma tentativa de competir com a gente?” perguntou Rita.

“Não, ela é feita das minhas chamas,” explicou Levia. “Posso fazê-la parecer mais um vestido, mas aumentar a área da superfície consome mais mana, então estou sendo eficiente.”

Parece que as mulheres haviam chegado a um entendimento.

“Por favor, cuide de mim por muitos anos,” disse Levia a Vandalieu. “E vocês também, se possível, grandes irmãs,” completou, dirigindo-se a Rita e Saria.

Sendo abraçado pela bela Titã que teria mais de 2,5 metros de altura se tivesse pernas, Vandalieu se sentiu completamente envolvido.

“Tenho um longo futuro pela frente,” disse Vandalieu. “Afinal, vou viver por milênios.”

Aliás, Levia e os Fantasmas de Fogo podiam controlar o calor de seus corpos, podendo reduzi-lo até a temperatura de um banho morno.

As chamas de Levia eram quentes, mas não o suficiente para queimar. Ela deu uma risadinha enquanto cobria Vandalieu com suas chamas.

“Você diz isso, mas nossas expectativas de vida são ilimitadas. Afinal, já estamos mortas.”

“Você me pegou nessa,” respondeu Vandalieu.

Eleanora e os mortos-vivos abençoaram o casal tranquilo, mas havia aqueles que sentiam um certo perigo no ar.

“Querido, será que o Vandalieu-sama é do tipo que pega qualquer uma que aparecer?” perguntou Marie.

Ela e as outras amantes dos Goblins Negros estavam preocupadas com a maneira como o rei da nação para onde estavam indo lidava com seus relacionamentos.

Elas não sabiam quase nada sobre política, mas tinham ouvido dizer que a libertinagem dos reis no passado estava entre as maiores causas da ruína de suas nações.

“Isso não é verdade. O Rei escolhe suas mulheres de forma apropriada,” disse Braga, tentando tranquilizá-las.

Embora o Ducado Hartner fosse vizinho da Cordilheira da Fronteira, seus recursos minerais eram limitados. Isso se devia ao fato de que até mesmo as áreas subterrâneas da cordilheira eram zonas perigosas infestadas por monstros, impossibilitando qualquer operação de mineração, e também porque nenhuma veia promissora de minério havia sido descoberta em outras montanhas.

Por isso, o ducado dependia de várias Dungeons e da mina localizada no extremo sul do território para obter seus recursos minerais.

Mas a produção de minério dessa mina havia caído drasticamente cerca de duzentos anos atrás e nunca se recuperou. Quando ainda havia comércio com Talosheim, o ducado continuava importando metais enquanto procurava por novas veias na mina, mas esses esforços foram eventualmente abandonados.

Os mineiros foram substituídos por muros como os de uma prisão, soldados e escravos.

Agora, não eram mais mineiros comuns, mas escravos criminosos, em sua maioria, que extraíam e fundiam o minério.

No entanto, nos primeiros dias da mina, ela não era operada por escravos criminosos comuns, mas sim por mulheres e crianças de Talosheim, que haviam sido falsamente acusadas e transformadas em escravas. Por isso, eram tratadas de forma diferente do que se poderia esperar.

Apesar da aparência exterior parecer a de uma prisão, havia uma vila de escravos dentro dela. Normalmente, escravos criminosos seriam tratados pior do que cavalos ou gado, mas o duque da época aparentemente temia que alguns sobreviventes de Talosheim ainda estivessem vivos.

Na época, não se sabia se os aventureiros de Classe A — o Rei da Espada Borkus, a Santa Jeena e a Pequena Gênio Zandia — estavam vivos ou mortos.

Na realidade, os três haviam sido mortos por Mikhail, mas os subordinados do Vampiro de Sangue Puro Gubamon roubaram os corpos de Jeena e Zandia, enquanto um terceiro subordinado enfrentou Mikhail mortalmente ferido. Assim, o Ducado Hartner não tinha informações precisas sobre os heróis.

Por isso, o duque precisava de reféns, caso eles tivessem sobrevivido contra todas as probabilidades. A Princesa Levia também teria servido como refém, mas deixá-la viva daria margem para que outros ducados a usassem como símbolo para culpar o Ducado Hartner ao invés do Império Amid.

Além disso, Titãs tinham corpos robustos, e até mesmo as crianças eram capazes de realizar trabalho físico mais pesado do que um humano adulto. Por isso, foram usados na mina, com muito cuidado para que não fossem mortos pelo excesso de trabalho.

Com o passar do tempo, esse tratamento se normalizou, e os escravos da mina passaram a receber condições de vida que permitiam permanecer ali por longos períodos, diferentemente de outras minas.

Havia uma cidade de soldados encarregados de uma família que praticamente havia nascido como escrava. Assim era a mina.

Na mina administrada por escravos, dois soldados passavam o tempo com conversa fiada enquanto observavam os trabalhadores que mineravam com coleiras no pescoço.

“Ouvi dizer, mas ainda não sabem quando os ‘novos produtos’ vão chegar,” comentou um deles.

“É, algo sobre uma infestação de monstros na cidade, né? Já cansei de ouvir isso,” disse o outro.

O mercador viajante que havia trazido suprimentos como comida para a mina — que chegara ontem e partira esta manhã — trouxe a notícia de que uma onda de monstros havia ocorrido na cidade de Niarki. Essa informação logo se espalhou por toda a mina.

Soldados nascidos em Niarki entregaram cartas ao mercador para serem enviadas às suas famílias. Mas os dois soldados que estavam conversando agora tinham nascido em outros lugares, então a notícia não lhes dizia respeito.

“Mas isso significa que não vão chegar novos recrutas barulhentos, então não é uma coisa boa?”

“É, tem razão… Às vezes chegam uns caras que ficam com pena de matar Goblins e acabam vomitando.”

Os soldados designados para essa mina se dividiam basicamente em dois grupos. Um era o grupo dos “aposentados”, formado por soldados que não podiam mais lutar na linha de frente por conta da idade ou de ferimentos, mas que foram enviados para cá para não passarem fome ou virarem criminosos.

O outro grupo era de recrutas novos, enviados para cá para treinamento, já que a região era vasta e habitada apenas por monstros fracos como Goblins.

Essa dupla de soldados pertencia ao primeiro grupo e, sempre que novos recrutas chegavam, eles tinham que cuidar deles e acabavam sobrecarregados.

Recrutas de famílias nobres, nascidos como terceiro filho ou mais, tinham muito orgulho e eram particularmente problemáticos.

Eles eram apenas recrutas em termos de patente, mas ao mesmo tempo, eram nobres e futuros candidatos a cargos no governo, então precisavam ser tratados com cuidado.

Se o oficial superior dos soldados fosse competente, isso seria mais fácil, mas… o atual governador da mina operada por escravos era o Visconde Besser, um nobre honorário. Ele havia sido um nobre da facção do Lorde Lucas envolvido com assuntos militares, mas cometeu um erro que causou sua despromoção. Era alguém que acreditava que nobres eram seres superiores, declarando que “somente nobres eram humanos de verdade”.

Nem era preciso dizer de quem Visconde Besser gostava mais — dos soldados plebeus como esses dois ou dos jovens frágeis nascidos em famílias nobres.

“Mesmo assim, esses ‘produtos’ não virem é… Ultimamente só temos caçado Goblins mesmo.”

“Agora que você falou, tem muito Goblin por aqui, né? Mas parece que o número deles diminuiu um pouco. Será que apareceu um Rei por perto?”

“Para com isso, dá azar dizer uma coisa dessas. O que quero dizer é que, sem ‘produtos’ e sem comida boa, a gente não tem nenhuma diversão no dia a dia.”

“É… afinal, estamos num lugar desses.”

A mina operada por escravos não era um bom local de trabalho para esses soldados. Se queriam comer algo gostoso, precisavam sair para caçar. Claro, também não havia teatros, tendas de espetáculo ou artistas de rua para aliviar o tédio diário.

Para esses soldados, as únicas fontes de prazer eram os suprimentos trazidos pelo mercador viajante, algumas comprinhas — e os “produtos”.

“Pelo menos temos os ‘produtos’ que chegaram ontem, né?”

“Você não viu? Não tinha uma sequer de qualidade entre os que vieram ontem…”

“Você é que é exigente demais. São só escravos mandados pra mina; seria mais estranho se tivesse algum de qualidade, não acha?”

Os “produtos” dos quais os soldados falavam eram escravos. Claro que eles não eram levados ali para fazer performances — a diversão que os soldados tiravam deles era outra.

“Tinha aquela bandida que virou escrava criminosa e foi trazida pra cá, lembra?”

“O rosto dela era até bonito, mas não tinha peito nenhum. E a cabeça parecia meio quebrada também. E isso foi anos atrás.”

Os escravos trazidos para essa mina eram estoques encalhados dos comerciantes de escravos — basicamente, mercadorias rejeitadas, e a maioria era de escravos criminosos que ninguém queria comprar. Mas, é claro, algumas eram mulheres.

Essas mulheres se tornavam brinquedos dos soldados.

“Sempre tem as Titãs, né?”

As mulheres refugiadas de Talosheim eram tratadas do mesmo jeito.

“Diferente de você, eu não gosto de mulher gigante. Parece que estão sempre te menosprezando. E se a gente exagerar, quem acaba punido somos nós. Ah, cara… essas vilas de cultivo podiam logo virar cidades fantasmas.”

“A gente também é punido se exagerar com os outros escravos, lembra? Teve aquela vez que a gente se empolgou demais e alguns morreram. O visconde ficou furioso, dizendo pra não reduzir a força de trabalho à toa.”

“É verdade. Fazer o quê… vou escolher uma qualquer por enquanto… aquela ali serve, acho.”

Os olhos de um dos soldados pararam sobre uma criança escrava de cabelo branco, que usava um pano cobrindo um dos olhos. Os olhos sem vida da menina não eram incomuns entre os escravos da mina, mas talvez o soldado tenha se atraído por sua pele branca, como se nunca tivesse visto o sol.

“Ei, ela não é pequena demais pra isso?” questionou seu parceiro.

“E daí? Nem vai sobreviver até o mês que vem mesmo. O que eu fizer só vai encurtar um pouco mais a vida que ela já ia perder de qualquer jeito.”

O soldado chamou a escrava de cabelo branco, que empurrava um carrinho cheio de minério, a puxou e a levou embora para algum lugar.

Claro que ainda estavam em serviço, mas esse tipo de coisa acontecia há muito tempo, então Visconde Besser ignorava, desde que os soldados não fizessem isso na frente dos recrutas novatos. Naturalmente, o outro soldado também ignorou as ações de seu parceiro.

No entanto, seu parceiro retornou menos de vinte minutos depois. Achando estranho, o soldado perguntou:

“Ei, isso foi rápido demais. O que aconteceu com a escrava? Se ela morreu, você pelo menos se livrou do corpo direito?”

Apesar de a escrava ser uma criança, o soldado não valorizava nem um pouco sua vida. Mas sabia que não seria bom deixar o cadáver por aí. Insetos poderiam se espalhar, e uma doença poderia colocar todos em risco.

Quando chamou seu parceiro, ele moveu apenas os olhos para olhá-lo.

“Está tudo bem. Não há problema algum,” respondeu o parceiro, com o rosto sem expressão, como o de uma boneca.

“… Ei, você está mesmo bem?”

“Estou perfeitamente bem. Estou absolutamente normal.”

“Não, você não tá nada bem. Vai até o sacerdote-dono deixar ele te examinar.”

O soldado agarrou o ombro do colega, que claramente não estava agindo normalmente, e tentou levá-lo ao sacerdote (que também servia como médico). Chamou outro soldado também:

“Ei, esse cara tá esquisito. Vou levar ele pro sacerdote-dono dar uma olhada,” disse ele.

O terceiro soldado se aproximou, aparentemente disposto a ajudar.

“Está tudo bem? Deixe-me ajudar também.”

“É, valeu. Ei, volta ao normal, vai…”

Sem nem olhar para o terceiro soldado, o primeiro começou a caminhar, preocupado com o rosto do colega — que também era seu amigo.

Ao ver os dois soldados voltarem e continuarem trabalhando como se nada tivesse acontecido, outro soldado os chamou:

“Vocês estão bem? Estão com a aparência meio pálida…”

“Sim, estamos bem. É apenas falta de sono.”

“Depois de visitar o sacerdote-dono, nos sentimos melhores.”

“Você deveria ir ver o sacerdote-dono também. Vai se sentir mais leve.”

“E-Eu… passo dessa vez.”

O soldado que os havia chamado endureceu a expressão diante daquele comportamento estranho e voltou ao seu posto. Uma criança escrava de cabelo branco e pele pálida empurrou um carrinho ao passar por ele, mas o soldado parecia mais preocupado com o comportamento estranho dos colegas.

Olhos vazios de vários soldados o observavam pelas costas.

『O nível da habilidade Invasão Mental aumentou!』

Explicação dos monstros

Fantasmas de Fogo, Fantasmas Flamejantes e Fantasmas em Chamas

**【Fantasmas de Fogo】【Fantasmas Flamejantes】【Fantasmas em Chamas】**

Esses são monstros criados quando Mana maligna contamina os espíritos de vítimas que foram queimadas vivas, ou de criminosos que morreram na fogueira com ódio profundo em seus corações.

Muitos deles são monstros malignos, enlouquecidos pela dor de terem sido queimados vivos, perdendo suas memórias anteriores e até a razão, e atacando vivos apenas para que se juntem a eles.

Quando criminosos executados na fogueira são enterrados, eles renascem como esses monstros e tentam atacar pessoas. Eles progridem em periculosidade e poder nesta ordem: Fantasmas de Fogo → Fantasmas Flamejantes → Fantasmas em Chamas.

Seu método principal de ataque são investidas corporais e ataques desarmados com seus corpos em chamas, mas aqueles que conservaram mais inteligência podem usar ataques à distância disparando as chamas que compõem seus corpos como projéteis.

Mas o mais perigoso é sua habilidade de Possessão: a não ser que sejam exorcizados, as vítimas possuídas sofrem a agonia de serem queimadas vivas até morrerem em uma loucura absoluta.

Ataques físicos são, em geral, ineficazes, a menos que usem a habilidade Materialização; eles só podem ser derrotados com habilidades marciais ou magia de atributos que não sejam o de fogo.

Apesar de terem corpos espirituais, eles produzem Pedras Mágicas, mas como não fornecem nenhum outro material, são monstros impopulares entre os aventureiros para caça.

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Os fantasmas de Levia e dos guerreiros que eram seus guardas se transformaram nesses monstros depois que a habilidade Invasão Mental de Vandalieu os fez lembrar das emoções de derrota que sentiram ao morrer, então eles ainda conservam a maioria de suas memórias de quando estavam vivos.

Além disso, esses monstros normalmente se parecem com cadáveres queimados ambulantes, mas Levia e seus guardas ainda se assemelham a como eram em vida, exceto por não terem os pés, os joelhos e parte das coxas, e vestirem roupas feitas de chamas.

Eles podem exceder seus próprios limites graças à habilidade Espírito Morto de Vandalieu e sua imensa reserva de Mana.

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