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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 84

Montanhas não se movem... então são mais simples que as pessoas

O cavaleiro Karcan, que conseguira repelir com sucesso a súbita investida dos monstros antes que a cidade sofresse qualquer dano, encontrava-se numa situação peculiar.

— Por que houve uma investida de monstros e o surgimento de uma nova Masmorra justamente agora? — ele se perguntava.

Alguns membros da companhia que liderava estavam gravemente feridos, mas felizmente nenhum deles havia morrido. O senhor da região, o Visconde Niarki, também lhe havia agradecido.

No entanto, grande parte do mérito ficou para a Espada de Chamas Azuis, Heinz, que era tido como provável segundo aventureiro de classe S do Reino de Orbaume. Afinal, os monstros repetiam “Mate o Heinz” como um encantamento e todos se voltavam contra ele.

Com isso, Heinz poderia até ter sido acusado de ter invocado os monstros e trazido o desastre à cidade, mas sua reputação já era excelente e ele era adorado por muitos.

Ao contrário de ser culpado, sua fama só cresceu por ser o “campeão que enfrentou a grande matilha de monstros sem fugir”. O povo ainda dizia que o fato dos monstros o terem mirado era um sinal de que os deuses malignos — sobreviventes e servos do Rei Demônio — estavam atrás dele; em outras palavras, Heinz era um herói temido até pelos próprios deuses.

Como foram Heinz e os outros membros das Cinco Lâminas Coloridas que derrotaram a maioria dos monstros, era natural que eles recebessem os louros.

Diante disso, alguém poderia se perguntar por que os aventureiros e os homens de Karcan haviam participado da defesa, mas isso só poderia ser compreendido em retrospectiva. Não havia provas de que os monstros realmente mirariam apenas Heinz. Mesmo que houvesse, ninguém diria “Então isso não é problema nosso” e ficaria indiferente.

Assim, a companhia de Karcan exauriu suas forças numa batalha feroz. Heinz e seu grupo estavam agora limpando a Masmorra ameaçadora descoberta na floresta próxima à cidade.

E Karcan havia sido informado que sua próxima expedição não seria necessária.

— Na verdade, não é momento para expedições. Os homens da companhia estão sendo completamente curados pela magia de cura de Froto, mas ainda não estão em condições de se mover facilmente. —

A origem dessa investida de monstros era quase certamente a nova Masmorra, mas ainda não era algo certo. Até que Heinz e seu grupo retornassem, Karcan e seus homens, que haviam sido designados para a defesa da cidade, não poderiam agir.

Mesmo depois do retorno de Heinz, levaria tempo para estabelecer um sistema para controlar e vigiar a Masmorra. Karcan não tinha obrigação de colaborar nisso, mas se ignorasse totalmente as expectativas do Visconde Niarki, que confiava nele, sua posição social poderia ser comprometida.

Mas isso não significava que Karcan seria necessariamente valorizado, mesmo se cumprisse as expectativas do visconde. Afinal, o projeto de cultivo ao sul, que ele deveria comandar, estava abandonado.

— O mais cedo que poderemos agir é no inverno… — Karcan suspirou, sem conseguir contar quantas vezes já fizera isso.

A cidade de Niarki ainda não havia recebido notícias sobre o afundamento do castelo do duque construído por Nineroad, nem sobre o escândalo que abalara o Reino de Orbaume, ou que o Mestre da Guilda dos Magos e vários nobres tinham ligações com Vampiros.


Luciliano, o Degenerado. Era um aventureiro humano classe C, e quando Vandalieu o encontrou pela primeira vez, ele trabalhava na nação escudo de Mirg.

Ele havia criado um Live-Dead a partir da mulher que viria a se tornar Pauvina e o usara como familiar para infiltrar a vila do Orc Nobre Bugogan a fim de coletar informações.

E depois que a batalha entre Ghouls e Orcs terminou, ele encontrou Vandalieu através do Live-Dead, mas…

— Então é assim que essa pessoa é — pensou Vandalieu ao vê-lo pela primeira vez em carne e osso. Realmente, ele tinha uma impressão diferente agora que podia ver o corpo físico.

Na época, quando tinha apenas três anos, ele não sabia como era o rosto de Luciliano. Mesmo se soubesse, agora Luciliano tinha bochechas cavadas e uma barba que crescia livremente. Se Gopher e os outros não tivessem dito que havia um ex-aventureiro humano entre os escravos, Vandalieu nem o teria notado.

— Então, por que está aqui? — Vandalieu perguntou novamente, já que Luciliano não havia respondido da primeira vez… mas ainda não houve resposta.

Parecia mais que ele havia desmaiado, e não que estivesse deliberadamente em silêncio.

Eleanora levantou o pé silenciosamente.

— Eleanora, ele parece que vai quebrar se você pisar, então melhor não fazer isso — disse Vandalieu.

— Sim, Vandalieu-sama. —

Ainda nos braços de Eleanora, Vandalieu secretou um remédio restaurador de suas garras e usou Telecinese para aplicá-lo no rosto de Luciliano. No instante em que fez isso, Luciliano saltou como uma mola… mas ainda estava amarrado e perdeu o equilíbrio, caindo no chão novamente.

— Kahah?! Hah! E-espera, por favor não me mate! Mesmo que vá me matar, deixe que eu morra em paz! E me deixe comer uma última refeição! — suplicou Luciliano.

— Você está surpreendentemente animado — disse Vandalieu. — Para começar, pelo seu comportamento parece que você lembra quem eu sou.

— N-nem pensar em esquecer alguém de uma raça rara como um Dhampir. Mas espera, eu não pretendia te encontrar aqui! — Luciliano implorou.

— Não, eu ficaria bastante surpreso se fosse o contrário — respondeu Vandalieu.

Parecia que Luciliano lembrava exatamente quem era Vandalieu. Incluindo o fato de que Vandalieu o ameaçara com “Na próxima vez que eu te vir, eu te matarei”.

— Vandalieu-sama está perguntando o que você está fazendo em um lugar como este. Responda — disse Eleanora, incentivando Luciliano a responder. — Ah, e eu não sou mãe de Vandalieu-sama, sou sua serva — acrescentou, pois várias pessoas já tinham cometido o mesmo engano.

— Tudo bem, eu vou responder — disse Luciliano. — Depois daquele incidente, peguei meu dinheiro, deixei Balcheburg e migrei para o Reino de Orbaume. Continuei minha pesquisa sobre Mortos-Vivos enquanto trabalhava como aventureiro. Mas um dia, infelizmente… —

Segundo o relato de Luciliano, ele se envolveu numa disputa entre o Lorde Belton e o Lorde Lucas.

O terceiro filho de um certo nobre da facção de Belton conspirou para que seu pai mudasse de lado para a facção de Lucas e nomeasse o terceiro filho como sucessor, assassinando seu pai e transformando-o em um fantoche Live-Dead.

Ele colocou os olhos em Luciliano, um aventureiro que trabalhava sozinho, sem formar grupo ou companheiros, para criar o Live-Dead.

Claro, Luciliano não queria se envolver numa conspiração dessas, mas foi sequestrado e ameaçado, sem escolha, então fingiu cumprir as ordens. Porém, secretamente usou um rato Live-Dead como familiar para buscar ajuda, e a conspiração do terceiro filho foi impedida antes de começar, com os envolvidos presos.

— Mas eu também fui preso — explicou Luciliano. — A família nobre parecia querer fazer como se o incidente nunca tivesse acontecido. Fui enviado diretamente para a prisão e depois mandado para cá como escravo criminoso. Graças à coleira de escravo, não posso usar magia. Bem, mesmo assim, meus valores de atributo são maiores que o da média, então consegui sobreviver até agora, mas… acho que meu fim chegou. Ah, eu queria pelo menos provar um vinho suave, uma sopa quente, uma salada fresca, pão macio, um prato de peixe com peixe fresco, um prato de carne com pedaços grossos e uma sobremesa antes de acabar.

— Não seria essa uma refeição completa? — observou Vandalieu.

O rosto oval de Luciliano estava magro, fazendo-o parecer ainda mais debilitado, mas seu pedido era bastante extravagante. Era possível que ele se desse bem com Vandalieu inesperadamente.

— Então, Vandalieu-sama, você vai matá-lo? — perguntou Eleanora.

— O que devo fazer? — Vandalieu se perguntou, parecendo indeciso.

Luciliano era um homem com uma relação bastante peculiar com Vandalieu. Ele não era um aliado, então não havia motivo para Vandalieu ajudá-lo de forma assertiva. Se tivesse que decidir, ele era mais um inimigo. Mas Vandalieu não conseguia responder se ele era alguém que valesse a pena matar naquela situação.

Para Pauvina, que não estava presente, Luciliano era o homem que manipulou o corpo de sua vida anterior sem permissão e o transformou num brinquedo do Orc Nobre, mas ele não foi diretamente responsável por sua morte, e Pauvina não demonstrava sinais de ódio por ele após seu renascimento. Na verdade, ela não teria esquecido aquilo?

Mas se Vandalieu o deixasse ir ali, havia grande chance de que informações sobre o que acontecera naquela mina vazassem.

No entanto, Vandalieu sentia-se relutante em matá-lo.

Diferentemente dos escravos criminosos que eram pessoas más, Luciliano não era uma pessoa má, nem Vandalieu nutria rancores pessoais contra ele. Considerando os detalhes de como ele se tornou escravo, Vandalieu sentia até certa simpatia por ele.

— Acho que vou perguntar para Pauvina primeiro — decidiu Vandalieu.

Ele reservaria seu julgamento até perguntar a Pauvina se era aceitável trazer Luciliano para Talosheim.

Depois disso, Vandalieu acordou os nobres e soldados da mina e os reuniu em um único lugar.

— Tudo bem se os membros deles caírem ou se suas cabeças forem esmagadas, mas tentem não esmagá-los por completo. Ah, mas é totalmente aceitável transformá-los em pasta — disse ele.

Suas palavras, que soavam perigosas, não foram dirigidas aos indivíduos conscientes, porém paralisados, atrás dele, mas aos novos habitantes de Talosheim, que respiravam alto pelo nariz, segurando clavas, pás e picaretas nas mãos.

— Seu desgraçado! O que está planejando?! — exigiu uma voz particularmente alta entre os inúmeros pedidos de clemência.

— Uma execução pública — respondeu Vandalieu.

— Não me provoque! — gritou a voz de volta. Vandalieu achou aquilo bastante desagradável.

No entanto, essas seriam as últimas palavras das pessoas que estavam prestes a ser executadas de forma horrenda.

Seria imaturo pensar mal deles por terem gritado, pensou Vandalieu ao se virar.

— Eu sou o Visconde Besser, a quem Sua Excelência, o duque, confiou a administração desta mina! Protesto firmemente contra este tratamento injusto! — gritou o visconde, abrindo a boca tão larga que parecia que seu rosto inteiro era só uma boca.

Vandalieu o olhou com perplexidade.

— Tratamento injusto, é? Isso não é normal? —

O visconde e seus soldados haviam feito coisas que Vandalieu hesitaria até em dizer em voz alta. As posições simplesmente haviam se invertido agora, então aquilo era normal, não era?

Na verdade, eles morreriam em dez minutos se não recebessem o mesmo tratamento, então não eram, na verdade, sortudos?

— Não se iluda! Eu sou um nobre! — exclamou o visconde.

—… Quer dizer, eu sei disso. Isso é relevante? — perguntou Vandalieu.

Ele explicou a situação para o visconde e seus homens. Sentiu que, fazendo aquilo em vez de matá-los sem que soubessem, conseguiria transformá-los em Mortos-Vivos mais fortes.

— Seu desgraçado! Mesmo em guerra, é senso comum capturar nobres sempre que possível e tratá-los conforme seu status! Você não sabe disso?! — gritou o visconde.

— Não, não sabia. Desculpe. — Vandalieu, tendo aprendido algo novo, fez uma anotação mental das palavras do visconde. Se se tornasse aventureiro, poderia ter oportunidades de participar de guerras, então era bom aprender esse conhecimento comum cedo. — Farei isso na próxima vez — disse.

— Não, faça agora! — exigiu o visconde. — Você acha que vai escapar matando-me?!

— Acho que vou garantir que sim — disse Vandalieu.

— Não há como! Eu sou um nobre; se fizer isso, todas vocês criaturas de sangue inferior serão condenadas à morte! Meu Reino colocará sua reputação em jogo para caçar aqueles que matam nobres e terminam suas vidas sem piedade! — bradou o Visconde Besser.

Os rostos de alguns dos ex-escravos Titãs empalideceram de medo com suas palavras; eles começaram a baixar as armas nas mãos.

Essa era a diferença entre plebeus e nobres no mundo de Lambda. Nem todas as vidas eram iguais; as vidas dos nobres e da realeza eram claramente mais preciosas. Isso era senso comum.

— Entende agora, seu moleque vulgar?! — gritou Visconde Besser para Vandalieu, o atual rei de Talosheim.

Naquele momento, uma sede de sangue crescente vinha de Borkus e Eleanora, mas Vandalieu levantou a mão para acalmá-los.

O mais importante ali não era lidar com o fato de ter sido insultado pelo visconde, mas fazer com que os novos cidadãos de Talosheim reconhecessem seu poder. Se ele dependesse demais de Borkus e dos outros, alguns poderiam mudar de ideia e decidir que, afinal, não poderiam segui-lo. E se os escravos criminosos não o levassem a sério, isso causaria problemas no futuro.

— Todos, venham aqui, por favor — disse Vandalieu.

— Okay~

Pensando que deveria mostrar seu poder, Vandalieu convocou Levia e os outros Fantasmas, e transferiu Mana para eles. Ele olhou para a mina… a pequena montanha que sobressaía da superfície da terra, com cerca de quinhentos metros de altura.

—… Barragem de Destruição da Prisão da Chama Cadáver.

Pequenas chamas apareceram, como incontáveis vagalumes. Mas no instante seguinte, elas se transformaram em um incontável número de caveiras feitas de chamas negras.

As caveiras riram sinistramente enquanto avançavam em direção à montanha que Vandalieu apontava.

A cena resultante era assustadora de se ver.

Mais de cem caveiras flamejantes cravaram seus dentes na montanha rochosa. As pedras duras ficaram quebradiças, racharam, queimaram e desmoronaram. Esse processo continuou sem fim, e diante dos olhos de todos, a forma da montanha mudou enquanto era escavada da terra. Houve um estrondo de pedras caindo, mas até isso foi apagado pela magia de Vandalieu.

— C-criança, a montanha vai desaparecer — disse Borkus.

— Ah, você tem razão.

Quando Borkus tentou impedi-lo, a montanha já havia sido reduzida a dois terços do seu tamanho. Não era uma montanha tão grande para começar, mas essa demonstração de poder fez não apenas o visconde e seus soldados, antes tão altivos, mas até os ex-escravos ficarem de boca aberta.

Eleanora e os outros ficaram boquiabertos também. Até Pete, cuja cabeça estava aparecendo no cabelo de Vandalieu, congelou.

Até então, nenhum dos feitiços com atributo morte possuía capacidade de destruir fisicamente seus alvos. Contudo, ao adquirir a habilidade Magia do Espírito Morto e poder usar Levia e os demais, Vandalieu podia agora realizar as mesmas coisas que magias com atributo fogo.

Eleanora e todos os outros estavam vendo o verdadeiro potencial da Mana de Vandalieu pela primeira vez.

— Bocchan, não seria mais rápido simplesmente invadir o Ducado de Hartner? — sugeriu Sam.

— Sam, isso é impossível porque o Heinz está aqui — respondeu Vandalieu. — Além disso, se eu fizer isso, acabarei lutando contra os outros ducados e até mesmo contra o Império Amid, não é?

— Bem, acho que sim — disse Borkus. — Por mais forte que o garoto seja, ele é só uma pessoa. Se aventureiros de classe A e forças de elite de todas as nações atacarem vários locais ao mesmo tempo, resistir será impossível.

Como ele disse, havia muitas pessoas no mundo capazes de fazer o que Vandalieu acabara de realizar.

— E no fim, uma montanha é apenas uma montanha — disse Vandalieu. — Ela não se mexe. Um aventureiro de classe B ou A conseguiria evitar esse ataque.

Ao contrário das montanhas, as pessoas podiam estar equipadas com todo tipo de Itens Mágicos e possuíam habilidades. A Barragem de Destruição da Prisão da Chama Cadáver não era precisa no alvo, então não seria difícil para um super-humano sobreviver… embora pessoas comuns simplesmente virassem cinzas.

— É verdade que as coisas provavelmente dariam certo comigo, Vigaro, Eleanora-jouchan e os outros, mas… — Borkus olhou para a montanha desmoronada.

Normalmente, eles teriam que fugir dos destroços caindo, mas Vandalieu tinha até destruído os destroços.

Ele havia até apagado o barulho, o que tornou a cena menos real, mas se não tivesse feito isso, muita gente provavelmente teria perdido a consciência.

— Aliás, foi mesmo certo destruir a mina? — perguntou Borkus.

— Não tem problema — respondeu Vandalieu. — Eu pretendia destruir a mina desde o começo para erradicar o fornecimento de recursos minerais do Ducado de Hartner.

Ele se virou para encarar os ex-escravos.

— O que quero dizer é que eu tenho poder, então a retaliação dos nobres não é algo a temer. Não concordam?

— perguntou a eles.

Os ex-escravos ficaram boquiabertos por um momento antes de recobrarem a consciência.

— Nunca vi uma magia tão poderosa… Esse é quem vai ser nosso rei?

— Se nosso rei é tão forte assim, então não é verdade que não precisamos temer os nobres desta nação?

— Isso mesmo, mesmo que o Ducado de Hartner e os outros ducados, mesmo que o rei mande um exército, eles serão devorados assim como aquela montanha e nem cinzas restarão.

— Se essa pessoa for nosso rei, então nem perderemos para o Império Amid… não seremos mais expulsos de nossa terra natal.

A força voltou aos olhos deles, e as armas que tinham sido baixadas antes foram erguidas novamente.

Na verdade, quem estava pálido até a morte agora era o visconde e seus homens. Depois de verem a Magia do Espírito Morto de Vandalieu, eles estavam plenamente cientes se a família Hartner que conheciam conseguiria fazer algo contra o meio-Vampiro à sua frente que se autodenominava rei.

— E-espera. Se vocês nos pouparem — não, pelo menos a mim, eu pago qualquer quantia que quiserem — suplicou o visconde.

Seu pedido de clemência fez os soldados também começarem a implorar por misericórdia.

— V-Visconde-sama?!

— Tenho esposa e filhos; p-por favor, poupe minha vida!

— Eu não matei nem estuprei ninguém! É verdade, por favor, acreditem em mim!

— Hum, eu posso ganhar dinheiro de outras formas, então não ligo muito para isso — disse Vandalieu. — Estuprar outros quando você tem esposa e filhos não é coisa boa, né? E você, o último aí, não deve contar mentiras tão fáceis de serem desmascaradas.

Todas as tentativas dos soldados foram em vão.

— Já deixei de fora aqueles de vocês que simplesmente trabalhavam normalmente, sem ferir, matar ou estuprar os escravos desnecessariamente — disse Vandalieu. Aqueles que ele considerou não ruins o suficiente para merecer a morte foram reunidos em outro local.

Havia um velho soldado que permaneceu fiel à esposa e funcionários trazidos pelo visconde, como criadas e cozinheiros — cerca de dez pessoas no total. Eles não eram especialmente virtuosos, nem tinham grande compaixão pelos escravos, mas hesitavam em matar.

Vandalieu planejava trazê-los de volta para Talosheim como escravos, observá-los por um tempo e, se parecessem estar bem, libertá-los para que se tornassem cidadãos livres.

Ele detestava matar sem sentido; não pensaria em matar alguém a menos que fosse necessário. O incidente em que lhe roubaram uma única moeda de prata no mercado nem sequer permaneceu em suas memórias.

Mas, quando havia razão para matar alguém, ele acreditava que deveriam sempre ser mortos.

O visconde e seus homens eram aqueles que mereciam morrer.

— Agora, como parte do meu dever como o Rei Eclipse de Talosheim, vou executar a sentença de vocês — declarou Vandalieu.

O grito de guerra de Gopher e os demais Titãs, armados com as armas que haviam escolhido, junto com os gritos do visconde e seus homens formaram um coro assustador e agradável.

Os gritos foram ficando gradualmente mais fracos, mas a sensação e os sons agradáveis de carne sendo esmagada e ossos sendo quebrados acalentaram o coração de Vandalieu, e o cheiro forte de sangue estimulou sua fome.

— Então, vamos deixar este lugar para a Princesa Levia e os outros enquanto nos preparamos para comer? Tenho certeza que todos querem encher o estômago — disse Vandalieu.

— Tenho certeza que Saria e os outros já terminaram os preparativos na cozinha. A propósito, o que eles estão preparando? — perguntou Levia.

Na cozinha, havia suprimentos de comida trazidos pelo mercador ambulante. Os escravos tinham sido forçados a comer alimentos semelhantes aos dados normalmente para o gado ou raízes que cresciam mesmo em terras secas, cultivadas na vila dos escravos. Mas naquele dia, Vandalieu pretendia preparar comida para eles feita dos ingredientes que os soldados comiam.

Vandalieu e os outros achavam esses ingredientes um tanto estranhos, porém.

— Sam e os outros trouxeram outros ingredientes para nós, então vamos usá-los também para fazer um ensopado — disse Vandalieu.

— Oh, ensopado de miso? Isso é bom — disse Borkus.

Não havia produtos lácteos disponíveis, então o ensopado conteria miso para dar um sabor mais profundo. Era um bom exemplo de prato caseiro de Talosheim.

— Se tivesse carne fresca, não seca, eu teria pensado em fazer um churrasco também — disse Vandalieu.

— Vandalieu-sama, eu preciso questionar esse sentimento — disse Eleanora.

Parecia que ela era a única a ter percebido que comer carne assada seria difícil depois de ver os corpos queimados.

『Os níveis da Magia do Espírito Morto e da habilidade Comando aumentaram!』

— Por favor, permita-me chamá-lo de Mestre! —

— Não.

Tendo visto a Magia do Espírito Morto, Luciliano implorou para que Vandalieu o aceitasse como aprendiz. Vandalieu se perguntou o que Luciliano pretendia. Duvidava que tivesse alguma técnica que pudesse ensinar a ele.

— Eu não me importo de continuar como escravo! — disse Luciliano. — Por favor, me ensine suas técnicas supremas!

— Ele é um homem bastante promissor — disse Eleanora. Parecia ter gostado de Luciliano. Provavelmente estava feliz com a forma como ele olhava para Vandalieu, como se o adorasse.

— Bem, ensinar aos outros, em vez de ser ensinado, também será uma boa experiência — disse Borkus. — Não acho que ele consiga fazer as mesmas coisas que você, garoto. Ele terá afinidades mágicas diferentes.

— Pauvina-chan esqueceu e não se importa, então não tem problema, né? — disse Rita. — Pelo menos teremos mais um funcionário civil.

— Bem então… eu vou te ensinar, mas o que eu uso não é magia do atributo Vida, então não crie muitas expectativas — disse Vandalieu.

— Eu ficaria mais surpreso se você me dissesse que é o mesmo atributo de magia que o meu — respondeu Luciliano.

Parecia que o Barragem de Destruição da Prisão de Chamas Cadavéricas não poderia ser confundido com magia do atributo Vida.

De qualquer forma, Vandalieu agora tinha um novo aprendiz.

Depois disso, Vandalieu e os outros permaneceram por dois dias na antiga mina que era gerida pelos ex-escravos (na verdade, o túnel subterrâneo havia desabado e se tornado um cemitério).

Durante esse tempo, fizeram vários preparativos, fizeram Gopher e os outros Titãs recuperarem energia e ânimo, e Vandalieu realizou exames físicos neles. Como haviam passado muitos anos sendo explorados como escravos, alguns não tinham força suficiente para a viagem até Talosheim… certamente estariam no limite para que Vandalieu os transportasse voando.

Como resultado, Vandalieu precisou criar carruagens e Golems em forma de cavalo (semelhantes aos cavalos de argila dos livros didáticos da Terra) usando Transmutação de Golem.

— Carruagens em Lambda não têm suspensão, né? — disse Vandalieu. — Sam também não tem, mas ele não balança por causa da habilidade dele.

— Bocchan, por que está falando de pensões? — perguntou Rita.

Naturalmente, molas e espirais não tinham sido inventadas em Lambda.

Tábuas e hastes eram montadas numa estrutura para diminuir o choque, mas molas de metal não existiam.

Então, Vandalieu as criou e as adicionou às suas carruagens. Ele poderia testar a ideia que tinha pensado imediatamente, e suas habilidades de Transmutação de Golem e Carpintaria ficaram animadas.

— Você possui a técnica de um artesão de carruagens, majestade? Mas ainda assim, a tecnologia do mundo evoluiu desde onde estava há duzentos anos, quando estávamos vivos — comentou Levia.

— Não, Levia-sama; isso é algo que o garoto inventou sozinho — respondeu Borkus.

Na verdade, no entanto, Vandalieu não havia realmente inventado as molas. Ele simplesmente reutilizou seu conhecimento da Terra e da Origem para reproduzi-las.

— Podem me elogiar mais — disse Vandalieu.

Ele gostava de receber elogios e não demonstrava modéstia. Embora estivesse usando seu conhecimento prévio, eram suas próprias habilidades e magia que estavam reproduzindo a tecnologia, então Vandalieu considerava aquilo uma conquista própria.

Patentes na Terra e na Origem não significavam nada em Lambda, de qualquer forma.

— Seria perfeito com pneus de Golem, mas… será que eles foram feitos apenas endurecendo algum tipo de borracha? — refletiu Vandalieu.

Pneus seriam convenientes de várias formas, então ele tentaria fazê-los quando voltasse.

E assim, Vandalieu reverteu o envelhecimento dos Titãs enquanto lhes dizia que estava realizando exames físicos. Eles haviam perdido duzentos anos de suas vidas. Esse era um serviço que ele lhes prestava para que pudessem viver o suficiente para compensar isso.

Vandalieu havia obtido sua permissão, ainda que indiretamente, então provavelmente estava tudo bem.

— Essa massagem, as pessoas costumam dizer que se sentem mais jovens depois? Eu me sinto cem anos mais jovem, sério.

As coisas estavam indo assim.

Vandalieu não conseguiria completar a tarefa para todos em dois dias, então planejava fazer o resto no caminho. Isso também servia como treinamento para seu reservatório de Mana, então era matar dois coelhos com uma cajadada só.

E então usou os ossos dos monstros que Borkus e os outros trouxeram para criar mortos-vivos de distração.

— Eu tenho total conhecimento dos esqueletos dos Titãs e dos humanos. Usar Transmutação de Golem para alterar os formatos dos ossos dos monstros para disfarçá-los como esqueletos de Titãs é só um trabalho pesado para mim — explicou Vandalieu.

— Trabalho pesado?!

— Tenho que fazer muitos, então é só trabalhoso.

A propósito, Vandalieu usou Decomposição nos corpos horríveis do visconde e seus homens para fazê-los apodrecer, juntou seus ossos quebrados e criou Esqueletos. Com isso, mesmo que o povo do Ducado de Hartner percebesse que algo estranho acontecera na mina, simplesmente assumiriam que alguém matou todo mundo ali e que os soldados e escravos se transformaram em esqueletos.

Não pensariam que os escravos foram resgatados.

Depois de terminar todos os preparativos, todos partiram rumo a Talosheim.

『Você adquiriu o título “Santo Filho de Vida!”』

『O nível da habilidade Carpintaria aumentou!』

Nota do Tradutor: O status abaixo da Eleonora coloquei xx ou indefinido porque nao foi relevados os numeros de atributos dela (tipo Mana, ataque etc).

Explicação da Classe

Princesa de Guerra Subordinada

Classe adquirida por mulheres nascidas em famílias nobres ou que já tiveram certo status social, mas atualmente subordinadas a outra pessoa.

Em algumas nações, possuir guerreiras femininas com esta classe é um grande símbolo de status, sendo comum que nobres e membros da realeza negociem-nas por altos valores. Muitos haréns contêm múltiplas escravas que possuem (ou são forçadas a possuir) esta classe e atuam como guardas.

Esta classe oferece bônus para habilidades relacionadas a combate, mas também concede bônus para Encanto, Sedução e habilidades amorosas.

No caso de Eleanora, o pré-requisito de “nascida na nobreza” é preenchido pelo fato dela ser uma Vampira Nobre.

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