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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo Paralelo 4

Enquanto isso, um aventureiro classe S...

Uma cidade à beira d’água em uma nação marítima chamada Kalahad, na região sul do Império Amid.

Esse lugar, que mais parecia um bar, era a base do único aventureiro de Classe-S da região oeste do continente Bahn Gaia — o Trovão Retumbante Schneider.

Parecia um local pouco apropriado para servir de base a um aventureiro Classe-S, mas ele não estava ali como um “hóspede”. Ele havia comprado o prédio inteiro e o utilizava como “proprietário”.

Quatro homens estavam sentados, frente a frente, em cadeiras posicionadas ao fundo do bar.

Dois deles estavam sentados. Um era um homem de trinta e poucos anos, com várias cicatrizes no rosto e, mesmo por baixo das roupas, era fácil perceber o corpo bem treinado. Atrás dele, estavam dois homens que claramente estavam acostumados à luta.

O homem diante deles era alto, loiro e parecia ter por volta de vinte e poucos anos. Seu rosto, visto de perto, era bonito e quase feminino, mas seu corpo musculoso diluía essa impressão, e havia nele um ar selvagem.

Se a beleza e ferocidade de um grande carnívoro selvagem tomassem forma humana, esse homem seria o resultado.

— Então, vocês dizem que são mensageiros do Duque Marme? — disse o homem.

Ele era o próprio Trovão Retumbante, Schneider. Sentado com as pernas esticadas e cruzadas, ele fez um gesto para que o mensageiro do duque do Império Amid prosseguisse.

— Exatamente. Queremos solicitar que investigue a região sul do continente Bahn Gaia — respondeu o homem, com suor escorrendo pela testa. Sendo um nobre de baixa patente, ele até deveria repreender Schneider por sua atitude arrogante, mas jamais ousaria fazer isso.

Schneider detinha o privilégio dos “fortes”.

Vários nobres que haviam provocado sua ira no passado já haviam sido enterrados. Entre eles, um conde que foi espancado até a morte em público, sem truques ou armadilhas.

No entanto, Schneider nunca foi punido. Na verdade, o conde havia tentado forçá-lo a aceitar uma missão ilegal, da qual normalmente não se voltaria com vida… Mas Schneider completou a missão com facilidade e retornou rapidamente.

Marshukzarl, o atual imperador, reconheceu seus feitos, absolveu-o de qualquer culpa e destruiu a família do conde que havia sido morto.

Esse foi o momento em que o Imperador declarou que Schneider era mais importante que nobres tolos.

— Investigar, é? Por quanto tempo tenho que investigar e o que exatamente devo investigar? — perguntou Schneider. — Se só disserem para investigar, tudo o que eu teria que fazer seria ir até lá, voltar e dizer: “Investiguei a região sul do continente”, e pronto, mensageiro.

Na realidade, qualquer um com habilidades superficiais viraria comida de monstro apenas indo e voltando da região sul do continente.

Mesmo pela rota marítima partindo de Kalahad, havia inúmeros “Mares Demoníacos” — mares transformados em Ninhos de Demônios — repletos de monstros enormes como Krakens e Dragões Marinhos capazes de afundar grandes navios.

Portanto, mesmo que Schneider fizesse esse tipo de “investigação” simples, ainda assim já seria um feito digno de entrar para a história.

—… Queremos que você elimine um certo Dhampir e, depois disso, retorne — disse o mensageiro.

Esse era o verdadeiro pedido do Duque Marme, o homem por trás da missão: não uma investigação, mas o assassinato de um Dhampir.

O Duque Marme, primo de Marshukzarl, era um devoto de Alda e ocupava a respeitável posição de Cardeal.

O Alto Sacerdote Bormack Gordan havia se tornado um morto-vivo e atacado uma cidade por causa da expedição. Para o Duque Marme, isso era um problema que precisava ser resolvido imediatamente.

— Oh? Então quero ouvir todos os detalhes — disse Schneider. — Lissana, parece que essa conversa vai demorar. Traga algo para beber.

— Ok~♪

Uma mulher Élfica com aparência sensual e corpo de dançarina trouxe um bule e xícaras.

Os homens que acompanhavam o mensageiro resistiram bravamente à tentação de olhar para suas pernas descobertas e seios saltitantes, mas o queixo do mensageiro caiu.

— Schneider-dono…

— Ah, desculpa, mas você vai ter que se contentar sem álcool. Estou em abstinência por motivos de saúde, sabe? — disse Schneider.

— N-não é isso… É que… essa é uma conversa particular. Se possível, seria melhor que… — O mensageiro não conseguiu terminar. Sob o olhar penetrante de Schneider, sua língua paralisou.

— Você não investigou direito na Guilda antes de vir aqui? — perguntou Schneider. — Lissana é uma das integrantes do meu grupo. Se não pode confiar nela, dê o fora. Ou quer que eu te ajude com isso?

— N-não! Pare! Foi um deslize! Lady Lissana, peço humildemente perdão! Por favor, me perdoe! — O mensageiro se curvou em um pedido de desculpas desesperado. Se tivesse demorado um segundo a mais, Schneider provavelmente o teria agarrado pela cabeça e o lançado porta afora. O Título de Schneider como “Lançador de Pessoas” era famoso no Império.

— Tudo bem, não me incomodo com isso — respondeu Lissana com naturalidade, servindo chá como se tudo aquilo fosse rotina.

— Então, sobre o que você queria conversar? — perguntou Schneider, com sua aura assassina sumindo como se nunca tivesse existido.

Os homens molharam suas gargantas secas com o chá, incapazes de sentir gosto ou cheiro, tentando acalmar seus nervos, e a conversa finalmente prosseguiu.

O Duque Marme tinha seu orgulho ferido pelo Dhampir que havia manchado a reputação da Igreja de Alda. Mas outro motivo provável era o fato de o Dhampir aparentemente ser capaz de controlar milhares de mortos-vivos.

Enviar um grande exército para derrotá-lo poderia ser desastroso, pois havia o risco de que os soldados mortos se voltassem contra os vivos, já que isso havia ocorrido com a expedição anterior.

Ou seja, seria melhor mandar um pequeno número de indivíduos poderosos.

— Então, querem que eu faça isso, é? — disse Schneider.

— Exatamente — respondeu o mensageiro. — E isso ainda não é certo, mas pode estar relacionado com a Mensagem Divina de Alda.

— Mensagem Divina? Ah, “Preparem-se para a doença”, não era?

A Mensagem Divina tornada pública dias atrás foi enviada por Alda, que viu nos Registros que Vandalieu havia aniquilado o exército com uma doença. Mas… curiosamente, o verdadeiro significado da mensagem não havia sido compreendido.

Mesmo assim, orçamentos adicionais haviam sido liberados para magos da Guilda dos Magos especializados em doenças, e sacerdotes-guerreiros estavam tentando adquirir a habilidade de Resistência a Doenças. Então, a mensagem não tinha sido totalmente inútil.

— Não, não é essa — disse o mensageiro. — É a anterior.

— Aquela sobre o Rei Demônio… Então, você está dizendo que ele é o Dhampir? — perguntou Schneider.

— O Duque Marme acredita que sim.

— Entendi…

Enquanto Schneider parecia imerso em pensamentos, ainda segurando sua xícara, o mensageiro viu uma oportunidade e pressionou por uma resposta.

— Schneider-dono, você é alguém tão importante que Alda se preocupa com sua segurança. Acredito que tenha interesse. E a recompensa será substancial. O Duque pagará 100.000.000 de Amids, e recebi ordens de que você poderá levar até dez mulheres do ducado e da Igreja Amid. Claro, tudo que você adquirir durante a missão será seu sem questionamentos.

As palavras do mensageiro deixavam claro o que as pessoas em todo o Império pensavam de Schneider.

Um homem mundano que amava dinheiro e mulheres, apesar de ser amado por Alda, o deus da lei e do destino. Essa era a imagem que os nobres tinham de Schneider.

— Não, vou recusar — respondeu Schneider, recusando a oferta.

— P-por quê?! Se o Papa-sama aceitar, você poderá levar quantas quiser do mosteiro; se quiser sacerdotisas, podem ser dispensadas da vida religiosa! — exclamou o mensageiro. — Por favor, reconsidere!

— Ei, ei… — sussurrou Lissana. O mensageiro estava prestes a dizer algo que se vazasse viraria um escândalo terrível, mas só ela percebeu isso.

Alda era visto como um deus com ensinamentos rígidos, como “Manter a lei e a ordem”. Mas, na prática, isso podia ser interpretado como: “Desde que a lei e a ordem sejam mantidas, o resto não importa”.

Na realidade, desculpas do tipo “Isso é para manter a ordem” e “A lei decidiu assim” estavam sendo cada vez mais usadas entre os altos oficiais da Grande Igreja.

Uma das razões pelas quais o Alto Sacerdote Gordan recusou o cargo de Cardeal e continuou na linha de frente foi porque ele odiava esses altos oficiais.

— Não é que eu esteja insatisfeito com a recompensa — disse Schneider.

— Então por quê?! — exigiu o mensageiro.

—… Tenho ficado meio sensível ao frio ultimamente. — Schneider abriu as mãos de um jeito estranho enquanto respondia.

— Agora é verão, mas logo vem o outono e depois o inverno. Se eu cruzar a cadeia de montanhas ou pegar a rota marítima, vai estar frio, não é?

—… N-não pode ser, você está recusando por isso?

Os homens ficaram boquiabertos.

Schneider os encarou com uma expressão frustrada.

— Olhem só. Apesar da minha aparência, tenho mais de cinquenta anos e meu corpo está envelhecendo. Tem gente que realmente faz essa cara quando um velho preocupado com a sensibilidade ao frio fala isso?

Na verdade, Schneider tinha bem mais de cinquenta anos. Parecia um homem de vinte e poucos, mas os registros mostravam que ele havia se registrado na Guilda dos Aventureiros há mais de quarenta anos.

Sua Carteira e Status da Guilda confirmavam isso, então não havia dúvidas.

Corria todo tipo de boato sobre como ele mantinha o corpo forte e treinado de um homem jovem mesmo com a idade avançada.

Um deles dizia que ele teria matado e tomado banho no sangue de tantos Dragões e Dragões Anciões que se tornou imortal.

Outro dizia que uma de suas amantes era mestre em amor e que graças a ela ele permanecia jovem.

Havia até um boato meio calunioso de que ele teria assinado um pacto com um deus maligno que deveria derrotar, ganhando juventude eterna.

Mas se alguém perguntasse, ele simplesmente respondia: “Só pareço jovem”, e era um homem incômodo que usava a idade como desculpa sempre que podia — como estava fazendo agora.

— Vocês não conseguem ver esses cabelos brancos? Eles já foram loiros um dia… — Schneider puxou um fio do seu cabelo platinado, que chamava de branco. De fato, havia provas de que ele já fora loiro, mas por ser tão brilhoso e abundante, ninguém além dele achava que era cabelo branco.

— Schna*, você reclama disso há dez anos, sabia?

*Nota do tradutor: “Schna” é uma forma abreviada de chamar Schneider.

— Pois é, meu cabelo já estava branco há dez anos.

—… Isso é desesperador. — Até Lissana, que o chamava pelo apelido, desistiu de convencê-lo.

— É assim que é — disse Schneider ao mensageiro. — Desculpe, mas você vai ter que sair. Diga ao Duque Marme que recusei porque estou preocupado com a minha idade.

— E-entendido… Então, com licença. — O mensageiro e seus homens se levantaram devagar e saíram do bar.

Eles não ficaram convencidos pela justificativa de Schneider, mas não podiam fazer nada.

Não tinham força para enfrentar um super-humano capaz de derrotar Dragões Anciões e deuses malignos. Se tentassem ameaçá-lo, seriam destruídos. Na pior hipótese, algo poderia acontecer ao próprio Duque Marme. Nem o Imperador precisaria agir para defender seu primo que estava contra ele.

Por isso, os mensageiros foram embora, apenas com a notícia de que a oferta fora recusada para relatar.

— Agora, o que vocês acharam da conversa? — perguntou Schneider.

Os que tinham permanecido discretos até então finalmente abriram a boca.

— Vamos ver… Parece que o Papa está impaciente, não que Alda esteja envolvido nisso.

— Mas isso não é um problema, certo? Não importa o barulho que aquele tolo faça, e se fizer muito, pode ser apagado por aquele Imperador.

— Isso seria problemático mesmo. O que faremos se o próximo Papa for realmente competente?

— Com certeza.

Eles riram entre si. Aqueles reunidos em volta de Schneider e Lissana pareciam um simples bartender e uma garçonete, se desconsiderasse o fato de serem belos e possuírem uma aura sinistra, além de um bêbado que havia bebido demais e falava embriagado com a garçonete.

Mas, na realidade, todos eles compartilhavam um segredo.

— Ainda assim, esperavam bastante, né… hic. Se fosse comigo, eu definitivamente não queria ir para a região sul do continente — disse o bêbado de moicano. Na verdade, ele era um Elfo Negro. Como ocultava suas orelhas longas com um Item Mágico especial, parecia apenas um homem musculoso de pele escura.

Ele era Dalton, um guerreiro da grande tribo dos Elfos Negros.

— Você bebeu demais, Dalton. Chá, tome um pouco de chá.

— Geh, não posso esperar que eu tome água colorida! E se for reclamar, reclame com o Zod por me dar essa bebida deliciosa.

— Me desculpe. — O bartender, que não possuía nenhuma característica notável além de uma figura esguia e um pequeno bigode, sorriu. Mas quem soubesse sua verdadeira identidade provavelmente gritaria e fugiria.

Seu verdadeiro nome era Zorcodrio. Ele era um Vampiro de Sangue Puro.

— Aqui está, um refil — disse ele, entregando a Dalton a bebida.

— Ah, obrigado — disse Dalton, tomando um gole. — Kah, delicioso!

— Ei, não está deixando ele beber demais? — reclamou Lissana.

— Isso é água com sabor de hortelã — respondeu Zod baixinho.

De fato, ele nunca disse “isto é álcool” ao entregar a bebida para Dalton. Mesmo que o copo contivesse água, era um refil mesmo assim.

— Problemas de saúde à parte, o curioso é aquele Dhampir, né? — A garçonete anã, Merdin, retomou o assunto original. Ela era uma anã comum, mas sua ocupação principal era ser uma aventureira de classe A, e não simplesmente garçonete.

— Deixando a Mensagem Divina daquele Papa tolo de lado, não posso ficar indiferente se ele tiver alguma relação com o Rei Demônio. Se por acaso o Rei Demônio fosse ressuscitado, eu realmente posso ser destruída desta vez — disse Lissana, e sua aparência mudou subitamente.

Sua pele branca ficou azulada e negra, um terceiro olho se abriu como uma fissura na ampla testa dela. Sua língua vermelha virou rosa fluorescente, e seu já volumoso busto aumentou ainda mais.

— Ei, está voltando à sua forma normal — avisou Dalton.

— Desculpe, desculpe, estava lembrando do passado e não consegui evitar — Lissana riu e recolheu a língua para dentro da boca, voltando à sua aparência élfica habitual.

Como estava escrito em sua Carteira da Guilda, ela era uma mulher Elfa.

No entanto, frequentemente omitida era a informação de que ela era a encarnação de Jurizanapipe, o Deus Maligno da Degeneração e da Intoxicação.

Ela era o deus maligno supostamente derrotado pelo Thunderclap Schneider.

— E aí, o que vamos fazer, Schna? — ela perguntou. — Parece que você recusou exterminá-lo, mas vamos encontrá-lo?

— Eu quero ir, mas… não posso, né? Também tem muita coisa para fazer por aqui — disse Schneider. — E diferente do Duque Marme, o Imperador atual conhece minha verdadeira natureza.

Schneider. Sem dúvida, ele era um homem humano. Não era Vampiro, deus maligno, nem membro das raças de Vida.

No entanto, ele era seguidor de Vida.

— Aquele Imperador sabe há muito tempo que eu não sou devoto de Alda — continuou ele. — Ele sabe que a Mensagem Divina do Papa dizendo que eu estou em perigo significa que eu sou uma pessoa perigosa e que ele deve ficar atento a mim.

No passado, Schneider ouviu do Papa várias vezes que uma Mensagem Divina alertava sobre perigo, mas nada acontecia. Alda na verdade estava avisando o Papa de que Schneider era uma pessoa perigosa.

Schneider sabia como era difícil entender plenamente o significado de uma Mensagem Divina, então não tinha muita vontade de chamar o Papa de tolo.

Como mortal, Schneider desconhecia as circunstâncias dos deuses, coisas como o ciclo dos sistemas de transmigração. Mas, apesar disso, desde criança ele sempre duvidou dos ensinamentos de Alda.

Nunca entendeu por que as raças de Vida tinham que ser odiadas tão ferozmente. Depois que se tornou aventureiro e encontrou membros de uma das raças de Vida, as Lamias, ele se convenceu.

Alda estava errado.

… Talvez simplesmente porque sua primeira grande paixão, já falecida, era uma Lamia bela.

Deixando isso de lado, ele entrou em contato com as Lamias e, durante o tempo que passou em sua aldeia, sua crença se fortaleceu.

Mas achando que talvez aquelas Lamias fossem especiais, ele também procurou contato com outros membros das raças de Vida.

Então, Schneider escolheu Vida em vez de Alda.

Escondeu suas crenças verdadeiras, treinou e construiu sua reputação como aventureiro. Havia a opção de ir para o Reino de Orbaume, onde a religião de Vida e a existência das raças de Vida eram reconhecidas até certo ponto, mas isso teria sido uma decisão tola para ele.

Se fugisse para Orbaume, não poderia ajudar os membros das raças de Vida que estavam sofrendo no Império Amid.

Havia coisas que ele só podia fazer no Império Amid. Um único aventureiro de origem comum dificilmente conseguiria grandes feitos, mas mesmo assim ele estaria satisfeito em ajudar o máximo que pudesse.

Antes que percebesse, já havia se tornado um aventureiro de classe S.

A vida é cheia de surpresas.

— Bem, ele provavelmente ainda não percebeu a sua verdade, Lissana — disse Schneider.

— Sim. Eu me pergunto por quê. Ninguém nunca percebe, não é? Que existem alguns entre os deuses malignos que mudaram de lado e se juntaram aos campeões.

As lendas falavam de deuses, gigantes e Dragões Anciões que se renderam e se juntaram ao Rei Demônio por medo. Mas não contavam a respeito do número considerável de deuses malignos que traíram o Rei Demônio e lutaram ao lado dos deuses e campeões de Lambda.

Eles eram chamados de deuses malignos, e possuíam poderes que a maioria nesse mundo consideraria abomináveis e perversos.

Mas não eram a encarnação do mal puro ou algo do tipo.

O campeão Zakkart chamava o Rei Demônio e seus seguidores de “Invasores de outro mundo.” Essa era a verdade.

Para os habitantes de Lambda, a luta contra o Rei Demônio era uma guerra santa para defender o mundo. Mas, olhando objetivamente, era uma guerra entre invasores e nativos.

Claro que não se podia dizer que o Rei Demônio e seus seguidores eram inocentes e não tinham feito nada errado. Afinal, eles vieram a outro mundo e escolheram não pedir educadamente para que o povo desse permissão para morar ali, nem fizeram esforço para assimilar-se, adotando os valores, a moral e os costumes locais.

Mas havia alguns que só obedeciam ao Rei Demônio por medo, apesar de se perguntarem por que a guerra havia começado de repente.

Um deles era Jurizanapipe, o Deus Maligno da Degeneração e da Intoxicação.

Zakkart a convenceu a juntar-se ao lado dos campeões.

Os antigos deuses malignos que mudaram de lado aliaram-se a Vida e ao ressuscitado Zakkart quando seu conflito com Alda começou.

Eles foram completamente derrotados por Alda e Bellwood. Foram selados depois que seus poderes foram reduzidos ou forçados a descartar seus corpos e se encarnarem fisicamente.

E Bellwood, que se opôs à entrada dos deuses malignos, mas teve que ceder por causa do valor estratégico, os enterrou nas sombras da história.

— Se eu fosse para a região sul do continente, o Imperador provavelmente tomaria alguma atitude, pensando que estou planejando finalmente fazer contato com os Vampiros de Sangue Puro que cultuam Vida — disse Schneider. — Ele me deixa agir porque sou útil ao Império, mas seria complicado se ele pensasse que eu poderia causar dano ao Império.

Embora Schneider fosse um aventureiro de classe S e um exterminador de deuses malignos (embora, na verdade, isso equivalesse a ser um “matador de damas”), o Império não era pequeno o bastante para ele derrotar sozinho.

Havia guardas imperiais tão fortes quanto aventureiros de classe A, e certamente havia dez ou vinte indivíduos mantidos em segredo como força extra de combate, que mesmo Schneider não conseguiria vencer facilmente.

— E eu também recebi uma Mensagem Divina — continuou Schneider. — Eu vou obedecê-la.

— Mensagem Divina, você quer dizer aquela? — perguntou Dalton. — Aquela que te disse para salvar as mães e as crianças…

Fazia dez anos que Schneider havia recebido essa Mensagem Divina. Ficou surpreso ao recebê-la pela primeira vez.

Decifrou a combinação críptica de uma vasta informação e intenção que entrou em sua mente, e de alguma forma conseguiu entender seu significado, as palavras ditas por Dalton.

Mais precisamente, foi uma Mensagem Divina que dizia: “Seja um escudo, ajude as mães e resgate as crianças do sangue, mas sem cruzar o pico ou o mar.”

— Você já não cumpriu isso? — perguntou Merdin. — Você salvou muitas mães e crianças e, por isso, encontrou Zod que estava selado.

— Sim, vocês realmente me salvaram naquela época — acrescentou Zod.

Schneider, acreditando que a Mensagem Divina significava “Fique no lado oeste do continente Bahn Gaia e arrisque sua vida para proteger mães e crianças,” salvou inúmeras mães e crianças como disse Merdin. Houve incidentes onde ele simplesmente as salvou de bandidos, e em um caso, isso se tornou uma grande aventura, que resultou em quebrar o selo do Vampiro de Sangue Puro, Zod.

Claro que, pensando se haveria outras interpretações para a Mensagem Divina, Schneider visitou o túmulo de sua mãe em sua cidade natal e buscou sinais de perigo às mulheres ao seu redor, pensando que alguma delas poderia estar grávida.

Como resultado, ficou claro que Schneider havia gerado filhos entre Lamias, Sílilas, Aracnes, Centauros e Sereias. Dalton disse: “Que homem, hein?” e Schneider só conseguiu responder: “Eu era jovem naquela época!”

Havia histórias engraçadas assim, mas Schneider finalmente se acalmou, interpretando a Mensagem Divina como um chamado para desfazer o selo de Zod.

No entanto, pelo pedido trazido pelos mensageiros do Duque Marme, Schneider percebeu que havia falhado.

Schneider balançou a cabeça. — Não, o significado daquela Mensagem Divina era “Salve a mãe na Nação- Escudo de Mirg e resgate o filho meio-sangue.”

— Isso é… — Dalton ficou desconfiado. — Mas então, e a segunda parte sobre o pico e o mar?

— Isso significava “Se você falhar em salvar a mãe, não se aproxime por um tempo.” Na verdade, se eu tivesse participado da expedição, as coisas também poderiam não ter ido bem para mim — disse Schneider.

— Você está dizendo que o Dhampir pode te matar? — perguntou Zod.

— Ele matou seis mil homens; não é uma criança normal. Bem, falando como um aventureiro de classe S, Vida provavelmente queria me impedir de me tornar inimigo daquele Dhampir, não?

— Se isso for verdade, pelo menos ele não tem relação com o Rei Demônio — disse Merdin. — Afinal, Vida não ajudaria o Rei Demônio.

— É isso… Eu me sinto mal por não ter salvado a mãe dele, mas também não sou todo-poderoso. Vou pedir desculpas quando encontrá-lo algum dia, mas até lá, vou fazer tudo o que puder.

Não havia tempo para preocupações.

Depois de terminar de falar, Schneider começou a se preparar para o trabalho do dia seguinte — exterminar um grupo de Krakens para ajudar um clã de Sereias.

— Ei, você acha que alga marinha faz bem para o cabelo —

— Zakkart disse isso, mas eu te digo, é superstição.

— Mas sabe, ultimamente minha linha capilar tem —

— É só imaginação sua; não está recuando nada.

— É mesmo? Mas sinto que meu cabelo tem ficado mais fino ultimamente —

— VOCÊ ESTÁ ALUCINANDO!

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