A ressurreição do deus heroico Bellwood foi uma revelação grandemente chocante para Vandalieu e seus companheiros, que estavam desfrutando de um banquete em Gartland para celebrar sua vitória na batalha.
Para eles, Bellwood era um demônio assassino que esteve nas linhas de frente e massacrou membros das raças de Vida durante a guerra entre Vida e Alda há cem mil anos. Ele era o ser maldito que havia selado os deuses subordinados de Vida, bem como os deuses que a apoiavam, tais como Ricklent e Zuruwarn; ele foi quem derrotou até mesmo os deuses malignos que aceitaram a oferta de Zakkart, voluntariamente traindo o exército do Rei Demônio e mudando de lado.
O dano causado por Bellwood ofuscava o causado por Nineroad, bem como o causado por Farmaun antes de se juntar aos aliados de Vida no Continente Demoníaco cerca de cinquenta mil anos atrás.
Isso era lembrado muito bem pela encarnação de Vida, Darcia, assim como por Zod e Gufadgarn, que haviam sido atacados por Bellwood e seus aliados há cem mil anos. Privel, Doraneza e os outros, que eram descendentes dos sobreviventes daquelas batalhas, tinham ouvido as lendas trágicas. E agora que haviam se tornado mais fortes, eram capazes de entender o quão aterrorizante Bellwood era.
Zozaseiba e os outros deuses de Gartland, o povo de Gartland, bem como Luvesfol, viveram se escondendo dele durante os cinquenta mil anos que se passaram entre a guerra Vida-Alda e a queda de Bellwood em seu sono. Para eles, o retorno de Bellwood era tão aterrorizante quanto a ressurreição do Rei Demônio.
Era verdade que este mundo só havia sobrevivente porque Bellwood derrotou o Rei Demônio Guduranis. Nesse aspecto, Bellwood merecia gratidão.
Mas isso não significava que eles ficariam satisfeitos em ver o sangue de suas famílias, amantes, amigos e companheiros atuais se tornando manchas de ferrugem na lâmina de Bellwood.
Bellwood e Heinz, o homem que o havia ressuscitado, não seriam recebidos com conversa. Era natural que Vandalieu e seus companheiros priorizassem a preparação de suas defesas, sabendo que o ataque era a melhor forma de defesa.
“Bem, de qualquer forma, o gratinado de caranguejo está pronto. E também a Pizza de Salame Gorn, a Massa com Bacon Madro e o Fritto Brateo”, disse Vandalieu.
Preparar suas defesas era de fato uma prioridade, mas se era possível fazer isso enquanto também continuavam o banquete, então também era natural continuar o banquete.
Tudo o que Vandalieu precisava fazer era criar novos Familiares do Rei Demônio e fazer com que Gufadgarn os teletransportasse para onde precisavam estar, de modo que isso exigia apenas grandes quantidades de sua Mana. Não era uma tarefa que necessitasse do cancelamento do banquete.
Mas ainda havia alguns que estavam descontentes.
“… Desculpe, mas você poderia, por favor, parar de nomear os pratos com nomes como ‘Gorn’ e ‘Madroza’? Nós não precisamos saber de quem foi a carne usada para fazê-los”, disse Deeana.
“De fato, não é algo tão bom para o nosso apetite…”, concordou Talos.
Deeana e Talos conheciam Gorn e os outros há mais de cem mil anos, de modo que se opunham a que os nomes deles fossem usados para nomear os pratos. Eles haviam lutado ao lado de seus aliados contra esses inimigos, mas aparentemente achavam desagradável ver fileiras de pratos nomeados de uma forma que os fazia recordar os rostos dos inimigos.
“Entendo. Mas a qualidade da carne difere de semideus para semideus… Que tal Pizza de Salame de Rocha, Massa com Bacon do Grande Oceano e Fritto do Trovão Ruginte?”, sugeriu Vandalieu.
“Ah, mmm… Suponho que assim seja melhor”, disse Talos.
“É apenas com o nome que vocês estão descontentes?”, Tiamat perguntou com uma expressão exasperada.
Mas Deeana e Talos pareciam satisfeitos. Ao contrário de Zozaseiba, eles estavam comendo e desfrutando dos pratos. Era provável que vissem isso como uma forma de mostrar respeito por seus inimigos caídos.
“Mas esse tal de Heinz, eu me pergunto quanto tempo vai levar para ele se acostumar a invocar Bellwood em seu próprio corpo?”, Pauvina se perguntou em voz alta, como se estivesse falando consigo mesma.
“Infelizmente, nós não sabemos”, respondeu Doraneza, que era a sacerdotisa de Marisjafar, o Deus Maligno Justo do Mar do Sul Carmesim…. Essa resposta não foi de muita utilidade.
“Ahw”, disse Pauvina em desapontamento.
“Não há o que fazer”, disse Doraneza. “Mesmo olhando por toda a história, indivíduos capazes de invocar deuses em seus próprios corpos não são muito comuns. Até mesmo a habilidade de usar ‘Descida de Espírito Familiar’ é consideravelmente rara.”
‘Descida de Espírito Familiar’ era uma Habilidade que invocava espíritos familiares… o equivalente aos anjos e mensageiros divinos da Terra, sobre o corpo do usuário. Ela podia ser adquirida por adoradores devotos com corpos bem treinados.
Seus efeitos e o fardo sobre o usuário eram muito menores do que invocar um deus, mas, como Doraneza explicou, la aquisição desta Habilidade por si só era suficiente para ser aclamado como um santo.
“É por isso que há poucos exemplos para usar como comparação”, disse Doraneza.
“Entendo”, disse Pauvina. “Luves, como foi no caso de Leo?”
“… Ajuda…”, gemeu Luvesfol, o Deus Dragão Maligno Enfurecido, que ainda tinha um olhar morto nos olhos após ter sido usado como um avião de brinquedo por Bakunawa. Mas a vida de repente retornou aos seus olhos com a menção de um de seus antigos adoradores. “Ah, o Rei Escamado. Esse sim é um nome nostálgico.”
O Rei Escamado havia sido um monstro extraordinário do tipo Dragão que adquirira ‘Descida de Clone Espiritual’.
“O Rei Escamado sempre foi capaz de usar ‘Descida de Clone Espiritual’. Ele não sofria efeitos colaterais enquanto um clone espiritual estava em seu corpo, e sofria apenas fadiga, não dor, após usar a Habilidade”, disse Luvesfol. “Embora fosse um Dragão que possuía apenas um pouco do meu sangue, seu corpo era muito mais durável do que o dos humanos… Bem, mesmo assim, ele ainda foi derrotado.”
“É, eu o derrotei antes que ele pudesse invocar um clone espiritual, afinal”, disse Vandalieu.
Ele e seus companheiros haviam lutado contra o Rei Escamado nos grandes pântanos ao sul de Talosheim, mas o derrotaram visando o clone espiritual primeiro, impedindo-o de usar seu trunfo.
Depois de ser transformado em um Morto-Vivo, ele se tornou Leo, a montaria de Bone Man, e estava atualmente de prontidão em Talosheim.
“Pauvina-sama, se você tem curiosidade sobre este assunto… talvez pudesse usar a ‘Queda de Espírito Familiar’ como referência? Isso usa um clone espiritual também, não usa?”, disse Luvesfol.
‘Queda de Espírito Familiar’ invocava uma entidade dividida de Vandalieu e, em sua essência, era o mesmo que ‘Descida de Espírito Familiar’ e ‘Descida de Clone Espiritual’. A única diferença era que invocava uma entidade dividida de Vandalieu criada a partir de sua alma, em vez de invocar um servo ou clone espiritual de um deus.
“Hmm, Luves, as entidades divididas do Van não servem de utilidade como referência. Elas são gentis demais”, disse Pauvina.
“G-gentis?!”, exclamou Luvesfol em surpresa.
Pauvina assentiu, e todos os outros que possuíam a habilidade ‘Queda de Espírito Familiar’ assentiram em concordância também.
“Eu nunca senti que isso causasse qualquer fardo ao meu corpo”, disse Basdia.
“Elas sempre nos dão um aviso para nos avisar quando a duração da Habilidade está prestes a acabar”, disse Eleanora.
“Pelo que ouvi, a entidade dividida que cada pessoa invoca geralmente permanece a mesma”, disse Vigaro.
“Parece que cada pessoa sempre invoca uma entidade dividida do tamanho certo para ela. Acho que ‘tamanho’ neste caso significa que, se for menor, está mais próximo de ser um espírito familiar, e se for maior, está mais próximo de ser um clone espiritual”, disse Privel.
“Parece que todo mundo bolou um bom sistema”, disse Vandalieu, como se isso não tivesse nada a ver com ele.
… Afinal, ele não processava conscientemente o uso de ‘Queda de Espírito Familiar’ por seus companheiros.
A propósito, como Privel suspeitava, as entidades divididas de Vandalieu podiam de fato ser consideradas equivalentes a espíritos familiares e clones espirituais, e as diferenças entre elas eram o volume de poder que continham… em outras palavras, seu tamanho. Quando alguém usava a Habilidade, o tamanho da entidade dividida que invocava dependia do Nível de sua Habilidade.
“Então por que o Van não aprendeu ‘Descida de Espírito Familiar’?”
No momento em que Pauvina fez essa pergunta, todos, exceto Vandalieu, congelaram, como se ela tivesse perguntado algo que não deveria.
“Eu quero, mas é bem difícil”, disse Vandalieu.
“Entendo.”
Enquanto Vandalieu e Pauvina compartilhavam essa troca de palavras despreocupada, Bakunawa olhou para eles de cima com uma expressão confusa.
Ele provavelmente estava pensando: O Papai é um deus, então por que ele quer invocar o espírito familiar de outro deus?
“Darcia-sama, o Bocchan ainda está…?”, sussurrou Sam.
“Sim, esta é a única coisa que ele se recusa a aceitar”, Darcia sussurrou de volta.
“Eu achei que ele fosse mudar de ideia quando a estátua divina dele ficasse pronta, sabe”, disse Borkus baixinho.
“Como esperado do grande Vandalieu. Indomável e persistente”, disse Gufadgarn.
Esta história remonta a antes da ressurreição de Botin, logo após o nascimento de Bakunawa.
Aquele dia, as ruas de Talosheim estavam mais alegres do que o habitual. Os ossos dos Esqueletos batiam de riso, os Zumbis dançavam energeticamente, os Fantasmas cantavam louvores e até mesmo os Golems silenciosos pareciam erguer-se mais altos e orgulhosos.
Havia um grupo de homens que normalmente passaria seus dias amontoados dentro das muralhas que protegiam Talosheim, mas até mesmo eles estavam inquietos hoje.
“O dia finalmente chegou.”
“Sim. Pensar que um dia como este estaria sobre nós…”
“Meu Rank finalmente aumentou ao ponto de eu ter ganho um corpo. Nunca houve um dia mais orgulhoso para mim do que este.”
“Você tem razão quanto a isso.”
Esses homens, que eram pretos como sombras, empunhavam bestas e vigiavam por monstros perigosos e invasores do lado de fora enquanto compartilhavam uma conversa alegre. Naturalmente, esses homens não eram humanos. Eles eram Mortos-Vivos criados por Vandalieu. Inicialmente, eles tinham sido Armas Amaldiçoadas, armas que eram possuídas por espíritos malignos, mas agora, eram Atiradores de Elite das Sombras Rank 5.
As bestas eram seus corpos principais, não os homens pretos que as seguravam.
“Para comemorar este dia auspicioso, vamos atirar e abater os monstros que se aproximam, e oferecer suas vidas a Vandalieu-sama.”
“Sim, ao grande Vandalieu-sama.”
Talvez porque seus corpos fossem objetos mecânicos, sua coisa favorita a fazer era trabalhar.
Os Atiradores de Elite das Sombras eram um meio de defesa contra ameaças de fora das muralhas de Talosheim. Dentro da cidade, um festival estava sendo realizado para celebrar a paz da nação. Havia fileiras de lojas montadas para este festival.
“Venham dar uma olhada! Estes são brinquedos de equipamento de transformação! Estes são do tipo mais recente, e até vêm com efeitos de som e luz! Temos todos os modelos, desde Zadiris, a garota mágica original, até a adição mais recente, Miriam!”
“Que tal experimentar nossos cogumelos cultivados em Gartland?! Fritem-nos, firvam-nos, sequem-nos para usar como um ingrediente aromático, vocês podem usá-los para qualquer coisa!”
O comércio comercial com Gartland havia começado recentemente, então algumas das lojas estavam vendendo mercadorias produzidas em Gartland.
Vandalieu e seus Familiares do Rei Demônio observavam seus cidadãos maravilhados através de olhos cujo olhar era como o de um peixe morto.
Ele havia sido completamente derrotado. Derrotado de todas as maneiras possíveis. Ele havia sido derrotado em negociações e em habilidade. Ou talvez ele nunca tivesse sequer tido a intenção de vencer, para começar. De fato, se a vitória fosse tudo o que ele queria, Vandalieu teria sido capaz de vencer muito facilmente. Mas ele não fora capaz de fazer isso.
“Afinal, teria sido infantil demais decretar uma lei para proibir a construção de estátuas de mim… Ah, resta apenas uma hora até a cerimônia para celebrar a conclusão da estátua”, Vandalieu suspirou.
O festival de hoje era para celebrar a conclusão da enorme estátua divina de Vandalieu.
A alegação de Vandalieu de que os impostos deveriam ser usados em coisas mais importantes fora esmagada por uma contestação de Nuaza, o chefe da Igreja de Vida, com o argumento de que esta era a vontade do povo da nação. Nem uma única pessoa havia se oposto à construção de uma enorme estátua divina de Vandalieu.
Depois disso, Vandalieu esteve constantemente na defensiva, incapaz de fazer uso de suas habilidades. Ele havia usado seus Familiares do Rei Demônio para encenar um protesto que parecia ser grande, mas era na verdade o protesto de apenas uma única pessoa. Mas os cidadãos confundiram isso com algum tipo de desfile excêntrico e, embora estivessem felizes em vê-lo, nem uma única pessoa se juntou aos seus esforços para se opor à estátua divina.
Os protestos de Vandalieu continuaram durante a construção da estátua divina, mas agora que he refletia sobre isso, talvez os cidadãos nunca tivessem considerado isso como um protesto, em primeiro lugar.
Antes de realizar seus protestos, Vandalieu pedia desculpas aos donos de casas e lojas voltadas para as ruas em que protestava, oferecendo-lhes caixas de doces, e sempre limpava as ruas depois. Ele manifestava suas objeções silenciosamente para não interferir na construção e, quando a construção exigia a realização de tarefas perigosas ou não tinha pessoas suficientes, ele se juntava e ajudava.
Da perspectiva do povo, não parecia que Vandalieu realmente se opunha à construção da estátua divina, mas da perspectiva dele, ele havia protestado com todos os seus esforços.
E o resultado, que estivera claro desde o início, fora agora finalizado. Agora que as celebrações estavam sendo realizadas para concluir a inauguração da estátua divina, Vandalieu havia interrompido suas atividades de protesto. Em vez de oferecer uma resistência feia e fútil, ele aceitou graciosamente sua derrota.
Ele podia pelo menos se orgulhar de ser um bom perdedor. Era o que ele pensara, até ontem.
“Mamãe, eu posso, por favor, fingir estar doente para não ter que comparecer?”, Vandalieu perguntou.
Atualmente, ele estava apenas agindo como um pirralho mimado.
“Vandalieu, não é bom fingir que você está doente”, disse Darcia. “Muitos de seus amigos vieram hoje. Você não quer encontrá-los?”
Ela estava tentando acalmar Vandalieu, que estava grudado a uma parede com as ventosas do Rei Demônio. Ela estava feliz por Vandalieu estar agindo de forma um pouco egoísta por uma vez, mas não podia permitir que ele fingisse doença.
Afinal, os amigos dele haviam vindo, o Rei Budarion e a Rainha Kurnelia do Reino dos Orcs Nobres, o Rei Godwin e a Primeira Princesa Iris da nação Majin; a Rainha Donaneris de Zanalpadna; o Rei Sylvari da nação dos Centauros; o Rei Tenma, a Rainha Yura e seu primeiro filho Oniwaka da nação Kijin; e Rowen da nação dos Drakonids, todas as figuras importantes da região dentro da Cordilheira da Fronteira.
Zalzarit, Feltonia, Zorg, Doraneza e Dediria vieram de Gartland, e o Conde Morksi e o Duque Alcrem vieram secretamente também. O conde e o duque aparentemente quase desmaiaram no momento em que chegaram a Talosheim. Mas talvez tivessem se recuperado, já que trocaram discussões sérias com seus conselheiros mais próximos depois disso.
“… Eu estarei lá para anunciar o nascimento de Bakunawa”, disse Vandalieu.
Ele planejava anunciar o nascimento de seu primeiro filho, que havia eclodido de seu ovo. Bakunawa não se tornaria o próximo governante de Talosheim, mas era natural que ele fosse revelado aos cidadãos.
Os eventos que levaram ao nascimento de Bakunawa foram bastante questionáveis, mas Vandalieu ainda o reconhecia como seu próprio filho. E Vandalieu era o imperador do Império Demoníaco, então tinha o dever de revelar seu filho ao povo.
“Eu já configurei feitiços de bloqueio de visão no céu, então não há necessidade de se preocupar em ser visto”, adicionou Vandalieu.
A Deusa das Nuvens de Chuva Bashas, que havia se juntado à facção de Vida, informara Vandalieu que os deuses da facção de Alda eram capazes de olhar para baixo na região dentro da Cordilheira da Fronteira a partir dos céus acima.
Vandalieu ficou surpreso ao ouvir isso, não pelo fato de que essa observação estava ocorrendo, mas por quão primitivo era o método; os deuses da facção de Alda estavam simplesmente olhando para baixo de uma altura que ficava acima da barreira.
Era razoável observar sem usar magia, já que usar magia faria com que ela fosse refletida pela habilidade ‘Fonte Raiz’ de Vandalieu com resultados imprevisíveis.
Mas olhar para baixo de uma altura acima das nuvens tornaria difícil até mesmo identificar cidadãos individuais no chão. E, aparentemente, os deuses que faziam a observação estavam sendo afetados pela habilidade ‘Invasão Mental’ que fora aplicada às imagens pintadas nos telhados de Talosheim.
Ao ouvir isso, Vandalieu se perguntara se era melhor tomar precauções… e acabou decidindo que sim, então aprimorou as imagens que estavam pintadas nos telhados.
E era, na verdade, muito simples impedir que os deuses das forças de Alda vissem Talosheim por completo.
Ele simplesmente precisava ocultar Talosheim com névoa ou uma ilusão criada por um feitiço, e criar uma fonte de luz abaixo dela para substituir o sol – como colocar um guarda-sol e pendurar uma lanterna embaixo dele.
“Isso não é bom o suficiente”, disse Darcia em tom de censura. “Eu sei que todo mundo ignorou o que você queria, mas eles construíram aquela estátua divina pelo seu bem. Você tem que mostrar a eles sua gratidão, não tem?”
“… Eu compareci à festa para celebrar o fim da construção”, disse Vandalieu.
Uma festa havia sido realizada para todos os envolvidos na construção da estátua divina após a última tarefa necessária para a construção, e Vandalieu havia comparecido a ela.
“Você ainda tem que ir a esta cerimônia”, disse Darcia. “Se você não sair dessa parede agora mesmo, vou fazer o Mestre Veld descender em mi e então carregar a parede inteira se eu precisar!”
Pensava-se que o espírito heroico Veld era a razão pela qual Darcia havia adquirido o Título ‘Progenitor de Monstro’. Através de vários eventos, ele se tornara um espírito heroico que descenderia sobre ela quando ela o invocasse.
Darcia já era capaz de fazer Vida descender sobre ela, então ela só precisaria invocar Veld ao ocultar sua verdadeira identidade. Assim, Veld planejava se dedicar exclusivamente a Schneider assim que este adquirisse a habilidade ‘Descida de Espírito Heroico’.
“… Sim, Mamãe”, disse Vandalieu, resignando-se ao seu destino enquanto Darcia o arrastava para a cerimônia… embora ele devesse ser o anfitrião da cerimônia, e não apenas um participante.
Durante a cerimônia, seus olhos estavam tão sem vida que aqueles que os viam não podiam deixar de se perguntar como alguém poderia parecer tão morto. Ele se referia à grande estátua divina como ‘grande estátua’, recusando-se a reconhecê-la como uma estátua divina.
But ele recuperou sua vivacidade ao anunciar a eclosão de Bakunawa, e celebrou o nascimento de seu primeiro filho com o povo.
Através desses eventos, os companheiros de Vandalieu pensaram que ele poderia ganhar uma maior consciência de que era um ser que era adorado, mas isso não aconteceu.
Se tivesse acontecido, Vandalieu nunca questionaria por que nunca havia adquirido a ‘Descida de Espírito Familiar’ ou quaisquer outras Habilidades relacionadas.
“Afinal, não há como um deus aprender uma Habilidade que o fortaleça ao invocar outro deus ou o servo de outro deus”, disse Deeana.
“E um deus que concede proteções divinas e envia espíritos familiares… além do mais, entidades divididas de si mesmo”, adicionou Talos.
Vandalieu não era um deus, e também era diferente de um semideus comum… ou até mesmo de semideuses extraordinários. Considerando isso, não era totalmente impossível para ele adquirir a habilidade ‘Descida de Espírito Familiar’.
But ele já não apenas concedia sua proteção divina a outros, mas também enviava entidades divididas de si mesmo para aqueles que haviam adquirido a habilidade ‘Queda de Espírito Familiar’.
Diante disso, invocar um espírito familiar, espírito heroico ou um clone espiritual sobre si mesmo não realizaria muita coisa. O próprio Vandalieu já consistia em incontáveis entidades divididas; usar tal Habilidade apenas adicionaria um único ser que seria equivalente a — ou até mais fraco do que — qualquer uma de suas outras entidades divididas.
Fidirg, o Deus Dragão dos Cinco Pecados, uma vez havia se fortalecido ao invocar uma entidade dividida de Vandalieu sobre si mesmo, mas isso não foi porque Fidirg era incomum, mas porque Vandalieu era simplesmente muito diferente do que era comum.
No caso de Vandalieu, também havia a possibilidade de que ele até mesmo fosse enfraquecido ao fazer com que o espírito familiar de um deus — um ser estrangeiro — entrasse em seu corpo.
Invocar um deus real em vez de um clone espiritual também seria difícil. Afinal, a estrutura de sua mente era diferente demais… Em outras palavras, não havia deuses que fossem compatíveis com ele.
“Entendo. Então é assim que funciona”, disse Zadiris.
“Eu nunca tinha percebido isso”, disse Zandia.
As duas estavam acenando com a cabeça enquanto ouviam essa explicação com grande interesse. Ambas eram magas excepcionais, mas era bastante difícil imaginar esse tipo de coisa como alguém que estava do lado que adora, em vez do lado daqueles que são adorados.
“Suponho que tentarei fazer um pedido na próxima vez que visitar seus Reinos Divinos”, disse Vandalieu. “Sempre me senti um pouco hesitante em pedir diretamente quando se trata de coisas como essa, já que parece que estou trapaceando, mas…”
Seria um problema se Vandalieu continuasse a permanecer inconsciente.
“Vandalieu, temos algo que queremos lhe dizer. Você poderia escutar, por favor?”, disse Darcia.
E assim, Darcia e os outros dedicaram seus melhores esforços para fazer Vandalieu aceitar a verdade.
《A habilidade ‘Culinária’ despertou em ‘Culinária de Deus’!》
Vandalieu, tendo feito inúmeros pratos usando semideuses, havia despertado a habilidade ‘Culinária de Deus’ que lhe permitia fazer pratos com espíritos divinos.