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The Divine Hunter – Capítulo 31

Vivien

“O que terá hoje? Peito com uma pitada de manjericão em pó?” Um jovem de cabelo ruivo e narigudo rapidamente os espetos de carne com temperos. O aroma da carne cozinhada flutuou pelo mercado, e o jovem que estava bem ao lado sentiu o cheiro.

“Claro, Emil. Vamos logo com isso, me dê um pouco mais de calor, está ficando mais frio recentemente. O tempo não está me ajudando”. O rosto de Roy estava vermelho por causa do frio. Ele tirou as penas do seu corpo e olhou para o céu nublado.

Três dias haviam passado desde que Roy tinha vindo à procura de emprego. Era quase o dia 11 de novembro, e Saovine estava se aproximando. Ele já tinha se acostumado com os trabalhos no mercado durante esse tempo, a cabine de aves lhe proporcionava trinta de EXP por dia, e a cabine de ervas também estava indo bem. Roy fez amigos de Tross – o seu chefe – Emil, o vendedor de carne grelhada, e Ruhr, o dono da cabine de aves de gaiola. Os seus dias passavam entre o seu trabalho e o treinamento noturno. Se ninguém soubesse melhor, ele era apenas um jovem comum que tinha vindo para a cidade grande para melhorar sua vida. Os vestígios da vida de bruxo quase desapareceram de sua vida atual.

“Aqui está o seu peito”. Emil lhe entregou um espeto de carne quente e fumegante do tamanho de um antebraço. “Como você é um cliente frequente, eu coloquei mais carne para você”.

Roy foi para um canto sossegado e guardou o espeto no seu inventário. Ele não comprou a carne para si, mas para outra pessoa. Ia partir ao anoitecer, mas Tross o impediu. “Roy, uma lavadeira chamada Trish encomendou um saco de madressilva. Você pode entregar na casa dela?” Tross perguntou. “Ela está hospedada no número oitenta e nove na parte baixa da cidade. Tenho de tomar conta da cabine, por isso não posso ir”.

Tross pediu a ele para cuidas das coisas nos últimos dias, mas essa foi a primeira vez que pediu a Roy para entregar algo à parte baixa da cidade. Isso o fez lembrar do aviso de Hank sobre a Tríade Sparrow. Já se passaram alguns dias, no entanto, eu não posso dar tanto azar assim, né? “Claro”.

Roy saiu do mercado e foi para o leste, onde as favelas ficavam. O céu estava sombrio, nuvens escuras reunidas no horizonte, cobrindo o sol escaldante e poente. Uma vez que ele pisou na vala estreita, foi recebido com cabanas pequenas que se estendiam até onde o olho podia ver. Eram favelas, onde tudo que era sujo era despejado.

Não demorou muito tempo para Roy cobrir o nariz depois de ter entrado no local. A maioria das cabanas eram frágeis e quase caindo aos pedaços, e o chão era inundado com água pútrida que escorria dos esgotos. Os becos estreitos entre as filas das cabanas estavam cheios de lixo.

As pessoas que passaram por Roy pareciam pálidas e tensas. Estavam em trapos, e quando a brisa do outono soprou contra eles, as suas expressões ficaram em branco. Ele viu homens que eram apenas alguns anos mais velhos do que ele, mas as suas costas já estavam começando a se deformar devido ao trabalho árduo a que tinham que se submeter. O ar era cheio com nada além do fedor de peixe e de excrementos.

Em comparação com a área limpa, apropriada e próspera, os bairros das favelas eram um puro inferno. Chamá-los de sujos era um eufemismo, e até mesmo Kaehr era muito melhor. Mas as favelas eram como o mundo era naquela época.

Roy manteve o seu desejo de partir. Foi à casa da lavadeira e entregou a madressilva à mulher gagá que lavava os cobertores fora de casa. Ele ia voltar assim que terminasse, mas alarmes começaram a soar em sua cabeça, e parecia que algo estava apontando para ele. Roy virou a esquina e lançou um olhar furtivo na direção de onde tinha vindo.

Tal como ele suspeitava, dois bandidos com roupas de mau gosto seguiam-no à distância. “O que eles tão fazendo? Porque estão me seguindo?” Então ele se lembrou do aviso de Hank. “É só a minha sorte, e essa é a minha primeira vez aqui também.” Roy respirou fundo e continuou andando. Os homens seguiram o seu rastro, desconhecendo o perigo que o rapaz representava.

Nas favelas de Aldersberg, um rapaz caminhou em frente nas ruas sujas, com a cabeça baixa. Dois homens seguiram-no à distância, com suas expressões obscuras. Alguns residentes que estavam tirando as suas roupas da varanda repararam na cena, mas tudo o que fizeram foi inclinar-se para a frente e assistir ao espetáculo. Alguns passaram rápido pelo garoto e lhe deram um olhar antes de acelerarem seu ritmo, com medo de arranjar problemas. Ninguém queria ajudar.

Roy focou-se calmamente na sua besta escondida e estimou o espaço restante no seu inventário antes de correr à frente de repente.

“Vem cá, rapaz!” A sua linha de pensamento foi interrompida por uma súbita chamada. Roy olhou para cima e viu uma jovem e bela donzela acenando para ele não muito à frente.

Ela está me chamando? Olhou para os bandidos atrás e hesitou. “Muito bem então, tem muitas pessoas aqui, seria difícil escapar se eu os matasse”.

No momento em que se aproximou da mulher, um aroma o atacou, e ele quase desmaiou. Ele rapidamente agarrou o braço esquerdo dela. “Não se preocupe, garoto. Enquanto eu estiver aqui, esses bastardos não vão fazer nada com você”.

A mulher piscou para ele, e os homens que o tinham seguido pararam em seu caminho. Um deles tinha o pescoço tatuado e cuspiu neles. “Teve sorte hoje, pirralho”. Os homens saíram às pressas, mas não sem praguejar.

“Hm, obrigado por ajudar”. Roy parecia rígido, pois não conseguia se acostumar à sensação suave no seu braço.

“Desculpe, eu te machuquei?” A mulher soltou o seu braço e deu-lhe um tapinha na cabeça. Ela parecia ter um metro e setenta, com algo em torno de vinte e quatro ou vinte cinco anos de idade. O seu top verde e saia dobrada que cobria suas coxas mostravam o seu corpo perfeito. Os seus cabelos vermelho-vinho estavam amarrados num rabo de cavalo, e uma joia de prata pendurada em seu pescoço fino. As suas pernas eram brancas como a neve, e um cinto enrolado firmemente em volta do seu tronco. A característica mais atraente da moça eram os seus olhos brilhantes e lábios cheios. Fazendo ela parecer sedutora.

Era como se o seu sorriso afastasse as nuvens escuras.

“Eu sou Vivien. O que você está fazendo aqui sozinho, garoto?” Vivien perguntou curiosamente, a sua voz gentil. “Ninguém te disse que era perigoso? A Tríade Sparrow faz de tudo por dinheiro”.

Roy caiu em transe ao ver os seus olhos brilhantes, mas como seu corpo ainda não tinha se desenvolvido completamente, rapidamente se recuperou. Ele deu-a um sorriso de gratidão. “Pode me chamar de Roy, Vivien. Estava entregando algo, mas não esperava que a minha sorte fosse tão ruim. Essa é a primeira vez que venho aqui”.

“Oh e eu achei que aqueles bastardos estavam esperando por você”, Vivien se queixou. “Para onde você vai agora?”

“De volta a cabine de ervas no mercado”.

“Eu vou lá para buscar algumas coisas também, vamos juntos”.

Roy concordou depois de ter deixado de sentir a presença daqueles bandidos. Enquanto caminhavam lado a lado, Roy notou que as suas mãos não eram tão suaves quanto seu rosto. Tinham queimaduras de gelo e estavam cobertas de pele morta e calos. “Vivien, isso acontece muito aqui? Não deveria ter alguém os repreendendo?”.

“Não, todos têm estado preocupados com os problemas no centro da cidade e na zona afluente. A cidade baixa agora é uma terra sem lei, por isso você deve ser cuidadoso. Nunca venha aqui sozinho”.

Roy perguntou ansiosamente: “Aqueles bandidos não virão atrás de você? Afinal você me ajudou”.

A moça parou no seu caminho, um olhar de gratificação brilhando em seus olhos. Ela olhou para Roy como se ele tivesse dito algo que a deixou orgulhosa. “Não se preocupe, eles não farão nada comigo”.

Roy ficou surpreendido ao ouvir isso, e o afeto em volta dela cresceu dentro dele. Eles conversaram enquanto iam para o mercado. Roy chegou à cabine pouco tempo depois, e Vivien acenou, dizendo para ele ir antes dela partir.

Tross se surpreendeu por uma fração de segundo quando viu a mulher que tinha vindo com Roy. “Feito?”.

“Sim”. Roy fez uma pausa. “Tross, sabe quem a Vivien é? A mulher que veio comigo?”

Tross olhou para cima, com os seus olhos redondos se estreitando, e mergulhou em sua fantasia. “Vivien é uma boa senhora”. Ele fez o esboço de uma cabaça no ar e lambeu os seus lábios. “Ela tem melhores curvas do que a maioria das mulheres da cidade, não?”.

“E ela também é gentil, graças a ela, consegui me livrar dos bandidos que me seguiam na cidade baixa”.

Tross percebeu algo, e disse pedindo desculpas: “Devia ter lhe dito que a cidade baixa estava em caos, especialmente recentemente”.

“Esquece, nada aconteceu de qualquer maneira. Ela não parece ter medo daqueles bandidos, sabe o porquê?” Perguntou Roy.

A admiração surgiu no rosto de Tross. “Há uma casa de três andares na parte nordeste do centro da cidade que é vizinha da cidade baixa. É a casa de Cardell. Proporciona educação às crianças civis de Aldersberg a um preço acessível, e elas fornecem almoço gratuito para as crianças. Vivien é a professora, e ela é amada pelo povo. Não importa quantos bastardos a Tríade Sparrow tenha, o povo da cidade é mais numeroso que eles. Por que acha que lhe deram uma casa tão larga?” Ele suspirou. “Mas o destino sempre machuca os gentis. A sua mãe é uma viciada, e ela tem que apoiar o seu pai, que é um alcoólatra. A sua vida é dura, já que tem que cuidar da sua família e das pobres crianças. Por que uma donzela bonita e gentil como ela tem que viver nas favelas imundas?”

Ele parecia querer ajudar Vivien, para a alegria de Roy. Ele sabia que Tross tinha uma família feliz, a sua mulher e filhos estavam vivos e saudáveis.

“Eu posso pedir educação na casa de Cardell, Tross?” Roy estava interessado no lugar. Ele tinha planos para aprender um vocabulário comum, uma vez que se tinha se estabelecido no seu trabalho, podia arrumar um tempo à tarde para aprender.

“Acho que sim, como você é jovem”. Tross esfregou seu queixo. “Mas as taxas vão ser mais altas, como você não é daqui. Mas, claro, ainda é mais barato do que pedir a um escrivão ou outra pessoa para te ensinar”.

Roy ficou encantado ao ouvir isso. Ele tinha conseguido encontrar um lugar para ficar e alguns bons empregos, e depois de uma oportunidade de aprender um vocabulário comum aparecer bem na sua frente. Não deveria ter nenhum problema se ele seguisse com esse plano, e ele poderia surpreender Letho quando retornar.

…

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