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The Divine Hunter – Capítulo 78

A Sala Além da Poeira

Roy ouviu alguém tossir do outro lado da cortina de fumaça e correu em direção ao som. Letho estava encostado no canto, sua armadura de couro explodida em pedacinhos. Seus braços, peito e pernas foram arranhados pelos destroços e queimados pelas chamas, seu rosto preto de fuligem. Ele tá arregaçado, mas pelo menos ele ainda está vivo. O estoque de poções deles havia se esgotado, mas Roy tinha três poções de calêndula sobrando. Perfeito. “Como você se sente, Letho? Onde está doendo?”

 Letho descansou por um tempo, olhando para a cortina de fumaça com medo. “Não foi nada. Acho que quebrei uma costela e alguns ossos da perna direita. Droga. Eu nunca teria pensado que quase morreria por causa da minha própria magia.”

 Roy ficou surpreso que Letho conseguiu sobreviver quando ele próprio quase morreu mesmo estando distante. “Você estava muito perto da explosão. Qualquer outro cara teria explodido em pedaços.”

 “Se não fosse por Quen, eu estaria morto agora.” Então ele perguntou: “Espere, você está bem?”

 “Sim, porque eu estava longe.” Roy limpou um pouco de sangue da orelha e mostrou a Letho. “Mas não estou ileso. Meu rosto inteiro está sangrando, veja.

 “Sim, eu nunca vi ninguém andando por aí como se não fosse nada depois de sofrer esse tipo de lesão.”

 Certo então. 

 A dupla descansou até a poeira baixar, mas a caverna em que estavam havia mudado. Entretanto, a explosão não afetou o caminho à frente. Em vez disso, a parede esquerda cedeu, revelando uma sala estranha atrás dela. “Uau, uma bênção escondida, hein?” Roy ajudou o bruxo manco a entrar na sala. Era do mesmo tamanho de um quarto individual em uma pousada, mas as paredes eram lisas, obviamente reformadas por alguém ou alguma coisa. Não havia nenhuma cama ou mobília dentro, então não deveria haver ninguém morando lá. Mas mesmo que houvesse alguém lá, a parede estava bloqueada. Em outras palavras, não havia saída, tornando a sala uma armadilha mortal.

 “Que imbecil construiu esta sala vazia neste túnel?” Roy ficou desapontado. Ele pensou que eles haviam encontrado um tesouro ou algo assim.

 “Provavelmente é a morada de um feiticeiro”, disse Letho. “Somente aqueles que podem se teletransportar podem ir e vir quando quiserem.”

 Roy ajudou Letho a chegar à grande e reluzente parede de frente para a entrada, e seu colar começou a tremer no momento em que a tocou. Em vez do zumbido fraco que ele sentiu quando eles lutavam contra os nekkers, o zumbido parecia forte e intenso.

 “Algo está errado com esta parede?” Roy passou a mão nela como Letho tinha feito, mas tudo o que sentiu foi uma parede dura.

 “Temos que descobrir, a todo custo. Um feiticeiro colocou um feitiço nisso, mas, felizmente, ainda tenho um pouco de pó de dimeritium sobrando.” Letho vasculhou sua bolsa e tirou um punhado de pó cinza. Era o inimigo dos feiticeiros e o material para bombas de dimeritium – pó de dimeritium.

 Letho jogou a poeira na parede, e então a parede, não muito diferente de papel encharcado, ficou mais escura. A dupla olhou um para o outro por um momento antes de fazer seu movimento. Quando estava totalmente embebida em dimeritium, ondulações aparecem no centro e se espalharam, revelando o mistério por trás de si, assim como um teatro levanta suas cortinas.

 A dupla observou o mural na parede em silêncio. À esquerda, um elfo com uma coroa estava diante de seu trono no altar com os braços abertos, saudando seus súditos que estavam ajoelhados diante dele.

 O mural parecia frio ao toque, e então uma ondulação que vinha dele percorreu Roy. Ele tremeu por um momento, e então, como por mágica, ele se viu entre a multidão ajoelhada na imagem que ele tinha visto. O menino olhou para o nobre rei acima, que parecia um oceano infinito e uma montanha intransponível. Ele sentiu como se fosse apenas um espectador insignificante na presença do rei.

 …

 Ele despertou um momento depois e voltou os olhos para o segundo mural. O rei elfo estava lá também, mas desta vez, ele estava balançando uma espada carmesim contra um grupo de invasores rosnando, enquanto seu mar de soldados estava atrás dele.

 “Aqueles são humanos, não são?” Roy franziu a testa. Os invasores eram ilustrados como humanos, mas eram descritos como criaturas rosnantes e repulsivas. O que veio a seguir foi uma terra encharcada de sangue e iluminada pelas chamas da guerra. O outrora glorioso império foi reduzido a escombros, cadáveres de elfos espalhados pela terra, enquanto os carrascos humanos estavam em cima dos escombros, apontando suas espadas para a garganta do rei elfo.

 O último mural mostrava o rei elfo que havia perdido sua coroa, ele abandonou sua espada e atirou uma flecha no sol acima dele. O sol, ferido pelo tiro do elfo, fez chover sangue sobre a terra. O sangue penetra o solo, e plantas misteriosas irromperam da terra e crescem em direção ao céu.

 Roy caiu em um longo silêncio depois que terminou de olhar os murais. Representações vívidas da guerra em toda a sua crueldade surgiram em sua mente, como se fosse mágica. Eventualmente, seus olhos ficaram vermelhos, sua respiração ficou pesada e ele cerrou os punhos em histeria.

 Letho deu-lhe um tapa forte e Roy gritou. Ele esfregou o rosto que estava começando a inchar, e seus olhos estavam claros novamente. “Você poderia ter sido mais gentil, Letho.”

 “Situações extremas pedem por medidas extremas.” Letho engasgou quando sua ferida começou a se abrir. “Você poderia ter tentado se matar se meu tapa tivesse demorando um segundo a mais pra te acertar.”

 “Então esse mural é real?” Roy sabia sobre a verdade do mundo, mas queria ouvir o que Letho tinha a dizer sobre isso.

 “Os murais contam a história dos humanos e elfos”, disse Letho. “As lendas contam que os humanos não são os nativos desta terra. Eles vieram das terras de outrora e mataram a maioria das raças antigas daqui, incluindo os elfos. No final, eles finalmente conquistaram o mundo, mas as lendas dizem apenas isso. Lendas. Os humanos vivem aqui há muitas gerações, então talvez eles tenham mudado a forma como a história foi escrita para esconder a verdade de todos. É difícil dizer quem está certo e quem está errado. A maioria dos humanos não acha que invadiu as terras das raças antigas.”

 “Mas o que você acha?” Perguntou Roy.

 “Eu?” Letho coçou o queixo. “Os bruxos não são limitados por sua raça. A maioria dos bruxos da Escola do Gato eram elfos, sabia? Tudo o que temos a fazer é manter nosso credo, não importa a história.”

 Letho pode não saber, mas Roy sim. Ele sabia que os humanos vieram de outros continentes, e a maioria dos assentamentos humanos como Vizíma e Novigrad foram construídos sobre as ruínas da civilização élfica. No entanto, elfos, ou para ser mais preciso, Aen Seidhe, também eram seres de outro mundo. Eles vieram para essa terra, mataram os nativos e governaram por muito tempo.

 Se quisessem ser mais precisos, os anões e gnomos eram os verdadeiros nativos da terra, mas foram forçados a se esconder em um canto remoto nas montanhas. Ah, os Mahakams também faziam parte do reino dos elfos. Agora entendo por que uma sala élfica apareceria aqui. Roy adivinhou: “Talvez um feiticeiro élfico com rancor tenha feito este quarto para manter os registros históricos e garantir que todos que viessem depois soubessem sobre o mal que os humanos fizeram”.

 Letho assentiu, mas depois balançou a cabeça. “E isso não é tudo que tem aqui. O objetivo deste feiticeiro não é manter a história intacta. Olha aqui.” Letho se ergueu e bateu na parede, depois empurrou a mão contra ela e murmurou. Um momento depois, os ventos uivaram na sala.

 Roy olhou de perto e viu o mural destruído por Aard, e quando a poeira baixou, algo escondido foi revelado.

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