The World After the End – Capítulo 23

Mundo de 1% (3)

Meikal não conseguia pensar direito. Ele não sabia o que o homem fez, mas o chifre da besta de quatro chifres tinha sido quebrado. O osso que era tão valioso, já não tinha preço. O que ele diria ao proprietário?

— Sinto muito. Não quis fazer isso.

— Sinto muito? Está se desculpando?

Meikal rugiu enquanto estremeceu de raiva. Ele estava pensando se deveria martelar o homem até a morte ou jogá-lo na fornalha vivo. Mas Jaehwan falou:

— Vou te recompensar com algo melhor.

— Recompensar?

Todos zombaram. Era do chifre de uma besta de quatro chifres que estavam falando. Um monstro desses não era só raro, era tão poderoso que só os anciãos dos Dez-Clãs mal conseguiam lutar contra um.

— É melhor manter sua promessa se eu te recompensar.

— Promessa?

Meikal então se lembrou do que falou sobre fazer um espaço para uma gema no cabo do osso. Era irritante. Ele estava falando da promessa até nessa situação.

— Se puder recompensar o chifre, vou deixar você fazer o que quiser, seja o cargo de vice-chefe ou qualquer outra coisa. No entanto, se tentar no recompensar com algo estúpido, não sairá desse lugar vivo.

Jaehwan concordou e virou para Naven.

— Coloque aqui.

Naven trouxe o chifre e colocou do lado da fornalha. Era o chifre preto e grande de um monstro. Todos pararam, se perguntando o que era. Então todos suspiraram.

Depois de um tempo, alguém murmurou baixinho:

— É… O chifre de um Garnak…!

Bestas de cinco chifres eram classificadas por suas espécies, porque eram extremamente perigosas e poderosas. Um Garnak era um monstro parecido com um lobo que demandava vários anciãos e até um Vice-Líder dos Dez-Clãs para enfrentá-lo.

Todos ficaram em silêncio e Meikal os ordenou com uma voz pesada:

— Fechem a porta. Estamos fechados o resto do dia.

Os aprendizes correram para fechar as portas de ferro para o ferreiro. Foi a terceira vez que Meikal viu um chifre de Garnak não processado. A primeira vez foi quando ele tinha acabado de chegar no <Caos>, enquanto estava em outra ferraria famosa, e a segunda foi quando o antigo vice-líder da <Queda do Crepúsculo> trabalhou em um.

— É maravilhoso.

Parecia que havia sido cortado de um Garnak já que o chifre não tinha sido danificado. Todos estavam concentrados no chifre.

— É o bastante?

— Sim. É mais que suficiente.

O valor de uma besta de cinco chifres era mais que dez vezes maior do que uma de quatro chifres. Ele podia só ter cortado um pedaço que já seria suficiente, mas esse cara o entregou inteiro. Isso era muito mais que suficiente.

Meikal refletiu e perguntou:

— Pelo resto do dia de hoje, a <Queda do Crepúsculo> é sua.

Todos começaram a murmurar, mas Meikal gritou irritado:

— SILÊNCIO!

Todos ficaram em silêncio novamente e Meikal perguntou:

— Onde conseguiu isso?

— Eu o matei.

Um homem caçou uma besta de cinco chifres, mas então Jaehwan disse:

— Vamos começar a trabalhar, então se preparem.

— No que estamos trabalhando?

— Estou fazendo o que preciso.

Naven então foi para Meikal e sussurrou. Meikal concordou.

— Entendo. Então você precisa de uma bainha.

— Sim.

— E o material?

— Isso.

Jaehwan pegou outro chifre. A besta tinha cinco chifres, então ele obviamente tinha mais. Mas não fazia sentido para Meikal.

— Vai fazer uma bainha usando um chifre de Garnak?

Era de uma besta de cinco chifres que estavam falando. O material parecia exagerado para só uma bainha, então Meikal perguntou:

— Posso dar uma olhada na espada para a qual você está tentando fazer a bainha?

Jaehwan emprestou a espada a ele. Depois de Meikal olhar para os atributos dela, ele murmurou:

— Ahh… A Espada do Dragão de Gelo.

— Você a conhece?

— É uma espada feita do chifre do Rei Dragão de Gelo. Ou pelo menos é o que diz.

O Rei Dragão de Gelo era um Dragão Maligno que vivia na “Região Esquecida”, ou a região mais perigosa dentre as 12 das <Grandes Terras>. A espada era feita do chifre do monstro. Estava destinada a ser uma espada poderosa.

Entretanto, era uma pena que essa espada era só uma réplica.

Era óbvio. Meikal tinha ouvido as notícias das <Grandes Terras> e nunca tinha ouvido do Dragão Maligno ter sido caçado. Parecia que um certo [Pesadelo] tinha visto o Rei Dragão de Gelo e feito uma réplica posteriormente.

— É valioso pois um [Pesadelo] a criou, mas é um pouco exagerado fazer uma bainha para uma arma nesse nível. Pode ser melhor fazer uma nova espada com o chifre…

Entretanto, a espada começou a chorar. Meikal a soltou assustado e ela caiu na ponta do chifre de Garnak. A espada então vibrou ainda mais forte enquanto abria a “boca” e devorava o chifre.

— É uma Arma Espiritual…

A espada começou a brilhar depois de comer o chifre de Garnak.

— Estou presenciando muitas coisas fascinantes hoje. Sua espada está evoluindo.

A lâmina ficou mais afiada e a durabilidade aumentou. Agora era resistente o suficiente para se comparar ao chifre de Garnak. A aura negra que a espada irradiava agora estava tão densa que o único jeito de a esconder era cobrindo com uma roupa. Ela precisava urgentemente de uma bainha. Esse tipo de energia espiritual precisava ser encoberto para passar despercebido.

“Parece que o espírito de uma raça superior está absorvido aí dentro… por quê…?”

A lâmina continuou chorando. Meikal verificou a espada e falou:

— É uma grande evolução. Vai levar um tempo para terminar. Mas você vai precisar de um novo nome quando acabar.

— Nome?

— Armas Espirituais perdem seu nome original quando passam por uma grande evolução.

A espada estava gemendo agora. Meikal então se virou para Jaehwan.

— Mas agora não temos mais o material.

O material tinha sido devorado pela espada.

— Não tem problema. Tenho mais.

Jaehwan tirou outro de sua mochila.

Meikal parou em frente ao chifre de Garnak. Era a primeira vez que ele recebia uma chance de processar um chifre de Garnak. Ele tinha visto um chifre que foi processado há muito tempo, mas…

“Posso mesmo fazer isso?”

Ele era um vice-chefe e havia recebido o título de [Aprendiz], mas ele mal conseguia processar um chifre de uma besta de quatro chifres.

“Não sou um verdadeiro [Aprendiz]… eu nem criei uma torre.”
Embora fosse do mesmo nível, a diferença era absurda. Enquanto humanos estavam sofrendo para criar uma espada, [Pesadelos] criavam torres que viravam mundos.

Meikal olhou para o chifre de Garnak. Havia alguns materiais que poderiam ser avassaladores só de olhar.

— Sinto muito, mas acho que não consigo…

Jaehwan estava vestindo algo.

— O que está… Não, vice-chefe. O que está fazendo?

Jaehwan arregaçou as mangas depois de vestir um equipamento de proteção de ferreiro e falou:

— Não sei do que está falando.

Meikal ficou confuso.

— Estou fazendo a bainha.

— Quê?

— Deveria me ajudar.

Ele não conseguia entender. Jaehwan tinha um poder tremendo, isso era certeza. Ele tinha o poder de destruir o chifre. Entretanto, destruir não era a mesma coisa que processar.

— Mas você não pode…

— Exato. Não posso fazer isso sozinho.

Jaehwan concordou. Ele tinha o poder, mas não tinha as técnicas necessárias.

— Por isso preciso de você.

Jaehwan disse enquanto olhava para o rastro da habilidade [Criação] do [Pesadelo], ainda persistente no fim do martelo de Meikal.


Ao mesmo tempo, no Castelo de Gorgon.

Um homem de meia-idade com roupas limpas e formais tossiu enquanto bebia seu chá.

— O quê? Você o perdeu?

— Sinto muito, senhor.

O homem com roupas escuras abaixou a cabeça enquanto se ajoelhava na frente do homem de meia-idade.

— O que aconteceu?

— Não sei, senhor. Eu… Só fui nocauteado e acordei caído em um telhado.

O homem de meia-idade franziu a testa. Ele tinha sido nocauteado, mas não sabia como.

— Em que estágio você está?

— Terceiro, senhor.

— Qual é o rank e o nível da sua furtividade?

— Está no rank mais alto e no nível mestre.

— E você foi descoberto?

— Não sei como isso aconteceu, senhor.

— Isso é loucura.

Quando um Adaptado de terceiro estágio com uma habilidade de furtividade no nível mestre e com o rank mais alto se esconde, é difícil até para os Adaptados de maior rank descobrirem. Mas o alvo o encontrou e o nocauteou facilmente sem ele saber.

“Carlton disse que ele provavelmente não estava no quinto estágio…”

Talvez ele estivesse no quinto estágio. Se ele estivesse mesmo, o homem tinha que estar preparado.

— Vamos reunir mais homens. Encontre-o, custe o que custar.

Naquele momento, um estrondo profundo veio da cela subterrânea abaixo do castelo. Foi um leve tremor, mas o homem de meia idade, que era um Adaptado de rank alto, conseguiu sentir. Em seguida ele ouviu um grito longo e fraco vindo de baixo.

Ele franziu a testa.

— Mestre, por favor, espere um pouco mais.

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