The World After the End – Capítulo 24

Mundo de 1% (4)

Um dia se passou depois de chegar na <Queda do Crepúsculo>. O período de tempo prometido na posição de vice-chefe havia passado, mas os artesãos não pareciam se importar. Talvez fosse porque trabalhar num chifre de Garnak era uma oportunidade rara. Só de ter um vislumbre do chifre sendo polido já era uma lenda.

Minora deixou a <Queda do Crepúsculo> silenciosamente.

Homens de meia idade foram ouvidos falando alto de dentro da taberna. No centro havia uma máquina velha de holograma que mostrava uma transmissão. A pessoa na transmissão era um [Pesadelo] de cabelo rosa com um pequeno chifre.

“E esse é o top 10 dos melhores vídeos, junto da Siroen! Está quase acabando, hein. O último vídeo todos devem conhecer! Não há nada mais famoso do que esse vídeo no <Pequeno Irmão> ultimamente! É o vídeo [Concluindo o 99º andar sozinho]!”

O vídeo então mostrou um rapaz lutando sozinho contra um Dragão de Gelo gigante. O homem continuava o estocando de novo e de novo, sem parar. O rosto dele foi censurado para que as informações do Produto não vazassem. Os homens na taberna se impressionavam enquanto assistiam.

— Me pergunto o que aconteceu com esse rapaz. Os Monarcas estão loucos por ele.

— Hã? Você não sabia? Aquela torre está em espera para Cultivo.

— Em espera? Por quê?

— Não sei. Talvez algum Demônio idiota tenha tentado trapacear nela. Há um boato de que ele tentou fugir durante o Cultivo por causa disso.

— Então é uma farsa?

— Claro. Acha que é possível vencer uma torre da 1ª geração sozinho?

Os homens discutiram por um tempo, mas logo mudaram de assunto. Além disso, aquele assunto era irrelevante para eles agora. Esse era o <Caos>, o mundo dos mortos.

— Espero que eu consiga uma [Fruta] algum dia. Quero ser revivido.

— Haha, não vai conseguir nem uma semente com esse tipo de pensamento.

— Ei! Me vê uma cerveja de um chifre!

Naquele momento, após bater a porta da taberna, uma mulher entrou. Era a Minora. Ela caminhou rapidamente até o balcão e se sentou. A cintura fina e o rosto de pele clara dela imediatamente atraíram toda a atenção dos homens na taberna.

— Ei, senhorita. Está sozinha aqui?

— Vaza.

— Sim, senhora.

Os homens ficaram surpresos e assustados com a pressão de energia maligna que Minora estava liberando e saíram correndo. Minora riu amargamente.

“Comparado a esses palhaços eu sou forte.”

Ela pensou em Jaehwan e se sentiu amargurada. Em seguida, a dona da taberna apareceu.

— Você, garota, não é boa para minhas vendas.

— Tia Claire.


— Então… Tia… Escuta…

Minora estava muito bêbada para falar direito, mas ela continuou murmurando.

— Já ouvi demais, garota.

Claire, a mulher de meia idade, franziu a testa. Ela era uma sobrevivente do mundo “Arkal” de onde Minora veio. Ela era a única sobrevivente de Arkal no <Caos>.

— Então, o que está dizendo é isso.

— Heeein?

— Tentou enganar um homem e quase foi morta, mas ele te salvou.

— …

— Depois, tentou enganá-lo de novo e teve o que mereceu.

— …

— E, mesmo assim, você o acompanha que nem uma idiota?

Claire estreitou os olhos; ela conhecia Minora muito bem. Minora era assim desde que elas se conheceram na Torre dos Pesadelos. Ela era fraca, mas era temperamental. Além disso, também gostava de brincar com as pessoas e causar problemas. Ela não era má, mas sempre arrumava problemas para as pessoas ao redor dela.

— Você até me matou uma vez, lembra?

Minora bebeu a cerveja.

— Sou tão pé no saco assim?

— Acho aquele cara perigoso. Larga ele. Você pode conseguir o homem que quiser.

— Heh heh.

— Por que ainda tá na cola dele?

Mino arregalou os olhos. Ela pensou um pouco e depois falou:

— É que… Quando eu olho pra ele…

Claire tinha ouvido várias histórias que começavam com essas palavras. Ela se preparou para uma longa história de amor ou algo do tipo. No entanto…

— Ele me deixa tão maluca.

Foi inesperado.

— Ele é tão arrogante, mal-educado e fala tanta merda… Mas ninguém pode impedi-lo. Ele faz o que quiser, é como uma besta enjaulada. O Clã Raposa Vermelha. O Cabeça de Touro. A Queda do Crepúsculo. Nenhum deles… Claire, sabe o que isso me faz pensar?

Minora olhou em volta da taberna e continuou:

— Parece que a minha vida inteira é uma piada.

— …

— Eu não morri porque queria. Você e eu. Fizemos o melhor que podíamos.

Minora sorriu amargamente.

— E ele… Ele simplesmente aparece do nada como se quisesse provar que tudo que fizemos e tudo pelo que lutamos está errado. Ele só destrói, mata, e quebra as coisas…

A caneca dela esvaziou, ela então encheu novamente.

— Talvez eu só queira… Ver alguém pará-lo. Eu não consigo. Mas alguém… Pode aparecer e acabar com ele. Então…

Claire entendeu o que ela quis dizer. Ela também sentiu algo parecido, há muito tempo. Ela ignorou e correu, e ficou velha. Ela sabia pelo que Minora estava passando.

— Mino, deixa eu te dar uma dica.

— Hã?

— Não fale com ele nem fique perto dele mais.

— Por quê?

— Se ficar com ele, vai morrer “de verdade”.

Minora se encolheu. Ela nunca tinha visto o rosto de Claire tão sério desde que ela a envolveu em um incidente que matou as duas. Antes que Minora pudesse responder, uma mensagem de energia feita de poder espiritual atravessou a janela do salão e foi até Minora. Ela verificou quem tinha enviado.

[Carlton – Capitão do Portão Norte]

“Hein? Por que eu?”

Naquele momento, Minora sentiu uma pressão assustadora de todos os lados. Não parecia que estava lá para enfrentá-la, mas a energia era esmagadora. E havia muitos deles. Havia muitos que Minora não podia garantir vitória numa luta um contra um que estava se aproximando. Então, as portas da taberna se abriram e os homens entraram. Minora puxou uma adaga das roupas dela, apesar de estar bêbada. Um dos homens foi até ela e perguntou:

— Você é a Bruxa do Massacre?

— E se eu for?

O portão se fechou com a resposta dela, quando o homem sorriu de forma ameaçadora e disse:

— Preciso que faça algo para nós.


A ferraria começou fornecendo energia espiritual à fornalha central. Com o chifre de Garnak como material, eles precisavam de mais poder espiritual do que o normal para criar um fogo mais poderoso de dentro. Quando a chama ficou mais forte, Jaehwan olhou para o chifre de Garnak agora limpo.

— Me mostre como você trabalha nele primeiro.

A primeira coisa que a <Queda do Crepúsculo> fazia quando processava um chifre era criar um terreno básico. Meikal estava realmente projetando como trabalhar no chifre com uma caneta de pena e tinta branca. O esboço básico precisava ser detalhado porque, uma vez que o chifre fosse processado, não poderia ser desfeito.

A fornalha central agora estava brilhando com um chama branca, então Meikal colocou o chifre em um ambiente preparado e esperou que as amarras do chifre de soltassem. Depois de algum tempo, a superfície do chifre começou a emitir um tipo de vapor e Meikal tirou o chifre, começando a cortar.

O cortador se moveu por meio da marca de tinta branca no chifre. Mesmo depois de ser afrouxado, a durabilidade do chifre era tão alta que um total de 14 cortadores foram quebrados no processo. Depois de terminar, Meikal falou:

— De agora em diante depende de habilidade.

[Criação], a única habilidade dada apenas para criadores no nível [Aprendiz].

A habilidade estava no nível máximo. O martelo brilhou com uma luz branca que tornava difícil acreditar que um mero ferreiro o empunhava. Mas a expressão de Jaehwan não mudou, pois ele já havia visto algo semelhante no passado.

— Jaehwan, o que estou fazendo não é ferraria. É só um jogo de azar.

Jay, o melhor ferreiro de Atopos, disse a ele uma vez.

— Fiz o que posso. Me especializei em cada habilidade relacionada a ferraria e posso te garantir que consigo reparar todas as armas dessa Torre dos Pesadelos com uma taxa de sucesso de 99%.

As armas da Torre dos Pesadelos eram apenas armas comuns nas <Grandes Terras>. Todos os itens da Torre dos Pesadelos eram réplicas das <Grandes Terras>. Entretanto, uma taxa de reparo de 99% era algo único. O único que tinha uma taxa de sucesso tão alta era o Jay. Na verdade, Jaehwan nunca tinha visto Jay falhar em reparar algo.

— Mas quando eu consegui essa porcentagem, senti que estava perdendo algo muito importante.

Jaehwan não entendeu o que ele queria dizer, então perguntou.

— Eu gastei meu tempo e esforço para atingir o 99%. Sabe, às vezes acho que estou me esforçando demais para fugir daquele 1%, em vez de correr atrás do 99%.

Não foi muito tempo depois daquela discussão que Jaehwan adquiriu a [Suspeita]. Era um poder diferente de habilidades normais. Era imperfeito, porém gratuito.

— Entendi. Vamos dar uma pausa aqui.

Jaehwan parou Meikal, que estava encharcado de suor. Muito tempo se passou, mas não havia nenhum arranhão no chifre. Só o formão e o martelo que estavam quebrados.

— Criar itens leva bastante tempo. E se o material for o chifre de um Garnak, pode levar até um mês.

 Eu sei.

— Você sabe? Haha.

Meikal riu.

 Não provoque um velhote.

 …

 Sabe que estou mentindo, não sabe?

Jaehwan não respondeu. Ele apenas tocou a superfície do chifre. Um material que nenhuma martelada podia danificar. Jaehwan não podia mais usar o <Sistema de Interface>, mas ele sabia o que Meikal tinha ouvido por uma hora enquanto trabalhava no chifre.

[A habilidade falhou.]

 Estou velho demais para aguentar um chifre de Garnak. Deveria ter me visitado mais cedo.

Meikal se jogou na cadeira ao lado da fornalha e acendeu um cigarro.

 Quer um?

Meikal ofereceu um cigarro e Jaehwan balançou a cabeça. Os rostos dos outros artesãos ficaram incrédulos. Meikal não era do tipo de fazer outra coisa enquanto trabalhava, mas agora tinha parado e estava fumando um cigarro.

 Existem coisas que você simplesmente não pode fazer, mesmo se tentar milhares de vezes. Jovens como aquele Naven ali podem não pensar nisso, mas eu sei.

Naven ficou vermelho. Foi o Aprendiz que apresentou Jaehwan e Minora para a oficina no dia anterior.

— N-não, Vice-Chefe!

 Haha, esqueceu que me respondeu da última vez?

Meikal então se virou para Jaehwan.

 Ele realmente se esforça. Ele foi colocado na entrada porque me respondeu, mas o futuro dele é brilhante. O futuro “Mestre Ferreiro do Crepúsculo” será ele. Ele pode até conseguir o título de [Aprendiz] se tiver sorte, mas…

Meikal apagou o cigarro na bigorna.

 Não podemos ir além do nosso nascimento. Nem mesmo ele. O homem não pode se tornar o melhor ferreiro. Assim como eu não consigo aguentar esse chifre de Garnak.

Jaehwan sabia que os pensamentos desse velhote não eram só por causa do chifre de Garnak. Era algo profundo dentro dele que o esmagava. Jaehwan disse:

 Você nunca saberá se não tentar.

— Eu tentei. Centenas. Milhares de vezes.

— Então deveria tentar milhões.

— E se não funcionar?

— Então bilhões.

— Bilhões? Haha, você é jovem.

Meikal riu.

— Provavelmente deve pensar que não me esforcei o bastante.

— …

— Mas eu tentei. Acredite ou não, eu tentei. Não sei se tentei um bilhão de vezes, mas foi algo perto disso. Eu tentava e tentava. Foi assim que cheguei aqui.

Meikal pensou no passado dele. Fazia um bom tempo desde que ele havia chegado nessa oficina.

— Por quanto tempo você viveu?

Jaehwan contou a idade. Ele tinha 20 anos quando foi invocado para a torre e tinha vivido 30 anos dentro da torre.

— Cinquenta anos.

— Sério? Deve ter morrido cedo então.

Jaehwan parecia ter 20 anos. Não fazia sentido se ele morresse com 20 anos e vivesse 30 anos aqui. Meikal falou:

— Eu vivi por 150 anos.

O tom de Meikal ficou um pouco arrogante. Ele se sentiu aliviado após saber a idade de Jaehwan. Pensou que não importa o quão grandioso esse homem fosse, era jovem demais para entender.

— Você não vai entender não importa o quanto eu explique. Não viveu tanto como eu.

Ninguém conseguia entender totalmente o tempo do outro. Era verdade. Jaehwan respondeu:

— Não, eu sei.

Meikal riu. Deve ser o sangue jovem em Jaehwan que o faz insistir. Meikal achou que deveria dar a esse jovem um conselho gentil, mas Jaehwan falou primeiro:

— Você se esforçou mais do que qualquer pessoa.

— …

— Você chegou aqui depois de treinar e treinar.

Meikal não conseguia responder. Era só uma simples frase com fatos, mas Meikal ficou surpreso. Chocado. Não havia ninguém que aceitasse o que ele era. Ele foi elogiado quando jovem e admirado quando velho. No entanto, nem uma vez sentiu que foi aceito pelo que era.

“Posso ter ficado velho.”

Meikal ficou ressentido.

— Obrigado por isso.

Jaehwan não respondeu e Meikal ficou curioso sobre o que o jovem pensava da vida de Meikal.

— Quero te perguntar uma coisa.

Meikal pegou outro cigarro.

— O que acha que me falta?

— …

— Talento? Herança? Sorte?

Jaehwan olhou para ele. Era profundo. Não, era mais do que apenas profundo. O olhar dele fez Meikal se sentir desconfortável.

— Não falta nada em você.

— O quê?

— Não. É mais como se…

— Como se…?

— Você tivesse em excesso.

— Em excesso? O que quer dizer?

Meikal perguntou de volta confuso e Jaehwan respondeu:

— Você viveu por tempo demais.

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