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Warlock Apprentice – Capítulo 176

O Segredo de Blackjack

“Carta: Jardim da Deusa do Crepúsculo.” 

Esta carta em seu baralho tinha um efeito de cura tão poderoso quanto os feitiços de nível 2. No entanto, exigia muita mana, já que ele só podia conjurar uma dessas a cada dois dias. 

Após usar “Jardim da Deusa do Crepúsculo”, o ferimento no braço de Blackjack estava quase curado. Ao mesmo tempo, uma pequena flecha dourada foi removida de seus músculos feridos pelo efeito de cura. 

Blackjack olhou para a flecha dourada e fez uma careta. 

“Uma arma alquímica de longo alcance? Então foi assim que ele me atacou tão rápido!” Um toque de ganância surgiu nos olhos de Blackjack. Na Caverna Bruta, onde alquimistas eram raros, armas alquímicas eram extremamente valiosas. Imagine então uma arma de longo alcance que podia ser usada por Aprendizes de Nível 1. 

“Essa arma alquímica será minha! Assim que eu me curar, usarei minha Carta: Punição para o Enforcado, e quebrarei as asas do garoto em pedaços! Fafafafa!” Blackjack riu baixinho. “Ele é só um garoto inexperiente que não sabe a hora de atacar o inimigo duas vezes. Deve ser um Mago Novato que nunca testemunhou a crueldade deste mundo. Ele ainda tem a patética compaixão de um mortal. Agora, só preciso me esconder e fingir fraqueza, e ele hesitará, então poderei esmagá-lo sob meus pés…” 

Pensando nisso, Blackjack assumiu uma expressão fraca, porém teimosa e determinada. Ele já havia assistido a dramas mortais antes e sabia que tal demonstração sempre funcionava bem para comover as pessoas. 

Ha! O garoto vai chorar com a minha atuação! 

Blackjack direcionou sua expressão dramática para o Barão Leite, esperando interromper sua ação. Cinco segundos seriam suficientes! 

No entanto, quando Blackjack percebeu o que o Barão Leite estava fazendo, sentiu a respiração travar e quase quis cuspir sangue. 

“‘Garotinho’ uma ova! Que canalha sem vergonha!”  

Ele foi atingido pela arma alquímica há seis segundos. Seis! Segundos! Atrás! 

E o Barão Leite já tinha colocado QUATRO feitiços defensivos na frente dele! 

E o pirralho ainda estava entoando alguma coisa!! 

“Você está com tanto medo de se machucar?! Sua combinação de feitiços é toda de defesa?” 

Quando o ferimento de Blackjack foi completamente curado pela Deusa do Crepúsculo, o Barão Leite estava protegido por sete feitiços no total. Quatro de defesa e três de controle que impediam as pessoas de se aproximarem. Havia também uma barreira de proteção feita com uma combinação de Graxa e Brasa. 

“Sem vergonha! Insolente! Estúpido! Seu trapaceiro imundo!” 

Até mesmo Aprendizes de Nível 2 provavelmente precisariam de cinco ou seis segundos para penetrar toda essa defesa. Blackjack era apenas nível 1 e precisou de pelo menos meio minuto! 

Angor não se sentiu envergonhado nem um pouco. Ele planejava usar de artimanhas até o nível mais alto da Torre do Céu desde o início, então algumas palavras de xingamento não fariam mal. Além disso, ele tinha truques muito mais sujos na manga. Ninguém sabia sua verdadeira identidade de qualquer maneira. Ele era um Barão Leite mudo e arrogante neste exato momento! 

Angor ergueu a mão e outro raio dourado foi liberado de sua manga. 

Blackjack mal havia se recuperado do ferimento e não tinha condições de se esquivar do ataque. A flecha dourada perfurou seu braço direito desta vez. 

O ataque de Angor não terminou aí. Várias pequenas flechas douradas jorraram dele sem parar, mirando nos pontos vitais de Blackjack como se Angor estivesse simplesmente jogando doces fora em vez de usar uma valiosa arma alquímica. 

Blackjack estava apavorado com a saraivada de flechas no ar. De suas duas cartas restantes, ele rapidamente tirou uma carta com a imagem de um escudo em cruz. 

“Carta: Escudo do Cavaleiro!” Blackjack colocou o escudo à sua frente, o que o ajudou a desviar algumas flechas. No entanto, sob os ataques constantes, o escudo começou a rachar. 

“Pare! Eu desisto! Por favor!” Blackjack gritou alto e jogou seu cartão de perfil para o ar. 

Ele não conseguia romper a defesa do oponente nem escapar das flechas mortais. Se continuasse assim, certamente cairia morto! 

As arenas da Torre do Céu não proibiam as pessoas de se matarem. No entanto, desde que alguém se rendesse e jogasse seu cartão de perfil, o juiz da arena ativaria uma matriz mágica para separar os participantes instantaneamente. 

Quando o cartão foi mostrado no ar, uma matriz mágica apareceu rapidamente, juntamente com uma tênue barreira de vidro que surgiu entre Angor e Blackjack, bloqueando os ataques de Angor. 

[Vencedor: Barão Leite] 

Enquanto a tela acima da arena anunciava o fim da partida, o cartão de perfil de Blackjack liberou um feixe de luz no ar. Em seguida, voou em direção ao bolso de Angor e desapareceu dentro do cartão de Angor. 

Angor pegou seu cartão para conferir. Uma mensagem mostrando sua vitória contra Blackjack agora estava impressa no cartão. Ele acabara de ganhar três pontos de partida. Além disso, de acordo com o número de partidas e a taxa de vitórias de Blackjack, ele também ganhou 150 pontos de mérito como recompensa. 

“Nada mal. Pelo menos é o suficiente para pagar meus parafusos”, disse Angor enquanto guardava seu cartão de perfil e saía do palco. 

Blackjack desabou no chão. Ele tinha vários buracos sangrando pelo corpo. Vários trabalhadores da torre vieram e o carregaram para longe. 

Quando a Arena 7 voltou a ficar vazia, a plateia exclamou maravilhada. 

“Mas Lorde Blackjack! Ele ia quebrar as asas do pintinho! Como—” 

“Pintinho?! Ele derrotou Blackjack! Não tem como ser um pintinho.” 

“Talvez seja um aprendiz de nível 3 escondido sob aquele manto?”  

Quase toda a plateia era composta por meros mortais, então eles só podiam dar palpites. Os poucos aprendizes entre eles, no entanto, também cochichavam entre si. 

“Blackjack perdeu? O Blackjack?” 

“Você não viu o Barão Leite usar a arma alquímica dele? Uma arma de longo alcance ainda por cima!” 

“Claro que vi! Droga! Eu quero uma!” 

“Vamos esperar o garoto ficar sozinho e pegar as coisas dele!” 

“Não sabemos quem ele é. Um Aprendiz de Nível 1 com uma arma alquímica poderosa significa que alguém muito forte está o apoiando. Melhor não procurar encrenca.” 

“Covarde!” 

Quando Angor voltou para a sala de espera dos bastidores, todos os outros participantes o olhavam com emoções completamente diferentes. Medo, espanto… e, principalmente, ganância. 

Angor caminhou até a caixa de loteria novamente. A mulher de meia-idade também observava sua partida. Ela olhou para o pulso do rapaz, coberto pelo manto, e esboçou um sorriso discreto. 

“Senhor Barão Leite, deseja continuar?” 

Angor assentiu. Estava estressado porque era sua primeira batalha e havia gasto quase toda a sua mana conjurando sete feitiços de uma só vez. Ainda assim, um pouco de meditação o manteria firme por mais algumas partidas. Era improvável que continuasse encontrando oponentes como Blackjack. 

“Certo. Sorteie um número, por favor.” 

Angor enfiou a mão na caixa — desta vez com destreza — e retirou uma bola usando seu instinto. 

035325. 

A mulher pegou a bola. Logo, uma linha apareceu na tela à sua frente: [Barão Leite VS Guerreiro Cinzento. Em 30 minutos.] Torre do Céu, Nível 1, Arena 6.] 

… 

Tentando ignorar os sussurros da conversa entre as pessoas, Angor se afastou para um canto e fechou os olhos para meditar. Ele ainda demonstrava seu temperamento de “me deixem em paz”. 

Ele nem havia meditado por muito tempo quando ouviu passos semelhantes novamente. 

“O destino guiou VOCÊ, não a MIM”, disse Angor sem abrir os olhos. 

“Ei, Leite, eu vi sua luta. Você é tão bom!” Urso Branco ainda parecia alegre como sempre. 

“Não me chame de ‘Leite’.” 

“Barão, essa era uma arma alquímica? Legal! Você a conseguiu com o Mestre Prome?” 

“O que isso tem a ver com você?” Angor abriu os olhos desta vez e inspecionou o homem à sua frente por baixo do capuz. 

O homem ainda estava com sua fantasia de urso branco e ostentava o mesmo sorriso. No entanto, desta vez ele segurava uma bengala mágica curta, pintada de preto. 

Angor suspirou mentalmente. Por que esse cara continuava a incomodá-lo? 

“Só estou curioso. Na Caverna Bruta, há apenas um punhado de pessoas que possuem armas alquímicas, e todos já extraíram todas as informações possíveis delas. Mas sua arma apareceu pela primeira vez. Não se parece com nenhuma das outras.” 

“E daí?” Angor ficou impaciente. “De novo, o que você quer de mim?” 

Urso Branco continuou sorrindo. “Nossos destinos se entrelaçaram, então estou destinado a encontrá-lo novamente.” 

“Você mesmo me surpreendeu. Não venha com essa conversa fiada de destino.” Angor acenou com a mão. “Se não vai conversar, me deixe em paz. Tenho lutas daqui a pouco. Preciso descansar.” 

Ao ouvir isso, Urso Branco pegou sua bengala e se afastou, ainda sorrindo. 

Quando a figura do Urso Branco finalmente desapareceu na multidão, Angor franziu a testa e se perguntou qual era o problema daquele homem. 

Após meditar por cerca de dez minutos, Angor ouviu passos novamente. Desta vez, pareciam mais pesados do que os de Urso Branco. 

Angor olhou para cima, frustrado, e percebeu que era Blackjack. 

O homem estava todo enfaixado. Não usava cartola nem monóculo. Desta vez, Angor conseguia ver claramente seu cabelo curto, verde-acinzentado, e seu rosto bonito. 

“Você—” Angor abriu a boca e imediatamente percebeu que era o “Barão Leite” por aquele momento, então ele soltou apenas um resmungo no final. 

Ele esperou que Blackjack falasse primeiro. 

“Eu perdi a luta e admito. Mas aviso! Não conte meu segredo a ninguém, ou eu vou arruinar sua vida, mesmo que me custe a minha!” 

As palavras soavam firmes e determinadas. Mas Angor ainda não sabia o que Blackjack queria dizer. Segredo? Seria por causa do estilo de se vestir de Blackjack, que ele copiou de Sunders? 

Angor observou Blackjack atentamente. Sem o chapéu, o cabelo curto, cinza-esverdeado, parecia quase idêntico ao de Sunders. Além disso, o rosto de Blackjack parecia familiar. 

“Não me diga que ele é o filho bastardo do professor?” Angor rapidamente pensou em uma comovente história de amor em que um filho bastardo buscava ser aceito por seu pai severo imitando suas roupas e personalidade. No entanto, o pai impiedoso ignorou completamente seus esforços, o que fez com que o filho desenvolvesse uma mente distorcida e encontrasse prazer em torturar novatos… 

Após advertir Angor, Blackjack se afastou mancando com sua bengala. 

“Suspiro… coitado do filho.” Angor olhou para a figura patética de Blackjack e concluiu a história que acabara de inventar.  

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