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Warlock Apprentice – Capítulo 362

Porta

Usando inúmeras cordas, Sombra podia controlar cada parte e articulação do corpo do Mágico.

Sombra começou a cantarolar uma pequena melodia. Seguindo a música, o Mágico começou a executar uma dança solo.

O homem saltou, girou e deu pulos com agilidade superior.

Quando o Mágico fez uma reverência como final, Sombra soltou mais algumas cordas, que controlavam a sombra de outra mulher de cabelos rosa sentada à sua frente.

Controlada pelo feitiço, a mulher acompanhou a música e dançou junto com o Mágico.

Quando a música de Sombra terminou, o Mágico e a mulher fizeram uma reverência novamente, de braços dados.

Sombra recolheu suas cordas brancas e colocou a sombra do Mágico no centro da mesa. Uma pequena mesa redonda estava posicionada no meio de nove cadeiras ainda menores, dando a impressão de que uma criança estava brincando de casinha.

Sete pequenas sombras já estavam sentadas ali quando as sombras do Mágico e da mulher de cabelos rosa preencheram os assentos restantes.

“Gostou da sua recompensa? Uma bela dança para celebrar o fim da sua própria vida, junto com a garota que você secretamente amava.”, disse Sombra com uma risadinha. “E eu serei seu músico pessoal. Você deveria se sentir honrado!”

Um fio branco se estendeu novamente, fazendo o Mágico acenar com a cabeça.

O Mágico havia caído no mesmo feitiço que afetou todos os outros na sala. Ele sorriu lentamente enquanto dizia em um tom robótico: “Obrigado, meu, mestre.”

Sombra sorriu para si mesmo. Então, ele lentamente levantou a cabeça.

“E quanto a você? Está satisfeito?”

…

Angor mantinha-se cauteloso desde que entrara no Covil.

Ou melhor, ele sempre estivera alerta enquanto caminhava entre as árvores, especialmente ao lembrar que vira aquela estranha sombra pequena bem ali, no dia em que deixara a casa do patrulheiro.

Naquela época, pensara que fosse um esquilo ou algo do tipo. Agora, tendo aprendido muito na cidade, acreditava que a sombra se parecia muito com a que vira na mansão do Conde Leonrick.

Seria aquilo um Krakok? Se sim, será que os Krakoks sempre rondavam a cidade?

Então Sombra estava controlando os Krakoks? O que ele planejava fazer?

Não podia ser mera coincidência que alguém tivesse escolhido o “Covil dos Mortos”, naquela floresta específica, como local de encontro.

As perguntas de Angor o obrigavam a permanecer alerta. Ao ver que a porta no fim do caminho estava escancarada, ele imediatamente ativou a Reticência Infinita para se ocultar.

Não era natural construir uma sala dentro de uma vala de cadáveres. A julgar pelas marcas, aquele lugar fora escavado recentemente.

Angor acreditava que os Krakoks haviam criado aquele local temporário apenas para o encontro agendado.

Provavelmente fora Sombra quem espalhara a mensagem, e não Michel.

Angor tinha permanecido escondido dentro do quarto para descobrir o plano de Sombra. Para evitar surpresas indesejadas, ele havia usado todos os meios de proteção que tinha, incluindo Toby.

Naturalmente, ele vira tudo o que acabara de acontecer.

Parece que o Mágico perdeu a própria consciência após ser afetado pelos fios brancos.

Angor não conseguia entender o sentido daquela dança estranha no final.

Quando Sombra fez uma pergunta a alguém que não fosse o Mágico, Angor começou a se perguntar se ele já havia sido exposto.

“Amigo do Mágico, meu caro. Não vai me aplaudir pela performance brilhante?” Angor acreditava que Sombra já havia notado sua presença, visto que certamente havia algum tipo de sentinela do lado de fora da porta que o vira antes de ele ativar a Reticência Infinita.

Ele também acreditava que Sombra não conseguia identificar sua posição exata agora. Angor estava confiante na capacidade de sua Infinita Reticência, que poderia até enganar alguém tão poderoso quanto a Senhora Espelho.

Sombra esperou por um tempo e não recebeu nenhuma resposta.

Ele vinha fingindo calma e prontidão, mas quase perdeu a compostura fingida, pois havia perdido de vista quem quer que tivesse acompanhado o Magico até ali.

Ele havia encenado tudo aquilo apenas para induzir o intruso desconhecido a se revelar, mas parecia que seu plano havia fracassado.

“Será que ele já foi embora?”, ponderou Sombra. No entanto, logo mudou de ideia, pois a barreira que ele havia colocado na entrada do túnel permanecia intacta.

Ainda havia alguém naquela sala!

Sombra liberou mais fios brancos, que começaram a vasculhar o ambiente.

Angor recuou lentamente. A “Reticência Infinita” não conseguia fazer seu corpo desaparecer; mais cedo ou mais tarde, os fios o detectariam naquele espaço reduzido.

Mas ele tinha outra opção: “ampliar” a sala.

Com movimentos rápidos, ele conjurou um feitiço.

Seu Domínio do Pesadelo começou a se expandir lentamente. Diante dos olhos de Sombra, a sala estreita e escura transformou-se gradualmente em um amplo salão de recepção.

“Uma ilusão?” Sombra franziu a testa. Ao usar seus fios, percebeu que as dimensões da sala haviam aumentado consideravelmente. Ele conhecia certos arranjos de ilusão capazes de simular ambientes maiores combinando alquimia e magia.

Ele se levantou e comandou todas as suas “marionetes” para circularem pelo salão.

De repente, desviou-se para o lado quando um projetil dourado, brilhando com poder mágico, cortou o ar bem ao seu lado. Certamente teria sido gravemente ferido se não tivesse reagido a tempo.

“Então, é uma matriz de ilusão.” Sombra olhou para a flecha cravada na parede e fez uma careta. “Venha. Mostre-se,” ele disse ao ar vazio. “Não desejo lutar com você por causa de um tolo como o Mágico ou os outros aspirantes a magos inúteis. Agora que você me mostrou sua força, que tal uma conversa justa?”

Ele falou com sinceridade, enquanto erguia lentamente as mãos acima da cabeça, num gesto de paz.

Angor zombou em silêncio. Seu Domínio do Pesadelo lhe permitia enxergar cada detalhe, inclusive os movimentos sutis de Sombra. Ele viu o homem liberar três pequenas figuras debaixo da mesa.

Três Krakoks. Enquanto estivessem dentro do Domínio do Pesadelo, Angor poderia examinar as figuras atentamente, mesmo que estivessem ocultas na escuridão.

Elas se pareciam exatamente com humanos, apenas menores e de pele mais escura. Seus macacões pretos com capuz faziam com que parecessem um amontoado de diabinhos sombrios.

Angor já via seus olhos brilhantes cintilando na escuridão.

Os três Krakoks observavam atentamente os arredores e se moviam em uníssono, enquanto Sombra examinava a ilusão por outros meios.

Angor concentrou sua atenção nas pequenas criaturas. Ele percebeu ondulações de mana emanando delas.

Aprendizes. De baixo nível.

Angor tentou conjurar Ligar para capturar os Krakoks, mas assim que as cordas se materializaram no ar, os Krakoks gritaram e criaram uma pequena porta que lhes permitiu escapar.

“Aconteceu de novo!” Angor não conseguia mais sentir a presença deles no Domínio do Pesadelo.

Seria aquela uma magia que permitia viagens interespaciais? Normalmente, magias como essa só estavam disponíveis para Magos. No entanto, havia certas raças com os talentos certos que também podiam fazer isso.

Enquanto Angor ponderava sobre a questão, Sombra imediatamente avançou em sua direção e lançou um feitiço de área de efeito em sua localização.

Ele havia ignorado o movimento de Sombra enquanto olhava para os Krakoks!

Angor conjurou Ligar de forma discreta para que fosse difícil de perceber, mas um aviso dos Krakoks ainda revelou sua localização.

Sombra estava se movendo tão rápido com a ajuda dos elementos de vento, e Angor não teve tempo suficiente para escapar ou conjurar outra ilusão de pesadelo. Em um ato de desespero, ele ordenou que um grupo de xícaras de chá musicais bloqueasse o ataque.

A maior parte do ataque atingiu as xícaras, enquanto uma parte conseguiu alcançar Angor, derrubando-o e quebrando seu efeito de furtividade.

Ao mesmo tempo, Sombra cambaleou para trás com um grito de dor.

Sombra acreditava que seu feitiço instantâneo de nível 2, aprimorado por sua Linhagem de Sangue, seria suficiente para matar um Aprendiz de nível 3 desavisado. Ele não esperava que um grupo de… xícaras de chá surgisse de repente em seu caminho e refletisse seu poder.

As xícaras enfraqueceram após serem separadas do túnel do pesadelo, e muitas delas foram quebradas pelos ataques de Sombra. No entanto, os ataques ainda foram amortecidos e parcialmente refletidos, o que causou sérios danos a Sombra.

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