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Warlock Apprentice – Capítulo 376

Hino das Fadas

Pessoas do Castelo das Trevas vieram a Krakoks para escolher cantores para um coral?

Enquanto Sombra refletia sobre a pergunta, Papaya ainda aguardava uma resposta, piscando seus inocentes olhos verdes.

Sombra revirou os olhos e rapidamente inventou outra mentira. “Não. É minha esposa, Fiona, de novo. Vim mais cedo para surpreendê-la. Ei, não conte a ela que eu vim, tá bom?”

Papaya parecia tão animada. “Sério? Não vou contar!”

Sombra tentou obter mais informações de Papaya, como a localização de Hipócratees e se os Krakoks possuíam alguma habilidade especial.

Papaya não teve problemas em responder à primeira pergunta. Ela até convidou Angor e Sombra para se juntarem a ela na jornada, mas Angor recusou.

Para a segunda pergunta, Papaya apenas mencionou todo tipo de rumores e lendas estranhas, que pouco tinham a ver com o que eles queriam saber.

Angor e Sombra se comunicaram usando a Ligação Espiritual. Para Papaya, o silêncio significava o fim da conversa.

Como os senhores não “falavam” mais, Papaya sorriu e foi para o centro da mesa de jantar. “Senhor Angor, Senhor Diablo, obrigada pelo convite! Bem, não tenho nada a retribuir. Posso cantar algo para vocês?”

Angor sorriu e fez um sinal para Papaya continuar.

Papaya assentiu. Então, cruzou os dedos e fechou os olhos.

“Ó primeiro guerreiro, aquele que trouxe sua espada ao jardim da manhã e encontrou a primeira rosa para a rainha vermelha…”

Enquanto ela cantava, Angor sentiu como se a voz dos céus se materializasse dentro do Domínio do Pesadelo.

Somado à aparência adorável da garota, Angor apreciou imensamente aquele momento de pausa e beleza.

“Ó, segundo guerreiro, que se esconde nas terras das serpentes e aguarda a próxima aurora, longe dos humanos malignos…”

Angor já havia ouvido muitas peças dramáticas e corais antes. Sua mãe certa vez lhe pedira para compor uma, o que resultou principalmente em uma mistura aleatória de invenções. Mas toda aquela experiência lhe ensinou a avaliar canções e corais. Com seu gosto musical refinado, ele considerou a canção de Papaya brilhante.

Provavelmente não era o melhor coral que ele já ouvira, mas era melódico e belo.

À medida que o poema avançava, eles sentiam diferentes emoções dominando vividamente seus corações.

“Ó, terceiro guerreiro, que abre suas asas e se une ao canto do Grande Sacerdote. Juntos, eles aguardam o terceiro patrono amado…”

A voz de Papaya, de alguma forma, atraiu as xícaras musicais que estavam paradas em um canto do Domínio do Pesadelo de Angor.

As xícaras flutuaram ao redor de Papaya por um tempo e, quando ela iniciou a estrofe seguinte do poema, começaram subitamente a acompanhar a melodia.

Piano, oboé, trompa, harpa…

Angor sempre achara irritante a música tocada pelas xícaras. O som era estridente e doloroso para seus ouvidos. Agora, porém, ele percebeu que essas criaturas criavam músicas maravilhosas, que eram até melhores do que as de algumas das bandas mais renomadas, porque a cooperação entre elas era perfeita.

“Ó, quarto guerreiro… Ele revela o portal do céu, acompanhado por luz e cânticos sagrados; é a quarta alma oculta no tomo negro…”

Quando Papaya chegou ao clímax da canção, as xícaras também passaram a executar melodias mais empolgantes.

Provavelmente devido aos bons músicos que a acompanhavam, Papaya cantava com muito mais intensidade do que nunca, o que a ajudou a realizar a melhor performance possível para sua canção.

Ao final de tudo, Papaya permaneceu em silêncio por um momento antes de fazer uma nova reverência. Ela não tinha medo algum daqueles “homenzinhos-xícara voadores” ao seu redor. Chegou até a cumprimentá-los com toques de mão espalmada, elogiando o excelente trabalho deles. “Ah, céus! Vocês já são melhores do que o Coro do Céu!”

“Bela canção. Pode nos contar a história por trás dela?” Angor perguntou de repente.

“Claro. Este é o ‘Hino das Fadas’, transmitido por nós, Krakoks, há mil anos!”

“Isso de novo…” Angor sorriu. Ele ouvira falar desse período de tempo muitas vezes desde que chegara a Pocratee. E, toda vez, isso o lembrava de que Dodoro era um ser muito antigo, que havia vivido durante todo esse tempo.

“Obrigado pela canção. Ela me lembra muitas histórias antigas.”, disse Angor. Em seguida, levantou-se e fez uma reverência à garota.

Papaya corou. “É… é uma honra cantar para o senhor. Ah! Já é quase meio-dia. Preciso voltar. A Vovó vai ficar preocupada.”

Angor assentiu e estalou os dedos para desfazer o Domínio do Pesadelo. Os três reapareceram em um campo gramado.

Papaya fez uma última reverência a Angor e Sombra. Em seguida, acenou com as mãos e desceu a colina correndo, deixando para trás um rastro de risadinhas infantis.

…

Quando Papaya desapareceu completamente de vista, Sombra disse: “Olhe só para você. Você a deixou morrendo de medo.”

Angor deu de ombros. “Bem… ela sabe fingir melhor do que você.”

Sim, era fingimento.

Papaya parecia calma e despreocupada, mas, na verdade, estava nervosa e aterrorizada desde o início. Tanto Angor quanto Sombra perceberam isso.

Angor conseguia sentir cada detalhe em seu Domínio do Pesadelo. Papaya era uma criatura mortal; ela não conseguia esconder as mudanças em suas emoções.

“Então, como você percebeu?” Angor olhou para Sombra.

“Não acredito que uma garotinha, ao encontrar dois gigantes estranhos, consiga ficar tão calma. Ela respondeu a todas as nossas perguntas de forma clara e direta. Isso significa que ela nos obedeceu, não por ser gentil. Na verdade, ela agiu com tanta perfeição que não encontrei motivo para puni-la.”

Angor assentiu. “Pelo menos as palavras dela são todas verdadeiras.”

“Heh. O momento em que ela tentar mentir para mim será o sua última mentira.”

“Caramba. Você é sempre tão violento na frente de damas?”

“Eu só respeito pessoas de cabelos loiros e olhos azuis. Quanto aos outros… não me importo com gênero, idade ou raça.” Sombra lançou um olhar significativo a Angor.

“Esquisitão…”

Angor pensou no encontro anterior. Na verdade, ele ficou impressionado com a atuação de Papaya. Inicialmente, não planejava deixar a garota ir embora. No entanto, como Papaya se saiu maravilhosamente bem ao apresentar sua canção e pedir para partir logo depois, tudo pareceu natural e fluido.

Angor apreciava muito tal flexibilidade de espírito e mentalidade treinada. Foi por isso que decidiu não incomodar mais a garota Krakok.

Isso não significava que ele confiava plenamente nela. Antes de Papaya partir, ele colocou um pequeno vestígio de aura do pesadelo nela, só por precaução.

Enquanto isso, ele notou que uma aura maligna, porém familiar, estava escondida na sombra de Papaya. Um dos feitiços do Sombra, sem dúvida. Angor e Sombra trocaram outro olhar significativo antes de desaparecerem no ar. Em seguida, desceram a colina.

…

“O que você acha daquela canção?”, perguntou Sombra através do Elo Espiritual.

“Você se refere à história ou à voz dela?”

“Há algo que valha a pena perguntar sobre a voz dela?”, Sombra riu baixinho.

“Para mim, soa mais como um poema narrativo que explica a história dos Krakoks. O segundo e o terceiro parágrafos falam obviamente sobre a guerra de mil anos atrás e sobre terem sido salvos pelo mago do Castelo das Trevas. Só que omitiram a parte em que pareciam miseráveis e se pintaram como guerreiros corajosos. Não sei quanto às outras duas partes. Acho que a última fala sobre algo dentro do Castelo das Trevas.”

“Concordo. Devemos prestar atenção ao quarto parágrafo.”

Como ambos estavam invisíveis, Angor não percebeu que Sombra parecia extremamente curioso sobre algo.

Ambos tentavam esconder algo, mas, ao contrário de Sombra, Angor optou por fazer sua pergunta de maneira casual.

“Lembra da segunda parte? Ela mencionou as ‘Terras das Serpentes’, o que significa a antiga Água Grasse — Hippocratee. Por que chamavam aquele lugar de Terras das Serpentes?”

“Agora você se interessa pela história dos mortais?”, respondeu Sombra.

“Só curiosidade, nada mais.”

Sombra não desconfiou de nada, já que a história dos mortais não tinha grande importância. “O Domínio Zeal destruiu tudo o que estava relacionado à antiga nação, então é natural que você não saiba disso. Eles proibiam todos os cidadãos de mencionar essa parte da história, sob qualquer circunstância.”

“O reino que governava a terra antes da chegada do Domínio Zeal chamava-se Akesolya.”

Angor sentiu o coração bater forte ao lembrar do nome Akeso, a serpente gigante que vivia perto das águas sob as quais Pocratee se escondia.

Sombra continuou: “Era um lugar muito estranho também. Eles cultuavam uma besta gigante, uma cobra ou algo do tipo. As ‘Terras das Serpentes’ de Papaya devem se referir a Akesolya.”

“Como se chamava aquela cobra?”, tentou perguntar Angor.

“A cobra? Não sei. É só um totem simbólico ou algo assim. Você realmente precisa dar um nome a um totem?”

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