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Warlock Apprentice – Capítulo 385

Jardim Gêneses da Alma

“E o que faz você pensar que estou interessado nessa ‘Essência da Alma’?” Angor encarou o velho sacerdote.

O velho apenas retribuiu o olhar com aqueles olhos vazios e inexpressivos. Angor sentiu como se aquele Krakok não estivesse olhando para ele, mas sim… para algo dentro de seu corpo.

“Sua alma é especial… Como uma gema bruta.”, disse o Grande Sacerdote em um ritmo muito lento; ainda assim, cada uma de suas palavras parecia despertar algo no coração de Angor. “Bruta, mas bela. Até mesmo a Senhora Isabelle provavelmente admiraria sua alma se estivesse aqui.”

“O que você quer dizer com isso?” Angor logo se cansou daquela conversa improdutiva.

“Você não quer tornar sua alma… melhor? Aquela energia cinzenta dentro de você. Ela precisa ser alimentada, não acha?”

Angor permaneceu em silêncio por um momento. Estava surpreso. O sacerdote não apenas apontara sua intenção, como também sabia daquele poder oculto em sua alma…

O mestre Manipulador de Almas Ness precisava de planejamento e muito tempo para encontrar aquela aura específica. Mas aquele velho mortal a percebera quase de imediato?

“A Essência da Alma lhe contou sobre isso?” perguntou Angor, tentando não demonstrar suas emoções.

O velho balançou a cabeça. “Meus olhos já não me servem para ver o mundo…, mas consigo enxergar as almas.”

Angor soltou uma risada de escárnio — ele não acreditava naquilo. Ness já lhe provara que era preciso muito mais do que aquilo para encontrar a sequência da aura gravitacional.

Mas ele não se importava. Era natural que ambos quisessem esconder algo.

“Você tem razão. Eu realmente quero purificar minha alma. Mas não vim a Hippocrotee com esse propósito. Estou aqui para ajudar… alguém. Claro, o que você está sugerindo seria um presente extra para mim.”

Ao dizer “presente extra”, Angor tentava diminuir o valor daquilo que o sacerdote estava oferecendo. “Então, o que tenho que pagar em troca, se eu quiser receber esse presente?”, perguntou Angor.

O sacerdote balançou a cabeça novamente e sorriu. “Nada.”

Essas palavras, na verdade, deixaram Angor em alerta. Ele nunca acreditou em almoço grátis neste mundo. Ao dizer “nada”, o sacerdote poderia estar se referindo a algo muito mais valioso.

“Posso purificar minha alma sem custo algum? É, claro”, disse Angor com sarcasmo.

“Você me entendeu mal, jovem senhor. Eu disse que você não precisa me dar nada porque já o fez.”

“Hã?”

“Você me fez um favor ao mudar o local da eleição dos membros do coro.”

“… O que você quer dizer?”

“Porque a eleição é usada para purificar almas.”

…

“Se quiser conversar comigo, jovem senhor, vá até o Lago Souliege, ali perto. Ficarei lá até a eleição começar, à noite.”, disse o sacerdote antes de deixar o salão do palácio.

Angor refletiu sobre a conversa.

Ele havia seguido Sombra até ali porque queria buscar um possível destino. Agora que realmente encontrara um… já não tinha mais tanta certeza.

Temia ofender o Castelo das Trevas. Não se tratava de Fiona, já que nunca a haviam ferido de verdade, e era principalmente Sombra quem a controlava.

Mas ele havia, de fato, alterado a antiga convenção estabelecida por Isabelle mil anos atrás.

Ele entendeu que o Grande Sacerdote se referia a isso ao falar em “pagar o preço”.

E as consequências seriam imprevisíveis.

Será que ele se tornaria um inimigo de verdade do Castelo das Trevas? Precisava decidir se abriria mão daquele destino.

Ele pensou a respeito e decidiu ir conferir o Lago Souliege, de qualquer forma. Ele ainda tinha muitas perguntas sobre o assunto, e o sacerdote guardava muitos segredos. Precisava saber mais antes de tomar a decisão final.

O lago ficava bem ao lado do Palácio do Centenário. Quando Angor chegou, o velho sacerdote contemplava as águas em silêncio.

“Bem, você não precisava me obrigar a decidir. Deixe a eleição acontecer dentro do palácio, e tudo correrá como você queria.”, disse Angor.

“Ha… Não posso me dar ao luxo de irritar você OU a Cidadela, jovem senhor.”

“Então, por que não me denunciou a eles? Você não o fez, o que significa que quer outra coisa.”

O velho não respondeu.

“Por que a eleição é usada para purificar almas?” Angor perguntou sobre sua maior preocupação.

O sacerdote virou lentamente seu corpo maltrapilho. “Você sabe o nome do nosso pequeno paraíso?”

“Um Jardim do Feiticeiro, com sua lei relacionada às almas.”

O sacerdote não concordou nem negou. Ele apenas fixou o olhar no vazio, como se recordasse algo de sua vida passada.

“Eu… costumava servir ao lado da Senhora Isabelle. Ela me disse que este lugar é chamado de ‘Jardim do Gênese da Alma’.”

Jardim do Gênese da Alma?

Angor não encontrou nada relacionado a esse nome em sua memória, mas notou a particularidade da denominação.

“A quem você servia?”

“Senhora Isabelle.”

“Dizem que Senhora Isabelle deixou o mundo mágico há mil anos. Então, ela não deixou?

O velho sorriu com amargura. “O boato está certo. Ela já partiu.”

“Quer dizer…” Angor pensou imediatamente em Dodoro. “Você está vivo há mil anos?”

O velho suspirou e disse: “Estou usando diferentes receptáculos enquanto carrego o título de Grande Sacerdote. Um receptáculo morto significa apenas que preciso encontrar outro. Apenas minha alma e minha memória continuam vivas.”

“Não é uma tarefa fácil ressuscitar transferindo a alma para outro cadáver.”, comentou Angor.

“Não é um cadáver. Há mil anos, a Senhora Isabelle me fundiu à Essência da Alma, que é o núcleo da lei deste Jardim do Gênese da Alma. Se Isabelle não deseja que eu morra, então não posso morrer. Minha alma jamais perecerá. Mesmo que todos os meus corpos apodreçam, continuarei passando por ciclos intermináveis de reencarnação… Você pode até considerar isso imortalidade. Viverei para sempre, desde que não deixe este jardim.”

Angor assentiu. Tal imortalidade tinha um preço alto, mas era totalmente possível em um Jardim do Feiticeiro relacionado a almas. “Falando no Jardim do Gênese da Alma… Creio que você já saiba que jardins diferentes possuem leis diferentes. A lei do Jardim do Gênese da Alma é preservar a integridade absoluta das almas.”

Angor arregalou levemente os olhos.

Quando viu a senhora da raça Krakok falecer nas ruas de Hippocrotee, ele já havia notado que a alma dela estava muito bem preservada. E agora acabara de descobrir o motivo.

Somente seres sobrenaturais poderiam manter suas almas intactas após a morte, enquanto os mortais deixariam apenas fragmentos de suas almas, com exceção daqueles que possuíssem um poder espiritual muito forte ou arrependimentos obsessivos. Aquele não era, certamente, o caso da senhora; isso significava que o Jardim do Gênese da Alma havia ajudado a manter a alma dela intacta.

Este lugar era um verdadeiro paraíso para magos manipuladores de almas realizarem suas pesquisas!

Almas sempre foram muito procuradas, pois eram usadas em diversas aplicações, incluindo pesquisas de Manipulação de Almas, criação de marionetes e certas poções. Havia também feitiços que precisavam consumir almas intactas.

O sacerdote continuou: “Usando essa lei, nossas almas sempre permanecem íntegras após a morte. No entanto, a Senhora Isabelle não precisa de almas mortais cheias de impurezas indesejadas, então ela colocou um tesouro dentro da Essência da Alma. Assim que almas suficientes forem reunidas, realizamos uma série de etapas e removemos a impureza usando uma certa melodia.”

“Uma certa melodia…”

“Os Hinos das Fadas, sim.”

“Então por que vocês precisam selecionar cantoras? Todo mundo sabe cantar, certo?” Angor franziu a testa.

“Nem todo mundo tem a voz adequada para ativar esse tesouro. A Senhora Isabelle já colocou algo em nosso sangue. Agora, apenas um pequeno número de nossas integrantes femininas possui esse poder. Precisamos realizar o evento de eleição para descobrir quem pode ativar o tesouro.”

Angor agora entendia mais ou menos toda a situação. Era o tesouro secreto que purificava as almas, e não o próprio jardim.

“O que isso tem a ver com a mudança de local?”

“… O local original deve ser ao redor do terreno cerimonial onde a outra metade do tesouro está enterrada. Quando as duas metades se unirem, o tesouro removerá TODAS as impurezas das almas. Isso inclui emoções, memórias… Após esse processo, as almas das pessoas falecidas ao longo do último ano se transformarão em entidades de energia pura. Nós as chamamos de Orbes das Almas.”

Isso significava que, se o local fosse alterado, o ritual não geraria Orbes das Almas.

“Posso usar o tesouro para purificar minha alma e depois devolvê-lo à cerimônia para finalizar o processo?” perguntou Angor.

“Não. Após cada ativação, o tesouro entrará em estado dormente e permanecerá assim por 300 dias.”

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