Apocalypse Hunter – Capítulo 23

Para o Sul (1)

— Se você continuar reclamando, os monstros vão vir. Fique quieta.

— Arggh…ugh!

Leona ficou assustada e tremeu, e, assim que Charl terminou de enterrar a caixa, ele se limpou com as mãos e sorriu.

— Que time estranho nós temos aqu.

Eles tinham de ficar no Ponto Ardente de qualquer jeito. Charl se sentou no chão, e Zin se recusava a ir embora durante a noite.

Zin usou uma pedra de sílex para acender o fogo. Eles ficaram em um dos prédios abandonados do Ponto Ardente.

— Esse lugar parece assustador com toda certeza.

O sentimento estranho ao redor do Ponto Ardente não era provavelmente porque todos os residentes foram embora, mas porque os vagabundos se infiltraram na vila. Com o comentário de Leona, Zin olhou para fora da janela.

— Ainda parece estranho.

— … sim, também acho.

O fantasma foi destruído, mas a estranheza ainda permanecia em torno do Ponto Ardente. Charl se sentia inquieto já que Leona e Zin estavam expressando tal opinião. Eles não falaram sobre os dias finais do Ponto Ardente, mas o próprio silêncio contava uma história triste.

— Agora, estou um pouco curioso. Vocês estão quietos demais.

Com a pergunta dele, Zin permaneceu em silêncio, e Leona tinha um sorriso amargo em seu rosto.

— Eu ia morar nesta vila.

Charl entendeu o que provavelmente tinha acontecido. Os Salteadores invadiram, e Leona os explodiu com a caixa de lasca. Ela era a única sobrevivente.

Entretanto, isso não explicava o motivo de Zin ter que levar Leona para um lugar seguro. Zin encarou Charl.

— Você é do tipo curioso?

— Não vou negar. Eu acho que é bom saber o máximo possível, e estou simplesmente curioso sobre coisas aparentemente insignificantes.

O olhar de Charl lembrou Zin de Baek-Goo.

Zin não gostava que isso trazia memórias de Baek-Goo. Ele acreditava que curiosidade deveria ser parada ou saciada. E Zin se sentiu benevolente para a pessoa que deu para ele a grande quantidade de 1.600 lascas.

— Está curioso pelo motivo da criança estar viajando junto comigo?

— Sim. Isso não acontece com frequência.

Para Charl, Zin não era o tipo de pessoa que seria babá de uma criança. E já que ele estava levando Leona com ele, Charl estava curioso sobre como os dois se conheceram.

E não parecia que o relacionamento deles era de caçador e sua ajudante. Nem parecia que eles tinham conexão de criança bagunceira e caçador velho.

— Eu prometi levar a criança até um lugar seguro para morar. Você pode pensar nisso como um pedido.

— Caçadores recebem esses tipos de pedidos?

— Eu procurei por tesouros para os Armígero, então não há motivo para não aceitar tais pedidos.

— Ha, eu imagino que sim… Então, como vocês se conheceram?

Zin olhou para Charl, e seus olhos pareciam os de um garoto que estava muito curioso para aprender algo. E de fato, para ele, Charl tinha a aparência de um adulto jovem de pouco mais que vinte anos de idade.

— Eu inicialmente aceitei um pedido do líder de Ponto Ardente.

Zin explicou para Charl como ele conheceu Leona. Zin estava cozinhando algumas batatas na brasa, e havia tempo o bastante para contar a história até as batatas cozinharem totalmente.

Zin não era o melhor contador de história, mas ele contou o que aconteceu de um jeito simples e calmo. Leona também se perguntava como ele explicaria sua versão da história sobre ela, então ela prestou bastante atenção.

Ele falou sobre a queda da cidade de Zado, como ele especulou a causa da queda, como encontrou Leona trancada dentro de um cofre, como encararam um comedor de homens, como voltaram para o Ponto Ardente, e como os Salteadores atacaram o Ponto Ardente.

A história não foi longa nem curta, mas assim que Zin terminou de falar, as batatas estavam prontas para serem comidas, e ele as entregou.

Leona riu de Zin.

— Você deve ser muito idiota. Como você pode esquecer da recompensa que te devem?

— Sua pirralha. Meu esquecimento é prova que eu ainda sou humano.

— Bom, se você estava tentando ser engraçado, funcionou. Você é realmente hilário.

Leona riu de novo com suas palavras. Depois de uma longa risada, Leona sentiu um silêncio estranho e olhou para Charl.

Charl olhou para sua porção de batatas com um rosto sério e pesado.

— Qual o problema, Charl?

— Obrigado por contar a história de vocês. — Charl parecia muito sério.

— Eu quero confirmar uma coisa. Tudo isso foi verdade?

— Eu não tenho razão para mentir.

— Eu não estou brincando.

Com a atitude séria de Charl, Zin mordeu sua batata e perguntou:

— Qual parte dela você está se referindo?

— Sobre o fato de que Lobos Gigantes atacaram a cidade de Zado. Você me disse que eles são do tipo de monstro que não formam alcateias, certo?

— Sim, isso é correto. Eu vi seus cadáveres. Eles lutaram uns contra os outros no centro da cidade, e todos morreram. E um comedor de homens emergiu de um dos corpos.

Charl parecia inquieto depois de ouvir sua história.

— … Desculpe insistir, mas por que você acha que aquilo aconteceu? Alguma razão especial para isso?

— Eu não fui capaz de descobrir a razão, e não era parte do pedido.

Zin não estava mentindo, e sentindo a atitude estranha de Charl, Leona perguntou:

— O que foi? Há algo errado?

— Eu não posso te dizer. Mas… mas eu preciso entender algo. Caçador, posso te perguntar mais uma coisa? Você disse que uma alcateia de Lobos Gigantes atacou a cidade de Zado. E de acordo com seu conhecimento, Lobos Gigantes não se movem em alcateias quando eles chegam na fase adulta. Então, esses monstros que nunca formam uma alcateia colaboraram juntos como um para atacar a cidade de Zado. E depois da queda da cidade, eles atacaram e mataram uns aos outros. Isso é correto?

O que Charl explicou nunca deveria ter acontecido, mas Zin pensou que este era o caso baseado nos achados dele.

Era difícil ter certeza de algo, mas Zin assentiu sua cabeça sem hesitar.

— Eu não sei se você acredita em mim, mas até onde eu posso ver, esse é o caso. Não há outra explicação.

Zin estava certo sobre seus achados. Ele viveu como caçador por um longo tempo, e estava certo de sua conclusão baseado em sua experiência como caçador.

— Entendo…

Charl ficou ainda mais sério, e lentamente assentiu com sua cabeça. Zin não estava curioso sobre o choque ou preocupação na mente de Charl.

Charl era uma pessoa curiosa, mas Zin sabia que ser curioso não ajudava muito na vida. Já que ele havia completado o pedido, não tinha razão ou responsabilidade de descobrir o que o solicitante estava pensando.

Mas Leona estava curiosa.

— Qual o problema? Eu quero saber.

— Desculpa Leona, não posso falar sobre isso.

Charl se levantou sem comer sua batata. Zin não parou ele e perguntou:

— Vai embora?

— … Desculpe me levantar tão abruptamente. Preciso checar uma coisa.

— Não precisa de desculpas.

— E eu gostaria que você mantesse esse evento em segredo.

Zin sabia que ele estava falando sobre a queda da cidade de Zado. Mas Zin deu a ele uma resposta estranha.

— Hmm, caçadores não fazem favores.

Ele, então, fez um formato de “O” com seu polegar e indicador. Era um gesto se referindo a uma lasca azul.

O comportamento de Charl implicava que os segredos dos Armígeros podem estar relacionados com a queda de Zado. Zin deixou implícito que Charl precisaria pagá-lo para ele manter segredo. Com a ação de Zin, Charl franziu o cenho.

Charl preferia não se meter em uma discussão com o caçador.

— Quanto você está pedindo?

— Eu vou fazer um negócio especial para você. Uma única lasca.

— … Hah. Isso é uma piada.

Charl tirou uma única lasca de seu bolso e deu para Zin. Ele guardou a lasca e assentiu com sua cabeça.

— Caçadores não trabalham de graça.

Caçadores eram um grupo estranho de pessoas. Charl pensou sobre isso e sorriu. E Leona olhou sem expressão para Zin por um momento.

Caçadores não trabalham de graça.

A sentença ecoou na cabeça de Leona.

— Indo para Zado.

— Por agora.

— Fica a quatro dias para o oeste. Você provavelmente vai levar um ou dois.

— Obrigado… — Charl assentiu, olhando para trás enquanto ele saia do prédio.

— … Foi bom conhecer vocês, Zin e Leona.

— Claro…

Leona se levantou e foi até Charl. Ele gentilmente pôs sua mão na cabeça dela. Por alguma razão, Leona pensou que a mão dele era macia e cálida.

— Eu espero que você consiga o lugar que você está procurando.

— Um, uh… você também, Charl. Eu não sei o que está acontecendo, mas tome cuidado.

— Eu vou.

Sem hesitação, Charl agilmente correu para fora de Ponto Ardente. Do ponto de vista de Leona, ele corria muito mais rápido que pessoas comuns. Ela encarou na direção de Charl enquanto ele desaparecia. Ela não estava triste por assim dizer, mas Charl foi embora tão rápido e de um jeito tão estranho.

— O que foi aquilo? — Leona voltou para a fogueira, murmurando enquanto comia sua batata.

— Os Armígeros é responsável pela queda de Zado?

— Bom, eu não sei, mas deve ter algo acontecendo.

De repente, eram só os dois, mas eles não estava particularmente tristes com a despedida. Leona dividiu a porção de Charl em duas, e deu metade para Zin.

Zin olhou para a metade por um tempo e a comeu de uma vez.

— Então, moço.

— Vá em frente.

— Por que Charl estava agindo como um homem?

Com suas palavras, Zin deu de ombros. Com seus instintos, Leona descobriu o segredo que Charl estava escondendo.

Zin soube disso quando ele encontrou ela pela primeira vez. Era a primeira vez que os dois falavam sobre isso.

— Se você estava se perguntando sobre isso, poderia ter perguntado diretamente. Por que você está perguntando para mim.

— Bom, eu me senti estranha.

Charl agia como um homem, mas Zin e Leona foram na onda. Zin ficou parado e pareceu pensativo como se estivesse tentando desvendar um enigma.

— Charl… então o nome real dela podia ser Charles, Charlotte. Um ou outro.

— Como você sabe ?

— É difícil de explicar.

— Então, nem comece a falar em primeiro lugar.

— Eu faço o que eu quiser, pirralha.

— Ah. Você é tão irritante.

Zin se sentou e olhou para o fogo.

A queda de Zado foi possivelmente um incômodo para os Armígeros.

Zin não buscou ativamente entender o motivo de Zado ter sido atacado. Ele pensou que era apenas um dos muitos eventos acontecendo no mundo. Entretanto, havia razões por trás de muitos acidentes e eventos estranhos.

Causa e efeito.

Zin pensou sobre qual poderia ser a causa. Ele teria deixado para lá, mas se fosse um motivo que um oficial Armígero reagisse de forma sensível, então era uma história diferente.

Zin pensou.

Há a possibilidade que os Armígeros esteja envolvido com o incidente em Zado. Se eles estão relacionados, por que Charl não sabia sobre isso? E mesmo se Charl não sabia sobre isso, por que ela reagiu daquela forma?

Além da pergunta, era importante entender quais eram as responsabilidades de Charl. A maioria dos soldados Armígero caçavam monstros dentro da área de um PCM. Eles eram indiferentes quanto a selva. Unidades Armígeros viajando fora da fortaleza eram encarregadas com transporte de suprimentos, e elas eram em sua maioria escoltadas. Era extremamente raro para um deles agir individualmente.

O posto de Charl era de tenente, a filiação dela era desconhecida, e ela estava armada com uma pistola laser. Uma pistola laser era uma arma de grande poder, mas era uma arma fraca para uma soldado Armígero carregar enquanto viajava na selva sozinha. Entender quem era Charl, era importante descobrir o que ela estava tentando fazer.

Charl não foi a oficial designada para unidade de transporte atacada.

Ela rastreou os Salteadores que atacaram os Armígeros por conta própria. Em primeiro lugar, ela mencionou para Zin que ela iria tomar conta dos Salteadores por conta própria. Isso significava que a pistola laser não era a única arma de fogo que ela tinha.

Zin podia pensar em uma posição que podia agir independentemente, usar quantas lascas fosse possível, e designada para promulgar vingança contra os Salteadores sozinha.

Um executor.

Um executor checava o estado de cada fortaleza ao redor do mundo e era responsável por resolver qualquer problema atrapalhando as operações da fortaleza.

Ela era uma caçadora despachada pelo quartel-general Armígero.

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