Apocalypse Hunter – Capítulo 92

O Rei e o Grupo (3)

Se Cho-Yul tivesse dito alto que eles estavam bebendo urina esse tempo todo na frente dos clientes ignorantes, haveria uma revolta, então manteve sua voz baixa.

— É-éee, por que nós não vamos  lá pra dentro? Vamos bater um papo, senhor. Ei, você! Tome conta dos clientes enquanto eu converso com esse homem.

O garçom, que estava sentado num canto do bar, foi até lá e se sentou no balcão.

O dono não queria ser violento porque havia um Salteador monitorando o bar. Cho-Yul seguiu em silêncio o dono até um cômodo atrás do balcão. Além da porta era o que parecia ser um hotel com muitos quartos em cada lado.

Pelo visto o prédio não era abandonado, mas sim era um prédio improvisado construído com quaisquer materiais que estavam disponíveis. Quando chegaram lá dentro, o dono começou a se prostrar repetidamente para Cho-Yul.

— Por favor, me perdoe dessa vez. Eu vou devolver seu dinheiro. Minha inexperiência estragou seu apetite…

O dono se desculpou por sua inexperiência em fazer cerveja.

Ele procurou em suas roupas e entregou uma lasca para Cho-Yul. Este colocou a lasca em seu bolso, mas sua expressão facial mostrava que ele ainda não estava feliz.

— O fato que não há álcool aqui não é por falta de experiência.

Quando se tratava de álcool, ninguém podia enganar Cho-Yul. Ele olhou bem nos olhos do dono e disse.

— Como você encontrou um pepino do mar de água doce?

— Co-como?!

O dono ficou pálido, mas Cho-Yul continuou.

— Você acha que eu não já bebi muito álcool falso?!

Fazer cerveja falsa precisava de muita preparação. Não era algo que qualquer um podia fazer sem planejar bem.

Só eram precisos três ingredientes: água e urina como a fundação e mais um ingrediente fundamental.

O ingrediente fundamental era a pele de um pepino do mar de água doce. Parecia um nome oximoro, mas não havia outro nome que encaixaria nessa criatura marítima.

Eles estavam relativamente seguros, mas poluíram a água. O fato que água contaminada ter um cheiro similar ao álcool atraia a atenção de charlatões. Muitos tentaram fazer cerveja falsa até que alguém – depois de muita tentativa e erro – conseguiu.

Os pepinos do mar de água doce eram criaturas curiosas que não morriam mesmo quando eram cortados. E mesmo depois de serem desidratados até secarem por completo, eles voltariam a vida com só um pouco de água. Se você cortar um pedaço dele e colocá-lo na água e, então, urinar na mistura, o bicho iria metabolizar a urina e produzir um líquido que tinha o mesmo gosto e cheiro da cerveja.

Em outras palavras, o que você estaria mesmo bebendo era o excremento do pepino do mar de água doce depois dele se alimentar de urina humana.

Mesmo se tivesse o mesmo gosto de álcool, não era álcool porque não te deixava bêbado. Vender isso como álcool era uma atrocidade.

O pepino do mar de água doce era um bom negócio porque ele crescia de volta ao seu tamanho original depois de um tempo e poderia ser revendido para outro futuro charlatão por um preço muito bom.

O dono passou por muitos problemas para obter a pele desse bicho e isso significava que não era um erro. Era sua intenção vender cerveja falsa esse tempo todo.

E seu plano diabólico estava sendo desvendado na sua frente, o dono parecia mais e mais desesperado.

— Eu-eu tive que fazer isso para comer! Por favor, tenha misericórdia e me perdoe!

O dono se ajoelhou na frente de Cho-Yul. Se ele contasse para os outros clientes sobre a cerveja falsa, não tinha como saber o que fariam, muito menos o Salteador patrulhando. Cho-Yul encarou ele de forma indiferente e o dono continuou.

— E-eles tomaram tudo de mim. Eu não tive escolha!

— …

Cho-Yul fez careta.

Eles tomaram tudo?

— Você está me dizendo que o Grupo tomou tudo de você?

— Sim!

— Me fala mais sobre isso.

Seu plano inicial era conseguir informação de bêbados, mas ele encontrou uma fonte inesperada. O dono parecia desconfortável, mas ele suspirou e, então, levantou seu dedo para apontar para os quartos nos fundos.

— Éee… eu… costumava ser um traficante.

— …

Cho-Yul ficou espantado.

Como um traficante acabou virando dono de bar? A frase do dono atraiu o interesse de Cho-Yul para sua história, mas também confirmou sua suspeita de que o dono do bar era uma escória humana.

— Isso é muito bom.

— Isso é bom?

— Claro, com certeza. — A mulher disse enquanto entregava um monte de ervas medicinais para vício em VC para Ramphil.

Ramphil foi bem direto e reto.

Como você está nesses dias? 

Ele perguntaria como se conhecesse a pessoa há anos. Mas já que nunca se viram antes, ele pareceria muito direto.

Ele estava casualmente fazendo essa pergunta enquanto pegava alguns objetos inúteis em várias lojas que visitou por toda a cidade. Essa era a única coisa que ele podia fazer sem atrair suspeita dos Salteadores.

Os mercadores estavam falando que as coisas estavam melhores, mas porque havia Salteadores de olho em cada loja de tamanho considerável, Ramphil não confiava totalmente em suas respostas.

Entretanto, havia uma jovem vendendo coisas de seus sacos num canto da rua. Sua loja era tão pequena, que nem tinha um Salteador por perto.

— Nós sabemos quem nós precisamos pagar agora, então isso deixa as coisas mais fáceis.

— Pagar?

— Você sabe, a taxa.

— Ah, certo… a taxa.

Cidades livres eram lugares mercantis livres, mas os mercadores precisavam pagar taxas ou impostos para as forças de segurança ou uniões. Sem essas organizações, manter a paz em uma cidade livre não seria possível.

Ramphil não sabia de nada disso, mas ele fingiu que entendia.

— No passado, três gangues diferentes estavam no controle dos mesmos distritos em Shane.

— Três?

— Sim, uma era a força de segurança liderada pelo xerife e as outras duas eram gangues. Eles sempre estavam em guerra por causa de território e nós teríamos que pagar taxas para o xerife num dia e no outro para a Família Caveira e, então, para a Tribo Shandoo no próximo. Era um pé no saco, então é bom que nós não temos que lidar com isso agora.

— Hmm… isso parece complicado. — Ramphil disse enquanto inclinava sua cabeça.

A jovem deu para ele outro punhado de ervas. Ele entendia o que isso significava, então entregou a ela uma lasca para comprar outro punhado de ervas medicinais que ele nem precisava.

— Não é tão complicado. Nós só temos que pagar o Grupo agora. Caso encerrado. Isso é muito melhor para alguém como eu. Mas você sabe o que eu não aguento? As crianças devem ter pensado que as gangues eram legais. Elas andam em grupos e agem como gangues. Ver isso é engraçado e irritante, ao mesmo tempo. O que elas podem ganhar agindo assim, causando problemas e menosprezando os outros nesse país minúsculo? Só torna as coisas mais difíceis para nós.

Ramphil se perguntou se a dama estava dando informação para ele em troca de lascas ou se ela só era alguém que gostava de reclamar.

O Grupo tomou essa área, então as crianças – como as que Leona encontrou – estavam na verdade imitando as três gangues de Shane de antes.

— No fim, eles só eram sapos dentro de um poço. Quando o Grupo veio, eles tiveram que abaixar suas cabeças e implorar por suas vidas. Ver aquilo foi o ponto alto da minha vida. — A dama riu alto enquanto se lembrava.

— O que aconteceu com as três gangues?

— O que você acha? Limparam eles.

— Limparam eles? Quer dizer que eles foram mortos?

— Não exatamente. Asura chegou. Acho que nós não somos uma cidade tão pequena assim. E sim, ela era definitivamente assustadora.

Havia respeito e medo no rosto da mulher enquanto ela se lembrava de Asura. Como se estivesse se lembrando de cada palavra, ela continuou com um olhar vazio em seu rosto.

— Agora, vocês são minhas pessoas, eu vou ser o juiz das suas pessoas. Todas as tradições, regras e organizações não importam mais. Vocês devem manter a paz. Isso não é uma sugestão. Essa é a primeira lei que eu estou ordenando como seu novo Rei. —Depois de repetir essas palavras, a mulher tinha um sorriso leve em seu rosto. Ramphil sentiu uma energia estranha nela.

Ela se lembra bem demais. 

Até seu padrão de fala parecia diferente quando repetia as palavras de Asura.

Ela está… sob o efeito de um feitiço ou algo do tipo?

Apenas um feitiço poderia explicar a energia estranha que ele sentiu, mas a mulher continuou falando animada.,

— Ela disse essas palavras enquanto fazia os três líderes das gangues se ajoelharem na frente dela e baterem suas cabeças no chão na frente de todos. Aquilo foi tão foda. Depois disso, os três ficaram de cama por dias.

A mulher continuava falando de maneira entusiasmada por um tempo. Por ter  andado pela cidade, ele conseguiu encontrar essa mulher faladora e completar sua missão.

O Grupo deixou um pequeno grupo de Salteadores cuidando do território. O líder do Grupo controlava a cidade. O armamento deles era tão mais poderoso do que os dos outros grupos existentes que ninguém nem ousava lutar contra eles.

Ele também descobriu que o Grupo às vezes coletava comida e lascas dos cidadãos, mas isso não era nada se comparado com os atos hediondos das gangues antigas.

— Obrigado.

— Mas, por que você quer saber dessas coisas? — A mulher perguntou quando ficou cansada de falar. Ramphil não tinha ideia do que dizer. Não seria bom se ela reportasse ele como um espião.

Matar ela seria a solução mais fácil e o pensamento passou pela sua mente. Esse era o único jeito de evitar problemas e seria fácil já que eles estavam nos arredores da cidade.

Depois de pensar um pouco, Ramphil apontou para pilha de ervas medicinais.

— Eu vou comprar tudo.

— Sério?

Ele não falou mais nada. Ele estava comprando tudo para ela não fazer mais perguntas e continuasse de boca fechada.

A mulher entendeu e sorriu timidamente. — Essa não foi minha intenção, mas obrigada.

Eles trocaram silenciosamente subornos. A mulher não reportaria o espião legal que comprou todas as suas ervas para os Salteadores.

Para duas pessoas que nunca se conheceram antes, a comunicação deles ocorreu esplendidamente.

Conforme Ramphil se levantava para ir embora, ela mencionou algo casualmente.

— Pode ser só um rumor, mas…

— O quê?

— Eu ouvi que Asura governa a vida e a morte.

— O que você quer dizer com isso.

— Eu não sei. Pode ser só um rumor… algo que as pessoas dizem por estarem com medo.

— Hmm… — Ramphil disse e partiu logo após.

Com um punhado de ervas medicinais em suas costas, ele começou a organizar seus pensamentos enquanto voltava para o hotel. Porque a dama era uma tagarela, ele descobriu muita coisa.

Originalmente, Shane era um lugar tumultuado devido a três grupos lutando por supremacia. Tanto que até as crianças estavam agindo como aquelas gangues, eles pareciam ter uma longa história em Shane. 

O Grupo desfez as gangues e se tornou o novo poder e os cidadãos estavam relativamente felizes que eles só tinham que pagar um grupo, independente da quantidade. 

A razão para Salteadores patrulharem a cidade não é apenas para manter a paz, mas também para ficar de olho nas atividades das gangues.

O Grupo deixou um grupo de Salteadores de um certo tamanho e poder na colônia. O líder dos Salteadores está agindo como o prefeito ou administrador da cidade…

Tudo isso seria difícil para Salteadores realizarem… mas ainda eu não sinto nenhuma resistência no Grupo. O carisma da Asura é poderoso ao ponto de convencer os Salteadores a agirem contra sua natureza? Que merda é essa sobre ela controlar a vida e a morte? É algum tipo de feitiço de novo? Porra!

Eu estou começando a pensar que tudo que eu não entendo é feitiçaria. 

Ramphil não estava muito feliz consigo mesmo por pensar desse jeito, mas era verdade de um jeito.

Desde que começou a se envolver com feitiçaria, ele começou a perceber que não era um ser humano tão perfeito e essa realização era ambos inconveniente e inquietante.

Por outro lado, havia boas coisas também.

Meus companheiros devem ter encontrado algo útil também. 

Um progresso grande foi quando percebeu que não era perfeito, ele se tornou mais aberto a confiar em outras pessoas. Apesar de que, nesse momento, parecia mais como se ele estivesse jogando sua responsabilidade neles.

—–

A abordagem de Zin era ainda mais direta que a de Ramphil. Assim que saiu do hotel, ele foi direto no Salteador que estava patrulhando a área.

— Eu sou um caçador.

— E daí? — O guarda respondeu com uma arma quando Zin se introduziu de repente.

— Como eu deveria te chamar? Chefe? Irmão? Líder?

Os Salteadores tinham muitos nomes para o líder deles, mas o mais comumente usado era “chefe”. Não estava claro se o Grupo tinha a mesma prática.

— Eu gostaria de ter uma discussão construtiva com a pessoa no comando aqui. Que tal?

Outros  podem ter escolhido uma abordagem mais súbita, mas Zin decidiu usar a influência de seu status como caçador e usar uma abordagem mais agressiva.

Como esperado, o Líder mostrou tanta animação como se visse que seu jantar seria restos de arroz frio. Era improvável que o líder deles se encontraria com um caçador só porque ele pediu e era altamente provável que o pedido não passaria do guarda.

— Nós estamos bem por conta própria.

Nenhuma organização de respeito do tamanho deles precisaria da ajuda de um caçador para lidar com os negócios deles. A resposta do guarda mostrou confiança como deveria.

Entretanto, Zin era um conhecedor de sua arte, adepto a criar demanda para seus serviços. Um conhecedor de sua arte pode ser um estranho de dizer isso, mas ele conseguiria facilmente ter o guarda na palma de sua mão.

— Eu sei que vocês possuem armas poderosas, mas não há algum problema que vocês não conseguem lidar?

O olhar do Salteador ficou frio.

— … se você não calar a boca, as coisas vão ficar feias…

— Vocês não tiveram que lutar com fantasmas recentemente?

A expressão do rosto do guarda congelou. Eles podiam atirar e matar a maioria dos monstros e estariam protegendo Shane fazendo isso.

Só que recentemente, entretanto, quando a pedra angular do Castelo do Poder Celestial foi desativada, os fantasmas das áreas ao redor começaram a ser sugados para lá. Zin sabia que o céu de Shane estaria cheio com todo tipo de fantasma.

Os fantasmas não fizeram nada com a cidade, mas os Salteadores devem ter imaginado o pior.

Como eles lutariam com uma legião de fantasmas quando suas armas não funcionavam contra eles? Isso aterrorizava os Salteadores?

— Mesmo se as coisas estão tranquilas agora, eu posso pelo menos ensinar vocês como lutar contra fantasmas. Quanto mais você sabe melhor, não é?

Mesmo se não tivessem problemas agora, eles iriam querer saber como lutar contra os fantasmas

Criar uma demanda era coisa simples. Todos temiam algo e seu trabalho era encontrar esse algo e amplificá-lo.

— … eu vou perguntar. Me siga.

O Salteador se lembrou do terror que ele sentiu e, então, começou a andar para algum lugar.

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