Merchant construiu muitas instituições financeiras, mas talvez a mais duradoura seja o Banco da Colônia. Apesar da óbvia desvantagem de ser administrado por monstros, o banco prosperou de maneiras inesperadas.
De uma forma estranha, as pessoas estavam mais dispostas a confiar suas economias às formigas do que a qualquer outra coisa. Elas sabiam que as formigas não tinham interesse real em dinheiro e sabiam que qualquer coisa armazenada no fundo do formigueiro era tão segura quanto possível.
Com taxas baixas, contabilidade incrivelmente robusta e a famosa capacidade logística da Colônia, o banco se espalhou por muitas cidades e domínios da Masmorra. Através das contas de poupança, Merchant acumulou um capital enorme que usou para financiar seus outros projetos, trazendo uma riqueza de núcleos para a família e empoderando milhões de seus irmãos.
– Trecho das anotações pessoais de Historiant.
Sloan não estava feliz.
“E quanto a este túnel?”
“Os batedores seguiram a árvore por seis quilômetros. Eles registraram oito ramificações nesses locais.”
‘Oito?!’
“E quanto a este túnel?”
“Em quatro quilômetros, ramificou-se cinco vezes…”
‘Por que há tantos túneis ramificados?!’
Como sempre, as artesãs estavam trabalhando em um modelo tridimensional detalhado do terreno, mas a coisa estava ficando mais emaranhada do que um ninho de centopeias em frenesi alimentar!
Era todo um território valioso da Masmorra que a Colônia desejava ardentemente reivindicar. Afinal, havia enormes depósitos de metais ricos em mana a serem encontrados sob as montanhas, no quarto estrato e as artesãs estavam enlouquecidas com as minas que já haviam sido estabelecidas. Isso não as ajudaria se não pudessem defendê-las!
Sloan encarou a maquete, refletiu bastante e continuou encarando.
‘Será que realmente não há maneira melhor do que recuar para o pequeno número de túneis que conseguimos defender?’
Se assim fosse, estariam cedendo o controle de vastas extensões de terra. Sem batedores observando os túneis distantes, também não teriam ideia se um exército estivesse se concentrando em suas fronteiras.
Uma ameaça que se tornou cada vez mais séria com o passar dos dias.
Nas extremidades da maquete, havia marcadores, pequenas fitas vermelhas amarradas à pedra viva, indicando os locais onde equipes de exploração haviam sido avistadas. Duas dúzias de contatos na última semana. Mesmo sabendo que a Igreja do Caminho estava por trás disso, Sloan ficou chocado com o nível de recursos que haviam investido nesse “projeto”. Não só a Montanha Verde havia recusado suas ofertas para comprar uma trégua, como o número de exploradores que se aventuravam nas terras da Colônia chegava aos milhares.
Praticamente um pequeno exército! Era como se estivessem desafiando a Colônia para um confronto!
“Acho que estou com dor de cabeça” resmungou Sloan para si mesma.
A batedora que estava por perto, estrategicamente, decidiu ignorar aquele cheiro.
“Há mais quatro túneis sobre os quais preciso relatar, general” disse ela, hesitante.
“Quantas ramificações?”
“…”
“Simplesmente me diga.”
“Quatorze.”
“Droga!”
Quando Victor alcançou sua irmã, Sloan ainda estava olhando fixamente para a maquete, rangendo as mandíbulas e limpando furiosamente as antenas, arrastando-as pelas articulações dos cotovelos com muito mais força do que o necessário.
“Você vai arrancar os pelos se continuar fazendo isso” alertou ela à irmã.
“Victor… há túneis demais.”
“Já sabíamos disso” disse a general, aproximando-se rapidamente da irmã para ver a maquete. Ao ver o emaranhado de túneis com os próprios olhos, empalideceu e quase tropeçou na própria perna. “Meu Deus!” exclamou.
“Quanto mais exploramos, mais túneis encontramos” disse Sloan, melancolicamente.
Elas estavam nisso há meses e ainda não tinham terminado de mapear a rede. Devia haver milhares de rotas diferentes entre as terras reivindicadas pela Colônia e as da Montanha Verde. Vigiá-las todas era impossível!
Bem, para falar a verdade, era perfeitamente possível se tivessem todo o poder das formigas que estava sendo direcionado para a quinta camada. A campanha contra os Krath era um vácuo sem fim, sugando tudo o que a Colônia produzia, incluindo as gerações recém-formadas. Havia mais de dez milhões de formigas lá embaixo agora, e tudo o que Solant queria era mais, mais e mais.
Com o que restou, Sloan e Victor deveriam proteger seu território no quarto extrato, mas estava se provando ainda mais difícil do que haviam imaginado inicialmente.
“Estou preocupada, Victor” murmurou Sloan. “Tivemos sorte até agora, mas já escapamos por pouco muitas vezes. Eventualmente, uma de nossas irmãs será pega. E aí?”
A outra general assentiu com seriedade. Seria muito mais fácil se os exploradores fossem incompetentes e atrapalhados, mas eles eram tudo menos isso. Extremamente furtivos, excepcionalmente rápidos e hipervigilantes, qualquer formiga a poucos quilômetros deles corria risco. Um único erro poderia colocar os caçadores em seu encalço e isso já havia acontecido várias vezes.
Nesses casos, houve tempo suficiente para reunir apoio e afugentar os exploradores, mas se uma pequena equipe de batedoras fosse encontrada, ou pior, se os exploradores conseguissem se interpor entre elas e o ninho, a captura seria inevitável. Com tantos túneis não mapeados que se entrelaçavam e se cruzavam, era mais do que possível para uma equipe de exploradores chegar ao interior da Colônia sem ser detectada.
Victor suspirou, batendo as mandíbulas em sinal de derrota.
“Temos que recuar. Abandonar tudo além desses pontos para que possamos concentrar nossa defesa nos principais túneis arteriais e monitorar o resto. Se capturarem uma de nossas irmãs, isso pode levar a uma guerra em grande escala.”
“Abandonar todo esse território? E isso será suficiente? Temos certeza de que eles vão desistir por causa disso?”
“Duvido que o façam” disse Victor, ressentido. “Na verdade, isso só os encorajará. Quando o Ancião acordar, talvez possamos fazer algo a respeito. Até lá… temos que esperar.”