Eiro observou o corpo deste Diabrete colapsar no chão, imóvel. A primeira parte do veneno que surtiu efeito foi o veneno paralisante, em seguida, ele teve seus sentidos aguçados. O Diabrete não era capaz de se mover, mas conseguia sentir tudo o que acontecia, enquanto Eiro permanecia ali, observando calmamente o corpo desta criatura se desfazer.
A cauda estava apodrecendo da maneira mais horrenda, enquanto o veneno se espalhava pelo corpo do monstro pouco a pouco. Era algo que certamente não acabaria tão cedo.
— P-Por favor, não faça isso! Eu te dou meus tesouros! Qualquer coisa que você quiser! Só não me mate! — gritou o Diabrete, e Eiro revirou os olhos enquanto se aproximava dessa criatura patética. Encararam-se, enquanto um sorriso aparecia no rosto de Eiro. — Hm, depois disso, não é como se eu pudesse te deixar assim…
Um pouco de esperança apareceu nos olhos do Diabrete, enquanto Eiro colocava a mão em sua testa. O Demônio não apenas via o Caos que ele emanava, mas também o sentia. Ele sentiu finos fios de caos girando ao redor do Diabrete, flutuando entre seus próprios dedos. Lentamente, Eiro agarrou esses fios e os puxou sem pensar no que poderia acontecer. Basicamente, estava movendo o Caos, bem, de forma caótica, como deveria ser.
Quando o fez, o Diabrete em sua frente experienciou um diferente tipo de agonia. Ele pôde sentir seus músculos espasmarem, suas vias respiratórias se fecharem, enquanto perdia o controle do seu corpo. Algo que a maioria das pessoas não desejaria nem para seus piores inimigos, mas Eiro estava aproveitando deste belo momento se desdobrava na sua frente, e as pessoas acorrentadas na parede pareciam pensar de forma semelhante. Elas encaravam seu captor moribundo com sorrisos maníacos nos rostos, em êxtase por ver o que acontecia à criatura que os torturou por tanto tempo.
Foi então que Eiro começou a falar. — Eu quero deixar uma coisa clara para todos vocês. Eu também sou um Demônio, um muito mais poderoso do que esse monte de merda que vocês veem encolhido na minha frente, porém eu vou libertá-los. No entanto, se eu ouvir algum de vocês falar sobre minha verdadeira natureza, eu vou caçá-los e fazer com que se arrependam de terem sido resgatados. Entenderam? — o Demônio disse a todos, reforçando seu carisma para que suas palavras alcançassem até mesmo aqueles que estavam distraídos com a morte do Diabrete nos pés de Eiro.
Mesmo assim… logo começaram a gritar agradecimentos para Eiro, afinal, ele ainda os salvou. Ele os libertaria e deixaria que retornassem às suas vidas normais, pelo menos até certo ponto. Considerando que havia crianças aqui que nasceram em cativeiro, seria particularmente difícil encontrarem um lugar para viver. Pelo menos, Eiro esperava que seus pais ainda estivessem vivos, pois não queria simplesmente jogar alguns órfãos no mundo.
Não que isso importasse no momento, já que ele queria se concentrar na morte do seu irmão. A maioria do seu corpo já havia apodrecido, simplesmente se desfazendo em pó ou transformando-se em uma lama estranha que se misturava com esse pó.
— Agora, você ainda tem algo a dizer? — perguntou o Demônio com um sorriso no rosto, e o Diabrete o encarou mais uma vez. — Não… ache que… vai se safar dessa…
— Eu já me safei — respondeu o Demônio, e esta foi a última coisa que o Diabrete conseguiu escutar, já que a podridão alcançou seu coração. Neste ponto, ele entrou em choque absoluto e seu coração apodreceu após alguns segundos. Nada restava da existência desse Diabrete, até mesmo seus chifres se desfizeram em pó. Ele havia morrido tão… facilmente, apesar de supostamente ser tão forte. Eiro suspirou, enquanto se virava e caminhava até o homem que quase foi rasgado ao meio mais cedo.
Eiro rapidamente o perfurou com seu ferrão e injetou anestésico nele, mas todas as pessoas começaram a estremecer.
— Ah… — murmurou Eiro, compreendendo suas preocupações. — Não se preocupem, isso não é o mesmo veneno que eu injetei naquela Demônio. É apenas um anestésico, um analgésico que o fará dormir enquanto eu o trato — enquanto explicava, esperando que o veneno surtisse efeito no corpo do homem, ele percorreu a sala e quebrou as correntes que prendiam essas pessoas.
— Removerei o resto daqui a pouco, por enquanto, apenas… sabe, sentem-se ou algo do tipo. Não me importo — disse sem rodeios, estalando os dedos ao ver que o homem finalmente havia ficado inconsciente. Como sua condição era bastante séria, Eiro tentou algo que ele e Nelli só haviam discutido, e nunca testado antes, embora teoricamente pudesse ajudá-lo.
Eles se fundiram e começaram a curar. As habilidades de ambos foram aprimoradas até certo ponto, e os dois eram capazes de trabalhar em uma sincronia, velocidade e poder muito maiores do que antes. Por sorte, parecia que tudo estava correndo bem.
A primeira coisa que fizeram foi curar os ossos dele, algo que mostrou que esse método de cura parecia funcionar muito melhor do que antes. Além de ser surpreendentemente rápido, o que demonstrou a gravidade da condição do homem desde o início.
Devido à forma como o Diabrete enorme esmagou o corpo desse homem, muitos dos seus ossos foram deslocados ou estilhaçados, perfurando diferentes partes da sua carne e órgãos internos. Na verdade, Eiro ficou surpreso que esse homem ficou consciente por tanto tempo, considerando que devia ter sido uma dor insuportável. Para um humano, ele suportou muito bem.
Como parecia ter um físico bastante decente, mesmo que estando claramente faminto no momento, ele provavelmente era um guerreiro bastante forte antes de ser capturado.
Eiro segurou o ombro do homem e o colocou de volta no lugar, pressionando-o em seguida enquanto arrumava a posição de certas partes de sua coluna.
Feito isso, começou a curar os órgãos internos. Afinal, a pele rasgada era algo secundário, algo que não era tão importante quanto uma iminente falência dos órgãos.
Embora não tenha demorado muito. Quando terminou de curar os órgãos internos, a maioria das pessoas havia se reunido ao seu redor, observando-o curar um deles. Não que Eiro se importasse. Ele respirou fundo, enquanto finalmente começava a cuidar da pele do homem. Tentou curá-lo o máximo possível, mas o homem ainda acabou com algumas cicatrizes no torso, braços e coxas, como era de se esperar após esse tipo de dano.
— Certo, terminei. Quem mais precisa de cura urgente? — perguntou, olhando para o grupo ao redor. De imediato, uma delas se aproximou. Com um olhar, Eiro pôde dizer que ela estava com danos internos consideráveis, e seu corpo também estava coberto de feridas, muitas das quais eram antigas, como se tivessem sido reabertas sempre que estivessem quase fechadas.
Eiro caminhou até ela, mas a mulher se afastou. — N-Não, não eu… — disse ela, puxando um menino, talvez de cinco ou seis anos. Ele também estava repleto de ferimentos, mas não eram nem de perto tão sérios quanto os dela; ele podia estar com algumas costelas quebradas, mas esse era o pior dos ferimentos. Eiro suspirou levemente, esfregando a ponte do nariz. — Acho que vocês não entenderam que eu vou curar cada um de vocês. Não precisam que eu priorize alguns, afinal, todos serão curados com o máximo das minhas capacidades — disse o Demônio sem rodeios, e as pessoas o encararam, com olhos marejados.
Aos poucos, começaram a perceber que estavam salvos.
Então, Eiro fez como prometido e curou todos que precisavam. Alguns deles ele era capaz de curar quase num instante, enquanto outros precisaram de um pouco mais de atenção, mas, de qualquer modo, conseguiu curar todos na próxima meia hora.
Neste ponto, ele se separou de Nelli e olhou para as pessoas ao seu redor. — Certo, este não é um lugar onde vocês deveriam ficar. Irei levá-los até um local consideravelmente seguro, mas todos vocês precisam ficar lá se quiserem estar seguros, tudo bem? Eun voltarei, e nada mais acontecerá com vocês, tudo bem? — disse a elas, e todos assentiram antes de segui-lo sem hesitar.
Sinceramente, parecia que eles estavam confiando demais no Demônio, mas talvez estivessem apenas desesperados. Era o que parecia, considerando que todos estavam encolhidos atrás de Eiro. A maioria deles estava claramente ansioso, mas era como se estivessem se forçando a confiar em Eiro, o que era perfeitamente aceitável por enquanto. Contanto que não tentassem nada, ele não se importava.
O Demônio derrotou mais alguns Diabretes que avançaram contra ele e logo levou essas pessoas para um grande salão, que claramente era usado como um tipo de armazém para esses Demônios e estava cheio de coisas aleatórias. Parecia um lugar decente para deixas essas pessoas.
Enquanto isso, seus companheiros também pareciam ter conseguido se instalar no subterrâneo, então Eiro poderia descer, buscá-los e trazê-los para cá.
O ataque a esse enorme ninho de monstros estava perto de terminar.