Switch Mode

Raising Villains the Right Way – Capítulo 24

A Igreja do Embaixador (4)

Tradutor: miggigibe


— Do nada? Espere, mais importante… em Caliban…?

Evan falou com uma expressão de profunda confusão enquanto pensava por um instante.

Então, como se tivesse percebido alguma coisa, abriu a boca com hesitação.

— Não me diga que está planejando ir para o norte?

Evan perguntou, lembrando que Caliban era o reino mais próximo das terras onde viviam os bárbaros do norte.

— Explico no caminho. Por enquanto, apenas se prepare. Aquela informação que mencionei antes está correta, não está?

— …Se está falando da pessoa sobre quem conversamos da última vez, sim. A guilda de informações confirmou a presença dessa pessoa naquele vilarejo.

Evan respondeu com uma expressão inquieta.

— Então vamos passar por lá antes de seguir direto para Caliban.

Diante da firmeza de Alon, Evan o encarou por um instante, com uma mistura de curiosidade e resignação no olhar, e então saiu do quarto para cumprir as ordens.

— Haa…

Alon soltou um suspiro profundo e cobriu o rosto com a mão, como se só de pensar naquilo já se sentisse exausto.

Afinal, a descida de um Deus Exterior era comparável a uma enorme calamidade, algo que ele desejava desesperadamente que jamais acontecesse.

Um Deus Exterior.

Conhecidos por vários nomes ao longo do continente de Psychedelia, esses seres eram malignos e, assim como os Cinco Grandes Pecados, traziam calamidades ao mundo pelo simples fato de descerem até ele.

Para Alon, só a descida de um deles já bastava para destruir completamente seus planos para o futuro.

Quando começavam a agir de verdade, eram perfeitamente capazes de destruir reinos inteiros.

É claro que, com seis reinos no continente, a chance de ele ser afetado era de cerca de um terço.

Ainda assim, mesmo pensando racionalmente, havia 33,3% de chance de perder seu título de nobre e acabar vivendo como mendigo.

…Na verdade, a essa altura, viver como mendigo talvez até fosse sorte.

Se um Deus Exterior atacasse Asteria, suas chances de sobreviver seriam praticamente nulas.

Se, por alguma pequena possibilidade, o Deus Exterior destruísse outros dois reinos em vez de Asteria, a situação poderia melhorar um pouco, mas ainda estaria longe de ser ideal.

A queda de dois reinos levaria rapidamente ao colapso dos Reinos Unidos, e os reinos sobreviventes passariam a lutar feito loucos entre si por terras sem valor, contaminadas pelos poderes de outro mundo.

Com dezenas de milhares de mortos e mais de uma dúzia de heróis já perdidos para os Deuses Exteriores, os reinos restantes naturalmente se enfraqueceriam e, no fim, o Império devoraria todos eles.

Em resumo, não importava por qual ângulo olhasse: se um Deus Exterior descesse sobre os Reinos Unidos, Alon teria de abrir mão de seu título de nobre.

E, de certo modo, esse segundo cenário talvez fosse ainda pior.

Enquanto o primeiro terminaria rápido, o segundo o arrastaria para uma guerra em grande escala.

É claro que alguém poderia sugerir que os Reinos Unidos se uniriam diante de uma crise daquelas.

Mas, depois de jogar aquele jogo por tanto tempo e ver centenas de cenários, Alon podia balançar a cabeça em negativa sem hesitar.

Em todos os cenários em que um Deus Exterior ou um dos Cinco Grandes Pecados destruía sequer um único reino, a dissolução dos Reinos Unidos era inevitável.

Pequenos detalhes podiam mudar, mas a União sempre acabava ruindo.

Em outras palavras, se quisesse impedir que seus planos de vida desmoronassem, Alon precisava deter o Deus Exterior antes que ele alcançasse o reino.

— …Hm.

Assim que soube que um Deus Exterior havia descido, Alon entendeu que precisava agir imediatamente.

Ele tinha um plano.

— Preciso resolver isso em dois meses.

Quando um Deus Exterior desce pela primeira vez ao mundo mortal, não consegue exercer plenamente seu poder na forma de avatar e precisa de um período de estabilização de dois meses antes de despertar como um Deus Sábio e ter acesso completo às próprias habilidades.

Assim, havia uma pequena janela antes que se tornasse um Deus Sábio, durante a qual seria um pouco mais fácil detê-lo.

…Embora ele também não fosse exatamente fraco antes de se tornar um Deus Sábio.

Alon vasculhou em silêncio um canto da memória onde todas as informações do jogo que não eram necessárias haviam juntado poeira.

'Se é no norte, então deve ser o Deus dos Duelos, Ultultus. Antes de se tornar um Deus Sábio, ele não conseguiria usar ataques de formação, então isso já ajuda um pouco. Mas, em condições normais, para subjugá-lo apenas pela força, seriam necessários no mínimo cinco Mestres da Espada e um Arquimago…'

Alon balançou a cabeça em silêncio.

É claro que reunir um poder daquele nível era impossível na situação atual.

Mesmo assim, sua expressão não vacilou.

Desde o momento em que os monstros foram possuídos por um deus, Alon já esperava em parte que aquilo pudesse acontecer. Ele já tinha um plano para eliminar o Deus Exterior.

'Não sei se vai sair tudo conforme o planejado, mas…'

Não havia tempo para ficar pensando nisso. Depois de chegar até ali em suas reflexões, Alon abriu uma gaveta da hospedaria onde estava, tirou papel de carta e começou imediatamente a escrever.

Dez minutos depois.

'…Acho que também deveria preparar um presente.'

Depois de terminar a carta, endereçada ao Cavaleiro-Mestre Deus Macallian, em Caliban, Alon se levantou.

No fim daquela tarde, dois dias antes do banquete, o conde Palatio deixou o castelo do duque Rotegre.


Naquela noite.

Na residência raramente usada pela duquesa de Altia, gentilmente cedida a ela pelo duque Rotegre, Roria finalmente havia chegado e conversava com um homem.

— Está dizendo que o conde Palatio já foi embora?

— Sim, é isso mesmo.

Quando o homem, o marquês Mardinyo, assentiu, a duquesa de Altia, ou Roria, voltou a falar.

— Então, como foi?

— Felizmente, ele aceitou bem o presente.

Ao ouvir as palavras do marquês, Altia sorriu.

— Que alívio.

Para os nobres, presentes em geral eram apenas uma formalidade e não tinham grande significado.

Mas isso só valia para presentes triviais. Itens caros, como relíquias, sempre carregavam significados mais profundos.

No caso do marquês Mardinyo, o presente que oferecera ao líder de uma nova facção transmitia uma única mensagem: "Posso me juntar à sua facção?"

É claro que perguntar diretamente seria mais simples, mas a sociedade nobre girava em torno das aparências.

Se alguém fizesse o pedido de maneira direta e fosse rejeitado, por exemplo, sua dignidade seria ferida.

Por isso, tanto quem oferecia quanto quem recebia se comunicavam simbolicamente por meio do que, no fim das contas, poderia ser chamado de suborno. Assim, a situação ficava mais fácil de administrar para os dois lados.

Aceitar o presente significava aprovação. Recusá-lo significava rejeição.

É claro que o conde Palatio, ou Alon, não sabia de nada disso.

Ele só participara de um baile em toda a vida, não tinha amigos e seu pai, que morrera de overdose, o deixara sem qualquer conhecimento sobre esse tipo de coisa.

Por isso, Alon simplesmente pensara:

'Mesmo que percebam depois, não é como se eu fosse vê-los com frequência. E seria constrangedor pedirem o presente de volta depois que eu já aceitei, não seria?'

Com isso em mente, aceitara o presente sem hesitar, plenamente decidido a ficar com ele.

— Agora podemos alinhar oficialmente nossos interesses.

— É uma honra.

— E os outros?

— Os que juraram lealdade também aceitaram os presentes.

Graças à ignorância de Alon e à disposição dele para ficar com os presentes, Altia conseguiu obter o apoio dos nobres que ela havia contatado de antemão.

— …Então agora podemos começar a agir de verdade.

Com um pequeno sorriso, ela começou a se preparar para a formação efetiva de sua facção.


Exatamente uma semana depois de Alon deixar a propriedade do duque Rotegre.

Ele chegou a Parkran, um pequeno vilarejo no norte do Reino de Ashtalon, localizado a certa distância da propriedade do duque Rotegre. Alon fora até ali por um único motivo.

— Olá!

Encontrar o protagonista daquele roguelike de fantasia sombria chamado Psychedelia.

— Sabe quem eu sou?

— Ah, não?

O motivo de Alon querer conhecer Eliban, o protagonista do jogo, mesmo depois de os Cinco Grandes Pecados terem sido eliminados e o protagonista já não ser indispensável, era simples.

Mesmo sem os Cinco Grandes Pecados, o protagonista ainda ficaria famoso, e Alon julgou que não faria mal conquistar sua simpatia com antecedência.

Ainda mais agora que um Deus Exterior havia descido. Alon queria que o protagonista crescesse rápido, então chegara carregado de itens para ajudar no desenvolvimento inicial de Eliban.

— …Eliban, certo?

— Sim, sou eu!

Ao observar o garoto falar com um sorriso radiante, tão alegre que qualquer um se sentiria revigorado ao vê-lo, Alon pensou consigo mesmo:

'Ele é bonito até demais para um garoto… Bom, pelo menos é igualzinho à ilustração.'

Em Psychedelia, as escolhas do jogador permitiam alterar livremente o gênero do protagonista. Esse pensamento passou brevemente pela cabeça de Alon, mas então ele sentiu que havia algo estranhamente fora do lugar.

'O protagonista sempre foi assim?'

Como Psychedelia era um jogo de fantasia sombria, Alon se lembrava de que Eliban tinha uma personalidade animada em comparação com outros personagens de fantasia sombria. Ainda assim, não se recordava de ele ser "tão" alegre daquele jeito, o que o deixou um pouco intrigado.

Mas a sensação logo passou.

— Pegue.

Alon tirou naturalmente algumas moedas de ouro do bolso e as entregou ao garoto.

— Hã? Para mim?

Os olhos de Eliban se arregalaram de incredulidade ao receber as moedas de ouro, uma quantia suficiente para sustentar uma família comum por dois meses.

Mas Alon não parou por aí. Logo começou a entregar um item atrás do outro, explicando os presentes que havia preparado para Eliban ao longo da última semana.

Depois de uma longa explicação e de receber todos os itens que Alon reunira, Eliban perguntou, ainda confuso:

— Mas… por que está me dando tudo isso?

Ao ver a expressão confusa de Eliban, Alon hesitou por um instante antes de responder:

— É um investimento.

— Um investimento?

— Sim. Um dia você vai chegar longe.

Na verdade, Alon esperava que Eliban pudesse lidar com futuros Deuses Exteriores por ele, mas não disse essa parte em voz alta.

— Sou o conde Palatio.

Alon acrescentou seu nome para que Eliban soubesse a quem deveria ser grato quando alcançasse o sucesso e, sem hesitar, subiu na carruagem.

— Obrigado, Conde… não, senhor conde!

Ainda desnorteado com aquele encontro e despedida repentinos, Eliban observou a carruagem se afastar e se despediu respeitosamente.

Pouco depois…

— …Até consigo imaginar mais ou menos o que está tentando fazer, mas não foi tudo rápido demais? — comentou Evan, depois de ver a velocidade com que Alon entregara todos os presentes ao protagonista.

— Não temos tempo. Além disso, ele é inteligente o bastante para entender.

Alon respondeu enquanto se lembrava do passado de Eliban. Chegara a considerar passar alguns dias no vilarejo para criar uma relação mais próxima com ele, mas, infelizmente, não tinha tempo para isso. Por esse motivo fizera aquela escolha, e Evan assentiu.

— É, bem, ele parece incrivelmente talentoso. Quero dizer, para uma criança, o poder mágico dele é muito forte.

— …Hã? Poder mágico?

— Sim. Você não percebeu? Parecia que o poder mágico estava transbordando dele. Além disso, embora esteja vestido como um garoto do vilarejo, ele também parecia ter um artefato consigo.

Ao ouvir Evan, Alon se lembrou do que sabia sobre Eliban.

'Pensando bem, eu realmente senti um pouco de poder mágico… Mas Eliban não deveria ser apenas um garoto qualquer do vilarejo antes de começar a aventura?'

Ao se lembrar da configuração inicial do jogo, Alon inclinou a cabeça, confuso.

Parecia estranho que Eliban já tivesse poder mágico e um artefato naquele estágio, mas Alon deixou a questão de lado.

'Bem, ele é o protagonista. Acho que não tem problema ser um pouco mais talentoso que o normal.'

Com esse pensamento, Alon parou de se preocupar com Eliban.

Já lhe dera tudo o que podia e, se o protagonista ficasse mais forte, isso só o beneficiaria.

Afinal, Eliban era um dos poucos personagens de bom coração naquele cruel mundo de fantasia sombria.

Com isso em mente, Alon perguntou:

— Quanto tempo vai levar para chegar a Caliban daqui?

— Hmm… mais ou menos uma semana. Dez dias, no máximo, se houver algum atraso.

— Queria poder conseguir alguma ajuda.

Alon ouviu a resposta de Evan enquanto seguia rumo a Caliban.

Enquanto isso, na grande mansão ao sul de Caliban, Deus, que havia retornado da expedição ao norte e estava descansando, preparava-se para partir novamente no dia seguinte por causa das "notícias do exterior".

!

Depois de ler a carta:

— Vice-capitão.

— Sim.

— A expedição ao norte será adiada por duas semanas.

Ele deu a ordem imediatamente.

— Posso perguntar o motivo do adiamento?

Diante da pergunta do vice-capitão, Deus ficou em silêncio por um instante.

— …Em breve, um benfeitor chegará.

Ele murmurou essas palavras.

Comentários

0 0 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar