Tradutor: miggigibe
A grotesca fera Malian reconhecia plenamente a força de Seolrang.
A presença que ela vinha demonstrando na Colônia era ainda mais intensa do que a de Kalman Arents, que atuava como Baba Yaga havia muito tempo.
Ainda assim, nem Malian nem Kalman acreditavam que perderiam para Seolrang naquela luta.
Tanto Kalman Arents quanto a grotesca fera Malian eram Baba Yaga, assim como Seolrang. E, acima de tudo, os dois haviam absorvido um Núcleo Abissal.
Núcleo Abissal
Malian não sabia exatamente de que maneira o Núcleo Abissal concedia poder.
Tudo o que sabia era que, quando alguém de determinado nível absorvia um Núcleo Abissal, recebia algum tipo de poder.
Para Malian, porém, isso já bastava.
Mesmo naquele instante, enquanto enfrentavam Seolrang, os dois sentiam que, apenas por terem usado o Núcleo Abissal, haviam se tornado quase duas vezes mais fortes do que antes.
Estrondo!!!
O punho de Malian atingiu o ponto onde Seolrang estivera, fazendo a câmara inteira tremer como se tivesse sido atingida por um terremoto.
Crac!
Com uma única pisada de Kalman, o chão desabou.
E não foi só isso.
Rugido!!!
Malian exibiu uma força inacreditável ao arrancar o teto do castelo da Cidade Esquecida e arremessá-lo contra Seolrang.
A força esmagadora, claramente muito além dos limites humanos, encheu de desespero os mercenários, magos e membros do povo-fera que lutavam contra os assassinos.
Mesmo diante daquela demonstração absurda de poder, porém, as expressões de Malian e Kalman pioravam a cada instante.
O motivo não era outro senão Seolrang, que ainda continuava lutando contra os dois.
Seolrang, de olhos dourados, desapareceu num lampejo de relâmpago e surgiu de repente diante de Malian, acertando-o na cintura.
Depois de repelir o ataque de Kalman Arents vindo por trás, Seolrang também lhe desferiu um soco.
Bum!
Malian e Kalman foram arremessados contra a parede da enorme câmara, despedaçando-a com o impacto.
— Como isso pode ser possível…!?
Malian encarou Seolrang com uma expressão sombria.
O corpo de Seolrang estava, de fato, coberto de ferimentos.
Seus cabelos brilhantes estavam manchados de sangue, e seu corpo, de aparência inquietante, carregava incontáveis lesões.
Ainda assim, ela dominava a luta.
Embora os dois tivessem absorvido Núcleos Abissais e dobrado de força, os dois Baba Yaga não conseguiam fazê-la recuar nem um centímetro.
— Seu monstro…!
Malian fez uma careta e transformou a grotesca mão direita no formato de uma espada.
'Ela nem está emitindo magia negra, então também não absorveu um Núcleo Abissal…!'
Mesmo sem ter consumido um Núcleo Abissal, a força de Seolrang era esmagadora o bastante para dominar dois Baba Yaga que haviam feito isso.
Ficava claro… derrotá-la pela força bruta era impossível…!?
A expressão confiante de Malian já havia desaparecido por completo quando ele lançou um olhar grave para Kalman.
Tsc.
Como se confirmasse um sinal combinado de antemão, Kalman estalou a língua e então avançou, não na direção de Seolrang, mas do povo-fera.
No instante em que percebeu que Kalman corria na direção de Ralga, membro de sua tribo que liderava a luta contra os assassinos, Seolrang se moveu.
Crac!
Ela bloqueou o soco de Kalman.
Bum!
A terrível onda de choque produzida apenas pelo choque dos punhos fez Seolrang franzir o rosto por um instante.
Foi então que ela percebeu algo estranho.
Kalman, que até poucos momentos antes mantinha uma expressão séria, agora exibia um sorriso nítido e inconfundível.
Naquele exato instante…
Tchac!
— Hã?
Seolrang sentiu uma dor lancinante nas costas.
Quando se virou para olhar, viu Ralga.
— Finalmente…!
Com um sorriso distorcido no rosto, Ralga havia cravado uma lâmina nas costas de Seolrang.
Por um momento, os olhos dela se encheram de confusão.
— Ugh…!
Sangue escorreu de sua boca.
Estrondo!
O chute de Kalman arremessou Seolrang para longe, fazendo-a rolar pelo chão.
Ela não conseguia entender o que estava acontecendo.
Seus olhos estavam cheios de perguntas, perguntas, confusão e ainda mais perguntas.
Seu olhar atônito se voltou para Ralga.
Ele sorria de forma perversa.
Seolrang simplesmente não conseguia entender.
— Por quê?
A pergunta escapou de seus lábios.
Enquanto Seolrang rolava pelo chão após a traição de Ralga, o desespero tomou conta do rosto dos magos, mercenários e membros do povo-fera, enquanto um sorriso de escárnio surgiu nos lábios de Kalman.
Os assassinos demonstraram alívio, e o rosto de Malian revelou um traço de triunfo.
Todas aquelas informações entraram no campo de visão de Seolrang, mas sua atenção permanecia presa apenas a Ralga.
— Por quê…? — murmurou Seolrang, ainda sem entender.
Então Ralga, que vinha sorrindo com escárnio até aquele momento, avançou na direção dela.
Seolrang tentou mover o corpo, mas logo percebeu que não conseguia.
— A lâmina está coberta com veneno de Kamonasis, então você não vai conseguir se mover por pelo menos uma hora. É melhor não tentar resistir — disse Ralga, aproximando-se enquanto observava de cima a expressão chocada de Seolrang.
Ao contrário de sua postura normalmente contida, Ralga retorceu os lábios num sorriso de escárnio e se agachou diante dela.
— Ah… como era mesmo? Você perguntou por quê? — zombou ele, arrancando a manopla da mão de Seolrang.
— Eu queria isto.
— …O quê?
— Não ouviu? Eu disse que queria isto — repetiu Ralga, balançando a Essência da Tribo da Juba Dourada diante dela como forma de provocação, com um sorriso astuto.
Seolrang piscou lentamente.
— Você me traiu… por isso? — perguntou ela.
Ela ainda não sentia raiva. Ralga pareceu confuso por um breve instante, mas logo soltou uma risada debochada.
— Por isso? Seolrang, você realmente acha que a guilda que criou ainda está de pé por algum motivo nobre? Acha que os clãs ficaram ao seu lado por causa desse teatrinho de família? Não, não.
Toc, toc…
— Foi por causa disto. Os clãs permaneceram na guilda pelo poder que podiam obter de você — zombou ele, dando leves batidas no rosto dela com a manopla.
A expressão de Seolrang foi escurecendo aos poucos enquanto ela franzia a testa.
— Por que você pensaria o contrário?
No fundo, Seolrang sabia que Ralga não estava totalmente errado.
Ela sempre soubera que conseguira reunir a Tribo da Juba Dourada tão rapidamente na Colônia porque possuía a essência concedida pela Grande Lua.
Ainda assim, Seolrang não acreditava que, depois de terem chegado tão longe juntos, os clãs continuassem na guilda apenas por causa da essência.
Mesmo que tivessem se reunido inicialmente em busca de poder, Seolrang sentia que os dois anos que haviam passado juntos desde a formação da guilda eram genuínos. Ela acreditava que, pouco a pouco, vinha reconstruindo de verdade sua antiga família.
Não. Ela confiava nessa crença.
— Isso não pode ser…!
Seolrang cerrou os dentes, mas Ralga continuou encarando-a com o mesmo sorriso zombeteiro.
Então ele soltou uma risadinha e estalou os dedos.
Estalo!
Como se estivessem esperando por aquele sinal, os outros membros da Tribo da Juba Dourada começaram a se reunir atrás de Ralga, um após o outro.
Seolrang os encarou sem acreditar no que via.
O membro do clã que ela cumprimentara apenas dois dias antes.
Aquele que havia conversado com ela mais cedo, a caminho daquele lugar.
Ninguém era exceção. Todos se posicionaram atrás de Ralga e, ao perceber que nenhum deles apresentava ferimentos, ao contrário dos mercenários, Seolrang entendeu a verdade.
— …Ha.
Pela primeira vez, ela soltou uma risada amarga.
Não era o sorriso caloroso que sempre mostrava aos membros dos clãs, mas um sorriso cruel e frio.
— Agora sim você está com a expressão de alguém que acabou de acordar de um sonho. Estou satisfeito — disse Ralga, rindo enquanto dava tapinhas na cabeça de Seolrang para zombar dela.
— Para ser sincero, toda vez que você agia como se fosse alguém especial, eu sentia nojo. Usando um poder que nem merecia só porque teve sorte… Era difícil até de olhar. E então? Como é acordar desse sonho?
— …Os outros… também são traidores? — Seolrang respondeu à pergunta dele com outra.
Ao perceber a sensação de traição e o ódio escondidos por trás daquele sorriso amargo, Ralga pareceu se divertir e retorceu os lábios para responder.
Mas, antes que pudesse falar…
— Já chega. Vamos acabar com isso — interrompeu Malian, avançando antes que Ralga abrisse a boca.
Ele transformou o braço no formato de uma espada e o ergueu, preparando-se para atingir Seolrang.
— Vai ser um incômodo se ela voltar a se mover. Vamos acabar com ela agora.
Quando Malian estava prestes a executar Seolrang com a espada…
Fshhh!
Uma pequena dúvida surgiu no rosto de Seolrang, que até instantes atrás demonstrava resignação.
E não foi apenas Seolrang.
Ralga, que vinha sorrindo com escárnio, também pareceu confuso.
Os magos e até Liyan, que estavam tomados pelo desespero, exibiram a mesma expressão.
Até Kalman, que sorria com confiança apenas um instante antes, agora parecia perplexo.
O motivo era…
— Hã?
Um enorme buraco havia surgido na cabeça de Malian, que até poucos momentos antes saboreava o triunfo.
Tum!
O corpo de Malian desabou sem vida no chão.
Enquanto todos tentavam entender a morte absurda de um dos Baba Yaga da Colônia…
— Hã?
Liyan, que encarava a cena sem reação, percebeu de repente que sua respiração havia se transformado em vapor branco visível.
Naquele instante, todos os presentes viram.
Ao longe, da cidade esquecida do deus Kahara, um homem surgiu em silêncio.
Croc!
A cada passo que dava, a geada se espalhava e congelava o chão sob seus pés, enquanto uma magia branco-acinzentada emanava do bracelete em seu pulso esquerdo e envolvia seu corpo como uma fina barreira de gelo.
Passo, passo…
Os passos do homem não vacilavam.
Embora houvesse um Baba Yaga e dezenas de inimigos diante dele, sua expressão permanecia completamente indiferente.
Sem demonstrar qualquer emoção ou reação, ele continuou avançando, e todos começaram a ficar tensos diante de sua presença.
Ralga, que até pouco antes zombava de Seolrang…
Kalman, que sorria com confiança, e todos os demais inimigos presentes ficaram nervosos ao observar o homem de expressão vazia.
Porque todos haviam testemunhado aquilo.
Tinham visto Malian, um Baba Yaga, ter a cabeça perfurada num instante.
— Ugh…!
À medida que o homem se aproximava lentamente, Ralga recuou por instinto.
E não foi apenas ele.
Todo ser identificado como "inimigo" por aquele homem recuou naturalmente.
Só a presença dele os sufocava, enchendo-os de uma sensação avassaladora de impotência e medo.
Até Kalman, o mais forte entre eles, sentiu aquilo.
'O que é isso!?'
O corpo de Kalman recuou por reflexo enquanto ele encarava o homem, cujos olhos pareciam tão negros e azuis que, por instinto, soube que tentar compreendê-los destruiria sua mente.
— Mestre…?
Por fim, o homem, Alon, chegou até Seolrang, que ainda tinha uma espada cravada nas costas, e a encarou em silêncio.
— Cristal de Gelo (氷晶).
Ele pronunciou uma expressão diferente de tudo o que havia dito até então.