Frederica: “Infelizmente não poderei acompanhá-los durante a viagem. Então, por favor, tomem cuidado. Além disso, por favor, digam ao mestre que eu estou cuidando da mansão.”
Era a manhã da partida e a carruagem do dragão estava estacionada em frente à mansão. Frederica, que veio se despedir deles, disse essas palavras curvando suas costas em uma reverência.
A forma de sua curvatura era tão belamente refinada, que qualquer um que recebesse tal tratamento seria intimidado a corrigir sua postura institivamente.
De qualquer forma, ao verem isso, Subaru e Emilia se entreolharam.
Emilia: “Eu é quem devo me desculpar, sei como as coisas estão agitadas agora… Roswaal está ausente, e eu deveria agir em sua ausência, mas mesmo assim…”
Subaru: “De qualquer forma, eu e a Emilia não temos a menor ideia de como cuidar da mansão. Mesmo que eu possa lidar com as tarefas rotineiras, todos podem ver o quanto sou um amador quando há números envolvidos. Eu tentei empurrar tudo isso para o Otto resolver, mas é como jogar água em brasas.”
Olhando para os resultados dos últimos dois dias, Subaru só conseguiu sorrir ironicamente com o quão fúteis seus esforços haviam sido.
Ele e Otto vagaram sem rumo pelo escritório desordenado de Roswaal, e a única coisa que aprenderam foi que “É impossível ajudar sem qualquer explicação do responsável”… Essa declaração resumia muito bem a extensão de seu progresso.
Frederica parecia ter uma leve ideia de como lidar com isso, mas demoraria para cobrir a discrepância após seus longos meses de ausência. Na verdade, parando para pensar em quanto trabalho estava envolvido apenas na manutenção da mansão, não seria correto aumentar ainda mais sua carga de trabalho.
Emilia cuidava meticulosamente de algumas das tarefas mais simples, mas fora isso, ela não tinha escolha a não ser fechar os olhos para o resto, embora soubesse que começariam a se acumular.
Subaru: “É tipo aquela sensação de quando você deixa pra depois o dever de casa das férias de verão e, quando se deu conta, já era o primeiro dia do novo semestre. Mas se bem que eu nunca fui do tipo de não fazer o dever.”
Emilia: “Eu não entendi, isso não é uma coisa boa? Pelo contrário, estou sentindo o completo oposto, e meu peito dói terrivelmente. Não é que eu me sinta culpada, mas sei que não é bom negligenciar as tarefas dessa forma.”
Subaru: “Eu diria que não é nossa culpa, mas eu imagino que a Emilia-tan não ficaria satisfeita com isso, não é? Bem, eu entendo perfeitamente como é desagradável apenas ver a situação indo de mal a pior sem poder ajudar…”
Era irritante ter que negligenciar algo que não deveria ser ignorado. Mas, embora pudesse simpatizar com o sentimento de culpa de Emilia, também era verdade que eles não tinham muito a oferecer para ajudar.
No final das contas, ele foi insuficiente. Então a única opção a escolher era chamar alguém mais competente para ajudar:
???: “Os dragões terrestres estão todos prontos para partir. Mesmo que tenha se passado apenas alguns dias desde que eles foram usados, a Patrasche de Natsuki-san parece estar bastante animada.”
Subaru: “Ela é uma menina trabalhadora, não é? O proprietário anterior dela devia ter uma personalidade impressionante, ao contrário do atual… Você acha que ela pode nos guiar até lá? Seria horrível se perder no meio do caminho e acabar encalhado.”
Quem interrompeu a conversa foi o homem sentado na plataforma do cocheiro da carruagem do dragão, conversando com os dois dragões terrestres, Patrasche e Furufu, estava Otto.
Já que a “Proteção Divina da Linguagem da Alma” se aplicava somente a Otto, para um espectador que presenciava a cena, ele parecia apenas ter um parafuso solto na cabeça enquanto falava com os dragões terrestres, mas Subaru não comentou sobre isso.
Sem perceber que Subaru estava lhe enviando um olhar preocupado, Otto apenas respondeu à sua pergunta com um aceno de cabeça direto “Uhum”.
Otto: “As instruções da Frederica foram boas o suficientes e não parece haver nenhum tipo de problema. Tenho certeza que podemos fazer a viagem em menos de meio dia.”
Subaru: “Entendo, entendo…Mas, você realmente está planejando vir conosco também?”
Otto: “Claro que eu vou!!!”
Depois que Otto deu seu selo de aprovação em relação às instruções de Patrasche, Subaru acenou com a cabeça e fez sua próxima pergunta, para a qual Otto pisou ruidosamente na plataforma de madeira, arregalando os olhos.
Otto: “Este será meu primeiro encontro com o margrave. Claro, fui eu que te pedi para me apresentar, mas imaginando o tipo de apresentação que você faria se eu não estivesse lá…É muito arriscado e assustador, não posso simplesmente deixar isso com você!”
Subaru: “Ei, ei, eu vou ficar todo nervoso se você continuar confiando tanto em mim assim.”
Otto: “Sim, embora nos conheçamos há pouco tempo, já confio em você uns 120%, e posso garantir que você sempre fará exatamente o que eu não quero que faça!”
Subaru mordeu os lábios ao ouvir essas palavras, e Emilia, que estava ouvindo em silêncio até agora, deu uma leve risadinha.
Os dois homens se voltaram para a fonte da risada ao mesmo tempo, e Emilia timidamente levantou a mão:
Emilia: “Sério, vocês dois são tão bons amigos. Sempre que vejo vocês brigando tão afetuosamente assim fico com um pouco de ciúmes.”
Subaru: “Se você quiser, também posso ser carinhoso com você, Emilia-tan. Só que vou flertar em vez de brigar. Vou trocar a hora de brigar com a Emilia-tan para a hora do Otto e substituí-lo pelo tempo carinhoso da hora do Otto.”
Otto: “Se você fizer isso, não haverá nada entre nós exceto insultos e brigas!?”
Subaru estava bastante confiante em sua habilidade com as palavras e insultos, mas quando se trata de lutar contra Otto em uma luta corpo-a-corpo, ele não tem certeza se pode sair por cima. Otto aparenta ser muito gentil, mas Subaru sabia pessoalmente o quão forte ele era.
Em um loop anterior, após uma dura briga, Otto o jogou de uma carruagem. Sabendo que seu oponente não era uma tarefa simples de lidar, Subaru percebeu que suas chances eram muito pequenas se eles acabassem se enfrentando.
Subaru: “Pensando nisso dessa maneira, minhas habilidades de combate são loucamente baixas. Eu já sabia disso, mas ainda assim é deprimente.”
Como mencionado anteriormente, Subaru perderia facilmente para Otto, e nem é preciso dizer que ele não poderia derrotar Emilia, que conhece magia. Ele já havia sido derrubado por Frederica, e não havia necessidade de mencionar a Rem, agora adormecida, ou a birrenta Beatrice. Nesse caso, a única pessoa com quem Subaru tinha chances de vencer na mansão era—
Subaru: “Na verdade, a única pessoa que tenho chance de vencer é a Petra, e falando nisso, não a vi por aí. O que houve com ela?”
Emilia: “Tenho medo de perguntar, mas como sua linha de pensamento do nada mudou para quem você pode derrotar? De qualquer forma, a Petra-chan estava na mansão… Oh, lá vem ela.”
Um pouco surpresa com os esforços fúteis de Subaru para obter a vitória pelo processo de eliminação, Emilia olhou para a mansão com seus olhos ametistas piscando levemente. Curioso, ele olhou na mesma direção, e viu a forma de uma garota balançando as mangas de seu uniforme de empregada novo em folha enquanto corria para onde eles estavam.
Petra: “Espere, espere um pouco, Su-Subaru-sama…!”
Subaru: “Você não precisa se apressar, eu não faria algo tão cruel a ponto de partir de repente e te deixar para trás falando sozinha, apenas o Otto faria algo assim, certo Otto?”
Otto: “Você não se lembra do que acabou de dizer há três segundos!?”
Sorrindo para a garota sem fôlego, que estava com as mãos apoiando nos joelhos, Subaru chamou Otto para o meio da conversa com uma provocação despreocupada enquanto esperava a garota recuperar seu fôlego.
Então, enxugando a testa suavemente, Petra olhou para cima.
Suas bochechas coradas e seus grandes olhos redondos a faziam parecer adorável. Ela soltou um longo suspiro, liberando seu cansaço, e mudou a expressão de seu rosto angelical para um sorriso.
Petra: “Eu queria te dar isso antes de você partir. Por favor, leve isso com você.”
Com isso, ela estendeu a mão, revelando um simples lenço que não parecia descomunal.
As bordas do pano branco eram enfeitadas com uma cor dourada, e as pontas de seu tecido davam a entender que era feito com um acabamento meticuloso. Ao recebê-lo, Subaru o virou para olhar seu outro lado.
Subaru: “É… bordado. Oh, é muito bom.”
Costurado na superfície do pano branco, havia um bordado que provavelmente foi feito à mão pela própria Petra. Era feito com fios nas cores cinza, rosa e preto, e o desenho era algo que Subaru conhecia muito bem. Nesse momento, Emilia, que estava espiando por cima do ombro dele, deu uma risadinha “Ah”:
Emilia: “É o mesmo Puck que você desenhou, Subaru. Nossa, está muito bem feito.”
Subaru: “Meu Puck desfigurado, sim, isso foi muito bem feito. Não deve ter tido muito tempo para estudá-lo melhor.”
Petra: “Eu recebi os selos depois de fazer o Rádio Taissô* todas as manhãs.”
Esquecendo-se de falar educadamente, Petra puxou algo em volta do pescoço. Era o cartão do selo que Subaru havia feito e distribuído para as crianças do vilarejo.
(Nota: “*Rádio Taissô refere-se aos exercícios de aquecimento feitos sob música ou guia de uma transmissão de rádio. Esse tipo de ginástica é bem comum no Japão. Subaru já usou essa prática muitas vezes nos arcos anteriores.”)
—Todas as manhãs, quando eles participavam do Rádio Taissô, Subaru carimbava seus cartões com uma imagem que ele gravou em um inhame, no lugar de um selo real.
Em suas mãos, ela segurava o selo mais recente que havia ganhado, a desfigurada expressão da “Segunda Feira Sombria” de Puck. Ela deve ter se esforçado muito, enquanto espetava os dedos com a agulha.
Subaru: “É realmente muito bem feito. Como costureiro, não posso perder assim.”
Petra: “Você vai aceitar…Ah, não! Digo, você poderia aceitar isso?”
Subaru: Na verdade, o certo é: “Você poderia, por favor, aceita-lo?” —Claro, vou aceitá-lo com prazer. Seria uma pena usá-lo para limpar sangue, suor ou lágrimas, então irei mantê-lo por perto como um amuleto de boa sorte.”
Dobrando o lenço com muita ternura e cuidado, Subaru colocou-o no bolso do peito de seu moletom antes de olhar para trás em direção à Petra. E então, tão gentilmente quanto pôde, ele olhou nos olhos estreitos e aterrorizantes da pessoa que estava assistindo Petra com um sorriso diabólico cheio de presas afiadas.
Ouvindo suas palavras, Petra colocou ambas as mãos em seu rosto corado e desviou o olhar.
Petra: “Aguardarei seu retorno. Ah, o da irmã mais velha e do cara barulhento também.”
Emilia: “Parece que sou apenas uma figurante.”
Otto: “Espera, minha avaliação não foi um pouco rígida e exagerada demais!?”
Em resposta às palavras de Petra, Otto e Emilia, por sua vez, estampavam um sorriso irônico em seus rostos. Subaru não pôde deixar de sorrir, pois Petra parecia não se importar com a pressão que emanava de Frederica atrás dela.
Ele não tinha dúvidas de que, no momento em que eles partissem, Petra enfrentaria a dura educação de Frederica. Petra, sobreviva!
Subaru: “Bem…então, embora seja difícil deixar vocês, agora devemos seguir nosso caminho.”
Emilia: “Sim, se passarmos muito tempo conversando aqui, não faria sentido tentarmos sair tão cedo.”
Subaru interveio na interação, pondo um fim à vibrante conversa, antes de pular para o espaço de dentro da carruagem do dragão. Depois disso, ele estendeu a mão.
Subaru: “Se você quiser, Emilia-tan, venha nos meus braços.”
Emilia: “Tenho certeza que seria agradável ver a paisagem de vez em quando da plataforma do cocheiro.”
Subaru: “Ahh, que sem coração! E • M • D (Emilia-Tan Minha Diabinha!) –Waah.”
Sendo tratado com tanta crueldade, Subaru estava quase retirando sua mão que ofereceu a Emilia, quando foi puxado com tanta força que quase caiu da carruagem quando ela passou ao lado dele casualmente.
Seu longo cabelo prateado roçou contra o nariz dele enquanto passava, até que ela pousou dentro da carruagem do dragão com um mínimo som. E sentando-se suavemente, ela inclinou a cabeça olhando para ele:
Emilia: “Algo de errado?”
Subaru: “Ah, não—nada.”
Com essas palavras, Subaru ruidosamente caminhou até onde ela estava e se jogou no banco ao lado dela. Considerando que o interior da carruagem era muito espaçoso, Emilia sorriu ao ver que Subaru decidiu usar da pior maneira.
Otto, observando a interação deles, resmungou, “Não suporto ser associado a você”, enquanto se sentava no banco do cocheiro, segurando as rédeas e olhando para a estrada à frente.
Otto: “…Tudo bem, então vamos embora. Tomem cuidado para não morderem a língua com a turbulência da estrada, por favor.”
Subaru: “Te respondendo, não sacuda muito a carruagem. E se você for aplicar os freios repentinamente, por favor, use o sinal de que falamos antes. Sem ele vai ser difícil calcular corretamente quando empurrar a Emilia-tan contra o chão.”
Emilia: “Vocês estavam pensando em fazer algo assim?”
Otto: “Eu nunca ouvi essa trama diabólica na minha vida! Espere, quando fui transformado em um cúmplice!?”
Emilia lançou um olhar de quase desdém para Subaru e Otto, e também pareceu não reconhecer o grito do comerciante diante da falsa acusação.
Pensando que Otto lamentava por causa da injustiça de tudo isso, se dando por satisfeito pela situação que convinha para si mesmo, Subaru levantou a mão, como se aquilo não tivesse nada a ver com ele.
Subaru: “Muito bem. Próximo parada: ‘Santuário’! —Vambora!”
Otto: “Quem é você para dizer isso!?”
Vendo Otto mal-humorado no banco do cocheiro, Subaru respondeu com “Não é bom que você fique animado, não é?”, reclamando, antes de colocar a cabeça ao lado de fora da janela para olhar as duas empregadas que estavam ali aguardando eles pacientemente.
Subaru: “Certo, agora, estamos deixando o lugar sob seus cuidados. E além disso…estou contando com você…para cuidar da Rem.”
Frederica: “Por favor, deixe isso comigo. Em troca, deixo a Emilia-sama e o mestre em suas mãos.”
Petra: “Cuide-se e volte em segurança.”
A voz de Subaru não continha o mesmo tom brincalhão de costume, e enquanto se preparavam para partir, Frederica e Petra se curvaram em despedida.
Depois daquela conversa estupidamente formal, desta vez, Subaru decisivamente – bem, infelizmente com hesitação – separou seus pensamentos da mansão.
Subaru: “Ei, não partimos ainda, Otto? Você está pregui–”
Otto: “Não consigo entender esse tratamento!”
Frederica: “Parece que terei que ensiná-la a falar mais educadamente e se curvar de forma mais correta.”
Petra: “Sinto muito, é que eu queria ser mimada, mesmo que apenas um pouco…”
Petra apressadamente abaixou a cabeça, seu gesto imitava quase perfeitamente os ensinamentos de Frederica. Ela aprendia rápido e conseguia entender as coisas rapidamente, e certamente era uma aluna digna de ensinar.
A interação que ela teve a um momento atrás era compreensível de acordo com a sua idade, então não havia razão em repreendê-la por algo tão pequeno.
Frederica: “Eu sei que você está próxima da Emilia-sama e do Subaru-sama nos últimos dias. Ainda assim, não é bom esquecer de que sua relação aqui é de serva e patrão.”
Petra: “Sim, Mamãe. Lamento profundamente.”
A menina estava consciente do fato de que seu comportamento havia sido egoísta.
Ela poderia ter se comportado exatamente como haviam lhe ensinado, e ao mesmo tempo se despedido de Subaru e dos outros também da forma dela, mas ela intencionalmente se separou de seus deveres como uma serva, e escolheu se apresentar na frente de Subaru e dos outros como uma garota simples… Ali havia um motivo para isso, e talvez o motivo fosse pequeno, mas era um do qual ela não conseguia e nem queria se separar.
Frederica: “Não há necessidade em discutir mais isso. Em vez disso, como punição pelo que você fez, você irá copiar textos extras à mão esta tarde.”
Petra: “Uuhh…o número de tópicos aumentará?”
Frederica: “Você deveria ter se preparado para que pelo menos isso acontecesse. Então, novamente, se você já havia calculado que essa seria sua punição para compensar suas ações, então estou bastante ansiosa para ver seu futuro como minha aluna.”
Dizendo isso, Frederica bateu palmas com um “Agora” e continuou a frase:
Frederica: “Mesmo que a Emilia-sama e os outros não estejam presentes, Beatrice-sama ainda está na mansão. Por isso, não podemos nos dar ao luxo de sermos negligentes com a refeição e a limpeza. Se não terminarmos todos os afazeres rapidamente, não haverá tempo para os estudos. Então, Petra, apresse-se e termine suas tarefas.”
Petra: “Sim, senhora. Eu irei terminá-los em um instante!”
Depois de se despedir da garota que começou a correr, a boca de Frederica suavizou-se
levemente, revelando suas presas. Com um movimento praticado, ela cobriu o sorriso com a mão e olhou na direção em que a carruagem do dragão, não mais visível, havia ido — na direção em que Emilia e os demais haviam partido da mansão.
Frederica: “Foi como você disse que seria, mestre. Agora se eles podem superar o Santuário ou não, depende apenas da Emilia-sama e Subaru-sama.”
Fechando os olhos, ela deixou o vento suave passar por ela.
Frederica: “Emilia-sama conseguirá superar isso? Preso ao sangue da Bruxa, permanece aquele impasse inevitável que é o jardim do paraíso.”
Subaru: “Então o Puck ainda não deu as caras depois de todo esse tempo?”
Emilia: “Não, ainda não. Eu chamo por ele e ainda sinto a sua existência dentro do cristal, mas… essa é a primeira vez que ele está desaparecido por tanto tempo, então eu estou meio preocupada.”
Na carruagem do dragão galopando suavemente, sentados juntos, somente as vozes de Subaru e Emilia ressoavam no veículo.
Sob a Proteção Divina da Evasão do Vento, o som do vento e todos os barulhos de fora eram parcialmente anulados pela carruagem do dragão. Mesmo ao correr em alta velocidade, a quase ausência de turbulência ou som fazia com que parecesse algum tipo de sonho.
Talvez essa seja a mesma sensação de luxo que pode ser sentida ao andar nos assentos especiais dos trens-bala de Shinkansen, mas Subaru nunca teve uma chance de experimentar aqueles assentos, e nem mesmo sequer os normais.
De qualquer maneira, no silencioso interior da carruagem, as palavras trocadas entre eles podiam ser ouvidas nitidamente e claramente. E aqui, o assunto da conversa tomava outro rumo e ia para a mudança que estava incomodando eles nos últimos dias— ou seja, a ausência daquele que normalmente estava ao lado de Emilia, aquela figura paterna com forma de gato que sempre frustrava os avanços de Subaru na Emilia… Puck.
Subaru: “Pensando bem, ele não aparecia desde antes de nós retornarmos para a mansão… A última vez que nós o vimos foi…”
Emilia: “Eu o vi na capital, quando nós estávamos na mansão da Crusch-sama. Eu pensei que tudo estava muito normal, mas eu não consegui encontrar ele novamente depois daquela manhã. Mesmo quando eu o chamo, ele não aparece… eu estava preocupada se tinha deixado ele com raiva ou algo do tipo.”
Olhando para baixo, Emilia brincou com as pontas dos cabelos, tentando não mostrar seu rosto para Subaru. Nos últimos dias, seu cabelo prateado estava preso em uma trança.
Vendo Subaru olhando para ela, como se entendesse a intenção por trás de seu olhar, ela acenou com a cabeça “Sim”,
Emilia: “O contrato final que eu fiz com Puck da última vez que eu o vi foi manter meu cabelo numa trança. Depois disso, não me disse o que fazer, então mantive como está.”
Subaru: “Seu penteado é o seu contrato com o Puck? Sério? Isso é bem leve… Não é? Embora dizem que o cabelo é a vida da mulher, então isso é como se o contrato do Puck segurasse uma vida…”
Emilia: “Eu acho que isso é realmente um preço muito leve para pagar. Eu não sabia disso até sair da floresta, mas para fazer um contrato com um espírito como o Puck, condições como essa são muito leves. Roswaal também estava bem surpreso. Na verdade, você aparentemente precisa ter enormes quantidades de mana ou termos complicados.”
Vendo Emilia afrouxando os cantos dos lábios dela quando ela disse isso, Subaru acenou com a cabeça como se pensasse em alguma coisa. Mas então, ele rapidamente ergueu a mandíbula para afastar a Emilia de seu sorriso enfraquecido,
Subaru: “Bem, por restringir mesmo um pouco do tempo da Emilia-tan, para mim, eu diria que é um preço muito alto.”
Emilia: “Se você continuar dizendo falas como essa tão levemente, elas vão se tornar superficiais. Se fosse algo importante, então seria melhor manter em horários importantes, eu acho.”
Emilia expressou suas objeções sobre como Subaru estava encontrando mais e mais maneiras para flertar. Do outro lado, Subaru levantou levemente as duas mãos e balançou a cabeça,
Subaru: “As falas secretas reservadas para contar à Emilia-tan em cenários importantes estão guardadas separadamente. Essa era para o dia a dia, uma das coisas mais leves para dizer a Emilia-tan.”
Emilia: “De verdade, Subaru, você tem uma língua de prata… ah não, talvez meu rosto esteja vermelho, então não olhe!”
Vendo Emilia repentinamente levantar suas mãos para cobrir o rosto, Subaru riu, confirmando que conseguiu o que queria. E, tentando trazer a conversa ao assunto anterior, ele continuou com “Bem…”
Subaru: “Já que o Puck está ausente, existem algumas preocupações sérias no aspecto de combate nessa viagem. Nós não podemos contar com o Otto para lutar, e eu obviamente não sou nada bom. E a Emilia-tan também não é tão resistente sem Puck, certo?”
Emilia: “Ah, você falando coisas como essa, hein. Mas para que saiba, eu ainda posso usar magia mesmo sem o Puck aqui. Não é só com ele, eu tenho contrato com semi-espíritos também. Não tenho nenhum problema em me comunicar com eles, então eu posso lutar. Eu vou te proteger não importa o que aconteça.”
Subaru: “Ah não, tão máscula… Isso significa que sou muito patético… Aquelas palavras, eu mesmo eventualmente vou dizer para Emilia-tan um dia, então, por favor, espere.”
Emilia: “Eu estarei esperando sem nenhuma expectativa.”
Como se provassem as palavras da Emilia, chegando perto, e se aproximando em direção as pontas dos dedos de Emilia, os semi-espíritos pareciam estar flutuando, brilhando. Enquanto eles pareciam os semi-espíritos do Julius, em comparação, suas existências pareciam mais fracas — embora seus poderes estavam a um mundo de distância de Puck, pelo menos, eles certamente não aparentavam ser uma coleção de seres indefesos.
A única garota no grupo, e por quem ele tem uma queda, nada menos… tendo que confiar sua proteção a ela deveria realmente ser constrangedor…
Subaru: “Dito isto, minha confiança em outras pessoas não mudou muito desde a batalha com a Baleia Branca. Eu era completamente dependente da Rem na época, e até antes disso… espera, nunca teve um momento que eu resolvi tudo sozinho!?”
Claro que essa era a história do ponto de vista dele, e que ela poderia ter sido depreciada um pouco além da conta.
Mas de qualquer forma, já que não havia ninguém com informações suficientes para encontrar falhas nesta conclusão, Subaru estava com uma reação horrível ao perceber que tudo isso havia acabado.
Subaru: “Bem, Santuário, hein. Na verdade, que tipo de lugar poderia ser…”
Depois de um pouco de autorreflexão, ele olhou para a paisagem de fora através de uma pequena janela, murmurando isso sob sua respiração.
Agora mesmo, para Subaru, o Santuário era um lugar totalmente desconhecido. O som do nome por si só não dava uma impressão tão perigosa, mas o aviso de Frederica enquanto ela falava do Santuário pesava muito em sua mente. Fora aquelas palavras,
Subaru: “Tenha cuidado com o Garfiel, hein.”
Emilia: “Você também não o tinha conhecido, certo, Subaru? Eu só ouvi o nome também, e a Frederica também não me contou em detalhes.”
Como se estivessem seguindo o murmúrio de Subaru, as sobrancelhas elegantes de Emilia se estreitaram inquietamente também. A cena que surgiu em sua mente era provavelmente a mesma que a do Subaru.
A cena do aviso de Frederica, para ter cuidado com o homem chamado Garfiel, mas se recusando a dizer mais alguma coisa.
Mesmo quando Subaru expressou sua insatisfação com o pouco de informação que fora lhe dada, ela apenas com teimosia rejeitou, dizendo “É por causa do meu juramento”, e não diria outra palavra. Emilia e Subaru, sem saberem o que fazer, não a pressionaram mais.
Subaru: “Eu realmente deveria ter tirado mais proveito dela… sabendo muito bem que ela é uma personagem perigosa, ela está nos enviando apenas com um nome, é demais”
Emilia: “Não pode ser evitado, é um juramento. Acordos são sagrados e invioláveis, nunca para serem quebrados. Contratos, Juramentos e Pactos, embora variem em gravidade, devem ser todos mantidos igualmente.”
Girando seu dedo erguido, Emilia recitou isso para Subaru como se instruísse ele.
Contratos, Juramentos e Pactos, como um jogo de palavras elas voaram em seus ouvidos, e a questão de repente vinha em sua mente, ele a deixou escapar de seus lábios,
Subaru: “Então, entre a Emilia-tan e Puck existe um contrato. Entre Frederica e Roswaal existe um juramento por obrigação moral. E então, o acordo foi trocado entre o Dragão e o Reino, é um Pacto…… estou certo? Ou eu disse algo errado?”
Emilia: “Não é separado tão distintamente, mas pelo que eu entendi, Contratos são entre indivíduos, Juramentos são feitos quando uma parte jura para outra, e Pactos são acordos que transcendem os indivíduos, e transcendem até mesmo o tempo… é assim que eu fui ensinada, pelo menos”
Subaru: “Entendi. Isso se encaixa nesse entendimento…”
Acenando para a explicação da Emilia, Subaru começou a coçar violentamente a cabeça, e continuou com “Mesmo assim”,
Subaru: “Isso está decorado com palavras tão alegres, embora… Acordos são sagrados e inquebráveis, certo?
Emilia: “Acordos… Promessas são coisas importantes. Claro, juramentos, e até mesmo contratos não têm força para protegê-los. Não está lá, mas mesmo assim, nós mantemos as promessas. Nós trabalhamos duro para mantê-los, certo? Mesmo se ninguém estiver assistindo, ou se ninguém perceber, promessas são mantidas. Que seja a outra pessoa ou eu mesma, nós faríamos o nosso melhor para mantê-las.”
Levando suas mãos ao peito, Emilia fixou o olhar em Subaru, que tinha dito a questão tão superficialmente. O tom de voz dela era gentil, e não havia nenhuma sensação de culpa nele… mas seu coração doeu ainda mais por causa disso.
Emilia: “Por acreditarmos nisso, damos nossa palavra e trabalhamos muito para cumpri-la. Porque as promessas são mantidas para proteger a confiança um do outro, certo?”
Subaru: “Sobre isso…eu realmente sinto muito!”
No interior da carruagem, sem o menor indício de turbulência, Subaru caiu no chão e abaixou a cabeça na frente dela.
Ao vê-lo esfregando a testa no chão em uma Dogeza* completa, Emilia bateu as pálpebras de espanto, então alguns segundos depois, refletindo sobre o que ela acabou de dizer combinado com os movimentos atuais de Subaru, ela pareceu entender.
(Nota: “*Dogeza é o nome dado a uma forma de expressar submissão ou um pedido de desculpas.”)
Emilia: “Oh, eu não estava te culpando nem nada. Bem, é verdade que você não cumpriu sua promessa e foi imprudente, e nem mesmo se desculpou, e ao invés disso se voltou contra mim, então é verdade que eu pensei: ‘O que é isso!’ …”
Subaru: “Aaai, ow, meus ouvidos doem!”
Emilia: “Mas então, depois de pensar sobre isso, eu percebi que estava sendo injusta e estava vendo apenas o meu lado da situação. Eu deveria ter ido me reconciliar com você logo depois, mas fiquei tão chateada e obstinada que não fui, então a culpa também foi minha, peço desculpas.”
Subaru: “Ow, ow, Argh, meu peito dói!”
Emilia: “Os acordos, promessas e coisas assim, talvez sejam mais profundos e pesados para mim… porque sou uma usuária de artes-espirituais, os contratos são mais vitais para mim do que para as pessoas normais. Os usuários de artes espirituais devem honrar seus contratos com espíritos acima de tudo, e é por isso que eu sou excessivamente sensível quando se trata disso. Sim…então, promessas são muito importantes para mim. E agora que penso sobre isso, Subaru, reflita sobre o que você fez.”
Subaru: “Aah, meu coração dói!”
Enquanto ela dizia tudo isso, como se lembrasse de tudo que Subaru a fez passar, Emilia começou a fazer beicinho. Percebendo isso, Subaru pressionou a cabeça ainda mais.
Agora estava claro porque ela estava tão furiosa com ele no Palácio Real.
Não era apenas raiva por causa de uma promessa quebrada. Para ela, a promessa em si significava algo muito mais importante e tinha muito mais peso. Quando Subaru quebrou tão levemente tal promessa, até mesmo uma pessoa de coração mole como ela não conseguiria ficar calma.
Porque, sem perceber, Subaru havia pisoteado em algo muito importante no coração de Emilia.
Emilia: “Você já refletiu sobre suas ações agora?”
Subaru: “Sim, eu me arrependo. Mais profundamente que os oceanos, mais alto que as montanhas, mais largo que o céu, e mais expansivo que o cosmos.”
Emilia: “Tudo bem, eu te perdoo.”
Cutucando Subaru suavemente na testa quando ele olhou para cima, Emilia então levou o dedo aos lábios, sorrindo levemente. Aliviado por não haver nenhum indício de raiva nela, e também porque seu próximo movimento foi tão adorável, Subaru se viu incapaz de expressar suas palavras.
Sem prestar atenção na maneira como Subaru movia a boca como um peixe tentando respirar, Emilia virou-se para olhar para a estrada à frente,
Emilia: “O Santuário, Garfiel, Roswaal, e todos da vila… há tantas pessoas com quem precisamos conversar que agora meu coração já está batendo forte.”
Subaru: “Não se preocupe, eu nunca deixaria a Emilia-tan ser colocada em perigo. Por favor, confie em seu fiel segundo escudeiro, eu mesmo.”
Emilia: “Você é o segundo? Então, quem é o primeiro?”
Subaru: “No momento, ele está dirigindo a carruagem do dragão e flertando com minha Patrasche.”
Olhando para Subaru, que acabara de nomear Otto como um escudo de carne sem o seu consentimento, desta vez, Emilia não conseguiu segurar e caiu na gargalhada. Vendo essa reação, Subaru estava contente e, em sua mente, se perguntou quantos obstáculos estariam aguardando por eles em seu caminho à frente.
Desde a primeira vez que ele veio para esse mundo, Subaru enfrentou um problema após o outro, sem ter um minuto de descanso.
Mesmo ao longo do caminho para o Santuário, preocupações e expectativas sobre o que estava reservado para eles naquela terra desconhecida ferviam em seu coração. De qualquer forma, a própria Frederica o instigou, além do fato de que Roswaal e os outros moradores não terem retornado apenas aumentaram suas dúvidas, e havia a própria incapacidade de Subaru e Emilia fazerem Puck sair do pingente, e também… o que ele deixou na mansão… o preocupou sem fim.
Emilia: “Você… estava pensando na Rem-san, não é?”
Subaru: “…Você pode dizer isso apenas olhando?”
Subaru de repente ficou em silêncio. Olhando para o seu rosto, Emilia inclinou a cabeça.
Seu cabelo prateado escorregou de seu ombro enquanto ela fazia isso, e levantando a ponta de sua trança com os dedos e balançando de um lado para o outro, ela respondeu, “Eu posso”, e,
Emilia: “Assim como você sempre olha para mim preocupado, eu também penso em você da mesma forma.”
Subaru: “Então isso significa, Emilia-tan, que você fica pensando em mim o tempo todo?”
Emilia: “Oh, na verdade, leve esse pensamento como a metade da metade da metade.”
Subaru: “Isso significa 3 horas!”
Emilia: “Da metade, da metade, da metade…”
Subaru: “Vou me machucar se ouvir a quantidade exata, então chega!”
Gritando para poder parar Emilia, que estava tentando calcular o número realístico exato disso, Subaru deu um pequeno suspiro e coçou a bochecha,
Subaru: “Eu deixei ela com a Frederica e a Petra, então não há necessidade de se preocupar. Não deveria precisar… mas ainda assim, essa ansiedade que não deveria estar crescendo em mim… não consigo explicar em palavras.”
Emilia: “Você se preocupa porque está preocupado, não tem como evitar. Apenas significa que ela é importante para você. Na verdade, pensar assim, me deixa com um pouco de ciúmes.”
Subaru: “Agora deixe-me te dizer isso, eu sinto a mesma coisa em relação a Emilia-tan… espere, você apenas me enganou para eu dizer isso, certo?”
Emilia: “Sim, eu estava sendo má. Desculpa.”
Vendo Emilia pondo a língua para fora, Subaru, por meio daquele ato, a perdoou.
E na frente dele, que não pôde deixar de fazer sons de gargarejos com a garganta, Emilia disse “Mas…” olhando para Subaru,
Emilia: “A pessoa com a qual você está ainda mais preocupado é a Beatrice, certo?”
Subaru: “…Emilia-tan, nossos corações de alguma forma estão conectados um ao outro? O BOM FIM já está à vista!”
Emilia: “Normalmente você diria ‘Não tem como eu ficar preocupado’ mesmo que esteja, mas hoje, você nem disse isso. Deve significar que você realmente está preocupado.”
Sendo acertado em cheio, Subaru quase soltou um “Guuh” e mordeu os lábios com uma expressão irritada no rosto.
Mas ele rapidamente se recuperou disso,
Subaru: “Preocupado? Não estou preocupado nem nada. É que, tendo saído depois de uma briga, não pude mais me encontrar com ela. Então, deixar a Mansão sem vê-la novamente me deixou com um certo mal pressentimento, só isso. Sim, mas só um pouco. Só um pouquinho, só um pingo.”
Emilia: “Isso soou um pouco sujo para mim, talvez eu esteja pensando muito nisso…”
Subaru: “Você não está pensando muito sobre isso, apenas eu.”
Escondendo a felicidade por conseguir a reação que almejava, Subaru olhou para Emilia, que inclinou a cabeça, ainda sorrindo levemente como se não entendesse nada,
Subaru: “Se o problema de hikikomori da Beako piorar, eu, sendo originalmente um hikikomori, sentiria algum tipo de responsabilidade.”
Emilia: “Hikikomori…Você sabe muito sobre isso, certo Subaru? Beatrice está saindo da biblioteca?”
Subaru: “Seria muito difícil, na verdade. Se não encontrar uma boa oportunidade, e apenas forçá-la a sair não seria bom. Mas levar muito tempo para fazer algo seria indulgente demais. Esses hikikomoris são um pé no saco para… Espera! Eu também era um deles!”
Depois de encerrar sua frase de forma estúpida, ele tentou corrigir o rumo da conversa novamente.
Afinal, desde que eles estavam indo para o Santuário agora, não era algo com que eles tivessem que se preocupar até seu retorno.
Subaru: “Depois que eu voltar eu terei que conversar sobre muitas coisas com a Beako. Da última vez não consegui fazer com que ela me contasse nenhuma das coisas que eu queria saber, ela apenas me expulsou da Biblioteca sem mais nem menos.”
Emilia: “Beatrice e Puck… Parece que eles sabem de todo tipo de coisa, mas estão escondendo tudo de nós.”
Subaru: “Eu tenho a mesma sensação. Até mesmo com a Frederica, no entanto, todos os associados daquela mansão têm o hábito de dizer algo sugestivo e deixar as respostas para depois. É como uma doença. E aquela Beako, me devolvendo o Evangelho assim, dizendo coisas que ainda não consigo tirar da cabeça.”
O Evangelho, que Beatrice jogou de volta para ele junto com suas palavras misteriosas, está atualmente em segurança sob os cuidados de Subaru. Se caso ele fosse apenas um incômodo, Subaru poderia ter simplesmente o deixado para trás, mas na pior das hipóteses, ele poderia interrogar Roswaal sobre isso, então por isso ele o trouxe junto.
Mas como aquilo era bem assustador, Subaru o manteve bem no fundo da bolsa, como se o escondesse sorrateiramente.
Emilia: “–Acho que entramos na floresta.”
Emilia, subitamente ergueu o rosto e afastando os cabelos da testa, disse isso olhando em volta. Seguindo a reação dela, Subaru também ergueu a cabeça, mas de dentro da carruagem, ele não pôde perceber imediatamente. Dando um passo em direção à janela e espiando, ele viu que as cores lá fora se aprofundaram em verde.
Subaru: “Você nem olhou para fora mas já conseguiu perceber, hein.”
Emilia: “É porque tenho sangue de elfo em mim, mesmo que seja misturado. Eles dizem que os elfos são a raça das florestas e, portanto, os elfos e as florestas têm um vínculo inseparável–”
Então, assim que Emilia disse isso com um sorriso fugaz, uma sensação súbita e sutil percorreu a pele de Subaru, e ele olhou ao redor para ver o que era. Mas é claro que o impacto que atingiu os arredores não foi algo que seus olhos puderam ver.
Dentro da carruagem, a “Proteção Divina de Evasão do Vento” ainda separava o resto do mundo.
Subaru: “–Ei, ei!”
O corpo esbelto de Emilia balançava impotente e, sem mais nem menos, começou a cair, e Subaru, sentando rapidamente ao seu lado, conseguiu segurá-la bem a tempo.
Seu ímpeto foi interrompido pelo abraço dele, deitada agora tortuosamente em seus braços, os olhos de Emilia estavam fechados e em seu rosto havia apenas uma expressão de dor, enquanto ela estava ligeiramente ofegante.
Subaru: “Espere, Emilia-tan!? O que aconteceu, Emilia!?”
Emilia não conseguia responder. Ela parecia estar com dor, mas além de sua respiração acelerada e superficial, juntamente com sua expressão insuportável, não havia nenhum sinal de febre ou mesmo suor.
Levantando-a levemente em seus braços, Subaru imediatamente percebeu que não poderia lidar com isso sozinho. Então, correndo para a frente, ele enfiou a cabeça pela pequena janela que conectava à plataforma do cocheiro, e—
Subaru: “Otto! Algo está errado, a Emilia desmaiou de repente! Você tem algum medicamento ou…”
Otto: “Oh– Natsuki-san, me desculpe.”
As palavras impacientes de Subaru sumiram. Otto, para quem ele havia dirigido essas palavras, tinha suor escorrendo em sua testa. Virando-se para Subaru, ele respondeu com uma voz que parecia ter perdido a força.
Subaru notou duas coisas – A primeira, foi que a carruagem havia parado. Patrasche e Furufu haviam parado de andar repentinamente e estavam parados entre as árvores. Tão avassaladora foi sua emoção nos momentos anteriores em que ele nem havia percebido que a carruagem havia parado, mas agora havia um outro problema ainda mais sério que esse.
E essa foi a segunda coisa que ele notou,
???: “Apenas avançando diretamente pela frente, cê tem coragem, estranho.”
Como se cuspisse tais palavras, ao contrário do conteúdo literal que dizia, não havia o menor indício de simpatia na maneira como pronunciava.
Com apenas esta frase, quase se podia compreender o caráter da pessoa que disse essas palavras.
Fiel a essa primeira impressão, o homem se exibindo na frente da carruagem do dragão parecia exatamente o que aparentava.
Com cabelo loiro curto e espetado, e uma cicatriz branca proeminente no meio da testa, o olhar penetrante de seus olhos não perdia para os de Subaru em sua perversidade e, como o de uma besta felina, os dentes caninos em suas mandíbulas se projetavam para fora, mostrando serem excessivamente brancos. Suas costas curvadas e esguias o faziam parecer bastante baixo para um homem, mas a aura sombria e feroz que emanava de todo o seu corpo removia qualquer inclinação de subestimá-lo devido sua pequena estatura.
???: “Eu não sei de onde cês vieram, mas parece que a ‘estaca passa com uma ponta quebradiça.”
Subaru: “Huh, o quê?”
Ouvindo uma expressão estranha que ele nunca tinha ouvido antes, Subaru apenas soltou um gemido confuso, mas seu oponente, ouvindo isso, deve ter entendido que foi por medo, e com uma risada de desprezo “Hah!”,
???: “Ah? Com medo, é? Mas é verdade que ‘cês tiveram um golpe de azar. Afinal de contas, o lugar que ‘cês tentaram entrar de fininho foi o lugar onde, pra complicar, deram de cara comigo,”
O homem riu violentamente, estalando as presas enquanto ria e, juntando os punhos, baixou a postura, pronto para a batalha. E nesta postura, os olhos dele olharam para frente com um olhar feroz para o seu adversário silencioso,
???: “A sorte de vocês se esgotou quando se encontraram com o Garfiel. Agora sejam arregaçados pra direita e pra esquerda feito um Pazomazo.”
O delinquente que se identificou, xingando incompreensivelmente, bateu o pé no chão.
E no momento seguinte, o impacto esmagador, como se estivesse revertendo o mundo, atingiu Subaru.