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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 4 – Capítulo 7

Campos Experimentais

No momento em que o delinquente pressionou o pé contra o chão, Subaru sentiu uma ilusão como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.

Claro que, na realidade, tal coisa não poderia acontecer. Nem mesmo o maior ser humano poderia esperar abalar as fundações do mundo com uma simples pisada, e, além disso, o peso da terra não se moveria tão facilmente.

Portanto, a causa da inclinação do mundo só pode ser possível através da ilusão de Subaru.

Mas o que realmente aconteceu foi que, a partir do ponto em que Garfiel colocou o pé no chão, uma onda se espalhou pela superfície e, como se fosse um tatami, lançou a carruagem do dragão ao ar enquanto passava.

Subaru: “Impossível–Waaah!?”

Como se estivesse na ponta de uma gangorra, a sensação de impulso ascendente atingiu seu pico e, como se flutuasse, a carruagem do dragão voou pelo ar. Juntamente com os dragões terrestres, Patrasche e Furufu, que juntas tinham cerca de uma tonelada, todos eles voaram. Dentro da carruagem, Subaru apenas segurou Emilia bem perto de seus braços.

E então, de repente, a carruagem do dragão chocou-se contra o chão, e a força do impacto foi distribuída pela sua estrutura, tanto por fora quanto por dentro, rangendo por dentro contra si mesma.

Era uma carruagem do dragão de alta qualidade. Seu luxo não se limitou apenas ao seu aspecto glamoroso, pois a sua qualidade ficou clara, tanto em termos de conforto quanto de durabilidade, e isso ficou perfeitamente evidente pelo fato de ela ter conseguido evitar a destruição total neste instante. Ainda assim, na carruagem do dragão parcialmente tombada, não havia como escapar de imediato.

Em outras palavras, uma vez que não podiam escapar, a única opção que restava era ficar e lutar.

Subaru: “Droga, o que foi isso!?”

Balançando a cabeça, que ainda estava pendurada para o lado de fora da janela da plataforma do cocheiro, Subaru, atordoado, levou a mão à testa dolorida. Ele havia batido a cabeça durante a queda da carruagem, mas felizmente, além da dor, não houve lesão ou sangramento.
Lembrando-se de repente, ele olhou para baixo e viu que, deitada em seus braços, Emilia estava ilesa.

Uma onda de alívio o tomou, mas essa emoção logo foi substituída por um sentimento de ansiedade ao ser lembrado que o culpado ainda estava do lado de fora.

Levantando imediatamente a cabeça, a temida visão que encontrou os olhos de Subaru foi–

Subaru: “Patrasche!!”

Rugindo, com as presas agora à mostra, o enorme dragão negro como o azeviche saltou em direção à figura esquelética.

Se aproveitando do uso da conexão frouxa que a unia à carruagem do dragão, com um giro de seu corpo, Patrasche se libertou e, com movimentos rápidos, partiu contra o agressor para um contra-ataque.

Com presas pontudas e afiadas como lâminas, o poder de sua mandíbula podia cortar a carne humana facilmente e esmagar os ossos do corpo. Com uma velocidade como o vento, ela apontou para o pescoço de Garfiel, prestes a rasgá-lo em pedaços.

Garfiel: “Que escolha emocionante. É um bom dragão terrestre… não, cê é uma boa garota, né? É como dizem, ‘o som de ossos quebrando é um sinal de amor’.”

“––!”

Agora, alojado em suas mandíbulas fechadas, estava a extremidade dianteira de um braço estendido que, segundo todos os fatores, deveria ter sido completamente destroçado pela enorme força das presas.

Garfiel estendeu seu braço direito contra a mordida de Patrasche. E o dragão terrestre, concentrado no alvo, mordeu seu pulso, arrancando seu antebraço brutalmente, e então rasgou seu torso… ou pelo menos, era o que deveria ter acontecido.

Mas em vez disso, Patrasche congelou no mesmo lugar. Não apenas seu corpo, mas também sua mandíbula presa sob o braço alojado dentro de sua boca parou de se mover completamente.

Alguma habilidade mágica estava sendo usada ou isso foi causado por magia?

Essa pergunta veio à mente de Subaru, mas logo a ação de Garfiel respondeu as suas dúvidas. Expandindo os músculos de seu braço alojado, Garfiel dominou completamente a força da mandíbula de Patrasche, esticando-a cada vez mais.

Garfiel: “Cê fez um bom trabalho. Continuou avançando e melhor ainda, não desistiu. Cê passou!”

O dragão terrestre, negro como azeviche, abaixou seu corpo, ainda apertando o braço do inimigo com a boca, ela torceu a cintura. Com a força de sua mandíbula selada no pulso direito do homem, com impulso, ela lançou o rabo para frente em sua direção para acertá-lo e mandá-lo pelos ares. Subaru levou uma pancada da cauda do dragão uma vez, mas observando os movimentos de Patrasche agora, ficou imediatamente óbvio o quanto ela estava se segurando daquela vez.

Literalmente colocando todo o seu corpo atrás daquele golpe, ela direcionou toda a sua hostilidade para alcançar o corpo do homem que foi deixado completamente desprotegido. Mas, mesmo com toda sua força, o golpe foi casualmente parado no meio do caminho pela mão esquerda de Garfiel.

Um estalo seco ecoou e, depois que o choque se dissipou, tudo o que restou foi uma mão segurando a ponta de uma cauda. Sua mão direita permaneceu contraída entre a mandíbula e sua mão esquerda continuou segurando o rabo. Garfiel sorriu, revelando suas presas bestiais.

Garfiel: “Cê não vai se machucar com isso, durma bem.”

Fazendo um amplo balanço com o braço, como uma espécie de piada, traçando uma trajetória circular, seu movimento fez o corpo maciço de Patrasche voar.
Então de repente girando com uma sensação incompreensível de leveza, os olhos de Patrasche se encheram de confusão quando ela foi gentilmente jogada no chão.

Seu enorme corpo mal quicou ao pousar quando encontrou o chão. E em seguida o silêncio veio; Patrasche havia sido derrotada. Diante dessa cena, a garganta seca de Subaru soltou um gemido de descrença,

Subaru: “Hã? Ele jogou a Patrasche…?”

Garfiel: “É uma natureza leal. Não deve doer se jogar suavemente. Então vamos acabar logo com isso antes que ela se levante!”

Desconsiderando o atordoado Subaru, Garfiel ergueu o rosto e saltou para a plataforma do cocheiro. Deitado na posição inclinada da plataforma estava Otto, em uma postura de aparência cansada, ele tentou se levantar quando viu que a figura de Garfiel saltou.

Otto: “Guh… não me subestime! Eu sou um mercador viajante! Estou totalmente preparado para ser assaltado por bandidos na estrada durante meus negócios. Então, vamos lá, se você preferir não ser vítima da ‘Técnica de Repulsão da Família Suwen’, sugiro que se renda agora… Wooah!”

Garfiel: “Cala a boca, imundo. O que cê acha que vai fazer com essas suas habilidades fracas contra mim? Vá tirar uma soneca!”

Logo depois de fazer uma pose de luta, cheio de ânimo, Otto desmoronou instantaneamente quando Garfiel, subitamente chegando até ele, deu-lhe um golpe na testa.

O movimento, ou mais precisamente, o golpe de curta distância que ele desencadeou com seu dedo médio, o qual parecia ter uma força tremenda, fez o corpo magro de Otto voar para fora da plataforma do cocheiro. Segurando a testa no que parecia ser uma agonia, ele desmaiou sem dizer uma palavra. Independentemente de estar vivo ou morto, ele não era mais um obstáculo.

Garfiel: “Agora, pelo que parece, cê é o único que sobrou.”

Bufando, o delinquente se virou com um olhar afiado que poderia até cortar um homem ao meio, murmurando para Subaru.

De pé na plataforma do cocheiro, a distância entre ele e Subaru era de apenas quatro passos, mas considerando a maneira de como ele havia instantaneamente diminuído sua distância com Otto, a qualquer momento poderia muito bem não haver mais distância entre eles.

Ofegante, Subaru buscou em seu cérebro atormentado um único plano para poder romper com essa aproximação.

A única força de combate que poderia ser capaz de resistir ao oponente, Emilia, estava agora inconsciente, após seu colapso inexplicável. Mas não importa o que aconteça, ele devia protegê-la.

Subaru: “Eu…”

Garfiel: “‘Vire pra cá ou sua pele ainda ficará azul’, eu não tô nem aí!”

Com o som de uma leve batida no chão, em um piscar de olhos, a figura baixa de Garfiel apareceu na frente do rosto de Subaru. Acima, o braço levantado tinha seus cinco dedos da mão abertos, e era fácil imaginar o futuro em que as garras desceriam, rasgando seu corpo atordoado.

E diante daquele futuro em que seus membros seriam dilacerados, só havia uma coisa que Subaru poderia pensar em fazer: evitar que o dano atingisse Emilia ainda em seus braços e protegê-la com sua vida.

“––”

Alguns segundos se passaram, ou talvez tenha sido mais.

Seus olhos se fecharam, protegendo Emilia com todo o seu corpo, e o tempo que Subaru passou esperando o choque o atingir arrastou-se até o ponto da confusão. E então, abrindo os olhos com hesitação, ele encontrou os cinco dedos estendidos imóveis na frente de seu rosto. Na frente dele, havia uma expressão perplexa nos olhos do delinquente.

Mantendo o olhar em Subaru, que não pôde deixar de prender a respiração, ele torceu a própria cabeça de um lado para o outro, fazendo estalos altos com os ossos do pescoço.

Garfiel: “Em vez de revidar, cê priorizou proteger essa garota, o que diabos foi isso? Depois da sua morte, ela será a próxima de qualquer maneira. Não acha que foi uma terrível decisão?”

Sendo atingido por um argumento sólido que ele definitivamente não queria ouvir, Subaru, passando por todos os tipos de razões, não conseguiu encontrar uma resposta. O silêncio deixou Garfiel ainda mais descontente, e acenando com a mão ele mostrou suas garras afiadas.

Garfiel: “De qualquer maneira, cê é muito lento. Fazendo ou não qualquer movimento, provavelmente não tinha muita esperança. Cês são todos muito inúteis de qualquer forma.”

Subaru: “Você é…”

Garfiel: “Hah?”

Comentando sobre sua inépcia, Garfiel deu sua avaliação impiedosa. E enquanto Subaru tentava mexer sua garganta congelada, tentando formular uma pergunta, o rosto de aparência cruel de Garfiel se torceu de desagrado e se aproximou ainda mais do rosto de Subaru.

Garfiel: “Cê tá sussurrando, fala logo. Vamos lá.”

Subaru: “Você é o Garfiel, certo…? Você conhece o Roswaal e a Frederica?”

Garfiel: “Frederica?”

Confirmando a palavra de Subaru, pela primeira vez, a expressão de Garfiel perdeu sua agressão. Parecendo espantado, como uma fera carnívora que havia perdido o cheiro do sangue, por um momento, ele pareceu até fofo e manso, mas isso foi imediatamente ocultado novamente com uma expressão amarga.

Garfiel: “Por que cê sabe esse nome… Não, calma aí. Essa mulher que cê tá segurando, é aquela do cabelo prateado… meio-bruxa?”

Subaru: “Ela é uma meio-elfa. Não se atreva a pronunciar esse nome na presença dela.”

Garfiel: “Hey. O que que foi isso, seu espírito mudou do nada.”

Olhando para Emilia, Subaru explodiu de raiva ao ouvir aquele delinquente pronunciar aquele nome depreciativo. O medo de momentos anteriores desapareceu diante da pura raiva, e Garfiel, ao ouvir isso, estalou as presas ruidosamente, cheio de alegria.

Garfiel: “Ela não é aquela suposta Emilia-sama? Uma meio-bruxa aparecendo agora por aqui só pode ter algo a ver com Roswaal.”

Subaru: “Seu filho da…”

Ignorando as palavras anteriores de Subaru, Garfiel disse “meio-bruxa” novamente com ênfase especial. Ao ouvir isso, Subaru se levantou, mas foi imediatamente parado pela mão de Garfiel.

Garfiel: “‘O idiota que morde ferro fundido só se machuca’, certo? Cê não tem chances contra mim. Olha a diferença de forças. Eu não quero que cê se machuque, sabe?”

Fechando o punho com a mão estendida, ele estalou os ossos dos dedos como um aviso.

Suas respectivas forças eram óbvias, sem saber as intenções dele, seria melhor não piorar a situação resistindo. Abafar sua raiva e esperar por outra chance de se vingar seria o curso de ação mais sábio. É por isso que,

Subaru: “…Coma merda!”

Garfiel: “Hah?”

Subaru: “Eu não quero me machucar. E eu sei que você vai me bater com muita facilidade, eu acho. Mas eu não posso ficar parado aqui enquanto você continua dizendo essas coisas que vão deixar essa garota triste.”

Deitando Emilia suave e gentilmente no suporte de bagagem, tocando levemente os cabelos da sua testa, Subaru ficou olhando para Garfiel a uma distância tão próxima que suas testas quase se tocaram. Estavam a uma distância onde um podia sentir a respiração do outro.

Subaru: “Retire esse nome de merda que usou… e nunca use-o novamente.”

Garfiel: “Cê quer que eu faça o que cê pede, mas cê não tem o que é preciso, não é? Seu rosto, seu intestino, sua canela, cê quer que todos eles sejam destruídos, né?”

Subaru: “Vá em frente e tenta, mas não espere que eu não faça nada… no entanto, se você socar a minha cara, eu vou te morder. Se você socar minha barriga, eu vou te derrubar. Se você chutar a minha canela, eu vou cuspir em você, e você pagará por tudo, dente por dente.”

Respondendo à intimidação com intimidação, Subaru foi levado pela onda de paixão crescente queimando em seu peito. À sua frente, a aura hostil que emanava de Garfiel silenciosamente provocou arrepios por todo o seu corpo. Literalmente, Subaru poderia ser jogado para longe em um segundo se Garfiel quisesse. Isso era muito óbvio até agora, depois de julgar seu ataque e sua defesa.

Das pessoas mais fortes que Subaru conheceu neste Mundo Paralelo até agora, Garfiel podia facilmente ocupar um lugar entre eles. Talvez não atingiria o nível de Reinhard, mas em seu auge, ele poderia, no entanto, enfrentar Wilhelm ou Julius.

Portanto, mesmo que as palavras de Subaru dessem um pouco de credibilidade, a probabilidade de ele realmente retaliar era igual a zero.

Mesmo assim, Subaru e Garfiel se encararam diretamente.

Mesmo sabendo que ele iria perder, ele não iria recuar… isso porque a razão pela qual ele não podia recuar estava deitada logo atrás dele…

Garfiel: “HIHAHA!”

Subaru: “Hã?”

Foi uma voz inesperada que parecia completamente fora do lugar.
No meio do impasse, a risada de Garfiel ecoou, cortando a tensão entre eles. Subaru soltou um gemido confuso, e Garfiel respondeu com:

Garfiel: “Hahahahaha, você é muito bom com as palavras, hein? Você realmente fez isso!”

Subaru: “Hein? O quê…Ow! Ei espere, ai, ai, isso dói!”

Soltando uma gargalhada, Garfiel deu um tapinha afetuoso no ombro de Subaru. Mas mesmo sem o menor sinal de hostilidade ou intenção de atacar, ele estava se contendo, enquanto buscava um contato amigável. Seu gesto estava reduzindo o bem estar da saúde de Subaru em grandes pedaços.

Garfiel: “Bom trabalho! Cê passou pela barreira! Embora eu não goste muito da meio-elfa, cê teve coragem para protegê-la, vou respeitar isso.”

Subaru: “É bom você ter aparecido aqui… mas sério, isso realmente dói! Quando é que você vai parar de me dar tapinhas? Está tentando me matar?”

Com seu entusiasmo inabalável, o braço de Garfiel cessou seus movimentos e Subaru se afastou um pouco mais. Vendo isso, o delinquente inclinou o pescoço, cruzou os braços e,

Garfiel: “Tão frio. ‘Tudo isso é água sob a ponte agora’, então vamos lá, esquece isso. Quando um homem age de forma mesquinha, isso significa que a sua coisa também é mesquinha, sabe.”

Subaru: “É a primeira vez que ouço você usar um idioma que me parece familiar… mas de qualquer forma meu negócio não é da sua conta!”

Garfiel balançou e gesticulou com o dedo. Mas vendo-o levantar o queixo parecendo presunçoso, Subaru retrucou suas palavras asperamente.

Subaru: “Você é o Garfiel e conhece o Roswaal, certo? Mesmo que tenhamos nos assustado quando entramos em contato repentinamente, agora não há mais hostilidade entre nós, certo!?”

Garfiel: “Para de fazer barulho! Está ficando irritante. Não precisa ficar com medo, eu não vou devorar você.”

Subaru: “Você acha que alguém vai acreditar nisso depois daquela sua atitude selvagem de agora a pouco… Haaah?”

Enfiando os dedos em ambos os ouvidos com irritação, Garfiel respondeu as objeções de Subaru com um “Cê tem um ponto, eu acho”, como se o entendesse. Mesmo que ele seja incompreensível às vezes, para Subaru, era um alívio ver que eles podem se comunicar com palavras. E então, tendo escapado das terríveis circunstâncias, Subaru lembrou que,

Subaru: “Sim… Ei, ei! Agora não é hora para isso! A Emilia desmaiou do nada. O que diabos estou fazendo falando tão normalmente.”

Garfiel: “Cê quer dizê sobre a meio-elfa? É claro que ela desmaiou. Onde cê acha que estamos? Por que cê tá em pânico?”

Correndo para o lado de Emilia, Subaru a encontrou ainda dormindo e respirando de forma irregular, como se estivesse com dor. Vendo Subaru preocupado ao seu lado, Garfiel não parecia pensar muito nisso, e apenas encolheu os ombros. Percebendo sua expressão conhecedora, Subaru perguntou “O que você quer dizer?”, o que trouxe uma carranca incrédula no rosto de Garfiel,

Garfiel: “Cê já deve ter ouvido falar o que era esse lugar pelo Roswaal e a Frederica, certo? Eles devem ter… calma aí, cê não sabe mesmo?”

Quando ele estava apenas começando a explicar, Subaru balançou a cabeça de um lado para o outro e Garfiel estalou a língua em frustração. “Aquele desgraçado pervertido…”, era fácil adivinhar a quem aquele insulto se referia.

Garfiel: “Frederica também não disse nada? Isso é estranho, antes que cê perceba sua personalidade vai acabar se tornando como a de seu dono. Que desesperador.”

Balançando a cabeça, Garfiel bufou de irritação. Então, percebendo os olhos questionadores de Subaru, ele levantou a mão e com um “Sim, entendi, entendi”, disse,

Garfiel: “Parece soar ruim, mas a vida dela não corre perigo. Mas se cê não quer mais ver aquela expressão de dor no rosto dela, precisamos dar um fora daqui agora. Eu vou te guiar até a aldeia.”

Subaru: “Quando sairmos daqui a consciência dela retornará?”

Garfiel: “É isso o que eu tô dizendo, não é? Vamo logo, estamos indo. Ei, por quanto tempo cê pretende continuar dormindo? Levanta aí!”

Mesmo que não houvesse muita explicação, Garfiel não parecia ter a intenção de dizer algo a mais. Virando-se sem nem mesmo tentar disfarçar sua expressão assassina, ele foi em direção a Otto e lhe chutou. Recebendo o chute, o “ainda desmaiado” Otto soltou um grito de dor “Ai!”.

Garfiel: “Ei, cê é o cocheiro filho da mãe, não é? Eu vou virar a carruagem tombada pra posição certa de novo e cê vai dirigir até a aldeia. Se for devagar demais, vou chutar sua bunda e te mandar voando, entendeu?”

Otto: “Me fala o que é toda essa situação!? Seguindo o que eu acabei de ouvir, tenho a sensação de que estou perdendo tudo?”

Ouvindo essa versão inaceitável das coisas, Otto fervia de raiva, levantando-se de repente para expressar sua objeção a Garfiel. Considerando a surra que ele recebeu apenas alguns minutos atrás, isso deve ter parecido tremendamente corajoso, e Garfiel, que parecia compartilhar essa opinião, virou-se para olhar para Subaru,

Garfiel: “Ei, esse cara é sempre um maldito enérgico assim?”

Otto: “De jeito nenhum você receberá uma avaliação adequada se perguntar para aquele cara, então, por favor, para com isso! Não pode simplesmente você mesmo fazer sua própria avaliação sobre mim!? Peça desculpas! Por favor, se desculpe agora mesmo!”

Garfiel: “Ah? Filho da puta, agora parece bem e animado de repente? Cê está me subestimando? Sim, eu bati em um cara que não precisava de uma surra, supera.”

Subaru: “Vocês dois querem calar a boca! Emilia ainda está com dor. Você, apresse-se e pegue as rédeas! E você, coloque a carruagem do dragão de pé!”

Enquanto os três homens se agitavam e começavam a xingar uns aos outros na plataforma do cocheiro, colocada de lado na cama do bagageiro, Emilia, que até então permaneceu inconsciente, ainda continuou desacordada. No entanto, uma leve carranca estava se formando em seu rosto bonito, parecendo irritada com o barulho,

Emilia: “…Calem a boca!”

Ela murmurou isso baixinho, falando enquanto dormia.


Garfiel: “Não me apresentei, não é? Meu nome é Garfiel… ah, pode me chamar apenas de Garfiel, o homem mais forte do mundo. Precisando de alguma coisa é só me pedir.”

Subaru: “Oh… Eu sou Natsuki Subaru… E o que foi isso? Você disse que é o mais forte? Você está dizendo isso sóbrio?”

Enquanto a carruagem do dragão se movia, ficando cara a cara lá dentro, Subaru e Garfiel trocaram apresentações. Vendo Subaru de repente apertar sua mão estendida com um olhar surpreso, Garfiel também assumiu uma expressão incrédula.

Garfiel: “Não foi isso que eu disse? O que tem de tão estranho nisso?”

Subaru: “Não, não, é que eu nunca esperei encontrar alguém que diria diretamente ‘Eu sou o homem mais forte do mundo’. Não acha que está indo longe demais?”

Garfiel: “Cê não acha que estou apto pra ser o mais forte?”

Subaru: “Ah sim, você é bem forte, eu admito. Mas se você está falando sobre ser o mais forte, bem, como eu posso dizer…eu tenho a imagem de um cara que sempre vem à mente.”

A forma do cavaleiro ruivo surgiu em sua mente… em comparação com Garfiel, que estava diante de seus olhos, Subaru começou a analisá-lo em sua mente. Durante seu confronto anterior, com apenas as mãos, Garfiel era um lutador formidável e que, se quisesse, poderia chutar uma casa e mandá-la voando pelos ares… Não, ele havia tombado a carruagem com apenas uma batida de pé. Mas afinal de contas, tudo isso seria o suficiente para enfrentar o Santo da Espada?

Mesmo tendo isso em mente, a vantagem de Reinhard pareceu não desaparecer, e o próprio Subaru não tinha certeza do porquê de ele ter uma consideração tão especial pelo cavaleiro.

Garfiel: “Hah, pense como quiser. Mas mais cedo ou mais tarde, vou dar um jeito com essa sua visão equivocada e provarei com minhas próprias mãos que sou o mais forte. Por enquanto, vamos apenas dizer que ‘O leão marinho com o nariz vermelho está com medo do frio’, e depois pensar assim.”

Subaru: “Eu realmente não entendi o que você acabou de me dizer para pensar.”

Subaru inclinou o pescoço na última parte da frase, e Garfiel não parecia estar planejando explicar isso, em vez disso, ele cruzou as mãos atrás da cabeça e relaxou o peso no encosto do assento. De qualquer forma, com a conversa encerrada, Subaru olhou pela janela e passou os dedos pelos cabelos prateados de Emilia enquanto ela dormia em seu colo.

E enquanto Emilia dormia, sua expressão agora parecia mais tranquila do que antes. Exatamente como Garfiel havia dito, afastar-se daquele lugar pareceu ter um efeito positivo. Então, a próxima dúvida que veio à mente de Subaru foi,

Subaru: “Ah, eu não tive a chance de perguntar antes, mas você é um conhecido próximo do Roswaal… não é?”

Garfiel: “Cê deve ter ouvido minha reputação, certo? Então vou dizer isso mais uma vez, de todas as pessoas associadas ao Roswaal, eu sou de longe o mais forte.”

Subaru: “Esse não é o ponto… mas eu lembro de ouvir que você é realmente uma pessoa influente.”

Mas talvez a força bruta era a única razão pela qual ele foi considerado “influente”? Ao contrário do que Subaru esperava, Garfiel não era um grande apoiador no sentido político, mas talvez fosse apenas um apoiador no sentido de cérebro muscular.

Com o Santuário não muito distante, ter a companhia de alguém que precisava ser cauteloso ao mesmo tempo que poderia ter interações amigáveis, realmente só aumentava sua dor de cabeça.

Subaru: “Preciso perguntar várias coisas para o Roswaal quando chegarmos no Santuário, eu acho. Você sabe que eu deveria estar resolvendo problemas, mas parece que o número de perguntas ficam cada vez maiores conforme eu prossigo, o que há de errado com isso?”

Abraçando sua própria cabeça, vendo que a estrada que já parecia difícil estava ficando cada vez mais difícil, pensando nisso, a expressão de Subaru se anuviou. Ao ouvir isso, Garfiel deu um pequeno estalo com a língua, revelando apenas um pequeno vislumbre de seus dentes caninos afiados,

Garfiel: “Santuário… eh.”

Sentindo algum significado em seu murmúrio, o rosto de Subaru se ergueu e Garfiel acenou gentilmente com a mão. Então, ele se levantou, encarando o caminho logo à frente, isto é, em direção ao Santuário.

Garfiel: “É por causa de cê estar engolindo as palavras do Roswaal sem pensar que cê continua chamando o lugar por esse nome. Deixando de lado todas as coisas que cê não sabe, as outras coisas que ele te disse são todas merdas, sabia?”

Subaru: “Mesmo que eu tenha a mesma opinião, não acho bom fofocar pelas costas de alguém… ele te irritou ou algo assim?”

Garfiel ficou visivelmente descontente ao ouvir a palavra “Santuário”. Subaru se perguntou se ele havia falado algo que não deveria, e esperou por uma resposta de Garfiel, mas a reação foi mais extrema do que ele esperava.

Ou seja, Garfiel torceu a boca em um sorriso irônico que parecia não caber em seu rosto,

Garfiel: “Bem, agora é hora da Princesa-sama acordar. Já que estamos bem longe da barreira.”

Subaru: “O que é a barreira… ah, Emilia-tan?”

Quando ele estava prestes a fazer uma pergunta, Subaru viu Emilia se mexer em seu colo e gritou por ela. Ela abriu os olhos fracamente e olhou em volta do interior da carruagem, confusa. Como se ela ainda não estivesse completamente acordada, ela olhou para Subaru com seus olhos violetas.

Emilia: “Bom dia, Shubaru.”

(Nota: Não é um erro de tradução, ela pronunciou o nome de forma errada.)

Subaru: “Seu jeito de acordar é suuuper fofo, Emilia-tan, mas talvez agora não seja uma boa hora para isso. Como você está se sentindo? Sua cabeça dói?”

Emilia: “Eh, de jeito nenhum? Não me sinto estranha nem nada…!”

No meio de sua resposta, Emilia de repente ficou totalmente acordada e se levantou tão rápido que Subaru teve que jogar a cabeça para trás. Depois de quase bater suas cabeças uma na outra, Subaru olhou para Emilia, que não parecia ter notado o quão perto ela estava,

Emilia: “Ah, você está bem, Subaru? Eu disse que iria te proteger, mas acabei desmaiando…”

Subaru: “Eu consegui sobreviver de alguma forma, então não precisa se preocupar! Chegamos a um entendimento por meio do diálogo. As pessoas estabelecem vínculos entre si por meio de conversas e a gente deu o primeiro passo nesse sentido. Embora eu tenha tido alguns problemas de comunicação no início.”

Enquanto Emilia se aproximava cada vez mais, Subaru tocou seu ombro para tentar acalmá-la, enquanto a observava ao falar. Parece que ela conseguia ficar de pé e andar livremente, e os movimentos de seus olhos e a cor de sua pele, suas palavras e sua voz continuavam impecáveis. Além disso, ela era super fofa. Como sempre.

Garfiel: “Tudo ocorreu como eu disse, certo?”

E, como se esperasse Subaru se acalmar, Garfiel riu. Mas, ao ouvir isso, Emilia de repente pulou de surpresa, protegendo Subaru atrás dela, como se acabasse de notar a existência desse novo estranho na carruagem.

Emilia: “Quem é você!? Estou te avisando, não vou deixar você colocar um único dedo no Subaru.”

Subaru: “Tá tudo bem, Emilia-tan! Além disso, para de reforçar esse papel como se eu fosse uma protagonista feminina, por favor! Meu medidor de masculinidade não aguenta mais!”

Tirando Emilia de seu modo de combate por trás, Subaru se virou para encarar Garfiel e o apresentou,

Subaru: “Este é o Garfiel… logo depois você desmaiou, ele ata… quero dizer, veio embarcar na carruagem. Não que ele seja bem-vindo ou algo assim, mas ele está nos acompanhando até chegarmos ao Santuário.”

Emilia: “…Esse é o Garfiel? A pessoa que a Frederica mencionou?”

Garfiel: “Bem, estou curioso pra saber o que ela falou de mim, mas podemos deixar isso pra mais tarde. Olhem, já vamos subir para a aldeia.”

Ele se dirigiu a eles com o tom apropriado ao título, entretanto, suas palavras não continham nenhum respeito ou aprovação, e em vez disso foram servidas com desdém e um toque de escuridão.

Sem perceber, o olhar de Subaru se tornou severo e a confusão surgiu nos olhos de Emilia. Recebendo ambos os olhares, Garfiel abriu bem os braços, com sua atitude inalterada,

Garfiel: “O lugar que Roswaal chama de ‘Santuário’ ou sei lá o quê, onde os estúpidos se reúnem para passar cada um de seus dias, até seus lamentáveis fins, no impasse que são os Campos Experimentais.”

Subaru: “Campos Experimentais…?”

Emilia: “Estúpidos–”

Enquanto Subaru e Emilia são atraídos para partes diferentes do discurso, Garfiel colocou a mão sobre a boca cobrindo os dentes caninos que estavam aparecendo, sorrindo, como se estivesse escondendo um sentimento terrivelmente complicado.

Garfiel: “Porém nós, os residentes, o chamamos de ‘O Cemitério da Bruxa da Ganância’, risível, não é? Heh…”

Um eco de risos como se em autodesprezo, ressoavam silenciosamente na carruagem.

Baixo e fraco, como se fosse uma maldição, como se fosse uma bênção, ressoou por toda parte.

Escutando isso, Subaru apenas silenciosamente se preocupou com a garota ao lado dele.

Se uma Bruxa ficasse na frente de seu caminho novamente, ele seria o único a apagar as chamas que viriam… com firmeza e determinação, ele disse isso a si mesmo.

O “Santuário” se aproximava.

――Para Natsuki Subaru, e para Emilia, esse era um lugar que mudaria seus caminhos para sempre.

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